Paraíso Proibido

24 Capítulo 24. Litoral - VIII: Your Eyes They Are So Blue... / Noite entre Amigos / Despedida


Notas iniciais
Bom, espero não ter esquecido como se faz isso... Olá, pessoal! Pois é, depois de 7 meses (SIM, 7 MESES AO TODO) sem postar um capítulo aqui, nem sei qual será a recepção do pessoal para esse capítulo, confesso não estar esperando demais ;( Aos leitores que falaram comigo por MP, nos comentários e etc, eu expliquei o motivo de eu ter me afastado daqui por tanto tempo. Eu nunca me comprometi a postar uma história minha porque sempre tenho esses bloqueios criativos, mas esse foi dureza mesmo! Sete meses para conseguir concluir um único capítulo que nem tem tanta informação assim, é pra acabar eu sei ;( Peço perdão por ter deixado vocês na mão todo esse tempo, mas vou tentar voltar, eu prometo! A boa notícia é que já tenho meio caminho andado para o próximo capítulo, e vou tentar dar continuidade à Paraíso Proibido ^-^ Antes de mais nada, quero explicar como vai ser minha volta. Vou poder voltar a escrever UM DIA SIM E UM DIA NÃO, mas isso não significa que vou postar um dia sim e um não, e sim mostra a frequência com a qual voltarei a escrever, só não sei de quanto em quanto tempo vou poder postar ainda ;/ Não quero estipular prazos para não decepcionar mais ninguém, vamos deixar acontecer naturalmente. Não vou demorar mais todo esse tempo, eu espero! #CruzemOsDedinhos :'( Bom, aí está o capítulo 24. Estão liberados para me xingar, juro que não vou levar para o lado pessoal! Chega de bla bla bla e boa leitura! Perdão por qualquer erro. (Mudei meu nome - antiga MrsThay - e coloquei uma foto nova, minha dessa vez, só pra variar um pouco pq sei que vou tirar depois. xo ;)

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Aquela noite com certeza tinha sido a melhor noite de toda a minha vida. Eu ainda estava tentando acreditar no que havia acontecido, várias vezes me pegava tocando a aliança em meu dedo para ter certeza de que não era apenas mais um daqueles meus antigos sonhos com Izie. Ah, esses sonhos... Pareciam ter acontecido há uma vida. Agora, tudo parecia mais real, mais vívido. Ísis era minha namorada, a garota com a qual eu havia sonhado toda a minha vida. Ela era minha, de verdade e para sempre, porque eu queria ser dela para sempre também.

Eu estava apoiada em seu corpo, a cabeça descansando em seu peito, quando o sol começou a nascer no horizonte depois daquela noite inesquecível. A visão era deslumbrante. Nossas mãos estavam entrelaçadas, e eu acariciava sua pele, sentindo-a. O cheiro gostoso de seu perfume me inundava como uma maré forte à areia, eu adorava. Algumas meninas tinham ido para suas devidas casas descansar, outras ainda estavam ali pela tenda, os meninos estavam ajeitando os instrumentos, amplificadores e a aparelhagem para que pudessem levar embora, eles haviam trazido tudo em uma van. Apesar da situação inusitada na qual conhecemos Raíssa, ela e suas amigas — que não demoraram muito para se tornarem nossas amigas também — eram super legais e animadas, claro que nos demos bem de primeira. Eu ainda não havia entendido porque ela resolvera interferir por mim quando aqueles caras apareceram, mas algo bom tinha saído disso, então não importava realmente.

Enquanto observava nossas mãos juntas, as alianças brilhando com os primeiros raios de sol, pensava em milhares de coisas ao mesmo tempo. Eu havia sonhado com um momento como aquele desde que me descobri apaixonada por Ísis, e agora que ele era real, me custava acreditar.

– Eu não vou acordar, não é? — murmurei, absorta em meus pensamentos.

– Como assim, pequena? — Izie perguntou, sua mão livre acariciava meus cabelos.

– Se eu não vou acordar... Disso. Tudo parece um sonho...

Notei ela sorrir.

– Parece um sonho sim, mas é real, meu amor.

Devolvi o sorriso, suspirando. Não precisei dizer mais nada, tudo estava perfeito.

Algum tempo depois, nós resolvemos voltar para casa. As meninas já estavam cansadas e Claire havia cochilado deitada nas pernas da Rafa. Havia sido uma surpresa descobrir que Alisson e Amanda estavam juntas, mas era ainda mais surpreendente ver a Claire com a ucraniana. Todas nós notamos que ela se encantou com a morena de olhos azuis, isso ficou evidente desde o primeiro contato delas, mas a tal ponto de ela colocar todo seu orgulho hétero de lado e se entregar à Rafa? Porque nós sabíamos que era exatamente o que tinha acontecido, aqueles chupões não apareceriam de outra forma. Ela quase conseguiu nos enganar, chamando toda a atenção para Alisson e Amanda. Mas não foi dessa vez.

Nos despedimos das pessoas que ainda estavam por ali, agradecendo à Rai e as meninas por terem nos convidado e por toda a elaboração do lugar. Izie me disse que havia conversado com ela e que a decoração tinha sido feita especialmente para combinar com o nosso momento. Tinha sido realmente muito especial para mim, com certeza eu nunca esqueceria. Rai passou o número de seu celular e nós passamos os nossos, ela disse que nos chamaria para "eventuais bagunças", foram suas palavras. Concordamos, seria bem legal. Apesar de não estarmos tão longe, os meninos se ofereceram para nos levar de van, já que estávamos bem cansadas. Não recusamos, e em menos de dez minutos já estávamos em casa. Tomamos um banho rápido para poder descansar.

Mesmo depois de ter passado aquela madrugada toda acordada na agitação, quando deitei não consegui sentir aquele sono que me faria dormir, sentia apenas o cansaço pesando sobre meu corpo, mas não era o suficiente. Respirei fundo, esperando Izie sair do banheiro, coisa que não demorou. Ela se ajeitou ao meu lado e novamente seu cheiro gostoso me fez suspirar. Se aconchegou pertinho de mim, os braços sobre meu corpo. O que mais eu poderia querer? Eu estava, literalmente, vivendo um sonho meu. Não podia ser melhor.

Me virei para poder olhar em seus olhos. Eles estavam meio pequenos, por conta do sono talvez, e ela sorriu quando fiz um carinho em seu rosto. O quarto estava o mais escuro que as cortinas permitiam, mas o sol já ardia lá fora; era quase oito e meia da manhã àquela altura. Como se para memorizar, percorri os traços de seu rosto com o dedo indicador, contornando suas sobrancelhas, nariz, lábios e rosto, enquanto minha mente estava cheia dela. Em todos os momentos, sempre estava cheia dela, por todos os cantos. Era como se não existisse mais nada em que eu pudesse pensar e eu sabia que isso era muito piegas, só que eu simplesmente não conseguia evitar. Izie suspirou, um suspiro cansado, fechou olhos e eu apenas fiquei observando sua feição relaxar.

Cheguei a pensar que ela tivesse dormido, mas então seus olhos voltaram a se abrir alguns instantes depois. Ela fez que ia dizer alguma coisa, mas não emitiu som algum, apenas juntou mais nossos corpos, os braços delicadamente me envolvendo, enquanto seus lábios tomavam os meus num beijo calmo. Esse era mais um daqueles momentos que eu poderia perder horas sem nem perceber, quando ela me beijava daquela forma. Seus lábios acariciavam os meus, sem pressa, apenas curtindo o momento, enquanto suas mãos passeavam pelas minhas costas devagar. Nós teríamos ficado assim o resto do dia, mas nossos corpos colados se tornaram mais exigentes, eles sempre nos faziam querer mais.

Sua mão continuou pelas minhas costas e adentrou minha camiseta, as unhas roçando de leve minha pele me fazendo arrepiar com o contato. Suspirei, juntando mais nossos corpos, e nesse momento a mudança na atmosfera ao nosso redor foi imediata. Seu beijo se tornou mais urgente, sua mão me mantendo o mais próxima possível e ela encaixou a perna no meio das minhas, fazendo uma leve pressão ali, arrancando outro suspiro de mim. A intensidade de nossas carícias foram aumentando conforme a temperatura de nossos corpos subiam a ponto de nos fazer ofegar.

Izie se apoiou em seu cotovelo e sua mão retirou minha camiseta. Num impulso, sentei em seu quadril e ela levantou para seu braço envolver minha cintura, enquanto seus lábios exigiam um beijo quente dos meus. Sem muita cerimônia, tirei a camiseta que ela vestia e como nenhuma de nós usava roupa íntima superior, o choque de nossas peles nuas nos fez gemer em antecipação, suas unhas arranhando de leve a pele de minhas costas enquanto meus dedos se emaranhavam em seu cabelo com firmeza. Não demorou muito para que seus beijos trilhassem um caminho ardente pelo meu maxilar e pescoço, enquanto suas mãos quentes e macias cobriam meus seios descobertos, e logo seus lábios chegaram ali também e todo o meu corpo pareceu acender. Sua língua brincava, acariciava, ora ela sugava e mordiscava de leve, fazendo minha pele arrepiar. Então, eu soube que aquela seria a nossa primeira vez de verdade, a que seria inesquecível e especial, como ela queria que fosse desde o começo.

Com um movimento rápido, ela girou nossos corpos e ficou sobre mim, seus lábios subindo novamente enquanto seu quadril pressionava o meu; o shortinho que usávamos para dormir era fino, e apesar da peça íntima era quase como se nossos sexos se tocassem e isso fez nossas respirações se mesclarem quando suspiramos ao mesmo tempo. Uma de suas mãos sustentava seu peso, enquanto a outra explorava meu corpo, acariciando, tocando, memorizando e provocando, as unhas sempre atiçando aquele arrepio que parecia não ter fim. Ela desceu os lábios por meu colo e barriga, a ponta de sua língua quente deixando um rastro por onde passava, até chegar ao meu baixo ventre. Suas mãos escorregaram pela lateral do meu corpo até o elástico do meu shorts, que ela logo tirou junto com a lingerie. Para ganhar tempo, ajudei a tirar o shorts e a lingerie que ela usava, e logo seu corpo também nu estava sobre o meu outra vez, nossas peles se tocando naquele choque gostoso de calor.

Sua pele quente e macia tocando a minha, sem inibições, fazia meus músculos se contraírem de ansiedade em senti-la por completo, nossas respirações pesadas denunciavam o quanto queríamos aquele contato. Nossos olhares se cruzaram e a intensidade me prendeu ali por um instante. Seus olhos eram tão azuis... Mesmo à pouca luz eles se destacavam, eram intensos e não era preciso sequer uma palavra para que eu sentisse o que ela sentia, seu olhar era capaz de me transmitir tudo o que ela sentia naquele momento, e não era diferente do que acontecia comigo.

Seus olhos pararam em meus lábios entreabertos e os meus imitaram seu movimento, o desejo e a áurea sexual ali entre nós era visível, quase palpável. Não demorou muito e nossos lábios se uniram outra vez em um beijo provocativo, automaticamente minha mão foi para seu cabelo, como se para me certificar de que ela estava próxima o suficiente. Ela se encaixou entre minhas pernas e, conforme a intensidade do beijo crescia, seu corpo começou a se movimentar sobre o meu, inicialmente devagar, o que me fez gemer entre um beijo e outro e isso pareceu excitá-la ainda mais.

Nossos corpos estavam em sincronia. Cada toque dela, cada beijo, cada sussurro, cada demonstração de amor e desejo; tudo ficou gravado em minha mente.

Quando caímos exaustas sobre o colchão, eu soube que não havia outro lugar que eu quisesse estar naquele momento. Ísis sempre seria meu porto seguro e desde o começo meu coração soube disso. Nós pegamos no sono por volta das dez e meia da manhã. Aquele seria nosso último dia ali no litoral. Infelizmente precisávamos voltar. O ruim de ter essa pausa prolongada é que depois você acostuma e a vontade de voltar à sua rotina simplesmente não existe.

Todas as meninas estavam cansadas, todas dormimos até tarde. Quando acordei Izie não estava mais ao meu lado, me virei e peguei meu celular sobre a mesinha de cabeceira para me dar conta de que já era quase quatro e meia da tarde. Já havia dormido demais, então resolvi levantar mesmo sentindo que ainda podia dormir mais. Fiz minha higiene não tão matinal, lavei bem meu rosto para acordar e então desci. Só havia Alisson jogada no sofá na sala e ela me olhou quando apareci na ponta da escada.-

Oi, Ali. Onde estão as meninas?

– Oi, Fê. A Claire e a Rafa ainda não desceram, e a Izie e a Amanda estão na cozinha fazendo arte no fogão — ela fez uma cara de quem duvidava que fosse sair algo bom de lá.

Sorri.

– Entendi. Vou lá ver o que elas estão aprontando — falei, fazendo meu caminho até a cozinha.

Lá, Amanda fazia alguma coisa na mesa, mexendo em uma travessa de vidro, enquanto Izie estava no fogão.

– E aí, Fê. Achei que fosse dormir a tarde toda — Amanda disse com um sorriso.

– Infelizmente, não — brinquei. Me aproximei de Izie e dei um beijo rápido nela. — O que vocês estão aprontando aqui? É comestível, pelo menos?

– Se não quiser, sobra mais pra mim — Amanda já tratou de dizer. Sorri e dei um empurrão de leve no ombro dela.

– Não estamos aprontando nadinha. A Mandy está fazendo um purê de batata temperado que ela disse ter aprendido com a super mama dela — Izie brincou; a mãe da Amanda era chef em um restaurante italiano, se bem me lembrava -, e eu estou preparando um deliciosíssimo Farfalle à bolonhesa, e Cappelletti de carne ao molho branco, como você gosta — ela sorriu.

Dei um sorriso e fiz um cara tipo "olha só, que exemplo de namorada", e ela riu de leve. Para não atrapalhá-las, resolvi ficar na sala com Alisson enquanto elas terminavam o nosso "almoço" com cara de janta.

– O cardápio está bom lá hein — falei para Ali, quando sentei no sofá.

– Tomara que o gosto esteja bom também, né!

– Dê os créditos Ali, sua namorada tem uma mãe cozinheira chefe de um restaurante italiano. Você devia agradecer.

Ela riu de leve e sacudiu a cabeça.

– Tudo bem, tudo bem. Veremos se vai ficar mesmo bom esse almoço.

E ficou ótimo, modéstia à parte. Izie já havia cozinhado antes em nosso apartamento — embora ela não estivesse morando comigo ainda, era natural pensar como se fosse nosso. Eu não sabia se ela se mudaria para lá ou o contrário, a única certeza que eu tinha era de que eu não queria desgrudar dela nem por um segundo, menos ainda depois daquela viagem que havia mudado todo o rumo do nosso relacionamento e convívio. Claire e Rafa não demoraram muito a aparecer e então nós almoçamos. Mesmo aquele sendo nosso último dia lá, não havíamos planejado nada para fazer, acho que nem tivemos tempo de pensar nisso até o momento.

Mas — felizmente eu acho — esse impasse não duraria muito, pois não demorou para que Raíssa se manifestasse, ela mandou uma mensagem para Izie nos convidando para ir à um show ao vivo que teria na ponta da praia. Seria uma espécie se evento, os organizadores estariam montando um palco depois do porto e algumas bandas se apresentariam para cantar músicas a capella, reggae e outros estilos durante a noite toda. Para quem quisesse fugir da agitação de um clube era uma boa opção já que o preço era bem menor (e esse dinheiro das entradas seria doado à uma instituição de caridade local), mas pagava o que consumisse. De qualquer forma ainda era mais barato que o camarote mais barato do clube que fomos, e àquela altura era melhor economizarmos mesmo porque já havíamos gastado mais do que devíamos – e além de estarmos economizando, estaríamos ajudando uma instituição de caridade, não podia ser melhor para ambos os lados.

Como não seria um super evento ou algo assim, nos vestimos de forma simples sempre visando o conforto e a "liberdade" por que o calor lá fora era intenso mesmo durante as noites, era bastante abafado e úmido, mas agradável. Uma regatinha ou blusinha leve, um shorts e estávamos prontas para ir. Rai veio nos buscar minutos após eu ligar e passar nosso endereço. Os meninos vieram com a van e fomos todas juntas e tranquilamente.

– Ta bem legal lá meninas, vocês vão gostar – Rai comentou animada.

– Espero que tenha muita bebida gelada porque esse calor está matando! — Claire "resmungou".Rai deu uma risada.

– Tem sim Claire, fica tranquila que já vamos todas nos refrescar e aproveitar bem a noite — respondeu.

Assim seguimos o caminho até a praia. Lá estava tudo muito bem decorado, com direito a luzes coloridas, globos luminosos, vários quiosques dipostos para a venda dos comes e bebes. Nós passamos pela arcada, onde ao lado havia um rapaz e uma moça recebendo o dinheiro das entradas e pagamos à eles para enfim entrarmos. Eles haviam cercado a área e havia até seguranças para que ninguém entrasse de penetra ali, estava tudo bem organizado e num clima bem gostoso de festa, uma festa que pelo jeito duraria até depois do raiar do sol. Nós aproveitamos ao máximo. Conhecemos muitas pessoas novas, muitas que eram da cidade também e estavam passando uma temporada ali no litoral, e Rai ficou bastante desapontada de saber que teríamos que ir embora logo, mas garantiu que iria nos visitar e as meninas também quando pudessem.

Todas aquelas pessoas em harmonia, bebendo, conversando e se entendendo como se pensassem junta, todo o clima de festa rendeu uma noite bastante agradável. A comida estava ótima e era também gratificante estar ali porque indiretamente estávamos fazendo a alegria de outras pessoas, de crianças, aquelas que receberiam o lucro daquela noite gostosa que passamos entre amigos. E aquela seria nossa última noite ali, era até triste pensar, pois era o tipo de lugar onde você parece estar vivendo em um mundo alternativo e paralelo à realidade da cidade grande, onde é fácil voltar a ser criança e esquecer suas responsabilidades. Queríamos poder largar tudo para estar ali, mas tínhamos primeiro que trilhar nosso caminho na vida e então poder descansar e ter um tempo só nosso.

Fomos voltar para casa pouco depois das três da manhã, já cansadas outra vez. Mas era um cansaço gostoso e saudável, e não aquele cansaço da correria da cidade. Foi uma noite bem aproveitada e depois uma madrugada bem dormida. No dia seguinte não acordamos muito tarde, por volta das onze ou meio dia. Claire como era sempre a mais ansiosa e agitada, acordou mais cedo para comprar nosso café, ela nunca deixava que comêssemos a mesma coisa da manhã passada — e eu só conseguia pensar: coitada da Rafa! Se elas duas decidissem se acertar definitivamente e eventualmente passam a morar juntas, coitada dela com certeza. Mas era um defeito bom, certo? Tomamos suco natural e comemos torradas e pãezinhos recheados. Nós não estávamos tão animadas naquele momento porque no final da tarde estaríamos voltando para a cidade, o dever nos chamava. Aproveitamos bem aquela semana de recesso, mas estava na hora de voltar à rotina, embora nenhuma de nós quisesse isso. Estávamos planejando o que fazer naquele último dia ali.

– Nós podíamos fazer alguma coisa diferente — Claire comentou pensativa. Estávamos todas sentadas no sofá, juntas. — Porque desde que chegamos fomos à um clube, luau, depois mais festa na praia. Resumindo, só ficamos na gandaia! Agora temos que fazer algo diferente... Mas o que? O que se faz de diferente no litoral?

Pensamos. Essa era uma ótima pergunta: o que se faz de diferente no litoral? Tudo envolve praia, festas e música. Mas não passamos muito tempo pensando, alguns instantes depois o celular da Izie tocou e o número de Rai apareceu no visor — provavelmente, como na noite antes, ela tinha alguma ideia para aquele nosso último dia ali. Ela atendeu, mas não era a Rai exatamente, e sim a Carol. Izie falou com ela, nós esperamos, e então ela pediu um momento e abaixou o celular.

– Ela disse que a partir das duas da tarde vai ter um rodízio em um restaurante japonês perto do prédio delas e está perguntando se não queremos ir. O que vocês acham?

– Eu acho ótimo — Claire foi a primeira a se manifestar. — Nós já íamos ter que comer fora mesmo antes de irmos embora, então que seja com elas — sorriu. Nós concordamos, era uma boa ideia.

– Tudo bem, Carol — Izie voltou a falar no telefone. — Certo, então nós esperamos vocês aqui depois das duas. Até já. — Desligou.

– Faz tempo que não como um japa, hein! — Claire disse divertida.

– Porque agora você só come ucraniana, sabemos, tá chique — Amanda soltou e nós não aguentamos, Rafa ficou tão vermelha e nós ficamos mais vermelha ainda, de tanto rir.

Claro que a nanica não gostou do trocadilho. Mas ela já nem dava mais a mesma importância de antes, a ponto de virar a cara pra nós por conta desse tipo de brincadeira — o que só nos incentivava mais, óbvio. Nós éramos assim o tempo todo. Como já era por volta de meio dia e meia naquele momento, resolvemos começar a nos arrumar e esperar pelas meninas. Como o clima era sempre abafado ali, a melhor opção sempre eram roupas leves, então optamos por looks casuais e confortáveis (n/a: look Fernanda; look Ísis; look Claire; look Rafa; look Amanda; look Alisson). Prontas, como ainda faltava algum tempo para a chegada de Rai, deixamos nossas coisas mais ou menos prontas já para a hora de ir embora.

Escutamos a buzina alguns minutos depois, então pegamos nossas coisas e saímos. Carol estava no banco da frente da van, e Isabella logo abriu a porta de trás quando passamos pelo portão. Nós entramos, cumprimentamos as meninas e nos sentamos.

– Aderiram à van dos meninos, é? — perguntei à Rai, que dirigia.

– Essa Raíssa é uma folgada, isso sim! — Laura reclamou na brincadeira. — Fica roubando a van do meu namorado, vou te dizer.

– Roubando, literalmente — Carol disse com uma risada -, porque já chegou dizendo: "Lucca, me dê a chave da van, cale a boca e não faça perguntas". Meu irmão como é um idiota, fez o ordenado.

– Ei! — Laura deu um tapa no braço de Carol, provavelmente por causa da ofensa ao namorado.

Nós apenas rimos, e Rai se manifestou:

– Mas é claro, pra carregar esse monte de gente bonita tem que ter uma van grande mesmo! — deu de ombros, com um sorriso. — Mas aí meninas, vou levar vocês no melhor restaurante japonês da região. Antes de ir lá, eu era uma crítica da culinária japonesa, mas aqueles caras realmente me calaram. Se tem alguma de vocês que não gosta, vai passar a gostar agora, vão por mim. Eles fazem o melhor Sashimi que já comi na vida!

– E a Tempura de camarão é ótima também — Carol acrescentou.

– Acho que aqui ninguém tem problema com comida japonesa, então vamos nessa! — Claire disse já empolgada.

Nós concordamos com uma risada e então seguimos o resto do caminho conversando sobre banalidades. Laura estava se gabando que Lucca tinha conseguido fechar um pequeno contrato de seis meses com uma gravadora local — não era nada muito grande, mas ia ajudar bastante em levar a banda deles adiante, os meninos tinham talento e mereciam aquela chance. Laura ainda tirou um sarro de que depois que Lucca e os meninos caíssem na estrada para fazer shows, Rai nunca mais teria a van dele para roubar quando quisesse, mas ela não se abalou e disse que compraria sua própria van e muito melhor do que aquela. Então, chegamos ao restaurante. A van ficou no estacionamento em frente.

A fachada do restaurante era bem bonita, em madeira e toda decorada em salmão e branco, com o formato de um pequeno castelo, algumas cortinas claras e uns balões alaranjados como lamparinas — uma típica decoração japonesa, mas bem elaborada. O interior também não deixava a desejar em decoração e espaço, com cores claras e poucas tonalidades escuras, bem gostoso o ambiente — logo na entrada havia um guichê onde era feita a reserva das mesas; adiante as mesas em questão eram fixas e revestidas de madeira de carvalho envernizadas, com seis lugares cada, e com poltronas de veludo num tom amarronzado quase igual à madeira. No fundo, havia ainda um andar abaixo e um acima, com mais mesas. Nós reservamos duas ali no térreo mesmo, já que estávamos em onze meninas. Nós fizemos os pedidos e então "almoçamos", sempre entre conversa e brincadeiras.

Quando deixamos o restaurante, era quase cinco horas da tarde. As meninas nos levaram de volta para casa, mas disseram que iam ficar ali esperando até o momento de irmos embora, então as convidamos para entrar. Faltava apenas ajeitar a casa, nossas coisas já estavam guardadas, então elas resolveram ajudar também para que não demorasse muito e não tivéssemos que sair à noite, pois seria uma viagem longa de volta.

– Ei, meninas, vocês não estão achando que vão se livrar de nós por muito tempo, não é? — Rai disse cruzando os braços, encostada perto do portão enquanto carregávamos os carros com nossas bagagens.

– Eu quero o endereço de uma de vocês lá na capital, pelo menos! Quando tivermos um tempo livre, vamos visitar vocês.

– Sério? — perguntei com um meio sorriso. Ela assentiu.

Izie respondeu em seguida:

– Se não tiver problema, Fê, deixa o seu endereço, já que eu estou lá com você. E as meninas moram perto mesmo.

– Claro, sem problemas, vou te mandar por mensagem — falei. Depois que tudo estava devidamente arrumado, nós voltamos para dentro para nos certificar de que estava tudo trancado e então saímos para finalmente poder nos despedir. As meninas fizeram uma cena toda, que sentiriam saudades de nós e tudo o mais – e nós também sentiríamos, é claro. Elas eram ótimas companhias, sem dúvida. Elas prometeram que iriam mesmo até a capital assim que pudessem, nós explicamos sobre a faculdade e tudomais, elas também estudavam, então marcaríamos algo direitinho para não haver desencontros.

Depois de estarmos devidamente instaladas em nossos respectivos carros, com Claire na liderança para o caminho de volta, nós demos o último aceno para Rai e as meninas e então fomos embora com uma dorzinha no coração. Claire já havia deixado bem claro que voltaríamos assim que possível e ninguém ficou descontente. A viagem de volta para a capital foi pouca coisa menos demorada por não haver contratempos, mas ainda assim cansativa. Saímos do litoral por volta das seis e quinze da tarde e chegamos em nossas casas já era quase dez horas da noite – quase quatro horas de viagem, trânsito um pouco carregado nos rendeu vários minutos paradas. Mas finalmente estávamos em casa.

Izie ficaria em meu apartamento mesmo, então não precisava me preocupar com mais nada naquela noite. Nós descarregamos nossas bagagens do carro e nos preocuparíamos em ajeitar tudo amanhã, Izie principalmente estava exausta porque insistiu para dirigir na volta, e foi um trajeto cansativo, o corpo fica tenso de dirigir durante a noite e em estrada longa assim. Deixei que ela tomasse banho primeiro enquanto preparava algo rápido para comermos antes de dormir, e então depois que comemos eu tomei meu banho também e deitamos.

– Meus braços doem, minhas pernas doem, parece que levei uma surra! — Izie choramingou enquanto eu me sentava na cama e acendia o abajur para me ajeitar. Olhei para ela.

– E se eu te fizer uma massagem, será que ajuda? Não que eu seja muito boa nisso né, mas quem sabe – encolhi os ombros.

– Eua ceito! Não importa Fê, só preciso de uma massagem mesmo, acho que isso é tudo que preciso nesse momento — ela murmurou.

Sorri.

–Certo, senhorita –falei num tom divertido e peguei o creme na gaveta da mesinha ao meu lado. — Tem direito à creme hein! E é refrescante.

–Isso! — ela sorriu preguiçosa, fazendo um gesto de vitória com as mãos. Ri de leve.

– Tire a blusa e vire-se, então — falei.

– Não vai nem me pagar um drink antes? — perguntou zombeteira.

Eu ri e sacudi a cabeça.

– Só vou te fazer massagem, prometo não te molestar — respondi divertida.

Ela que riu dessa vez.

– Será? Quero só ver. — Dito isso, ela tirou a blusa e foi inevitável, mordi o lábio ao ver que ela estava sem roupa por baixo.

– Ok, retiro o que eu disse, desprometido– brinquei e ela riu outra vez.

– Agora já era, você prometeu, não pode desprometer!

– Então vire-se logo antes que eu cumpra minha despromessa! — Fingi estar muito compenetrada em colocar o creme em minha mão, evitando olhá-la demais.

Rindo divertida, ela deitou com a barriga para baixo e eu pude respirar sem muita dificuldade — não tanto porque até daquele jeito ela conseguia me tentar. Espalhei o creme em minhas mãos e apertei os lábios enquanto me posicionava em cima de seu quadril para poder alcançar suas costas, pensando na total impureza daquela situação. Era involuntário, parecia que sempre que nossos corpos entravam em contato aquela corrente elétrica estremecia meus músculos. Respirei fundo disfarçadamente; ótima ideia fazer massagem nela naquele momento.

– Ta difícil aí, massagista? — Sai de meus pensamentos impuros com essa pergunta de Izie. Percebi que ela tentava segurar o riso.

– Ta rindo de que?! — retruquei.

Ela me olhou de canto com a sobrancelha erguida, mordendo o lábio; seu típico olhar arrasador (leia-se safado também) que sempre me fazia estremecer — naquele momento, mais ainda.

– Nada não.

Na maldade, pinguei uma gota de creme em suas costas.

– Ai, Fê! — ela deu um grito e eu comecei a rir. — Ta gelado, pô!

– Isso é pra você ficar de boa aí.

– Mas eu nem fiz nada! — ela retrucou, mas deu uma risada e se ajeitou no travesseiro. — Só me maltrata, credo.

– Vou compensar agora, relaxa vai — me debrucei e dei um beijo perto de sua orelha, fazendo-a se encolher.

Com um sorrisinho vitorioso, me ajeitei e comecei a espalhar o creme em suas costas e massagear, antes que eu desistisse daquela ideia de jerico. Izie se comportou por alguns instantes, apenas reclamando um pouquinho quando eu tocava em algum lugar que doía mais que outro, mas logo ela já estava se manifestando outra vez.

– Ei Fê, não está muito legal você se esfregando aí em cima de mim — ela disse e eu já imaginei que viria alguma brincadeira maldosa. Sorri. Ela se corrigiu: — Quer dizer, está ótimo você aí em cima, mas não vai prestar — deu um sorrisinho sapeca, me olhando de canto.

– É bom você não tentar nada, ainda não terminei a massagem — falei fingindo não entender a brincadeira.

Mas a Izie era muito esperta para ficar quieta e perder a oportunidade. Ela virou com o corpo num gesto rápido e eu caí de costas na cama, já imobilizada com ela em cima de mim. Escondi o sorriso, mas não por muito tempo porque logo ela estava sorrindo aquele sorriso safado outra vez e foi irresistível.

– O que pensa que vai fazer, hein? Eu não terminei a massagem!

Ela mordeu o lábio inferior.

– É mesmo? Que pena. — Ela não estava nem um pouco preocupada com a massagem naquele momento. Sua boca logo estava em meu pescoço, me fazendo encolher ligeiramente o ombro.

– Izie, minha mão está cheia de creme! E eu estou quase em cima do frasco do creme aqui, calma — disse com uma risada enquanto ela tentava me morder e eu me esquivava.

– Que frasco? — Ela literalmente deu um tapa no frasco do creme, fazendo voar para longe no chão. Ri da cara que ela fez, aquele sorriso sapeca estampado de canto a canto.

– Minha mão continua com creme — dei de ombros e mostrei as mãos perto de seu rosto.

– Não seja por isso. — Ela sentou em meu quadril e segurou meus pulsos, levando minhas mãos até seus seios e abdômen abaixo, espalhando o que restava do creme em minhas mãos, por ali. Era tentador demais vê-la daquele ângulo e ainda com aquela insinuação, não dava para resistir. Minhas mãos escorregaram por sua barriga e trilharam o caminho subindo, chegando em seus seios outra vez, passando para suas costas onde prendi meu braço para dar um impulso para cima e aproximar nossos lábios.

– Você não perde tempo, não é? — perguntei baixinho, com um meio sorriso.

– Em cima de uma cama, com você? Nem um minuto. — Ela respondeu no mesmo tom de voz, e com um sorriso sua mão se enroscou em meu cabelo, tomando meus lábios nos seus.

Tinha como resistir? Se sim, me ensinem. Cada vez que Ísis me tocava eu sentia como se fosse a primeira, eram as mesmas sensações: aquele frio na barriga, a expectativa do que estava por vir, a vontade de que nunca acabasse. Delicadamente ela deitou meu corpo sobre a cama outra vez, e suas mãos desceram para a base da camiseta larga que eu usava, deslizando para dentro delas, suas unhas roçando minha pele de modo provocativo. Essa camiseta não durou muito tempo ali, e logo a única peça de roupa que eu usava era o shortinho de dormir, nossas peles se tocavam novamente e já pegavam fogo. Com ela perder o controle era involuntário, Ísis sabia bem como me tocar e eu sabia que se gabava por isso, meu corpo fazia questão de denunciar o modo como gostava das coisas.

Não demorou muito para que nos livrássemos dos shorts também, então nossos corpos se uniram como um só. Eu gostava daquele choque que parecia nos percorrer quando estávamos tão próximas, era uma reação em cadeia. Ísis estava apoiada em seu braço esquerdo, enquanto me envolvia em seu beijo possessivo, e sua mão livre passeou pela lateral do meu corpo nu, subindo novamente até envolver meu seio me fazendo arrepiar, porém não se demorou por ali, logo trilhou seu caminho até meu sexo que já ansiava por um contato. Eu sabia que ela ia apenas provocar, então tentei ficar firme e não deixar ela notar o quanto eu precisava dela ali, mas para a minha surpresa sua mão desceu devagar até lá e ela me tomou em um segundo, seu dedo me penetrando sem aviso prévio e fazendo meu corpo arquear com a sensação. Seu suspiro em meu ouvido me fez gemer baixinho, ela já estava excitada o suficiente para pular preliminares e, já desviou toda a sua atenção para meu sexo, descendo e tomando-o em sua boca em seguida.

Suas unhas provocando arranhando minha costela, sua respiração pesada provocando espasmos em meu corpo em contato com minha intimidade, tudo ajudou para me fazer ter meu primeiro orgasmo. E não parou por aí. Aquela noite ainda render bastante...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até o próximo! Prometo não demorar demais ;( ❤