Paraiso Imperfeito
7 Desentendimentos
Notas iniciais
\"O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas.\"
(Antoine De Saint Exupery)
Naquela manhã, Sakura foi bem cedo em direção ao clã Uchiha, com as mãos cheias de compras recém-feitas exclusivamente para o preparo de um delicioso café da manhã para seu amado noivo. A vila do clã Uchiha ainda passava por reformas, inclusive a casa principal em que o herdeiro morava atualmente, e a rosada preferia cruzá-la de cabeça baixa pois sentia calafrios com aquelas construções que tinham um passado tão obscuro e morbido.
Apenas ao chegar na soleira da casa principal, ela levantou o olhar e abriu a porta que já tinha a chave. Como esperado, o interior demonstrava um desleixo típico de um ninja masculino, obviamente não tinha um nível tão elevado quanto o de Naruto, mas com certeza também não era uma das casas mais arrumadas. Além da escuridão que insistia em permanecer apesar do dia claro lá fora.
Sakura: Sasuke-kun – chamou indo em direção a cozinha e sorrindo ao ouvir o barulho de passos se aproximando.
Entretanto ao se virar, seu sorriso se desmanchou ao vê-lo vestido com a roupa da ANBU e com uma mochila de armamento na mão.
Sakura: Você vai...pra algum lugar? — perguntou, desconfiada – o que faz vestido com essa roupa de ANBU? Não tinha saído?
Sasuke: Hai, só que fui indicado para seguir nessa missão, antes de me desligar totalmente. — explicou se dirigindo até ela e colocando a bolsa em cima da mesa. — O que faz aqui?
Sakura: Eu...vim tomar o café da manhã com você. — disse levemente confusa e automaticamente tocou as sacolas de compras fazendo-o as olhar.
Sasuke: Ah...gomene...acho que não vai dar... — ele desviou o olhar, girando levemente a cabeça para a esquerda, enquanto colocava as mãos nos bolsos e foi aí que ela soube que tinha alguma coisa errado.
Sakura: O que foi? — perguntou o fitando com atenção e vendo que ele continuava sem olhá-la.
Sasuke: Do que está falando?
Sakura: Você está tenso. — decretou com firmeza – não olha nos meus olhos e está com as mãos no bolso, sempre que faz isso é por que tem algo errado e agora eu quero saber Uchiha Sasuke, o que é que aconteceu.
E quando ela dizia seu nome inteiro, ele sabia que falava sério, muito serio, mas infelizmente não queria compartilhar aquela preocupação com ela. Era problema dele e manteria assim, contudo ao olhá-la percebeu que não seria fácil enrolar aquela rosada irritada, teria de usar artilharia pesada.
Primeiro a olhou nos olhos pela primeira vez, tentando não deixar transparecer sua preocupação, ao vê-la hesitante continuou sua dissimulação se aproximando lentamente até parar em sua frente, e foi quando usou sua técnica mais poderosa e infalível. Os olhos verdes estavam fixos em si e acompanharam cada instante em que a boca do uchiha ia se curvando lentamente em um sorriso aberto e alegre que ninguém jamais havia visto. A não ser ela. Agora e sempre...que ele quisesse fazê-la esquecer alguma coisa que a preocupava ou o irritava.
Sakura se derreteu com aquele sorriso tão raro do uchiha e quando ele a beijou de uma maneira tão calma e doce, ela esqueceu-se de qualquer outros problemas. Era sempre assim, ao seu lado, ela esquecia de tudo.
Sasuke: Não é nada, está bem?
Infelizmente, quando se está destinado a acontecer algo desagradável, talvez seja possível retardá-la, mas acaba acontecendo de um jeito ou de outro.
Sasuke: Se você quiser, pode dormir aqui.
Sakura: Ah não, não, não, não – a negativa foi tão rápida e firme que logo depois ela ruborizou envergonhada – quer dizer, eu...eu tenho um pouco de medo.
O olhar confuso dele, se transformou em distante e tão frio o que fez o coração dela acelerar nervoso.
Sakura: N-não é p-por n-nada...é só q-que...está tudo em reforma...e-e...é u-um p-p-pouquinho assustador, entende? — desconcertada, ela procurava desesperadamente fazê-lo entender, mas parecia não estar tendo muito sucesso. — s-sasuke-kun...
Sasuke: Não tem problema, é compreensível, afinal...aqui não é bem um castelo de sonhos. — seu sorriso dessa vez foi fraco e irônico – tá mais pra pesadelo...
Sakura: Não! Não é isso, eu adoro ficar aqui...com você – ela toca em seu ombro- e quando a reforma acabar, vai ficar perfeita, eu tenho certeza! — sorriu ganhando um ar infantil e sonhadora – e então, nós poderemos finalmente nos casar. Essa casa vai ser o nosso castelo de sonho! — suspirou profundamente, assim como sempre fazia quando pensava sobre seus planos românticos para o futuro, entretanto a resposta silênciosa e tensa do uchiha a fez acordar de seu sonho para se concentrar na realidade. E ela sabia que tinha algo errado. — Sasuke...o que você tem? — ela perguntou mansamente, na tentativa de convencê-lo a falar.
Infelizmente logo se arrependeria disso.
Sasuke: Devemos esperar um pouco mais para pensar em casamento, Sakura. — apesar do volume baixo da voz, seu tom era deveras frio para alguém apaixonado o que fez a haruno imediatamente empalidecer reconhecendo o uchiha adolescente que abandonou a ela e a konoha, anos atrás.
Seu coração se encheu de medo com a lembrança da dor que sofrera anos atrás, para logo em seguida tornar-se desespero que ela fora incapaz de conter.
Sakura: Esperar um pouco para PENSAR? — ela teve de trincar os dentes para não gritar, enquanto sentia seus olhos arderem mais dessa vez não eram de medo, e sim de raiva – como eu sou burra! — suspirou tentando se acalmar, mas foi impossível quando o viu tão frio e inabalável como sempre. — Acha mesmo que eu não penso nisso? Pois saiba Uchiha Sasuke que não há um minuto, um segundo, que eu não pense e não deseje o dia em que você vai FINALMENTE ME PEDIR EM CASAMENTO!
Sasuke: Não quero que cometamos um erro.
Apesar da afirmação parecer plausível aos olhos do uchiha, Sakura sentia o coração ser esmagado com palavras tão cruéis, ditas de maneira tão fria.
Sakura: um erro? — murmurou consigo mesma e dessa vez as lágrimas não puderam ser controladas.
Sasuke hesitou ao ver aquelas duas grandes esmeraldas banhadas por lágrimas e mais uma vez, repudiou-se por fazer aquela mulher chorar. No fim, era o que ele sempre fazia, mesmo quando não tinha esta intenção, o resultado sempre era o mesmo. Ele a feria e era e sempre seria o culpado por aquelas lágrimas tão dolorosas.
A haruno, entretanto, continuava alheia ao pesar do Uchiha e continuava a remoer as palavras ditas por ele.
Sakura: Um erro? Você está arrependido?
Sasuke: Não. Eu estou pensando em você. — afirmou e tentou se aproximar, entretanto parou quando a mesma deu um passo para trás na defensiva enquanto balançava a cabeça negativamente – Sakura...
Sakura: Não. Não. Eu me recuso a acreditar que você esteja pensando em mim. — falou com a voz embargada pelo esforço de conter o choro – Naruto tinha razão. — murmurou ainda se afastando de Sasuke – NARUTO TINHA RAZÃO! VOCÊ SÓ ESTÁ ME ENROLANDO! NO FINAL, ELE TINHA RAZÃO! VOCÊ NÃO QUER NADA COMIGO!
Sasuke: Isso não é... — mas ele não terminou pois foi interrompido pela batida forte da porta quando Sakura se foi, o deixando mais uma vez só. Suspirou pesadamente, sentindo-se angustiado por deixá-la naquele estado – Sakura...
Era incrível até para ele como aquela kunoichi havia se tornado importante em sua vida, e kami-sama seria testemunha como a última coisa que ele desejava era fazê-la sofrer, entretanto sempre fora inevitável. Mesmo quando suas intenções fossem a de protegê-la, o uchiha sempre acabava machucando-a, era como se o destino de ambos fosse aquele. Ela o amando e sofrendo por vê-lo afastando-se, e ele sofrendo e afastando-se por amá-la.
Amor. A primeira vez que tivera certeza de amar uma pessoa foi com ela, por causa dela e hoje podia dizer com total franqueza. Amava aquela mulher.
Infelizmente seu destino, seu orgulho, mas principalmente seu passado, sempre acabavam por se meter entre eles e mais uma vez o ciclo de sofrimento recomeçava. Daquela vez não era diferente.
Tsunade: Estou te dando um voto de confiança nessa missão, uchiha. Mas seja lá quem for, quero-o vivo e se der, o combate deve ser evitado! Estamos entendidos?
As ordens da Hokage foram explicitas quando lhe dera aquela missão, mas ele sabia que ela compartilhava, nem que fosse levemente, os temores dele.
Sasuke: itachi... — murmurou entre os dentes, sentindo-se tremer de raiva e um outro sentimento que ele não conhecia. Angustia talvez?
Tsunade, assim como Naruto, não acreditava que fosse seu irmão mais velho, contudo sabia que deveria ser alguém que talvez fizesse parte do passado do uchiha e que pudesse reacender a chama da vingança congelada a tantos anos no coração daquele jovem Vingador.
OoOoOoOoOoOoOoO
No clã Hyuuga, em uma área afastada do Dojo principal, Neji Hyuuga, o gênio treinava com a primogenita do líder do clã. O treino deles virara algo normal, depois do exame chunnin anos atrás, quando Neji perdera para Naruto e começara a se aproximar mais da prima, deixando de vê-la como uma fracassada.
Com o tempo, eles podiam se considerar não apenas primos que se davam bem, mas amigos cheios de cumplicidade.
E como tal, Neji não deixou de notar a distração arredia e sua expressão de que algo a incomodava. Com um giro no ar, ele conseguiu confundi-la e logo depois, pegá-la de surpresa com uma rasteira que a faria ir ao chão, se na mesma hora não a segurasse.
Quando a soltou, notou que a mesma lhe sorria melancólica e fracamente.
Hinata: Me venceu, como sempre. — apesar das palavras maldosas consigo mesmo, ele desconfiava que não era isso que a machucava.
Neji: Você geralmente me dá mais trabalho. — disse, mantendo sua pose fria, para logo depois consegui-la pegar de surpresa – por que está triste e preocupada?
Como imaginou, os olhos atordoados dela demonstraram sua surpresa que o satisfez momentaneamente, até novamente ver a sombra triste naqueles olhos perolados.
Hinata ficou em silêncio por alguns segundos, não sabendo exatamente o que responder ao primo. Sabia que não conseguiria mentir para ele, mas logo depois chegou a conclusão que não precisaria, tinha uma lista de problemas que a atormentavam e que poderia enumerar sem levantar suspeita sobre o segredo vergonhoso e humilhante que escondia em seu coração.
Hinata: Você sabe. — respirou fundo, decidida a contar o que mais lhe atormentava. Pelo menos quase tanto quanto o desprezo do uzumaki. Talvez fosse até bom desabafar com o primo – Afinal de contas, o noivo é você. — disse acidamente, mas ao ver o primo manter o olhar frio sobre si, não conseguiu sustentar o olhar e encarou o chão, envergonhada. O silêncio dele a incomodava mais do que tudo, e pela primeira vez ela sentiu a necessidade de descobrir as razões dele – por que, nee-san? — voltou a encará-lo hesitante, mordendo os lábios leve e nervosamente – por que aceitou se casar comigo? — de repente ela própria se assustou com o próprio tom irritado.
Mas principalmente ficou sem qualquer reação, quando ele respondeu depois de mais alguns segundos de silêncio, a analisando com os olhos frios que conseguiam ser bem mais intimidadores do que o byakugan.
Neji: Eu não tive escolha.- respondeu por fim e imediatamente sentiu o olhar da prima recair sobre a marca em sua testa que ele teve a sensação de arder por detrás da bandana ninja
Observava a prima a algum tempo e não precisaria ser um genio para perceber que alguma coisa vinha mudando a herdeira dos hyuugas dia após dia. Mais misteriosa, mais madura, e principalmente mais decidida, Hinata parecia estar se moldando e deixando para trás a antiga imagem infantil e subordinada apesar dos olhos perolados ainda manterem o aspecto angelical, e a beleza quase pura e intocável daquela mulher. Sim, ele reconhecia, Hinata havia se tornado uma ninja formidável mais acima de tudo, uma mulher bela, feminina e incrivelmente sensual. Poderia até sentir algum desejo por ela, senão a visse como sua irmã mais nova, e sabia que o sentimento era reciproco.
E sendo assim, ele tinha certeza que algo de incomum vinha acontecendo na vida da prima, só que não imaginava o que ou o por que de todo aquele mistério. Seu primeiro instinto era o de protegê-la, mas foi percebendo que a princesinha indefesa dos hyuugas não precisava mais de sua inteira proteção.
Foi tirado dos seus pensamentos, quando a ouviu se pronunciar mais uma vez. Sua voz soava baixa, mas ainda sim doce e suave, além de levemente confiante.
Hinata: gomenasai, Neji-nee-san. — ela olhava para algum ponto na blusa dele, parecendo bastante concentrada e ele se viu curioso por aquela expressão de repente tão aliviada dela.
Neji: Pelo que? — viu quando ela finalmente levantou a cabeça e o fitou sem desviar o olhar em nenhum momento, entretanto nos olhos prateados, havia ternura e melancolia.
Hinata: Eu não vou aceitar me casar com você. — respondeu com um sorriso triste, intimamente assustada por haver acabando de vencer uma luta interior entre a decisão que deveria tomar.
Neji, por sua vez, perdeu o rumo dos próprios pensamentos e analisou mais uma vez os olhos de sua prima, na tentativa de achar qualquer resquício de duvida. Surpreendeu-se ao não ver nenhum. No fundo, esperava que a qualquer instante ela recuasse e acatasse as ordens do pai, entretanto nem mesmo ele pôde se manter frio diante da decisão dela e deixou sua boca abrir levemente, sem conseguir falar alguma coisa.
Hinata: Eu não irei aceitar mais essa interferência do clã na minha vida. Nas nossas vidas. Nunca iria aceitar me casar por causa deles, e principalmente deixar que te obriguem a casar por causa de um selo estupido que já deveria ter sido proibido a muito tempo. — continuou, franzindo levemente o cenho e fazendo uma nota mental de que essa seria uma das primeiras atitudes quando virasse líder do clã: aboliria do selo da família secundaria e também esse título. O clã era um só, era o que ela pensava, e provavelmente entraria em uma briga daquelas com os velhos do clã, mas pela primeira vez ela não se importou..
Entretanto ao olhar novamente para o primo, hesitou ao perceber que o olhar dele havia voltado a se tornar frio e antes que pudesse questioná-lo ele tomou a palavra.
Neji: Hinata-nee-chan – o uso do sufixo fez Hinata olhá-lo abobada, já que ele sempre a chamara de “sama” apesar dela sempre lhe pedir que não o fizesse, mas não parou por aí — o motivo pelo qual aceito as ordens de Hiashi-sama, não tem nada haver com o selo, mas sim com a minha promessa e principalmente a minha vontade de protegê-la. Se não fosse comigo, sei que a própria opção de Hiashi-sama é casá-la com um dos conselheiros do clã – tal opção causava asco em ambos – mas nunca seria capaz de obrigá-la a casar-se comigo.
Hinata: Neji-nee-san... — ela mal podia controlar as lágrimas que encheram seus olhos, emocionada demais com a primeira declaração tão cheia de afeto do primo
Neji: Qualquer que seja a sua decisão, eu quero que saiba, que eu vou aceitar e estar do seu lado.
Ele não sorria, muito menos demonstrava qualquer emoção em suas palavras, mas ainda sim agora Hinata tinha certeza que podia confiar nele, e o pegando totalmente de surpresa, o abraçou, encantada e emocionada.
Tão entretidos com aquela conversa, nem perceberam que no momento em que se abraçaram, Hanabi aproximava-se do local aonde treinavam, acompanhada pela mestra de armas, Tenten e testemunharam a cena apesar de não terem ouvido nada. Tenten surpreendeu-se ao fato do frio hyuuga estar abraçando alguém, mas não entendia o por que da raiva que emanava de hanabi que fuzilava ambos com o olhar.
Hanabi: É, parece que eles aceitaram muito bem a decisão do clã. — disse cuspindo as palavras, visivelmente frustrada e irritada.
Tenten: nani? Do que está falando, Hanabi-chan?
Hanabi: a você ainda não sabe? — seu sorriso adolescente era forçado e sem qualquer humor – O clã decidiu que Hinata-nee-san deve se casar com Neji-san!
Tenten: naaaaniiiiiii? E eles aceitaram isso?
Hanabi: veja por você mesma- e apontou para os primos que naquele momento separavam-se do abraço e Hinata sorria para o primo.
O cérebro de tenten trabalhava a mil, como se ainda tentasse ligar os pontos e entender toda a situação e foi inevitável para ela sentir o desconforto que a noticia lhe causava.
Hinata: Arigatou nee-san..- murmurou ainda sorrindo para ele.
Neji: Você está mudada – afirmou a fazendo sorrir levemente — está mais decidida.
Hinata: E isso é bom? — ela provocou, feliz com os elogios do primo.
Neji: Hai. Apenas me pergunto o que a fez mudar.
E mais uma vez ele a viu ficar sem reação quando pega em mais uma de suas estrategias de pega-la desprevenida.
Hinata: Você sempre estará do meu lado, não é?
Neji: Hai – garantiu mais uma vez e percebeu o olhar triste que ela lhe lançou.
Hinata: que bom, é só isso que eu preciso.
Neji teve vontade de retrucar e quem sabe finalmente descobrir o segredo de Hinata, mas foram interrompidos pela aproximação de Hanabi e Tenten que ele não havia notado por estar tão concentrado na conversa com a prima.
Hanabi: Interrompo? — perguntou venenosa, mas Neji foi o único a perceber enquanto também notava a atitude estranhamente silenciosa de Tenten.
Hinata: Não, Hanabi-nee-chan. Tenten-chan!! Que bom que veio nos visitar.
Tenten pela primeira vez sorriu, parecendo ter sido tirada de seus devaneios.
Tenten: Neji me chamou para treinarmos... — de repente sua voz foi morrendo enquanto sentia uma sensação incomoda de constrangimento por estar interrompendo os dois noivos.
Hinata: ah que bom, eu já estava cansada mesmo de treinar. Vou comer alguma coisa, por acaso aceita uma água?
Tenten: Hai.
Hinata: ótimo. — ela se foi e Hanabi foi logo atrás, mas não sem antes lançar um olhar brabo para Neji.
Mas este nem ligou, ainda fitava confuso a ex-colega de time que encarava o chão parecendo pensativa.
Neji: Vamos começar?
Tenten: er...h-hai, hai!!! — ela se colocou em posição de luta, afoita e Neji se perguntou o que estava acontecendo com aquelas mulheres.
OoOoOoOoOoOoOoO
Hanabi ainda encarava Hinata irritada, enquanto esta se encaminhava para a cozinha. Era o sorriso da mesma que a irritava, provavelmente deveria estar feliz afinal se casaria com o homem mais sexy e forte do clã.
Hanabi: Deve estar satisfeita com o casamento. Já estavam até aproveitando heim. — ela sorria falsamente, mas sem esconder o veneno de suas palavras e se irritou quando as palavras pareceram não afetar a irmã.
Hinata: Eu e o Neji? Como pode falar isso, hanabi-chan! Neji-nee-san, é como um irmão para nós.
Hanabi bufou controlando a vontade de gritar com a dissimulação da irmã. Nunca vira Neji como um irmão, e aparentemente Hinata também não.
Um alvoroço nos limites do clã, entretanto, chama a atenção das duas que ao ver uma multidão reunida e vozes exaltadas, correm até lá, confusas e curiosas.
Mas nada podia preparar Hinata para dar de cara com nada menos do que Naruto Uzumaki, vestido com a roupa de Anbu, com exceção da mascara, dentro do território dos hyuugas e para piorar, frente a frente com Hiashi. Seu coração acelerou tão forte que parecia que subia por sua garganta ao mesmo tempo que sua respiração tornava-se cada vez mais escassa como se a qualquer momento fosse parar. Estava eufórica e ao mesmo tempo mortificada. Aquele encontro fora o mais próximo que Hinata podia se ver de ser descoberta e tal situação a deixava em panico.
Foi tirada de seus pensamentos, foi puxada pela irmã para se aproximar e como previu, Naruto e seu pai, discutiam diante dos olhares curiosos e irritados dos hyuugas.
Hiashi: Já disse, seu maldito demônio, quero você fora dos domínios do clã!! Não é bem vindo aqui!! — ele parecia um cão raivoso prestes a atacar Naruto, mas este nem parecia ligar.
Naruto: Estou aqui para cumprir ordens da Hokage, não pense que desejo ficar nesse clã mais do que o necessário. — disse com desprezo, causando a fúria em todos os presentes.
Menos em Hinata.
Primeiro por que, ela nunca o odiaria por motivos óbvios, segundo por que estava desesperada demais para odiá-lo e terceiro por que sabia que era isso que Naruto queria. Era tão claro para ela as intenções do loiro que chegava a ser entediante. Naruto estava ali para provocar Hiashi e a todos os hyuugas e apenas usou as ordens da hokage para tal coisa, prova disso era que ele estava sem a mascara que poderia perfeitamente esconder sua identidade e fazê-lo passar tranquilamente pelos hyuugas,
Mas não.
O uzumaki fora até ali já com a intenção de provocar todo aquele alarde. Ele se divertia com a fúria dos membros de seu clã.
Naruto: Hyuuga Hinata. — a voz dele a tirou de seus pensamentos e imediatamente todas as atenções vieram para ela – a Hokage solicita sua presença no escritório dela, imediatamente. — ele disse sério olhando nos olhos de Hinata que não pode conter a vontade de se afogar naquele mar azul.
Hiashi: Saia daqui, agora! — furioso e a beira do descontrole, ele apertou o ombro do Uzumaki e diante do olhar atento de Hinata, ela viu os orbes azuis claros se tornarem opacos e com um brilho avermelhado que fez seu coração saltar, aterrorizado.
Naruto: É melhor não encostar em mim, seu velho nojento. — disse, entre os dentes fechando o punho com força, mas Hiashi também não se intimidou e Hinata correu até eles, tentando evitar o pior.
Seu erro, provavelmente, foi ter puxado Naruto, ao invés do pai, o que resultou em ficar bem próxima do loiro que viu sua chance de irritar ainda mais seu inimigo Hyuuga.
Hinata não teve escapatória, e quando viu o sorriso travesso do uzumaki já fora tarde demais.
Naruto: Não se preocupe, Hinatinha, eu não ligo para velhos ranzinzas e por isso não vou acabar com o seu querido papaizinho. — disse debochado, olhando diretamente para Hiashi como um desafio, e assim não notou a palidez repentina da moça quando ouviu o apelido dito de forma tão intima na frente de todos.
Hanabi: SEU VERME MALDITO! TEM QUE NOS RESPEITAR! — disse exaltada, provando seu ódio hyuuga pelo jinchuuriki da kyuube.
Mas Naruto não parecia ouvir nada, em um transe que o fazia apenas desejar ver a frieza dos hyuugas ser destruída e sem ligar para mais nada, muito menos para a moça ainda paralisada na sua frente. Ainda mais cínico e debochado, o loiro pegou a mão de Hinata e a beijou a olhando sedutor, o que poderia fazer o coração dela acelerar de emoção se não pudesse ver o brilho vingativo por trás do charme.
E quando ele se foi, um sorriso vitorioso brincava em seus lábios, deixando para trás a fúria dos hyuugas direcionada para uma só pessoa.
Hinata ainda não sabia o que fazer, sendo alvo de todos aqueles olhares brancos, agora cheios não apenas do desprezo habitual, mas também de fúria e nojo. O ar lhe faltou por completo quando ouviu a voz fria e controlada do pai.
Hiashi: Você nos envergonhou mais uma vez.
A primogênita tentou se defender, mas perdeu a voz devido ao susto de encarar o Byakugan ativado nos olhos do pai, nos olhos furiosos do líder do clã hyuuga.
OooOoOoOoOoOo
Naruto estava satisfeito.
Sem duvida valera a pena ir naquele maldito clã, só para ver a cara zangada e incapaz daqueles prepotentes bakas. No começo não havia gostado nada das ordens da hokage de ir até o clã hyuuga para chamar Hinata para uma missão, mas ao pensar bem não pôde conter o plano diabólico que passou por sua mente. Pela primeira vez poderia entrar no clã Hyuuga, pois estaria protegido pelas ordens da própria Hokage, sem duvida não desperdiçaria essa chance entrando com uma máscara. Não, queria olhar bem nos olhos daquele prepotente líder do clã, e realmente ficou satisfeito. Os olhos de Hiashi parece que saltariam, principalmente quando se aproximou tão intimamente de Hinata, fora hilário!
Seus pensamentos instantaneamente se bloquearam quando viu Sakura entrando no prédio da Hokage, aonde também era o seu destino.
Naruto: Sakura-chaaaan!!! — ele foi até ela como um foguete, e com um enorme sorriso nos lábios, mas este murchou quando percebeu a faísca furiosa nos olhos esmeralda da kunoichi. — Sakura-chan, o que aconteceu? — perguntou hesitante, já acostumado que a raiva da rosada sempre significava que levaria um soco terrível.
Sakura olhou para Naruto, mas parecia não vê-lo, ainda remoendo a raiva e agonia da conversa que tivera com o namorado algum tempo atrás. Estava em sua casa, tentando não chorar quando fora chamada pela Hokage, pensou ser uma boa idéia para se distrair, mas logo percebeu que não estava bem para uma missão. Agora quando Naruto a chamou, tudo o que ela conseguia pensar era que ele sempre que podia insinuava que Sasuke a enrolava, e naquele momento era tudo o que ela menos queria.
Confuso e hesitante, Naruto continuou atrás da médica quando esta o olhou com desprezo e voltou a andar. Poderia aguentar o desprezo de qualquer um, menos daquela mulher e agora faria qualquer coisa para entender o motivo.
Naruto: Sakura-chan, o que foi que aconteceu? — ele a segurou pelo antebraço, antes dela entrar na sala da Hokage
Sakura não conseguiu se controlar e explodiu.
Sakura: Droga Naruto! Eu briguei com o Sasuke, foi isso, satisfeito? — perguntou irritada, deixando o loiro sem reação. E antes que ele pudesse responder, ela riu sem humor – é claro que está! Foi isso que você sempre quis! Bom você conseguiu!! — e sem esperar por qualquer resposta, ela entrou na sala, deixando um Naruto abobado e sem reação no corredor.
O fato deles terem brigado, sem duvida poderia ser considerada uma vitória para o loiro, mas não era assim que ele se sentia. Afinal de contas, não fizera nada para que isso acontecesse e não merecia o desprezo da rosada, a culpa era dela se não tinha lhe ouvido. Cansado, irritado e frustrado, ele entrou na sala da Hokage disposto a se entender com a amiga e amada, mas paralisou ao reconhecer os presentes ali.
Sakura mantinha o olhar cabisbaixo, e tenso, mas segundos depois fuzilou o ninja sentado em uma cadeira em frente a mesa da Hokage: uchiha Sasuke. Este também estava tenso, apesar do olhar frio, e Naruto imediatamente percebeu o uchiha lhe lançando um olhar mal humorado que ele respondeu o fuzilando com o olhar. Já era a segunda pessoa que o olhava daquele jeito sem ele ter feito nada, mas dessa vez não deixaria barato.
Sasuke, por sua vez, sentia-se levemente incomodado com a entrada de sakura na sala, mas foi a entrada de Naruto que fez aumentar sua irritação. Lembrou-se das palavras da namorada no café da manhã que não tiveram.
“NARUTO TINHA RAZÃO! VOCÊ SÓ ESTÁ ME ENROLANDO! NO FINAL, ELE TINHA RAZÃO!”
Naruto. Ele finalmente havia conseguido colocar Sakura contra ele, com todo o seu ciume infantil. Lógico que tinha consciência que também tivera culpa, mas ficar com raiva de Naruto por estar sempre, visivelmente, torcendo contra a felicidade daquele casal o fez culpá-lo sem que pudesse se conter.
A porta se abriu pela quarta vez e foi a vez de uma kunoichi de cabelos azuis e olhos perolados adentrar a sala e também parecer bastante incomodada com as pessoas presentes na sala. E quem reparasse bem, veria que Hinata mantinha um olhar irritadiço e um brilho raivoso que era raro naqueles olhos de lua cheia.
Viu Sasuke e Sakura e já não ficou nada feliz, não podia evitar, eles já haviam se tornado tão culpados de seu sofrimento quanto Naruto.
Naruto.
Quando ela o olhou, teve vontade de gritar e acertar um juuken no coração dele. Pensou que nunca conseguiria odiá-lo, mas admitiu que naquele momento estava bem perto.
Pensou que nada poderia piorar.
Tsunade olhou para aqueles quatro jovens, inteligente demais para não perceber que havia algo estranho, mas não se importou. Aquela hora pedia que os problemas pessoais fossem esquecidos e como ninjas, era isso que deveriam fazer.
Tsunade: Chamei vocês aqui por que tenho uma missão de reconhecimento e captura. Os integrantes da missão serão apenas vocês quatro.
E Hinata percebeu o quanto estava errada.
CONTINUA....
Notas finais
Não teve nenhuma cena picante nesses últimos capitulos, e respondendo a perguntas, é por que o naruto e a hina também não podem viver apenas na cama neah kkkkk xD Mas não se preocupem que o próximo hentai está muuuito próximo *olhar ero*
Hinata, Naruto, Sasuke e Sakura vão em uma missão juntos e as coisas não estão nada boas entre eles, mas como Hinata já percebeu, tudo que está ruim pode piorar. *olhar maligno da autora* Nos próximos capitulos, a ação finalmente vai começar e Sakura pode estar cada vez mais perto de perder Sasuke, enquanto Naruto vai finalmente começar a enxergar algumas coisas.
*SUSPENSE*
Não percam os próximos capitulos!
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