Paraiso Imperfeito

38 Fúria_Part Final


Notas iniciais
Gente volteeei! Demoro, mas não abandono! Foi um capitulo tão difícil quanto o anterior, mas esse ficou bem maior...eu acho... Quero agradecer os comentários, recomendações e dar as boas vindas aos leitores novos! Sem mais, boa leitura! E eu espero realmente que gostem!

"Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo."

Mahatma Gandhi

Konoha estremeceu perante o poder amaldiçoado do Bijuu que a muito tempo eles não sentiam, mas não tempo o suficiente para esquecer o sentimento de medo e pavor. Logo gritos começaram a ecoar por toda a vila, assim como o pânico e não demorou muito para a destruição.

Quando uma das caudas se chocou contra os primeiros prédios, a cidade já estava tomada pelo caos e em seguida pela escuridão.

No clã Uchiha, Sakura engasgou e quase caiu quando o chão estremeceu, não fosse uma mão firme em sua cintura para mantê-la. Ela olhou para o Uchiha ao seu lado que tinha os olhos fixos em direção a janela como se soubesse exatamente o que estava acontecendo lá fora. E ele sabia, ela também.

— Naruto... – ela suspirou angustiada.

— Eu preciso ir. – Sasuke afirmou já se virando em direção a porta, a escuridão já uma amiga recorrente não o incomodava mais.

— Espere! – Sakura, entretanto desacostumada ao escuro, quase se chocou com a mesinha de centro se novamente o moreno não tomasse sua mão, e ironicamente era ele agora quem a guiava em direção ao sofá. – Você não pode ir! Eles não precisam de você lá! Está fraco por conta do tratamento!

Ela sabia o quanto ele detestava aquela palavra, mas não podia deixá-lo ir.

— Eu sou o único...

— Não é. Temos mais uma Uchiha agora, lembra-se? – a rosada revirou os olhos, mas um riso escapou de seus lábios.

— E confia nela controlando a Kyuube? – Sasuke levantou uma das sobrancelhas. Ela sabia que era uma provocação e deu de ombros.

— Sei que Naruto a matará caso ela faça algo contra a vila. E ela sabe disso.

— O dobe nunca conseguiu matar a mim. – Sasuke debochou.

— Ele gosta de você, não dela. E nós dois sabemos que Naruto mudou muito desde aquela época e que agora por exemplo, ele não hesitaria em matá-lo se fosse preciso. – ela foi direta e por um instante ele se deixou analisar as palavras dela e o modo como foram ditas, sem nenhuma hesitação ou aborrecimento.

As próximas palavras foram interrompidas por outro estremecimento e eles podiam sentir de repente várias presenças se aproximando muito rápido.

ANBUS.

— Sim. Eu vou realmente me divertir hoje. – a voz esganiçada da Kyuube ecoou ao se ver cercada por dezenas de ANBUS e nesse momento a mulher loira líder do bando de humanos apetitosos apareceu.

— NARUTO!!! O QUE ESTÁ FAZENDO? – ela gritou e o bijuu deu um sorriso de raposa.

A transformação estava apenas pela metade, mas era o suficiente para a Kyuube conseguir causa o terror e a destruição que tanto almejava. Dentro de si, Naruto estava tão preso em seu próprio ódio que permitia o domínio do bijuu.

— Ele não pode ouvi-la, encantadora de lesmas.

Com um balanço de cauda, um terremoto ainda mais forte se abalou contra a cidade, e o hotel foi a baixo.

— Todos saíram? – Ino perguntou temerosa a Sai. Assim que soubera da Kyuube, eles desocuparam os prédios e casas mais próximos.

— Se forem espertos, sim. – O moreno disse sem emoção, irritando a loira ainda mais, até ela se lembrar de algo.

— Onde está a princesa pirralha? – murmurou para si mesma, quando percebeu que Sai já ia em direção onde os ANBUS e a Kyuube estavam.

Em uma olhada rápida, ela viu a destruição e automaticamente sua mão foi até seu ventre, fazendo uma oração silenciosa que todos ficassem bem.

Foi nesse momento em que ela viu a princesa. Entrando em uma casa pequena e frágil e grunhiu irritada indo em direção a ela.

— PRINCESA!! SAIA DAÍ! Não é um bom lugar para se esconder, a casa caíra em breve.

Sem resposta, ela deu um passo, passando pela porta escancarada quando viu a princesa, mas a mesma não estava sozinha. Ela vinha apoiando uma senhora idosa e cega. Nesse momento, entretanto elas ouviram um estalo e a princesa e a kunoichi se entreolharam ao mesmo tempo, vendo o medo nos olhos uma da outra.

Sem nem pensar, Ino correu para dentro da casa e ajudou Kaori a praticamente carregar a velha senhora para fora da casa, mas quando estavam quase saindo, uma das vigas da casa desabou exatamente sob uma das pernas de Ino que caiu quase levando a senhora e a princesa com ela, mas Kaori foi forte em seu manter firme.

— SERVA!!

— VÁ!! SAIAM DAQUI AGORA!

— Mas...

— VAI KAORI!!!

A princesa hesitou, mas acatou a ordem pela primeira vez em muito tempo e saiu de lá, quase sendo jogada para fora de casa quando o chão estremeceu novamente.

— Serva... – ela murmurou, olhando em direção a casa que começava a despencar.

Ino tentou se mover de todas as formas, mas não conseguiu. Ela já estava começando a entrar em pânico quando novamente ouviu um estalo, mas foi surpreendida quando uma nova sombra entrou na casa.

— VAI DESMORONAR!! – ela conseguiu gritar.

— Então que diabos ainda está fazendo aqui, Yamanaka!!!

Com completa surpresa ela viu ninguém menos que Temari entrar na casa e se agachar ao seu lado.

— O que está fazendo aqui?

— Meu dever como uma ninja e princesa. – A princesa respondeu e reunindo suas forças, ela tentou levantar a viga sob os olhos chocados de Ino que nunca imaginou a princesa de Suna arriscando sua vida por ela.

Mas a mesma conseguiu levantar a viga e Ino puxar a perna quebrada. Novamente com a ajuda de Temari ela se levantou e assim as duas se arrastaram para fora da casinha que desabou assim que elas saíram.

— Bem...eu sou a única com uma sensação de deja vu? – Temari suspirou, mas nesse momento percebeu que Ino desmaiou – Ah ótimo.

Enquanto isso, os ANBUS tentavam conter a Kyuube com a ajuda do Kazekage sem sucesso. A mesma parecia disposta a sangue.

— Eu posso controlá-la. – Tsunade ouviu ao seu lado e sem nem precisar desviar o olhar do massacre que acontecia em sua frente, ela sabia que a Uchiha estava ao seu lado.

— SERÁ QUE NÃO HÁ UM VERME FORTE O SUFICIENTE NESSA VILA PATETICA? – A Kyuube zombou quando uma nova cauda apareceu.

— VOCÊ NÃO ME DEIXA SAÍDA, NARUTO! – A Hokage gritou e ao seu lado Sayuri sorriu e ativou seu donjutso.

— Oh, uma Uchiha, eu ouvi mesmo falar ao seu respeito. Não me impressionou.

Sayuri rosnou.

— Veremos então. Ta na hora de adestrar uma raposa.

Sayuri atacou com força total seu donjutso, entrando na mente perturbada da raposa e por um instante pensou ter conseguido. Lá dentro, ela viu uma enorme jaula, com as portas escancaradas e ao lado Naruto com os olhos furiosos.

— BAKA, VAI DESTRUIR SUA VILA ASSIM.

— Como se eu me importasse? Eu vou matar aquele velho! – A voz dele era esganiçada como uma mistura de sua própria voz com a Kyuube.

— Tanto quanto eu queria ver isso, eu não posso deixar você destruir a cidade sede da loja de Nita-sama...ainda mais agora que finalmente virei uma sócia respeitável...

O Naruto interno, entretanto, apenas sorriu, friamente e muito parecido com uma raposa enquanto olhava para a Uchiha com desprezo e loucura.

— Infelizmente você não pode impedir. Eu vou matar você também. – ele cantarolou, insanamente e nesse momento Sayuri sentiu como se sua cabeça explodisse e ela se viu para fora da mente da raposa.

E dentro de suas garras.

— SAYURI!!!!!!!!! – Kiba berrou quando uma das caudas atravessou um dos ombros da Uchiha de forma brutal.

— Achou mesmo que eu ia deixar minha mente descoberta para seus truques, Uchiha. O moleque também andou te estudando e enquanto nossas mentes estiverem conectadas, você não pode contra nós. No fim, até que lutarmos juntos não é realmente um mau negócio.

Sayuri cuspiu sangue quando foi jogada em direção a uma parede e a viu desmoronar sobre si. Estava acabado.

— Bem mestre das lesmas. Acho que esse foi seu último truque não?

Tsunade ofegou, os olhos arregalados de assombro quando Kakashi postou-se ao seu lado.

— Temos que selá-la novamente.

— Isso matará Naruto.

— Não vejo outra escolha. – Ela o olhou e ele viu o quanto tal opção a assombrava de forma tão cruel e mortal.

Mas nenhum deles teve de fazer nada, quando uma grande nevoa se instalou por toda a cidade de forma rápida e sem qualquer aviso.

Quando a mesma se dissipou eles se depararam com choque, a forma da Kyuube presa por grossas correntes que brilhavam. A sua frente, uma pessoa de negro encapuzada.

— Acha mesmo que pode me prender com truques bobos, Shinigami? – a raposa berrou, irritada, mas quando tentou se soltar, as correntes apenas a prenderam com mais força.

Com uma das caudas, ela conseguiu transpassar seu atacante, mas foi com surpresa que percebeu que a mesma o ultrapassou como o mesmo fosse apenas um espírito sem corpo.

— Já chega, Kyuube. Volte para sua sela.

Ele fez selos com as mãos e todos viram a transformação retrocedendo, como se a medida que os segundos passassem, o manto da raposa se dissipasse causando uma grande dor a mesma, até que tudo que restasse fosse um Naruto bastante irado, preso a correntes.

— ME SOLTA, SEU MALDITO! VOU MATÁ-LOS.

— Não posso Naruto-sensei... – o jovem lamentou finalmente deixando o capuz cair e todos quase não reconheceram o jovem e mudado Konohamaru.

— ELE ENTREGOU HINATA! ELE CONDENOU A MINHA HINATA!! – Naruto ainda estava enlouquecido.

Nesse momento todos puderam se aproximar, e Tsunade viu Iruka trazendo ninguém menos que um quebrado Líder do Clã Hyuuga.

— MALDITO HIASHI!!!! – o ódio de Naruto quase fez as correntes se quebrarem, mas Konohamaru segurou firme.

— O que vocês fizeram? – Tsunade perguntou.

— O Shinigami tem um poder de aprisionar almas. – Iruka explicou – Konohamaru ainda não consegue aprisioná-las por completo sem um selo, mas pode incapacitar seu poder.

— É bom tê-lo de volta, garoto. – Kakashi surpreendeu – Mas acho que o líder do clã tem algo que queira nos falar. Assim que recuperar a consciência.

Naruto se acalmava aos poucos, e enfraquecido quase caiu se Konohamaru não o tivesse apoiado.

— O Maldito armou o sequestro da própria filha! Eu o quero morto! – ele conseguiu dizer em um fio de voz, ainda que mantivesse a cabeça abaixada, provavelmente de vergonha por ter se descontrolado.

— Levem Hiashi para o hospital e em seguida para o interrogatório. – Tsunade esbravejou – Konohamaru e Iruka, nem preciso dizer o quanto estou feliz em vê-los. E quanto a você Naruto...

— Que se dane! – ele gritou a assustando, mas em seguida ela percebeu que seus olhos já haviam voltado a ser azuis e tinham lágrimas.

— Volte para seu apartamento e descanse. Conversaremos amanhã.

— Temos que achar Hinata!

— Eu vou ajudá-lo a encontrá-la, sensei!! Eu prometo!! – Konohamaru murmurou e Naruto não sabe se estava muito cansado, ou desesperado, mas ele realmente acreditou na palavra do jovem guerreiro e se deixou levar por ele.

— Acho que o relatórios das últimas semanas pode esperar até amanhã. – Iruka disse, enquanto observava a destruição ao seu redor.

— Hoje, vocês já provaram o suficiente da eficácia do treinamento. – tsunade suspirou – Eu quero que os ANBUS ajudem a limpar essa bagunça e reforço redobrado no hospital! E assim que Hiashi Hyuuga acordar eu quero ser notificada imediatamente, entenderam???

— Hai!!

Tsunade suspirou, arrasada com a total perda de controle dos últimos dias. Era o começo de uma guerra novamente, mas dessa vez dentro de Konoha...

***

Sakura suspirou em um misto de alivio e dúvida. A presença da Kyuube se fora, após a nevoa suspeita que se instalou de repente, mas a luz ainda não voltara e ela e Sasuke se mantinham sentados ao redor da mesinha de centro onde uma vela queimava lentamente.

— Você tinha razão... – ela ouviu a voz do moreno ao seu lado e o olhou, podendo agora ver com mais clareza seu rosto pálido e seus cabelos negros caindo sob seus olhos igualmente negros, ainda que estes mantinham-se opacos.

— Do que?

— Eles não precisam de mim...

A rosada imediatamente retesou, engolindo a mágoa palpavel que aquelas palavras significavam.

— Mas precisarão... – ela se deixou dizer antes que pudesse se refreiar. – Afinal, você ainda é um dos ninjas mais fortes do mundo Shinobi.

— Cego...

— Por enquanto. – ela o cortou – O tratamento vai fazer efeito. Eu tenho certeza! – ela disse com afinco e o viu dar um pequeno sorriso melancólico.

— Não tem não.

— Mas eu vou fazer de tudo. Eu vou dar o meu melhor. – ela continuou sem se deixar abater pelas palavras dele. Não sabia por que derramava aquilo que ela tentara guardar para si durante as últimas semanas – Eu não vou desistir. Nunca.

Sasuke a olhou e ainda que não fosse com perfeição, ele podia ver seu rosto borrado e discernir seus cabelos rosados. Ela não sabia de seu progresso e ele preferia deixar assim. Uchihas não gostavam de contar com a esperança, mas naquele momento vê-la próxima o suficiente para sentir seu cheiro fresco, era quase impossível resistir de tocá-la.

Ele olhava em sua direção como se pudesse vê-la, e não pode evitar de corar na escuridão. Ela o viu engolir em seco e mordeu o lábio com nervosismo, se perguntando por que se mantinha naquela obvia armadilha. Ele estava tão perto que ela podia tocá-lo. E aqueles malditos sentimentos voltavam novamente com toda a força que tinham.

A vela queimou tão rápido até o final e aos poucos foi se apagando até que a pouca claridade ia se acabando até tudo o que restar era a escuridão novamente, mas eles nem perceberam pois estavam cara a cara sentindo a respiração um do outro acariciar-lhes a face como uma provocação velada dos sentimentos que ainda tinham um pelo outro.

Sakura olhou naqueles olhos escuros e os viu fixos nos seus e sabia que era tarde demais. Ela já estava rendida.

— Uchiha e Haruno.

Uma voz na escuridão foi como um choque elétrico em ambos que se afastaram imediatamente.

— Vocês estão bem? – O ANBU perguntou e Sakura levantou-se batendo o joelho no processo.

— O que aconteceu? – Sasuke perguntou também se levantando, com mais elegância.

— A Kyuube foi contida, mas houve muitas baixas e a Hokage pede o máximo de reforços no hospital.

— Eu já estou indo. – Sakura se prontificou imediatamente.

— Também vim informar que a policial Uchiha foi gravemente ferida em combate e se encontra em cirurgia.

Sakura olhou para Sasuke com aflição, e o mesmo manteve-se impassível não fosse pelas mãos fechadas em punho que apenas ela deve ter notado.

— Eu o ajudo a chegar lá.

Ele concordou e o ANBU se foi, mas assim que ela deu o primeiro passo, trombou em alguma coisa e ele a segurou, consequentemente colando as costas dela em seu peito e sua boca ficando na altura do ouvido dela.

— Eu te ajudo a sair daqui. – ele provocou e ela tentou muito firmemente manter a distancia segura para que ele não escutasse as batidas fortes de seu coração traidor.

***

— Como ela está? Será que alguém pode me dar uma droga de informação sobre a minha parceira? – Kiba bufou já com raiva e um dos médicos finalmente se compadeceu.

— Você é da família?

— Ela é minha parceira! – O Inuzuka repetiu aborrecido.

— Bem, ela está em cirurgia, pois perdeu muito sangue e seu estado é um pouco grave. Tsunade-sama foi chamada para cuidar de seu caso.

— C-certo... o-obrigado... – Kiba gaguejou, sentindo os joelhos fracos o forçando a se sentar em um dos bancos, repassando a cena de horror das últimas horas e se percebendo temeroso de perder aquela estúpida e arrogante Uchiha.

***

— Temari?

A princesa levantou o olhar para encontrar seu irmão mais novo se aproximar, segurando um dos braços enfaixado.

— Gaara, pelos deuses! O que aconteceu?

— Uma das caudas da Kyuube ultrapassou a barreira de areia. – ele explicou com pouco caso, então franziu o próprio nariz – O que você está fazendo aqui?

Temari suspirou se perguntando a mesma coisa.

— Vim trazer a Yamanaka.

— O que houve? – Foi quase imperceptivel, mas o tom de voz do Kazekage tornou-se mais grave e seu olhar mais duro.

— Eu não sei direito, mas ela quase é esmagada por uma casa se eu não chegasse.

— Deja vu... – Gaara murmurou quase para si mesmo, mas a irmã escutou.

— Eu não fui a única então! – ela brincou amargamente, mas deu um olhar para o quarto preocupada – Nesse estado, e teimando em se meter em encrenca. – bufou.

— Como ela está?

— Quebrou uma perna. Estão fazendo mais exames para saber do bebê. Será que você viu o Shikamaru por aí? Acho que alguém deveria avisar a família dela...

— Vá atrás dele. Eu fico aqui.

— Tem certeza? – ela sabia o quanto ele detestava hospitais e surpreendeu-se com a oferta, mas ele apenas acenou e ela aceitou e se foi. Estava preocupada com Ichigo também.

Sentando-se em uma cadeira, Gaara deixou a cadeira pender para trás e lançou um olhar em direção a porta do quarto onde aquela loira maluca estava. Ele se perguntava onde estaria seu namorado e o que ela diria se soubesse que era ele ali a sua espera.

***

Sozinho, Naruto olhou ao redor do seu apartamento apaticamente. Konohamaru relutara, mas se foi e ele agradeceu ao jovem, mesmo que não especificasse pelo que. Não precisava, o jovem agora era como ele agora e por um segundo o loiro se penalizou por tal situação nas costas do mais novo.

Ainda remoia as últimas horas. Seu descontrole, sua fúria, ele estava disposto a destruir Konoha mais uma vez se isso significasse a morte de Hiashi. A quanto tempo não se descontrolara assim? E apenas algumas palavras foram o suficiente para uma recaída fatal e a Kyuube estava esperando por isso. Como sempre esteve.

Havia machucado pessoas outra vez, colocado em perigo a vida de seus amigos, e Hinata continuava desaparecida. Ele sentia-se sufocar a cada minuto com a culpa, com a saudade e com o desespero que agora tomava conta de seu coração de forma menos explosiva, e muito mais dolorosa.

Impotente.

Não pela primeira vez desde que soubera do desaparecimento de Hinata, ele sentiu o gostinho do fracasso, de não ter conseguido proteger sua mulher, e isso era tão desesperador e esmagador quanto a culpa de machucar as pessoas que ele jurou proteger.

Que tipo de Hokage ele seria?

Inutil.

Ele precisava encontrar Hinata, ou tinha medo de se perder novamente, dessa vez para sempre.

***

— Naruto... – ela murmurou em seu sono, acordando em seguida, mas fraca demais para se manter com os olhos abertos.

Toshi mantinha-se ao seu lado, quase a olhando com curiosidade.

— Esse Naruto deve ser realmente muito importante para você. Eu sei que ele é forte e considerado um herói por muitas vilas, mas também sempre foi considerado um mulherengo. Por isso nos surpreendemos ao descobrir o cuidado dele por você. Eu realmente achei que Hidetaka não conseguiria capturá-la. Ele é quase obsessivo.

— N-não t-tem medo de quando ele...encontrar vocês, então?

Toshi não respondeu e Hinata suspirou, olhando para a substancia que era injetada em sua veia cada vez mais.

— E você não tem medo da reação dele quando descobrir que você não é mais uma ninja?

— Por que estão fazendo isso?

— Por que é a única maneira de vocês ninjas entenderem que não são deuses. E você logo verá que ninjas não são a salvação de ninguém princesa Hyuuga. Pelo contrário! Eles são monstros e se não existissem, viveríamos em paz eterna. Em igualdade!

— Igualdade não significa justiça. – Hinata murmurou sentindo seus olhos queimarem com lágrimas não derramadas. – O que vocês estão fazendo comigo não é justo.

— Você nos entenderá um dia. – ele decretou.

— Vocês podem tirar meu chacra, mas nós nunca seremos iguais. – ela rebateu – Você é o monstro aqui. – e dizendo isso fechou os olhos, encerrando o assunto e deixando que seu sequestrador se afastasse. Ela então abriu os olhos e uma lágrima caiu por sua bochecha – Naruto...

***

A lua se foi, mas os acontecimentos da noite apenas tiveram sua continuidade quando o sol nasceu na manhã seguinte.

Tsunade finalmente saiu da sala de cirurgia e encontrou o Uchiha sentado a sua espera no corredor, mas ele não estava sozinho.

— Ela está bem, Uchiha e...Inuzuka...Perdeu muito sangue e vai ficar inconscientes nas próximas horas. Podem ir para casa.

— Eu prefiro esperar que ela acorde. – Sasuke disse categórico, os óculos escuros lhe dando um olhar sóbrio, enquanto ao seu lado Kiba não tinha nada para mascarar suas olheiras da noite em claro.

— Eu também.

— Vocês é que sabem. Eu tenho um interrogatório agora para fazer. – Tsunade murmurou olhando para o fim do corredor onde Kakashi já a esperava. – Você fez?

— Konohamaru colocou um sonífero antes de deixá-lo ontem. Ele não gostou nada de fazer isso, mas vai manter Naruto dormindo até mais algumas horas.

— Espero que consigamos algo antes dele acordar.

***

— O senhor está acompanhando a Srta Yamanaka? – A enfermeira olhou para Gaara com um misto de desconfiança e malicia e o Kazekage acenou, em silêncio.

— Os resultados dos exames dela chegaram e ela está bem, a não ser por sua perna que já foi enfaixada. – Ela pausou por um instante – Creio que o senhor saiba de sua gravidez.

— Lógico. – sua resposta pareceu confirmar as suspeitas da enfermeira que tinha um brilho maroto nos olhos, enquanto pegava sua prancheta.

— Como ainda está no primeiro trimestre, eu recomendo o máximo de repouso possível e cuidado para não deixá-la se meter em mais alguma situação perigosa. – Ela finalizou o olhando com uma pontinha de acusação. – No mais, você pode vê-la se quiser. – E dizendo isso, ela se foi deixando o ruivo sozinho no corredor, em duvida sobre o que fazer.

Ele ficou parado olhando para a porta por mais alguns segundos, incertos, então quando ele daria o primeiro passo, Sakura apareceu acompanhada de um casal que Gaara desconfiava quem fossem.

— Kazekage? Passou a noite aqui? – Sakura perguntou com surpresa.

— Eu vim fazer um curativo ontem quando encontrei Temari. Ela havia trazido a Yamanaka para cá então eu resolvi ficar em seu lugar enquanto ela iria atrás da família ou do namorado da Yamanaka. – finalizou com uma pontinha de secura mal escondida.

— Eu sou pai de Ino. Agradecemos você e sua irmã por cuidar de nossa filha – O homem se adiantou sendo seguido pela esposa preocupada – Como estávamos ajudando algumas pessoas, descobrimos a pouco o que houve. Será que já deram alguma noticia.

— Uma enfermeira acabou de passar e disse que ela está bem, apesar de ter uma perna quebrada, e deve ficar em repouso por causa da gravidez. – ele não pode deixar de notar o estremecimento do casal com a menção da gravidez. – Vocês podem entrar se quiserem.

O casal agradeceu e num segundo já haviam entrado no quarto da filha, sendo seguida com o olhar pelo ruivo.

— Você ficou a noite toda aqui... – Sakura chamou sua atenção.

— Eu acreditava que os pais dela seriam contatados com mais rapidez. Ou no mínimo seu namorado. Bem, eu acho que eu não sou mais necessário aqui. Até mais.

— Até Kazekage... – ela murmurou, ainda um pouco aérea, e em seguida franziu o cenho — ...namorado? O que essa porquinha ‘ta me escondendo?

Sua linha de pensamento, entretanto, foi cortada com o vislumbre do Uchiha sentado em uma cadeira em uma ala oposta aquela que podia ser vista devido a uma grande janela naquele corredor. Ele estava sentado em uma ponta, parecendo impassível, uma magnífica estatua de mármore e ela não pode deixar de lembrar-se dos acontecimentos na noite anterior.

Eles estavam tão próximos. Kami, ela cometeria uma burrice na primeira oportunidade.

Hideo tinha razão, ela era uma tola ingênua por pensar que se manteria profissional vivendo ao lado do Uchiha praticamente 24h por dia. Ela estava perdida novamente, havia tentado tão duro se reerguer, e então em algumas horas se tornara a boba estúpida de antes.

O Uchiha era um perigo para sua sanidade, ela não tinha duvidas.

***

— Hiashi Hyuuga, você está sendo acusado de esconder informações sobre o sequestro de sua filha. – um dos conselheiros da vila perguntou.

Eles estavam no escritório da Hokage. Como uma pessoa importante, Hiashi tinha alguns benefícios e com a falta de provas, ele não seria levado ao interrogatório com Ebisu ou Anko.

— Aquele demônio quase me matou e eu estou sendo acusado. Isso é um ultraje! Uma completa falta de respeito. Ele quase destruiu a vila novamente!! Ele deveria estar preso ou morto..

Tsunade o interrompeu com um soco na mesa que a fez rachar.

— Pare com isso, Hiashi!! E conte de uma vez o que você sabe ou chamaremos o próprio Naruto aqui e nós dois sabemos que não seria nada seguro para você ficar no mesmo ambiente que ele. – finalizou com um pequeno sorriso frio, satisfeita ao vê-lo engolir em seco o medo obvio.

Ele havia sofrido muitas escoriações, mas com muita sorte não havia quebrado nada. A verdade, é que sua verdadeira sorte foi a libertação da Kyuube ou Naruto havia realmente o matado.

— Eu não posso acreditar que seu preconceito e o conservadorismo atrasado de seu clã o fizeram colocar sua própria filha em perigo. – A Hokage resmungou, a cada segundo tendo mais nojo daquele homem que se mantivera em silêncio e o queixo erguido. – JÁ CHEGA HIASHI! FALE DE UMA VEZ!!

A porta se abriu e todos se surpreenderam ao ver Hanabi Hyuuga escoltada por mais três Hyuugas, dentre eles Neji. Shizune vinha logo atrás esbaforida.

— Ela só foi entrando! Eu não pude impedir! – ela bufou – Ninguém mais respeita nada aqui!

— Tudo bem Shizume. Hanabi, seu pai está sendo interrogado agora. Tenho certeza de que foi informada dos últimos acontecimentos e da acusação grave contra ele.

— Sim Hokage-sama, entretanto, com ele sendo acusado e minha irmã desaparecida, eu assumo a liderança do clã provisóriamente. – ela fez uma pausa, seus olhos fixos na Hokage com altivez e seriedade – E como o crime do qual foi acusado é contra o próprio clã, e não há provas que o mantenham sob interrogatório de vocês, ele tem o direito de ser levado até o clã sob a minha supervisão até que vocês tenham provas mais contundentes.

— Mas só por cima.... – A Hokage foi interrompida por uma mão em seu ombro. Era Kakashi.

— A Srta. Hyuuga está certa, Hokage-sama. – Um dos conselheiros disse.

— Quando Naruto foi acusado...

— O juunchiriki não passa de um demônio descontrolado como todos pudemos ver na noite passada. – Hiashi disse com desprezo e satisfação enquanto já se levantava e ia em direção aos Hyuugas.

Hanabi e Tsunade se encararam. A pirralha tinha um olhar sério e arrogante, sem duvidas, o pai a treinara muito bem.

— Com sua licença, Hokage-sama. – ela disse, fazendo uma mesura, mas sem desviar o olhar da Hokage nem por um instante e em seguida saiu sendo seguida por Hiashi ao seu lado.

Neji lançou um último olhar culpado em direção a Hokage e também se foi, por último.

Tsunade respirou fundo e então socou tão duro a mesa que a mesma se partiu.

— Todos fora daqui. – ela ordenou e ninguém ousou desobedecê-la.

— Você foi muito bem. Mas esperava que tivesse sido mais rápida. – Hiashi disse sem deixar de olhar para frente, assim como a própria filha.

— Eu tinha alguns preparativos para cuidar. – Ela respondeu sem se abalar, e foi quando eles já estavam prestes a sair do prédio, outras duas pessoas entraram.

Ela reconheceu Iruka-sensei de imediato, mas o jovem ao lado dele era desconhecido ate o mesmo olhá-la surpreso com aqueles olhos castanhos, e então lhe sorrir de lado.

— Hanabi-chan. – Seu sorriso, entretanto, morreu, primeiro por ver Neji logo atrás dela o olhando com o desgosto de sempre, e depois simplesmente por ver Hiashi saindo do prédio. – Mas o que...?

— É bom saber de sua volta, Konohamaru-san. Iruka-sensei. – ela o interrompeu sem nenhuma alteração em sua voz e ignorou o olhar estranho do ex-colega de classe. – Agora se me dão licença, devo levar meu pai até o clã. – e ela simplesmente se foi, deixando Konohamaru com uma grande confusão na cabeça, até finalmente se dar conta do que aconteceu.

— Eles soltaram o velho! Me fizeram drogar Naruto-sensei para deixar o velho maldito escapar. – ele resmungou e Iruka conhecia exatamente aquele tom baixo e frio.

— Acalme-se. Tenho certeza que há uma boa explicação para isso.

— Não há. E Naruto-sensei tem razão. Essa vila sempre vai vê-lo como uma arma. Assim como a mim agora. – e dizendo isso, ele simplesmente deu meia volta.

— Konohamaru!

— Não se preocupe Iruka-sensei. Eu não vou destruir a vila. – ironizou e simplesmente sumiu.

Iruka respirou fundo e foi em busca de uma explicação.

***

Assim que passou pelos portões do Clã, Hiashi sentiu-se de fato orgulhoso por estar ali, livre, ainda que houvesse aquela parcela de culpa por Hinata. Agora, mais calmo, ele vira que fora realmente precipitado, deixou suas emoções guiá-lo e quase acabou morto, ou pior, preso.

Mas agora, ele estava de volta e obrigaria Yoichi a contar-lhe onde está sua filha.

— Eu estarei em meu escritório. – resmungou já se adiantando em direção a mansão principal, entretanto ficou estarrecido quando dois guardas impediram sua passagem.

— Oto-san. Eu acho que o senhor não entendeu. Com a acusação de Naruto sobre o senhor, e o desaparecimento de Hinata, eu estou no comando do clã.

— Uma acusação sem fundamentos, Hanabi! Sua posse é meramente uma grande fachada.

— Não. Ela já é oficial. – A mais nova disse, calmamente, fazendo o ex-líder do clã virar-se para encará-la – Fizemos ontem de madrugada assim que soubemos de sua prisão. Não poderíamos deixá-lo exposto ao Uzumaki, entretanto, você ficará sob nossa própria investigação e até provarmos sua inocência ou Hinata aparecer, eu sou a nova Líder do clã Hyuuga.

— Isso...isso... – ele gaguejou sem palavras, olhando ao redor e percebendo que estava cercado por Hyuugas e que as palavras da filha, eram verdadeiras – Os conselheiros nunca concordariam com tamanho desatino.

— Eles concordaram quando encontramos cartas no quarto de Yoichi Hyuuga o ligando aos possíveis sequestradores e ele disse a todos que você foi o mandante.

— VOCÊS ENLOUQUECERAM! É OBVIO QUE ELE ESTÁ MENTINDO.

— Eu espero que sim, Oto-san. – A voz de Hanabi era baixa, e ela aproximou-se o suficiente para que apenas o pai pudesse ouvi-la – Pois não vou perdoá-lo se descobrir que tentou fazer algum mal a minha irmã. – A ameaça velada deixou o mais velho em choque, enquanto a então líder afastou-se e olhou para os guardas dando-lhes um sinal para que se aproximassem.

— Eu não vou ficar preso em meu quarto. Isso é ainda mais ridículo do que aquele interrogatório!

— Não. Levem-no para o Dojo leste. – ela disse sem se abalar e no mesmo instante os guardas a obedeceram ficando um de cada lado de Hiashi.

— NÃO OUSEM ME TOCAR OU IRÃO SE ARREPENDER...

— HIASHI! – Hanabi levantou a voz deixando Hiashi ainda mais chocado – Eu o aconselho a se acalmar, pois ao contrário de seu interrogatório cheio de privilégios, aqui dentro do clã você não é nada mais que um ninja comum e como tal, os guardas tem ordens de detê-lo caso não coopere.

Hiashi bufava, soltando o ar pelas narinas como um animal raivoso enquanto olhava a filha que mantinha a pose impenetrável, como ele sempre a ensinara. Ele fechou os olhos, tentando se acalmar e dessa vez olhou para a filha e para Neji com frieza.

— Quando eu voltar, eu lhes ensinarei uma boa lição. Fiquem certos disso. – prometeu e finalmente se deixou levar pelos guardas.

Neji mantinha o olhar fixo no tio, sabendo que a promessa dele não era vazia e olhou para a prima em busca de alguma duvida. Não encontrou. Hanabi se manteve firme desde que tudo começara, mas ela não era estúpida e sabia que o pai falava sério, e se caso realmente ele fosse solto, Neji tinha certeza de que ele ativaria seu selo e o mataria, enquanto Hanabi seria provavelmente selada, na melhor das hipóteses.

Hanabi sabia que estava arriscando tudo.

— Tem certeza que vai prosseguir com isso?

— Tenho. Mas você não precisa me apoiar.

— Preciso.

Eles se entreolharam e não precisavam dizer mais nada. Sabiam que naquele momento, tudo o que tinham era um ao outro e nenhum dos dois iria fraquejar.

Hiashi entrou no menor Dojo do clã e grunhiu irritado ao analisar seu atual aposento desconfortável. Seus extintos ninja logo o alertaram para uma nova presença e ele virou a tempo de ver uma figura sair das sombras.

— Você também! – Acusou, sentindo a raiva voltar a borbulhar em seu peito.

— Ora pelo visto vamos dividir nossa cela particular, Hiashi. – Yoichi ironizou com pouco caso, olhando com ironia – Ou deveria dizer ex-líder do clã?

***

— Sua tia quer que passemos um tempo lá depois que soube o que houve.

— Como ela soube? – Ino perguntou a mãe distraidamente passando a mão sobre o ventre.

— As noticias correm rápido demais. – Seu pai a olhou com cuidado, a surpreendendo ao pousar a mão sobre a sua. – mas a Hokage já está pensando em um jeito de abafar o caso. Ela já conseguiu uma vez com a Hyuuga e conseguirá novamente.

— E claro que não aceitamos. Não podemos deixá-la sozinha afinal – A sra Yamanaka disse docemente, apesar de nervosa.

— Eu gostaria que aceitassem.

— Como? – eles a olharam com surpresa.

— Com tudo o que houve, nós não podemos conversar direito sobre isso e eu espero que tenham mantido segredo – ela os olhou com preocupação, aliviando-se quando os mesmos acenaram positivamente – Talvez passar um tempo com a tia Yono nos fará pensar melhor.

— Absolutamente não. – Seu pai disse categórico, e sua mãe concordou.

— Você só nos quer longe para fugir novamente do grande elefante branco que está na sala.

— Em breve eu serei o grande elefante branco. – Ino divagou, temerosa, mas seus pais se aproximaram.

— E nós estaremos lá para ajudá-la a cuidar de tudo. Você não está sozinha, filha.

Provavelmente eram os hormônios, mas Ino sentiu seus olhos queimarem com lágrimas, mas as limpou rapidamente.

— Vocês são incríveis.

— Agora vamos sair para preparar a casa quando você voltar. A tardinha voltamos para levá-la.

— Hai. – Ino disse mais animada, enquanto via os pais saindo ao mesmo tempo em que uma cabeça rosada aparecia e entrava no quarto. – Hei testuda.

— Porca, você sempre fazendo uma cena para ser o centro das atenções heim?!

— Você sabe que isso é injusto. Eu apareço naturalmente!!

As duas riram da brincadeira e Sakura abraçou a amiga com cuidado, em seguida a olhando com ternura, mas foi Ino quem franziu o cenho ao ver suas olheiras.

— Você está um bagaço Haruno! Há quanto tempo não dorme?

— Em breve fará 30 horas. – Sakura disse com um bocejo – Você não foi a única que veio parar por aqui. – Ela fez uma pausa, hesitante – Eu acabei de saber que a Uchiha acordou. Ela quase morreu ontem... – finalizou franzindo o cenho.

— Em outras épocas você agradeceria o Naruto. – Apesar do deboche, Ino a olhou com seriedade como se tentasse descobrir algo por trás dos olhos verdes, e a rosada sorriu cansada.

— É verdade né? Mas eu comecei a perceber que por trás de toda a arrogância Uchiha há sentimentos relevantes...

— Bem, bem, de qual Uchiha estamos falando heim? – Ino ironizou e Sakura fez um barulho com a boca, enquanto dava de ombros.

— Hei, não me distraia. Eu vim saber como você estava. E principalmente o meu afilhado.

— Eu estou bem e elA também... – A loira riu entrando na brincadeira, deixando a médica satisfeita.

— Eu acho ótimo ouvir isso – Sakura disse se afastando levemente da amiga e colocando as mãos na cintura — porque assim não poderá fingir um desmaio com a conversa que teremos.

— Conversa sobre o que? – Ino não estava gostando nada daquilo.

— Yamanaka, eu exijo que você me conte quem é o pai do seu filho.

Ino engasgou.

— O que? Que história é essa agora? Eu já disse. É um cara que você não conhece. Foi coisa de uma noite só...eu estava carente por causa do Shikamaru.

— Então eu posso supor que se trata de um ninja da vila da areia.

— Hã? P-por que?

— Bem, pelo o que você me contou Shikamaru e Temari se acertaram na vila da areia, e quando vocês voltaram para Konoha, você mesmo disse que já não gostava mais dele do mesmo jeito. Então eu só posso presumir...

— Ok!! OKeeeeey!!! – Aquela conversa estava começando a lhe tirar todo o bom humor, mas a kunoichi conhecia aquele olhar da amiga de que não desistiria tão fácil – Foi alguém da vila da areia. Satisfeita?

— Não. Por que você não contou pra ele?

— Por que ele mora na Areia!!! – Ino disse como se já explicasse tudo – E por que como eu já disse, foi um caso de uma noite e ele não quer nada comigo... – finalizou em um murmúrio – E eu também não quero nada dele! Muito menos piedade!

— Porque ele teria piedade de você? Quem sabe ele não fique feliz que vai ter um filho?

— Não testuda!!! Isso arruinaria a vida dele!! – A loira finalmente explodiu. Esperava que Sakura estivesse satisfeita, agora ela estava realmente chorando. – Ele não gosta de mim!! Ele vai até se casar! E se descobre que eu estou grávida, ele pode até querer tomar o filho de mim, já que ele se acha tão poderoso! – riu secamente — Por isso ele nunca, nunca, nunca vai saber!! – finalizou ofegante e permaneceu assim, enquanto um grave silêncio se estabeleceu pelo quarto.

Sakura se aproximou novamente e pegou sua mão.

— Ino...o pai do seu filho...é o Gaara Sabaku? – perguntou pausadamente e viu a amiga simplesmente congelar, o que lhe deu coragem para continuar, mesmo que aquilo ainda lhe parecesse completamente surreal – Você está grávida do Kazekage?!

Ino estava a beira de um ataque de pânico e olhava para a janela como uma opção de fuga daquela conversa, até Sakura se por em sua frente a impedindo seu plano de fuga. Qual era o problema das pessoas agora com sua opção de fingir ignorar seus problemas até que eles se resolvessem sozinhos ou – como acontecia na maioria das vezes – explodissem na cara dela?

— Responde Ino!

Ela poderia mentir, ainda havia essa saída e tanto quanto um dia a criança pudesse nascer ruiva, Gaara não poderia ser o único ruivo sexualmente ativo da face da terra!!

— YAMANAKA!

— É!! DROGA!!! – ela finalmente disse e respirou fundo como se um grande peso tivesse sido tirado de seu peito – Eu estou grávida do Kazekage maldito!

— Omeukami!OH.MEU.KAMI!! – Sakura tinha a mão na boca, abafando suas próprias palavras e provavelmente seu choque.

— Quem deveria estar tendo ataque de pânico sou eu. – A loira ironizou aborrecida.

— Ino! Pelo amor de todos os deuses! Você está grávida do Kazekage e simplesmente quer ignorar isso e não falar para ele? De todas as suas burrices estúpidas, essa definitivamente é a pior!

— Eu já disse Sakura. Foi algo que aconteceu só uma vez... – ela hesitou, corando – ou duas...

— DUAS VEZES?

— EU SEI OK? FOI ESTUPIDEZ! – Ela choramingou – Mas eu estava carente e sozinha enquanto Shikamaru não saia do quarto da princesa promiscua e...bom...ele e eu...quando nós vimos...q-quer dizer...tinha um corredor...e então o quarto dele e-e-e... – ela ficava mais nervosa a cada vez que Sakura arregalava mais os olhos — ...então teve aquela f-festa e...o...estábulo...

— INO!

— AIMEUKAMI! EU ESTOU TÃO FERRADA!! – Ela choramingou alto, e seu corpo inteiro convulsionou em choque, como se pela primeira vez tivesse dito isso alto e tornado definitivamente real e assustador.

Sakura, se compadecendo da amiga, aproximou-se e a abraçou.

— Calma. Eu estou aqui com você, vai dar tudo certo. – ela sussurrou

***

Ela suspirou incomodada com os estúpidos raios solares, tinha certeza que havia deixado a cortina fechada. Então ao abrir os olhos percebeu o teto branco primeiro e um Sasuke Uchiha de pé ao seu lado parecendo olhá-la por trás dos óculos escuros.

Aos poucos, as memórias da noite anterior voltaram e ela fez uma careta agradecendo que o Uchiha estivesse cego, pois ela deveria estar realmente com uma cara horrível.

— Você foi descuidada. – ele disse como se realmente falasse do tempo, e a fez revirar os olhos – E arrogante...

— Bem, eu sou uma Uchiha afinal. Há uma razão para sermos os últimos – ela provocou e o viu dar o começo de um sorriso.

— Você quase morreu.

— Com medo? – ela perguntou sentando-se na cama, mas ele não respondeu – Não se preocupe, eu não morrerei até derrotá-lo.

— Bem, pelo visto você está bem até demais. O médico disse que receberá alta amanhã e poderá ir para casa.

— Tanto faz. – ela resmungou emburrada, então foi surpreendida quando sentiu a mão dele em sua cabeça, bagunçando seus cabelos de uma forma inesperadamente carinhosa, enquanto tinha um pequeno, mas real sorriso no rosto.

— Seja bem vinda de volta. – ele disse e dessa vez sua mão foi até o nariz dela e o apertou, do mesmo jeito que ele fazia quando eles eram crianças – ...baka.

Foi a vez dela sorrir.

— Não me chame de baka, sasu-nii-chan! – provocou o vendo bufar de brincadeira e fazendo os dois rirem levemente.

E foi essa cena bizarra que Kiba presenciou quando resolveu entrar.

— Oe...t-tudo bem com v-vocês? – ele franziu o cenho, hesitante e realmente assustado em ver não um, mas dois Uchihas sorrindo e Kami sabia o quanto isso não poderia significar boa coisa.

— Ora se não é o Baka sentimental! Não me diga que veio me visitar!? – ela provocou e Kiba estava prestes a negar quando Sasuke resolveu se meter.

— Na verdade, eu soube que ele que tirou você de debaixo dos escombros e a trouxe para cá e desde então não saiu de perto. – Finalizou colocando uma mão no ombro do Inuzuka, sentindo toda a sua tensão imediata o que apenas o deixou de mais bom humor. – Eu acho que vou pra casa agora.

— Você me paga Uchiha. – Ele ouviu o baka resmungar e fingiu inocência.

— De nada. – e dizendo isso, saiu deixando os dois a sós.

— Para um cegueta, ele continua o mesmo babaca. – Kiba disse, ainda tentando deixar de corar, enquanto aproximava-se da cama – Então, como se sente?

— Bem, apesar do orgulho ferido. – ela ironizou e o viu sentar na beira de sua cama.

— Bom, não é como se qualquer um de nós tivéssemos tido melhor sorte para conter o Naruto.

Sayuri deu um risinho e Kiba não pode deixar de admirar aquele momento tão raro acontecendo pela segunda vez.

— Então...você que é o meu cavaleiro salvador? – ela tinha um sobrancelha levantada e ele revirou os olhos, e bufou.

— Ah por favor!! Eu nem sabia que era você debaixo daquelas pedras – ele mentiu e ela sabia disso vendo as bochechas dele queimarem levemente.

— E não é verdade que você ficou preocupadinho comigo durante toda a noite?

— Você é minha parceira, caramba!! É normal eu ter o mínimo de preocupação com você, mesmo que seja uma cadela arrogante. – ele disse emburrado como uma criança mal humorada, até sentir seu cabelo ser puxado com força – Aiaiaiai!

— Você é o único pulguento aqui, Inuzuka!! – ela rosnou e ele gemeu de dor, mas foi surpreendido com um selinho, e a viu se afastar com um sorrisinho malicioso.

— Maluca!

— E mesmo assim, você está se apaixonando por mim. Quem é mais maluco?

— Nani? Apaixonando? – ele gargalhou alto – Até parece, Uchiha. – Então fingiu limpar a boca – Eca, minha boca ficou só remédio.

— Imagina a minha que ficou com bafo de cachorro.

Eles se encararam em desafio e sabiam que continuariam a brigar, mas não se importavam.

***

Assim que saiu do quarto, Sasuke se encaminhou em direção a saída, quando ouviu um fungado que conhecia muito bem.

— Sakura?

Sakura levantou o olhar e limpou rapidamente as lágrimas, enquanto saia do canto em que estivera escondida desde a conversa que tivera com Ino. Estava com muito medo pela amiga, e com pena, pois percebia algo que nem a própria loira havia se dado conta ainda.

— Hei Sasuke...Como está Sayuri? Soube que ela já acordou.

— Está viva. – ele disse simplesmente e Sakura acenou, até notar que as mãos do Uchiha tremiam levemente.

— Você não tomou seus remédios. – ela sussurrou em realizou e o viu fechar as mãos em punho.

— Já que a Sayuri está bem, eu vou voltar para o bairro Uchiha.

— Espere! E-eu também já estou de saída. As coisas aqui se tranquilizaram.

— Você precisa de um descanso Sakura...

— Eu vou descansar. – ela afirmou – Assim que você tomar seus remédios. – Disse com firmeza – Agora espere aqui que eu já volto. Nem pense em fugir, Uchiha. – ela brincou e saiu apressada.

Balançando a cabeça, Sasuke não pode deixar de sorrir enquanto sentava-se em uma cadeira e apreciava a luz natural do sol e as pequenas formas borradas ao seu redor, dentre eles um pontinho rosa que se afastava apressada.

***

— Como você pode ser tão estúpido a ponto de deixar cartas que o expusessem? – Hiashi esbravejou – Quão estúpido você é, Youchi!

Mas o outro conselheiro não parecia nenhum pouco preocupado.

— Que horas devem ser?

— O que importa?

Youchi riu: Sabe, uma hora dessas Hinata-sama já deve estar morta. Eu disse que se não tivessem noticias de mim até o começo da tarde, eles deveriam se livrar das testemunhas. – gargalhou e foi surpreendido ao ter sua garganta apertada.

— Baka Maldito! Eu vou estar na primeira fila para ver seu enforcamento!!

— Do que está falando Hiashi? Você estará na forca ao lado! – Yoichi disse, esganiçado e teve sua garganta apertada com mais força.

— Não! Eles não tem prova contra mim, além dessa sua palavra nojenta e a daquele monstro. Eu sou o líder do clã Hyuuga.

— Você era! – o outro provocou – Abra os olhos, Hiashi! Você foi deposto! Os outros conselheiros se voltaram contra nós na primeira oportunidade, e quando Hinata aparecer morta, o escândalo será tamanho que eles verão que o melhor para o clã é manter Hanabi e matar a nós dois a fim de esconder suas próprias sujeiras.

Ele tinha razão e Hiashi sabia disso, por isso o soltou. Precisava pensar em uma saída, mas a risada de Youchi o irritava.

— Ainda sim você está muito feliz para alguém que vai morrer de qualquer jeito! Enlouqueceu de vez?

— Como você disse, eu morrerei de qualquer forma. – ele deu de ombros de forma despreocupada – Mas meu filho é inocente, e quando ele vencer Neji e se casar com hanabi, ele será o líder do clã.

— Como se Neji fosse perder para um moleque. – Hiashi riu e nesse momento sentiu algo contra suas costas e lembrou-se que sua Kunai mantinha-se no mesmo lugar escondida em um compartimento em sua roupa.

— Não se preocupe. Meu filho dará um jeito para ele nem comparecer na luta.

Mal ele havia terminado e tinha novamente sua garganta presa entre as mãos do ex-líder do clã.

— Não é irônico Hiashi. – ele dizia com dificuldade para respirar – Mesmo depois de tudo o que você fez...Você matou sua própria filha...e mesmo assim eu ganhei.

— Se acha que eu permitirei isso, é porque não me conhece Youchi! Como você mesmo disse, eu fui capaz de colocar a vida de Hinata em risco, e talvez ela esteja morta agora, mas meu único erro foi me aliar a um velho maldito como você. Eu sairei dessa Yoichi, muito mais forte enquanto você e sua família serão mortos por tentar conspirar contra seu líder.

***

— Hanabi-sama. – hana fez uma misura – Desculpe a intromisão – ela olhou para Neji que era o único com a moça no escritório naquele momento – Mas o filho de Youchi-sama exige vê-la.

— Aquele maldito não exige nada aqui. – Hanabi resmungou – Deixe-o entrar de uma vez.

Kotaro entrou no escritório, parecendo cansado e irritado.

— Se veio aqui falar sobre a prisão de seu pai...

— Eu já falei com ele e o mesmo disse que eu não deveria fazer nada, Hanabi-sama. Eu venho aqui por outro motivo.

— Então diga de uma vez. – Neji se intrometeu deixando claro que não gostava nada de vê-lo ali.

— Eu vim saber, Hanabi-sama, se pretende aproveitar esse seu pequeno golpe para cancelar a minha luta pela sua mão em casamento.

Tanto Neji quanto Hanabi foram completamente pegos de surpresa com tal declaração, uma vez que estiveram tão ocupados que nem ao menos pensaram sobre tal questão. Hanabi imediatamente olhou para Neji que parecia tão em choque quanto ela, mas quando viu seus olhos reconheceu o sentimento esperançoso que destroçou seu coração.

— Você poderia cancelar o casamento. – ele murmurou – E com isso, a luta entre os pretendentes.

Hanabi sorriu para Kotaro, deliciando-se com o desgosto dele, mas então finalmente falou:

— Eu não cancelarei nada. Não precisa se desesperar, Kotaro-san. – Ela disse calmamente, voltando seu olhar a papelada.

— Eu fico feliz que tenha honra e palavra, Hanabi-chan. Serei um homem abençoado ao tê-la como esposa.

— Dê o fora.

Kotaro riu para Neji e se foi. Sozinhos novamente, Hanabi não ousava olhar para o primo ao seu lado e o mesmo manteve-se em silêncio.

— Seria inútil cancelar, já que há a possibilidade de meu pai voltar ao comando daqui e me obrigar a casar novamente.

Neji permaneceu em silêncio e assim se dirigiu até a porta.

— Neji... – ela começou, mas nesse momento a porta foi aberta bruscamente por Hana, dessa vez esbaforida e com os olhos esbugalhados – O que foi dessa vez?

— Há uma comoção do Dojo Leste, Hanabi-sama! Parece que algo aconteceu a Youchi-san!

Hanabi e Neji se entreolharam. Chegara a hora.

***

Tsunade encontrou Naruto em frente ao tumulo de Jiraya, como sabia que o encontraria, assim que não o achou em casa e nem no monte Hokage. Lentamente, e com pesar, ela se aproximou do loiro que mantinha-se sentado olhando fixo para a lapide.

— Naruto...

— Não perca seu tempo. Konohamaru já me contou que vocês soltaram o maldito e me implorou perdão. – ele deu uma risadinha seca, sem deixar de olhar para o nome do padrinho – Baka, como se a culpa fosse dele...

— Não. É minha culpa. – Tsunade disse engolindo o nó em sua própria garganta, enquanto também se aproximava do tumulo que a muito tempo ela não visitava. Ela mal conseguia olhá-lo, e sabia que se estivesse vivo, o sannin estaria muito decepcionado com ela. – Eu sinto muito, Naruto. Eu realmente... – ela suspirou, entrecortada sentindo lágrimas caírem por sua bochecha – Eu o decepcionei.

— Não seja baka também. – ele ironizou a surpreendendo – Parem de falar como se Hinata estivesse morta. – ele disse firme, já se levantando e pela primeira vez ele viu os seus olhos inchados e soube que ele também estivera chorando, mas agora sorria. Não era um sorriso verdadeiro, entretanto, era triste e melancólico e ela teve vontade de abraçá-lo. – Eu vou achá-la. É uma promessa.

E ela sabia que ele sempre cumpria suas promessas.

— Mas e se ela...? – A loira mal conseguiu terminar sua frase e ele suspirou desviando o olhar, como se já tivesse pensado nisso.

— Então, é provável que isso seja uma despedida.

Ela o olhou em choque.

— Se Hinata estiver mesmo morta, eu não terei por que voltar.

— M-mas...N-naruto, espere...você ainda pode se tornar...

— Hokage? Depois do que aconteceu ontem?

— Foi um acidente.

— Mas...se eu não sou capaz de me controlar e nem de salvar a pessoa que eu mais amo, então que tipo de Hokage eu seria? – ele repetiu a pergunta que martelara em sua cabeça durante toda a noite. – Eu estou indo agora, assim que eu arrumar umas ultimas coisas. Vou me despedir de Sakura e Sasuke, e do resto eu gostaria que você mandasse um “Sayonará” por mim.

— Eu não vou deixar você fazer isso. – ela esbravejou, fechando os olhos com força, até sentir a mão dele em seus ombros e ele olhá-la com carinho.

— Você e nem ninguém podem me impedir, Obaa-chan.

Ele estava certo. E ela sabia disso.

— Hokage-sama. – Um Anbu, entretanto apareceu de repente.

— O que é dessa vez? – ela resmungou sem tirar os olhos de Naruto.

— O Clã Hyuuga solicita sua presença. Parece que um dos conselheiros está morto e foi Hiashi-sama quem o matou.

Tsunade olhou para Naruto e ele entendeu, e a seguiu.

***

Yoichi estava morto.

Uma adaga perfurava seu peito exatamente em seu coração, e fora torcida com raiva, provavelmente lhe causando uma dor dilacerante até a morte iminente.

Hiashi Hyuuga tinha as vestes sujas, assim como as mãos e o rosto devido ao espirro de sangue da artéria quando fora perfurada. Ele era mantido no canto oposto, o mesmo lugar onde o encontraram.

Quando Tsunade e Naruto chegaram, ele finalmente saiu de seu torpor.

— Esse demônio não é bem vindo em meu clã. – ele vociferou, mas o loiro nem precisou defender-se com a entrada de Hanabi e Neji.

— Mas em meu clã, ele é muito bem vindo e tem todo o direito de estar aqui. – Ela disse, fuzilando o pai com o olhar. Os dois se olhavam como se travassem uma real batalha e nenhum deles recuaria dessa vez.

— Alguém pode me explicar que diabos aconteceu aqui? – Tsunade perguntou irritada.

— Eu matei o homem que mandou sequestrar minha filha. Era meu direito.

Naruto não pode deixar de olhar com ódio para o corpo sem vida e desejar ter ele mesmo o matado. Os filhos do conselheiro, entretanto, estavam ainda mais raivosos e quase avançaram contra o ex-líder do clã.

— Seu velho maldito!!!! Eu quero que você seja morto!!!! – Kotaro berrou, sendo contido pelo próprio irmão. – Você vai me pagar muito caro!!

— Akihiko por favor, leve seu irmão daqui.

— Eu sinto muito Hanabi-sama. Contudo, eu espero que seja justa e imparcial na sentença deste homem, apesar de seus vínculos e do titulo que ele carregava.

— Eu serei. – ela disse solenemente e com firmeza, o que foi o suficiente para o mais velho arrastar o irmão para fora do dojo e Hiashi fazer um som com a boca em desdém.

— Vai me punir por vingar a morte de sua irmã?

— Hinata não está morta! E você nos ajudará a encontrá-la.

Hiashi franziu o cenho, teatralmente.

— Eu não faço ideia onde ela está.

— Mas sabe como encontrar os sequestradores.

— Como eu poderia saber? – ele perguntou entredentes, tentando amedrontá-la, sem sucesso.

— Por que você quem mandou sequestrá-la. – E antes que Hiashi pudesse desmenti-la, um dos guardas aproximou-se com um rádio e uma fita começava a rodar onde ele pode ouvir sua própria voz:

“- Se acha que eu permitirei isso, é porque não me conhece Youchi! Como você mesmo disse, eu fui capaz de colocar a vida de Hinata em risco, e talvez ela esteja morta agora, mas meu único erro foi me aliar a um velho maldito como você. Eu sairei dessa Yoichi, muito mais forte enquanto você e sua família serão mortos por tentar conspirar contra seu líder.”

— Seu maldito! – Naruto não se controlou e socou Hiashi com força o suficiente para quebrar seu nariz, mas tsunade e Neji foram rápidos em segurá-lo – CONDENOU SUA PRÓPRIA FILHA POR CAUSA DESSE MALDITO CLÃ!!

— Sua pequena traidora! Você me enganou! – Hiashi praguejou a filha mais nova, ainda tentando conter a dor e o sangramento, enquanto Hanabi se agachou em sua frente, sob o olhar atento dos outros três.

— Deveria estar orgulhoso de mim, Oto-san. – ela ironizou com um sorriso frio e quase insano no rosto – Como é se sentir manipulado?

— HIASHI HYUUGA EU ORDENO SUA PRISÃO IMEDIATA. – Tsunade berrou e nesse instante dois ANBUS apareceram e o levaram.

Hanabi se aproximou da Hokage.

— Toda a conversa deles está gravada.

— O que você fez, Hanabi, foi muito corajoso.

— Eu tive ajuda do Neji, obviamente. – ela hesitou e olhou para Naruto – Só quero encontrar minha irmã...viva.

— Depois de meu tio confessar o sequestro, antes de matar o conselheiro, ele fala que os bandidos não são ninjas de verdade. Então por isso não conseguimos nenhum rastro de chacra. – Neji disse, mas então continuou – Entretanto não achamos o anel de Hinata. – ele disse dando um olhar significativo ao loiro.

— Que anel? – Tsunade e Hanabi os olhava confuso.

— O anel de noivado. – Naruto respondeu, parecendo entender algo que ninguém mais além dele e Neji entendiam.

— Eu o vi, um dia quando Hinata estava distraída. Ela sempre o escondia em uma corrente em seu pescoço. Eu senti o chacra nele, o mesmo chacra que senti ontem.

— Eu coloquei o chacra da Kyuube nele. Uma forma que eu achei para...ficar por perto... – lamentou – Ainda sim, eles devem estar muito longe para conseguirmos qualquer rastro de chacra.

— Eu posso ajudar. – Konohamaru simplesmente surgiu de um dos cantos escuros do dojo, aparentemente já estava lá há algum tempo. – O Shinigami pode entrar em forma astral e localizar Hinata através do chacra. Mas, vou precisar de ajuda.

— De quem?

— Da Kyuube.

***

— Eu vou pegar uma sopinha pra você. Tem que ficar bem alimentada. – A sra Yamanaka disse, depois de ajeitar a filha na cama.

— Argh tudo menos sopa! Eu já tomei todos os tipos de sopas naquele hospital!! Você bem que podia fazer aqueles bolinhos de arroz que eu adoro não é?! – A loirinha tinha os olhos brilhantes e pidões que fizeram sua versão mais velha rir e sair do quarto.

Sozinha, Ino ajeitou os travesseiros em suas costas e passou a mão distraidamente pelo gesso em sua perna. Devido a gravidez, não puderam fazer procedimentos mais eficientes para ajeitar sua perna, então ela deveria ficar com o gesso por alguns dias. Mas ela não ligava de todo, se isso significasse uma folga.

Sozinha, ela repassava a conversa que tivera com Sakura. Desabafar com alguém toda a verdade, de alguma forma ridícula, a deixara mais calma e ao mesmo tempo a ajudou a colocar os pensamentos em ordem. Bem, isso até a testuda lhe contar que o Kazekage passara a noite toda do outro lado da porta do seu quarto.

— O que? Por que? – ela perguntara.

— Pelo que me disse, ele tomou o lugar de Temari enquanto ela foi procurar pelos seus pais. Mas se quer mesmo minha opinião...

— Eu não quero...

— ...Eu acho que ele ficou lá por que estava preocupado com você. Se não, por que passaria a noite em claro, em uma cadeira desconfortável do lado de fora do seu quarto?

Era isso que Ino se perguntava desde que a rosada se despedira. Por que aquele ruivo bipolar ficara, quando era obvio pelo modo como ele a tratara da ultima vez, que ele não queria nada a ver com ela.

E então, havia outra questão.

— Ele ficou falando sobre chamar seu namorado...eu não entendi nada. Será que ele falava de Shikamaru? – Sakura devaneava.

Pensando bem agora, não havia sentido. Shikamaru estava noivo de Temari, e a princesa nunca permitiria que alguém achasse que ele tinha engravidado outra. Então de quem Gaara estava falando?

Ela balançou a cabeça em desgosto e bufou. Estava começando a ficar com dor de cabeça!

— Ino? Você tem visita! – a voz do seu pai foi ouvida do lado de fora. Podia ser Sakura, ou Shikamaru.

— Mande entrar.

Quando a pessoa entrou, não era ninguém que Ino esperava.

— Princesa?

— Hei serva. – Kaori entrava timidamente no quarto. Ela vestia um vestido simples, ou tão quão simples ela podia ser – Soube que havia recebido alta.

— Entra, senta. – Ino disse um pouco incerta dando espaço em sua cama onde a princesa sentou-se completamente tensa. – Bem, estou surpresa com a sua visita.

— Imagino.. – A mais nova deu um sorrisinho, mas depois revirou os olhos voltando a sua postura altiva que a kunoichi conhecia bem – Eu achei que deveria agradecê-la por ter tentado me salvar. Mesmo que não tivesse sido mais do que sua obrigação, mas eu soube que... – ela hesitou e olhou em direção a barriga da loira que pigarreou – bem, eu oficialmente vim agradecê-la e dizer que será muito bem recompensada.

— Não é necessário. – Ino riu sem graça.

— É. – a menina rebateu com firmeza – Meu dever como princesa.

Ino lembrou-se de outra princesa. E comparou as duas. Tão altivas e mimadas, tão prepotentes, e tão decididas a tirar Ino do sério. Ainda sim, arriscavam suas próprias vidas para salvar de outras pessoas. Uma velha senhora cega. Uma antiga rival no amor. Era seu dever de princesa, elas disseram como se aquilo explicasse tudo.

No fundo, afinal, elas não eram tão egoístas como Ino imaginou. Elas simplesmente desenvolveram atitudes para manter-se protegidas.

— Bem, eu já vou indo.

— Ah princesa, onde está ficando agora que o Hotel foi destruído?

— Eu estou partindo para uma vila próxima. Não é uma vila ninja, mas não é como se eu tivesse alguma opção. – Suspirou, visivelmente amargurada. Apesar das reclamações, ela começava a gostar de Konohakagure e não podia negar que o comercio era um dos mais ricos e completos.

A princesa então se despediu e foi em direção a saída.

— Você...poderia ficar aqui se quiser? – No momento em que as palavras saíram de sua boca, ela se arrependeu a medida que a princesa a olhou em espanto – Gomene, eu apenas pensei que você estava começando a gostar de Konoha e não quisesse ir para uma vila sem graça, mas é lógico que aqui não é como um hotel então você não teria luxos. Quer saber, foi uma ideia estúpida. Gomene! Gomene! Não me odeie...

— Eu aceito..

— NANI?

— Eu aceito, serva! Eu realmente não quero sair de Konoha! Não quando eu descobri a loja de Nita-sama! E naquela vila só terão camponeses e eu duvido que terão um hotel digno de mim. – A princesa começou a tagarelar para o choque da Kunoichi – Claro que aqui também não é muito digno, e é realmente impensável eu ter que dividir um quarto com uma serva, mas é apenas um pequeno sacrifício! Oh, eu vou mandar buscar minhas malas! E meu baú com vestidos! Ah sim, e o meu colchão, pois sem duvidas esse seu é pobre e atacará minha alergia... – e assim, ela saiu tagarelando deixando Ino completamente sem noção do que havia acontecido. Então escuta-se latidos. – YAMANAKA! Você vai precisar se livrar desse seu saco de pulgas.

Ino afundou no colchão. QUE DIABOS HAVIA FEITO????

***

Lá estava ele outra vez, em frente a grande sela de sua hospede maldita. Tudo o que via a partir daquelas grades era a escuridão, um buraco negro, mas a risada que ecoou de lá de dentro lembrou-lhe do que realmente vive ali.

— Admito que não esperava sua visita tão cedo, Uzumaki.

Primeiro os grandes e afiados dentes surgiram na escuridão, então os olhos maiores ainda, vermelhos e maliciosos.

— Espero que tenha aproveitado sua última escapada. – Naruto ironizou

— Ah ninja, não finja inocência. Você estava adorando tanto quanto eu. Podia sentir sua satisfação com os gritos, podia sentir seu coração clamando por sangue.

— De apenas uma pessoa. Mas você queria matar toda a vila.

— Apenas insetos que estavam no nosso caminho. Admita Uzumaki, juntos fazemos uma boa dupla! Nem mesmo aquela bruxa Uchiha pode conosco.

Para a surpresa do bijuu, Naruto riu.

— Eu concordo.

Kyuube o analisou por alguns instantes.

— Mesmo? E por isso resolveu trazer o Shinigami aqui? – ironizou, e Konohamaru então finalmente apareceu.

— Ele vai me ajudar a encontrar Hinata.

— Patético. – Kyuube zombou – Sabe, eu até gostava quando a Hyuuga santinha te provocava, te tirava do sério, você vivia louco e confuso. Era engraçado. Mas quando entrou essa história de amor, essa sua obsessão melosa e esses olhinhos apaixonados, você parece aquele pirralho sentimental de antes e então voltou a me dar nojo.

— Você tem razão. Eu não me importo. – Naruto riu levemente, parecendo cansado enquanto esfregava os olhos, sob os olhares atentos de Konohamaru e a raposa – Eu voltei mesmo a ser um idiota sentimental e por isso que eu faço qualquer coisa pra ter a Hinata de volta. Mesmo que seja preciso pedir a sua ajuda.

A raposa gargalhou com força.

— Pedir ajuda a mim? E por que eu o ajudaria Uzumaki?

— Achei que quisesse ter mais liberdade.

— Ah já passamos por isso! Você é um fraco, nunca me deixaria mostrá-lo o verdadeiro poder.

— Você mesmo viu que somos quase invencíveis juntos. Então essa é minha proposta. Vamos nos unir para sempre Kyuube. Ao menos você ficará livre dessa prisão e poderá se divertir em minhas batalhas.

— Vamos supor que eu aceite. Como exatamente acharíamos esses humanos?

Konohamaru pigarreou. Ainda não sentia-se seguro em ficar tão próximo ao bijuu, mas algo dentro de si parecia adorar a presença maligna da raposa.

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— O anel de Hinata contem seu chacra, então você é o único que pode rastreá-lo. O Shinigami pode abrir portais do mundo astral para qualquer lugar. Você nos guiaria e poderíamos encontrar Hinata em questão de minutos. – ele então olhou para Naruto – Eu ficarei vulnerável, e meu vinculo com o Shinigami exposto, de modo que se a Kyuube não se comportar...

— Entendi. – ele disse e se aproximou da sela, tocando no selo que aprisionava e olhava para a raposa em busca de respostas.

— Eu não sei... Você não teria estomago para aguentar o que eu faria em batalha Uzumaki.

Naruto deu um sorriso de raposa.

— Bem, você é livre para demonstrar quando encontrarmos o bastardo que sequestrou Hinata. Então Kyuube, o que me diz?

A raposa ficou frente a frente ao Uzumaki, olhando-o profundamente nos olhos e deu uma gargalhada.

— Chame-me Kurama.

Naruto sorriu e rasgou o selo.

***

Hinata abriu os olhos e engasgou com a sensação de ansiedade. Em seu peito algo parecia queimar e ela podia ver por baixo da roupa, o anel de noivado brilhar em vermelho.

— Naruto... – ela murmurou, antes de tremer e olhar para o liquido acima de sua cabeça. Ele já tinha menos que a metade. O tempo estava acabando. – Venha logo por favor.

***

Ele podia sentir, seu corpo queimava como se fogo liquido tivesse sido injetado em suas veias. O poder queimava dentro de si, seu núcleo de chacra havia se transformado em fogo.

Dentro de sua mente, as grades da sela se deterioravam pouco a pouco sumindo junto com a escuridão, revelando assim o corpo monumental e poderoso de uma gigante raposa, com grandes olhos vermelhos e bocarra cheia de dentes brancos e afiados, a pelagem alaranjada escuro parecia em chamas, enquanto nove caudas se movimentavam como labaredas. Ela deu um passo em sua direção e o chão sob seus pés tremeu, mas ele não tinha mais medo. Quando eles estavam frente a frente, a milímetros de distancia, foi a vez dele se aproximar e então não parou até que as chamas o queimassem e finalmente suas mentes se fundissem.

Exteriormente, um processo parecido acontecia. Seus músculos tensos queimavam, mas não havia dor, e sim uma grande sensação de alivio, como se pela primeira vez na vida eles relaxassem completamente. Eles estivessem livres.

Quando ele abriu os olhos, estes estavam avermelhados novamente, mas não como sangue, e sim como labaredas alaranjadas como se realmente uma grande chama queimasse em seus olhos.

Aos poucos percebera que seus músculos pareciam maiores e seu corpo mais pesado de modo que provavelmente deveria se acostumar com ele.

— Acho que agora está pronto. – Konohamaru disse sorrindo e revelando sua presença.

— Onde estão os outros?

— Achei que era melhor você ficar sozinho enquanto se entendia com a xiliquenta da raposa.

Um rosnado baixo saiu dos lábios de Naruto, e ele notou seus caninos afiados e sorriu. Konohamaru não podia deixar de admirar a nova forma incrivelmente ameaçadora do seu sensei.

Sem mais delongas, Konohamaru também invocou sua forma e Naruto viu um manto negro cobri-lo dos pés a cabeça. Ele fez selos com as mãos e os dois sentiram-se como se fossem sugados por um portal. Quando voltou a abrir os olhos, Naruto percebeu que estavam no mesmo lugar, mas era como se uma grande barreira de cristal.

— Tecnicamente nós já estamos em outro plano agora. – Konohamaru explicou rapidamente – Mas eu não posso segurar por muito tempo, então por favor sensei, concentre-se no chacra da Kyuube. Sentirá um puxão quando achá-lo então mantenha-se concentrado o máximo possível para que eu possa nos levar até ele. – e dizendo isso colocou uma mão no ombro de Naruto.

Assim o loiro obedeceu. Ele concentrou-se com a ajuda da Kyuube e de repente parecia tão fácil. Era como se ele realmente soubesse onde estava e não demorou muito para ele sentir a parte de chacra que não estava com ele.

A parte mais difícil era concentrar-se nisso, sem desviar os pensamentos para Hinata, mas felizmente Konohamaru não demorou muito para localizá-lo.

— Consegui. – ele disse, antes que novamente ambos fossem sugados por um portal invisível.

E quando abriram os olhos, eles estavam em meio a uma densa floresta.

— Eu conheço esse lugar... – Konohamaru murmurou – É uma floresta ao sul do país do fogo. É como um labirinto e tem animais perigosos aqui por isso apenas ninjas realmente fortes ou quem literalmente nasceu aqui, se arrisca em entrar.

Atrás de algumas arvores, havia uma casinha de madeira, que parecia se misturar com a paisagem escura e arbórea.

— Hinata... – Naruto quase sibilou baixo, prazer e alivio o inundando ao sentir a presença da amada, entretanto a mesma não parecia nada bem.

E alguém iria realmente pagar por isso.

***

— Eu não estou gostando nada disso. O Hyuuga não deu mais sinal de vida. – Hidetaka bufava, andando de um lado para outro. Seu irmão, Toshi, não parecia prestar muita atenção, distraído enquanto olhava a poção que injetava em Hinata quase no final – É melhor matá-la de uma vez!

Isso pareceu tirar o irmão mais novo de seus próprios pensamentos.

— Não! Eu não sou um assassino! – ele disse irritado – E ela é inocente. – murmurou, de repente olhando pesaroso para a Hyuuga fraca que o olhava com os olhos semicerrados.

— Ela é daquela corja de ninja que tanto odiamos!!

— Mas daqui a pouco ela será como nós! E quem sabe quando eles não a quiserem...ela... – hesitou.

— Ela o que? Volte com a gente? Que porra está falando, irmão? Não me diga que está apaixonadinho pela nossa vitima!!!! – Hidetaka bufou – Ela é só um negocio, entendeu? – ele esbravejou com o dedo apontado para a cara de Toshi.

— Tanto faz!! – O mais novo bufou, dando um tapa no dedo do irmão – De qualquer maneira, nós não... – ele parou imediatamente como seu corpo congelou e seus olhos pareceram sair das orbitas de tão esbugalhados.

— Toshi...?

Mas Toshi não estava mais ouvindo, e diante do irmão mais velho, ele soltou um grito quase animalesco e caiu no chão com as mãos na cabeça e o rosto retorcido de pânico.

— TOSHI!!!!!

Hidetaka não sabia, mas Toshi estava preso no que parecia o genjutso mais aterrorizante de sua vida, mas na verdade era sua alma que estava sendo atormentada por demônios que queriam devorá-la. Demônios que só poderiam ser enviados pelo Shinigami.

— O QUE VOCÊ FEZ SUA PEQUENA PUTA TRAIÇOEIRA!! FOI VOCÊ NÃO FOI? – Descontrolado, o homem avançou contra uma Hinata indefesa, a mão em seu pescoço, enquanto outra em punho no ar prestes a lhe dar um soco.

Quando seu braço simplesmente foi amputado, diante do seu olhar chocado enquanto via seu braço flutuar até cair ao seu lado jorrando uma grande quantidade de sangue.

Ele não teve tempo de urrar de dor, quando teve seu corpo lançado para o chão em um baque tão forte que ele sentiu o quebrar de suas costelas.

— N-naruto... – Hinata disse, ainda que sua voz não tivesse saído, mas lágrimas de alivio voltaram a cair e ela sorriu antes de finalmente fechar os olhos, rendida ao cansaço.

Enquanto isso, Hidetaka se arrastava para fora da casinha em uma grande poça de sangue, mas nem ao menos chegou até a porta antes de sua perna ser quebrada por um chute cruel. E então, ele foi levantado pelo pescoço da mesma maneira que fazia com Hinata, e ficou frente a frente com o demônio.

— Você pegou algo que era meu. E ousou machucá-la. – a voz arrastada era aterrorizante tanto quanto os olhos vermelhos e o sorriso que prometia uma morte lenta e dolorosa.

— Q-quem é v-voc-cÊ?

— Eu sou o próprio demônio, mas não importa porque você vai morrer de qualquer jeito.

— N-não!!!

— E eu vou adorar te matar e ouvir seus gritos.

— P-por favor não me mate senhor... – ele choramingou, e então de repente furou o demônio com uma seringa e sorriu – Maldito. Vocês sempre se acham superiores...mas são uns burros... – ele tossiu sangue – Isso que eu injetei em você vai tirar todo o seu chacra...

Mas para sua surpresa, Naruto apenas riu.

— Não te contaram? Eu tenho muito chacra. De modo que pode demorar um pouco para drenar tudo e vai me dar tempo suficiente para brincar com você. – A medida que ele falava, Hidetaka entrava ainda mais em pânico e quanto o loiro deixou morrer seu sorriso, ele viu um brilho perigoso em seus olhos e soube que não havia escapatória – Você ousou machucar minha Hinata. E vai pagar muito caro por isso.

— Eu não tenho medo.. – mais uma vez ele foi cortado pelo próprio grito ao sentir mais um braço ser retirado de seu corpo como se ele fosse apenas um boneco de pano.

Então ele foi jogado para fora de casa e se chocou com uma arvore. Naruto veio em seu encalço, lentamente, se deliciando com todo aquele sangue, com toda aquela dor e os gritos do maldito.

Logo Hidetaka era apenas uma massa de carne choramingando e implorando pela morte, e Naruto resolveu atendê-lo. Não por piedade, mas porque ele queria ver Hinata.

Levantando o corpo de Hidetaka novamente, ele o olhou com desprezo.

— Você queria meu chacra, Baka...Eu vou dá-lo para você.

E concentrando seu chacra ele o expeliu em forma de fogo e com prazer viu o corpo de Hidetaka queimar ainda vivo, até que os gritos cessassem e o corpo que ainda restava se tornasse apenas um pedaço de carne frita.

Satisfeito, ele finalmente retornou até a cabana para encontrar Konohamaru com Hinata desacordada em seu colo, e novamente o desespero tomou seu coração.

— Ela...está...

— ...está viva. Mas muito fraca. Seu nível de chacra está baixíssimo. Eu acho que se não chegássemos a tempo, eles tinham retirado ele todo.

Naruto lembrou-se da injeção que o verme lhe aplicou, mas não sentiu nenhuma diferença.

— Ela vai ficar bem?

— Vai. Mas precisa de um médico e... – ele hesitou, ao sentir Hinata se mover e então abrir os olhos.

— Naruto... – ela disse e sorriu.

O loiro não perdeu tempo e pegou a amada no colo, imediatamente percebendo o quanto a mesma estava leve e bem mais magra, mas não importava agora. Por que ela estava ali, lhe sorrindo e viva.

— Eu sabia que você viria. – ela chorou e Naruto a abraçou mais forte, enterrando o rosto no pescoço dela com saudade. – Está chorando... – ela murmurou, surpresa, mas ele não respondeu.

Eles então ouviram um leve murmurar e viram Toshi acordar.

— Hide.ta.ka... – ele murmurou.

— Eu vou te matar. – Naruto resmungou já prestes a passar Hinata de volta para konohamaru e acabar o serviço, mas a mulher o surpreendeu agarrando-se o mais forte que pode.

— Deixe-o Naruto...eu não q-quero que o mate... – ela choramingou e surpreendeu a todos, incluindo Toshi. – Não somos como ele... – ela disse olhando significativamente para seu sequestrador. – V-vamos embora.

A contra gosto, Naruto atendeu a vontade de Hinata e saiu da casinha, sendo seguido por Konohamaru, este deu um ultimo soco em Toshi o desacordando novamente. Lá fora, Naruto não deixou que Hinata visse o que aconteceu com Hidetaka e só parou de andar até estarem longe o suficiente.

Quando ele olhou novamente para Hinata ela voltara a dormir em seus braços, mas suas mãos estavam presas firmemente em sua camisa e ela tinha um pequeno sorriso em seus lábios.

Assim eles partiram de volta para Konoha.

Hinata estava viva e Naruto não estava mais perdido.

Notas finais
Eu não sei se a história do sequestro e principalmente o modo como eles encontraram a Hinata ficou bem claro, mas como eu já disse não tenho muita criatividade pra essas coisas. Então me perdoem. Mas eu espero que tenham gostado no geral, principalmente as partes dos outros casais que apareceram bem mais nesse capitulo. Aos fãs de SasuSaku e InoGaara...tá chegando a hora gente! Controlem os coraçõeszinhos! rsss Enfim, eu espero de coração que tenham curtido a leitura e se puderem comentar, deixar suas opiniões, são super bem vindos! Amo os comentários de todos e eu acho que é um dos maiores incentivos para um autor continuar. Beijos e até a próxima no mesmo Batcanal!!