Paraiso Imperfeito

34 Sonhos e Pesadelos


Notas iniciais
Hei, voltei! Não tão rápido quanto todos gostariam, eu sei. Eu queria agradecer as reviews que eu to recebendo ( Bem vindo aos novos leitores! Espero que continuem gostando da fic), e as mps de leitores (desculpem a demora para responder), enfim, ai vai mais um capitulo fresquinho. Já adianto que devem ter alguns erros de português, porque estou sem tempo para uma revisão, já que queria postar o mais rápido possível para vocês. Espero que gostem.

O destino não é uma questão de sorte, é uma questão de escolha. Não é algo para se esperar, é algo para se conquistar. (William Jennings Bryan)

Ela estava feliz. Kami-sama aquele era seu momento e depois de tudo o que havia passado, ela mal podia acreditar que aquele dia finalmente havia chegado.

Ino Yamanaka ia casar com o Kazekage.

Konoha inteira estava na cerimônia, esperando sua chegada, enquanto ela preparava-se junto com Sakura, sua dama de honra. A rosada lhe sorriu, desejando boa sorte antes de deixá-la sozinha, olhando-se encantada no espelho de corpo inteiro onde podia-se ver vestida em um fantástico Kimono marfim, com grandes flores nas bordas e uma faixa azul celeste na cintura. Os cabelos loiros presos em uma linda trança com flores por todo o cabelo. Ela estava linda. E feliz.

Seu coração disparou ao ouvir a marcha nupcial e ela correu para o templo, de repente franzindo o cenho com a estranheza da marcha ter começado antes dela chegar ao local. Ela correu, correu com o Maximo de suas forças, amaldiçoando a grande distancia e sentindo sua testa se encher de suor e sua trança começar a se desmanchar a medida que as flores caiam pelo chão.

Mas ela finalmente chegou e sorriu ao ver Gaara ali no altar, lindo apenas a esperando. Entretanto seu sorriso morreu imediatamente ao perceber que ele não estava sozinho. Uma garota com o kimono igual ao seu estava ao seu lado, segurando sua mão e sorrindo pra ele, por detrás do véu que escondia metade de seu rosto. Confusa, ela deu um passo a frente apenas para ser barrada pelos seguranças ao mesmo tempo em que via Tsunade abençoando a união entre gaara e a desconhecida. Então ela viu um vulto rosa em sua frente e quase chorou de alivio ao reconhecer sua dama de honra e melhor amiga.

– Sakura!

A rosada arregalou os olhos ao vê-la.

– O que está fazendo aqui nesse estado, Ino?

Ino não entendeu. Tudo bem que deveria estar desarrumada devido a corrida, mas não era pra tanto. Então, ela olhou para baixo e com horror viu que o kimono havia sido trocado por uma roupa marrom simples e desgastada e não apenas isso, mas ela ostentava uma barriga enorme que saltava pela camisa e parecia crescer a cada instante.

– Levem-na daqui. – Sakura disse aos guardas – A levem para o hospital imediatamente.

– Esperem! Não! Gaara! Gaara!! – ela gritou e pela primeira vez o ruivo a olhou

– O que esta insolente está fazendo em meu casamento? – ele perguntou friamente – Eu já disse e repito que não quero vê-la nunca mais. E se ela voltar a insinuar que esse filho é meu, eu pessoalmente irei matá-la.

– M-mas...é seu... – ela chorou, enquanto era arrastada pelos guardas e por Sakura.

– Por Kami-sama, Ino, pare com essa sua loucura. Você e o Kazekage nunca tiveram nada.

– Eu juro! Esse filho é dele!

– Pare com isso!

– Não...não...

– NÃÃÃO!!! – ela acordou, levantando-se da cama em um salto.

Tremula e com o coração disparado, ela andou em direção ao banheiro e vomitou qualquer coisa que ainda estivesse em seu estomago. Em seguida, olhou-se no espelho e viu seu rosto vermelho e molhado pelo suor e pelas lágrimas que escapavam de seus olhos sem que ela pudesse conter.

Estava no quarto há dois dias, trancada, sem querer ver ninguém, desde que voltara do hospital com as palavras de Sakura ainda martelando em sua cabeça.

“Você está grávida, Ino.”

“Você está grávida, Ino.”

Estava grávida. Estava esperando um filho de Gaara. Com os exames, pudera fazer as contas e não tinha duvidas de que aquele filho era do ruivo. No fundo, ela ficou aliviada por não ser de Shikamaru, afinal, isso estragaria a relação que ele lutou tanto para conseguir e isso ela não poderia permitir. Mas a outra opção lhe era assustadora. Estar grávida daquela Kazekage com quem não tivera nada mais do que algumas noites de sexo selvagem – muito bom – e completamente descompromissado, e com quem por acaso nem ao menos tinha uma boa relação.

O que era suposto se fazer em uma situação como aquela? Não poderia simplesmente sair contando por aí que estava não apenas grávida, mas que o pai era o kazekage ruivo frio e sem sentimentos que por acaso estava de casamento marcado. Qual era o ponto em contar? Não era como se Gaara fosse desistir do casamento e assumir essa criança.

Lembrou-se do sonho e estremeceu.

Ela nunca se humilharia aquele ruivo.

Kami-sama sabia que Ino Yamanaka não era conhecida por tomar as melhores decisões, mas dessa vez ela tinha certeza de que Gaara nunca saberia desse filho. Era a melhor coisa a se fazer sem nenhuma dúvida.

***

Hinata entrou no escritório do pai, encontrando o líder do clã olhando pela janela, em pé atrás de sua mesa.

– Mandou me chamar Oto-san?

– Sente-se Hinata.

Havia algo errado. Ele estava muito calmo, e não tinha aquele olhar de desapontamento costumeiro.

Quando ela finalmente sentou, ele continuou a fitar a janela, com as mãos atrás das costas, como se contemplasse a paisagem lá fora.

– Soube que está fazendo pesquisa sobre o selo da bouke.

Oh sim, ela sabia que não poderia guardar segredo por muito tempo. Desde que anunciou o fim do noivado e que mesmo assim assumiria o clã com o aval do príncipe do pais do fogo, então todos os olhares se voltaram para ela, espiando cada passo seu. Era um milagre que seu relacionamento com Naruto já não tivesse sido posto em cheque. Ela se perguntava ainda o porque.

– Hinata? – ele a tirou de seus devaneios, e dessa vez a olhava.

– Gomem. – ela pigarreou – Sim, eu estou querendo mais informações sobre o selo, já que sempre foi um assunto muito vago para mim.

Hiashi suspirou, reconhecendo aquele tom.

– Você sabe que terá de colocar o selo em Hanabi não sabe? – ela não respondeu, mas não desviou o olhar dos seus por nenhum instante.

Pela primeira vez, Hiashi viu a si próprio na herdeira. Orgulhosa, fria, a postura rígida e a cabeça erguida mesmo que estivesse sentada. Ela não era mais aquela garotinha fraca e submissa, ele sabia, entretanto seus ideais modernos, e sua total incapacidade de aceitar os costumes do clã era um vírus que deveria ser aniquilado antes que se espalhasse por todo o clã.

– Então será que achou alguma coisa? – ele resolveu sentar-se e se acalmar.

A mudança brusca na atitude de seu pai despertou o interesse de Hinata, que se viu tentada a descobrir até onde isso iria dar. Sentindo-se mais relaxada, ela cruzou as pernas ajeitando as pregas do kimono com calma, antes de voltar a encarar o mais velho.

– Nada tão prático. – confessou e viu o pai quase suspirar de alivio – De modo que ao meu ver, a abolição do selo seria a melhor opção.

– Improvável que seja aceito.

– Será mesmo que a bouke seria contra?

– A família secundária não opina nessas questões.

– Bom, elas deveriam já que lhes desrespeita.

– O que você quer Hinata?

– Igualdade.

– Revolução é o que você terá e como resultado nosso clã será dividido. Você vê como não está pronta para assumir esse cargo? As nossas tradições foram feitas no intuito de nos proteger, e no entanto você apenas zomba delas e as ignora. Assim, nunca assumirá a liderança.

– O que exatamente você quer dizer, Oto-san?

– Eu estou tentando lhe mostrar Hinata que não pode vencer sozinha. – ele disse sério, pela primeira vez sem tentar menosprezá-la. – Conseguir a assinatura do senhor feudal e do príncipe do pais do fogo pode lhe garantir o direito de tomar a liderança, mas não a garante que ela já seja sua. O conselho não está feliz com os seus projetos futuros. Eles não veem com bons olhos a sua completa falta de respeito com as tradições.

– Está dizendo que eles pretendem não deixar que eu assuma?

– E eles tem esse poder. Com o casamento de Hanabi e Kotaro, ele pode assumir o clã, já que seu pai é um dos conselheiros mais influentes.

– E é lógico que o senhor concorda com ele. – ela ironizou, mas foi pega de surpresa pelo murro que Hiashi deu em sua mesa, sua expressão de calma já sendo substituída pela de ira.

– Enlouqueceu? Nossa família sempre esteve na liderança deste clã e ela deve continuar assim, caso contrário, nós seremos considerados da família secundária também.

– Então...

– Então eu espero que você repense suas ideias revolucionárias ou ao invés de apenas Hanabi ser marcada, seremos eu e você. E então você desgraçará essa família para sempre. – e lá estava o tom de decepção ao qual ela estava acostumada.

Mas dessa vez – e apenas dessa vez – Hiashi falava algo que ela deveria levar a sério. Mesmo que fosse por seus motivos egoístas, ele tinha um ponto.

– Pode se retirar agora.

Ela o fez em silêncio e ao chegar nos corredores principais encontrou dois conselheiros e entre eles, o pai de Akihiko e Kotaro. O velho era um dos principais conselheiros e nunca escondeu seu almejo em conseguir a liderança do clã, assim enquanto ficou muito desapontado com a quebra do casamento de Akihiko e ela, viu sua nova chance com Kotaro e Hanabi. Ele também sempre deixou claro sua completa falta de fé em Hinata e ela não tinha duvidas de que assim que Kotaro assumisse a liderança, ele faria de tudo para humilhar ela e a Hiashi, e isso ela não poderia permitir.

***

Neji treinava no campo de treinamento 3 dessa vez. Precisava de um tempo sozinho para relaxar, e treinar era o único jeito que conhecia. No clã ele sempre teria um publico inconveniente e no mais, ali ele poderia simplesmente pensar sem ninguém para atrapalhar.

– Oeeee NEEEJIII-KUUN!!!

Ele quase bufou de raiva.

– Não me atrapalhe Lee. – ele rosnou, fechando os olhos tentando exorcizar a presença incomoda de seu ex-colega de time, que no momento era a última pessoa a quem ele queria ver.

– Uhn, vejo que você está de péssimo humor.

Ele não respondeu.

– Então como é meu dia de folga, eu pensei em treinar um pouco e acabei encontrando você, o que é o máximo na minha opinião.

“Ignore-o”

– ...Sabe, a quanto tempo a gente não se vê heim?!

“Ele é apenas um inseto falante”

– ...Mas eu admito que passei muito tempo com a Tenten, sabe? Nós meio que estamos andando muito juntos porque...

– O QUE VOCÊ QUER LEE? – Ok, ele não conseguiu ignorá-lo. Não pode deixar de notar que o ninja estava diferente, vestia roupas discretas e seus cabelos não tinham mais o corte em cuia constrangedor, ele até parecia um ninja decente.

– Bom, eu pensei em treinarmos juntos. – Ele fez o famoso gesto de Nice que Neji detestava.

– Dispenso. Vá embora.

– OQUEEEE??? VOCÊ NÃO PODE DISPENSAR!

Mas antes que o Hyuuga pudesse dizer algo, uma kunoichi apareceu bem ao lado deles.

– Droga Lee, eu te procurei a manhã inteira! – Tenten bufou irritada e só então viu Neji – Hei Neji.

– Hum... – ele resmungou voltando a treinar, tentando ignorar o casal.

“Casal!” – ele quase rosnou em seus pensamentos.

– Eu vim treinar e acabei encontrando o Neji e pensei...

– Você sabe que Neji não gosta quando você o atrapalha.

– EU NÃO O ATRAPALHO! – Lee parecia uma criança birrenta, fazendo Tenten acabar rindo. Com o passar dos dias ela acabou se acostumando com o jeito do amigo e percebeu o quanto sentiu falta dele.

– Vamos, eu te pago um almoço.

Lee relutou, mas acabou aceitando.

– Tchau Neji-kun.

– Tchau Neji.

– Tenten. – o Hyuuga chamou ainda de costas, o que assustou a kunoichi que sabia o quanto o amigo ficava concentrado em seus treinos, e para ser sincera, ela ainda sentia-se esquisita na sua presença.

– Sim Neji? – ela se aproximou, um pouco hesitante.

– Eu acho que eu nunca lhe agradeci adequadamente por aquela conversa depois do...incidente com Hanabi.

Ela pigarreou lembrando-se do momento em que tentou consolá-lo e livrá-lo da culpa do ataque a Hanabi. Percebeu que eles não havia se falado desde o dia em que ele a dispensou para ficar com Hanabi. De novo.

– Não precisa. É para isso que servem os amigos afinal não?

Ele finalmente a olhou e um breve momento de silêncio se instalou entre eles como ele não respondeu.

Constrangida, ela alternou o peso do corpo incomodada com o olhar profundo do Hyuuga.

– Eu acho que já vou.

– Certo.

Eles se viraram em direções opostas, mas ela voltou a hesitar.

– Neji? – Ele a olhou e ela no mesmo momento se arrependeu de tê-lo chamado de volta. Por que ela o fez afinal? A conversa constrangedora já tinha terminado, mas ela tinha que voltar a chamá-lo – Apenas...foi bom ver você treinando de novo. – e dizendo isso, ela deu meia volta e praticamente arrastou Lee para longe.

E o Hyuuga ficou sozinho, olhando para onde o casal havia desaparecido.

“Casal” – ele rosnou, antes de voltar a treinar.

***

– Então eu tentei fazer um clone das sombras, mas não consegui e todos riram de mim, então eu não tive escolha e chamei Koi para uma luta, afinal era minha honra em jogo ué!!! – Jin exclamava quase a beira da histeria, enquanto explicava o porque de ter ido parar no consultório de sakura pela segunda vez no mês.

Ela, Hideo e Jin almoçavam e a rosada não podia deixar de rir do pequeno falador.

– Se esperaria que o filho de um diplomata tivesse um pouco mais de diplomacia heim?!

Hideo era incrivelmente paciente com seu filho, o que conquistava ainda mais o coração de Sakura. O homem era perfeito, ela não tinha duvidas. Era um cavalheiro, obviamente um bom pai e não se opunha a ter mais filhos, não que ela tivesse cogitado essa ideia ainda. E ainda tinha Jim que eram uma fofura e felizmente parecia gostar muito dela.

– Assim nunca vou me tornar um gennin. Sou o único que não consegue fazer um clone! – o pequeno lamentou e ela lhe sorriu, amavelmente.

– Sabe, eu conheço alguém que na escola nunca conseguiu fazer um clone direito e agora é considerado o ninja mais forte da vila.

Jin franziu o cenho, confuso, antes de arregalar os olhos.

– Você está falando de Naruto Uzumaki? Nossa!! Ele é demais! Tenten-sama já nos contou tudo sobre ele!

– Bom, ele não era o melhor aluno da classe, mas hoje é...

– O ninja mais forte do mundo!!! – Jin completou fazendo Sakura rir, mas então seu sorriso morreu ao perceber que Hideo parecia sério. – Eu preciso fazer xixi. Com licença Srta Sakura. – e dizendo isso, o mais novo se levantou e saiu correndo.

– Algum problema? – Sakura perguntou tocando a mão do namorado para chamar sua atenção.

Hideo suspirou um pouco hesitante, antes de pegar a mão dela e depositar um pequeno beijo em seus dedos.

– Me perdoe. Eu sei que você e o Uzumaki tem uma amizade de anos e eu não quero aborrecê-la...

– Mas...?

– Entenda, o Uzumaki apenas não é um assunto fácil no meu departamento.

– Eu não entendi – Sakura franziu o cenho – Eu pensei que Naruto havia ajudado na diplomacia com outras vilas, depois da guerra. Na verdade, ouvi que muitas vezes ele foi o principal motivo para algumas das maiores alianças de Konoha.

– Sim, claro. Eu não tiro o mérito do Uzumaki, ele sem duvida é um grande herói, mas seu comportamento nunca foi dos mais fáceis. E nos últimos anos, ele simplesmente se tornou...incontrolável.

– Essa sempre foi uma das maiores características dele. – ela defendeu, de repente tornando-se aborrecida, enquanto tomava um gole de sua bebida. – Eu acho que talvez os conselheiros tenham que abrir um pouco mais suas cabeças.

– Oh Sakura, eu não queria aborrecê-la. Me perdoe. Eu não quero que pense que eu não gosto do Naruto, eu o respeito e sei do valor que ele tem para essa vila. Mas no meu trabalho...

– Eu entendi. O Naruto também não gosta muito de vocês.

Felizmente, a conversa foi interrompida pela volta de Jim a mesa e a chegada dos pedidos. Eles almoçaram sobre o som da voz infantil de Jim e Sakura tentou sorrir quando Hideo a olhou um pouco apreensivo. No fim, Hideo levaria Jim para casa da irmã antes de voltar ao trabalho e Sakura voltaria para o hospital, mas então viu Shikamaru e lembrou-se de um assunto pendente que estivera martelando em sua cabeça durante os últimos dias.

– Desculpem, eu acho que preciso fazer uma coisa. – Ela se despediu dos dois com um abraço – Vejo vocês mais tarde que tal?

– Sakura, sobre o que conversamos....

– Tudo bem. Eu entendi, não tem problema – ela disse calma e ele sorriu aliviado.

– Bom, então jantar hoje?

– Combinado.

– Tchau Srta. Sakura!

– Até mais Jim – ela quase gritou enquanto andava rápido para não perder o ninja preguiçoso de vista.

Desde a consulta de Ino, ela tentava falar com a amiga, mas a mesma recusava-se a recebê-la do mesmo jeito que recusou-se em contar quem era o pai da criança que ela esperava, mas Sakura não precisava ser muito inteligente para saber que era Shikamaru já que a loira não estivera com ninguém além dele.

Quando dobrou em uma rua, o viu parado com as mãos nos bolsos, despreocupados e aproveitou para alcançá-lo.

– Você!!!! – ela praticamente rugiu enquanto Shikamaru quase pulou de susto. – Precisamos conversar.

– Certo, mas é que...

– Não me interessa! Você já falou com a Ino?

– Não! Depois que você mandou aquela sua assistente praticamente expulsar a mim e ao Chouji do hospital, eu tentei visitá-la, mas ela mandou avisar que estava com uma doença contagiosa e não poderia me ver.

Sakura bufou. A porquinha era uma mentirosa compulsiva e nunca encarava seus problemas como uma pessoa adulta deveria fazer. Certo, ela também não era um ótimo exemplo, mas aquele assunto era importante demais para ser tratado pela kunoichi como uma de suas crises existenciais. A vida de uma criança estava em jogo e a verdade é que mulheres que engravidavam solteiras não eram muito bem vistas na sociedade.

– Então vai me dizer o que está acontecendo?

– O que está acontecendo é que vocês dois são uns irresponsáveis e a Ino não merece passar por toda essa situação sozinha!

– Que situação?

Sakura suspirou.

– Tudo bem, não deveria ser eu a te contar. Mas eu conheço aquela porquinha, ela vai relutar, relutar e acabar fazendo uma besteira e eu não vou permitir que algo aconteça ao meu afilhado.

– Ao seu...o que? Sakura, do que você está falando?

– A Ino está grávida Shikamaru! E pelo que eu sei, ele é seu!

Shikamaru abriu a boca em completo choque, e não foi o único.

– A Yamanaka está o que?

Os dois congelaram ao ouvir aquela voz altiva e viraram-se ao mesmo tempo apenas para encontrar a princesa de Suna parada com os braços cruzados e um olhar de pura ira, enquanto ao seu lado estava a babá que também tinha uma expressão de choque e constrangimento enquanto segurava a mão do pequeno Ichigo que olhava a tudo com curiosidade enquanto chupava o polegar.

***

– Eu não entendo porque eu não pude ir. – Kankurou choramingou pela milésima vez – Até Ichigo foi.

– Ele foi porque Temari não se separaria dele nem que sua vida dependesse disso. – Gaara disse, como se fosse algo completamente insano, enquanto continuava a analisar os papeis em sua mesa, tentando ignorar o irmão mais velho sem sucesso.

– Não se preocupe Kankurou. Ele não pode nos impedir de ir ao casamento! – Matsuri praticamente cantarolou, enquanto organizava os relatórios das últimas missões e sorriu ao ver o olhar irritado do Kazekage.

– Hei Gaara você tem sorte, dizem que ela é uma das princesas mais lindas do pais do fogo. Tinha muitos pretendentes.

– O casamento é apenas um acordo de paz, Kankurou, depois que o Shikaku matou alguns membros da família real, da última vez que ele despertou. Sem esse acordo, nunca estaríamos em completa aliança com as vilas do fogo, e principalmente Konoha.

– Eu ainda não entendi como vocês decidiram que esse casamento era a melhor solução. – Matsuri murmurou, sem tirar os olhos do seu trabalho.

– A hokage quem mediou o acordo. Já que o senhor feudal tinha dificuldade de encontrar um pretendente a altura para sua filha mais nova.

– E ele acha que dá-la em casamento a alguém que matou parte de sua família é algo aceitável. – Gaara de repente rosnou e assustou os dois ao levantar-se de sua mesa e simplesmente sair da sala.

– Ele vive de mau humor nos últimos tempos. – Kankurou observou, pensativo.

– Eu também ficaria se fosse obrigada a casar com alguém por causa de um acordo.

– Ninguém o está obrigando! Ele concordou porque quis.

– Pelo que entendi não é a primeira tentativa de paz entre eles. – Matsuri finalmente levantou o olhar de seus relatórios e observou as portas por onde o Kazekage havia saído – Gaara sempre faz qualquer coisa para manter a vila a salvo. Ele nunca hesitou em se sacrificar por ela desde que se tornou kazekage.

– Ora vamos. A garota é perfeita. Qual é o sacrifício nisso?

– Talvez Gaara não queira alguém perfeita.. – Matisuri deu de ombros e voltou ao trabalho enquanto Kankurou continuou remoendo sua inveja de não ter ido para Konoha com Temari.

Nenhum deles percebeu que o Kazekage continuava recostado atrás da porta, escondido entre as sombras, com os braços cruzados e ouvindo tudo o que eles disseram. Ele não queria pensar naquele casamento que para ele não passava de um acordo comercial e para ser sincero não pensou que fosse realmente um sacrifício quando Tsunade enviou os termos do acordo. Mas então aquela loira tinha que aparecer e mexer completamente com a sua vida e de repente fazê-lo adiar dia após dia sua resposta.

Mulher irritante, que sempre lhe tirava do sério com seu nariz empinado e seu comportamento avoado, sempre se metendo onde não era chamada, toda cheia de opinião e fazendo-o cometer loucuras indignas que ele nunca imaginou que pudesse cometer.

E agora seu casamento arranjado seria em Konoha e tudo o que ele conseguia pensar era que veria novamente aquela loira desbocada que talvez, e apenas talvez, conseguiu mexer com sua cabeça mais do que o permitido.

****

– Temari! Espera! Eu...eu nem sei o que falar. – Shikamaru seguiu a princesa de Suna pelas ruas de Konoha, temendo que ela fosse embora da vila, depois que ela simplesmente saiu andando a passos duros após ouvir a confissão de Sakura.

– Bom, eu realmente deveria esperar mais do ninja mais inteligente de Konoha.

– Escuta! Escuta! – ele a pegou pelo braço e a obrigou a olhá-lo. – Eu não sabia disso, eu juro.

– Então é verdade... – ela murmurou friamente, os olhos verdes furiosos sobre o seu.

– Não! Quer dizer...eu não sei! Eu estou tão surpreso quanto você. Eu juro Temari! Você sabe que eu e a Ino tivemos algo, mas eu nunca pensei...Eu não sei como isso aconteceu!

– Não me diga que não sabe como os bebês são feitos, Shikamaru!! – ela explodiu irritada, soltando-se e voltando a andar.

– Droga! É claro que eu sei como aconteceu!!!!! Eu digo que.... – ele quis se estapear, nunca sentindo-se tão perdido como agora. Melhor, queria estapear Sakura por simplesmente lhe jogar aquela bomba e deixá-lo cuidar disso. Espera! Ele tinha que estapear Ino que simplesmente não lhe contou nada! Sim, ele primeiro estapearia Ino! Kami-sama, o que estava pensando. Havia enlouquecido!!! – Mas que droga!!!!!! Eu não sabia de nada!! Eu nem sei se isso é mesmo verdade ou se é mesmo meu filho!! – ele explodiu, já irritado e começando a sentir uma dor de cabeça.

– Oka-san, Oto-san estão brigando porque? Eu vou ganhar um irmãozinho? – Ichigo perguntou de repente para a babá que ficou constrangida e tentou calá-lo.

– Não!! – Temari praticamente gritou, mas então respirou fundo e beliscou o nariz tentando se acalmar – Leve o Ichigo de volta ao hotel. Eu preciso resolver uma coisa. Amanhã eu prometo levá-lo para conhecer a cidade ta bom, meu filho. – ela tentou sorrir para o garotinho que balançou a cabeça.

– Oto-san vai com a gente?

– Se ele tiver vivo até lá. – ela resmungou virando-se para Shikamaru que engoliu em seco ao ver aqueles olhos verdes perigosos – E quanto a você, vamos tirar essa duvida agora.

– C-como assim?

– Vamos até a Yamanaka e ela vai nos responder se ela está ou não está esperando um filho seu.

– C-certo.

– E Shikamaru?

– Sim?

– Se for, esteja certo que ele será o seu único! – ela disse ameaçadora, e Shikamaru engoliu em seco novamente e desta vez temeu pela integridade de suas partes intimas.

***

– O minha querida, finalmente saiu do quarto, eu estava preocupada. – Inoichi disse quando viu a filha descendo as escadas – Sua mãe está na floricultura, mas se quiser eu preparo algo para você...

– Não Oto-san, eu estou bem.

– Você passou dois dias trancada no quarto, meu bem. Eu nunca soube de qualquer doença tão horrível assim...

– Foi apenas medida de precaução depois que eu voltei de Suna. Shikamaru e Chouji não precisaram porque...é algo que só as mulheres pegam. – ela mentiu descaradamente, sem realmente sentir-se culpada. Não é porque ela havia decidido não contar a Gaara sobre sua gravidez, que ela decidira contar ao mundo. – Eu só estou cansada de ficar no quarto.

– Eu gostaria de ficar com você, mas fui chamado em missão. Mas posso chamar sua mãe para ficar com você.

– Não, não precisa. Eu vou ficar bem, Oto-san. – ela sorriu sem graça e acenou quando ele se foi. Ela foi até a sala e ligou a televisão, apertando mais o casaco contra o corpo enquanto jogava-se no sofá.

Infelizmente, mal seu corpo arrumou uma posição confortável, alguém bateu na porta.

– Ah droga. Vai embora, vai embora. – ela murmurou para si mesma como um mantra, mas não deu certo já que ela continuou ouvindo o barulho na porta. Suspirou resignada e foi se arrastando até lá. Quando abriu teve uma surpresa – O que vocês estão fazendo aqui?

– Que recepção pouco calorosa Yamanaka. – Temari sorriu sombriamente — Alias você está horrível.

Ino sentiu seu rosto esquentar, sabendo que não estava nas melhores aparências. Mas quem estaria depois de vomitar durante todo o dia, e ela ainda vestia um conjunto de flanela acinzentado por debaixo do casaco e meias nos pés.

– Temari! – Shikamaru repreendeu a princesa e em seguida olhou para Ino com cuidado – Será que podemos conversar?

Ino não queria. Principalmente com Temari ali, testemunhando sua derrocada, mas não soube como poderia recusar agora. Sem dizer nada, ela deu passagem para os dois e fechou a porta antes de seguirem até a sala.

– O que vocês querem? Se não sabem eu estou doente.

– Oh não queremos atrapalhar. Mas então, não vai nos oferecer um cafezinho, me desejar boas vindas, falar sobre quem é o pai do seu filho... – Temari tagarelou enquanto Shikamaru arregalou os olhos e Ino engasgou.

– O QUE? DO QUE VOCÊ....

– Tudo bem, eu dispenso o café. Vamos direto ao assunto. Shikamaru vai ou não perder as bolas dele?

– Temari!!!!!! – Shikamaru explodiu e em seguida se aproximou da amiga que parecia em choque e prestes a ter um ataque de pânico.

– Como vocês...c-como que...

– Acalme-se. – ele disse baixinho a guiando até o sofá – A Sakura me falou e a Temari acabou ouvindo, me desculpe. – ele olhou de esguelha para a namorada(?) que continuava bufando com os braços cruzados sobre o peito.

– Aquela testa de marquise não tinha o direito!! – Ino soluçou e já pode sentir seus olhos se encherem de lágrimas

– Certo, então é verdade. É por isso que você está escondida a dois dias em casa.

– Eu não...queria que você soubesse assim...ela não podia ter te contado. O que aconteceu com o sigilo médico e paciente? Eu vou denunciar aquela testuda...eu... – ela se calou quando Shikamaru segurou em suas mãos tremulas e ela não pode deixar de sentir-se acolhida enquanto ele a olhava com tanta compreensão. Kami-sama, ela ia chorar de novo! Malditos hormônios!

– Então...é verdade? Esse filho é mesmo meu?

– Si...OQUE?? – ela levantou-se em um pulo e por um instante ficou tonta

– Ino, você não pode fazer esforço.

– Não, espera. Você, você não é o pai! Não mesmo! Da onde vocês tiraram essa idéia?

– A Sakura.

– Já chega!! Aquela testuda não vai ser mais a minha médica!!

– Certo, então Shikamaru não é o pai do seu filho? – Temari perguntou novamente, com os olhos estreitos em desconfiança.

– Não, é claro que não!

– Senão é ele, quem é?

– Eu não vejo como isso seja da sua conta, cadela da areia!! – a kunoichi rosnou, mas Temari não ia desistir até que Shikamaru resolveu intrometer-se.

– Temari, agora que as coisas foram esclarecidas, e que esse filho não é meu – ele deu um novo olhar a amiga que foi rápida em concordar com a cabeça — Ino não nos deve nenhuma satisfação. – e saiu empurrando Temari em direção a porta, mesmo contra sua vontade. – Desculpe termos vindo sem avisar, mas você entende que precisávamos esclarecer essas coisas.

– Sim, sim c-claro. – ela gaguejou já na porta.

– Ah Ino... – ele chamou e sorriu quando ela o olhou ainda um pouco aérea – Parabens. – ele disse sinceramente ao ver o rosto dela se suavisar.

– Shika...

– Não se preocupe. Nós – ele disse dando um olhar para a princesa – damos nossa palavra que não contaremos a ninguém.

Ino não pode deixar de sorrir emocionada com o gesto do amigo.

– Obrigada.

– Você é rápida em Yamanaka. Eu quase tenho orgulho de você. – Temari provocou

– Nunca mais traga essa vaca de novo na minha casa!! – Ino quase gritou fuzilando a princesa com o olhar, antes de bater a porta com força.

Sozinha, ela suspirou recostando-se na porta até o chão. Se Temari comentar com Gaara, ele definitivamente ficaria desconfiado.

Por um minuto de pura curiosidade masoquista, imaginou como o Kazekage levaria aquela noticia. Piraria, seria engraçado ver a cara dele de controlador quando visse que não controlou isso. E então ele surtaria e se ela tivesse sorte, desmaiaria. E então quando acordasse, a culparia e ameaçaria tirar a criança dela alegando sua obvia desqualificação para educar uma herdeira.

A medida que os pensamentos iam fluindo, ela ficava mais apavorada, o sorriso dando lugar a uma expressão de horror e tristeza. Ela abraçou a própria barriga protetoramente.

– Ele não vai tirá-lo de mim, meu bebê. Eu prometo.

Hime veio ao seu encontro cautelosamente e colocou a patinha em sua cocha em um gesto de afeição.

– Obrigada garota, eu sei que posso sempre contar com você.

****

Naruto chegou ao estabelecimento de Madame Cyzu e olhou a agitação com melancolia. Não ia aquele lugar a algum tempo e admitia que sentiu um pouco de saudades. Fora as mulheres bonitas, o lugar era animado, uma pena que agora ele deixou sua solteirice convicta para trás e agora ele era feliz e muito bem amarrado a mulher mais bonita de Konoha, do mundo Shinobi inteiro.

Droga, ele era um idiota apaixonado. Graças a kami ninguém poderia ouvir seus pensamentos ou acabaria com sua imagem.

– Hei, quem é vivo sempre aparece.

Ele sorriu para Kim e se aproximou de seu balcão enquanto ela lhe servia sua bebida predileta antes que ele pudesse recusar.

– É por conta da casa. Vai precisar para tirar esse daí. – ela explicou apontando com o queixo na direção de uma das mesas ao fundo e Naruto sabia muito bem a quem ela se referia.

Afinal esse era o motivo dele estar lá afinal. Qual não foi sua surpresa quando em uma noite em que Hinata estava ocupada demais para ir ao seu encontro, ele resolveu fazer companhia ao seu melhor amigo e descobre através da prima psicopata dele – que estava indo a um encontro com ninguém menos que o cão vira-lata do Inuzuka – que o dito melhor amigo estava nada menos do que no prostíbulo mais famoso da vila. E ainda que ele ia todas as noites. E o pior, ele não o chamou!! Era ultrajante.

– A quanto tempo ele está ai?

– Uma hora no máximo.

– E está apenas bebendo? Ele nem sabe se divertir. Que desperdício. – o Uzumaki bufou.

– Na verdade, o Uchiha-san se mostrou com gostos muito familiares que um certo outro ninja herói. – ela ironizou, enquanto Naruto via o Uchiha meio bêbado chamando pela garota de cabelos róseos que ele conhecia muito bem.

– Ta de brincadeira. – ele quase riu com a ironia – Bem, eu acho que não poderia ser diferente. – resmungou.

– E será que eu devo concluir que a sua ausência seja porque você finalmente se acertou com a garota que você gosta.

– Não seja fofoqueira. – ele brincou – Mas se você insiste tanto em saber, eu estou muito bem.

– Fico feliz. De verdade. – ela sorriu sinceramente – Tenahi pergunta muito de você.

Naruto demorou três segundos para lembrar do garoto pequeno e escandaloso que salvara de dois valentões a um tempo agora.

– E como o pirralho está? Ainda fugindo dos mais velhos?

– Ele agora trabalha entregando comida no restaurante no centro da vila. Está empolgado e se esforçando mais na escola, para segundo ele virar “o melhor ninja de Konoha”.

– Bom, ele vai ter que treinar muito para passar de mim – Naruto riu cheio de si e viu a morena servir outro cliente com destreza. – E quando a você será que não pensa em encontrar outro emprego?

– Eu to juntando um dinheiro para abrir meu próprio negócio.

– Que bom. – ele deu um último gole em sua bebida e suspirou vendo Sasuke observar a versão prostituta de Sakura dançar sensualmente para ele. E pensar que há alguns meses, era ele quem estava naquela mesma posição.

– Então qual é a estratégia para levar o bonitão das garras da Michyo? – Kim voltou depois de servir mais um cliente.

– Esperar até que ele caia em si.

Kim olhou entre o moreno e o loiro e estalou a língua com desdém, depois pegou mais uma garrafa de sake e serviu o loiro que a olhou imediatamente e a viu dar de ombros.

– É melhor beber, por que isso vai demorar.

***

– Hei Uchiha.

Kiba acenou efusivamente chamando a garota que havia acabado de entrar no local. Ele não pode deixar de notar o corpo esbelto de sua parceira, que era evidenciado pelo conjunto de top vermelho que mal chegava ao seu umbigo, e uma saia da mesma cor de corte assimétrico que deixava o lado esquerdo mais curto que o direito e ainda se modelava perfeitamente em seu quadril, nós pés botas pretas.

Ela chegou até ele com um sorriso enviesado.

– Bem Inuzuka, eu tenho que admitir que quando você disse que conhecia um lugar legal, eu não coloquei muita fé.

– Sinta-se a vontade para se desculpar a hora que quiser. – ele brincou, dando um gole na sua bebida.

– Oh claro, quando porcos criarem asas. – ela ironizou enquanto ele a guiava até a sua mesa.

Ela já conhecia muitos dos rostos ali, que trabalhavam na policia, outros ela lembrava-se do dia em que invadi Konoha.

– Aos que não conhecem, essa é Uchiha Sayuri, minha parceira.

– Não acho que alguém poderia esquecer de uma nukkein que tentou matar a todos, Kiba. – Shino disse em seu tom calmo de sempre e Sayuri deixou a cabeça pender para um lado, enquanto dava seu melhor olhar maroto.

Kiba apenas deu de ombros e continuou.

– Esses aqui você já conhece – disse apontando para outros membros da policia – E esses são Shino, Sai e Torh. De outro esquadrão. – ele disse vago.

– O inseto, o pássaro e a ursa. – Ela disse deixando claro que sabia muito bem que reconhecia suas mascaras da ANBU – Lembro de vocês do dia em que eu tentei matar todos. – ela provocou.

– Ela é provocativa e irônica. – Sai observou sempre com sua expressão friamente risonha – Eu não gosto dela.

– Bom você não é o único. – Torh murmurou, jogando os cabelos vermelhos para o lado, gesto que Sayuri imitou enquanto as duas se encaravam em desafio.

– Mas eu também não gosto de pessoas ruivas.

Sayuri gargalhou alto diante da cara irritada da anbu.

– Porque trouxe essa encrenqueira Kiba? – Aisha perguntou emburrado

– Pare de ser um bebê chorão, porque eu limpei o chão com a sua cara no nosso último treino. – Sayuri continuou a provocar fazendo Kiba dar um tapa na própria testa enquanto via todos começarem a discutir.

– Ela é uma nukkein. Deveria estar presa.

– Kami como vocês são vermes pedantes. – A Uchiha revirou os olhos – Uma bebida não vale esse gasto inútil do meu tempo. – ela deu de ombros, e simplesmente deu meia volta se afastando.

– Hei, espera. Qual é não vai embora – Kiba a chamou, chocado, como de repente o momento se tornou tão tenso e deu um passo em direção onde ela estava partindo, mas foi segurado por Aisha.

– Deixa essa irritante pra lá, Kiba!! Estávamos nos divertindo sem ela.

– É, aquela vaca só chegou para estragar tudo. – Torh bufou.

– Pelo menos ela não é ruiva.

– CALA A BOCA SAI!

Kiba continuou em silêncio, olhando para a saída.

Sayuri suspirou, entediada. Aceitou sair com Kiba porque realmente precisava se distrair e se divertir um pouco, mas logo percebeu que tudo o que conseguiria ali seria reclamações daqueles fracotes. Pelos deuses, como eram maus perdedores.

Por um momento pensou em gastar sua noite treinando, mas logo descartou a possibilidade sentindo cada célula do seu corpo gritar que ela precisava de um descanso.

Ela bufou finalmente decidindo voltar para o clã quando..

– Hei Uchiha.

Ela não pode deixar de sorrir, e virar-se lentamente até ficar de frente com aquele Inuzuka, que tinha um sorriso travesso que deixava as mostra os caninos brancos e afiados. Ele tirou as mãos de trás das costas e balançou duas garrafas de sake cheinhas que fez os olhos da morena brilhar, e se aproximar.

– Ué, não vai ficar com seus amiguinhos super legais? – ela debochou e ele apenas deu de ombros.

– Aquele lugar já estava chato, e eles vão ficar bem sem mim.

– Admita Inuzuka, você está obcecado por mim.

– Nos seus sonhos, Uchiha. – mas ao contrário de suas palavras, ele a surpreendeu ao segurar sua mão. – Vamos, eu conheço um bom lugar pra gente se divertir.

Sayuri o olhou com desconfiança, mas o seguiu...

E então minutos depois...

– Ahhhh Inuzukaa... – ela gemeu longamente, ouvindo-o grunhir de contentamento – Isso é m-muito b-bom... – ela engasgou sentindo o prazer inundando cada célula de seu corpo. – Como conseguiu entrar nas termas depois da hora de fechar?

– Eu tenho um amigo que trabalha aqui e eu posso ter roubado uma das chaves. – ele riu, enquanto recostava-se em uma das beiradas, olhando para a tela que separava o lado dos homens e das mulheres.

Sayuri estava do outro lado, apenas com uma fina toalha em volta do seu corpo, relaxando do seu lado da grande piscina de águas naturais, com os olhos fechados.

Um minuto inteiro se passou e Kiba já começava a pegar no sono quando ouviu a voz do outro lado.

– Então Inuzuka, já conseguiu esquecer a Hyuuga?

– Kami-sama, você é tão inconveniente quanto o Sai.

Sayuri riu sabendo que o parceiro deveria estar corando como uma garotinha.

– Então a resposta é não.

– A Hinata é uma grande amiga. Eu gosto dela, mas não daquele jeito. Apenas...eu confundi as coisas, porque ela é uma garota legal e meiga e sensível...Droga, é quase impossível não se apaixonar por ela quando a conhece!

– Bom, a Kyuube obviamente não pensa assim, já que demorou tanto tempo pra corresponder os sentimentos dela.

– Naruto é um idiota cabeça oca, não percebe nada, a não ser que essa coisa esteja dançando nua na frente dele. Aquele baka pervertido – resmungou.

– Uhnnn, a Hyuuga deve ter feito uma dança muito boa então... – ela provocou.

– Nani? Não!!! Hinata nunca faria u-uma coisa dessas!! – ele rosnou – Não diga bobagens sua...sua...pervertida endemoniada.

Sayuri não controlou a gargalhada.

– Nossa, como você é sensível, Kiba! – ela o ouviu resmungar do outro lado e sorriu de lado tendo uma ideia. Sem fazer barulho, ela saiu da piscina e pegou suas roupas.

– Garota maluca...pervertida...como se a Hinata fosse fazer qualquer coisa desse tipo... – Kiba continuava resmungando com os braços cruzados, quando ele quase teve um derrame cerebral ao ver ninguém menos que a Uchiha, com uma toalha minuscula entrando do seu lado das termas – O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?

– É ruim conversar com uma parede! – ela explicou calmamente, já deixando sua roupa perto das dele e em seguida, entrando na água.

– Você não pode! Esse é o lado dos homens!

– Não seja uma mocinha.

– EU NÃO...MAS...MAS... – ele suspirou derrotado e completamente corado por ver aquela mulher relaxando despreocupadamente ao seu lado. – Você é impossível.

– Então se você não gosta mais da Hyuuga, quem é a sua próxima pretendente?

– E quem te falou que tem alguém?

– Porque você é um cavalheiro, Inuzuka! Um cavalheiro cafona e de coração mole que sempre tem alguma donzela que você queira cortejar.

Kiba corou e desviou o olhar emburrado, mas depois voltou a olhar a moça com um sorriso traquina.

– Então, Srta-coração-de-pedra, nunca se apaixonou por ninguém? Oh não me diga. Sasuke-kun – ele afinou a voz debochado e viu com satisfação, ela franzir o nariz em desgosto.

– Como ousa, verme!! Eu nunca me apaixonaria por Sasuke! Credo!! Sasuke é um fraco, não chegaria nem ao dedo mindinho do irmão dele. – ela deixou escapar sem querer.

– Está falando de Itachi?

– Quem mais seria? – ela cuspiu irritada por estar revelando mais do que deveria aquele cão sarnento.

Kiba então abriu ainda mais o sorriso.

– Oooohhh então era ele. Itachi! Você era apaixonada pelo Itachi! Já ouvi boatos de que você conhecia o irmão do Sasuke, mas nunca pensei que era tão profundamente. – ele zombou a fazendo fuzilá-lo com o olhar – Ele não era um pouco velho pra você.

– NÃO!! ISSO NÃO TEM NADA A VER! – ela explodiu irritada ao lembrar que era exatamente isso que o Uchiha mais velho dizia para ela – E nós nunca tivemos nada, seu idiota.

Para sua surpresa, Kiba apenas sorriu.

– Bom, parece que somos mais parecidos do que queríamos. – ele disse baixinho, fechando os olhos e recostando-se novamente na beira. – Nos apaixonamos por pessoas que nunca poderiam ser nossas. – concluiu e ela continuou a olhá-lo, um pouco chocada ao ver a lógica das suas palavras.

– Está errado – ela disse finalmente e ele abriu apenas um dos olhos para vê-la recostando-se também na beirada. – Não somos nada parecidos. Eu, pelo menos, consigo ficar com alguém sem sentir nada. – declarou orgulhosa e ele soltou um grande “HÁ!” irônico que deixava claro que ele não acreditava nela. – Eu falo sério.

– Oh claro que sim! Então com quantos você ficou até agora, Uchiha? – ele desafiou e a viu encher as bochechas de ar, com raiva. Por fim, bufou e cruzou os braços, desviando o olhar.

– Não é da sua conta. Obviamente minhas aventuras sexuais feriria seus pudores tão delicados.

– Eu duvido que tenha qualquer aventura sexual! – ele zombou. – Você não deve nem ter beijado alguém na sua vida.

– Eu não sou uma virgenzinha pura como você, Inuzuka!

– Eu não sou virgem!!

– Duvido muito. – ela resmungou – Além do mais quem iria querer ficar com uma mocinha... – ela foi interrompida bruscamente quando ele simplesmente puxou seu rosto e a beijou.

O choque durou apenas dois segundos, antes que ela estivesse o beijando de volta. Era um beijo calmo, mas sensual e ele explorava toda a boca dela com paciência deixando seus dentes roçarem em seus lábios, tentadoramente. Mas tão bruscamente quanto começou o beijo, ele separou e a olhou com um sorriso vencedor.

– Quem é a mocinha agora?

Ela estreitou os olhos, com raiva, mas quando Kiba pensou que iria levar um grande soco na cara, ele foi puxado para mais um beijo que ele imediatamente correspondeu, dessa vez a puxando mais contra seu corpo e sentindo as pernas dela se enganchando em sua cintura. Ela mordia seu lábio e chupava sua língua de uma forma erótica que deveria ser até proibida, enquanto arranhava sua nuca.

E então foi a vez dela separar-se com um sorriso malicioso.

– Você – ela respondeu finalmente.

Eles ficaram se olhando mais um segundo, sem se mexer, o desafio obvio em seus olhos deixando claro que nenhum dos dois pensava em desistir. E então, pela terceira vez eles se beijaram, dessa vez ao mesmo tempo, com mais volúpia e desespero e sem qualquer hesitação. Havia língua e dentes, as mãos dele no cabelo dela, e as dela arranhando seu peito, até o ar começar a faltar e suas bocas se desgrudarem por um curto momento, antes de explorarem outras partes do corpo de seus parceiros.

Ela deixou escapar um suspiro quando ele mordeu seu pescoço, mas não o deixou se vangloriar por muito tempo, o fazendo gemer chocado ao senti-la começar a movimentar seu quadril de modo a despertar seu pau e o Inuzuka imediatamente tinha as mãos na cintura fina segurando-a com força, como se tentasse se segurar até ouvir o riso debochado dela.

O ninja não perdeu tempo, a puxando para mais um beijo, ele desceu as mãos até o traseiro da nukkein a puxando mais contra si e a fazendo sentir seu pau duro contra a intimidade dela. O efeito desejado foi instantâneo, ela arqueou as costas como um gato manhoso e ele aproveitou para distribuir beijos pelo colo dela até a barra da toalha ainda presa frouxamente ao redor dos seios volumosos.

Nenhum dos dois soube dizer exatamente quando as provocações tornaram-se toques desesperados, mas a água quente começava a ser um incomodo uma vez que seus corpos ferviam de desejo inesperado a medida que sua interação tornava-se mais e mais intima.

Kiba rosnou, vencido, e levantou da água com a Uchiha ainda em seu colo, e a deitou no chão com ele ainda entre suas pernas, e ela contorceu-se ao sentir o frio do chão em seu corpo quente. As toalhas havia sido esquecidas dentro da piscina e eles podiam sentir o corpo um do outro sem qualquer barreiras.

E foi quando ela interrompeu novamente o beijo e eles se entreolharam. Por um segundo a consciência voltou novamente, e ambos coraram ao perceberem sua situação. Mas uma vez que era inútil negar a excitação dos dois, e era impensável parar com aquilo agora, ela chegou a uma solução.

– Isso é só sexo. Não sentimos nada um pelo outro.

– Com certeza. Depois cada um vai para seu lado e nunca tocaremos nesse assunto.

– Certo. E não faremos de novo.

– Bom...podemos fazer...se ambos quiserem e...estivermos...entediados sabe.

– De acordo.

– De acordo.

E eles voltaram a se beijar e se tocar.

Ela levou a mão até o membro dele e o sentiu duro em toda sua extensão, e sem perder tempo começou um movimento firme de sobre e desce, enquanto ele sugava seu mamilo e apertava sua cocha, até ir descendendo os beijos pela sua barriga o que a obrigou a soltá-lo, enquanto sentia a língua dele trilhando um caminho pela sua barriga até seu baixo ventre que já queimava de desejo. Ele riu quando ela deixou escapar um gritinho ao sentir os dedos dele em sua virilha, consequentemente abrindo mais suas pernas e ficando completamente exposta a ele que nem ao menos hesitou e imediatamente se pos a chupá-la e excitá-la, adorando vê-la se contorcer e deixar escapar gemidos cada vez mais altos.

Ele a faria pagar por chamá-lo de mocinha.

E continuou suas ministrações até tê-la completamente mole e ofegante, as mãos puxando seus cabelos desesperadamente enquanto seu corpo convulsionava a beira de um orgasmo iminente. E então ele parou e voltou a subir os lábios pelo corpo dela distribuindo beijos e lambidas, dando atenção especial aos seios até chegar novamente a sua boca.

A essa ponto, ela já tinha as pernas em volta dele, erguendo os quadris e tentando consumar o ato com desespero.

– Vamos logo com isso, Inuzuka!

– Diga meu nome.

– O que? – ela estava confusa pela nevoa de desejo, quando ele colocou seu pau bem próximo a entrada dela, mas puxou seu cabelo a obrigando a olhá-lo.

– Diga meu nome.

Ela finalmente entendeu, e contorceu-se em desespero enquanto fazia o que ele mandava.

– Kiba! Agora! Agora!

Kiba finalmente pareceu satisfeito e novamente colou seus lábios, e engoliu o gemido dela quando ele a penetrou finalmente, lentamente até estar completamente dentro. E sem esperar nada, ele começou a estocar. Rápido, forte, nenhum dos dois aguentava mais esperar, estavam no limite e precisavam do alivio.

Ele ergueu a perna dela mais para o alto sem nenhum problema e voltou a entrar e sair, empurrando sempre com cuidado, mas força para que entrasse tudo de uma vez e assim tocando em um ponto que a fazia soltar gritinhos de prazer. Eles manteram esse ritmo até ela não aguentar mais e gozar, quase desfalecendo pelo cansaço, enquanto ele estocou por mais algumas vezes antes de finalmente também gozar e cair ao lado dela.

Ofegantes, eles ficaram em silêncio tentando recuperar o fôlego, um ao lado do outro com apenas seus ombros se roçando.

– É...não foi nada mal... – ela disse finalmente o fazendo revirar os olhos.

– É...você também foi melhor que as expectativas...um pouco. – também a provocou e recebeu uma cotovelada. – Auch!

– Isso nunca pode sair daqui ouviu seu vira-lata!

– HÁ! Como se eu fosse querer que alguém soubesse que eu tive algo com uma nukkein!

– Eu é que não quero que alguém saiba que eu pude descer tão baixo!

Eles se entreolharam desafiadores e bufaram ao mesmo tempo em que viraram seus rostos para direções opostas.

***

– Hei dobe, me solta, eu não estou bêbado!

– Sim, diz isso para o cara que você tentou acertar um chidori! – Naruto resmungou enquanto continuava arrastando o amigo pelas ruas desertas de Konoha.

– Ele estava agarrando aquela garota.

– Sim, é pra isso que ela está lá! – o loiro bufou

– Eu sei, apenas eu pensei que...

– ...fosse a Sakura-chan.

Sasuke engoliu em seco, recusando-se a olhar para o dobe. Já era ridículo o suficiente ter que ir todas as noites aquele bordel para afogar suas magoas, mas ter como plateia seu melhor amigo era algo humilhante demais.

– Não era ela.

– Você acha que eu não sei? – o Uchiha cuspiu irritado, enquanto finalmente soltava-se do amigo e começava a andar

– E porque simplesmente não admite que ainda gosta dela?

– Como isso ia ajudaria?

– Eu não entendo qual é o problema, teme. – Naruto confessou emburrado e viu o moreno parar e soltar uma risada seca.

– Engraçado, você sempre quis que isso acontecesse. E agora você tai me aconselhando a fazer as pazes com a garota que você era obcecado.

– As coisas mudaram. Eu to com a Hinata agora, é dela que eu realmente gosto!

– Sério? Porque há dois mês atrás você ainda era completamente apaixonado pela Sakura. Então me diz como pode ter certeza que ama a Hinata? – o Uchiha zombou.

– Porque é bem obvio pra mim. – o Uzumaki disse simplesmente, surpreendendo o moreno com sua simplicidade – Eu lutei pela Hinata muito mais do que eu já lutei pela Sakura, e eu continuaria lutando por ela o tempo que precisasse.

– Você voltou a ser bobão cabeça oca de antes, sabia?

Naruto riu: Talvez. Mas não é tão ruim assim afinal de contas.

– Eu posso ir pra casa sozinho, dobe. Já falei que eu estou bem!

– Eu não acredito em você. E de qualquer forma, minha casa é mais longe e eu to morto. – ele disse como se fosse a coisa mais obvia e Sasuke suspirou irritado e vencido.

Então ele sentiu sua visão estremecer e uma dor invadir seu cérebro como se pequenas agulhas estivessem sendo enfiadas nele. Seus joelhos tremeram e ele com certeza cairia no chão se Naruto não o tivesse segurado.

– O que foi?

– Nada, só fiquei tonto por causa da bebida. Não é nada demais. – ele mentiu soltando-se novamente dos braços dos Uzumaki e voltando a andar.

Naruto o seguiu de perto e Sasuke continuou o caminho inteiro em silêncio, tentando o seu máximo não deixar transparecer que tudo o que via era sombras borradas.

Eles chegaram no clã Uchiha e por sorte, ele conhecia aquele local como a palma de sua mão e não teve dificuldades em entrar em casa e ir em direção ao seu quarto.

– O sofá é todo seu dobe. – ele disse já subindo as escadas, segurando firme no corrimão.

– Você é um péssimo anfitrião, Sasuke. – Naruto resmungou, tirando seus sapatos, sendo ignorado completamente pelo Uchiha.

Antes de dormir, ele pensou no que Hinata poderia estar fazendo.

Mal ele sabia que a herdeira do clã estava em seu quarto, olhando pela janela pensativa quando ouviu pequenas batidas na porta.

– Entre.

A porta foi aberta e Hana entrou primeira, seguida por Neji.

– Eu já avisei a todos como me pediu. Ninguém sairá do clã antes das oito.

– Ótimo. Obrigada Hana.

– Tem certeza que quer fazer isso, Hinata? – Neji perguntou pela terceira vez desde que lhe contara o que pretendia fazer – Eles considerarão uma afronta pessoal e poderão tentar lhe prejudicar.

– Eles já estão querendo fazer isso e eu temo que se não fizer nada, vão acabar conseguindo o que querem. Está na hora de eu parar de me esconder e enfrentá-los antes que eles o façam.

– Eu tenho certeza que vai dar certo Hinata-san! – Hana disse empolgada, mas Neji continuava preocupado e Hinata estendeu-lhe a mão, sorrindo.

– Por favor Neji-nii-san, eu só preciso do seu apoio pra ter certeza de que vou conseguir.

Ele finalmente pegou sua mão e depositou um beijo casto.

– Eu sempre vou apoiá-la.

– Arigatou.

– Nós já vamos. Tenha uma boa noite de sono. – ele aconselhou – Amanhã você terá uma grande batalha.

– Eu sei.

E quando eles se despediram, ela voltou a sua janela e olhou para o céu escuro lá fora. Estava com muito medo e por um instante pensou que queria que Naruto estivesse ali com ela, mas logo deixou a idéia sumir. Não era hora de pensar como uma donzela indefesa, ela precisava ser forte agora e salvar a si mesma.

Seu olhar recaiu ao lindo anel de safira em seus dedos e ela a tocou com carinho. Afinal, a mulher de um Hokage deveria ser tão forte quanto ele.

Ela riu e caiu na cama, se permitindo sonhar com o amor de sua vida antes de ter que encarar um dos seus maiores pesadelos.

***

– NARUTO! NARUTO!! UZUMAKI BAKAAA!!

– QUAL É O SEU PROBLEMA? – Naruto despertou irritado e completamente dolorido daquele sofá desconfortável. E ainda ter aquela criatura irritante berrando em seu ouvido deixava seu humor ainda pior.

Entretanto, ele se deu conta da expressão horrorizada dela e franziu o cenho confuso.

– É O SASUKE! ELE ESTÁ SANGRANDO...EU NÃO SEI...

Ele nem a deixou terminar e já subia a escada até o quarto principal. Quando entrou, ficou assombrado ao ver o irmão contorcendo-se na cama, com as mãos sobre o rosto que estava encharcado de sangue.

– Sasuke, seu idiota, o que aconteceu?

– Nada! É apenas um efeito colateral. – o Uchiha grunhia debatendo-se na cama que já tinha manchas vermelhas por toda a parte – Vai embora, dobe.

– Nem pensar! Vamos te levar ao hospital!

– Não! Vai embora, dobe, eu to mandando!

– Como se você mandasse em mim – Naruto rosnou e praticamente puxou Sasuke da cama quando Sayuri chegou com um pano e colocou sobre os olhos dele.

Nesse momento, o Uchiha ameaçou desmaiar e Sayuri foi rápida em ajudar o loiro a segurá-lo.

– Vamos Sasuke!! Você precisa reagir.

***

– Dra. Haruno! Emergencia! – uma das enfermeiras gritou e Sakura imediatamente colocou o casaco do uniforme e saiu de sua sala.

Não demorou muito para encontrar um amontoado de gente e entre eles ninguém menos que Naruto e Sayuri carregando um Sasuke Uchiha desacordado. Seu coração falhou uma batida, enquanto ela apertava os passos em suas direções.

– O que aconteceu?

– Eu não sei Sakura-chan! Ele está sangrando muito e perdeu os sentidos um pouco antes de chegarmos.

– Quando eu cheguei hoje de manhã, eu ouvi seu grito e encontrei ele se contorcendo na cama sangrando. E foi quando eu chamei a besta do uzumaki – Sayuri completou e Sakura percebeu que ela parecia em choque e olhava para a própria roupa de festa que apesar de vermelha, tinha manchas escuras do sangue de Sasuke.

– Eu vou examiná-lo. Vocês não podem passar daqui. – ela disse enquanto acompanhava a maca de Sasuke.

Ela ouviu um gemido do moreno e engoliu em seco, nervosa.

“Sasuke-kun”

****

No clã Hyuuga, havia uma grande comoção em volta dos jardins onde todos os Hyuugas foram chamados para ouvir um pronunciamento.

Com a família primaria e secundária reunidas, todos esperaram pela chegada de seu líder com paciência, mas ninguém entendeu quando o mesmo não tomou seu lugar em frente a eles, ao contrário, parecia tão surpreso com essa reunião quanto todos.

– Quem foi que pediu por esse pronunciamento? – ele perguntou a um dos conselheiros, mas os mesmos tinham a mesma duvida.

– Fui eu, Oto-san.

E então todos viram com surpresa, Hinata Hyuuga, a primogênita e herdeira do líder, andar por entre eles até chegar a sua frente.

– O que significa isso, Hinata? – Hiashi rosnou baixinho

– Apenas deixando as coisas claras, Oto-san. – e dizendo isso, ela foi até a frente de todos que pareciam surpresos ao vê-la, sempre tão tímida e hesitante, tão decidida e segura de si.

Mal eles sabiam que a Hyuuga estava vivendo seu pior pesadelo, tendo que falar em público daquele jeito, e o pior, ainda tentar transparecer segurança e força. Mas Neji estava lá para apoiá-la, e mais ainda, Akihiko e Hana também lhe acenaram com confiança e ela se encheu de coragem ao enfrentar todo o clã Hyuuga pela primeira vez em sua vida.

– Primeiramente, eu queria agradecer a vocês por terem disponibilizado um pouco do seu tempo para me ouvir. Eu sei que o primeiro discurso do novo líder do clã é em sua cerimônia de nomeação, mas eu decidi que eu não queria mais me esconder atrás de regras e boatos, e atrás de meus próprios medos. – ela dizia calmamente, enquanto tentava não desviar o olhar – Eu sei que todos sabem que desde pequena, eu nunca fui a Hyuuga mais forte e a mais segura, e muito menos um orgulho para meu pai, e eu também sei que está havendo muitos boatos de que eu levaria o clã a ruína quando eu assumisse e que o melhor seria era colocar outro em meu lugar. – ela olhou diretamente para os conselheiros, principalmente Yoichi, o pai de Akihiko que a observava com curiosidade e desdém – E eu estou aqui para dizer que eu não tenho medo, não mais. Eu vim aqui deixar claro para o meu clã, que ao contrário do que andam dizendo no intuito de difamar a mim e a meu pai, eu não sou a garotinha fraca e manipulável de antes e prova disto é o cancelamento do meu casamento que tinha como única explicação, a minha incapacidade de administrar um clã, sozinha.

– Diga-nos Hinata, qual é o verdadeiro motivo para essa perda de tempo? – Yoichi perguntou com ironia.

– Eu digo. – ela respondeu com calma – Eu decidi deixar claro para todo o clã, o que os conselheiros vem tentando fazer para tirar minha família da liderança do clã.

– Srta Hinata, nossa única preocupação é que você seja jovem demais e não entenda e respeite as nossas tradições. – Outro conselheiro rebateu com imparcialidade.

– Eu respeito as tradições do clã, contudo sr. conselheiro, eu vejo que o clã está ficando cada vez mais atrasado em relação aos outros, e tudo o que eu quero é que nosso clã permaneça vivo por muitos anos ainda. A proibição de casamentos fora do clã, por exemplo, é muito antiquadro.

– Isso é apenas com membros da família primaria, e no intuito de manter o byakugan puro e vivo.

– A pureza do byakugan não depende necessariamente de casamentos da família primaria.

– Ela apenas diz isso porque, como todos sabem, está tendo um romancezinho proibido com aquele jiinchuriki maldito. – Yoichi provocou. – Trocou meu filho, por um demônio qualquer.

– O demônio ao qual se refere salvou Konoha mais de uma vez, enquanto todos vocês estavam protegidos em suas casas. O nome dele é Naruto Uzumaki e ele é o ninja mais forte do mundo Shinobi, e se o clã Hyuuga for burro o suficiente para manter essa sua rixa ridícula com o ninja mais forte e poderoso do mundo Shinobi, então seu destino não será outro a não ser a extinção.

Uma serie de burburinhos começou por todos, mas Hinata não parou.

– Aqui e agora eu digo, está na hora de parar com preconceitos mesquinhos e rever tradições antiquadras que apenas serve para nos desunir ainda mais como clã, ao invés do contrário. Seja da família primaria ou secundária, está na hora de nos unirmos como Hyuugas e nos tornarmos mais fortes.

– Isso é um ultraje!! Você zomba das nossas tradições e quer nos transformar em um clã de mestiços. É obvio que não está pronta para assumir o clã.

– O senhor fala de tradições, mas é o primeiro a querer descumpri-las, tentando tirar a nossa família da liderança do clã, quando somos os únicos descendentes do fundador dos Hyuugas. – Yoichi se calou dessa vez, sua expressão de desdém substituída por raiva – Eu começo a achar que seu único intuito é alcançar a liderança, nem que para isso obrigue seus filhos a casamentos forçados.

– Como ousa falar comigo assim, sua pequena pirralha. – ele rosnou irritado.

– Hinata-sama – Akihiko se manifestou pela primeira vez chamando a atenção de todos – Aqui, eu juro minha lealdade incondicional a você...

– Akihiko!! – Yoichi quase gritou de frustração, mas foi categoricamente ignorado.

– ...e reafirmo meu apoio a sua liderança e minha absoluta disposição a suas ordens.

– Obrigada Akihiko. – ela sorriu e não ficou surpresa, mas ainda sim emocionada quando Neji foi o próximo.

– Eu também juro minha lealdade a apenas você – ele disse polidamente e ela lhe estendeu a mão que dessa vez ele segurou em um aperto firme – Hinata-sama.

Para o horror de Yoichi, um a um os Hyuugas presentes fizeram o mesmo, e por fim, surpreendendo a todos, Hanabi saiu do lado do pai e foi até a frente da irmã, que pela primeira vez parecia muito surpresa.

– H-hanabi-chan...

– Eu, Hanabi Hyuuga, juro minha lealdade incondicional e completa a minha irmã, Hinata Hyuuga. – ela murmurou e abaixou a cabeça em sinal de respeito.

– Eu aceito. Eu aceito a lealdade de todos, e eu juro que farei tudo para não decepcioná-los.

– A Hinata-samaaaa! – Hana gritou sem conseguir se conter, emocionada e eufórica.

– HINATA-SAMA! – todos gritaram em um lindo uníssono e tão alto e forte que todos do bairro haviam ouvido.

Enquanto isso, a doce herdeira deixava que uma lágrima de emoção caísse de um de seus olhos e sorriu feliz e satisfeita. Ela não viu quando os conselheiros se retiraram e muito menos quando Hiashi os seguiu.

– Você ainda tem muitos truques, eu admito, Hiashi. Mas fazer a sua filha seduzir até mesmo meu filho foi genial – Yoichi esbravejou e Hiashi não perdeu a chance de lhe dar um olhar altivo. – Apenas lembre-se dessa cena patética quando o clã Hyuuga estiver cheio de filhotes de Kitsune e não passarmos de mestiços imundos e fracos. – e dizendo isso, ele se foi sendo seguido pelos outros conselheiros.

Hiashi aproximou-se da janela e viu Hinata cercada pelos Hyuugas e pela primeira vez admitiu que ela poderia sim ser uma grande líder para o clã. Mas Yoichi também tinha razão, o namoro entre ela e o demônio das nove caudas colocaria tudo a perder, e ele não poderia deixar que Hinata desperdiçasse seu potencial finalmente descoberto por causa de uma paixonite ridícula por um jinchuuriki imundo.

***

– Desculpe, eu realmente não posso almoçar agora. O hospital está cheio hoje. – ela se desculpou para o homem para a sua frente.

– Tudo bem, eu sei como é ter um trabalho em tempo integral. – Hideo sorriu sempre compreensível – Então nos vemos mais tarde?

– Sim, claro. Bom almoço! – eles se despediram com um selinho e ele se foi.

Sakura odiou ter mentido para o namorado. Até um idiota poderia ver que o hospital estava calmo, mas ela simplesmente não tinha vontade de almoçar. Não era nada demais.

A quem queria enganar? Ela estava assim por causa de Sasuke e não sairia do lado dele enquanto ao menos os resultados dos exames chegassem e ela descobrisse o seu problema, apesar de já ter uma idéia.

Quase soltou um muxoxo inconformado ao virar no corredor e dar de cara com a Uchiha babaca, mas para sua surpresa, ela não fez nenhuma zombaria, ao contrário, estava muito séria.

– Como ele está?

– Eu ainda não tenho certeza. Vou precisar dos resultados dos exames. Mas assim que souber, eu aviso certo?

– Uhn...obrigada.

A rosada acenou ainda chocada por ter ouvido um agradecimento da morena que voltou a sentar-se na sala de espera, parecendo verdadeiramente cabisbaixa.

– Onde está o naruto?

– Ele voltou para casa para tomar um banho. Eu preferi ficar pra... – ela não continuou, mas Sakura entendeu.

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– Sakura-san – uma enfermeira se aproximou – o resultado dos exames.

A kunoichi agradeceu e rapidamente deu uma olhada na papelada. Seus olhos verdes imediatamente se arregalaram e ela soltou um xingamento baixo, mas foi o suficiente para alarmar Sayuri que a seguiu quando a mesma rumou como um furacão para o quarto do Uchiha.

– Qual é o seu problema? – ela explodiu, assim que entrou no quarto, olhando para o moreno deitado na cama com uma faixa sobre seus olhos.

– No momento, essa faixa me impedindo de ver.

– Oh é isso que você acha? – a rosada estava muito irritada e sem pensar duas vezes, simplesmente tirou a faixa dos olhos dele. – E agora, está melhor? – incrivelmente ela ironizava.

Sayuri que estava na porta, viu o moreno piscar e então levantar-se, mas havia algo de errado.

– Sasuke...

Ele virou a cabeça em direção a sua voz, mas tinha a expressão vazia enquanto Sakura tinha uma sombria.

– Eu disse para você que não podia ficar usando esse maldito mangekyo por muito tempo! – Sakura continuava a brigar – Mas você nunca me ouviu, agora meus parabéns, conseguiu o que queria.

– Do que você esta falando Haruno? – ela perguntou já irritada e confusa, enquanto Sasuke parecia normal e até um pouco distante.

– Ele está cego! – ela respondeu, jogando os papeis dos exames sobre a mesinha de cabeceira, e saindo de lá com raiva, deixando uma muito atordoada e chocada Sayuri para trás, e um Sasuke frio, distante e completamente cego.

***

Naruto saiu do banho sentindo-se bem mais relaxado, apesar de continuar preocupado com o teme. Com a toalha ainda amarrada na cintura, ele foi até a cozinha no intuito de comer algo antes de voltar para o hospital, mas quase teve um ataque cardíaco ao dar de cara com ninguém menos que Hyuuga Hiashi parado no meio de sua sala, com sua expressão de nojo comum quando estava na presença do Uzumaki.

– Que demônios você está fazendo aqui, Hyuuga?

– O único demônio aqui é você, kitsune.

Naruto gargalhou alto.

– Não é possível que você tenha invadido a minha casa só para me xingar. Isso só pode ser um pesadelo.

– O meu pesadelo Uzumaki, é você perto da minha filha.

De repente o loiro entendeu e estalou a língua, quase com desdém.

– Oh claro, eu deveria imaginar que isso um dia chegaria ao seu ouvido. Até demorou demais, mas eu tinha a esperança que ficasse gagá e eu não tivesse que perder meu tempo chutando a sua bunda.

– É isso que se resume a você, não é Jinchuuriki! Uma piada! Uma forma de me afrontar.

– Olha aqui, seu velho idiota! Eu amo a Hinata! – ele disse com firmeza e então deu um meio sorriso sacana – Irritar você é apenas um bônus muito divertido.

– Você não faz idéia o que seja amor, seu pirralho inútil!

– Eu? E quanto a você que só sabe menosprezar suas filhas.

– Eu as fiz ficar mais forte. Hinata principalmente. E agora eu vejo que ela finalmente se tornou uma Hyuuga capaz de liderar o clã.

Naruto o olhou com desconfiança, tentando entender a onde o velho queria chegar.

– Mas você só servira para atrapalhá-la de seu sonho.

Bingo!

– Ah eu sabia. Agora vem o papinho de que eu deveria me afastar da Hinata se eu a amo de verdade. Isso não vai colar comigo, Hyuuga.

– Eu tenho certeza que a Hokage já falou com você que me ter como inimigo não é nada bom para o seu propósito de tornar-se Hokage, garoto.

– Então é melhor que saiba que eu a ignorei do mesmo jeito que farei com o senhor.

Para sua surpresa, Hiashi riu debochado.

– Eu sabia, você só quer um troféu. Não liga para o futuro de Hinata.

– O futuro dela é comigo!

– O futuro dela é como líder do clã e ela só conseguirá isso se você deixá-la livre. Entenda demônio, você é um empecilho na vida de Hinata. Esse romancezinho ridiculo só vai acabar com o sonho dos dois. – ele concluiu – Eu vim apelar pelo seu bom senso Uzumaki. – Naruto o olhou com desdém

– Não é a melhor ideia.

– O clã é importante para Hinata, Uzumaki. – Hiashi o olhou com seriedade — Deixe-a seguir esse sonho. Se quer o bem dela, fique longe.

Notas finais
Eu sei, eu sei que não foi um dos melhores capítulos, mas ele foi necessário para o desenvolvimento da fic. Os próximos serão melhores! Espero mesmo que tenham gostado! *.* Quero reviews com opiniões! Obrigada a todos que esperaram taaaanto. Beijinhos e até a próxima!