Notas iniciais
Meu deus, primeiro post de 2017 quase em 2018!!!! Eu sei, eu sou terrivel! Nem tenho mais como me desculpa, apenas agradecer aqueles que ainda acompanham essa fic com uma escritora tão lenta e ainda tem a bondade de ajudar, comentando, recomendando e me mandando mps! Obrigado! Sem mais delongas, vamos para o capitulo! Espero que gostem. Desculpem qualquer erro de português!

"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal."

Friedrich Nietzsche

Kotaro Hyuuga não era exatamente um prodígio, mas seu talento nato era inegável dentro do clã. Desde pequeno desenvolveu técnicas de combate perfeitas, e como o irmão tinha um instinto natural para a luta.

Não era como Neji, motivado pela raiva e vingança desde muito pequeno. Nem como Hanabi ou Hinata que não tiveram realmente muita escolha, devido suas origens sociais dentro do clã. Kotaru gostava do desafio da luta, era um amante da guerra e ele não admitia perder seja lá quais fossem os sacrifícios que ele tinha de fazer ou as trapaças.

Por isso, quando em meio a luta acirrada, Neji sentiu uma vertigem subir por sua espinha e um suor frio descer por sua testa, ele soube que havia sido envenenado.

— Neji! – Hinata praticamente pulou de seu lugar para amparar o primo que já estava caído de joelho, com as mãos na garganta.

— Proteja Hanabi. – foi apenas o que ele disse, antes de finalmente cair na inconsciência.

— Neji!!!!! – a líder do clã desesperou-se, enquanto os curandeiros se aproximavam.

— Há algo incomum em seu sangue, temos que levá-lo.

— Eu pararei a luta.

— Não faça isso. – um dos conselheiros disse de seu próprio lugar, em nenhum momento tirando o olhar da arena – Seja lá o que se acometeu sobre esse rapaz, nada tem a ver com o desafio.

Hinata teve ganas de esmurrar aquele bastardo, mas havia aprendido que bater de frente com os componentes do conselho, sempre lhe resultaria uma dor de cabeça.

— Leve-o para o hospital de Konoha.

— Ele pode ser tratado por nossos curandeiros.

— Seja lá o que tenha acometido Neji, pode ter sido um atentado interno e por isso ele estará mais protegido fora do clã, enquanto eu tenho que julgar essa luta. Além do mais, quero um resultado imparcial quando eu penalizar os responsáveis. – ela finalizou em tom duro e percebeu de imediato que uma tensão reveladora se instalou sobre os mais velhos.

Ela não era boba. Não mais. Os conselheiros queriam o casamento de Hanabi com Kotaru e fariam qualquer coisa para conseguir isso. Olhando para a arena com cuidado, ela lembrou das palavras do primo. Precisava proteger Hanabi.

A luta mantinha-se acirrada, mas tão pouco parecia perto de terminar. Ambos os Hyuugas, Kotaru e Hanabi ostentavam pequenos arranhões, mas não pareciam se importar.

Hanabi começou o ataque, como nas vezes anteriores, e como sempre, Kotaru estava esperando por ela. Juukens se encontravam e se anulavam igualmente, as técnicas de luta semelhantes e o alto nível de ambos os ninjas garantia que nenhum dos dois conseguisse acertar seu oponente com um dano muito critico, entretanto a plateia não podia deixar de apreciar os movimentos fluidos e as pequenas ondulações de chacra que mais parecia sopros de vento tão naturais que elas eram.

Contudo, quando Neji estava sendo removido, a movimentação incomum chamou a atenção de todos e Hanabi ficou em choque ao reconhecer o primo sendo levado, a preocupação imediatamente enchendo seu coração. Infelizmente, seu segundo de distração foi o que Kotaru precisou para aplicá-la um golpe poderoso e lhe jogar do outro lado da arena.

A plateia prendeu a respiração, em um misto de preocupação e adrenalina. No meio deles, Konohamaru tinha os punhos serrados, trêmulos, e os olhos fixos no corpo da Hyuuga jogada no chão. Ao seu lado, Kaori o olhou com curiosidade.

— Você está bem? – ela perguntou em um fio de voz.

Ele não respondeu de imediato, mas quando viu Hanabi levantar-se, percebeu que seu corpo inteiro relaxou e ele pode olhar para sua companhia com um pouco mais de animação. Kaori, entretanto olhou para a garota que lutava.

— Desista Hanabi. Qual o propósito de lutar contra o inevitável? – Kotaru a via se levantar. Ele continuava arrogante, mas não precisou de muito tempo de luta para perceber que Hanabi não era a oponente fraca que ele pensou que teria.

— O que aconteceu com Neji? – ela rosnou, mas não obteve resposta, o que foi o suficiente para ela entender – Você fez isso!! – acusou alto, mas ofegou sentindo seus joelhos trêmulos.

O golpe de Kotaru foi mais duro do que pareceu. Ele havia acertado alguns pontos de chacra importantes.

— Eu não fiz nada ao seu precioso servo. – ele respondeu com desdém e com irritação.

Furiosa, ela avançou novamente, mas dessa vez ele a bloqueou com maestria, girando seu corpo e lhe aplicando uma rasteira que a fez se desequilibrar. Diante do olhar de todos, ele a segurou pelo Kimono e lhe deu um tapa no rosto que a fez cair no chão.

Chocada, Hanabi tinha a mão na bochecha onde havia a marca da mão de Kotaru. Com todas as lutas e treinamentos, ela já havia levado vários golpes, mas poucas pessoas ousaram bater em seu rosto. Com exceção de uma.

“- VOCÊ É UM MONSTRO CONTROLADOR E SEM CORAÇÃO!

E o primeiro tapa veio com fúria incontrolável a fazendo cair contra a parede e sentir seu queixo deslocar.

— Eu vou ensiná-la a me respeitar.

E um novo tapa.”

Seu pai.

Aquele que sempre foi a figura na qual ela constantemente queria orgulhar, mas que nos últimos meses a via como uma inútil na qual deveria se livrar lhe entregando em um casamento com o único intuito de manter intacta sua reputação. Ele nunca ligou para as filhas, para nenhuma delas, e agora ela via que nem para o clã. A ambição de Hiashi era egoísta e por um tempo a dela também fora, mas não era mais. Graças a Hinata e Neji. Ela não lutava apenas por si mesma aquele dia. Ela lutava por algo maior.

Para dar orgulho a Hinata. Para dar a liberdade a Neji.

— Interrompa a luta, Hinata-sama. – Foi Kotaru quem dizia olhando em direção a líder do clã – Não deixe que sua irmã passe mais vergonha. Continuar com essa luta apenas a desonrará ainda mais.

— Não! Continue a luta! – um berro foi ouvido próximo e todos ficaram surpresos ao ver Naruto Uzumaki de pé em um dos telhados. Ele estava sério e de braços cruzados – Ela tem esse direito. A não ser que queira desistir. – ele olhou para a pequena Hyuuga no chão.

Todos os olhares então se voltaram a ela, em expectativa.

— Fique no chão, Hanabi. – Dessa vez a voz de Kotaru era baixa, e olhava diretamente para a adversária como se contasse um segredo — Você sempre foi tão fiel ao clã, então sabe que nosso casamento o fortalecerá ainda mais. Aceite casar comigo de uma vez e nós dois poderemos liderar o clã Hyuuga! – ele finalizou sorrindo com orgulho como se contasse algo grandioso.

Hanabi entendeu o que ele estava propondo. Eles tentariam tirar Hinata da liderança do clã. Um olhar para a irmã mais velha lá no alto e ela viu a preocupação evidente, mas também outra coisa que a muito tempo ela não via direcionado a si: confiança.

Hinata confiava nela mais do que qualquer um. E ela decidiu naquele momento que não a decepcionaria.

— DESISTA! – Kotaru berrou impaciente.

— NÃO!!! – ela gritou de volta para a surpresa deles e de todos. E começou a se levantar, ainda que tremula, sem tirar os olhos de seu adversário — EU NÃO DESISTO!!! – ela berrou novamente com confiança e todos gritaram em êxtase. – Eu vou lutar e eu vou vencer, por que eu sou Hanabi Hyuuga!!!!

— Está cometendo um enorme erro.

— Não. Você é quem está e eu vou mostrar o porquê.

Ela novamente ataca. Kotaru se defende, mas ao acertar um juunken, a figura da Hyuuga some em uma explosão de fumaça revelando ser um bushen o que surpreende a todos, principalmente Kotaru.

— Você não pode se esconder! – ele diz com o Byakugan ativado, mas quando consegue encontrá-la já era tarde demais e acaba recebendo um golpe certeiro no rosto com uma rajada de vácuo que Hinata reconheceu imediatamente tendo-a usado no treinamento das duas.

O fato da caçula o está usando a encheu de orgulho, mas todos sabiam que isso não abalaria Kotaru por muito tempo. Contudo, o golpe certeiro o desorientou o suficiente para deixá-lo exatamente onde Hanabi queria.

Todos a viram reunir uma grande quantidade de chacra, provavelmente suas últimas forças e então correr em uma velocidade fora do comum em direção ao adversário. Quando estava próxima o bastante, ela saltou em direção a Kotaru e deferiu então um poderoso soco de mão aberta que o outro Hyuuga não pode evitar.

— Rajada divina.

O jutso de Neji. Ele próprio havia ensinado a Hinata e a mesma arregalou os olhos chocada ao ver a irmã executá-lo. O jutso absorve rapidamente o chacra do oponente e depois o dispara com uma rajada de chacra muito poderosa.

Kotaru nem teve chances. Todos o viram ser lançado, ainda tomado pelo choque, para o outro lado do campo até se chocar com um dos muros.

Um silêncio mórbido se abateu por toda arena. No meio do campo, Hanabi olhava ofegante para seu adversário ainda a espera, mas nada aconteceu. A medida que a poeira abaixava, todos puderam ver Kotaru Hyuuga desacordado no chão.

Um segundo depois uma série de burburinhos recomeçou, a medida que a realização finalmente os abatia. A luta havia acabado.

“Ela venceu!”

“Ela ganhou!”

“Ela realmente ganhou!”

Logo todo o local era tomado pela euforia e lá do alto, os olhos de Hinata finalmente alcançaram Hanabi e as duas sorriram emocionadas.

— A luta terminou e Hanabi venceu! – A líder do clã finalmente anunciou para o êxtase geral, mas principalmente para o completo desgosto dos conselheiros – Como tradição, ela ganhou o direito de escolher seu destino.

Era uma boa escolha de palavras, mas os conselheiros não haviam se dado conta disso ainda.

Naquele momento, eles esperaram resignados Hanabi escolher Neji para seu marido. Não era o ideal, mas ainda poderia servir aos seus planos.

Infelizmente para eles, os velhos conselheiros ainda teriam muitas surpresas com as filhas de Hiashi.

— Eu escolho... – ela hesitou enquanto todos aguardavam ansiosos a sua decisão — ...não me casar com ninguém. Ao menos por enquanto.

O choque foi geral, enquanto viam a vencedora da luta sair da arena em silêncio, mas com a cabeça erguida. Orgulhosa.

Em meio a plateia, Konohamaru sorriu surpreendido com a atitude da garota. Há alguns metros dele, Tenten Mitsashi tinha um olhar de espanto, mas por fim gargalhou alto e abraçou Rock Lee que ainda estava eufórico com a luta.

— Essa pirralha sempre consegue surpreender a todos!

Aos poucos todos se dispersaram.

Hanabi encontrou Hinata a sua espera ao sair da arena, e após um breve olhar de silêncio, elas se abraçaram.

— Eu sabia que você venceria!

— Claro que sabia! Ninguém ousaria duvidar de mim! – Hanabi ironizou fazendo a irmã mais velha sorrir ainda mais emocionada. Um segundo depois, contudo a mais nova se via praticamente sufocada pelo abraço da irmã mais velha.

— Me deixou tão preocupada. – Hinata praticamente choramingou.

— Auch...e-está m-me sufocando nee-saaaaan!!

Sua reunião, entretanto, foi interrompida pela aproximação de Kotaru ainda sendo amparado pelo irmão mais velho que parecia tentar detê-lo.

— Você cometeu um grande erro, Hanabi! Quando eu for líder do clã, você voltará se rastejando aos meus pés.

— Você é o único inseto rastejante aqui, Kotaru!!! – ela rosnou, mas foi segurada pela irmã.

— A luta acabou. Aceite sua derrota, Kotaru-san. Mais uma palavra e será visto como desacato. – Hinata disse séria, mas recebeu apenas um sorriso sujo do outro Hyuuga.

— Como se eu me importasse com uma falsa líder fraca.

— JÁ CHEGA, KOTARU! – Akihiko rosnou irritado com o irmão e envergonhado por sua postura.

— Já chega mesmo. – eles então ouviram uma voz fria e bastante perigosa atrás deles, antes que um poderoso soco lançasse Kotaru para longe, dessa vez não apenas desmaiado, mas provavelmente com alguns ossos quebrados.

Perto deles agora, estava Naruto, olhando com desdém para o lugar onde o corpo estatelado do irmão de Akihiko estava.

— Odeio maus perdedores.

— Isso foi totalmente desnecessário, Naruto-san. – Akihiko disse e Naruto o olhou em desafio com um meio sorriso arrogante.

— Bem, talvez tenhamos outra luta por aqui.

— Não!!!! – Hinata foi quem se pos entre eles dessa vez – Já chega de lutas por hoje!

— Como quiser, Hinata-sama. Com a sua licença. – e para a surpresa de todos, Akihiko foi corajoso o suficiente para beijar a mão de Hinata com galanteio e então olhar para Naruto com zombaria antes de sair.

Hanabi riu, mas Hinata apenas suspirou enfadada sabendo muito bem o que viria a seguir.

Uma explosão de Naruto.

— Aquele...aquele...MAAAALDITO BAKAAA! EU VOU ACABAR COM ELE AGORA MESMO!

— N-naruto-kuun!! Ele fez isso só para provocá-lo!!!! Onegaaaai!!! – ela choramingou tentando conter o noivo que bufou contrariado, mas depois gargalhou, sua cara deformando-se com um sorriso maligno.

— Ele vai pagar por isso no treinamento Anbu! Eu prometo!!! – ele dizia de forma quase insana enquanto as irmãs reviravam os olhos.

O enfado de Hanabi, foi substituído por um sorriso automático ao ver Konohamaru se aproximar, mas seu sorriso morreu ao perceber que ele não estava sozinho.

— Parabéns pela luta, Srta. Hyuuga. Foi realmente surpreendente. – Kaori disse com os olhos brilhando, parecendo realmente encantada com tudo o que vira.

— Monstrinha, eu achei mesmo que você ia precisar de ajuda. – Konohamaru provocou mexendo no cabelo dela e a fazendo bufar com desdém.

— Não seja ridículo! Como se eu fosse precisar de ajuda de você para qualquer coisa. – ironizou revirando os olhos, mas acabou corando ao ver o sorriso que ele lhe dispunha.

Eles continuariam se encarando, se Kaori não tivesse aproveitado o momento para enlaçar o braço de Konohamaru com o dela de maneira intima demais para o gosto de irmã mais nova de Hinata.

— Kono...eu preciso ir agora, senão se importa.

“O que ela está esperando então?”— Hanabi pensou automaticamente, apenas para ficar chocada consigo mesma depois.

— Sim, claro. Nós já vamos. Parabéns, Hana! Tchau Hinata-san, Naruto-senseni – ele disse já acenando e saindo com Kaori ainda pendurada em seus braços, e rindo.

— Uau, o garoto pegou uma boa! – Naruto disse assoviando, apenas para acabar levando uma cotovelada da noiva.

Por sua vez, Hanabi tentava entender aquele sentimento que de repente se apossou de seu peito de forma tão aterradora e familiar. Ciúmes. Mas por que? Ou melhor por quem?

Ao seu lado, Hinata colocou uma mão em seu ombro chamando sua atenção, mas ela apenas sorriu tentando disfarçar seu incomodo inconsciente.

— Alias...o que aconteceu com o Neji? – Naruto perguntou de repente chamando a atenção das duas, e Hanabi arregalou os olhos percebendo que havia esquecido completamente do primo.

— Neji! Onde ele está?

— Ele foi levado ao hospital. Por que não toma um banho e iremos visitá-lo?

— Hai!! – A mais nova mal falou e já havia praticamente corrido em direção a casa.

Hinata ainda observava a irmã se afastar com um olhar amoroso, até corar ao perceber que era observava pelo loiro com um sorriso.

— A pestinha me surpreendeu. – Ele disse, fingindo desinteresse, mas enlaçando seus braços na cintura da mulher a sua frente.

— O que disse pra ela naquele momento foi muito bonito.

— Sabe como é, eu sei como animar algumas Hyuugas teimosas. – ironizou, mas deu um sorriso sacana enquanto aproximava o rosto do dela que lhe deu um pequeno tapinha.

— Baka. – ela xingou, mas acabou derretendo-se ao ser beijada por ele.

Era incrível, e ao mesmo tempo, não era uma surpresa que o beijo dele ainda mexesse com ela de forma tão avassaladora como se fosse ainda o primeiro. Feliz e sentindo-se um pouco ousada, ela aproveitou para lhe morder o lábio em provocação ganhando um rosnado baixo dele.

— Se continuar fazendo isso, eu não vou responder por mim. – ele ameaçou ainda de olhos fechados, mas a sentiu rir e então se afastar.

— Pervertido.

— Você é a única a provocar.

Um pigarreio fez Hinata praticamente empurrá-lo para longe e corar ao ver Sakura os olhando de forma maliciosa.

— Hei hei pombinhos. Vão para um quarto ao invés de ficar matando todos ao redor de inveja.

— Sakura-chan, eu não a vi muito nos últimos dias. – Naruto disse, despreocupadamente mudando de assunto, enquanto abraçava a noiva por trás ignorando sua obvia vergonha.

— Eu sai em uma missão. – A rosada respondeu evasivamente, mas o loiro sabia exatamente o por que. — Voltei essa manhã. Foi uma luta realmente emocionante, alias. De meus parabéns a Hanabi-san.

— Obrigada, Sakura-chan.

— Bem, eu vou indo. Até logo. – ela sorriu e acenou já saindo, mas foi parada por Naruto alguns passos depois. – Sim?

Naruto observou a rosada com seriedade. Seu sorriso era falso, e suas olheiras visíveis. Ele conhecia alguém nas mesmas condições, e por isso sabia que tanto quanto o outro, Sakura era teimosa o suficiente para não aceitar seus conselhos.

— Eu não sei o que aconteceu entre vocês. Mas já está na hora de resolverem antes que acabem fazendo uma besteira irreversível.

Sakura não entendeu o que o loiro dissera, mas o mesmo tão pouco explicou antes de voltar para sua noiva, deixando a kunoichi confusa e sozinha para trás.

Um dia após sair da casa do Uchiha, Sakura foi até a Godaime pedindo para ser afastada do caso de Sasuke, mas que alguém muito competente tomasse o seu lugar. Tsunade não tentou impedi-la, no fundo já imaginando o que se passava com a aprendiz e aceitou sua dispensa, já que o tratamento do Uchiha já era mais estável e depois de uma conversa com a rosada, descobriu que estava dando resultado. Sakura também pediu uma missão. Qualquer que fosse.

— Eu preciso de um tempo. Sozinha. É tudo o que eu peço. – ela disse.

Novamente a Hokage acatou seu pedido e a enviou a vila das flores, onde uma epidemia suspeita estava afetando crianças e idosos. Foi bom para ela. Ocupou sua cabeça com algo além de seus sentimentos pelo Uchiha bastardo, mas a cada vez que a noite chegava e ela se via sozinha em seu dormitório, tudo voltava com força total e ela desconfiava que nunca pararia.

Por fim, havia finalmente resolvido voltar ao descobrir o motivo da epidemia e um modo de tratá-la. Chegada nas primeiras horas da manhã e após um breve relato a Tsunade, decidiu ir ver a luta entre os Hyuugas que todos falavam, mas por vontade de retardar sua volta para casa do que por qualquer outra coisa.

Mas enfim, ela não podia mais atrasar sua volta para casa, assim como a volta das lembranças que ela tanto tentara fugir.

Qual não foi sua surpresa, entretanto, ao ter seu braço puxado e dar de cara com a última pessoa que ela esperava.

— Hei Sakura.

— Hideo! – ela sorriu automaticamente. Por um lado, realmente feliz em ver o diplomata. – Quando você voltou?

— Há alguns dias. Eu procurei você, mas soube que estava em missão... – ele confessou um pouco constrangido e desviando o olhar de forma adorável. – É bom ver você. – eles sorriram, mas então caíram em um silencio constrangedor. — Eu gostaria de me desculpar pelo modo que a tratei da última vez que nos vimos. – ele disse finalmente e foi a vez dela desviar o olhar enquanto balançava a cabeça, realmente não querendo falar sobre isso. – Eu estava pensando em..

— ..Um jantar? – ela rapidamente o cortou, o pegando de surpresa, mas o fazendo sorrir.

— Seria ótimo! Eu posso te pegar umas sete horas.

— Perfeito.

— Legal!

— Er...você sabe onde me encontrar então. – ela disse um pouco envergonhada, e não percebeu como o olhar dele escureceu um pouco.

— Certo... – ele suspirou parecendo resignado e por um instante ela o olhou sem entender, mas o viu sorrir novamente e se animou. – Bem, então até mais tarde.

— Até. Ah Hideo! – ela o chamou nervosamente e o viu se virar – É realmente muito bom revê-lo.

— Igualmente Sakura-chan. – ele disse com sinceridade antes de sumir entre a multidão.

Sakura sorriu consigo mesma, orgulhosa. Talvez aquilo fosse um sinal afinal de contas. Talvez aquele realmente fosse o primeiro passo para esquecer o Uchiha de vez. Quase havia funcionado na primeira vez, e dessa vez ela se esforçaria ainda mais para que acontecesse.

Tardiamente foi que a rosada percebeu que Hideo provavelmente não sabia de sua mudança da casa do Uchiha, mas ele já havia sumido na multidão.

— Acho que se eu for mais cedo até sua casa não terá problema. – ela resolveu e então partiu para sua própria casa reencontrar sua mãe. – Talvez eu aproveite e pague uma visitinha a Ino também.

Ino Yamanaka olhava pela janela quando Konohamaru se despedia de Kaori com um beijo em sua mão.

— Está entregue princesa. – ele disse fazendo-a corar.

O ninja ainda não tinha ideia o quanto seu elogio era real, e que Kaori de fato era da realeza. A princesa preferira guardar esse segredo e aproveitar aquela amizade descompromissada com aquele cavaleiro.

— Obrigada por me levar a luta hoje.

— Não achou um show sangrento para brutamontes sádicos? – ele zombou lembrando-se das palavras que ouvira da menina no dia em que ele sugeriu o programa.

— Achei! – ela disse fazendo Konohamaru rir – Mas eu gostei – ela admitiu rindo até parar de repente. – Kami-sama, será que eu estou me tornando uma brutamontes? – resmungou apenas fazendo o riso do ninja aumentar. – Não ria! Claramente você é uma má influencia para uma princesa como eu.. – ela novamente se calou com brusquidão percebendo o que dissera.

Mas para sua sorte, o garoto não era dos mais perspicazes.

— Oh claro, desculpe vossa alteza. – ironizou — Espero que nossos costumes ninjas não tenham chocado seus frágeis olhos.

— Não são tão frágeis. – ela murmurou fazendo um bico involuntário nos lábios, mas arregalou os olhos ao sentir algo quente contra eles.

Seu coração disparou tão forte que provavelmente podia explodir a qualquer momento, enquanto sua pele ganhava uma tonalidade forte de vermelho.

“Ele está me beijando”— seus pensamentos gritaram imediatamente, incapazes de processar qualquer outra coisa a não ser os lábios de Konohamaru sobre os seus.

O selinho não durou mais do que dois segundos, mas a princesa ainda estava em choque quando o ninja se afastou com um sorriso traquina e tranquilo.

— P-por q-que f-f-fez isso? – ela conseguiu balbuciar depois do que pareceu décadas, mas ele tinha o sorriso no rosto.

— Ué, é assim que os heróis tranquilizam suas princesas. – disse dando os ombros – E também foi como um agradecimento por ter aceitado ir comigo.

— B-bem...p-princesas devem ajudar seus súditos...

— Que bom! Eu vou me lembrar disso.

— Bobão. – ela murmurou com um pequeno sorriso, um pouco mais relaxada ainda que seu rosto se mantivesse vermelho.

— Eu já vou. Nos vemos em breve?

— Sim! – ela respondeu rápida e ele apenas deu um aceno rápido e saiu caminhando com as mãos atrás da cabeça, sem saber que deixava para trás um membro da realeza completamente derretida.

Automaticamente sua mão foi até seu coração ainda o sentindo disparado e desse jeito ela entrou em casa, ainda tentando manter-se calma e recostando-se sobre a porta já fechada, suspirou longamente.

— Eu não sabia que você e Konohamaru eram tão...próximos. – a voz muito próxima a fez quase saltar de susto e novamente corar ao ver Ino sentada no sofá perto da janela, provavelmente tendo testemunhado o que acontecera instantes antes.

Imediatamente o rosto surpreso foi substituído por uma mascara de frieza enquanto analisava a kunoichi a sua frente. A mesma vestia um vestido transpassado velho de sua mãe, vermelho e sem mangas que marcava abaixo de seus seios já maiores, deixando em evidencia sua barriguinha que também já começava a se mostrar.

— Não tenha ideias, serva. Kono-ku...Konohamaru-san é apenas um amigo... – seu tom saiu mais baixo nas ultimas palavras e ao perceber isso fez questão de olhar para a kunoichi com ainda mais firmeza – Eu sei das minhas responsabilidades.

— Eu sei...não queria chateá-la.

Nas ultimas semanas, a Yamanaka havia caído em um estranho estado de resignação, carregando sempre consigo um sorriso calmo e um olhar cansado. No começo Kaori pensava ser o melhor, mas nos últimos dias a estava irritando profundamente e ela tentava a todo custo provocar a mulher na tentativa de fazê-la voltar a seu estado antigo explosivo, até voltou a chamá-la de serva, mas nada parecia funcionar. Ino parecia sempre no modo automático.

— Meu noivo está prestes a voltar. – ela disse então, decidida a arrancar alguma nova emoção da kunoichi, mas para sua frustração tudo o que conseguiu foi um aceno débil de cabeça.

Dois dias depois do kazekage ter descoberto a paternidade do filho da Yamanaka, ele anunciou sua volta a Suna e passara o ultimo mês lá, apenas mandando noticias esporádicas na maioria das vezes por Temari. Nada relacionado a Ino ou ao bebê, Kaori sempre se certificava. Mas sua ultima carta a cerca de três dias dizia que ele estava voltando a Konoha para cumprir o acordo.

O acordo. Era assim que ele se referia ao casamento.

— Apenas avise-me quando ele virá visitá-la, para que eu me certifique de não atrapalhá-los.

A princesa tentou encontrar algum resquício de ironia nas palavras ou nos olhos da loira, mas tudo o que conseguiu foi cansaço. E um brilho estranho, como se a mesma estivesse em um outro mundo.

E apesar de não admitir, o estado da loira começava a preocupar a princesa.

***

— Como você está?

— Vivo. – Neji respondeu a prima mais nova, enquanto o olhar dos dois se dirigiu até a porta entreaberta onde podia ver Hinata e Naruto falando com o médico responsável.

O ninja havia acordado minutos antes das Hyuugas chegarem e continuava em estado de observação. O veneno havia sido detectado a tempo e retirado antes que causasse falhas mais graves em seus órgãos internos, principalmente em seu coração que poderia ser fatal.

— Eu fiquei tão preocupada. – Hanabi murmurou olhando para as próprias mãos, revivendo a sensação de impotência quando vira o ninja ser carregado para fora do clã, mas foi retirada de suas memórias ao sentir as mãos dele sobre as suas.

— Está tudo bem agora.

Ela engoliu em seco, mas se forçou a sorrir sentindo seus olhos ficando marejados.

Nesse instante Hinata entrou acompanhada de Naruto, ela tinha o rosto tenso, mas relaxou ao ver o primo acordado e com uma aparência melhor.

— Que bom que está bem, nee-san!

— Recebi o tratamento a tempo graças a você.

— Mas se tivesse lutando... – ela hesitou, seu sorriso morrendo com a possibilidade mórbida, e Naruto passou o braço por seu ombro carinhosamente.

— O veneno estava em sua corrente de chacra, caso a tivesse usado em luta, ela atingiria seu coração rapidamente e é provável que a luta acabasse bem mais cedo do que previmos. – Naruto explicou em um tom surpreendentemente profissional, mas Neji entendeu onde ele queria chegar – E caso você morresse, provavelmente também não conseguiríamos descobrir sobre o veneno.

— Um plano perfeito. – O Hyuuga completou com o olhar cravado no outro ninja que assentiu em silêncio. Apesar de não demonstrar, ele sabia que o loiro também não estava nada feliz, mas mantinha-se firme ao lado de Hinata, essa sim estava irritada, mesmo que não pudesse ver seu rosto que estava virado para baixo, mas seus punhos trêmulos e fechados já diziam tudo. – Ou quase.

Mas para surpresa de todos, a líder do clã levantou o rosto e ao contrário do esperado, ela ostentava um sorriso frio nos lábios.

— Quase. – ela repetiu lentamente – A arrogância deles me deu a oportunidade perfeita para me livrar de uma vez daqueles vermes sanguessugas. Eu dissiparei aquele conselho! Assim que você estiver recuperado e voltar para o clã. Quero que esteja presente!

— Uau, nee-san você me assustou de verdade. – Hanabi exclamou chocada, enquanto os outros dois ninjas pareciam quase orgulhosos, principalmente o loiro.

— Essa é a minha garota. – Naruto não perdeu a oportunidade de abraçar ainda mais forte a noiva.

— Eu agradeço. – Neji disse — Mas esteja preparada...

— Não se preocupe. – ela o cortou – Eu vou estar. Mas você precisa descansar! – concluiu em tom autoritário, mas sorriu e dessa vez parecia ter voltado a ser a doce Hinata de antes.

Nesse instante a atenção de Neji voltou novamente para a prima mais nova que parecia distraída olhando um hematoma que parecia realmente feio em seu braço.

— Alias, parabéns. – ele disse a pegando de surpresa – Ouvi uma enfermeira comentar que foi uma grande luta e você acabou com a raça do seu adversário.

Hanabi sorriu pequeno, mas então seu sorriso murchou e desviou o olhar para as próprias mãos novamente.

— Não está chateado por que escondi de você minhas intenções? – ela murmurou.

— Eu e Naruto-kun vamos precisar sair pra...hã... – Hinata interrompeu e pigarreou nervosa sem saber o que dizer e olhou para o noivo em um pedido de ajuda.

— Ah sim! Vamos aproveitar que estamos de folga pra gente namorar um pouquinho, sabe como é, eu to meio carente e...outch!!!!! – ele gemeu quando o cotovelo da Hyuuga acertou a boca do seu estomago.

— Naruto-kun!!!! – ela exclamou mortificada enquanto olhava para os outros Hyuugas – N-n-nós n-nos v-v-vemos n-no c-clã H-hanabi-chan!!! – ela gaguejou – Bye Bye Neji-nee-san. – quase gritou enquanto ia arrastando o loiro para fora do quarto, o mesmo ainda resmungando de dor.

— Hinata realmente mudou muito. – Neji concluiu como um pensamento tardio e Hanabi concordou com a cabeça.

— Nee-san está realmente mais forte agora...Mas as vezes ela parece o baka do namorado dela. – Revirou os olhos fazendo o primo rir

— Ela está feliz. Pela primeira vez ela está livre para viver da maneira que quiser. Fazer suas próprias escolhas. Como você agora.

— Você não me respondeu.

Neji suspirou e por fim disse:

— Primeiro eu fiquei surpreso. Depois chateado. – ele a viu abrir a boca para protestar, mas ele a calou com um aceno – E depois orgulhoso.

— De verdade? — ele acenou com a cabeça a fazendo suspirar tremula, e então abraçá-lo – Obrigada. Eu acho que deveria deixá-lo descansar.. – ela riu, limpando uma lágrima teimosa que caiu, enquanto se afastava, mas ele segurou sua mão.

— Hanabi. – Eles se olharam com firmeza e a mais nova reconheceu a hesitação do primo – Você me escolheu?

A pequena kunoichi piscou surpresa e então entrelaçou seus dedos nos dele e o olhou com carinho.

— Eu sempre vou escolher você, Neji. – murmurou e fechou os olhos quando ele tocou seu rosto com a mão livre.

— E quando será? Digo...o casamento.

— Nunca.

Nesse momento o toque dele paralisou e ela então abriu os olhos apenas para encontrá-lo com uma expressão surpresa e desconfiada no rosto.

— Eu decidi que não vou me casar. Pelo menos não por enquanto. Eu podia ter parado essa loucura quando Hiashi foi preso, mas eu queria...eu precisava lutar. – finalizou, e percebeu Neji com o cenho franzido, o que a fez soltar uma risadinha – Parece decepcionado.

— Gomene. Apenas, eu achei... – ele pigarreou constrangido e arrependido, mas isso só fez Hanabi achar a cena ainda mais engraçada.

— ...que eu iria usar o planinho de Hiashi pra casar com você. – ela completou com firmeza, ainda que seu sorriso fosse morrendo aos poucos – É! Eu faria isso. – admitiu

— E por que não fez?

— Eu já disse. Eu sempre vou escolher você, Neji. Mesmo que a outra opção seja...eu mesma.

Neji ouviu chocado a kunoichi a sua frente e a observou corar levemente enquanto dizia aquelas palavras e então lhe dar um sorriso pequeno e tímido que ele conhecia muito bem, mas havia algo de diferente. Ele podia ver agora com mais clareza que Hinata não havia sido a única a mudar nos últimos meses.

Hanabi também se tornara mais forte nos últimos meses, e não apenas fisicamente. Sua prima adolescente, inconsequente e mimada, havia crescido e se tornado uma mulher.

***

— Obrigada, Hinata. Eu vou olhar cada nova mudança que você fará no clã e analisar suas propostas. – A Hokage disse com polidez enquanto tomava sua xícara de chá que na verdade era sake – Eu sabia que você era a pessoa certa para por ordem nesse clã.

— Eu darei o meu melhor para que o clã recupere os valores que perdemos ao longo do ano...

— Eu sei que vai. – a loira sorriu, mas então seu olhar recaiu para a porta onde sabia que um ninja emburrado estava sentado no corredor – Eu gostaria muito que o chefe de policia temporário tivesse a sua força de vontade. – disse em voz alta, sabendo que o rapaz ouviria, e teve sua confirmação no mesmo instante.

— Eu não poderia me importar menos com o esquadrão do teme! Se ele se importa tanto, deveria deixar de ser um maricas e assumir seu posto, porque eu já estou de saco cheio!! – elas ouviram a explosão desdenhosa do rapaz e Tsunade esfregou as temporas, enquanto Hinata mordia o lábio inferior, sem graça.

Minutos mais tarde, os dois andavam para fora do prédio de mãos dadas.

— Você não deveria falar daquele jeito com a Hokage-sama. – Hinata resmungou sem conseguir se conter, enquanto via o loiro fazer uma careta enfadada – E você realmente deveria se esforçar mais com a policia. É um cargo importante que vai ajudá-lo quando se tornar... – ela não pode terminar, pois seus lábios foram tomados com rapidez pelo loiro que não os soltou antes que os dois estivessem com falta de ar. – N-naruto-kun...e-estamos no meio da vila.

— Tem razão. – ele murmurou com voz grossa e no mesmo instante eles eram rodeados com o que parecia labaredas de chacra que se assemelhavam a caldas e os envolviam como em um casulo desaparecendo com eles no segundo seguinte.

Quando Hinata abriu os olhos que nem percebera que havia fechado, eles estavam no pequeno apartamento de Naruto. Desde que havia entrado naquele estranho acordo de paz com a raposa de nove caudas, ele ganhara novas habilidades, e sua força aumentara visivelmente apesar do mesmo ainda ter receio de usá-la em treinos ou batalhas.

— Você deveria mesmo testar suas novas habilidades... – ela disse séria, ainda que tivesse sendo agarrada sem pudores pelo loiro a sua frente.

— Achei que era isso que eu estava fazendo – ele resmungou evasivo, enquanto distribuía beijinhos pelo pescoço dela e descia sua mão esquerda até o ossinho do seu quadril onde gostava de apertar e senti-la amolecer.

— Eu digo testar de verdade. Aprender com seu novo poder e ficar ainda mais forte.

— Por que eu iria querer isso? – ele resmungou e então finalmente bufou quando sentiu aos mãos dela empurrando seu peito afim de olhá-lo.

E ele reconhecia aquele olhar de matrona preocupada.

— O que está acontecendo? – ela perguntou direta e ele revirou os olhos.

— Eu não sei do que você está falando.

— Estou falando de você. – a líder do clã Hyuuga respondeu firme e viu o noivo se afastar, mas ela não iria deixá-lo sair tão fácil – Por que esse descaso com seu treinamento? Em outros tempos, eu entenderia seu receio em usar o poder da raposa, mas agora que ela está controlada... – hesitou – Ou não está?

— Se você fala sobre ela invadir meus pensamentos, então não. Ela está cumprindo o acordo – resmungou.

— Então do que você está com medo, Naruto-kun? Eu o conheço! – completou rapidamente antes que o mesmo conseguisse negar – Voltou a ser relapso no seu trabalho, não está treinando direito...

— Vai dizer que a líder do clã Hyuuga está me seguindo. – ele ironizou com uma risada amarga com a obvia intenção de provocá-la.

— A Hokage disse que você não fala mais com ela a não ser para reportar missões e some logo em seguida.

— Isso por que não temos nada para falar. – ele resmungou mau humorado.

— Ela quer ensiná-lo os deveres de um Hokage!!

— PARA QUE? – Naruto finalmente explodiu pegando a Hyuuga de surpresa – POR QUE EU TERIA QUE APRENDER ISSO SE NÃO VAI ACONTECER?

— D-do que você está falando? – ela se aproximou, mas ele se afastou sem olhá-la.

— Eu já disse a Tsunade, e vou falar para você. Konoha merece um Hokage que não tentou destruir a vila mais de uma vez. – murmurou, o pesar e a amargura transbordando em cada palavra e Hinata finalmente entendeu o problema.

— Isso é...isso é...UMA GRANDE BURRICE!!!!

Foi a vez de Naruto se surpreender com a explosão da morena que o olhava séria e tinha a respiração ofegante.

— Konoha merece o melhor Hokage, alguém que daria a vida por ela, alguém que provou mais de um milhão de vezes ser mais merecedor que qualquer um, alguém que sempre lutou para ficar mais poderoso apenas para proteger essa vila mesmo que todos estivessem sempre contra ele. E não seja estúpido de pensar que existe outra pessoa assim além de você, Naruto-kun! Você é a única pessoa capaz de cuidar de Konoha e acabar com tantas injustiças que ainda acontecem! Muitas pessoas confiam em você pra isso! Eu confio em você pra isso. – finalizou irritada, os punhos fechados e trêmulos ao lado do corpo.

Eles caíram em silêncio, presos no olhar um do outro. Por fim Naruto bufou, visivelmente aborrecido.

— Viu, é por isso que não queria conversar sobre isso! – ele resmungou jogando-se no sofá com a cabeça entre as mãos. Um segundo depois, sentiu a presença de sua noiva ao seu lado – Não posso fazer isso Hinata. – ele confessou em um murmúrio. – Eu sei que acredita em mim, mas eu não sei se confio em mim mesmo. Não depois do que eu fiz. De novo. Eu podia ter matado muita gente...

— Mas não fez...

— Mas eu poderia. E faria. – admitiu finalmente a olhando e tocando seu rosto como se apreciasse um artefato raro – Eu estava com tanto ódio e com medo de ter perdido você.

— Mas não perdeu. Você me salvou!

— Eu fiquei tão cego pelo ódio que eu só queria acabar com tudo. – ele continuou como se não a tivesse ouvido, seus olhos vidrados em lembranças – Eu deixei a raposa tomar conta de mim e deixaria que ela destruísse tudo.

— Eu não acredito...

Diante da negação dela, um sorriso brotou dos lábios do loiro, mas não era um sorriso amoroso ou debochado, era um sorriso frio e sem nenhum humor.

— Eu não fui dominado como todos pensam. Eu estava lá, eu podia ver e ouvir o que todos diziam, mas eu não me importava.

— Naruto-kun, a raposa deve ter feito você acreditar nisso, mas...

— Não. – ele a cortou rapidamente – Eu pensei muito sobre isso. No fundo eu realmente queria achar um motivo pro que eu fiz, mas a verdade Hinata é que era eu o tempo todo. Claro, que parte era a raposa, mas a outra parte era eu. – a medida que falava, suas mãos iam até os ombros da Hyuuga, enquanto seus olhos mantinham fixos nos dela – Eu era parte do monstro.

— Pare! Eu não vou deixar que fale isso de você!!! – ela disse irritada, tentando se afastar, mas foi surpreendida com a força dele para mantê-la no lugar.

— Eu não sou aquele garoto por quem você se apaixonou. Eu não sou aquele cara que salvava pessoas, que tinha um sonho impossível e um senso de justiça inabalável. – Seu tom agora era duro, seu maxilar tenso como se ele se controlasse para não gritar, enquanto Hinata começava a sentir-se uma criança levando uma lição.

— Eu não quero ouvir isso! – ela resmungou novamente tentando se afastar e sendo impedida.

— Não! Você precisa ouvir, por que já está na hora de você entender!

— Entender o que? – ela explodiu novamente o pegando de surpresa e dessa vez conseguindo se afastar – Que você é um monstro? É isso que você quer que eu entenda? Bem, eu não acredito nisso e nunca vou acreditar!

— Pois devia! – ele resmungou – Você mais do que ninguém sofreu com as coisas que eu fiz. Eu te magoei tanto.

— Eu perdoei você.

— Eu mataria seu pai. E não venha me dizer que não se importa, por que mesmo ele sendo aquele verme imundo, você o ama. – ele estalou a língua bagunçando o próprio cabelo, enquanto se levantava também, mas de costas para ela sem olhá-la – Kami-sama, você é um anjo. E é apaixonada por um demônio. Tão clichê. – riu da própria piada, mas a verdade é que não tinha nenhum humor.

Contudo seu riso morreu ao sentir o corpo dela em suas costas e os braços finos rodearem a sua cintura com força e foi realmente clichê o modo como seu coração disparou naquele momento.

— Hinata...

— Eu sei o que está tentando fazer. – ela começou, baixinho, o rosto enterrado nas costas dele aspirando seu cheiro e sentindo seu corpo quente – Mas não vai me afastar de você. Não depois de tudo. Eu sei tudo o que você fez, como você mesmo disse, mais do que qualquer um, e eu não me importo por que eu amo você. E a não ser que você diga agora que não me ama, eu não vou me afastar. – ela disse tudo rápido, provavelmente sem nem respirar, mas nunca esteve tão convicta em sua vida, e ainda sim, seu único medo era de que ele dissesse que não amava.

— Eu sou louco por você, Hinata. – ele rebateu seco e com uma sinceridade assustadora – Eu mataria qualquer um que ousasse machucar você. E eu já fiz isso. – confessou virando-se para encará-la e viu os olhos confusos da Hyuuga antes que a realização lhe abatesse.

— Os sequestradores... – ela balbuciou e novamente teve seu rosto tomado pelas duas mãos dele, a obrigando a confrontar a expressão fria que ele ostentava. Mas ela podia ver seus olhos. Aqueles olhos azuis que brilhavam um misto interminável de sentimentos que ela podia reconhecer – Tudo bem.

Ele riu novamente, sem humor.

— Não está nada bem. Pare de fingir que não se importa com o que eu me tornei. E quanto ao seu precioso clã? O que eles pensam de você tendo um caso com um jiinchuriki?

— Você não é um jiinchuriki, você é o herói da vila. E eles não se importam. E mesmo que se importem... – ela completou rapidamente antes dele retrucar — ...eu não ligo.

— Por enquanto talvez, mas no futuro...

— Eu deixo o clã.

— O que? – as palavras dela, dessa vez o chocaram, mas ele logo voltou a expressão fria a olhando com seriedade tentando encontrar qualquer hesitação em seus olhos. E foi com surpresa que ele não encontrou nada.

— Eu não sou um anjo, Naruto-kun. Tanto quanto você não é um demônio. – ela continuou, de repente com uma calma surpreendente e um olhar quase sereno, enquanto suas mãos subiam pela camisa dele com um toque calmo e paravam exatamente na altura de seu coração – Eu amo você, não me importa o que você fez, ou o que os outros acham, eu não vou deixar de te amar. Droga, eu provavelmente vou continuar te amando mesmo que você não me ame mais e me deixe. Você mataria por mim? Bem, eu morreria por você. E eu já provei isso também.

A esta altura, as mãos dela já estavam firmes na camisa dele e o puxaram com força enquanto ficava na ponta dos pés, até seus rostos estavam a milímetros de distancia.

— Eu acho que sou tão louca quanto você, Naruto-kun. – concluiu finalmente antes de colar seus lábios no dele sem qualquer aviso.

Mas ele já esperava por ela, suas mãos trancando na cintura fina e fazendo seus corpos imediatamente se grudarem com violência. A esta altura, não sabia se era a conversa exaltada de minutos atrás, ou a declaração sincera, mas eles podiam sentir aquela necessidade avassaladora que lhes queimava por dentro e impulsionava um para o outro.

— Hinata... – ele disse quando finalmente se separaram, ainda que continuasse distribuindo beijos pelo pescoço dela, e suas mãos trabalhassem em se livrar de sua roupa – Eu nunca mais vou deixar você ir. – sussurrou no ouvido dela, a ouvindo gemer quando a mão dele apertou seu traseiro – Mesmo que você queira. – e voltou a beijá-la.

Ela gemeu, fechando os olhos e deixando que aquele sentimento tomasse conta. Quando se separaram, ela o olhou ofegante e ainda mais certa de tudo o que havia falado minutos atrás.

— Eu nunca vou querer.

E com aquela promessa pouco romântica e até um pouco louca, eles sorriram ferozes antes de juntarem novamente seus corpos, mas dessa vez ele se livrou do kimono dela, enquanto ela ajudou a tirar sua camisa. Suas peles queimaram com o contato, e ela arranhou as costas musculosas quando sentiu as mãos dele apertarem seu traseiro e a trazerem ainda mais próxima dele.

Entre gemidos e apertos, eles logo estavam nus, ainda no meio da sala explorando o corpo um do outro sem qualquer pudor e sem nenhum cuidado.

O beijo era bruto como seus gestos, mais do que nunca eles queriam sentir, queriam abrandar aquele fogo e ao mesmo tempo consumi-lo até a última gota. No fundo, aquela era a única forma que eles tinham para expressar o que sentiam: raiva, revolta e a completa dependência que um tinha pelo outro.

Se era amor ou não, clichê ou não, não era mais importante.

Sem cuidado, ele a deitou no chão frio da sala e abriu suas pernas levantando as mesmas até apoiá-las em seu ombro. Hinata o esperava necessitada e se contorcia presa em seu próprio êxtase, desesperada pelo alivio que logo veio quando o sentiu entrar nela de uma vez. Ela arqueou e ele vislumbrou sua mulher completamente a sua mercê, engolindo seu pau e gemendo com isso. A visão era tentadora demais e ele começou a estocar de maneira lenta e tortuosa apenas para ver o rostinho dela retorcido, e então ela implorar por mais.

— Eu preciso...e-eu preciso.... – ela murmurava desconexa, sem saber exatamente do que precisava.

— Eu também. – ele respondeu em um rosnado animalesco quando se afundou nela sentindo seu pau ser recebido e apertado dentro de sua mulher.

Tudo era demais, as sensações, os sentimentos, mas nenhum dos dois pretendia acabar com aquilo.

Hinata sentiu-se sendo virada até que ficasse apoiada em suas mãos e joelhos e completamente exposta ao olhar faminto de Naruto.

— Por favor... – ela murmurou arqueando-se como um gato manhoso, apenas atiçando ainda mais o loiro.

Então ele logo estava grudado a ela, com um braço envolvendo sua cintura enquanto o outro subia por sua perna até se encontrar com o seu centro de prazer e ali começar a dedilhá-lo de forma quase torturante e provocativa, apenas sentindo o liquido lubrificante escorrer.

— Naruto! – ela engasgou afoita quando ele a penetrou com um dedo sem nenhum aviso e com o polegar começava a explorar a fenda de sua bunda – Eu preciso de você, agora! – ela implorou, seu corpo automaticamente indo de encontro a mão do loiro em busca de mais contato, mas o mesmo se afastou retirando sua mão e vendo-a gemer de frustração.

Naruto levou os dedos até os lábios e os lambeu sentindo o gosto da excitação de sua parceira, enquanto tinha a visão de sua Hinatinha completamente submissa implorando por um contato, as pernas abertas como um convite que em nenhum momento ele pensou em recusar. Com carinho, plantou um beijo nas costas suadas dela, e continuou subindo os lábios sentindo a maciez leitosa e o cheiro delicioso da pele pálida até chegar ao seu pescoço e em seguida a sua orelha onde ele mordeu de leve.

— Hoje eu vou te comer por trás, Hinatinha. – ele confessou obscenamente sentindo imediatamente o corpo dela se retesar, mas ainda sim sem fazer qualquer mensão de fugir. – Eu vou te foder com força como eu já queria a um bom tempo. E quem sabe assim você não se convença de que eu não sou seu príncipe encantado. – ironizou, mas no fundo, ainda frustrado com a conversa que eles tiveram minutos antes.

Para sua surpresa, a resposta da Hyuuga foi uma risada cansada e um longo gemido.

— Se é isso que quer, Naruto-kun, eu vou ter o prazer em te dar. – ela murmurou de olhos fechados, o rosto quente com o duplo sentido, mas seu corpo em brasas em antecipação. Então ela abriu os olhos e virou o rosto de modo que finalmente o visse, e ele também visse nos olhos dela a excitação – E quem sabe assim você se convença que eu não sou um anjo.

E aquelas palavras fora demais para ele que dividido entre o tesão e o desafio, voltou a se colar a Hinata, abrindo mais suas pernas e entrando em sua parceira lentamente.

Um gemido estrangulado saiu da morena ao sentir-se sendo preenchida e uma dorzinha incomoda que imediatamente alertou o ninja que na tentativa de relaxá-la, seus dedos voltaram a trabalhar no centro de prazer da moça que imediatamente engasgou com as pontadas de prazer que voltaram em seu baixo ventre.

Apesar de suas palavras anteriores, Naruto tentava não perder o controle e tinha o cuidado para não machuca-la, começando a se movimentar lentamente controlando os movimentos e segurando Hinata pela cintura.

Não demorou para que a Hyuuga logo estivesse rebolando no membro do seu parceiro, e se impulsionando contra ele para senti-lo mais fundo dentro de si.

— M-mais Naruto, por favor! – ela gemia e rebolava e Naruto beijou sua nuca na tentativa de conter um de seus próprios gemidos ao sentir seu pau sendo estrangulado pela entrada apertada e quente de sua noiva.

Sua mão ainda a masturbava ao mesmo ritmo das estocadas fazendo Hinata gemer cada vez mais alto e se contorcer com o prazer infinito.

Naruto por sua vez não gemia, ele rosnava e isso excitava ainda mais Hinata que nunca havia ouvido nada mais malditamente promiscuo em sua vida e fazia sua mente gritar por mais daquele prazer violento que se concentrava em seu baixo ventre e se espalhava por todo seu corpo.

As estocadas eram mais rápidas, mais fortes, mais profundas e a morena já sentia sua entrada dormente até um tesão arrebatador envolver todo o seu corpo quando o loiro atingiu seu ponto mais fundo ao mesmo tempo em que seus dedos também a penetravam fazendo Hinata arquear-se e sem conseguir mais aguentar, gozou, sentindo sua entrada apertar ainda mais o membro intruso.

Ao sentir seu pau ser estrangulado, o ninja se impulsionou o mais fundo possível e se deixou esvaziar dentro de sua amada a admirando cansada e corada, gemendo baixinho enquanto recebia sua semente.

Hinata deixou seu corpo cair no chão, incapaz de sustentar mais.

Naruto saiu de dentro dela, hipnotizado ao ver seu gozo escorrer pela cocha suada, preenchido por aquele sentimento de posse que sempre o tomava quando estava com a kunoichi. De repente toda a sua agressividade e repulsa por si mesmo deu lugar ao carinho por aquela bela mulher que teimosamente se negava a sair do seu lado.

Hinata mal conseguia se mexer, mas sentiu-se sendo virada com carinho até que suas costas voltassem a descansar contra o chão. O loiro a olhava com um sorriso cansado, ainda sim sincero o bastante para fazê-la sorrir também.

Cantarolando com a garganta, satisfeito, ele se jogou ao lado da morena e a puxou para seu peito, sem ter qualquer resistência. Ele podia ouvir sua respiração forte e entrecortada e deslizou sua mão pela coluna dela carinhosamente.

— Está errada. – ela o ouviu dizer quando já estava prestes a se entregar ao sono – Você é um anjo sim. O meu anjo.

As palavras doces a emocionaram, mas não tanto quanto o momento em que ela percebeu que ele tinha os próprios olhos marejadas provavelmente tentando conter as lágrimas. Ela ficou em silêncio deixando que ele desabafasse, mas o apertou em seus braços o máximo que conseguiu, demonstrando que estava ali para apoiá-lo.

***

Após um dia tranquilo ao lado de sua mãe, contando suas últimas semanas na vila das flores, Sakura decidiu fazer uma visita a Ino de quem não tinha noticias há algum tempo. Prevendo sua demora, ela decidiu também que se arrumaria lá para seu encontro com Hideo, quem sabe a porquinha tinha alguns bons conselhos para lhe dar sobre como aplacar seu repentino nervosismo.

Não queria colocar Hideo novamente na posição de substituto de Uchiha, não era justo e uma missão impossível. O diplomata não podia ser o responsável por mudar seus sentimentos, ela mesma tinha que fazê-lo, por isso resolveu que apesar do encontro daquela tarde, deixaria claro ao homem que preferia ficar sozinha por mais algum tempo. Era o certo a fazer.

— Sakura-san...?! – a voz fina e estridente lhe chamou a atenção e ela virou-se para encontrar a figura baixinha da enfermeira Yuna.

Ela vestia a roupa de enfermeira do hospital, impecável como sempre, mas ao contrário do normal, suas feições estavam cansadas e seu olhar um pouco frustrado.

— Yuna-san! yO! E-está indo para o hospital?

— Não... – a japonesa de olhos e cabelos muito negros resmungou, os lábios espremidos em uma fina linha de preocupação

— A-algum problema Yuna-chan?

A enfermeira parecia um pouco hesitante em falar, mas por fim suspirou vencida.

— Gomene Sakura-saaan, mas eu fracassei!!! – ela desabou finalmente chorosa deixando a rosada agora realmente preocupada.

— Yuna-saaan! O que houve? Fracassou em que?

— Em cuidar do Uchiha-san!! Gomenasaaaai – ela choramingou se jogando nos braços da outra.

— Hã????? M-maas eu não sabia que era você quem tinha sido designada para isso!

Yuna era uma enfermeira novata, e a mais nova em idade, mas tão boa e competente quanto as outras, dedicada e amorosa, as crianças a adoravam, contudo a doce enfermeira não era uma opção viável para o irônico, sarcástico e maléfico Uchiha. Sakura sabia bem disso e por isso, na lista de nomes que dera a Tsunade como opções para substituta, o nome de Yuna não constava.

— Na verdade...depois da quinta desistência, nenhuma outra enfermeira ou médica quis cuidar do Uchiha-san...e-então...e-eu p-pensei que...Sakura-san ficaria triste caso seu paciente não melhorasse por falta de cuidados adequados...por isso e-eu me voluntariei...m-mas...m-mas... – nesse momento ela fungou alto e voltou a cair em prantos – Uchiha-saaaan me expulsou, e me ignorou, gomeneeee Sakura-saan, eu não fui forte o suficiente.

— Não Yuna!! A culpa não foi sua, por favor! Não era sua responsabilidade.

Agora Sakura estava realmente chateada com Sasuke, mas do que isso, irada. Por culpa da sua insensibilidade, uma das pessoas mais doces e felizes que conhecia estava se sentindo um fracasso.

— M-mas agora o Uchiha-san estagnou em sua melhora. Ou pelo menos nós achamos já que ele se recusa a fazer mais testes... – Yuna continuou a relatar em um murmúrio.

— Yuna, eu quero que vá até o hospital e diga que eu autorizei sua folga. Depois vá para casa e descanse o quanto quiser. Isso é uma ordem. – a rosada disse calma, mas firmemente e viu com satisfação um pequeno olhar de admiração da mais nova.

— Arigatou Sakura-saaan.

— Mais uma coisa. Pode me fazer um favor?

— Qualquer coisa, Sakura-san!

— Amanhã, prepare todos os testes que o Uchiha precisa fazer.

— M-mas ele se recusa.

— Ele irá. Amanhã sem falta.

— Ok...

As duas então se despediram, contudo enquanto Sakura via Yuna se afastar em direção ao hospital, ela olhou para o lado contrário. Ino iria ter que esperar mais um dia. Ela tinha contas a acertar e torcia para que Sasuke Uchiha estivesse preparado para uma boa luta.

***

No clã Uchiha, vozes alteradas já podiam ser ouvidas de dentro da casa principal, contudo se houvesse vizinhos os mesmos não estariam surpresos.

— Baka!!!!! Você não vai fugir e me deixar sozinho novamente!! – Kiba vociferava para a garota morena que comia um lanche despreocupadamente na mesa da cozinha.

— Eu não vou ficar perdendo o meu tempo em uma vila em que nada acontece.

— Não interessa. É nosso turno de patrulha! – ele bateu o pé, bufando, mas viu de esguelha um sorriso maroto se formar nos lábios avermelhados da Uchihas.

— Eu posso pensar em uma ou duas coisas boas para fazermos nesse turno de patrulha. – Ela disse, se aproximando sorrateiramente do outro ninja, suas mãos já subindo pelo torso dele eroticamente.

— Eu não vou cair ness... – o Inuzuka, entretanto nem teve tempo de continuar a falar, quando sua boca foi tomada pela da morena perigosa que imediatamente colou seus corpos e passou seus braços pelo pescoço dele.

O relacionamento deles era assim, entre discussões e beijos, e brigas e sexo quente, eles se aturavam cada dia com mais facilidade, mesmo que se esforçassem ao máximo para demonstrar o contrário.

O Inuzuka se deixou aproveitar por mais um segundo o gosto da boca da Uchiha e o modo como ela o provocava mordendo seu lábio inferior, antes de delicadamente se afastar dela e interiormente admirar o modo adorável como ela o olhava irritada.

— Cadê seu noivo?

Ele passou a chamar Sasuke assim – quando o mesmo estava bem longe, claro – apenas para provocá-la, mas Sayuri sabia que havia uma pontinha de ciúmes junto com a ironia, o que a deixava envaidecida ainda que ignorasse a pontinha de alegria incomum por parte dela mesma.

— Está no mesmo lugar de sempre. – o olhar dos dois foi em direção ao fundo da casa.

Agora em silêncio, eles podiam sentir as pequenas vibrações de chacra e a respiração pesada do ninja treinando solitário no dojo pessoal.

— Ainda fugindo da nova enfermeira?

— Como se ele fugisse. Ele expulsa elas no momento em que põe os pés aqui. Mas essa última até que foi bem mais persistente que as outras.

— Ela era uma garota gentil e fofinha. – Kiba lembrou da pequena figura saltitante e de sorriso alegre que não tinha ideia do inferno que estava entrando ao entrar no bairro Uchiha.

Mas inferno mesmo foi o que o ninja visualizou ao notar a expressão fechada e fria da morena em sua direção.

Felizmente o momento – e a vida dele – foi salvo por batidas reticentes na porta. Imediatamente a expressão enfurecida de Sayuri se derreteu e se tornou confusa por um instante até ver a figura de cabelos rosados entrar.

— Será que eu estou presa em um genjutso ou realmente estou vendo a tuttifrutti-haruno dar o ar de sua graça?

Kiba olhou para a parceira com repreensão, mas a mesma o ignorou categoricamente sem tirar os olhos de Sakura. Esta, por outro lado, agora parada na porta de entrada também encarava a Uchiha com firmeza, e uma ponta de tensão já habitual, contudo dessa vez a tensão não era por causa de Sayuri.

— Cadê o Sasuke? – ela foi direta, e o sorriso da outra apenas aumentou.

— Uau, a saudade realmente é grande heim?! Mas pra ser sincera chiclete, eu não sei se o Sasu-kun vai querer te ver...hei!!!! – exclamou surpresa quando a rosada passou por ela sem nenhuma hesitação.

— Eu acho que ela não ‘tá muito pra conversa hoje. – Kiba comentou e acabou recebendo um soquinho da moça, em seguida os dois seguiram a Haruno em direção ao dojo.

Sakura encontrou Sasuke trajando apenas a parte de baixo de sua roupa de treino, e nas mãos sua katana dos tempos de Hebi que ele empunhava em movimentos fluidos e quase gentis. O impacto de vê-lo depois daquelas semanas não foi pequeno, mas tão pouco esmoreceu sua fúria em direção aquele homem que tratou tão cruelmente a doce Yuna.

Lembrar da enfermeira chorosa quase a fez explodir.

— Qual diabos é o seu problema? – ela disse entre dentes tentando manter o controle. Segundos se passaram sem resposta e ela teve de respirar fundo – Sasuke...por que? Por que está recusando o tratamento?

Novamente sem resposta. Só dessa vez ela não estava disposta a desistir, e sob os olhares chocados de Kiba e Sayuri, aproximou-se do ninja em treinamento até que estivesse perto o suficiente para ser acertada pela katana, mas a mesma foi parada a poucos centímetros do seu rosto.

Os dois ninjas que observavam a cena não acreditavam na coragem de Sakura aquele momento, e haviam prendido a respiração no momento em que viram aquele casal agora frente a frente.

— Eu não sei como o meu tratamento ainda é da sua conta. – Sasuke finalmente respondeu. O tom apático, desprovido de emoção estava de volta.

— É o meu programa de recuperação, é claro que é da minha conta! – ela rebateu irritada, as mãos no quadris e o corpo inclinado sobre ele de forma desafiante. – E quanto as medicas e enfermeiras que você dispensou tão cruelmente?

— Eram irritantes. – ele disse simplesmente, com arrogância antes de se virar e guardar a katana.

— Eram profissionais! E você as tratou como lixo, alias como você está acostumado a tratar a todos que tentam ajudar você!!

— Xiiiii.... – Kiba assoviou e recebeu uma cotovelada de Sayuri que o fez se calar.

— Kami-sama! Será que...- ela hesitou em sua própria exaltação e o olhou ainda de costas — ...você não quer se curar? Ou já está enxergando e apenas quer nos fazer de trouxa?

Quando o Uchiha virou o rosto em sua direção, ela teve sua resposta. Os olhos escuros dele ainda eram opacos e o leve espremer do canto dos olhos evidenciava sua pouca visão. Com o atraso das sessões do programa, provavelmente a cegueira evoluiu novamente, mas Sakura podia apostar que o moreno não estava completamente cego.

E estava certa em tudo. Desde que a rosada havia saído do bairro, e ele se recusado a continuar o tratamento, sua visão novamente voltou a regredir, e as imagens que antes eram quase nítidas, agora voltaram a ser linhas borradas e acinzentadas a sua frente.

— Seu trabalho aqui acabou.

— Eu não entendo. O que está querendo afinal? Prejudicar meu trabalho? É isso Uchiha?

Entretanto para sua surpresa, os lábios de Sasuke se repuxaram em um sorriso irônico enquanto ele aproximava-se da rosada a passos lentos.

— Você é a única que desistiu do seu trabalho. – Ele disse, com o sorriso morrendo quando ele estava novamente frente a frente com ela – Você é a única covarde aqui.

E aquilo foi a gota d’agua.

Sakura nem realmente percebeu o que fizera até sentir a ardência em sua mão e em seguida ver uma marca vermelha surgir na bochecha direita e pálida do Uchiha.

— Mais calma agora? – ele teve a coragem de provocar e novamente seria alvo de um tapa se não tivesse agarrado a mão da kunoichi a tempo – Você teve sua chance.

Perto deles, Kiba automaticamente retesou seu corpo com o mínimo indicio de que a kunoichi poderia estar em perigo, mas foi rapidamente interceptado pela outra ao seu lado que lhe deu um olhar silencioso que ele entendia muito bem.

“Fique longe”, era o que dizia. E a contragosto o parceiro de Akamaru aceitou, apesar de manter a postura tensa demonstrando que estava pronto para defender Sakura caso fosse preciso.

“Cavaleiro de meia tijela”— Sayuri pensou com enfado, antes de voltar a olhar para a cena que se desenrolava a sua frente.

Enfim aconteceria afinal. O embate decisivo do casal mais clichê de toda a Konoha. Itachi amaria ver a que ponto seu precioso irmãozinho chegara por culpa daquele sentimento que nenhum Uchiha era suposto a ter, mas que no fundo era seu maior ponto fraco.

— Você é um imbecil Sasuke Uchiha! – a explosão de Sakura seguiu-se de um soco poderoso que Sasuke teve de se afastar para não ser atingido. Mas ele não iria conseguir fugir da nova fúria que crescera dentro dela naquele momento, e sem se quer hesitar, ela o seguiu com agilidade e ferocidade – Um arrogante! Um cretino!

E a cada ofensa, ela lhe deferia um golpe que o Uchiha se esquivava, ainda que com um pouco de dificuldade, mas que apenas aumentava a irritação por parte da kunoichi.

— Maldito manipulador! – mais um golpe e dessa vez ele conseguiu segurar seu punho a poucos centimentros do próprio rosto.

— Eu nunca manipulei você.

— E também nunca me amou. – e nessa ultima explosão, que pegou a todos de surpresa, inclusive a própria kunoichi, ela conseguiu acertar um soco certeiro no rosto do ninja que cambaleou para trás antes de cair com um joelho no chão.

— Sasu...!! – Sayuri deixou escapar, em seguida tapando a boca com a mão e olhando para os dois alternadamente.

Um clima tenso se passou pelo dojo, e Sakura sentiu seu coração disparado enquanto olhava para o Uchiha ajoelhado a sua frente ainda com a cabeça baixa. Por um instante, ela quis apenas fugir dali, até sentir seu braço ser segurado com firmeza e voltou a olhar para o moreno que mantinha a cabeça baixa, ainda que agora tinha o braço estendida segurando o dela, como se adivinhasse suas intenções.

— Eu sei que está magoada...

— Eu já passei dessa fase, Uchiha. – a rosada ironizou com um sorriso frio – Nós já passamos disso. – duramente, ela recolheu seu braço do aperto dele. – Eu acho que...agora pensando bem, no fundo nós sabíamos que essa relação não daria certo.

— Sakura...

— Não, tudo bem. – ela o cortou novamente, mas desviando seu olhar, agora incapaz de enfrentá-lo — A culpa é minha também. Tão boba e ingênua presa em uma fantasia infantil. Iludida que com a sua volta, tudo ficaria bem e o passado sumiria num passe de mágica, e o futuro seria um conto de fadas. Mas a realidade é diferente. Você ainda é...

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— ...eu ainda sou um Uchiha. – Sasuke completou baixo, já de pé, e Sakura apenas entendeu ao lembrar de uma conversa com uma outra certa Uchiha.

— É – ela concordou enquanto seu olhar ia em direção a outra morena no recinto, e em seguida voltava para Sasuke — E Uchihas não amam não é?! –– ironizou venenosa, ao mesmo tempo em que uma lágrima solitária caia dos olhos verdes, que se arregalou levemente em surpresa quando uma mão quente pousou em seu rosto e o polegar se arrastou por sua bochecha levando consigo a lágrima. E se surpreenderia ainda mais com as próximas palavras do ninja.

— Isso é um problema então... – ele murmurou ainda tocando o rosto feminino como se tentasse memorizar cada detalhe do mesmo, até tocar em seu lábio e fixar seus olhos opacos nela — ...por que eu amo você.

— Nani? – antes que as palavras pudessem fazer qualquer sentido na cabeça da kunoichi, a mesma se viu nos braços do Uchiha que aproveitando-se de seu estado fez a última coisa que a rosada esperava.

A beijou.

E mesmo com surpresa, ou com raiva, ou frustrada e ressentida, naquele momento seu coração disparou perigosamente, enquanto aquele calor súbito e gostoso que ela conhecia muito bem e a muito tempo não sentia, se apossava de cada célula do seu corpo.

E tudo isso por que Sasuke Uchiha lhe roubou um beijo.

Mas apesar de inegável as sensações que Sasuke ainda conseguia despertar nela, uma pequena parte racional e quebrada de sua mente ainda gritava o erro que aquilo era e que a kunoichi não era mais aquela garotinha apaixonada. E forçando-se a acreditar nessa pequena parte, ainda que entorpecida pela saudades, Sakura se afastou.

Não souberam precisar quanto tempo, eles apenas ficaram ali se olhando, mas antes que qualquer um pudesse falar, uma nova voz chamou suas atenções:

— Por favor não parem por minha causa.

Sayuri e Kiba não estavam mais sozinhos na porta de acesso ao dojo, dois passos atrás deles, estava Hideo e ele estava furioso.

Imediatamente Sakura lembrou-se da confusão de endereços que deveria ter resolvido naquela manhã, e quem sabe evitado tudo aquilo. Envergonhada, ela automaticamente deu um passo em direção ao diplomata, mas o mesmo a parou com um gesto de mãos. Sua expressão era dura agora e decepcionada.

— Essa manhã, eu realmente achei que você havia superado essa sua...obcessão, Sakura, mas infelizmente eu me enganei.

— Espera! Não é nada disso... – mas ela nem terminou, ao vê-lo lhe dando as costas e indo provavelmente em direção a saída.

Arrasada, ela se culpou por magoar o rapaz, mas então ao ver o sorrisinho irônico de Sayuri e a forma calma de Sasuke, ela se deu conta de que era obvio que o mesmo sentira a presença do diplomata e por isso a beijou de surpresa, e novamente sua raiva por ele voltou.

— Você continua sendo um egoísta. Espero que esteja satisfeito – ela murmurou secamente – Vocês dois. – completou ao passar pela morena e se dirigir até a saída.

— Droga Sayuri, eu disse que deveríamos ter impedido o cara de entrar. – Kiba resmungou para a parceira, mas a mesma o ignorou enquanto olhava para Sasuke.

— Não precisa me agradecer. – ironizou para o outro Uchiha que ainda mantinha-se em silencio – Agora deixe de ser um bundão e vai de uma vez atrás da chiclete sem gosto, e a traga de volta. – completou para a surpresa dos dois ninjas – De preferência arrastada pelo cabelo de algodão doce. – sorriu maldosamente, de novo puxando Kiba para ir junto com ela e deixando o outro Uchiha sozinho.

Mas dois segundos depois, ele também saiu.

***

— Hideo! Me escuta por favor. Realmente você entendeu mal. – Sakura implorou ainda que sem saber exatamente o que falar ao ex-namorado. – Eu não sei o que você viu...

— Eu vi Sasuke Uchiha a beijando.

— Exatamente! Ele me beijou! Mas eu...eu... – no fundo ela esperou que o diplomata a cortasse, mas ao contrário, ele esperou. E esperou pacientemente por um longo minuto de silencio até que ela desviasse o olhar derrotada sem saber o que dizer a não ser: — Me perdoe.

O diplomata soltou um risinho enfadado e aproximou-se da rosada, levantando seu queixo para que ela o olhasse novamente.

— Você não precisa que eu a perdoe. Claro que eu preferia não ter presenciado aquilo, mas...

— É isso que eu quero lhe dizer. Eu não estou mais morando no bairro Uchiha! Essa manhã, eu fiquei realmente feliz ao reencontrá-lo e ainda mais com o convite e acabei esquecendo de falar. Por isso eu pensei em sair mais cedo e...

— Senão está mais morando lá, o que fazia na casa dele então?

— Eu não fui para vê-lo! Eu não sou mais sua médica. Mas eu soube que ele se recusa a fazer o tratamento e... – ela hesitou diante do olhar sarcástico de Hideo – Espera, não é o que você está pensando. Ele estava aterrorizando as outras médicas.

— Então você é a única que pode cuidar dele. – Hideo concluiu deixando novamente a rosada sem palavras – Por favor Sakura, eu sei que você é mais inteligente do que isso.

— Você não entende. – ela murmurou derrotada.

— Não. Eu realmente não entendo como você se deixa ser manipulada por aquele traidor imundo que só te usa. – as palavras ferinas dele a machucaram e a fizeram sentir-se novamente a garotinha boba de anos atrás. – Ele não ama você, Sakura, como não consegue ver isso? Ou você não quer ver isso, sei lá.

— Eu e ele não temos mais nada.

— Se isso é verdade, então se afaste dele completamente e fique comigo.

A proposta a pegou de surpresa, mas ela viu nela sua chance de provar que realmente mudou. Hideo fora o único homem que lhe despertou algum sentimento além da amizade, não era amor, mas no fim das contas o que o amor enlouquecido tinha lhe dado de bom afinal?

— Haruno.

Ela virou-se assustada e lá estava o homem dono de seu coração e que o fez em pedaços. Sasuke usava o que parecia uma bengala e emanava chacra, provavelmente para assim se guiar pelas ruas, mas que fazia sua figura parecer transcendental. Tão bonito e tão perigoso.

Uma fina garoa que ela não tinha notado até então começava a engrossar molhando sua roupa e a rua que naquele momento estava deserta. De cada lado seu um caminho diferente. Um com o futuro inexplorável com Hideo, com tantas possibilidades e incertezas. O outro baseado em um passado turbulento e intenso com ainda mais incertezas.

— Está enganada. – Sasuke disse então de repente chamando sua atenção, e ela o olhou com confusão – Eu nunca duvidei que o nosso relacionamento ia dar certo.

— Não? – ela soltou uma risadinha sem humor – Eu achei as alianças. – afirmou, satisfeita ao ver o rosto dele se contrair em choque – Eram dos seus pais não é?! Por que nunca me mostrou? Admita! Você era tão inseguro sobre o nosso casamento quanto eu.

Um minuto se passou sem nenhuma resposta e Sakura pensou que a mesma nunca viria, até ouvir novamente a voz do Uchiha e suas próximas palavras a surpreenderam.

— Pode ser. Mas minha única insegurança era de que um dia você se desse conta... – ele hesitou para a confusão da rosada que olhou naqueles olhos opacos em busca de respostas.

— ...de que? – indagou vendo um pequeno sorriso despontar nos lábios dele tão triste.

— ...de como eu não mereço você.

A gargalhada de Hideo ecoou pela rua deserta junto com a chuva, mas o olhar de Sakura continuava fixo no Uchiha e o dele nela mesmo que não pudesse vê-la com clareza.

— Eu nunca pensei que um dia fosse ouvir o frio e distante Sasuke Uchiha apelar para um discurso tão clichê. – Hideo exclamou venenosamente e dessa vez quebrou a distancia com a kunoichi a passos rápidos e pegou em sua mão novamente chamando sua atenção – Mas ele está certo. Ele não merece você.

Sasuke ficou tenso, mas também se aproximou de Sakura ainda que não tão perto.

— Mas eu nunca duvidei de que eu amo você.

Ouvir novamente aquelas palavras a faziam estremecer.

— Se a ama de verdade, então sabe o quanto faz mal a ela.

— Sinto muito Masako! – Sasuke disse mais alto, surpreendendo por saber o sobrenome do diplomata, e dessa vez pegou na outra mão de Sakura – Mas eu não vou desistir dela dessa vez e nem nunca mais. – continuou firmemente com a atenção da rosada sobre si completamente – Eu a deixei ir muitas vezes, muitas vezes por orgulho e tantas outras por achar que era a coisa certa a fazer. Eu a magoei e talvez você nunca me perdoe e se assim for, eu vou aceitar, mas eu nunca fiz mal a ela sem machucar a mim mesmo no processo. Está certa quando diz que eu sou egoísta, e arrogante e até mesmo um cretino, mas eu nunca enganei você sobre meus sentimentos. Meu único arrependimento é talvez não tê-los dito em voz alta mais vezes, mas eu sei que você pode sentir com o meu toque e com o meu beijo, assim como eu sei que esse sentimento ainda não sumiu dentro de você também. Por isso, eu não aceitei que nenhuma outra médica continue o tratamento e nem vou deixar, por que eu não me importo de continuar cego.

— Está vendo!! Ele está tentando te manipular novamente! Ele é inacreditável!

— É exatamente o que eu estou fazendo! – Sasuke admitiu para o choque dos outros dois – Eu tomei minha decisão, Sakura. Eu não vou desistir de você, mas se não quiser ficar comigo, então eu vou respeitar sua decisão e vou embora da vila.

— Nani? Você não está falando sério.

— Você sabe que eu estou. – falou simplesmente e Sakura sabia que era verdade.

Estarrecido com o rumo daquela conversa, Hideo jogou sua última cartada e segurou os ombros de Sakura a virando completamente para ele, no processo a afastando do aperto do Uchiha e rezava para que também da sua influencia.

— Eu também falo sério quando digo que amo você, Sakura. Que podemos ter um futuro brilhante juntos e que eu nunca a farei sofrer do modo que sofre constantemente por causa desse canalha traidor. Por favor, por favor, pense em você!! – ele disse com desespero que apenas se intensificou a medida que os segundos foram se passando e não teve nenhuma resposta a não ser o olhar assustado de sua amada.

Mas foi ao olhar para a mão dela e notar que mesmo longe, sua mão continuava conectada frouxamente a do Uchiha que ele teve sua resposta.

Um nó se formou em sua garganta enquanto ele apertava o braço dela com um pouco mais de força, mas sem a intenção de machucá-la, mas na verdade, no intuito de controlar sua própria tristeza que era mais profunda naquele momento do que imaginava.

— Hideo... – Sakura começou, mas foi então calada pelos dedos dele em sua boca.

— Eu não quero ouvir. – murmurou sentindo as lágrimas quentes se misturarem com as gotas de chuva em seu rosto – E também não quero ver. – e falando isso, ele a soltou, dessa vez completamente. – Eu não sou hipócrita para desejar felicidades, mas eu espero que você fique bem. Adeus Sakura.

E então rapidamente e sem olhar para trás, ele simplesmente se foi deixando os outros dois sozinhos.

— Sakura. – Sasuke chamou sua atenção, mas foi como se tivesse a acordado de um poderoso genjutso.

— ME SOLTA! – ela berrou se afastando dele novamente – POR QUE FAZ ISSO? SERÁ QUE SENTE TANTO PRAZER EM VER QUE EU NÃO CONSIGO ME AFASTAR DE VOCÊ? ESTÁ FELIZ AGORA? EU...EU...eu não sei o que me deu, mas eu não vou ser mais uma bonequinha pra você Sasuke Uchiha! Eu não sou mais aquela garotinha idiota que corria atrás de você! Eu não sou mais aquela ingênua apaixonada! Eu agora consigo te ver como você realmente é! Um psicopata arrogante, insensível, imbecil, cretino e eu...EU OD... – suas palavras então foram cortadas bruscamente quando sentiu-se novamente nos braços de Sasuke e ele apertou seus lábios contra os dela com força a calando e em seguida se afastando.

— Você não me odeia. Você me ama. – Novamente um outro beijo roubado, mas agora menos rude e ele tinha um sorriso arrogante nos lábios – E eu amo você também sua idiota teimosa, e você vai ser minha boneca até que a morte nos separe. – e dizendo isso ele trouxe a mão dela aos seus lábios e beijou o anel de noivado que ela nem havia percebido que ele havia colocado de volta. – Você me aceita, Haruno?

— Aceito.

E então finalmente – finalmente!! – ela aceitou o beijo dele sem nenhuma hesitação. E mal seus lábios se tocaram, foi como se mil fogos de artifícios explodissem em sua cabeça e fogo liquido queimassem em suas veias. Não poderiam mais negar.

No final Hideo estava certo. Ele nunca a faria sofrer do mesmo modo, por que Sasuke era o único que tinha o poder de abalar Sakura tão profundamente que era como se ele tivesse um pedaço de si. E ele tinha. O coração dela irrevogavelmente era seu.

***

Kaori mantinha-se parada na porta do quarto há alguns minutos observando a figura da loira sentada no parapeito da janela com um livro desgastado em seu colo e um olhar vago no horizonte.

Um dia, quando a Yamanaka achou estar sozinha, ela ficou apenas de roupas intimas e passou longos minutos admirando seu corpo no espelho. Ela já estava com mais de dois meses e sua barriga antes lisa e definida já mostrava a flacidez e uma saliência no baixo ventre, seus seios também já eram visivelmente maiores. Kaori viu o sorriso da loira enquanto alisava a barriga ainda pequena, um sorriso sincero que a muito tempo não via em seu rosto, mas que incomodou a princesa o suficiente para ela bufar apenas com a lembrança e acabar chamando a atenção da kunoichi.

— Ah...será que quer alguma coisa, kaori-chan?

— Como se você pudesse fazer algo pra mim? – a princesa ironizou acidamente, sempre na tentativa de provocar a loira, mas sempre fracassando pois a mesma apenas a olhava de forma quase maternal e assentia pacientemente. – Argh quer saber, eu vou dar uma saída por que essa sua cara tá me dando raiva.

— Tome cuidado.

Kaori nem se dignou a responder e se foi.

Ao se ver novamente sozinha, o sorriso de Ino foi morrendo pouco a pouco enquanto seu olhar se voltou para o livro em sua mão. Ao abri-lo havia duas cartas, ambas com informações que mudariam sua vida para sempre.

“Querida sobrinha, eu ficaria mais do que feliz de recebê-la em minha casa. Você e seu bebê são bem vindos para ficar o tempo que quiserem. Com amor, titia.”

“Yamanaka, eu quero que saiba que apesar do nosso último encontro ter terminado daquele jeito, eu nunca desistiria de um filho meu. Estou voltando. Precisamos conversar. Gaara”

***

Hinata abriu os olhos em sobressalto ao sentir Naruto levantar-se tenso.

— O que foi, Naruto-kun? – perguntou preocupada ao ver os olhos do amado escurecidos.

— Tem alguma coisa errada.

***

Hanabi passeava tranquilamente pela vila, curtindo a chuva livremente como a muito tempo não fazia sem a escolta de Neji ou outro Hyuuga. Sentindo-se incrivelmente aliviada, ela se deixou sentir os pingos de chuva em seu rosto e sorriu para o céu.

Mas ao voltar a andar, percebeu uma sombra há alguns metros que a fez ficar na mesma hora tensa, até reconhecê-lo.

— Konohamaru! Baka! Me assustou! – ela correu até o amigo e tocou seu ombro, mas na mesma hora arrependeu-se ao sentir aquele chacra.

Quando o rapaz virou-se, seu rosto estava retorcido em uma careta macabra que ela conhecia muito bem.

— Nos encontramos de novo, Hyuuga!

— Shinigami.

Notas finais
É isso! Muito curiosos? Espero que sim kkkk Aos fãs de SasuSaku, espero que tenham gostado! Não percam os capitulos finais da fic! Espero reviews com a opinião de vocês, mas espero mesmo que tenham gostado. Beijinhos até a próxima!!!