Paraíso Proibido
26 Capítulo 26. Rivalidade
Notas iniciais
Alexia PDV {Alexia: Ponto de Vista}
Ainda custava a acreditar no que tinha escutado na noite anterior. Que brincadeira sem graça era aquela? A Ísis e a Fernanda, juntas? Só podia ser um pesadelo! Não, eu não esperava voltar aqui depois de dois anos e encontrar tudo como eu deixei para trás, mas também não esperava algo tão inusitado. Fernanda sempre fora muito próxima e eu realmente nunca entendi porque Ísis a mimava tanto. Até aí tudo bem, elas eram amigas há muito tempo e acaba se criando um tipo forte de vínculo.
Mas eu notava algo diferente em Fernanda, desde o começo. O modo como ela era apegada à minha namorada na época, como olhava para ela. Tinha algo diferente sim. Várias vezes eu já a havia flagrado com aqueles olhares misteriosos, só não conseguia decifrá–los porque a loira era muito boa em camuflar suas intenções. Então era isso: desde o começo ela era apaixonada pela Ísis e sempre tivera a intenção de tê–la para si, só estava esperando o momento certo para dar aquele bote. E com a minha ida à Austrália para o intercâmbio eu deixei o caminho completamente livre para ela. Idiota! Eu havia facilitado tudo.
Só que eu não ia entregar Ísis de mão beijada para ela, não mesmo. Quem ela estava pensando que era? Aquela ruiva era minha muito antes de ela meter o nariz onde não foi chamada. Dois anos mudava muita coisa, sim ela tinha razão, e eu ia mostrar para ela o tamanho da mudança. Ela ia pagar pelo ridículo que me fez passar ontem.
Levantei da cama naquela manhã com um monte de pensamentos em minha cabeça. Tudo envolvia me vingar de Fernanda, eu não podia controlar aquele sentimento de possessão quando se tratava da Ísis. Ela não ia ser minha, tudo bem; mas também não ficaria com Fernanda. Sentei à mesa com minha mãe para tomar café. Ela e meu pai haviam se separado pouco antes de eu me mudar de país, mas eu não estava acostumada à isso ainda. Assim como meu pai havia seguido em frente, minha mãe também estava namorando um cara que eu me recusava a chamar de padrasto. Não tinha nada contra ele em especial, ele até que me parecia legal — devia ter seus quarenta anos, de boa aparência e bem cuidado, era empresário -, apenas não gostava de vê–lo tomando o lugar do meu pai ali. E minha mãe o havia abrigado ali dentro, coisa que me desagradava. Logo ele se juntou à nós para o café.
Deu um beijo em minha mãe, me fazendo revirar os olhos. Então sorriu para mim.
— Bom dia, Alexia. Descansou bem?
Levantei meu olhar para ele. Agora queria dar uma de bom samaritano comigo. Não ia colar. Apenas o encarei e voltei minha atenção para o café que eu mexia em minha xícara.
— Tenha um pouco mais de educação, Lexi. O John está falando com você. — Minha mãe reclamou.
— Me deixem em paz.
Vi que minha mãe ia voltar a reclamar, mas o fulano colocou a mão sobre a dela na mesa.
– Está tudo bem. Vamos tomar o café.
Eu os ignorei. Sinceramente não estava com cabeça para enfrentar toda aquela ceninha "família feliz", meus pensamentos estavam voltados para coisas mais importantes. Estava decidida à ir até o apartamento da Ísis quando terminasse aquele café, eu tinha que agir. Não dei atenção à conversa que eles iniciaram, John falava sobre seu trabalho, entediante. Quando estávamos praticamente terminando minha mãe resolveu falar comigo:
– Está acontecendo alguma coisa, Lexi? Você não me parece bem hoje...
– Problemas, mãe. Problemas. Mas vou resolver tudo, não se importem comigo — murmurei, pegando meu celular para responder umas mensagens que o apitavam freneticamente.
– Que tipos de problema, filha?
– Lembra da Ísis? Ela está namorando com outra garota — falei enquanto digitava em meu celular.
– E...?
– E, que eu não vou permitir isso. Ela está namorando com a Fernanda! Lembra da Fernanda? Que absurdo.
– Lexi, vocês terminaram há dois anos, faz dois anos que você se mudou para a Austrália. Não ia esperar que ela estivesse aguardando seu retorno, não é? Você fez sua escolha.
– Não vem com lição de moral, mãe. Eu sei das minhas escolhas, mas não vou permitir isso. Não com a Fernanda! Essa garota sempre se fez de rogada mas não é nem um pouco santa! Duvido que ela não tenha feito alguma coisa enquanto nós namorávamos, ela não me engana. E isso não vai ficar assim.
— Alexia, me escute bem: você não vai interferir na vida dessa menina, está entendendo? — falou autoritária. Levantei meu olhar. Como é que é?— Pare de agir desse jeito, eu não te eduquei pra isso. Deixe-as em paz e continue vivendo sua vida.
Não estava acreditando naquilo.
— E quem você pensa que é pra me impedir? Eu não estou pedindo sua permissão e muito menos sua opinião quanto a isso! — reclamei.
— Eu sou sua mãe e você vai me respeitar! Pouco me importa se não pediu minha opinião, a partir do momento que você falou comigo eu tenho o direito de dá–la. Pare com essa atitude fútil e infantil.
— Falou bem: minha mãe. E como minha mãe você não deve se intrometer nesse tipo de assunto, e fim de papo! Eu decido o que fazer, não quero saber o que pensa.
— Alexia! — ela se alterou. Eu a encarei. Ela ia mesmo fazer aquela cena? — Você não vai interferir na vida dessa menina, e fim de papo! Eu quero você longe dela, está me ouvindo? Caso contrário você vai voltar mais cedo pra Austrália do que eu queria! Onde já se viu, vem do outro lado do mundo pra acabar com relacionamentos aqui e por quê, por pura inveja? Você não era assim.
— Inveja? — dei uma risada sarcástica. Essa é boa! — Quem está com inveja aqui? Eu não tenho inveja daquela garota ridícula! Mas se eu não posso ficar com a Ísis, Fernanda também não vai ficar. Não se fala mais nisso! E é bom que você não interfira!
— Você está sendo ridícula!
— Então me deixe em paz com minha atitude ridícula!
Ela se levantou da mesa e saiu em passos fundos. O idiota do namoradinho dela tentou chamá–la, mas ela nem deu ouvidos, trancou-se no quarto. Agora essa! O queridinho do John se voltou para mim e ficou me olhando. Era bom que ele não dissesse...
— Você não deveria ter falado assim com a sua mãe. — É, ele disse. Apenas o encarei, sem acreditar que ele também ia se meter naquele assunto. — Ela não tem culpa...
— Ah, por favor! — eu o interrompi. Ele apertou os lábios. — "Não deveria ter falado assim com a sua mãe", me poupe. Eu não pedi que ela desse opinião, esse é um assunto meu e pra começar ela nunca aceitou muito bem o fato de eu gostar de garotas. Portanto, que não interfira. Ela não sabe dos meus motivos. E você não se meta também.
Ele ficou de pé. Achei que ia deixar a cozinha e já estava agradecendo por isso, mas não, em vez disso ele se debruçou na minha direção e me apontou o dedo:
— Eu não vou admitir que fale assim comigo, ok? E também não vou admitir que fale assim com Sarah. Ela é sua mãe e você deve respeito à ela, pois sem ela você não seria essa pessoa mesquinha que é hoje, infelizmente. Não preciso ver muito mais de você para saber como é com todo mundo ao seu redor.
Fiquei escandalizada. Como é?
— Quem você pensa que é para falar assim de mim, seu usurpador? Você não é meu pai, você não é nada aqui dentro, não é nada na minha vida! E eu não lhe dei o direito de apontar o dedo na minha cara e falar merda de mim, ok? — eu pulei de cadeira e empurrei a mão dele. Onde já se viu! — Você não me conhece, chegou aqui ontem e quer dar uma de bonitão. Se coloque no seu lugar ou você vai embora daqui tão rápido quanto entrou!
— Você pode falar o que quiser Alexia, o que vem de você não me afeta. Não sou um usurpador, não cheguei aqui para ocupar o lugar de ninguém, estou aqui porque amo sua mãe e ela me ama igualmente, e querendo você ou não é aqui que vou ficar porque aqui é o meu lugar, ao lado da Sarah. Você não está aqui o resto do tempo então não me representa ameaça alguma. Eu não queria estar tendo esse tipo de discussão com você, mas realmente você passou dos limites. Tenha um pouco mais de respeito e amor por àquela que te pôs no mundo, você deve isso à ela. Ao menos isso. — Ele então virou as costas e saiu, indo atrás da minha mãe.
Ridículo! Como ele ousava falar daquele jeito comigo, isso era um absurdo! Para a sorte dele eu tinha coisas muito mais importantes a resolver, então ele que fosse para o inferno junto com essa merda toda. Sai da cozinha e fui até meu quarto, troquei de roupa e peguei as chaves do meu carro, carteira e dirigi até meu próximo destino. Dois anos não me haviam apagado a memória e eu ainda lembrava muito bem de como chegar até seu apartamento, não foram poucas as noites que passei lá com ela. Levei no máximo uns dez minutos para chegar até lá. Desci do carro e me aproximei do portão. O porteiro veio me atender.
— Bom dia. Pois não?
— Vim ver a Ísis, ela mora aqui no oitavo andar, apartamento 67. Por favor, avise a ela que Alexia está aqui.
— Só um momento, senhorita. — Aguardei impacientemente, então ele voltou. — Desculpe, mas Ísis Vasconcelos não está em seu apartamento. Me confirmaram que faz alguns dias já que ela não vem até o prédio, deixou avisado que estaria fora por um tempo.
— Como assim? — reclamei.
— É tudo o que sei, senhorita Alexia.
— Ela se mudou?
— Não, apenas está passando uns dias fora.
— Certo. Obrigada.
Sai dali intrigada. Como assim passando uns dias fora? Viajando ela não estava porque eu a havia visto ainda ontem, então isso só poderia significar que ela estava ficando na casa de alguém, certo? Então as peças se encaixaram enquanto eu encostava no carro e encarava a calçada. Será que ela estava ficando com Fernanda? Meu sangue ferveu de raiva. Não acredito nisso! Quando ia virar as costas, vi uma pessoa conhecida se aproximar. Qual era o nome dela mesmo, Amanda? Ou era a Alysson? Não importa, eu a chamei.
— Ei! — Me aproximei. — Você, espera. — Parei na frente dela e ela me encarou. — Alysson, não é?
Estreitou os olhos.
— Amanda.
— Amanda, claro. Perdão. Pode me dizer onde a Ísis está? — não fiquei de rodeios.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Como é que é, garota?
Trinquei os dentes e engoli em seco.
— A Ísis. Quero saber onde ela está.
— É claro que quer — ela foi sarcástica. — Mas nem se eu estivesse bêbada eu te falaria. Vê se desaparece, Vagalexia. Se você voltar a se aproximar da Izie ou da Fê, você vai se dar mal. Guarde meu aviso.
Ela saiu me encarando feio. Me senti ultrajada. O que ela falou, do que me chamou?! Piranha! Tudo bem, eu não precisava da ajuda dessa outra ridícula, eu ia encontrar a Ísis a qualquer custo. Voltei para o meu carro e saí dali. Meu orgulho estava ferido, não podia negar, mas aquilo não ia ficar assim. Se eu pelo menos soubesse onde ficava a casa de Fernanda, mas eu não sabia. Agora estava um passo atrás, precisava mudar essa situação e não sabia por onde começar. Ia ter que mudar de estratégia.
Ísis PDV {Ísis: Ponto de Vista}
Acordei naquela manhã decidida a me redimir pelo o que acontecera na noite passada. Eu jamais poderia imaginar como Fernanda se sentia com relação a Alexia, realmente eu havia sido uma péssima amiga e uma péssima pessoa, não podia evitar me sentir assim agora.
Com um suspiro, eu fui para o banheiro fazer minha higiene matinal e tirei a roupa de dormir, trocando-a por uma de sair. Prendi meu cabelo num coque mal feito, peguei minha carteira e saí para ir até a padaria. Cumprimentei rapidamente o porteiro que me liberou o portão e fui para a rua, fechei o mesmo e quando me virei encontrei Amanda.
— Ei, Is. Achei que fosse que encontrar aqui — ela disse. — Está indo à algum lugar?
— Oi Mandy. Eu vou até a padaria... Está tudo bem?
— Claro. Vou te acompanhar.
Não reclamei. Ela andou fielmente ao meu lado, confesso que estranhei um pouco vê-la àquele horário por ali. Quando entramos e eu pedi os pães no balcão, ela então chegou mais perto e disse, meio baixo:
— É o seguinte: Vagalexia está fechando o cerco. Eu preciso conversar com você e a Fê juntas, Is.
Uni as sobrancelhas. O que ela queria dizer com "Vagalexia está fechando o cerco"?
— Como assim, Amanda?
— Alexia — fiz uma careta quando ela pronunciou o nome. Então entendi o trocadilho; teria dado risada em outro momento, mas agora eu estava séria. — Estava rodeando seu prédio atrás de você. Ela sabe onde a Fê mora?
— Provavelmente não.
— Ótimo, pelo menos isso. Mas ela vai começar a juntar as peças e pode chegar até aqui. Eu não quero essa garota perto de vocês, nenhuma de nós quer, está mais que claro, depois de ontem, que ela vai fazer de tudo para infernizar você e a Fê. Por que essa garota resolveu voltar agora, hein Is?
Respirei fundo.
— Eu não sei Mandy, ela é maluca. Depois que ela entrou naquele avião com destino à Austrália eu nunca mais a vi e nós mantivemos contato apenas nos primeiros dias, depois nunca mais soube dela. Já faz dois anos. Isso só pode ser loucura. Ela ficou mordida porque estou com a Fernanda, acha que é minha dona e dona da minha vida, ou deve ter algum complexo de não me querer com mais ninguém, eu sei lá! Se soubesse desde o começo que seria assim jamais teria ficado com ela. — Fechei a mão em punho, preocupada. Eu não podia perder a Fê, ela não ia conseguir isso.
— Eu sei lá... Mas toma cuidado, está bem? Não sabemos até quando ela vai ficar aqui, eu só não quero que ela consiga o que está querendo. Eu e as meninas nos jogaremos na frente de vocês se ela atirar! Mas vamos esperar que não chegue à isso né. Ela podia simplesmente desaparecer, pena que não é tão fácil assim. Se cuida, ok? — Ela colocou a mão sobre a minha no balcão.
Estava um pouco surpresa, era a primeira vez que via Amanda agir daquele jeito comigo, ela e a Alysson sempre foram um pouco mais reclusas, mas era bom saber que isso estava mudando. Dei um leve sorriso.
— Pode deixar. Eu vou ficar de olhos abertos — garanti.
Ela assentiu e então saiu, dizendo que estava indo para seu apê e que nos veríamos no campus.
Mesmo durante as aulas, não consegui parar de pensar nisso. Mais um problema envolvendo o mesmo problema. Péssima hora para uma "visitinha", Alexia.
Só fiquei mais tranquila mesmo quando encontrei Fernanda no intervalo, pelo jeito tudo estava bem e sob controle. A todo instante eu ficava com aquela insegurança, aquele medo de que a sujeita fosse abordar Fernanda de alguma forma e tirá-la de mim. Era melhor quando ela estava ao meu alcance, não gostava nem de imaginá-la sozinha na presença daquela garota.
Quando estávamos indo embora no final das aulas, Claire nos parou e disse que queria fazer alguma coisa mais tarde — ela sempre queria, ela não aguentava um dia sem inventar uma moda nova! -, mas como estava muito frio para qualquer ser humano decente ficar na rua, ela disse que queria todas nós lá no apartamento dela a noite para ficarmos assistindo filme, séries, qualquer coisa que fosse — e comendo muita besteira — que a tirasse do tédio completo. Não recusamos, afinal, por que não?
Depois de nos despedimos, fui com Fernanda até nosso carro no estacionamento da universidade. Porém, no meio do caminho alguém chamou o meu nome.
— Ísis?
Nós paramos e Fernanda virou junto comigo ao ouvir a voz. Ela uniu as sobrancelhas em dúvida, percebi, mas a minha reação foi completamente diferente ao ver e reconhecer a mulher que se aproximava. Do que se tratava aquilo?
— Ísis... — ela disse como um cumprimento, assentindo de leve.
Não tentei fingir que estava feliz em vê-la.
— Sarah. — Meu "cumprimento" foi rude. Ela notou que eu não estava gostando daquela aparição.
Ela apertou os lábios e olhou para a minha namorada.
— Você deve ser a Fernanda. Eu sou Sarah — ela estendeu a mão educadamente. Mesmo sem entender muita coisa Fernanda estendeu a mão e a cumprimentou. Eu estava tensa. Sarah juntou as mãos como se para aquecê-las. — Eu... Eu sou mãe da Alexia.
Nesse momento a feição de Fernanda mudou completamente. Ela desviou o olhar e apertou os dentes, seu maxilar ficou tenso.
— Sei o que devem estar pensando, mas eu estou aqui por uma boa causa, eu juro. Aproveitei que Alexia está ausente, uma amiga dela ligou hoje cedo e pediu para ela ir visitá-la na cidade vizinha, então... Enfim, isso não importa, não é mesmo?
Eu não queria estender aquele assunto.
— Por que está aqui? — A pergunta não partiu de mim, mas sim da minha namorada.
Sarah olhou meio desolada para ela. Não estava entendendo o motivo daquela abordagem.
— Eu... Eu não te conheço Fernanda, eu sei, e também conheço muito pouco da Ísis, mas... Conheço a minha filha. E essa garota que voltou agora não é a mesma Alexia que deixou o país há dois anos atrás, eu não a reconheço... — ela falava meio devagar, como se custasse a proferir aquelas palavras, como se doessem nela. Parecia doer, era o desabafo de uma mãe, isso estava estampado em seu rosto. — Ela não é mais a mesma pessoa doce... Alexia podia ter muitos defeitos, eu sei disso, mas ela nunca foi rude comigo, nunca me destratou como tem feito esses dias...
— Ela fez isso com você? — Fernanda questionou. Eu apenas ouvia.
— Sim — Sarah assentiu entristecida. — Desde que chegou só soube reclamar das coisas, falar grosserias sem pensar... Eu e o pai dela nos separamos por decisão dele e ela parece me culpar por isso, não aceita o John em nossa casa... John é meu novo marido — ela explicou. — Fica falando coisas ruins e o destratando também. E agora vocês... Ela está enlouquecida com isso, eu juro que tentei fazê-la entender que a Ísis não é uma propriedade dela, que o que elas tinham já terminou há muito tempo, mas... Ela não vai desistir. Eu não devia me meter nesse assunto, imagino como ela vai reagir comigo se souber...
— Ela não precisa saber.
Sarah olhou para ela e assentiu. Não estava reconhecendo Fernanda, achei que ela reagiria completamente diferente àquele encontro.
— Olha, Fernanda... — ela se aproximou e segurou as mãos da minha namorada, e ela aceitou o toque. Minha testa estava vincada em preocupação e confusão. — Alexia é minha filha, mas eu não vou apoiar essa perseguição dela contra vocês, isso não faz o menor sentido. E você... Você me parece uma boa menina — disse com um pequeno sorriso -, não merece isso, então... Por favor, eu peço, por favor não acredite em nada que envolver a Alexia e que possa comprometer seu relacionamento com a Ísis. Ela vai tentar qualquer coisa para abalar vocês, qualquer coisa. Um relacionamento é construído não só de amor, mas de confiança também, e você precisa confiar na Ísis se a ama de verdade. São só mais alguns dias, logo Alexia terá que voltar para a Austrália — ela suspirou. — De pensar que dois anos atrás eu estaria sofrendo com isso... Agora acho que o melhor é ela voltar mesmo, pelo menos até ela mudar esse comportamento.
— Tudo bem, Sarah — Fernanda assentiu. Eu estava surpresa, não ia negar. — Eu já conhecia a Alexia antes de tudo isso acontecer, e isso implicou ainda mais na inimizade que agora ela criou por mim. E eu amo a Ísis, mas como você mesma disse relacionamentos não são feitas só de amor, e eu confio nela. Só não confio em Alexia e não quero ela perto da Ísis novamente, não vou permitir que ela destrua o que nós estamos construindo juntas.
Fernanda foi firme e direta. Achei que Sarah ficaria chateada, mas ela simplesmente assentiu como se concordasse.
— Você está certa. — Ela realmente concordou. Apertou os lábios. — Era só isso que eu queria dizer. Desculpa ter abordado vocês duas dessa maneira, eu só não quero que isso fique pior do que já está, então... Fiquem de olho. E me desculpem por todo esse transtorno.
— Não é sua culpa — Fernanda disse devagar. Eu permaneci em silêncio, apenas encarando Sarah.
Ela deu um pequeno sorriso e então assentiu para nós e saiu em direção ao seu carro do outro lado do estacionamento. Quando se distanciou o suficiente, olhei para Fernanda ao meu lado. Ela apenas me lançou um olhar, apertando de leve os lábios, então virou-se e foi em direção ao veículo. Dei a volta e entrei também.
Ao chegarmos no apartamento, Fernanda ainda permanecia quieta como estivera durante todo o caminho. Eu estava receosa, não sabia se devia invadir seu espaço naquele momento. Apenas a observei deixando suas coisas sobre o sofá e em seguida indo para a cozinha beber um copo de água. Eu encostei no batente da passagem da sala para a cozinha, apenas olhando-a.
Baixei o olhar e fechei os olhos por um instante, massageando minhas têmporas, como se aquilo fosse me trazer algum alívio de toda a tensão pela qual eu vinha passando.
— Ei... — escutei a voz dela próxima a mim, falando baixinho. Respirei fundo, sem abrir os olhos ainda. Sua mão morna tocou meu rosto, fazendo um leve carinho, então ela passou o braço em meu pescoço num meio abraço, encostando seu rosto ao meu. Ainda em voz baixa, ela disse perto de meu ouvido: — Eu nunca achei que seria fácil, Is. Nada disso é culpa sua...
— Eu sinto muito, Fê — murmurei, envolvendo-a em meus braços. Queria ter o poder de fazer tudo aquilo desaparecer. — Me desculpa...
— Não tem o que desculpar. Isso vai passar — ela respondeu. Se afastou um pouco para segurar meu rosto em suas mãos. Então, finalmente abri os olhos para encará-la. — Nós vamos passar por isso, está bem? Vai ficar tudo bem, nós vamos ficar bem.
Apertei os lábios em resposta, torcendo para que ela estivesse certa. Era mesmo muito injusto Alexia aparecer daquele jeito depois de tanto tempo, já causando uma discórdia tão grande. Com o tempo os casais se acostumam com essas coisas, essas brigas, discussões; tudo isso faz parte de um relacionamento, mas é sempre mais difícil no começo, quando tudo é muito inseguro e incerto. Mas nós íamos ficar bem.
— Eu não quero te perder...
— Não vai — ela disse, olhando em meus olhos. — Agora vamos esquecer isso, está bem? Vamos descansar um pouco, porque você conhece bem a Claire e ela com certeza não está planejando nada que acabe antes da meia noite.
Dei um meio sorriso. Não esperava mesmo isso da Claire.
— Está bem. Quer tomar um banho? Vou preparar algo rápido para comermos, depois tomo um banho também e vamos descansar. Que horas ela quer que vamos pra lá, ela disse?
— Acho que lá pras oito horas da noite só. Agora são duas e meia — ela disse checando seu relógio de pulso -, então temos tempo suficiente — deu um sorriso.
— Ok — devolvi o sorriso, dando um beijo rápido em seus lábios.
Achei que ela iria para o quarto tomar seu banho, mas em seguida seus lábios estavam nos meus outra vez, sua mão na base de meu cabelo me segurando com firmeza. Confesso que não estava esperando aquilo, mas meu corpo não era tão atrasado quanto a minha percepção, automaticamente meus braços envolveram seu corpo e eu a trouxe para ainda mais perto. Sem que nos déssemos conta, aquele beijo tornou-se urgente. Mas foi diferente, não era aquela urgência que sabíamos nos levaria a terminar aquilo em sexo, mas sim um tipo novo de urgência, como se precisássemos daquele contato para garantir que estávamos ali, que não iríamos a lugar nenhum.
Eu me entreguei por completo àquela sensação gostosa de sentir seu beijo e seu toque, e ela parecia tão entregue quanto eu. Minhas mãos subiram por dentro de sua blusa, necessitando de contato com sua pele, e o contraste da minha pele fria com a sua quente causou-lhe arrepios. Ela suspirou em meus lábios; esse tipo de reação sempre me causava um turbilhão de sensações. Minhas mãos inquietas escorregaram por trás de suas coxas ainda cobertas pela legging que ela usava, a impulsionei para cima e ela enlaçou as pernas em minha cintura, sem parar o beijo.
Não dava pra dizer de onde exatamente surgiu aquela necessidade, mas de repente estava ali. Eu não reprimi e nem ela, precisávamos daquele contato. Sem me importar muito com os planos anteriores — que envolvia eu fazendo nosso "almoço" —, eu a guiei até o banheiro de seu quarto, tateando com uma das mãos para não bater em nada no caminho, enquanto com a outra eu a sustentava contra meu corpo. No banheiro eu a apoiei sobre a pia, suas mãos estavam em meu cabelo enquanto seus lábios exigiam dos meus um beijo sôfrego, que eu correspondia na mesma intensidade.
Ela se afastou por um instante, para falar baixinho:
— Liga o chuveiro.
Meu corpo se agitou instantaneamente com aquela ideia. Mordi o lábio. Não demorei para acatar a ordem, abri a porta de vidro fumê do box atrás de mim e liguei o chuveiro. Fernanda pegou um elástico para prender seu cabelo e me entregou outro, fiz um coque de qualquer jeito mesmo. O banheiro não estava muito bem iluminado, apenas a luz acinzentada de uma tarde nublada trespassava a janela, aquilo causava um clima mais denso, um clima que nos envolveu naquela repentina nuvem de desejo.
Não dei tempo para que ela mudasse de ideia, logo tratei de segurar a base de sua blusa e tirá-la em seguida, e ela fez o mesmo com a minha. Nos livramos de nosso sapato, em seguida da calça e então das roupas íntimas. E eu não me cansaria de dizer o quanto ela era linda, em tudo. Seu corpo era proporcional em cada curva, e mesmo que não fosse o momento apropriado aquela culpa por não tê-la notado antes sempre me assaltava. Sentimento que, naquele momento, eu ignorei.
Ela segurou minha mão com um sorriso sutil nos lábios e entrou no box, me levando junto. Mordi os lábios num sorriso e num movimento automático, fechei a porta de vidro atrás de mim, sem tirar os olhos dos seus. Quando nossas peles se chocaram, meu corpo pressionando o seu contra a parede fria, minhas mãos entrelaçando-se nas suas no alto, nós suspiramos. Mordi seu lábio inferior, já sentindo aquela ânsia de tomá-la para mim me consumindo com toda força. Mas me contive ainda por um instante, descendo a ponta dos meus dedos tocando de leve sua pele pela lateral de seu corpo, onde ela arrepiou com o contato, até chegar em sua cintura onde a apertei com mais força, trazendo-a para mais perto.
Por mais que eu quisesse pular as "partes chatas" e ir direto ao ponto que meu corpo já em expectativa queria, eu gostava de admirá-la, achei justo prolongar um pouquinho mais. Peguei e abri o fluxo de água no chuveirinho, ajustando a temperatura e deixei a água cair sobre seu ombro, escorrendo por seu corpo. Mordi o lábio com força, me controlando, não era o tipo de visão que passava sensação de calma; pelo contrário, ver a água escorrendo por seu corpo daquele jeito só me deixou ainda mais agitada.
Ela juntou as mãos em concha embaixo da água e deixou acumular um pouco, em seguida derramando sobre o meu corpo também. Suas mãos passearam pelo meu tórax, espalhando a água por ali, descendo por meus braços e, subindo pela minha barriga, suas mãos cobriram meus seios por um instante antes de subirem de novo e irem para o meu pescoço onde ela entrelaçou os braços e atacou meus lábios novamente. Eu larguei o chuveirinho no mesmo instante, envolvendo meus braços em sua cintura, respondendo ao seu beijo. Ela queria aquilo no próximo nível tanto quanto eu.
Usei meu braço direito para dar impulso em sua cintura e a suspendi, enquanto com o esquerdo apoiei sua perna que logo ela enlaçou em minha cintura novamente. Sem roupa alguma para me impedir, nossas peles chocando-se sem nenhum tipo de inibição agora, mudava completamente a sensação daquela posição. Ela gemeu baixinho quando mordi seu lábio e subi minhas mãos por sua barriga, chegando em seus seios descobertos que eu toquei gentilmente, estimulando-os. Seu corpo ficou inquieto. Trilhei caminho abaixo, roçando de leve minhas unhas em suas costelas e coxas em seguida, fazendo-a suspirar e agarrar-se com mais força à mim.
Finalmente, decidida a acabar com aquela expectativa de uma vez, desci minha mão até sua intimidade e a senti úmida e quente em contraste ao resto de sua pele morna. Ela gemeu, mordendo meu lábio, suas unhas agarrando com mais força minha nuca. Devagar, eu a toquei, ora fazendo um movimento de vai-e-vem, ora fazendo círculos, estimulando seu clitóris. Ela gemia ao pé do meu ouvido, me deixando cada vez mais excitada e descontrolada, aumentei o ritmo dos meus movimentos e, quando isso não foi mais suficiente, eu a penetrei com um dedo sem aviso prévio e isso fez ela gemer roucamente, mordendo meu ombro. Foi como atear fogo em pólvora; mesmo sem querer exatamente ela incendiou eu corpo, foi como um choque que me eletrizou por completa.
Mesmo se eu tentasse, seria impossível me controlar mais do que eu já me controlava. Movimentei meu dedo em seu interior, entrando e saindo devagar no começo, o que fez ela gemer em meus lábios, implorando por mais — o que era absurdamente impossível negar. Aumentei o ritmo das minhas investidas, ela aumentou o ritmo de seu gemido conforme a excitação crescia e seu corpo entrava em combustão. Desci meus lábios por seu queixo e pescoço, mordiscando sua pele úmida, enquanto a penetrava sem muita gentileza.
Naquele ritmo, senti suas paredes internas se contraírem, e não demorou muito para que seu corpo entrasse em êxtase. Quando a sensação do orgasmo arrebatou seu corpo, ela jogou a cabeça para trás contra a parede e gemendo mais alto, suas unhas arranharam meu pescoço causando um tipo novo e alucinante de dor, que só aumentou minha excitação. Seus músculos se contraíram por alguns instantes, então seu corpo amoleceu em meus braços, a respiração descompassada. Ela encostou a testa na minha, recuperando o fôlego. Apoiei minhas mãos em sua cintura, sustentando-a, capturando seus lábios em um beijo mais tranquilo daquela vez. Ela mordeu meu lábio com um sorriso.
— Vamos terminar isso fora daqui — sussurrou.
Sorri.
— Vamos.
Já que estávamos ali e a água corria, aproveitamos para tomar um banho rápido e então saímos do box e nós secamos. Do lado de fora, o quarto estava na mesma iluminação acinzentada, a cortina cobria a janela parcialmente aberta. Como minha namorada não estava mesmo para brincadeiras, ela logo nos guiou para a cama e me fez sentar sobre o edredom, sentando em meu quadril em seguida, seus lábios logo tomando os meus. Não havia tempo a perder. Subi minhas mãos por suas costas, dando apoio para virá-la sobre o colchão e ficar por cima de seu corpo, encurtando a distância entre nossos sexos. Suas pernas envolveram minha cintura e eu me ajeitei entre elas, o contato nos fez suspirar e eu capturei seus lábios em um beijo lento e provocativo.
Ela se remexeu, inquieta, e eu entendi o recado e comecei a movimentar meu quadril contra o seu, criando atrito entre nossas intimidades, fazendo nossos corpos se acenderem novamente. Comecei devagar e fui aumentando o ritmo, isso fez com que o prazer daquele toque nos consumisse cada vez mais rapidamente e quase ao mesmo tempo, chegássemos ao clímax. Eu gostava de tê-la daquele jeito porque podia sentir cada parte de seu corpo no meu, cada espasmo que o orgasmo lhe trazia, era uma sensação indescritível.
Mordi seu lábio e desci por seu pescoço, traçando um caminho por sua barriga abaixo até chegar em seu sexo pulsante, onde eu a toquei com a ponta da língua. Fernanda gemeu e sua mão agarrou meu cabelo, os dedos entrelaçando-se entre os fios. Achei que ela fosse me afastar, mas pediu por mais contato e eu não era nem um pouco louca de negar, logo a chupei e lambi como queria, mas por já estar em êxtase seu corpo não aguentou muito mais. Não demorou muito para que ela explodisse em outro orgasmo e seu corpo se desfalecesse sobre o colchão.
Subi novamente e alcancei seus lábios com um sorriso, mordiscando e beijando-a em seguida. Ela sorriu de volta, o dedo indicador contornando meus lábios. Naquele momento eu me senti completa outra vez, por um instante esqueci de todos os problemas à nossa volta, seus brilhantes olhos esverdeados e seu sorriso ofuscaram todas essas coisas. Éramos apenas nós ali, dizendo, mesmo que em silêncio, o quanto amávamos uma à outra. E esses eram os momentos mais especiais para mim, aqueles que ficariam marcados para sempre a ferro e fogo em minha memória.
Dei um beijo na ponta de seu nariz e ergui um pouco meu corpo.
— Acho que prometi fazer o almoço — apertei os lábios. — Vou lá, mesmo contra minha vontade. Descansa um pouquinho, está bem?
Ela rolou os olhos como se também não gostasse da ideia, mas então sorriu de novo e assentiu.
— Ta bem... Vai lá — disse encolhendo um pouco os ombros.
Com um sorriso, dei um último beijo nela.
— Eu amo você, Fê... — disse ainda próxima a seu rosto. — Você é muito especial pra mim, não se esqueça.
Ela respirou fundo.
— E eu amo você — respondeu, fazendo um leve carinho em meu rosto. — Não me deixe nunca, ta?
Olhei em seus olhos.
— Nunca — prometi. E cumpriria.
Ela sorriu e eu retribui, dando mais um beijo em seus lábios só por garantia. Então me levantei, vesti um roupão e fui para a cozinha. Enquanto fazia a comida, eu divagava sobre diversas coisas. Não conseguia deixar de pensar nos problemas também, é claro, mas tinha certeza de que toda essa confusão se resolveria logo. Eu ainda não sentia como se tivesse me redimido com a Fê, ainda estava em dívida por fazê-la passar por todo esse transtorno. Enquanto almoçávamos, ela parecia menos tensa e preocupada com os acontecimentos daqueles últimos dias, mas eu sabia que isso não queria dizer nada.
Já era por volta das cinco da tarde quando finalmente parei para descansar. Nós ficamos deitadas assistindo um seriado na televisão do quarto, acabamos passando por um sono e acordamos com o celular dela tocando; era Claire, perguntando se já estávamos chegando. Ela ficou uma fera quando Fê disse que estava dormindo, nós só rimos e então nos levantamos para nos arrumar, era oito e meia da noite. Pelo menos amanhã era sábado, provavelmente passaríamos a madrugada fazendo vários nadas e teríamos o final de semana pra descansar.
Nos arrumamos e então saímos do apê era nove horas, em menos de vinte minutos chegamos ao condomínio onde a Claire morava, Amanda e Alisson tinham acabado de chegar também.
— Ela também está puta com vocês, aposto — Ali zombou.
— Com certeza — respondemos com diversão.
Nós rimos e então fomos até a entrada, nos identificamos, eles notificaram Claire e então nossa entrada foi permitida. Quando chegamos no apê dela, vimos que ela realmente estava levando aquilo à outro nível! Ela tinha livrado o centro da sala, tinha um colchão inflável ali e ao lado uma mesinha com caixas de salgado e o frigobar – que estava cheio de energético e cerveja. Rafa quem abriu a porta.
— Elogiem tudo, por favor. A Claire passou a tarde inteira pra lá e pra cá pra organizar isso aqui — ela cochichou. Nós seguramos o riso. — Entrem, meninas!
— Nossa, que superprodução é essa aqui, hein Claire?! — Amanda já escandalizou. Nós rimos. Acho que não era exatamente esse o plano!
Claire veio toda saltitante e sorridente.
— Vocês gostaram?! Vamos madrugar aqui hoje! — bateu palmas.
Nós demos risada.
— É, ficou ótimo mesmo. Você pensou em tudo — falei com um sorriso.
— Com certeza, minha queridinha. Vamos, vamos, tem muita coisa pra comer e beber aí, não quero nada pra amanhã de manhã!
E assim nós passamos aquela noite. Ficamos até por volta das cinco da manhã fazendo maratona de série, o energético foi o que nos manteve acesas. Quando ninguém aguentou mais, resolvemos voltar para nossos respectivos apês. O dia já clareava quando Fernanda e eu chegamos ao seu prédio. No conforto do nosso lar, trocamos as roupas por pijamas confortáveis, escovamos os dentes e então caímos na cama. Com certeza, não acordaríamos tão cedo.
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