Notas iniciais
Aí gente, mais um capitulo! Esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever, como o próprio título diz, será cheio de revelações. Espero que o curtam do mesmo jeito que eu curti escrevê-lo! Boa Leitura.

“As verdades mais importantes só são ditas metade.”

Baltasar Gracián y Morales

O quarto branco estava afundado em puro silêncio a não ser pelas respirações dos ocupantes da sala naquele momento. Os Hyuugas que velavam o sono de Hinata eram Neji e Hanabi, um de cada lado da cama observando a herdeira sequestrada e resgatada que havia chegado muito debilitada a vila e já dormia a quase dois dias.

Naruto e Konohamaru haviam chegado a tempo, mas apenas uma fração de hora a mais, e provavelmente Hinata não teria seu chacra nunca mais. Segundo Tsunade, ela estava bem. A cor havia voltado a suas bochechas, e sua respiração era tranquila agora, depois de uma noite agitada com o que pareciam pesadelos. Naruto não saira de perto dela nenhum instante, e Hanabi precisou lembrá-lo de que era sua irmã e tinha o direito de ter um tempinho com ela para finalmente fazê-lo concordar em dar uma volta pelo hospital por alguns instantes.

Hinata tinha tanta sorte.

Não. Sorte não tinha nada a ver com isso. Hinata havia lutado as piores das batalhas e havia conseguido o que tanto almejava, o amor do ninja cabeça oca. Ela merecia ser feliz de agora em diante e Hanabi faria o possível para que isso acontecesse. Mas conhecia o coração de bondade inabalada da irmã e no fundo uma pequena aflição e medo se instalava em seu próprio a fazendo segurar a mão inerte de Hinata e fazer um pedido mudo de compreensão.

— Hanabi... – Neji começou, mas ela o cortou quase com desespero.

— Eu só preciso de mais alguns minutinhos com ela. Por favor. Eu só quero... – ela engoliu o soluço entrecortado e ele entendeu.

— Eu estarei lá fora.

— Obrigada. – ela sussurrou e ouviu seus passos e depois a porta ser fechada indicando que estava sozinha com a irmã. – Baka...talvez seja melhor que esteja dormindo por mais alguns dias afinal... – suspirou encolhendo os ombros, e abaixando os olhos como se não pudesse olhar para a irmã no momento.

— Isso me faz sentir muito amada, Hanabi... – a voz baixa e o tom sarcástico foram ouvidos devido apenas a pouca distancia, e podia ser confundido com uma ilusão de sua mente, mas quando a Hyuuga mais nova levantou o olhar e viu os olhos inchados, mas totalmente abertos da irmã apesar de ter uma ruga entre as sobrancelhas, ela não pode deixar de sorrir e praticamente se jogar sobre o corpo de Hinata – Auch!!

— Gomene!! Eu te machuquei! Eu...eu nem acredito! Você finalmente acordou!! Eu estava tão preocupada!! – Ela finalizou limpando uma pequena lágrima no canto dos olhos enquanto via sua irmã olhá-la com ternura.

— Assim é melhor. – Hinata brincou, mas fechou os olhos quando a sala girou um pouco – A quanto tempo estou aqui?

— Dois dias desde que Naruto invadiu Konoha com você no colo e colocou todos loucos! Você quase não tinha chacra, mas Tsunade-sama disse que você já está bem, e daqui a uns dias, novinha como folha.

— E quanto a... – Hinata hesitou, sentindo suas bochechas corarem e Hanabi sorriu maliciosa.

— Ele deve estar pela vila... – murmurou, vendo satisfeita a morena desviar o olhar um pouco decepcionada. Ela era tão boba. – Na verdade, a culpa pode ter sido minha, já que eu tive que ameaçar levá-la para o clã, caso ele não saísse do seu lado e nos deixasse vê-la. – finalizou agora vendo a mais velha corar mais profundamente e sorrir envergonhada.

— E-ele f-fez m-mesmo isso?

— A essa altura eu estou convencida que aquele baka faria qualquer coisa por você nee-san.

A porta então se abriu, e Neji tinha a boca aberta, mas ficou congelado ao ver as duas primas lhe sorrindo.

— Está acordada! – ele disse finalmente aproximando-se da cama e fazendo uma misura que as duas já haviam aprendido que era muito mais um gesto de carinho do que de submissão. – Que bom. Estava com medo do idiota do Naruto explodir a vila com sua impaciência. – ironizou e viu Hinata olhá-lo emburrada.

— Vocês descrevem Naruto-kun como um louco. – ela protestou indignada, mas no fim os três sorriram.

— Bem, eu acho que vou avisar a todos, inclusive ao baka, que você finalmente acordou. Bem vinda de volta, Hinata – ele deu um pequeno sorriso que ela correspondeu com um aceno, e então ele olhou para a mais nova com uma expressão mais séria e de repente ambos pareceram ficar tensos – Não demore, Hanabi.

— Serei rápida, prometo.

E quando Neji saiu, Hinata podia sentir a tensão palpável da irmã que havia se afastado um passo.

— Qual o motivo de tanta pressa, afinal? – ela tentou brincar, mas podia sentir que tinha algo errado e soube no momento que viu os olhos da irmã que ela não iria gostar do que estava por vir.

***

Neji encontrou o time 7 completo na lanchonete e não pode deixar de ter lembrança de anos atrás quando todos eram pirralhos competitivos que nem se quer eram amigos. Tanto mudou inclusive ele próprio. Ainda bem. As vezes ainda lhe atormentava a possibilidade de como seria sua vida se continuasse frio, rancoroso e submisso as vontades do tio.

Será que ele havia aceitado participar do sequestro de Hinata? Será que ele ainda estaria vivo?

— Hei Hyuuga, a pestinha já matou a saudades da minha noiva? – Naruto provocou, devorando o que parecia um sanduishe gigante em apenas uma só mordida – Eu até gousto dela...mas ela conxegui xer um graunde xute no sacuo quandu quer. – ele resmungava de boca cheia para irritação da kunoichi rosada.

— NARUTO, SEU PORCO! FECHA A BOCA!

O loiro, entretanto, apenas deu de ombros as reclamações da médica, enquanto Neji aproximava-se e surpreendeu ao sentar na cadeira vaga ao lado do loiro.

— Como está Uchiha?

— Cego ainda. – o moreno respondeu, direto, mas não parecia muito chateado e Neji apenas entendeu porque quando Sakura tocou em sua mão com delicadeza.

— Não desistimos ainda. O tratamento vai ter resultado! Eu tenho certeza. Os exames de hoje vão nos mostrar se houve melhora.

— E quanto a situação da policia? – Neji voltou a perguntar, fingindo ignorar o olhar vidrado que Naruto tinha sobre si, desconfiado.

— Naruto se mantém me substituindo, apesar de estar fazendo um péssimo trabalho já que nem ao menos se aproximou do prédio nos últimos dois dias. – Sasuke alfinetou, mas o loiro nem ligou mantendo-se avaliando o Hyuuga em silêncio.

— Será um bom treino para se tornar Hokage, creio que seja esse um dos motivos que o levou a aceitar não é, Naruto?

— O que está fazendo aqui Hyuuga?

— Naruto!!! Que grosseiro!! – Sakura se alarmou, mas Neji manteve-se impassível até finalmente voltar seu olhar para o loiro.

— Hinata acordou.

— EU SABIA!!! – o loiro já estava de pé, mas o Hyuuga conseguiu segurá-lo pelo colarinho e olhá-lo nos olhos.

— Eu peço que espere apenas alguns minutos mais, Naruto. Hinata e Hanabi precisam ter uma conversa a sós. É necessário que Hinata saiba de algumas coisas pela boca da própria irmã e eu espero que entenda isso.

Naruto sabia do que ele estava falando, mas apenas angustiou-o ainda mais por saber que magoaria Hinata. Ainda sim, ele rendeu-se e voltou a se sentar, prometendo a si mesmo que seria apenas mais alguns minutinhos e Neji agradeceu.

— Eu não posso deixar de falar que Hinata deve estar ainda um pouco debilitada e seria melhor evitar fortes emoções. – Sakura disse com cuidado e Neji concordou.

— Infelizmente terá que ser assim. Mas Hanabi saberá acalmá-la.

***

— Oto-san... – Hinata lamentou olhando para as próprias mãos. Ela não chorava, apesar de saber pela irmã os planos do conselheiro e do pai a terem chocado de forma quase dolorosa. Um plano tão frio e cruel, apenas pelo poder e ela nada mais era do que um obstáculo que eles não teriam nenhum pudor em se livrar. Nenhum dos dois. Talvez, no fundo, a frieza do pai consigo não fosse tão surpreendente ou doloroso. – Você foi muito esperta. – ela disse por fim e não pode deixar de sorrir pequeno, orgulhosa – Como uma boa líder. Oto-san a treinou bem afinal...

— E eu aprendi que não podemos deixar os traidores livres para nos trair uma segunda vez.

— M-mas...Yoichi está morto e os meus sequestradores...eles...eu prefiria que vocês os deixassem em paz... – ela murmurou consigo mesma e Hanabi fechou os olhos e sorriu com a bondade da irmã e decidiu naquele momento que não contaria que eles já haviam sido encontrados, ou pelo menos os restos deles. Dos dois. – Acho que agora os conselheiros não ousarão fazer mais nada.

— Não é eles que me preocupa, irmã. – ela disse, dando um olhar de esguelha a mais nova e em seguida de volta para a janela a sua frente – Eu vou selar Hiashi.

Hinata ficou muda. Agora em real choque, com os lábios entreabertos e os olhos arregalados quando focaram na irmã, altiva, olhando pela janela a alguns passos da cama.

— E antes que você diga que eu não posso, como Líder do clã provisória eu tenho esse poder e já tive o apoio dos conselheiros.

— Hanabi... – a kunoichi começou, vendo a irmã mais nova voltar a olhá-la e não havia nenhum tipo de emoção em seu rosto enquanto ela falava as próximas palavras:

— E será hoje.

— N-nani? C-como assim? P-por que agora? E-eu acabei de acordar...talvez nós devessemos pensar um pouco mais...

— Eu já pensei. O que ele fez conosco, com Neji, todos esses anos, nos tratando como meros peões em seu joguinho de poder dentro do clã, e agora ele quase te matou, e você não ouviu nada, mas eu ouvi as palavras dele para Youchi! Não havia um pingo de arrependimento! A não ser talvez o de ter sido enganado. – Enquanto ela falava, sem perceber, lágrimas desciam pelo seu rosto, lágrimas essa que já haviam sido contidas por um longo tempo e finalmente eram libertas junto com o desabafo que estava preso em seu peito – Por um tempo, eu também acreditei que o que ele fazia era melhor para nós, mas agora eu vejo o verdadeiro monstro que ele é, e o monstro que eu me tornei por causa dele.

— Você não é um monstro, nee-san... – Hinata murmurou tentando segurar sua mão, mas a mesma se afastou.

— Você perguntou porque agora. É simples. – ela fungou, finalmente se dando conta de suas lágrimas e rapidamente as limpando com as mangas do kimono – Por que você acordou e logo voltará ao seu lugar por direito. – explicou simplesmente e dessa vez teve coragem de olhar nos olhos confusos da irmã – E você não iria ter coragem de marcá-lo, Hinata. Por isso eu irei fazer, por nós duas. – finalizou finalmente, sentindo-se um pouco mais leve e mais decidida.

Felizmente, nesse momento Neji voltou a aparecer e imediatamente notou o olhar das duas.

— Está na hora.

— Não precisa fazer isso. Nenhum de vocês precisa. – Hinata disse, olhando fixamente para Neji.

— Ele não tem nada a ver. Eu decidi. – Hanabi disse altivamente, no mesmo tom que se dirigiu a Tsunade quando buscou Hiashi em seu escritório – E eu espero que você me perdoe por isso. – e dizendo isso, ela apenas deu de costas e saiu.

— Até breve, Hinata. – Neji murmurou e também se foi.

Mal a porta se fechou e já era aberta novamente dessa vez por um Naruto afoito que praticamente se jogou pra dentro do quarto, mas quando seus olhos se encontraram era como se tudo fosse imediatamente esquecido e eles sorriram e ela gargalhou quando ele se aproximou em três passos e a abraçou forte praticamente a tirando da cama e lhe colocando em seu próprio colo.

Ela respirou fundo o cheiro dele de que tanto sentira falta e ele fazia o mesmo enterrando seu nariz no pescoço e em seus cabelos agora curtos.

— Merda, eu fiquei tão desesperado de medo de te perder. – ele resmungou a fazendo rir e sentir seus olhos cheios de lágrimas – Achei mesmo que não ia conseguir te salvar. – ele disse sério, passando as mãos pela costa dela delicadamente enquanto sentia a mesma apoiar o queixo em seu ombro.

— Eu sabia que você viria. – ela murmurou tão singelamente, tão verdadeira como apenas sua Hinata podia ser e Naruto não pode deixar de sentir sua visão embaçada pelas próprias lágrimas. – E você me salvou. Até controlou a Kyuube por mim. – ela disse com orgulho.

— Aquela pirralha é uma fofoqueira. – ele ironizou, secando os olhos, antes de afastar-se apenas o suficiente para olhar para sua noiva. – Ela te contou que eu quase destrui a vila de novo então.

— Ela disse que você ficou furioso quando descobriu sobre Oto-san...e a Kyuube se aproveitou disso.

— Eu deixei... – ele teve sua boca tapada pela mão dela e beijou seus dedos sem se conter.

— Você é humano e comete erros, mas o que importa é que se arrependeu deles e no fim agora se tornou ainda mais forte.

— Você não existe, Hyuuga. – ele ironizou e tocou seu rosto com delicadeza. – Você sabe que eu nunca mais vou deixar você sair de perto de mim, não é?!

Ela bufou, o divertindo vê-la revirando os olhos.

— Isso é totalmente desnecessário. Você apenas é um possessivo super protet... – ela foi calada com um beijo surpresa que a derreteu na mesma hora e a fez apertar-se ainda mais contra o loiro.

Seu coração parecia ter simplesmente parado, mas ela não ligava tamanha era seu desespero em sentir o beijo dele e seus braços a envolvendo, quentes, enquanto ela afundava suas próprias mãos nos cabelos loiros bagunçados.

Ele não estava diferente, suas mãos quase tremiam de ansiedade enquanto ele a tocava com completa delicadeza com medo de machucá-la, mas ele mal podia controlar tamanho era seu desespero em tê-la em seus braços, em sentir sua boquinha doce contra a sua.

Ainda que aquele beijo fosse desajeitado, ele transmitia um misto de emoções: saudade, alivio, tristeza, felicidade, ou simplesmente a junção de todas essas emoções compartilhadas em um só sentimento: o amor.

Não se sabe quanto tempo eles ficaram ali, apenas se beijando, mas quando se afastaram tinham os olhos fechados e a respiração descompassada, mas um belo sorriso no rosto.

— Eu amo você, Hyuuga.

— Eu também amo você, Uzumaki.

— O amor é lindo, mas o hospital ainda não virou um motel, então se controlem! – Tsunade assustou ambos que nem haviam percebido a presença da Hokage, o que fez Hinata virar um grande tomate vermelho enquanto Naruto apenas sorriu revirando os olhos.

— Que corta clima, vovó.

— Largue ela, Naruto, para que eu possa examiná-la. – ordenou, já se aproximando enquanto via o loiro obedece-la colocando Hinata de volta na cama com o maior cuidado do mundo. – Apesar do meu ótimo trabalho restabelecendo seu chacra, você ainda se encontra desnutrida, Hyuuga, e precisa de muito descanso.

— Será que eu já vou receber alta? – Hinata perguntou esperançosa.

— Talvez hoje ou amanhã se prometer se cuidar bem. – Tsunade murmurou, avaliando seu nível de chacra e danos interiores que pareciam ter se curado completamente. Por fim voltou a olhar a moça – Mas como eu disse, você precisa descansar, e eu acho que o clã Hyuuga não será um lugar muito tranquilo nos próximos dias.

Aquilo fez Hinata voltar a lembrar-se da conversa com a irmã e o que aconteceria ainda aquele dia. Não percebeu que fechou as mãos em punho até sentir a mão da Hokage sobre a sua.

— Quero que saiba, Hinata, que não há nada que eu possa fazer para impedir, já que as regras aplicadas dentro do clã estão fora de minha jurisdição.

— Eu sei.

Ao ouvir isso, a Hokage lhe deu tapinhas em sua mão e após uma troca de olhar com Naruto, ela pediu licença e se retirou do quarto. Novamente sozinhos, o ninja voltou a se aproximar da amada, mas dessa vez sentou-se a sua frente e delicadamente tomou a mão dela entre as dele, a fazendo novamente despertar de seus pensamentos e olhá-lo.

— Você está bem?

— Eu não sei. – ela admitiu – Eu não sei como eu me sinto sobre tudo o que Hanabi me contou. É engraçado porque eu não fiquei surpresa, no fundo era como se eu já soubesse...Tudo o que ela contou, tudo o que ele fez, toda essa frieza e sordidez... E eu simplesmente pensei que, tudo isso, era exatamente coisas que ele faria. – ela suspirou – Mas quando ela disse que o selaria, eu não soube o que pensar. – ela o olhou e ele apenas quis tirar todo aquele desespero que transbordava de seus olhos prateados ainda inchados. – Você deve estar me achando uma boba sentimental e fraca. É o que Hanabi pensa, por isso quis apressar o selamento, por que sabia que eu não faria...

— E você não faria. – Naruto a cortou com a verdade que estava engasgada na garganta de ambos, mas depois ele tocou em seu queixo a obrigando a olhá-lo – Não porque você é boba, sentimental e muito menos fraca. Mas porque você é justa e tem princípios.

— Você concorda com ela? Digo, sobre o selamento... – Hinata não conteve a pergunta, mas logo se arrependeu, lembrando do ódio de Naruto pelo pai.

— Não. – ele a surpreendeu novamente – Eu não estou dizendo que ele não mereça um castigo brutal e a verdade é que provavelmente eu o mataria se o visse agora. Mas selar a vida de uma pessoa é uma violência muito pior do que a morte.

— Talvez o clã Hyuuga mereça Hanabi como líder, afinal. – ela suspirou e ele sorriu.

— Merecem. Mas se quisermos ver os Hyuugas deixar de ser um clã de bastardos almofadinhas arrogantes, eles vão precisar de alguém menos parecido com Hiashi.

Hinata sorriu, emocionada, e o abraçou agradecendo as palavras do loiro que naquele momento acalentaram seu coração. A essa hora, ela não podia mais salvar o pai da vingança da irmã, mas ela voltaria ao clã e continuaria sua pesquisa para abolir o selo e quem sabe assim, no futuro, ela salvasse não apenas o pai, mas também a irmã e todo o clã assolado por aquela doença de poder.

***

Hiashi caminhou com altivez, pela última vez até o dojo da família principal. Quando selado, ele seria levado junto com suas coisas para a ala da bouke, um quarto afastado já havia sido preparado para ele por ordens da líder do clã que se mostrou benevolente em deixá-lo sozinho e afastado o suficiente para manter seu próprio orgulho.

Ao passar pelos filhos de Yoichi, o mais novo cuspiu em seus pés.

— Quando me tornar líder, eu juro que o transformarei em um serviçal particular, velho maldito.

Hiashi surpreendeu a todos ao gargalhar, alto e com gosto.

— Ponha-se em seu lugar frangote. Você não tem nenhuma chance de vencer meu sobrinho.

Kotaru avançou, mas foi imediatamente segurado pelo irmão, antes que o próprio Neji intervisse.

Hiashi deu um meio sorriso com altivez e então voltou para seu caminho em direção a filha mais nova que o esperava ao lado de Neji.

— Será que há algo que queira falar, Hyuuga Hiashi? – Hanabi perguntou alto. No fundo querendo ouvir apenas uma palavra de arrependimento, mesmo sabendo que não as teria.

— Termine o que começou, Hanabi. Um líder não fraqueja por sentimentalismo bobo.

E esse foi o último ensinamento de Hiashi, antes de receber o selo que ele tanto tentou evitar. Ao final, suas pernas haviam fraquejado e ele encontrava-se de joelhos com sua energia sugada, mas ainda sim, recusou a ajuda dos guardas ou de Neji.

— Eu não posso deixar de me orgulhar de você, Hanabi. Será uma líder competente e cuidará do clã como deve ser.

— Eu não pretendo ser líder, Oto-san. Hinata é a herdeira e eu não tomarei seu lugar. – ela disse para o choque de Hiashi e em seguida voltou a todo o clã – Eu tenho um anuncio a fazer. Minha irmã, Hinata e a verdadeira herdeira do clã, já está acordada e se recuperando. Assim que ela tiver condições de retornar ao clã, eu abdicarei da liderança que só me foi dada provisoriamente.

— Você já foi mais ambiciosa, Hanabi. – Hiashi disse, finalmente levantando-se, ainda que suas pernas tremessem.

— Eu tenho outras ambições agora, Oto-san. Deixarei que minha irmã desfaça o mal que o senhor fez a todo clã. – e dizendo isso, ela apenas passou por ele e se foi, sendo seguida de perto por Neji, ambos ignorando os gritos de Hiashi.

— EU CUIDEI DO CLÃ E O FIZ PROSPERAR! EU MANTIVE SUAS TRADIÇÕES! EU MANTIVE A PUREZA DOS HYUUGAS! E VOCÊ E SUA IRMÃ SERÃO AS RESPONSAVEIS PELA NOSSA DESTRUIÇÃO!! ESTÁ ME OUVINDO HANABI? – E ele continuou a esbravejar, até que todos já tivessem ido embora e o deixado sozinho e fraco, largado a sua própria sorte.

***

Assim os dias se passaram e o mínimo de paz voltou a reinar na vila oculta da folha.

— Ohayo! – Sakura sorriu para a Uchiha que apareceu na cozinha, onde ela e Sasuke tomavam o café da manhã sossegados.

— Argh, não vem me encher o saco a essa hora da manhã algodão doce! – a morena resmungou mal humorada, pegando algumas torradas da mesa e já saindo.

— Sayonará mal humorada!! – Sakura ironizou e depois sorriu travessa – Sayonará pra você também Kiba-san!!

Segundos se passaram, antes de ouvirem um suspiro alto vindo da porta.

— S-sayonará Sakura-chan...S-sasuke-san…

— Eles formam um casal bonitinho.

— NÃO SOMOS UM CASAL!! – eles ouviram o grito, antes da porta ser fechada com brusquidão.

— Mas eu tenho um pouco de pena do Kiba. – Sakura brincou, vendo um pequeno sorriso despontar do rosto do Uchiha. – Eu estava pensando em dar uma boa limpada na casa. Pelo que eu vejo, Uchihas conseguem ser mais bagunceiros que Uzumakis. – riu.

— Eu vou para o dojo. – ele disse já se levantando, e ela automaticamente fez o mesmo.

— Não vai treinar, não é?! Os resultados mostraram grande melhora, mas não pode ficar forçando sua visão.

Ele então puxou um lenço do bolso e diante do olhar confuso dela, ele amarrou sob os olhos.

— Eu não vou forçar nada.

— Ainda sim... – ela hesitou, um pouco emburrada.

— Eu me sinto bem. – ele disse sincero – E aproveito e fico fora do seu caminho durante a faxina.

— Ué, e por que você não me ajuda?

— Isso também Uchihas e Uzumakis tem em comum. Não fazemos faxina. – disse presunçoso já indo em direção ao dojo sob o olhar atento e os resmungos da kunoichi.

— Teme...! Eu e minha boca grande também! Ele se aproveita do meu coração de ouro. – ela revirou os olhos, mas por fim colocou a louça na pia e foi em direção ao escritório onde começaria a faxina.

Ela começou a varrer e em seguida arrumar a mesa. Havia pilhas e pilhas de papeis, a maioria registros da policia e ela organizou tudo brilhantemente em pastas e algumas em gavetas. Foi quando ela encontrou uma pequena chave jogada e após uma analise rápida não foi difícil concluir que era da ultima gaveta que fora a única que ela não conseguira abrir por estar trancada.

“Se está trancada é por uma boa razão.”, ela pensou razoável. “Eu não tenho o direito de invadir a sua privacidade. Principalmente agora que nem estamos juntos.”— ela jogou a chave no lugar onde achara e voltou a varrer, orgulhosa da sua própria maturidade.

Entretanto um minuto mais tarde, ela já olhava em direção a gaveta fixamente. Sua curiosidade imensa a estava matando.

— Não seja uma fofoqueira curiosa e psicótica! Isso não interessa mais a você. Nada que tenha nessa gaveta é meramente relevante para sua carreira e...Bem, mas e se tiver? Segredos nunca são boa coisa...e afinal o Uchiha já foi um fugitivo e...que meerda que eu to pensando? Sasuke-kun nunca trairia a vila novamente. Ele é um bom homem e...bons homens não tem segredos obscuros guardados em uma gaveta suspeitíssima. Aaaaaarghhhhh!!!

Por fim ela se rendeu a sua curiosidade monumental.

“É a hora perfeita de Ino se vingar me dando um grande sermão de como eu estou me comportando com uma adolescente idiota” — pensou irritada enquanto pegava novamente a chave e abria a gaveta com cuidado para não fazer barulho.

Lá dentro ela encontrou um porta retratos virado e o retirou lentamente achando embaixo dele uma caixinha vermelha de camurça. Ao abri-la havia duas alianças negras lindas que fizeram seu coração falhar uma batida. Então por fim, se deu conta de que o porta retrato guardado a sete chaves havia uma foto deles dois, no dia em que ele a pediu em noivado, ela lembrava bem. Ainda podia sentir a felicidade, a surpresa, a euforia que sentira naquele momento e que irradiava na foto enquanto abraçava seu noivo sério, mas que a olhava com um brilho que ela esperava ser de ternura. Quem sabe de amor.

Um nó imediatamente se formou em sua garganta, enquanto ela voltava a olhar para a caixinha vermelha e a foto e em seguida as guardou rapidamente, trancando a gaveta dessa vez sem se importar com o barulho e se afastando da mesa, como se tentasse não pensar na ligação que aquelas coisas guardadas tinham. Seja o que for, havia acabado.

Então por que ele ainda as guardava?

Tenho andado distraído

Impaciente e indeciso

E ainda estou confuso

Só que agora é diferente

Estou tão tranquilo e tão contente

— Serva, que grande tédio é essa sua casa!! – Kaori reclamou pela milionésima vez enquanto Ino revirou os olhos acariciando a barriga ainda lisa, distraidamente.

— Bem, já é tarde. E eu poderia comer um bolo de chocolate. – A grávida disse, na mesma hora sentindo sua boca salivar de desejo. Kaori também pareceu se animar com a ideia.

— Sim, finalmente uma boa ideia, serva!! Vá fazê-lo enquanto eu acho que tirarei uma soneca.

— Nani? – Ino bateu o pé e para o completo choque da princesa, a empurrou para fora da cama.

— Mas como ousa!!! Eu deveria mandar chicoteá-la em praça publica.

— Negativo! Você está morando comigo e por mais que tenha feito meus pais de seus servos, você fará esse maldito bolo comigo se quiser comê-lo!

— Que....que ultraje!! – A princesa disse indignada, mas depois bufou percebendo que a loira não mudaria de opinião – M-mas eu nem se quer sei cozinhar. Eu nunca nem estive em uma cozinha.

— Kami-sama! O que estão ensinando para essas princesas hoje em dia? – Ino zombou, mas sorria e puxou a mais nova pela mão – Venha! Finja que hoje você é apenas uma reles mortal como o resto dos plebeus.

Ao chegarem na cozinha, finalmente livre, a loira bateu o pé.

— Não vou fazer nada.

— Vai sim!

— Nunca!!!!

Uma hora depois, as duas loiras estavam na cozinha, cobertas por farinha dos pés a cabeça. Kaori parecia compenetrada na tarefa de decorar um bolo com glace, enquanto Ino estava ao seu lado, impaciente e já arrependida de ter dado a tarefa de decoração para a princesa.

Lentamente, a loira menor apertava o tubo de glace na tentativa de fazer um desenho.

— VAI LOGO COM ISSO!!!! – Ino gritou, seus hormônios a deixavam ainda menos paciente, e acabou fazendo Kaori espirrar glace por todo o bolo.

— OLHA O QUE VOCÊ FEZ, SERVA!!!

— VOCÊ ESTÁ NISSO A DEZ MINUTOS! EU TO COM FOME!

— PROBLEMA SEU! EU NÃO VOU COMER UM INDIGNO BOLO SEM GLACE!

— ÓTIMO! EU COMO!!!! – Sem aviso, Ino atacou o bolo, mas Kaori se colocou na frente e o que se seguiu foi um completo desastre.

Os Yamanakas mal puderam acreditar ao verem as duas moças – que já haviam passado da idade de fazer sujeira na cozinha – completamente cobertas de farinha, chocolate e glacê. O bolo espatifado no chão. Eles não controlaram a gargalhada.

— Por Kami-sama, o que raios aconteceu aqui?

— A culpa é da Ino! – Kaori disse já apontando para a mais velha que nem se importou, maravilhada com o fato da mesma ter lhe chamado pelo nome pela primeira vez. – E agora nem poderemos comer mais bolo.

Ino sorriu travessa.

— Ah quer bolo? – ela riu e jogou um pedaço do bolo na cara da princesa que a olhou em choque, mas logo também sorriu.

— AGORA VOCÊ ME PAGA YAMANAKA!

E o que se seguiu foi uma guerra infantil de comida que acabou sobrando até para a cadelinha hime, e sujou toda a cozinha.

— Vocês são duas crianças!! – A sra Yamanaka riu no fim da brincadeira – Eu vou fazer um bolo para vocês. Um bolo de verdade, que tal?

— Ebaaaa!! – as duas gritaram ao mesmo tempo.

Ino, assim como seus pais, nunca tinham visto kaori tão a vontade, rindo e brincando com hime, parecendo ter esquecido de sua aversão a cadela, como uma garota normal e pela primeira vez, ela pensou que talvez não tivesse sido uma má ideia ter oferecido a casa para ela.

— Mas antes vocês duas terão que limpar essa bagunça.

— NAAAAAANIIIIIII?

Quantas chances desperdicei

Quando o que eu mais queria

Hanabi caminhou para fora do clã com bom humor. Hinata finalmente voltaria para casa. Elas, em conjunto com Tsunade, entraram em acordo que a irmã só deveria voltar quando a poeira baixasse após o selamento de Hiashi e felizmente isso aconteceu com mais facilidade do que esperavam. A líder provisória não tinha mais duvidas de que o clã estava pronto para mudanças, e dessa vez sem as mãos conservadoras e mesquinhas de Hiashi e sua corja pairando sob a cabeça de todos, parecia que estavam muito mais abertos a isso.

Hinata teria apoio e ela não via a hora de devolver o posto a irmã. Não que ela não estivesse gostando de ser a toda poderosa, até mesmo Kotaru havia parado de atormentá-la com medo de ela cancelar o torneio, mas sabia que aquele não era seu lugar por direito e queria apenas que tudo se ajeitasse e ela pudesse concentrar-se em seus verdadeiros objetivos, e voltar a cuidar de sua vida, afinal já estava mais do que na hora.

A tarde quente a fez decidir treinar nos campos, a muito tempo não ia lá desde seu ataque, muito menos sozinha, mas ao saber que Neji treinava nos dojos do clã, não quis atrapalhar. Podia sentir a tensão do primo com a aproximação do duelo e por mais que sua vontade fosse de consolá-lo, sabia que não era viável para seus planos.

A medida que se aproximava do campo de treinamento, não demorou para ela sentir aquele chacra denso e maligno e imediatamente ativou o donjutso a procura da sua fonte. Por um instante, achou que era Naruto, mas não demorou muito para reconhecer o real dono daquele chacra. E também perceber que havia algo errado.

Ela hesitou, pensando se não deveria chamar alguém, mas algo a fez continuar o caminho em passos agora mais acelerados.

Logo ela o encontrou. No meio do campo de concentração, sozinho e rodeado por um chacra negro que parecia encobri-lo por completo.

— Kono.hamaru?

— Saia daqui Hanabi!! Agora!! – ela ouviu o amigo gritar, parecendo em panico.

— Você não parece bem...eu posso chamar alguém.

— NÃO! Apenas me obedeça!! – ele rosnou e seu chacra pareceu estalar como se entrasse em curto.

— Eu não obedeço a você! – ela resmungou, teimosa. Sua língua ferina era incontrolável e já havia provado que sua prepotência sempre a colocava em apuros, mas ela simplesmente não conseguia se controlar e se viu novamente em perigo quando em um piscar de olhos estava frente a frente com Konohamaru, presa pelos olhos completamente negros dele, como dois buracos negros.

— Você é corajosa, Hanabi Hyuuga. – a voz dele era mais grossa que o normal e seu rosto sério, era uma mascara fria. – Ou será que apenas muito tola?

Ela não era estúpida, Hanabi sabia que quem estava na sua frente não era Konohamaru e sim o demônio chamado Shinigami.

— Eu não tenho medo de você.

— Orgulhosa. – ele afirmou sem emoção — Mas você deveria saber que eu posso ver através de você. Eu posso enxergar sua alma, seus medos, seus pecados. E são tantos, não é? Tão nova e tão perversa. Diferente de sua irmã, ah sim, eu já pude analisá-la. A alma de sua irmã seria deliciosa!

— Não se aproxime da minha irmã!!!! – ela rosnou, se afastando, mas sentia a força dele a trazer de volta até ficarem cara a cara novamente, mesmo que ele não tivesse mexido um músculo de sua pose altiva e fria.

— Mas você também é interessante. Manchada pela inveja de sua irmã, pela sua arrogância, da cobiça desenfreada pelo amor de um ninja. Sempre querendo o que não pode ter.

— Me conte uma novidade. – ela ironizou – Konohamaru baka!! Tome o controle de seu corpo! Você fugiu da cidade por causa disso, agora seja homem e controle-se!!!

— Acho que ele foi mais expulso da sua amada vila, quando descobriram o que eu posso fazer. – O shinigami disse com pouco caso – Ele ainda não é forte o suficiente para servir aos meus propósitos, mas ele logo será.

—Ele não ser seu escravo! Ele é forte e vai conseguir te deter.

— Querendo ser confiante como sua irmã em relação a Kyuube? Nem tente. O amor de vocês não chega nem perto. – repudiou.

— Se pode ver minha alma, sabe que eu não dou a mínima pra esse negocio de amor! Mas se eu não sou como minha irmã, esse idiota aí é igual ao Uzumaki e por isso nunca deixaria uma coisa como você controlá-lo. E você sabe disso. – finalizou triunfante.

O Shinigami a olhou como se ela fosse apenas um verme e necessitou de uma grande força de sua parte para se manter o encarando, mas não se arrependeu quando percebeu a íris negra clarear aos poucos ao mesmo tempo que o chacra negro diminuía. Por fim, ela o viu piscar confuso e ofegante e sorriu reconhecendo seu amigo.

— Bem vindo de volta.

— Hanabi? – ele se alarmou olhando para os lados, e depois para o chão onde havia rastros negros que ela não havia notado, mas que ele conhecia muito bem – O que aconteceu? A quanto tempo está aqui? Eu estava meditando e então... – ele suspirou, dando um passo para trás como se tivesse levado um choque e em seguida, voltando a se aproximar com as mãos nos ombros dela – Eu me descontrolei. Achei que podia baixar a guarda. Kami-sama, eu fiz algo? Hanabi eu fiz algo a você?

— Me falou algumas bobagens, mas fora isso nada que eu não pudesse controlar.

— Nani? Você....? – ele voltou a se afastar, bagunçando os cabelos nervosamente – Isso foi muito perigoso! Você deveria ter se afastado!

— Como se eu fosse fugir de você. – ela estalou a língua, mas paralisou quando ele virou-se bruscamente e a pegou pelos braços com força.

— Isso não é brincadeira, Hyuuga!! Eu podia ter matado você da pior forma possível!!

— Eu sei... – a sinceridade dela, o surpreendeu – Mas não aconteceu. Você conseguiu se controlar. Devo dizer que me surpreendeu, Sarutobi. – ela ironizou com um meio sorriso – Você nem parece mais o mesmo pirralho! Finalmente virou gente.

Konohamaru não conseguiu se controlar e soltando uma risada frouxa, ele puxou a Hyuuga contra seu corpo e lhe deu um abraço apertado.

— Eu nunca pensei que diria isso, mas estava com saudades dessa sua língua venenosa!

— Ok! Ok! Não precisa ser uma mocinha. – ela brincou, mas riu ao se afastar – Mas então, desde que voltou, é aqui que se esconde?

— É. A minha volta foi um pouco chocante para alguns moradores sabe, eu prefiro me manter afastado. Apenas Udon e Moegui se juntam a mim quando não estão em missão. – ele lembrou com carinho da antiga equipe que nesse momento estavam bem longe da vila – Mas e quanto a você, também deve estar muito ocupada como líder do grande clã Hyuuga.

— Sabe como é, quando você é importante e competente, fica com pouco tempo para se juntar a plebe. – ambos riram, mas então ela percebeu que ele a olhava fixamente – O que? – desviou o olhar, se recusando a corar.

— Você mudou.

Apesar de ter ouvido isso muitas vezes, ela não tinha tanta certeza e as palavras do Shinigami apenas a deixaram mais certas do contrário.

— Não tanto quanto parece. – Suas palavras saíram mais secas do que ela pretendia.

— O demônio só disse aquelas coisas para mexer com a sua cabeça.

— Então você lembra. – ela acusou e ele deu os ombros.

— Depois que eu saio do transe eu tenho alguns flashs. – explicou – O que ele disse...

— Ele estava certo.

— Mas ele não viu só isso. Eu não quero ser sentimental nem nada, mas ele viu coisas que eu já sabia que existia, provavelmente antes de você.

— Do que está falando seu esquisito? – ela perguntou ruborizada e ele apenas sorriu enigmático.

— Você é uma boa garota, Hyuuga. Afinal, eu não ia me apaixonar por você só por causa do seu corpinho gostoso né. Eu sou um homem com conteúdo.

— Baka!! – xingou, em seguida piscando ao se dar conta do que ele disse – Espere...o que...

— Hanabi. – Neji interrompeu e pelo sorriso calmo de Konohamaru, ele sabia que o mesmo estava próximo. – Você não pode sair sem me dizer onde vai.

— Não seja um mandão, Neji. – ela resmungou revirando os olhos.

— É melhor você ir. – Konohamaru disse, depois dando um pequeno aceno educado ao Hyuuga mais velho – Teremos outras oportunidades de conversar.

— Claro que teremos. – ela rebateu – Até mais Konohamaru e parabéns por ter se tornado mais forte. – e dizendo isso, ela se afastou calmamente.

— Hei Hyuuga, você não vai me bater se eu disser pra você cuidar bem dela, não é?! – brincou

— Você fica ainda mais parecido com Naruto quando é um idiota. – Neji rebateu sério e se virou – Mas também está se tornando tão forte quanto ele. Boa sorte. – e dizendo isso, ele também se foi deixando o jovem Sarutobi para trás, sozinho, com seu próprio demônio particular.

“Ela é interessante”, ele podia ouvir o pensamento distante do Shinigami e concordou mesmo que provavelmente eles não pensassem no mesmo contexto.

Era provar pra todo o mundo

Que eu não precisava

Provar nada pra ninguém

— Por que preciso tomar banho? – Ichigo amuou-se, enquanto corria para trás do sofá seminu escondendo-se da mãe.

— Por que nós vamos sair! Eu já disse isso a você. – Temari explicou pela centésima vez, já impaciente e arrependida de ter dado folga a babá para a mesma ir a um encontro com Chouji.

— Por que temos que sair?

— Por que vamos comprar um kimono para você ir ao casamento do seu tio.

— Por quê?

— Por que é isso que príncipes fazem.

— Por quê?

— Por que as coisas são assim, ICHIGO SABAKU TRAGA O SEU TRASEIRO AQUI NESSE EXATO MOMENTO!!

— Por quê?

— SHIKAMARU!!

— Você é muito estressada problemática. – Shikamaru apareceu resmungando e conseguiu pegar o garoto fujão que bufava travesso tentando sair do colo do mais velho.

Ao passar pela sala, Gaara lia alguns pergaminhos a vontade no sofá.

— Tio Gaara por que o senhor vai se casar?

— Não responda, Gaara. – Shikamaru o aconselhou.

— Bem, essa é uma boa pergunta. – Temari provocou, sem se conter. – Esse casamento é completamente desnecessário.

— Tio Gaara, fala pra mamãe que o senhor não vai se casar. Ai eu não vou precisar tomar banho. – A criança pediu com os olhinhos pidões que fez Temari revirar os olhos, enquanto o pegava do colo de Shikamaru.

— Com casamento ou sem casamento, você vai tomar banho, seu porquinho.

— Percebi que você não foi mais visitar sua noiva desde o ataque. – Shikamaru disse, fingindo desinteresse e viu com o canto dos olhos uma leve tensão no maxilar do ruivo.

— Eu apenas não quero ser um inconveniente para a Yamanaka.

— Eu não acho que ela se incomodaria, já que decidiu abrigar a princesa em sua casa.

— Ainda sim, o namorado dela pode não gostar. – ele resmungou, mas logo se arrependeu do comentário sem propósito, ainda mais para alguém tão perspicaz. Entretanto a dias aquela situação não saia de sua cabeça, e por situação ele queria dizer uma loira de grandes olhos azuis e língua maior ainda. Havia começado a analisar alguns acordos da vila para tentar se concentrar em outra coisa, sem sucesso, e Shikamaru apenas piora as coisas o fazendo perguntas que ele realmente não queria responder.

— Eu...não sabia que a Ino estava namorando.

— Bem, obviamente ela não está grávida dos deuses né. – Temari gritou de lá de dentro, deixando claro que ela estava bem atenta a conversa.

— É estranho realmente, eu nunca a vi com ninguém. Nem ao menos quando nós...

— Por acaso está querendo confessar que é o verdadeiro pai do filho da vudu loira? – Temari imediatamente surgiu na sala, pouco se importando em estar completamente molhada e com um garotinho nu e ensaboando agora livre correndo pela casa.

— Eu não acho que ela iria mentir sobre isso! Você mesma a ouviu falar! – O moreno se defendeu.

— Não pode me culpar por achar estranho. Quem sabe ela não engravidou em Suna, enquanto vocês fornicavam debaixo do meu próprio teto!!! – Temari disse irritada e Shikamaru sabia que estava em apuros, por isso nenhum dos dois notou o congelamento instantâneo do Kazekage com suas palavras.

— A sua namorada está grávida, tio? Por isso vocês vão se casar?

— Não Ichigo. Quem está grávida é a sua madrinha, Ino, lembra dela? Aquela loira branquela e azeda. – Temari resmungou.

— A minha madrinha e o tio Gaara são namoradinhos. Eles se beijam. Eu vi no jardim – A criança disse inocente e foi a vez dos dois congelarem em choque, e Gaara obviamente estaria mortificado se não estivesse com o pensamento longe.

— E quanto ao Anbu, ex-colega de time de Naruto.

— O Uchiha? Está falando de Sai?

— Eu os vi... – ele hesitou ainda perdido em pensamentos.

— Pelo que eu percebi desse Sai, eu não acho que ele seja humano o suficiente para ter algum relacionamento. Ainda mais para fazer um filho. – Temari ironizou, mas logo voltou a fitar o irmão com desconfiança – Gaara, que historia é essa que o Ichigo tá falando? Gaara!! Onde você vai? GAARA!! – Mas era tarde demais, o ruivo já havia saído em disparada.

— Tio Gaara e tia ino vão ter um filhinho – Ichigo cantarolava.

— Shikamaru que droga acabou de acontecer? – Temari caiu no sofá ainda em choque.

— Bem, aparentemente Gaara e Ino não se detestam tanto assim.

— Mamãe, de onde vem os bebês?

Os mais velhos se entreolharam.

— Você é muito novo pra saber, filhote.

— Por quê?

Ia ser um longo dia.

***

— Tem certeza? – Neji perguntou quando ele e Hinata pararam em frente a ultima casa do clã. – Você ainda precisa de repouso.

— Eu já repousei demais. Eu preciso falar com ele em algum momento. – Ela explicou, tentando manter-se forte, apesar de suas mãos estarem suadas.

— Eu estarei aqui fora se precisar de mim.

— Hai. – ela agradeceu e deu duas batidas na porta, antes de entrar. – Oto-san? Sou eu, Hinata. Estou entrando.

Sem resposta, ela entrou na pequena casa de poucos cômodos e encontrou o pai sentado em uma poltrona confortável parecendo absorto na leitura.

— Oto-san. Não me ouviu?

— Ouvi. – diante da resposta fria, ela respirou lentamente preparando-se para o que não seria uma conversa fácil.

— Eu acabei de sair do hospital. Quis ver como o senhor está.

— Qual a importância disso?

— Você é meu pai. Ainda que nossos laços de sangue aparentemente não signifique nada para o senhor, para mim significa alguma coisa. Ainda. – ela disse rápido tentando se livrar das palavras entaladas na garganta e viu Hiashi pela primeira vez olhá-la e como sempre, não gostar do que via. – Eu não vim para brigar.

— Então qual é o propósito dessa visita? Está atrapalhando minha leitura.

— Eu só queria que soubesse que eu sinto muito pelo selamento.

Hiashi soltou um som de deboche.

— Você não muda. Continua a mesma fraca, influenciada por sentimentalismos barato. Sua irmã ao menos é mais corajosa.

— Eu lamento que pense assim. Mas está errado. – dessa vez ela mantinha seu olhar firme, enquanto encava o pai que agora de pé, estava na mesma altura. – Eu não sou mais a mesma garotinha ingênua que o senhor amedrontava. Eu vou ser a líder do clã e vou abolir toda a repressão e a maldade que durante anos o senhor implantou em nós.

— Você irá nos destruir.

— O clã finalmente viverá em paz. E assim também viveremos eu, Hanabi e Neji, longe do seu domínio venenoso. – E dizendo isso, ela se virou para ir embora, mas antes olhou-o por cima do ombro uma ultima vez – Eu o perdoo pelo mal que me fez. E realmente lamento pelo selamento. Mas a partir de hoje, eu prefiro que o senhor não faça mais parte da minha vida. – e dito isso, ela finalmente partiu deixando Hiashi a partir daquele dia, real e completamente sozinho.

Lá fora Neji a recebeu em silêncio e assim eles foram até a casa principal onde Hanabi, Akihiko e Hana a esperavam com uma pequena festa intima de boas vindas.

— Eu espero que o velhote não a tenha magoado. – Hanabi resmungou – Ou eu irei até lá e...

— Não se preocupe. Ele não tem mais esse poder. – a herdeira disse com firmeza.

— Bem vinda de volta. Eu peço desculpas por não visitá-la no hospital, mas não queria briga com Naruto-san. – Akihiko explicou, antes de abraçá-la com carinho.

— Eu entendo. E sinto muito pelo seu pai.

— Obrigado. Eu só espero que ele tenha se arrependido de seus erros.

— Estou tão aliviada por estar bem, Hinata-sama! – Hana disse eufórica. – Eu também queria muito visitá-la no hospital, mas...bem... – ela deu uma risadinha que todos entenderam.

Hinata começava a acreditar que realmente o namorado havia se tornado um maníaco super protetor.

— Seu namorado é um baka, nee-san, mas a próxima vez que ele tentar monopolizá-la, eu acabarei com ele. – Hanabi ameaçou vingativa fazendo todos rirem.

Hana e Akihiko não demoraram muito e tiveram que ir embora e logo foi a vez de Neji.

— Voltarei a tempo da nomeação mais tarde.

— Não sei porque tanto treinamento. – Hanabi queixou-se.

— Kotaru apesar de novo, não deve ser subestimado. – e dizendo isso, ele fez uma misura e partiu deixando as duas irmãs sozinhas.

— Não me olhe assim, nee-san. – a mais nova reclamou

— Eu não vou perguntar se você quer que eu de um fim nisso, porque é obvio que você já teria feito se assim quisesse. Eu só vou pedir que pense bem no que vai fazer, caso Neji perca.

Hanabi a olhou como se a mesma tivesse dito uma grande heresia.

— Neji não perderá nada. – ela exclamou e por fim olhou para a irmã com confiança – Kotaru não vencerá, eu juro, mas preciso de sua ajuda em uma coisa.

***

— Uau, você é boa nisso. – Ino disse encantada com o trançado feito em seu cabelo por Kaori.

— Eu sempre obriguei minhas servas a servirem de cobaias para mim. – A princesa disse dando os ombros – Mas depois meus pais as instruíram a não me incentivarem a perder tempo com hobbies bobos.

— Não é bobo! E todos temos que ter um hobbie para relaxar de vez em quando.

— Princesas não.

— Por isso que as que eu conheço são sempre tão tensas – Ino revirou os olhos, mas se viu curiosa olhando para a princesa fazendo carinho em hime – Vocês duas parecem estar se dando melhor agora. – ela disse com cuidado para não irritá-la, mas a mesma parecia absorta em suas brincadeiras com a cachorrinha.

— Eu não a odiava. Simplesmente, meus pais nunca me deixaram ter um cachorro então eu tento não me apegar a eles. – ela admitiu simplesmente para o choque da kunoichi.

— Nossa, mas você já é maior de idade. As pessoas tem que ter algum livre arbítrio.

— Princesas não. – novamente sua resposta simples era carregado por um contentamento vazio que fez Ino querer animá-la.

— Bem, e quando você se tornar rainha? Eles não vão mais poder mandar em você e sua primeira ordem pode ser de adotar todos os cãozinhos sem donos do país!! – disse animada e ficou satisfeita ao arrancar um sorriso da princesa.

— Você é maluca. – sua risada então foi morrendo aos poucos – Sabe, se eu pudesse, eu já sei qual seria minha primeira ordem...o que eu mais queria agora...

— E o que era? – Ino a incentivou

— Eu anularia esse casamento.

A resposta chocou a kunoichi que tentou não deixar transparecer o quanto aquele assunto a abalava.

— Eu pensei que você estivesse feliz com o casamento. Quer dizer, o gaara...digo, o Kazekage não é tão ruim aos olhos e...bem, ele também não é tão mal quanto parece... – ela pigarreou – Pelo menos é o que me disseram...

— O casamento é só um jeito de manter suna como nossa aliada e no fundo apenas um jeito de fazê-lo pagar pelo que fez. – ela resmungou revirando os olhos – Como se eu ligasse, eu nem realmente me lembro do que aconteceu e seja o que for, eu não acho justo que ele pague por algo que ele não tinha controle, e já foi até destruído afinal.

Pela segunda vez, Kaori chocou Ino com sua sinceridade e maturidade, e ela hesitou por alguns instantes, antes de passar a mão pelos cabelos loiros da mais nova com carinho, a fazendo olhá-la com surpresa.

— Você será uma boa rainha.

— É claro que serei. Que papo é esse, serva? – Apesar das palavras, seu tom era divertido.

As duas riram cúmplices.

O momento então foi interrompido pela campainha.

— Já volto. – Ino disse, já que seus pais haviam saído.

— Quando voltar, traga um copo de água.

— Pegue você mesma a água, pestinha.

— Ora que ultraje, isso que dá ser gentil com plebeus.

Sorrindo, Ino foi atender a porta, e imediatamente seu sorriso desapareceu ao dar de cara com aqueles cabelos ruivos e olhos verdes que a fitavam com intensidade.

— Kazekage. Eu não sabia que vinha visitar a Kaori...digo, a princesa. E-eu vou chamá-la.

— Não será necessário, já que eu vim falar com você.

A kunoichi estancou no lugar, começando a ficar nervosa.

— Eu não vejo que assunto poderíamos ter em comum.

— Achei que também não teríamos, mas há certos indícios que eu não posso ignorar. Será que você vai me deixar entrar ou quer ter essa conversa aqui na porta?

A primeira coisa que Ino pensou era que Sakura tinha dado com a língua nos dentes e se fora isso, essa seria o ultimo dia de vida da rosada. Ela já havia aperfeiçoado três boas mentiras para Gaara quando o levou para a cozinha, onde Kaori não poderia ouvi-los.

— Então, me diga quais os certos indícios que você, o grande kazekage, não pode mais ignorar – ela ironizou em tom de deboche. Ela o provocaria até eles brigarem e ele ir embora. Infelizmente, o ruivo não cairia em sua armação.

— Eu só quero fazer uma pergunta Ino e exijo sua resposta sincera.

— Você não exige nada dentro da minha casa...

— Esse filho que está esperando é meu?

Silêncio.

— Que droga de pergunta é essa?

— Uma pergunta razoável já que você aparece grávida um mês após transarmos.

— Fala baixo. Ninguém precisa saber que eu e você...

— Tarde demais já que ao que parece, Ichigo nos viu.

— AIMEUKAMI! ELE NOS VIU?

— Apenas o beijo. Eu espero.

A loira suspirou mais aliviada, sentando-se em uma cadeira na tentativa de se acalmar. Podia fingir um desmaio. Era uma boa saída para aquela conversa.

— Nem pense em fingir passar mal.

— Como ousa? – ela fez a indignada, no fundo se perguntando desde quando ele a conhecia tão bem.

— Me responda Yamanaka.

— Não.

— Não o que?

— Não vou te responder. Esse filho é meu!!!

— Eu espero que até você saiba que não pode ter concebido esse filho sozinha! E pelo jeito que está tentando fugir desse assunto, eu apenas posso concluir...

— Não tire conclusões precipitadas Kazekage... – ela riu nervosamente.

— Esse filho é meu, não é Yamanaka? – ele tinha quase certeza agora – Não é do Shikamaru e nem do Sai.

— Que diabos o Sai tem a ver com isso...? Ahh...era dele que você estava... – ela lembrou-se do que Sakura havia lhe contado no hospital, em seguida voltou a sua conversa tensa com o Kazekage que a olhava em um misto de expectativa e impaciência. – Eu... – ela começava a achar que estava prestes a desmaiar mesmo, sentindo-se encurralada pelo olhar daquele homem.

— Você acha que esconderia de mim até quando? – Sua voz agora era baixa e dura – Você é uma irresponsável.

— Quem você pensa que é pra falar assim comigo? – ela praticamente saltou da cadeira, a aflição esquecida e substituída pela ira – Eu não dou a mínima se você é o Kazekage, kami-sama ou o doador de espermatozoide que me ajudou a conceber essa criança!! Ela é minha! É meu filho e eu vou cuidar dele muito bem, sozinha!!

— Você só pode estar louca se acha que vai dizer que está esperando um filho meu e eu vou simplesmente embora. – ele vociferou e ela sentiu lágrimas pinicarem seus olhos.

— E vai fazer o que? Esconder seu filho bastardo enquanto brinca de casinha com sua esposa? Ou o grande Kazekage-sama esqueceu que está de casamento marcado.

— Isso não tem nada a ver...

— TEM TUDO A VER! Eu não vou deixar meu filho ser apontado como um bastardo! Ele nunca vai saber quem é o pai e ninguém nunca vai saber que ele é seu filho e você pode voltar pra Suna, ou ir virar rei do pais do fogo, eu não ligo! – ela suprimiu um soluço, fechando os olhos enquanto se apoiava em uma cadeira, de repente sentindo a dor que aquelas palavras lhe causavam. – Vai ser melhor pra todo mundo. – murmurou, mas quando voltou a encarar o ruivo, tomou um susto ao perceber que o mesmo havia quebrado a distancia entre eles e estava em sua frente, tão perto que seus corpos não se tocavam por um fio de distancia.

— Chega de mentiras. – ela o ouviu e levantou o olhar com raiva, prestes a lhe falar mais algumas coisas entaladas, mas o que quer que fosse, elas caíram em esquecimento quando Gaara simplesmente tomou seu rosto com as mãos e grudou suas bocas em um beijo bruto.

Me fiz em mil pedaços

Pra você juntar

E queria sempre achar

Explicação pro que eu sentia

Ela deveria se afastar, mas não o fez. Ela culparia os hormônios loucos, ou sua carência desenfreada, ou até mesmo aquele ruivo endemoniado e depravado, mas sentir a boca dele contra sua, os braços dele apertando seu corpo de forma firme grudando ainda mais seus corpos, ela não conseguia controlar e ceder aos próprios desejos, levando suas mãos até a nuca dele e gemer quando suas línguas finalmente se tocaram e o prazer apenas aumentou.

Era um beijo afoito, cheio de línguas e dentes e pouco cuidado, mas muito desejo. Como tudo o que era entre eles. Era saudade, era carência, mas naquela hora nenhum dos dois pensou em mais nada a não ser sentir um ao outro e quando ele a levantou pela cintura e a sentou na mesa, ela não ligou apenas agarrando-se ainda mais forte a roupa dele e o puxando para um novo beijo desesperado, aproveitando para morder o lábio dele com força e ficando satisfeita ao ouvi-lo gemer de dor. Era sua punição por deixá-la daquele jeito e ele pareceu entender isso, pois voltou a beijá-la com ainda mais ânsia, e como sua própria punição puxando os cabelos dela com força e bagunçando sua trança, a obrigando a expor seu pescoço onde ele beijou e mordeu antes de voltar a violar os lábios doces que tanto atormentou seus pensamentos.

Tão submersos naquele momento, nem perceberam que a princesa os olhava com choque e decepção, mas antes que qualquer um dos dois a notassem, ela deu meia volta e correu para fora da casa, saindo em disparada para as ruas de Konoha, sem nem ligar para onde estava ainda.

Apenas queria correr para longe.

Infelizmente o máximo que conseguiu chegar foi na praça onde acabou topando com alguém e caindo de bunda no chão.

— Ai idiota! Não olha por onde anda! – ela bufou irritada.

— Me desculpa, mas você é que está correndo por aí como uma louca!

— Louca é a sua m... – ela não completou o que ia falar, ao ver um rapaz alto e moreno lhe estendendo a mão com um sorriso no rosto. — Obrigado... – ela acabou resmungando ruborizada.

— Eu nunca te vi aqui. Mas também passei um tempo fora. – ele concluiu pensativo – em uma missão super secreta, sabe.

— Você é o herói que derrotou a kyuube... – ela deixou escapar ao reconhecê-lo e ficou ainda mais envergonhada ao se dar conta do que disse.

Konohamaru por sua vez, ficou surpreso com o reconhecimento e coçou a nuca sem graça.

— Nunca tinham me chamado de herói... – ele brincou e ela pigarreou.

— Ora, não é g-grande c-coisa também!! N-não é o primeiro n-ninja forte que e-eu v-vejo e...

— Ué e na sua vila tem muitos ninjas fortes?

Ótimo. Ele deveria estar confundindo-a com uma plebeia, e ao olhar para suas roupas atuais, ela entendia bem o porquê e amaldiçoou-se por ter saído daquele jeito. Nem queria pensar no estado atual do seu cabelo preso em duas marias chiquinhas.

— Alias como é seu nome?

Ela estava prestes a se apresentar, até lembrar das palavras de Ino.

“Finja que hoje você é apenas uma reles mortal como o resto dos plebeus.”

— Eu sou Kaori...eu estou passando um tempo na casa de uma prima.

— Ah sim. Eu sabia que você não era daqui. Eu lembraria de um rosto bonito. – ele deu um sorriso sedutor

— Sério? E você aprendeu essa cantada barata enquanto estava em sua missão super secreta? – ela provocou o fazendo rir.

— Ai essa doeu. – ele brincou – Ok, eu sei que foi péssima. Mas o elogio foi verdadeiro.

— É, eu sei que sou linda mesmo.

— Uaau! Quanta modéstia! Alias, meu nome é Konohamaru, o herói da vila.

— Quem está sendo modesto agora?

— Modesto é pra gente comum. Somos lindos.

Kaori não pode deixar de rir e ficar curiosa em conhecer o rapaz de sorriso fácil e modos desajeitados que a tratava como uma simples plebeia. Talvez agir como uma não fosse tão mal assim.

***

Quando a porta bateu, foi o suficiente para Ino acordar e empurrar o Kazekage para longe. No que estava pensando? Kaori estava no quarto e ela quase transando com seu noivo na mesa da cozinha.

Gaara estava ofegante, com as faces levemente vermelhas, mas ainda olhava para ela como se fosse um predador.

— Vai embora.

— Nossa conversa ainda não terminou.

— Já terminou! Vai embora agora antes que a princesa veja o noivo dela aqui! – ela disse já empurrando o ruivo em direção a porta.

— Eu vou voltar. – ele afirmou quando ela abriu a porta.

— Não vai. Se quiser ver a Kaori, vocês marcam com ela em outro lugar. O que aconteceu agora foi um erro e não pode voltar a acontecer. Eu não vou ser uma concubina para o Kazekage! – disse com a voz embargada, já tentando controlar as próprias lágrimas e batendo a porta na cara do ruivo antes que ele pudesse falar mais alguma coisa.

Lá fora, ele teve ânsias de bater novamente na porta, mas hesitou com as mãos no ar e acabou encostando o rosto na porta, cansado. O cheiro da kunoichi ainda estava grudado em seu corpo, e agora a certeza de que ele teria um filho em alguns meses ainda o deixava zonzo. Não sabia o que faria ainda, mas se aquela loira maluca achava que ele iria se afastar tão fácil, estava muito enganada.

Lá dentro, Ino tinha uma mão no coração que batia descompassado. Seu segredo havia finalmente se revelado para a última pessoa que poderia saber e agora ela precisava ser ainda mais forte, por seu filho. Esfregando a boca, ela tentava tirar o gosto dele que ainda podia sentir, e limpando uma lágrima solitária que ameaçava cair, ela correu até o quarto que encontrou vazio.

— Kaori? – ela chamou confusa e desnorteada, mas não teve resposta.

Como um anjo caído

Fiz questão de esquecer

Que mentir pra si mesmo

É sempre a pior mentira

— Por que está tão calada essa noite? – Sasuke perguntou fazendo Sakura levantar os olhos de seu próprio prato.

— Não é nada. – ela tentou sorrir, mas em seguida apenas desistiu já que ele não podia vê-la. Mal sabia que o Uchiha não estava mais tão cego assim.

Por trás dos óculos escuros, ele a observou revirar a comida sem vontade até finalmente desistir e retirar a mesa, mas assim que ela tentou retirar o prato dele, teve sua mão capturada.

— Posso estar cego, mas não estúpido.

As palavras causaram ainda mais dor a rosada que respirou, afastando-se do ninja.

— É exatamente isso. Seu quadro não está evoluindo. – confessou, sentando-se na frente dele e o olhando com aflição – Eu achei que a esta altura do tratamento você já teria recuperado alguma parte da visão, mas eu devo estar fazendo alguma coisa errada. E eu me responsabilizo completamente por isso! A culpa é minha! Eu não fui capaz! Eu sinto muito Sasuke – ela murmurou e fragilizada ela voltou a se afastar, não querendo chorar na frente dele e sendo ainda mais patética. – Eu vou...pedir para Tsunade-sama designar alguém melhor que eu, com mais experiência... – ela fungou, apoiando-se na pia da cozinha e tentando se controlar.

Ela apenas não esperava que Sasuke se aproximasse e tocasse seu ombro com carinho, aproximando-se mais do que era profissionalmente aceito e sussurrasse em seu ouvido:

— Não existe alguém melhor que você. – ele disse, fazendo seu coração falhar uma batida, enquanto sentia as mãos dele virá-la até que estivessem cara a cara.

Tão perto novamente, ela podia sentir o misto de sentimentos que inundavam seu peito e precisou de todo seu autocontrole para não tocá-lo. Mantendo um pingo de sanidade, ela tentou espaçar, mas ele a manteve firme no lugar e então tirou os óculos.

Agora tão de perto, ele sorriu ao confirmar o que já imaginava, deleitando-se com o misto de cores que era aquela mulher. Os cabelos rosados, a pele branca leitosa levemente corada, os olhos verdes expressivos e a boca vermelha convidativa. Enquanto analisava, ele tocava cada parte daquele belo rosto que se manteve em silêncio até finalmente se dar conta do que ele lhe falava mudamente.

— Você consegue me ver...? – ela perguntou hesitante e ele apenas sorriu em resposta. – Mas por que...porque não me disse?

— Eu não queria lhe dar falsas esperanças. Eu ainda não enxergo completamente, mas se eu ainda estou evoluindo é por sua causa, Sakura. Nunca mais se desmereça desse jeito. – seu tom era taxativo, mas era sua mão que ainda tocava o rosto da médica com tanto carinho que a deixava sem palavras.

— O que você está fazendo? – ela perguntou em um fio de voz, suas pernas já moles e suas mãos suadas com aquela aproximação perigosa, e quando o viu sorrir daquele jeito arrogante que ela aprendeu a amar tão loucamente, sabia que estava perdida.

— O que eu já deveria ter feito a muito tempo.

E então finalmente, ele a beijou.

Com carinho, ele tomou os lábios dela e com paciência pediu passagem com sua língua. Eufóricos, seus olhos se fecharam ao mesmo tempo, no instante em que seus lábios se tocaram e eles já estavam completamente entregues. Talvez parecesse clichê, mas as borboletas no estomago apareceram, os fogos de artifício explodiram, o mundo girou e um novo dia nasceu, passado presente e futuro se mesclaram, tudo isso naquele espaço de tempo, curto e ainda sim tão esperado e tão feliz.

Infelizmente, a sanidade quase nunca é aliada do amor e quando ela apareceu, aquele momento tão bonito se dissipou.

— Não posso! – Sakura quase gritou, se afastando do ex-noivo quase desesperadamente, tapando a boca com as mãos em choque com o que segundo ela própria era um grande erro – Isso não seria profissional. E nem justo.

— Que se dane o que seria profissional ou não. – o moreno cuspiu, impaciente. Ele sentiu a entrega dela aquela hora, não podia ser engano, ela ainda o amava.

— É sempre assim com você não é?! Que se dane o que é importante pra mim!

— Não foi isso que eu quis dizer!

— Eu sei bem o que você quis dizer e o que você não disse! Eu sei que você acha que eu vou simplesmente voltar pra você num estalar de dedos e me anular de novo por causa desse sentimento que claramente é unilateral.

— Está louca? Você acha mesmo que eu...

Mas não sou mais

Tão criança a ponto de saber tudo

— CALA A BOCA! Eu não quero ouvir! Não quero! Isso não vai acontecer! Não vai! – ela repetiu com ainda mais ênfase – Se você não respeitar isso então é melhor eu ir embora daqui.

— Se é isso que quer. – ele disse orgulhoso, arrependendo-se no momento que as palavras saíram de sua boca.

— Ótimo. – ela rapidamente rebateu, se recusando a sentir-se magoada novamente e engolindo com muito esforço o sentimento de abandono – Se é assim, então talvez seja melhor eu ir mesmo. De qualquer forma, o tratamento se mostrou eficaz e outra pessoa pode continuar com você. – ela dizia rapidamente – Eu volto outro dia para pegar minhas coisas ou peço pra alguém vir.

— Sakura..

— Eu estou muito feliz Uchiha-san... – ela conseguiu falar e sorrir, ainda que sua visão estivesse embaçada por lágrimas traidoras – ...por ter feito algo de bom para você. Obrigada por confiar em mim.

— Sakura!

— Já né! – e dizendo isso, ela praticamente correu para fora da mansão ignorando os chamados de Sasuke, que ainda com a visão parcialmente debilitada acabou tropeçando na cadeira.

— MAS QUE MERDA!! – ele rosnou irado chutando a cadeira que no mesmo instante rachou, mas não foi o suficiente para o moreno que voltou a chutar e esmurrar a cadeira até que a mesma não passasse de uma pilha de entulho. – Idiota!

— Burra! Isso que você é! Uma burra! – Sakura chorou e correu de volta para casa nem reparando que Konohamaru lhe chamava.

— O que deu nela? – o rapaz se perguntou, estranhando, mas logo voltou-se para sua companheira – Hei, você quer um ramen?

— Um o que?

— Um...ramen. Espera, você também nunca comeu ramen? – perguntou assustado – Nossa, sua família deve ser bem pobrezinha mesmo.

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Kaori revirou os olhos, controlando-se para se manter de boca fechada.

— O que é isso afinal?

— É uma iguaria maravilhosa! Vem comigo, você vai gostar.

— Não!! – ela ruborizou e dessa vez não apenas por que ele segurava sua mão com firmeza – É que eu sai de casa e não peguei dinheiro e...

— Não se preocupe! Que tipo de herói seria eu que não pagasse! – ele provocou.

— Você nunca vai esquecer dessa historia?

— Ta brincando? Eu vou contar para todos sobre minha fã numero 1!

— Baaaakaaaa – ela xingou, mas apesar disso tinha que admitir estar se divertindo com o ninja cabeça oca e por alguns instantes esqueceu dos problemas.

Já não me preocupo se eu não sei por que

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê

E eu sei que você sabe, quase sem querer

Que eu vejo o mesmo que você

Hinata sorria brilhantemente enquanto ia para seu quarto depois de horas em pé. A cerimônia de posse havia sido feita, Hanabi se destituiu dos poderes provisórios e diante de todo o clã, Hinata foi nomeada a nova líder do clã Hyuuga, sob aplausos de todos e sorrisos incentivadores dos mais íntimos.

Enquanto era parabenizada pelos chefes de cada família do clã, ela pode perceber os que a apoiavam, ou o contrário, ou aqueles que esperariam para vê-la em ação. Ela não fraquejaria. O apoio de membros das famílias secundárias lhe dera esperanças de que as mudanças que planejava realmente os beneficiariam e fortaleceriam como clã, os unindo em vez de separá-los.

Cansada, e sabendo que deveria acordar cedo na manhã seguinte, ela pediu licença e foi para seu quarto. Enquanto caminhava, ela não podia deixar de pensar que a presença de Naruto deixaria tudo ainda mais perfeito, mas infelizmente sabia que ainda que ninguém se mostrasse mais tão contra sua união ao Uzumaki, era melhor não forçar muito a barra. Pelo menos por enquanto, ela se contentaria em dormir sozinha e sonhar com seu amor.

Qual não foi a sua surpresa, quando ao chegar no quarto encontrá-lo completamente iluminado por velas, e o chão assim como a cama cobertas por pétalas de rosas. Em choque, ela olhou tudo deslumbrada até finalmente achar quem estava procurando que diga-se de passagem também estava a altura da surpresa.

Completamente despido, Naruto Uzumaki vinha segurando um enorme buque de rosas na altura da cintura que escondia aquela única parte do seu corpo.

— Naruto! Mas o que...? – ela mal conseguia falar, enquanto o via caminhar em sua direção com seu sorriso faceiro e travesso que ela conhecia muito bem.

— Achou mesmo que eu não viria aqui te parabenizar? Aproveitei para trazer um presente e criar um clima para nossa comemoração particular. – ele provocou sem parar de andar até estar frente a frente com a Hyuuga que não conseguia parar de sorrir, e então ele levantou o buque na altura dos olhos. – Gostou?

Agora ruborizada como de costume, mas mordendo o lábio inferior, ela entrou na brincadeira do loiro e dispensou um olhar nada casto em direção as partes baixas.

— Amei.

— Você virou uma tarada, Hinata Hyuuga. – ele disse finalmente colando seus corpos e para isso jogando o buque em algum lugar esquecido do quarto. – Kami-sama, eu vou arrancar esse seu Kimono bem lentamente hoje...

— Aprendi com você. – ela ironizou, mas antes que eles pudessem se beijar, ouviram batidas na porta.

— Nee-san? Já vai dormir? Achei ter ouvido vozes.

— Gomene Hanabi, eu apenas estava fazendo minhas orações. – ela fechou os olhos, envergonhada pela mentira. – Boa noite.

— Boa noite, nee-san.

— A peste é muito inconveniente. – Naruto resmungou, antes de surpreender Hinata a pegando no colo – Onde estávamos mesmo?

Tão correto e tão bonito

O infinito é realmente

Um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso

Palavras repetidas

Mas quais são as palavras

Que nunca são ditas?

— Você estava falando algo sobre arrancar meu Kimono.

— Uhnnn, acho que estou me lembrando. – ele riu e a colocou na cama, imediatamente deitando-se por cima dela e a beijando com luxuria e cumprindo o que dissera, tirara o Kimono dela lentamente a enlouquecendo enquantoamava cada parte do seu corpo com paixão e delicadeza.

***

— Finalmente!! – Ino quase gritou de alivio quando Kaori passou pela porta que ela vinha guardando a horas – O que aconteceu? Eu quase tive um infarte de tanta preocupação! Eu já ia chamar os guardas. Kaori!! Onde você estava? – ela perguntou já irritada por ser ignorada pela mais nova e a seguindo até o quarto que as duas dividiam.

— Eu fui passear um pouco por Konoha.

— O que? Por que não me avisou? Eu queria tanto conversar com você. Talvez você tenha entendido mal alguma coisa.

— Você está grávida do Kazekage-sama.

— Certo, eu acho que você tenha entendido certo afinal.

— E a única coisa que está impedindo vocês de ficarem juntos sou eu.

— Não! É isso que eu quero te explicar – A kunoichi disse afobada, sentando-se na cama ao lado da mais nova – Eu e o Gaara não temos nada. Essa gravidez aconteceu por um grande descuido, mas não quero que pense que eu e ele temos qualquer vinculo. – ela rezou para que a princesa acreditasse em suas palavras enquanto olhava em expectativa para a mesma que estava de costas para si – Kaori...

— Eu realmente espero que isso seja verdade, Yamanaka. – a princesa a cortou virando-se para olhá-la pela primeira vez — Por que seja lá o que vocês tem, não impedirá o casamento. Eu e Gaara temos deveres e responsabilidades e acho que você entende que não podemos colocar alianças que beneficiariam nosso povo, em risco por causa de um erro tolo. Isso nunca vai acontecer. Eu espero que você entenda isso.

As palavras duras e diretas da princesa a pegaram de surpresa, mas principalmente doeram mais do que ela podia pensar. Sem ação, ela viu a princesa pegar seus produtos de higiene e sair do quarto, em silêncio, deixando Ino sozinha, abraçando as próprias pernas enquanto assimilava suas palavras. Hime ao seu lado, gemeu e tentou acalentar sua dona, acabando por ser abraçada pela mesma.

— Nós vamos ficar bem. Nós três. – Ino prometeu baixinho para a cadelinha, enquanto passava uma mão pela barriga e fazia a mesma promessa ao seu filho.

Me disseram que você

Estava chorando

E foi então que eu percebi

Como lhe quero tanto

No banheiro, Kaori esfregava seu próprio corpo com força, até que o mesmo estivesse bastante vermelho, como se assim pudesse sentir-se menos suja pelas palavras terríveis que dispensara a Yamanaka. No fundo, começava a pensar que elas podiam se tornar amigas, mas agora tudo se tornara impossível.

Lembrou-se do dia divertido com Konohamaru e entristeceu-se ainda mais sabendo que aquela amizade também não passava de uma ilusão.

“As responsabilidades vem sempre em primeiro lugar na vida de uma princesa”, sua mãe sempre lhe dissera.

Mas ela ia ficar bem. Ela sempre ficava.

Já não me preocupo se eu não sei por que...

Os dias se passaram e chegou o dia do duelo entre Kotaru e Neji pela mão de Hanabi. Apesar de ser no clã, Hinata, a pedido de Hanabi, abriu os portões e deixou que pessoas de fora assistissem.

— Neeejiii-kuuun!! Você vai vencer e ganhar o amor de sua donzela! – Lee era pura euforia no dojo leste onde os dois rivais se preparavam para a hora da luta.

— O que está fazendo aqui, Lee?

— Eu já disse ué. Eu vim para lhe dar apoio!

Kotaru, então se aproximou, acompanhado de Akihiko.

— Onde está minha noiva? Eu gostaria de vê-la para que ela me desejasse boa sorte.

— Não provoque, Kotaru! – o irmão mais velho o advertiu, mas o mais novo apenas sorriu para Neji e saiu.

— Você vai mesmo precisar de sorte!! NEJI-KUN É IMBATIVEL, AINDA MAIS QUANDO ESTÁ LUTANDO PELO AMOR JOVEM!! – Lee berrou irritado, enquanto Neji e Akihiko se encaravam.

— Ainda sim, desejo boa sorte a você, Neji-san.

— Arigatou.

— Neji-san! – Hana apareceu esbaforida. – Hinata-sama solicita a sua presença imediatamente.

— Já é hora da luta?

— Não. Ela o solicita na arquibancada principal.

— Talvez ela vá convencê-lo a não lutar. – Kotaru voltou a provocar mesmo de longe, mas foi ignorado pelo Hyuuga mais velho que acompanhou Hana.

Hinata e os membros do conselho estavam em um camarote de onde se tinha uma visão privilegiada da luta. Como líder do clã, ela era a única que poderia encerrar a batalha com exceção do próprio lutador caso decidisse em qualquer momento da luta, desistir.

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê

— Mandou me chamar, Hinata-sama?

— Sim. Eu gostaria de mostrar algo a você.

Nesse instante a corneta indicando o começo da luta tocou.

— Eu deveria estar lá embaixo.

— Apenas espere.

Mesmo sem entender, Neji obedeceu, como sempre e deu um breve olhar pelo lugar a procura da outra prima, sem sucesso.

Kotaru entrou na arena que fora preparada para a luta e Hinata levantou-se de seu lugar chamando a atenção de todos.

— Antes da luta começar, eu tenho um anuncio a fazer. – ela começou com a ajuda de um microfone – Hoje, Neji Hyuuga não lutará.

— Nani? – Neji vociferou chocado, enquanto Kotaru já tinha um grande sorriso no rosto e um grande burburinho começou por todo o local.

— ...Mas o duelo continua de pé. – Hinata continuou.

— E com quem eu irei lutar, Hinata-sama? – Kotaru perguntou desdenhoso, com uma falsa postura de respeito.

E eu sei que você sabe quase sem querer...

— Comigo mesmo. – a voz atrás dele, o surpreendeu e calou a todos os participantes presentes enquanto viam ninguém menos que a própria Hanabi Hyuuga entrar na arena com sua roupa ninja e se posicionar ao lado do pretendente.

— A pedido de minha irmã, ela toma o lugar de Neji no duelo e lutará hoje por si mesma.

— Isso é totalmente descabido! – um dos conselheiros resmungou.

— Hinata...? – Neji ainda estava confuso.

— Ela já havia planejado isso desde o meu sequestro. Ela quer provar a si mesma e eu confio que ela conseguirá. – a líder do clã disse calmamente e lançou um olhar para a irmã que lhe sorria agradecia e fez um gesto confiante.

— Está pronto, querido? – Foi a vez de Hanabi provocar seu oponente – Ou será que vai desistir?

Kotaru ainda demorou alguns segundos para sair de seu próprio choque, mas por fim sorriu. A plateia já começava a se animar de novo.

— Eu preferia não tê-la machucada no dia do nosso casamento, querida, então eu vou ter cuidado para não marcá-la demais. – ele riu – Você não deixa de me surpreender Hanabi.

— Então continua olhando, baka, por que eu vou te surpreender ainda mais quando esfregar sua cara por toda a arena. – ela disse por fim se colocando em posição de luta, sendo seguido por seu oponente.

Que eu quero mesmo que você*

Quando a sineta foi tocada, dando inicio ao duelo, todos prenderam a respiração, tensos.

Hanabi queria provar a si mesma e para isso arriscaria sua própria liberdade.

Era agora ou nunca.

O destino da pequena Hanabi Hyuuga finalmente iria ser decidido e ela era a única a fazê-lo.

Notas finais
É isso gente! Cs não sabem como eu estava ansiosa para mostrar o que a Hanabi estava aprontando! kkkkkk A pestinha tá tomando jeito! Aos fãs de Ino e Gaara, eu sei que não foi do jeito que esperavam, mas vocês me conhecem e eu não ia perder a chance de encher de drama essa relação! Aos Hentais de plantão, não rolou nenhum nesse capitulo pois ficaria muito grande e era necessário focar em outras coisas, mas no próximo as coisas devem esquentar. Aguarde! Meus queridos leitores, como eu já venho dizendo a seculos (xD) a fic está em reta final e a sua autora necessita de reviews com opiniões, sugestões e até criticas se for o caso, pois eu admito, ainda não sei como vou acabar essa fic. kkkkk Obrigado, espero que tenham gostado e até a próxima! Beijuss! *Música maravilhosa do Legião Urbana "Quase sem querer"