Paraiso Imperfeito
32 Obsessão
Notas iniciais
“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”
O dia amanheceu preguiçoso, com o sol periodicamente se escondendo por trás das nuvens. Em uma das suas aparições, seus raios passaram pela janela em um dos quartos da mansão acordando uma loira que ainda dormia profundamente entre os lençóis de seda na cama quentinha.
Um resmungo fraco saiu de seus lábios enquanto seus olhos se apertaram, irritados, antes de se abrirem e piscarem repetida vezes antes de focarem no teto dourado dos seus aposentos. Alguns segundos se passaram, apáticos, antes da kunoichi levantar-se em um pulo ao lembrar-se do que acontecera na noite anterior.
A festa. O estabulo. Sexo. Gaara.
Merda, havia acontecido novamente. Fora fraca e acabara transando novamente com o kazekage, em um nojento estabulo, em meio ao feno e a cavalos! Era oficial. Havia se rebaixado ao maior nível de indignidade.
– E tudo por culpa daquele narcisista, maníaco, controlador! – ela balbuciou quase desesperada, enquanto afundava seus dedos entre os cabelos loiros bagunçados e sentia alguns fios de palha emaranhados.
Ela então se deu conta de onde estava, e que não lembrava-se de ter voltado ao quarto depois da sessão de sexo selvagem no estabulo, e seu coração bateu ainda mais acelerado ao chegar a conclusão que em algum momento da noite, ou do dia, o Sabaku havia a carregado e a levado até seu quarto, onde a deitou na cama e a cobriu com os lençóis de seda. Tudo isso com ela nua, visto que ela continuava sem nada cobrindo seu corpo a não ser o lençol.
Em uma olhada rápida ela encontrou suas roupas de gala em cima da escrivaninha.
Batidas na porta, entretanto, a tiraram de seus pensamentos e ela reconheceu a voz de Choiji.
– Ino! Acorde logo! Partiremos para Konoha em uma hora! – ele gritou do lado de fora, fazendo a loira relembrar sua viagem de volta para a casa.
“Logo agora!”, ela pensou para em seguida repreender-se mentalmente. “Não! Finalmente! Finalmente voltarei para Konoha e ficarei longe o suficiente daquele ruivo dos infernos e esquecerei toda essa merda!”
Repetindo isso para si mesma, mais como uma tentativa de autoconvencimento do que qualquer outra coisa, ela começou a preparar-se para a viagem de volta.
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– Ohayo! – Sayuri entrou na sala do chefe e carrasco sem qualquer cerimonia, já esperando encontrar o Uchiha inexpressível e organizado de sempre.
Entretanto em anos convivendo com Itachi, anos de treinamento, e meses convivendo com Sasuke, nada a preparou para o que encontrou na sala.
O local sempre impecável, agora era abarrotado de papeis jogados pela mesa e pelo chão, este também sujo com garrafas de sake. Não uma, mas várias, muito mais do que ela própria conseguia beber sem desmaiar. E foi exatamente nesse estado que a Uchiha encontrou o moreno atrás da mesa e das montanhas de papeis, sentado em sua cadeira, com a cabeça sobre um dos braços apoiados sobre a mesa, enquanto o outro estava contra o peito dele segurando algo.
A curiosidade foi maior e sem ao menos considerar as consequências, ela estendeu a mão em direção a ele, mas antes que ela chegasse próximo, foi agarrada brutalmente e viu dois olhos vermelhos a fitando com frieza.
– Ohayo. – ela disse sem se intimidar quando ele a empurrou para longe e desativou o sharingan. – A noite foi bem longa heim?! Me diga que não bebeu tudo isso sozinho. Vai ser deprimente. – zombou.
– Não é da sua conta. – ele resmungou, altivo. Infelizmente para ele, a grande quantidade de álcool consumida na noite anterior ainda fazia um pouco de efeito e seus joelhos fraquejaram o obrigando a segurar-se na mesa ao se levantar. Com isso, o que estava em seus braços caiu no chão.
Sayuri não perdeu tempo e pegou o que ela descobriu ser um porta-retratos, e para sua completa surpresa e até um pouco de nojo, viu a foto de Sakura e Sasuke. A rosada tinha um sorriso tão grande que lhe causava ânsia de vomito. Entretanto, ela não teve muito tempo para resistir ao impulso, uma vez que a moldura foi arrancada de suas mãos com rapidez e agressividade, a mesma agressividade que agora ela via no rosto deformado de Sasuke.
– Não mecha no que não é da sua conta!! – ele quase rosnou. As pupilas dilatadas e o ar descontrolado, cortesias do álcool ingerido, o deixando com um q assustador que a outra Uchiha nunca tinha visto.
– Ok. –ela levantou as mãos em sinal de rendição, mas seu sorriso era sarcástico – Eu não vou mais tocar no assunto de você estar choramingando pelos cantos por causa do algodão doce com pernas.
– Eu não estou choramingando!
– Oh por favor! Seu pai e sua mãe devem estar se revirando no tumulo por ver seu caçula nesse estado deplorável por causa de uma mulher! Itachi então, deve estar debochando de você!
– Não fale da minha família!! Ou de Itachi!
– Engraçado. Ele também falava assim. Como se vocês fossem de famílias diferentes... – ela devaneou sem se importar com a expressão de desgosto do outro Uchiha enquanto colocava a cabeça entre as mãos e apoiava os cotovelos sobre a mesa – Entretanto ele defendia seu nome como se ouvisse alguém defendendo até o próprio kami-sama. – ela o olhou enviesado — Igual a você.
– Cale a boca! Apenas vá embora. – ele resmungou.
– Claro, claro. Você precisa de mais um tempo sozinho para sentir autopiedade.
– Saia daqui!! – ele disse já alterado, levantando-se da cadeira com um impulso irritado, ao mesmo tempo a porta se abriu e Kiba colocou a cabeça para dentro.
– Ohayo... – ele disse com cuidado, olhando ao redor, sentindo a tensão no ar, mas vendo o sorriso altivo da sua parceira – Houve um assalto em uma loja de roupas. Eu pensei que...
– Vá com Sayuri! – Sasuke foi rápido em ordenar e Kiba esperto o suficiente para obedecer.
– Vem. – o Inuzuka saiu puxando a moça, que ainda insistia em olhar para o chefe com deboche.
– Continuamos nossa conversa mais tarde, Sasuke. Eu trago chocolates para você! – Mas tudo o que recebeu em resposta foi a batida da porta em sua cara com a força de um chacra irritatiço. Ela riu com a expressão chocada do parceiro. – O que?
– Você não tem limites não é mesmo?! Um dia ainda vai se encrencar. E pior! Me encrencar!
– Não seja uma mocinha também!
– Cala a boca!!!
Ela riu enquanto ainda era arrastada por Kiba.
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– Chocho, não demore a me mandar noticias, onegai. – A babá de Ichigo disse com aquela voz doce e melosa enquanto fazia um cafuné em um chouji manhoso e sentimental – Aqui está sua mochila com alguns doces, pães, sucos e outras comidinhas para o meu chocho não morrer de fome. – Completou enquanto entregava ao ninja uma gigantesca mochila que cheirava a bacon.
– Eu vou sentir tanta falta de você! – Chouji soluçou, enquanto levantava a babá do chão com seu abraço de urso.
– Dela ou da comida? – Temari alfinetou, mas os dois nem ligaram e Shikamaru suspirou entediado, até sentir algo abraçar suas pernas. Era um Ichigo choroso.
– Oto-saan!
O garoto não demorou nem uma hora para reconhecer Shikamaru como seu pai e sempre o chamava assim, para a surpresa e completo afeto do ninja de Konoha, e emoção bem escondida da princesa de Suna.
– Porque vai embora? – o garotinho tinha os olhos vermelhos e as bochechas infladas, de modo que comoveu até mesmo o ninja preguiçoso e ele abaixou-se de modo a ficar na altura do pequeno – Não quero que o Sr. vá embora!
– Ora não precisa chorar, vai ser por pouco tempo.
– Promete?
Shikamaru olhou nos olhos chocolates inchados e vermelhos, no rostinho moreno retorcido pela tristeza e pensou, não pela primeira vez, que Ichigo era seu filho. Não apenas adotado por ser filho de Temari, mas seu mesmo, e ficou surpreso com o tamanho do sentimento que já nutria pelo baixinho que conhecera e se afeiçoara em tão pouco tempo.
– Não podemos prometer o que não sabemos se poderemos cumprir... – ele devaneou e viu o rostinho da criança se encher ainda mais de dor, enquanto grossas lágrimas brilhavam no canto dos seus olhos – Mas eu prometo. – completou e viu as lágrimas caírem, mas dessa vez acompanhadas por um sorriso aguado e logo ele se viu envolto e dois braços finos e frágeis que o abraçou com a pouca força que tinha.
Quando Shikamaru olhou para cima pode ver o vislumbre de uma lágrima também no rosto de Temari, mas ela logo a limpou desviando o olhar o que o fez sorrir e puxá-la para um abraço em grupo, com o pequeno Ichigo no meio.
– Eu vou sentir falta de vocês. – Kankurou riu – Já estavam aqui a tanto tempo que eu acabei me acostumando.
– Eu também. Por favor, voltem sempre. – Matsuri continuou, limpando uma lágrima com um lenço e em seguida o passando para Kankurou fazer o mesmo.
– Eu vou sentir sua falta Kankurou-saan! – Chouji disse abraçando o ninja de Suna.
– Eu também vooou, Chouji-saan!
– Kami-sama! Vocês parecem duas garotas histéricas! – Ino ironizou venenosa se aproximando do grupo, já pronta com o uniforme ninja, e em seus pés, hime vinha saltitando.
– Você demorou problemática! – o Nara disse entediado, em seguida dando um olhar para a cadelinha marrom que abanava o rabinho – Oe, você não está pensando em levar o saco de pulgas inútil eh?!
– Não a chame assim!! – a loira ralhou, enquanto a cadela pulava em seus braços – e é lógico que eu vou levá-la! Ela é minha! E eu não vou sem ela.
– Não seja problemática!
– Então não seja estúpido e me deixa em paz!!
A explosão repentina surpreendeu o grupo que logo percebeu que talvez não fosse uma boa idéia contrariar a ninja naquele momento.
– Alguém acordou com o pé esquerdo hoje. – Kankurou murmurou para Matsuri que concordou rapidamente e depois deu um sorriso forçado em direção a Ino. – Finalmente deu as caras heim garanhão!! – ele gritou e para espanto e surpresa geral o virão dar um sorriso malicioso em direção a ninguém menos que Gaara que se aproximou lançando um olhar frio ao irmão mais velho.
– Eu não faço idéia do que você está falando, e agradeceria se guardasse seus comentários sujos para si mesmo.
– Uh, parece que a Yamanaka não foi a única a dormir mal ontem. – Temari provocou, estranhando quando a outra loira não revidou, e pareceu tensa por um instante.
– Oh não. Eu sinto que nosso irmãozinho dormiu muito bem ontem. – Kankurou continuou para a mortificação de Ino que corou rapidamente quando seu olhar se cruzou com olhos verdes, até que ambos desviaram como se houvessem levado um choque. – Eu o vi chegando quase de manhã em seu quarto.
– É verdade, gaara?
– Não é da conta de qualquer um de vocês qualquer uma das minhas atividades que não estejam relacionadas a Suna. – o ruivo disse de mal humor – Vejo que já estão prontos para irem. – ele conseguiu mudar rapidamente de assunto e Shikamaru acenou positivamente – Bom, eu mandei preparar alguns mantimentos para vocês.
– Obrigado Kazekage-saaan! – Chouji disse ainda mais emocionado.
– A comida na mala do Chouji já é suficiente para alimentar um pequeno pais! – Ino disse mal humorada, fazendo o ninja gordo lhe dar um olhar sujo.
– Minha comida. – ele frizzou, mas a loira já não estava mais prestando atenção nele quando seu olhar se cruzou novamente com o do ruivo que dessa vez não desviou.
– Tomem cuidado. – ele disse sério, e ela fez o possível para se manter impassível, mesmo que suas mãos começassem a suar e sua mente se enchesse de imagens pouco puras das coisas que eles fizeram no estábulo na noite anterior.
– É hora de ir! – ela disse, de repente sentindo-se sem fôlego – Adeus Kazekage-san.
– Adeus Yamanaka.
Ela fez um esforço enorme para desviar daquele olhar tão firme e estranhamente encantador e teve de controlar a respiração que parecia acelerada assim como as batidas de seu coração que parecia frenético e apertado. Após despedir-se de todos, ela agarrou a cadelinha hime com mais força em seus braços e partiu com os outros dois membros do time em seu encalço.
Ela não ousou olhar para trás. Não queria ver o que estava deixando. Seja lá o que fosse não era seu e nunca seria.
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– Eu estou bem. Posso andar sozinha! – Hanabi afirmou impaciente para finalmente se ver livre daquele hospital sem graça, mas sorriu ao ver Neji entrando no quarto – Neji!! Finalmente!!
– Yeh, eu também estou aqui Hanabi. – Hinata ironizou brincando, e riu ao ver a irmã menor bufar e lhe fazer uma careta, antes de voltar toda a sua atenção ao primo. – Pode levar as coisas sim?! – ela disse para o hyuuga que estava encarregado de levar as coisas de Hanabi – Eu e Neji nos encarregamos de levar a mala em forma de gente.
– Eu ouvi isso! – Hanabi resmungou fazendo a irmã apenas rir.
– Eu vou falar com Sakura-chan e já volto. – ela disse saindo e deixando os dois primos a sós.
– Você está bem mesmo? Pode ficar mais um tempo aqui, se quiser. – Neji disse, com uma pontinha de preocupação, fazendo a mais nova revirar os olhos e balançar os pés descalços para fora da cama.
– Eu estou ótima Neji! E quero ir embora. Por favor, me de minhas sandálias.
– Eu as calço. – o Hyuuga disse sério e para a surpresa dela, ajoelhou-se ao seus pés e começou a calçar as suas sandálias com a maior delicadeza possível.
Ela mordeu o lábio para impedir-se de rir, enquanto sentia uma euforia começar dentro do seu peito. Uma idéia surgia lentamente. Talvez ela pudesse aproveitar seu estado de vitima por algum tempo.
Quando ele terminou, ela tinha um sorriso calmo nos lábios, o que Neji estranhou não reconhecendo a garota hiperativa de segundos atrás.
– Obrigada. – ela murmurou baixinho e ele apenas acenou com a cabeça, antes de sentar ao seu lado para esperar Hinata.
– Sakura-chan.
A rosada virou-se no susto e surpreendeu-se ao ver a Hyuuga em sua frente lhe sorrindo daquele jeito calmo e franco de sempre.
– Me desculpe, eu a assustei? – a morena riu, mas percebeu que a médica parecia um pouco aérea.
– Não Hinata, eu estava apenas...distraida. O que faz aqui?
Foi a vez de Hinata estranhar a pergunta e franzir o cenho, sentindo que algo estava errado.
– Eu vim buscar Hanabi. Hoje ela tem alta, você não sabia?
– Sim! Hanabi! Claro que sabia! Desculpe...! Eu só...
– Sakura-chan, você está bem?
– Estou. Quer dizer...um pouco abalada pelo que acabei de descobrir, mas...você parece ótima.
– Sim, eu acho... – a pequena Hyuuga começava a preocupar-se com aquela conversa estranha – Aconteceu alguma coisa?
Então o rosto da rosada de repente pareceu pálido e ela mordeu a bochecha nervosamente, olhando para qualquer lugar, menos para a Hyuuga.
Ow. Agora sim, Hinata estava preocupada.
– Sakura-chan. Aconteceu alguma coisa?
– Não e...sim. – ela hesitou e depois simplesmente puxou a Hyuuga pela mão até a sua sala, fechando a porta em seguida – Eu acabei de falar com Tsunade-sama.
– Ela está bem?
– Sim, é só que ela me falou uma coisa...
– O que? É sobre Hanabi? – agora a morena estava realmente começando a entrar em pânico e esperava impaciente a resposta da amiga que ainda parecia sem palavras – Fale, por favor, Sakura-chan!
– Não...é sobre Naruto.
Imediatamente as mãos da Hyuuga foram até seu coração que agora batia acelerado, e uma onda de pânico começou a se instalar nela.
– Ele...Naruto...ele está bem? O que houve? Ele está ferido? O que aconteceu?
– Não, nada. Kami-sama! Acalme-se Hinata. Eu não queria assustá-la, me desculpe. – Sakura, percebendo o estado da amiga a guiou em direção a cadeira e percebeu que sua mão tremia um pouco – Acalme-se, eu vou explicar. Eu fui até Tsunade-sama hoje pegar alguns papeis e ela me perguntou de Naruto. Ela então me disse que...eu não sei se você sabe, mas Konohamaru vai sair da cidade por algum tempo para treinar...e bem, Tsunade-sama pediu que Naruto fosse com ele.
O coração de Hinata falhou uma batida. E Sakura deve ter percebido, pois rapidamente pegou em sua mão e lhe deu tapinhas tentando acalmá-la.
– Ele...e-ele v-vai embora? Q-quando?
– Hoje... – Sakura murmurou, mas se sobressaltou quando a Hyuuga levantou-se da cadeira com um impulso violento – Espere Hinata, ninguém sabe se ele irá. Nem mesmo Tsunade estava certa. Eu fui ao apartamento dele e ele não está. Mas se ele não falou com você, é claro que ele não vai não é?! – deu uma risadinha nervosa, tentando acalmar o clima, sem sucesso — Afinal, ele não te deixaria logo agora que vocês estão bem, certo?! –concluiu sorrindo fracamente, mas percebeu tarde demais que a Hyuuga tinha um olhar desesperado e seus lábios, assim como suas mãos tremiam. – Hinata? Hinata! – ela gritou quando a morena simplesmente foi em direção a porta, rapidamente.
– Eu preciso encontrá-lo, Sakura-chan.
– Espere. – Mas era tarde demais, a garota já havia ido fazendo a rosada suspirar longamente e passar a mão pelos cabelos desgrenhados. – Eu e minha boca grande! – bufou.
– Hinata-sama! – Neji chamou, mas teve que pegar no braço da prima para a mesma parar e imediatamente notou que ela parecia atordoada. – Algum problema?
– Não...e-eu...preciso resolver umas coisas...por favor leve Hanabi ao clã e diga a Oto-san que eu precisei sair.
– Você está bem?
Hinata se fez essa mesma pergunta e não teve uma resposta satisfatória. Estava confusa e com muito, muito medo.
– Eu não sei. – ela murmurou e depois voltou a quase correr para fora do hospital.
– Neji? Onde Hinata está indo? – Hanabi perguntou se aproximando.
– Eu não sei. Mas nós vamos para o clã agora. – ele disse e viu a prima abrir um grande sorriso animado e ansioso.
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– Ino! – Shikamaru chamou pela bilionésima vez e dessa vez Hime latiu finalmente tirando a loira de seu próprio mundo de pensamentos onde se afundara desde que deixou Suna para trás.
– O que? – ela olhou para os colegas de time mais irritada do que o normal e os dois se entreolharam confusos.
– Vamos parar para almoçar.
– Certo.
Eles acharam uma clareira onde se instalaram. Chouji e Shikamaru viram a loira, pela primeira vez na vida, não reclamar da comida fria ou dos pés doloridos, ela apenas dividiu sua comida com a cadelinha em silêncio e começou a comer ainda parecendo perdida em pensamentos.
– Você está calada desde que saímos de Suna. – Shikamaru a olhou desconfiado finalmente a fazendo olhá-lo.
– Isso não é nada normal para você. – Chouji concordou enquanto devorava alguns dos petiscos feitos pela babá.
– Cuidem de suas próprias vidas. Eu estou bem. – ela resmungou, bufando.
– Ino...
– Eu estou bem, Shikamaru! Eu só...quero chegar logo em Konoha. – suspirou irritada.
Não queria ser rude com os dois, mas não conseguia controlar a irritação que apenas aumentava a cada segundo que passava. Estava irada consigo mesmo por estar agindo como uma garota boba que foi deixada pelo namorado. Kami-sama, estava realmente muito carente se realmente pensava que tinha qualquer relação com Gaara, ainda mais um namoro.
“Foi apenas sexo.” – ela repetia para si mesmo como um mantra, enquanto fazia uma lista mental de porque detestava o ruivo. Mas então, em meio a sua sessão anti-kazekage, imagens da noite quente deles vinham a sua mente, a voz rouca que fazia seu coração acelerar apenas com a lembrança, o toque firme e quase dolorido que deixava suas mãos suadas.
Tudo bem, podia ter sido uma das suas melhores experiências sexuais, mas não queria dizer que ela estava apaixonada por aquele ruivo psicopata e frio. Não. Ela não estava apaixonada por ele.
Merda. Ela era uma carente obsessiva patética.
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Ela parou ofegante diante do apartamento vazio. Como Sakura havia dito, não havia ninguém lá, mas ela precisava ver com seus próprios olhos. Por um segundo ela tinha certeza que o veria esparramado na cama de casal, roncando baixinho, mas tudo o que encontrou lá foi um colchão vazio, assim como sentiu seu próprio coração.
Parecia tudo intacto, limpo e organizado demais para ser um apartamento habitável, principalmente um por Naruto. Havia roupas faltando e faltando comida na dispensa.
De repente era difícil de respirar e ela sentiu o desespero finalmente se espalhar por todo o seu corpo de forma incontrolável. Lágrimas vieram em seus olhos enquanto ela tinha a realização de que estava sozinha. Ele havia ido embora. Sem se despedir. Ele apenas se foi.
Ela caiu de joelhos quando suas pernas finalmente fraquejaram. Ela não podia se controlar. A dor era demais e insuportável. Era como se um pedaço de seu coração tivesse sido arrancado. Naruto o fez de novo. Ele a abandonou como da primeira vez. E ela se deixou quebrar como havia prometido que não faria mais.
Seu amor obsessivo havia lhe custado caro novamente e ela não sabia se conseguiria se refazer novamente.
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Hanabi chegou ao clã e foi recebida por uma frota de Hyuugas que lhe deram boas vindas de forma respeitável. Seu pai a abraçou, mas ela não ousou recostar a cabeça em seus ombros e não viu a hora de que ele se afastasse. Felizmente ninguém notou seu pânico, enquanto ela conseguiu disfarçar com sua melhor expressão dura.
– Seu quarto está pronto. – Hiashi informou, já preparando-se para voltar a seus afazeres.
– Bom. Mas eu já fiquei tempo demais em um quarto. Eu preciso de um pouco de ação.
– Hanabi-sama... – Neji tentou intervir preocupado, mas calou-se diante do aceno de mão do tio.
– Deixe-a voltar ao normal, Neji. Apenas certifique-se de protegê-la quando for necessário. E sem falhas dessa vez, se puder. – ironizou secamente olhando com desprezo para o sobrinho que entendeu o recado, e apesar do orgulho ferido manteve sua cabeça baixa.
– Sim senhor.
Hiashi se foi, enquanto os outros hyuugas iam se dispesando sobrando apenas Neji, Hanabi e a serva das irmãs, Hanna.
– Será que a Srta deseja que eu prepare um banho Hanabi-sama? – Hanna perguntou docemente, com seu sorriso simples no rosto, sem saber o quanto tanta simpatia desagradava a hyuuga mimada.
– Já deveria ter feito isso.
– Hanabi. – Neji disse em advertência e a garota o olhou em desafio.
– Eu farei em um minuto, Hanabi-sama. Com liscença. Neji-san. – ela então se foi, no caminho acabando quase por esbarrar com Akihiko.
– Hanabi, bem vinda.
– Obrigada. Neji, eu vou tomar um banho e me vestir. Depois podemos treinar um pouco sim?
– Certo.
Akihiko fez uma reverencia educada enquanto a menor se retirou, deixando apenas os dois rapazes juntos.
– Se veio saber de Hinata-sama... – Neji começou o que fez o outro Hyuuga sorrir.
– Na verdade não, mas agora fiquei curioso. Pensei que ela estaria com vocês.
– Ela disse que precisaria resolver uns assuntos e me mandou trazer Hanabi para casa.
– Entendo... – o moreno murmurou, franzindo o cenho.
– Ela parecia preocupada. – Neji continuou, sem saber exatamente porque decidiu compartilhar essa informação, mas viu curioso o noivo de sua prima suspirar parecendo resignado apesar de ainda manter o sorriso em seu rosto.
– E nós podemos ter uma idéia sobre com quem pode ser esses assuntos, não é?
Neji apenas continuou o observando impassível, até que Akihiko tivesse a certeza de que ele não lhe diria nada.
– Bem, mas a verdade é que vim aqui avisá-lo que há uma senhorita esperando você na porta, para como ela chamou “um treino entre amigos”.
Neji quis suspirar profundamente, lembrando-se frustrado que havia marcado com Tenten para treinar como nos velhos tempos. Aos poucos a relação deles estava voltando ao normal, antes deles começarem a namorar, quando eram bons e grandes amigos. Infelizmente Hanabi era prioridade agora e já suspeitava do grande alvoroço que a professora iria começar quando ele desmarcasse o treino.
– Você parece estar em apuros. – Akihiko brincou fazendo o outro hyuuga resmungar irritado. – Boa sorte seja com o que for. Eu vou descansar um pouco depois de passar o dia inteiro cobrindo o meu suposto “parceiro” que secretamente quer que eu morra. – ironizou já se retirando deixando Neji com um pequeno sorriso no rosto.
Akihiko não era burro pelo visto. Neji quase gostava dele. Quase. Uma pena Hinata preferir o estúpido cabeça oca e certamente mau exemplo do Uzumaki.
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Hideo olhou para Sakura, nervosamente, se perguntando se havia estragado tudo. Eles se conheciam a pouco tempo, verdade, mas ele não podia estar enganado com a conexão instantânea que sentiu desde que a viu pela primeira vez. Depois de muitos almoços e encontros, eles se divertiram muito juntos e no dia anterior quando a deixou na porta de sua casa, sem mais se controlar ele finalmente a beijou e ela retribuiu e foi bom. Pelo menos ele achava isso até agora, mas já ficava em duvida depois de um minuto inteiro que a médica estava paralisada desde que ele havia lhe feito a maldita pergunta.
“- Sakura-chan, você quer namorar comigo?”
Sentia-se como um adolescente, mas realmente gostava da rosada e queria começar um relacionamento com ela.
– Uhm...agora eu estou desconfortável. – ele brincou com um sorriso sem graça, mas isso pareceu o suficiente para despertá-la de seu transe.
– Oh kami-sama. Gomenasai! E-euu fui estúpida e muito mau educada!! – ela gaguejou desastrada quase fazendo cair o seu copo de suco, se o homem não tivesse sido rápido o suficiente para pegá-lo. – Gomenasai.
– Iie. Eu que peço desculpas. Sinto que fui precipitado, mas apenas porque...
– Iie!! – ela o interrompeu automaticamente tocando em sua mão e a sentindo quente. – Não foi precipitado. Eu apenas não esperava. Você sabe, eu sai de um relacionamento conturbado e por um instante estúpido eu fiquei muito nervosa... – ela suspirou abaixando a cabeça derrotada e envergonhada – Gomene, eu me sinto tão patética. – resmungou, mas foi surpreendida quando ele apertou sua mão de volta, de forma delicada, mas firme.
– Você está longe de ser patética, Sakura-chan. Você é sem duvida uma das pessoas mais gentis e fortes que eu já conheci. E acredite, eu conheço muita gente. – eles riram – E é por isso que eu ficaria muito feliz se aceitasse nos dar uma chance para quem sabe podermos curar nossos traumas com a ajuda um do outro.
Sakura abriu a boca, mas nada saiu dela. Seus olhos se encheram de lágrimas e por um instante pensando que nunca havia ouvida nada tão romântico da boca de ninguém, mesmo de Naruto, e muito menos de Sasuke. E Hideo era quente.
– Por favor não fique paralisada de novo! – o diplomata arregalou os olhos um pouco desesperado e ela balançou a cabeça, sorrindo.
– Não dessa vez. – ela murmurou e quando ele já estava prestes a falar, ela apertou a mão dele, corajosamente – Sim, eu aceito nos dar uma chance de nos curar juntos.
Foi a vez de Hideo abrir a boca e nada sair dela e foi a vez de Sakura rir, até que ambos estivessem rindo juntos e tudo era tão leve. Então eles foram parando de rir lentamente, como se estivessem acordando de um sonho. Ele foi se aproximando devagar e ela o esperou, ansiosa até que ele estivessem a milímetros de distancia.
– Eu prometo não magoá-la. – ele murmurou baixinho e finalmente a beijou.
Ela suspirou, feliz e retribuiu, aproveitando o beijo calmo e carinhoso e no fundo se forçando a aceitar que ela merecia aquilo. Merecia o carinho. Merecia o calor.
Nunca mais o frio. Nunca mais Sasuke.
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– bakaaa!!!! – Tenten xingou lançando vinte shurikens em sequencia e acertando com precisão o alvo desenhado na árvore. – Estupido! – ela começou uma série de chutes e golpes antes de voltar a lançar dessa vez, kunais ao mesmo tempo e dessa vez decepando a árvore indefesa. Antes que a mesma caísse no chão, entretanto, a kunoichi invocou duas espadas lisas e finas e em golpes rápidos e precisos cortou o tronco e cinco pedaços.
Satisfeita, ela caiu com um joelho no chão, limpando o suor da testa. Olhando ao redor, viu muitas árvores que tiveram o mesmo triste fim da ultima e suspirou tentando acalmar os nervos depois de sua última discurssão com Neji.
– E você não pode simplesmente dizer que já havia prometido a mim que me ajudaria a treinar? – ela perguntou, tentando manter a calma, uma vez que havia prometido apoiar Neji em sua obcessão de cuidar de Hanabi depois de tudo.
– Ela acabou de voltar e já quer treinar. Não posso simplesmente aos cuidados de qualquer servo estúpido daqui.
– Ela precisa de repouso. Não de treino.
– Meu tio não vê isso, e ela muito menos. – ele parecia frustrado – Eu peço desculpas, Tenten, mas não vou poder ajudá-la em seu preparo físico hoje.
– Hoje nem nunca, pelo visto. – ela resmungou e ele não respondeu o que apenas a deixou ainda mais furiosa e frustrada – Esqueça Neji! Eu deveria saber que você não teria mais tempo para nada além de sua preciosa Hanabi-sama. – ironizou sem conseguir se conter.
– Tenten...
– Eu espero que vocês sejam muito felizes juntos. – ela bufou e saiu pisando duro o mais rápido que pode antes de falar mais coisas que pudesse se arrepender.
Sabia do trauma da Hyuuga e sentia-se muito culpada por isso. Ainda assim, não podia deixar de sentir-se abandonada e de coração partido. Ainda era apaixonada pelo Hyuuga estúpido, o que fazia dela ainda mais estúpida.
– Merda! – ela xingou alto e com um aceno de pergaminho, dezenas de shurikkens saíram em várias direções, como uma explosão de poder da kunoichi que não conseguia mais controlar sua fúria.
Era um alivio que ela estivesse em um pouco deserto onde não havia mais ninguém a quilômetros de distancia...
– ITAAAAAIIIIIIII!
– LEEEE!! – ela gritou desesperada, ao ver o amigo cair no chão com uma shurikken presa em seu traseiro. – QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?
– Euvimtreinaaaarrr! Itaaaaaai tentensaaaann!! – o homem chorou enquanto ela arrancou a arma que nem chegou a ir tão fundo, mas foi o suficiente para o amigo dramático revirar os olhos de dor.
– Você está bem?
Lee pareceu pensar um pouco e levantou-se mexendo os quadris ainda parecendo pensar. Em seguida sorriu brilhantemente fazendo um aceno de “Nice” com dedão para cima.
– Novinho em folha, Tenten-san! Muito obrigado! Eu admito que fui pego desprevenido por suas armas, mas já estou melhor! Ainda bem que meus alunos não viram seu sensei tão vulnerável!
A kunoichi não agüentou e riu.
– Você não muda mesmo, Lee. – no entanto, ela não falava apenas do cabelo de cuia, das sobrancelhas gigantes ou do uniforme collante verde. Rock Lee ainda era um dos ninjas mais confiáveis, corajosos e engraçados de todo o mundo ninja e ela ficava feliz de ter a sua amizade – Eu fico feliz por isso. – confidenciou, mas deve ter demonstrado sua tristeza pois o ninja não sorriu cheio de si com o elogio.
– Qual o problema, Tenten-chan?
Ela suspirou e se forçou a sorrir.
– Apenas TPM Lee! Não se preocupe!
– Kami-sama! Como eu pude não perceber que minha jovem amiga dama estava passando por problemas do universo feminino? Que burro! Você por acaso quer comer? Eu posso arrumar chocolates! Gai-sensei sempre disse que mulheres nessa fase amam chocolate e sexo e...
– CALA A BOCA, LEEEE!! – a kunoichi gritou envergonhada, dando um soco na cabeça do rapaz que de repente parecia o garoto de boca grande que ela detestava. – BAKAA!
– Itaaaai Tenten-saaaan! Eu tinha chocolates!! – ele chorou.
– CALA A BOCA! – disse autoritária, já se levantando e para a surpresa dele, também lhe estendendo a mão – Já que está aqui, seja útil e me ajude a treinar.
– Sério? Você não prefere o Neji? Eu posso ir chamá-lo.
– Esqueça o idiota do Hyuuga! Eu quero treinar com você!
O sorriso do sensei nunca ficou tão grande e ele acenou com a cabeça, voltando a fazer o gesto de “Nice”.
– Apenas vou avisando que agora eu sou um sensei e pode ser ainda mais difícil se livrar dos meus ataques, Ten... – Mal ele havia terminado de falar e viu um furacão de armas vindo em sua direção enquanto atrás dele havia uma kunoichi com um sorriso quase diabólico no rosto – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!
Tenten riu, sentindo-se leve como a muito tempo não se sentia e pelo menos naquelas próximas horas ela não pensaria em Neji.
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A escuridão envolvia completamente o apartamento e apenas um sopro de ar frio entrava pela janela entreaberta do quarto principal. Ali, encolhida no fundo da cama, Hinata abraçava as pernas tremulas com a cabeça enfiada no meio delas, ainda tremendo pelo choro que havia secado há algum tempo.
Aos poucos, ela foi levantando a cabeça apenas para surpreender-se com o próprio reflexo no espelho grande que havia na parede oposta. Ela podia ver a cena patética, sua postura derrotada, seu rosto inchado e seus olhos vermelhos.
Sentia-se tão cansada e irritada. Sempre sendo deixada, sempre sendo fraca, quando ela tentava tão duro conseguir alcançar seus objetivos como nunca tentara coisa alguma. Se tornar uma ninja forte, virar a líder do clã perfeita, ter o amor de Naruto completo. Por um tempo, ela pensou que conseguiria, mas então ali estava ela, completamente arrasada por que o Uzumaki havia lhe deixado outra vez e ela não sentia forças para conseguir mais nenhum de seus outros objetivos.
Quando foi que o amor por ele se tornou sua única força para viver? Talvez sempre houvesse sido, mas ela nunca havia reparado até aquele momento. Ela quase morreu para protegê-lo a alguns anos, afinal. Mas ela sempre pensou naquilo como um gesto de amor, mas agora ela podia ver melhor.
Depois de anos condenando o amor obsessivo de Naruto por Sakura, ela nunca havia se dado conta do amor obsessivo dela por Naruto.
Fora ingênua e burra. Não pode se conter, mas riu secamente e admirou por alguns instantes seu reflexo enlouquecido sorrindo para ela de dentro do espelho.
Levantando-se, ela se recompôs enquanto marchava novamente em direção a porta. Naruto não iria embora tão fácil assim, ela estava indo para encarar seu amor obsessivo pela primeira vez na vida.
–------
– Yaaahh!!! – Hanabi atacou com toda a sua força, mas Neji a bloqueou com facilidade.
Ela deu um mortal para trás e voltou a atacá-lo em sequencia que foi novamente bloqueados por ele sem dificuldade, o que a deixava cada vez mais frustrada.
– Não está concentrada.
– Cala a boca! – ela lhe atirou um soco, mas ele a segurou e a girou, com o outro braço a prendendo em seu corpo, instantaneamente a deixando imobilizada.
Então sentiu o corpo pequeno tenso.
– SOLTE-ME! SOLTE-ME AGORA! – ela debateu-se, mas não era com raiva, era quase com desespero.
Imediatamente Neji a soltou e a viu pular para tão longe dele quanto conseguiu, seu rosto pálido e seus olhos arregalados em pânico crescente.
– Hanabi-sama...está tudo bem...eu não quis assustá-la...eu peço desculpas... – ele disse baixinho e viu o pânico se transformar em raiva muito rapidamente.
– Eu não estou assustada! Como ousa? Estou cansada de treinar!
– Mas...
– Vou para meu quarto!! – ela quase berrou, duramente e ele calou-se em seguida fazendo uma reverencia.
– Como quiser.
Ela saiu pisando duro, sob os olhares atentos do primo que não perdeu que suas mãos estavam tremulas ainda que ela tentasse contê-las fechando-as em punho apertado.
Finalmente em seu quarto, ela trancou a porta e deixou-se recostar sobre ela enquanto tentava regular a respiração ofegante. Kami-sama, o que estava acontecendo com ela?
– Ela claramente teve um ataque de pânico, senhor. – Neji relatou para o tio que o observava em silencio.
– Ninjas não podem se dar ao luxo de terem tais frescuras, Neji.
– Depois do que ela passou, meu senhor, acho que Hanabi precisará de atenção especial.
– Eu achei que esse fosse o seu trabalho.
– Eu falo de um médico.
– Eu falo de um vexame desnecessário ao qual eu não estou pretendendo passar, depois do último.
– Tio, eu acho...
– Você não tem que achar ou deixar de achar, Neji. Faça seu trabalho direito. É o que o seu líder deseja.
Neji controlou o suspiro frustrado e abaixou a cabeça.
– Como quiser, líder. Com sua licença. – ele saiu.
Hiashi continuou olhando para a porta, pensativo. Hanabi sempre foi mais forte que a irmã e onde ele colocava todas as suas esperanças para honrar o nome dos hyuugas, mas se ela estivesse incapaz de fazer isso agora, ele precisaria agir rápido. Por enquanto ficaria atento e se Neji estivesse certo, ele teria de ajustar a filha mais nova para ocupar um novo lugar onde fosse útil aos interesses do clã.
“Um vexame”. Era isso que o líder do clã Hyuuga achava que sua filha mais nova havia passado. Neji nunca sentiu tanto nojo do tio, enquanto tomava um banho frio para acalmar seus ânimos. Agora mais do que nunca teria que proteger Hanabi. Nada era mais importante.
–--------
Naruto xingou o dia quente demais e por um instante admirou a grande e monumental entrada de Konoha reconstruída ainda mais majestosa depois da destruição de Pain. Antes era difícil lembrar daqueles dias, agora era apenas lembranças distantes. Entretanto, uma em especial não tão distante. A garota estúpida que lutou contra um ser milhões de vezes mais forte do que ela apenas para defender sua paixão adolescente por um garoto cabeça oca e quase morreu por isso.
“ Foi uma boa luta” – Kyuube remexeu-se ansiosa dentro de sua jaula, mas foi ignorada – “Lutar contra o shinigami será ainda mais delicioso. Eu mal posso esperar para libertá-lo”.
“Quem sabe ele não a mata.”. Naruto ironizou sem tirar os olhos da entrada.
Os guardas estavam próximos, conversando tranquilamente, enquanto a alguns metros podiam-se ver pessoas andando de um lado para o outro no comercio. Ele tirou o casaco, ficando apenas com a regata preta e a amarrou na cintura, virando-se em direção a saída. Não pode deixar de atirar um pensamento em direção a garota estúpida que Pain quase matou. Queria que ela estivesse ali com ele, mas sabia que a mesma deveria estar ocupada com as coisas de seu clã de bundões. Seria melhor assim afinal. Não queria mais ser acusado de colocar suas necessidades na frente das dela.
Kami-sama, como ele tinha vontade de invadir aquele clã para quebrar a cara de Akihiko e transar com Hinata apaixonadamente. Não precisava ser exatamente nessa ordem.
Ele deu o primeiro passo e então sentiu um arrepio em sua espinha, ele teve apenas o tempo de olhar para trás antes que um tapa atingisse seu rosto com força. Ele grunhiu irritado agora, em seguida olhando confuso para a Hyuuga maluca que o olhava de um jeito meio enlouquecido.
– Ok. Qual é o seu problema? – ele rosnou, começando a se irritar. Isso que ganhava tentando ser um cara legal.
– Você! Você é o meu maldito problema! Egoísta, bastardo! – ela xingou alto, levemente consciente que agora era alvo de alguma atenção das pessoas próximas, mas ela não se importava. Não mais. A farsa acabaria hoje. – Kami-sama, como você pode apenas pensar em si mesmo? Quem você acha que eu sou que você pode brincar e largar sempre que quiser! – ela estava furiosa e o empurrou com mais raiva ainda por vê-lo com aquela cara de bobo como se não fizesse a mínima idéia do que ela estivesse falando – Eu odeio você!
– Não odeia não. – ele teve a coragem de ironizar e a Hyuuga gritou de frustração e partiu para cima dele em uma série de socos e pontapés, um deles conseguindo acertar em cheio o meio de suas pernas, o que o fez se contorcer e cair no chão.
– Uuuui! – os dois guardas ficaram pálidos ao apenas imaginar a dor do outro ninja. — Será que devemos intervir?
Eles então viram a Hyuuga montar em cima do homem agonizante e voltar a lhe encher de tapas.
– Não! – eles responderam juntos, em pânico com a mulher furiosa. Uzumaki estava morto.
– Itai! Itai! Mas..o que... JÁ CHEGA! – ele rosnou e com um gesto bruto conseguiu virar seus corpos e prender as mãos dela acima da cabeça – Qual é o seu problema sua Hyuuga maluca!!!
– Er...está tudo bem? – um dos guardas gritou de lá
– AGORA VOCÊS QUEREM SE INTROMETER? CAIAM FORA!!! – era a vez do Uzumaki fica furioso e todos podiam ver a aura da Kyuube pairando sobre eles. A Hyuuga estava morta.
Ele voltou a olhar para a morena e pela primeira vez percebeu que a mesma tinha os olhos inchados, os mesmos que agora o olhavam com uma raiva anormal.
– Hinata, o que aconteceu? – ele perguntou mais calmo, mas ela não respondeu e ele apertou ainda mais os pulsos dela. – Responde agora!!!
– Quando você ia me contar que foi mandado para auxiliar no treinamento de Konohamaru? – ela cuspiu e ele foi surpreendido.
– Mas como você...
– Kami-sama, como eu pude confiar em você!!! Eu deveria saber que na primeira oportunidade você iria embora e nem teria a decência de me falar nada!
– Quer parar de histeria! Eu não sei como você soube, mas porque eu te contaria afinal? – ele resmungou e a viu arregalar os olhos e em seguida ter um novo acesso de raiva.
– Me solta! Eu odeio você! Vai logo então! Eu nunca mais quero te ver! – ela sentiu um soluço preso em sua garganta e apenas queria ir embora novamente, percebendo o quanto era incapaz de sentir qualquer tipo de raiva por aquele maldito bastardo.
Queria tanto poder matá-lo naquele instante, mas sabia que não poderia. Talvez não fosse tão obsessiva quanto pensou.
Naruto a observou, começando a ficar um pouco nervoso ao perceber as lágrimas nos olhos prateados, quando tudo começou a fazer sentido ele viu a adolescente estúpida e apaixonada novamente e uma onda de ternura tomou seu coração sem que ele conseguisse se conter.
Garota estúpida. Garoto cabeça oca.
Ela fechou os olhos com força ao sentir os lábios dele sobre os seus e se perguntou que tipo de brincadeira era aquela, mas não durou o suficiente e logo ela abria os olhos apenas para fitar olhos azuis risonhos muito próximos.
– Boba. – ele sussurrou – O motivo de eu não te contar, é porque eu não vou a lugar nenhum.
– O que? – ela fungou e ele riu se afastando e trazendo-a junto consigo até que ambos estivesse em pé.
– É isso mesmo que você ouviu. Konohamaru e Iruka já foram e eu apenas vim me despedir deles.
– Mas sua casa estava toda arrumada.
– Eu tive uma noite de insônia e decidi arrumá-la. – ele deu os ombros.
– Haviam roupas faltando!
– Eu as levei a lavanderia.
– E para onde estava indo agora? – ela continuou desconfiada.
– Para o lago. Está muito quente – disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo e dessa vez gargalhou com a cara de choque da Hyuuga – Então todo esse show foi porque achou que eu ia embora sem me despedir?
– Cala a boca! – ela voltou a empurrá-lo, dessa vez constrangida demais para ter força.
– Cuidado. Você está ficando obcecada por mim, Hyuuga. – Naruto continuou provocando-a, adorando vê-la vermelha.
– Eu sei. – ela confessou baixinho para a surpresa dele, e o olhou desconfiada parecendo lutar duramente para se acalmar – Então você não vai embora?
– Claro que não. Porque diabos eu faria isso quando a velhota está próxima de se aposentar e eu virar Hokage? Ou quando eu tenho uma namorada linda e ciumenta que é tão obcecada por mim quanto eu por ela?
Ela ficou em silêncio apenas o olhando por alguns instantes, até que se aproximar.
– Bastardo. – ela xingou ficando a milímetros de distancia dele.
– Você sabe que todo mundo está olhando não é?!
– Que se dane. – ela murmurou antes de finalmente quebrar a distancia entre eles e grudar seus lábios, sendo imediatamente envolvida pelos braços do loiro que aprofundou o beijo, invadindo sua boca com a língua e chupando seu lábio inferior com desejo.
Se eles estivessem olhando perceberiam que todos pararam para olhá-los, alguns até admiraram a cena do amor romântico dos jovens, outros estavam chocados com a bipolaridade daqueles dois ninjas aparentemente baderneiros.
Mas os dois jovens apaixonados bipolares e baderneiros não ligavam. Eles sorriram um para o outro ao se separarem e a pequena Hyuuga entrelaçou seus dedos em seguida o puxando novamente em direção a saída.
– Pra onde nós vamos?
– Pensei que estava com calor. – ela murmurou dando um sorriso malicioso que o fez imediatamente entender o recado e gargalhar enquanto a seguia para fora dos portões da aldeia e para longe dos olhares curiosos.
Se tivessem prestando atenção perceberiam que nem todos eram curiosos, alguns eram de reconhecimento. Se eles ligassem perceberiam que seu segredo finalmente havia chegado ao fim. Se eles ligassem, claro.
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– Obrigado por ter me trazido em casa. – A rosada sorriu envergonhada quando eles pararam em frente a porta e Hideo sorriu, acariciando seu rosto corado.
– Não poderia deixar a minha namorada andando por aí sozinha. – ele brincou abraçando-a pela cintura e colocando um beijo em seu nariz. – Muito meloso?
– Muito – eles riram – Mas eu adorei.
– Que bom!
Sakura ainda ficava surpresa quando Hideo a beijava, mas relaxou sentindo os braços dele firme em volta de si, a segurando protetoramente como se ela fosse quebrar.
– Você é um príncipe, sabia disso?
– Um dia uma princesa do país da água me disse que eu daria um ótimo príncipe mesmo. – ele zombou malicioso e ela lhe deu um tapinha.
– Baka!! Vamos conversar ainda sobre essas princesas vadias que você encontra nessas suas viagens.
– A única que eu quero, entretanto, está bem aqui na minha frente.
Sakura corou e riu nervosamente, mas o sorriso não chegou até seus olhos. Havia algo estranho, ela sentia-se estar sendo observada, entretanto ao olhar em volta não havia nada.
Hideo havia voltado a falar e ela se forçou a prestar atenção nele novamente.
Do alto de um telhado distante, um vulto vestido de negro a observava de longe, seus olhos vermelhos facilitando a visão que o fazia sentir um gosto ruim na boca. Usar o Mangekyou para espionagem era um desperdício, usá-lo para espionar sua ex-noiva era mais do que patético.
Mas Sasuke Uchiha não tinha outra escolha. Havia perdido sua flor, a esmagando sem piedade e agora ela estava nos braços de outro. Um baka qualquer que o Uchiha teve de controlar para não socar ao vê-lo com as mãos em volta da cintura delicada da rosada.
Quando eles se beijaram novamente, ele não agüentou mais e desativou o donjutso fazendo seus olhos voltarem a ficar negros, enquanto ele sumia em uma sombra de chacra.
Acabou.
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– Sakura, você tem uma visita.
Foi inevitável seu coração não disparar. Foi ridículo, mas ela não pode deixar de pensar, por um segundo de pura esperança que fosse o Uchiha, e quis se bater por isso. Entretanto, quando uma juba de cabelos loiros praticamente pulou em sua frente, ela sentiu um grande alivio se abater sobre ela ao ter sua amiga de volta, finalmente.
– PORQUINHAAAAA!!!!
– TESTUDAAAAA!!!
Elas gritaram e então se abraçaram. Ino gargalhou, até sua risada ir morrendo aos poucos ao se dar conta que a amiga não tremia de felicidade, mas sim de um choro baixinho em seus ombros.
– Sakura? Amiga, o que houve? – ela perguntou preocupada.
– Estou tão feliz que você está aqui... – ela choramingou. – Aconteceram tantas coisas.
Ino deu um pequeno sorriso.
– Imagino. Então...eu trouxe sorvete.
Sakura chorou ainda mais. Kami-sama, como sentiu falta da sua melhor amiga.
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Um gemido estrangulado saiu de seus lábios quando ele a imprensou contra a pedra fria e seu corpo quente. A água cristalina cobria agora metade de seus corpos, mas não apaziguava o calor infernal que o atrito de seus corpos criavam a medida que se tocavam e tentavam se fundir em apenas um só. Como se nunca tivessem o bastante, nunca o suficiente.
Olhar naqueles olhos azuis era sua perdição e ela queria se perder enquanto abria ainda mais as pernas sentindo-o se encaixar entre elas com perfeição com isso esfregando suas intimidades de forma obscena que a fez perder o fôlego pela milionésima vez.
O toque dele era quente e duro em sua pele sensível e quando os lábios se fecharam em seus seios, ela não perdeu os olhos deles fixos nela, satisfeito ao contemplá-la se desmanchando em seus braços. Ele era o próprio demônio a qual ela não hesitaria em se entregar.
Desesperada com a queimação em seu baixo ventre, ela choramingou quando ele voltou a prender seus braços a impedindo de tocá-lo, e quando ele sorriu depois de morder a pele entre seu pescoço e ombro obviamente deixando uma marca ali que ele adoraria mostrar a todos. Porque ela era sua e mais ninguém poderia amá-la ou tocá-la.
– Agora! – ela gemeu – Agora, por favor! – ela pediu e foi calada por um beijo que engoliu seu grito quando sentiu-se sendo preenchida da forma mais bruta e selvagem que poderia acontecer.
O movimento era duro e profundo, rápido e descontrolado, a fazendo gemer alto e se contorcer sem conseguir encontrar sua voz para pedir por mais. Mais fundo, mais rápido, mais forte. Ela precisava de tudo.
Felizmente, ela não precisava dizer nada enquanto o sentia invadi-la ainda mais duro e rápido a fazendo gemer e então ouvi-lo rosnar em seu ouvido a deixando ainda mais desesperada pela libertação.
– Abra seus olhos. – ele ordenou e ela o fez imediatamente apenas para fitar novamente aquele rosto masculino que a olhava daquele jeito feroz de um animal selvagem em busca de sua presa, que era ela. Indefesa, ela era devorada, e ela estava mais do que feliz por isso. – Diga o que você quer, Hyuuga. Diga! – ele grunhiu enfiando seu pau em um movimento muito mais profundo a fazendo uivar em um misto de prazer e desespero.
– Mais! M-mais ff-forte! N-naruto!
– Tão boba! – ele gemeu em seu ouvido – Você não vai se livrar de mim tão fácil, Hyuuguinha.
– M-mais! – ela gaguejou sem forças, sentindo seus braços finalmente serem liberados, ela imediatamente o abraçou arranhando as costas dele, gritando a cada golpe e sentindo-se subir e levantar a cada impulso, mas incapaz de ter qualquer outra reação além de senti-lo dentro de si.
Ela queria viver assim para sempre.
– Grite meu nome. – ele murmurou sedutoramente, agarrando as pernas dela com força enquanto bombeava ainda mais rápido a levando ao ápice da loucura.
– Naruto!
– Grite! – ele ordenou duramente dando um golpe particulamente profundo, enquanto apertava sua cocha e a sentia estremecer violentamente em seus braços.
– N-NARUTO!!!! – ela gritou quando tudo foi demais para ela que atingiu seu ápice, olhando sempre nos olhos dele que também não desviaram dos seus um minuto.
Se ele não a segurasse, com certeza ela cairia e ele mordeu seu lábio inferior a fazendo gemer de dor.
– Isso é pra você aprender a confiar mais em mim. – ele resmungou a fazendo revirar os olhos.
– Olha quem está falando. – ela resmungou emburrada, mas seu rosto vermelho e sua respiração ofegante tirava um pouco de sua credibilidade.
– Talvez sejamos dois idiotas afinal.
– Sim, talvez sejamos.
– Mas o sexo ainda é incrível.
Ela riu, passando a mão pela franja loira dele que caia em seus olhos lhe dando um ar ainda mais sensual: Sim, sempre.
O ninja então sorriu malicioso, remexendo-se e imediatamente a fazendo gemer ao sentir o pau dele ainda em sua intimidade sensível.
– Que bom que pensa assim – ele disse enquanto ia em direção a margem do lago e a deitou ali, em nenhum momento separando-se dela — porque estamos longe de acabar.
Ela arregalou os olhos, quando primeiro movimento veio e um novo gemido saiu de seus lábios para o puro deleite de Naruto que nunca se cansaria de ver a sua Hinatinha gozando por sua causa.
–--------------
Na casa de Sakura, ela e Ino estavam em seu quarto, sentadas na cama compartilhando um grande pote de sorvete enquanto conversavam sobre as últimas mudanças em Konoha.
– Espere um minuto. Hinata e Naruto juntos?!!!
– Eu sei. Também é meio assustador pensar que Temari tenha um filho. – Sakura disse pensativa enquanto colocava uma colher na boca.
– Ou emoções... – Ino complementou apenas para as duas rirem sozinhas. – Mas então, você agora está com esse tal de Hideo... – disse lentamente sabendo que era um assunto delicado e viu a amiga largar a colher frouxamente por um instante olhando para algum ponto no lençol. – Você esqueceu o Sasuke?
– Bom, eu estou seguindo em frente como todos me falaram. E eu já não choro mais pelos cantos como uma idiota. E também não estou me culpando. Porque não foi minha culpa, Ino! Não foi! E você precisa conhecer o Hideo. Ele é um príncipe, todo gentil e quente e tão diferente do Uchiha. Ele tem sentimentos e por isso reconhece os meus. – ela tagarelou e a amiga loira a ouviu pacientemente – E é bom namorar um humano com sentimentos para variar...
– Mas...
Sakura suspirou, não sabendo se amava ou detestava a melhor amiga por conhecê-la tão bem.
– Eu não...
– ...consegue esquecer o Uchiha. – Ino completou suavemente e viu a médica ficar novamente com lágrimas nos olhos enquanto colocava uma grande colher de sorvete na boca para impedir-se de chorar. – Oh querida, eu sei que é difícil, mas se quer saber, você conseguirá. Esse Hideo parece um cara legal e com certeza a fará esquecer aquele bundão do Uchiha e a biscate da outra Uchiha.
– É difícil Ino. – Sakura desabafou – É difícil quando tudo o que eu mais quis na vida era ficar com ele, então de uma hora para outra esquecê-lo parece impossível...Apenas não consigo aceitar ainda que tudo acabou. Depois de tudo o que houve. Depois de tanto tempo, simplesmente, acabou. Eu não sei se um dia vou conseguir. – finalizou, deitando a cabeça no colo da outra kunoichi que a recebeu com um cafuné tranqüilizador.
– Vai sim. Se for pra ser, você vai esquecê-lo. Eu não posso te dizer quando, mas um dia a dor vai passar e você vai ser ainda mais feliz do que você já foi com esse Uchiha babaca.
– É tão bom ter você aqui, porquinha.
– É bom ter você aqui também, testuda.
As duas sorriram e ficaram em silêncio, apenas perdidas em seus próprios pensamentos. Mas os problemas de repente não pareciam tão ruins quando elas tinham uma a outra e sabiam que poderiam contar sempre.
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– Mandou me chamar, Oto-san? – Hinata entrou no escritório do seu pai, onde foi chamada assim que colocou os pés no clã.
Hiashi levantou-se da sua cadeira e lançou um olhar, pela primeira vez realmente percebendo sua herdeira, entretanto logo Hinata soube que ele não estava nada feliz.
– Em todos esses anos Hinata, eu sempre soube que você não era a Hyuuga forte e um exemplo digno para o nosso clã, mas em todos esses anos eu tentei o máximo que pude ignorar seus erros e caprichos infantis por ser seu pai.
Hinata ficou em silêncio, mas zombou em pensamentos da suposta afeição do pai.
– Mas eu nunca poderia permitir que você envergonhasse o clã perante toda a vila, principalmente envergonhar seu noivo que este sim é um Hyuuga respeitável e exemplar. Você foi vista em companhia daquele jiinchuuriki nojento em atitudes desonrosas para uma Hyuuga e principalmente uma noiva. Isso é verdade? E não pense em mentir para mim.
Ela, entretanto, não se abateu e deu um passo a frente, sem tirar os olhos do pai.
– Se refere-se ao fato de eu e Naruto termos nos beijado. – ela disse lentamente vendo as feições do pai se contorcer em desprezo – Então sim, é verdade. Assim como é bom que saiba que eu e ele estamos namorando. Eu falaria com Akihiko primeiro, mas já que estamos tendo essa conversa, eu comunico logo ao senhor que o nosso casamento está cancelado.
– EU A PROIBO! – em um gesto de fúria, ele bateu sobre a mesa tão forte, a fazendo rachar, mas ainda sim, a Hyuuga continuou impassível.
– Eu já tomei a minha decisão.
– Você não decide nada aqui dentro! – ele disse duramente, saindo de trás da mesa e indo até ela na tentativa de ameçá-la, sem sucesso.
– Eu decido a minha vida e não há nada que o senhor possa fazer sobre isso.
O tapa em seu rosto veio imediatamente a fazendo virar o rosto sentindo a ardência que sem duvidas ficaria marcada em sua bochecha. Sua visão ficou embaçada por pontos florescentes, e por lágrimas que ela se recusou a deixar cair, então voltou a encarar seu pai sem medo mais.
– O senhor pode me bater se quiser, mas isso não muda nada.
Hiashi teve ânsias de bater-lhe novamente até que a pequena pirralha aprendesse o que ele poderia fazer, entretanto resolveu tentar um outro método.
– Então devo aceitar isso como sua recusa ao lugar de líder do clã? Que você trocará de lugar com sua irmã e receberá o selo da bouke.
– Eu não desisti de nada além de ser sua marionete.
– Sem casamento você não poderá assumir como líder do clã Hyuuga.
Hinata abriu a boca, mas uma batida na porta os interrompeu. Hiashi logo o mandaria embora, mas a herdeira foi mais rápida e mandou entrar. Hana entrou com os olhos baixos, e fez uma mesura antes de se aproximar e entregar algo para Hinata, como a mesma havia pedido antes de entrar no escritório do pai.
– Obrigado Hana, pode ir.
A hyuuga pediu liscença e se foi. Hinata estendeu o pergaminho em direção ao pai que arrancou de suas mãos e começou a ler.
A medida que lia, seus olhos se arregalavam e ele olhou para a herdeira que tinha um pequeno sorriso no rosto.
– O que isso significa?
– Isso meu pai, é um documento do príncipe do pais do fogo com a sua assinatura e de seu conselho, permitindo que eu assuma o clã sem precisar me casar.
Ela viu o pai ficar pálido pela primeira vez na vida, e em seguida olhar para o pergaminho como se o mesmo contivesse o sangue dos seus pais.
– Isso não vale nada!!! – ele cuspiu, enquanto Hinata tomava o papel de suas mãos.
– Isso vale tudo! Eu pesquisei meu pai e sei que o príncipe do país do fogo pode intervir na liderança dos clãs se achar que é necessário para ter paz. Eu sei que muitos Hyuugas vão me apoiar, principalmente os mais jovens, então eu aconsselho ao senhor aceitar a minha posse antes que todos saibam da crise existente dentro do clã.
– Há quanto tempo tem isso?
– Há tempo suficiente. Eu pensei que não precisaria mais dele, mas resolvi que estava na hora de eu tomar as rédeas da minha própria vida e começará agora enquanto eu me preparo para tomar conta deste clã.
– Só por cima do meu cadáver.
– Eu prefiro que não precise passar em cima do senhor ou do seu cadáver para isso, Oto-san. – ela disse séria e Hiashi nunca tinha visto sua primogênita falando consigo daquela maneira tão fria – Eu realmente prefiro. Com sua licença. – ela então se retirou deixando o líder do clã sozinho, e sentindo seu controle fugir por entre seus dedos.
Hinata não parou de andar até estar em seu quarto, onde trancou-se e em seguida se recostou contra a porta, finalmente se deixando rir como quisera fazer desde que entregara aquele pergaminho ao pai.
Desde que o havia recebido pelas mãos de sua serva, o havia mantido escondido sem saber se deveria realmente usá-lo
“Depois de alguns minutos de conversa, Hinata finalmente conseguiu ir para o seu quarto descansar.
Ao fechar as portas, toda a sua pose altiva se desfez, e enquanto caminhava em direção a sua cama, ia tirando suas peças de roupas até ficar nua. Ao se jogar no colchão macio e quente, percebeu que ainda mantinha os papeis que Hana havia lhe dado.
Com um suspiro desolado, ela esticou as mãos e os guardou em sua gaveta com tranca, em seguida escondendo a chave no fundo de sua caixinha de joias. Não precisaria mais daquilo mesmo.”
Mas agora ela finalmente tomou a decisão de que não podia continuar com aquele casamento. Não seria justo consigo mesmo ou mesmo com Akihiko . Ela falaria com o mesmo mais tarde e sabia que ele a entenderia. Por enquanto ela apenas queria descansar e pensar em como em um dia tudo pareceu desmoronar e em seguida estar perfeito, muito melhor do que antes.
Rindo, ela se perguntou não pela primeira vez o quanto seu amor por Naruto era forte e quanto o dele por ela poderia ser. Em seguida, ela não queria saber a resposta. O amor deles existia e era isso que importava. Ela sabia que Naruto nunca desistiria de seus objetivos por ela e não se importava com isso. Afinal, em nenhum momento um anularia o outro e ela estava bastante feliz por isso.
A verdade é que ela estava bastante feliz. Ponto final.
–-------------
– Então você decidiu não ir. – Tsunade resmungou quando Naruto chegou em seu escritório sem bater.
–Não, mesmo que o seu planinho de fazer Iruka dramatizar para mim, eu pensei que você fosse mais esperta que isso.
– E eu pensei que você talvez tivesse mudado agora que está namorando com Hyuuga Hinata.
Por sorte Naruto estava de costas e ela não viu sua expressão de choque e assombro, mas ele conseguiu manter seu rosto impassivel quando virou-se novamente.
– Quem diria que a grande Hokage-sama gostava de uma fofoca da vila! — debochou e Tsunade bufou.
– Não me tome por essas garotinhas bobas, Naruto. Kakashi foi quem me contou e eu estou preocupada.
Naruto mataria o ex-sensei. Está decidido. Mas por hora, outra conclusão chegou a sua mente.
– É por isso que quer que eu vá? Para me manter longe da preciosa filha de Hiashi Hyuuga.
– Ela é apenas um trofeu para você não é Naruto? Um meio de irritar Hiashi! — acusou e dessa vez sentiu a aura de furia do ninja, mas não parou – Mas se Hiashi descobrir, ele fará de tudo para fazer sua vida um inferno, e a minha também!!
– Eu não me importo com aquele velho!
– E com seu sonho de ser Hokage? Será que com isso se importa? – ela levantou-se alterada – Porque eu falo sério Naruto, Hiashi ainda tem influencia e se você desafiá-lo, ele nunca deixará que você seja meu sucessor! – ela suspirou, não gostando realmente do que estava fazendo, mas ela sabia que era para o bem do ninja cabeça oca – Infelizmente você terá que escolher, Naruto, entre esse namoro torto e seu sonho de ser o Hokage.
O loiro ficou em silêncio fitando a mulher com um desprezo frio.
– Infelizmente você terá que escolher...
– Eu escolho!
– Ótimo.
– Eu escolho Hinata!
– O que? VOCÊ NÃO PODE ESTAR FALANDO SÉRIO. – ela berrou enquanto o via andar em direção a saída – Você não pode realmente estar desistindo de seu sonho por causa desse amor obsessivo!!!!
Naruto parou por um instante, sorrindo de lado devido o termo usado para descrever seu amor e deu de ombros.
– Parece que estou sim.
E saiu, deixando a Hokage sozinha e completamente chocada.
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