Paraiso Imperfeito
30 Descontrole
Notas iniciais
Hoje faz exatamente oito meses que eu não posto e eu só posso pedir sinceras desculpas para vocês, meus leitores que acompanham a história e comentam, alguns até me mandam mensagens privadas!
Realmente foram muitas razões que me fizeram que ficar em falta com vocês, falta de inspiração, de tempo, de computador, mas ainda sim eu peço desculpas!
Mas eu fiz esse capitulo, a maioria dele todo hoje. Saiu enooorme, mas eu acho que vocês mereciam que ele fosse completamente postado. Beijos, espero que tenham gostado.
“ Há instantes que os homens são senhores dos seus destinos” (William Shakespeare)
Era inevitável, o desespero e o pânico tomavam conta dela sem dar chance para qualquer raciocinio. Enquanto sentia aquele homem nojento em cima de si, tudo o que ela pensava era em fugir, gritar e estar em casa, no seio de sua família, protegida por seu pai, sua irmã e por Neji. Apesar da boca tapada, ela tentou gritar, mas tudo o que conseguiu foi um chamado abafado do nome do seu primo.
Ela podia ouvir a respiração ofegante do seu estuprador e isso só a fez ter mais nojo dele e de si mesma. Não podia controlar as lágrimas que cegavam a sua visão e o bolo de ferro que subia por garganta, quase a impedindo de respirar. Ela se debateu, tentou empurrá-lo, mordê-lo, mas ele nem se quer se mexeu e ela nunca havia se sentido tão vulnerável e frágil como naquele momento.
Sem poder se defender, e sem alguém para defendê-la, ela chorou implorando aos Deuses para que não deixasse aquele animal conseguir o que queria.
Não era pra ser assim. Não daquele jeito. Não com ele.
- Já chorando, Hanabi-chan? Eu esperava mais. – Taiko deu um sorriso enlouquecido e Hanabi arregalou os olhos, vendo seu próprio pânico nos olhos famintos do seu atacante. – Você sabe há quanto tempo eu quero fazer isso? Mas você está sempre com aquela mala do Neji Hyuuga! Ele não merece você, baka! Nem aquele infantil do Konohamaru! Você merece um homem que possa te dar tudo, e eu sou esse homem, Hanabi.
- HMMMmmmm!!!! MAATTEEEEEE!!! – ela pediu abafado devido o pano tapando sua boca.
- Não se preocupe docinho, vai acabar rápido. – ele sorriu e sua mão escorregou para os botões da calça dela, a fazendo voltar a se debater.
- IIEEEEEEEEEEEE!
- Cala a boca, garota estupida!!!! – ele rosnou a sacudindo e então quase soltando um silvo de prazer ao desabotoar a calça e tocar o pano desprotegido da calcinha azul. – Eu estou louco para te provar.
A essa altura, a hyuuga já soluçava sem forças para se debater e Taiko sorriu vencedor e foi tirando lentamente a calça, aproveitando para tocar qualquer pedaço de pele desprotegido, amando a sensação de ver a Hyuuga tremer de medo e de derrota.
Entretanto seu sorriso não demorou muito, quando ouviu um barulho de galho quebrando, mas antes que pudesse ao menos ter a chance de virar a cabeça para o lado, um soco poderoso o acertou em seu maxilar, o jogando a metros de distancia da sua presa.
Atordoado, ele demorou alguns segundos para que sua visão entrasse novamente em foco, mas tudo o que via era uma grande quantidade de chacra azul que fazia o chão abaixo de si tremular, e o ar se tornar pesado demais. Apenas ninjas muito poderosos tinham esse poder, ninjas de elite, e o pensamento o fez se assustar. Entretanto sem ter qualquer chance de escapatória, ele se encolheu ao sentir a presença na sua frente, e um segundo depois, ele foi arqueado para cima até seus pés não tocarem o chão, e ele sentiu uma mão apertar seu pescoço com força.
- Seu verme imundo. – a voz daquele homem poderoso era baixa e ameaçadora deixando Taiko cada vez mais em pânico – Como você ousa tocá-la! Como você ousa...? – a expressão foi cortada com uma raiva mortal e Taiko finalmente reconheceu os olhos de seu atacando.
- K-ko.no.ha.ma.ru....
- Ela estava chorando. Estava desesperada. Mas você estava adorando não é?! – a voz do adolescente era cortante como uma lamina fria, entretanto não era ele quem segurava o pescoço do estuprador, e sim apenas um chacra azul rodeado pelo elemento vento, e apertava cada vez mais e mais, até a boca de Taiko se abrir em busca de ar, e seus olhos saírem de foco.
- O.ne.gai. – o rapaz conseguiu implorar, mas para seu desespero tudo o que conseguiu foram novas “mãos” agarrarem seus braços e pernas.
- Já implorando, seu maldito imbecil! Eu vou ter o prazer de te matar. – Konohamaru murmurava friamente, fazendo Taiko sibilar de verdadeiro medo. Ele nunca havia visto o neto do sandaime agir daquele jeito, ele parecia...um monstro.
Um sorriso frio correu pelas feições do jounnin e logo o aperto do pescoço de Taiko se afrouxou, o deixando respirar, aliviado.
- Você pensa que eu deixaria você morrer assim tão fácil? – o questionamento deixou Taiko novamente em desespero.
- Não pode me matar! Não pode!!! Você será preso! Eu sou um ninja de Konoha!
- Você é um estuprador nojento, maníaco, um lixo e ninguém irá me culpar por te matar.
- NÃO É VERDADE! – Taiko estava em panico.
- Você me enoja.
- SOCORRO!!
- Cala a boca, seu covarde. – Konohamaru rosnou e então socou o outro com tanta força que pôde ouvir o som de ossos se quebrando e esse deveria ter sido o som mais bonito que havia visto.
Em seguida, ele aplicou uma serie de socos, e chutes, até que Taiko era apenas uma poça de carne e ossos quebrados, chorosa e semi-consciente.
- One.gai... – ele murmurou quase sem forças, e com dificuldades devido o queixo balançando fora do lugar, mas o olhar assassino de Konohamaru dizia que ele não pararia, mas então como uma luz de esperança, várias pessoas cobriram o lugar onde eles estavam ainda sim o neto do sandaime continuava a olhar friamente para seu adversário.
- Konohamaru! O que está acontecendo aqui? – a voz da Hokage transparecia seu verdadeiro choque – O que você fez? – ela deu um passo, entretanto logo Naruto estava ao seu lado e a impediu. Entendendo o recado, ela fez sinal para nenhum dos ninjas atacarem, mas soltou um suspiro horrorizado quando Sasuke se aproximou carregando Hanabi Hyuuga com as roupas rasgadas, amordaçada e traumatizada – Que demônios está acontecendo? – ela murmurou para si mesmo, mas foi o suficiente para Konohamaru ouvir.
- Por que a senhora não pergunta a esse maldito doente? – ele rosnou, mas riu ao ouvir o choramingo de Taiko – Ah é, ele não pode falar com a boca quebrada.
A atitude fria de Konohamaru chocou a todos, até mesmo Naruto, mas ele reconhecia aquele tom, assim como aquele chacra e a pressão negativa que cercava todo o local. Os Hyuugas chegaram naquele momento, e Neji imediatamente pegou a prima no colo, que voltou a chorar, enquanto Hinata tentava acalmá-la.
- O que aconteceu aqui? – a voz de Neji era dura como aço, mas nem se comparava a voz mortal de Konohamaru.
- O que aconteceu, Konohamaru? – Naruto perguntou com a voz firme.
- Esse maldito....esse bastardo... – o mais novo respondeu e todos ouviram o choramingo de Taiko que voltava a ser esgoelado pelo chacra azul.
- Ele vai matá-lo. – Iruka murmurou desesperado, mas Naruto ainda impedia todos de se manifestar.
- O que ele fez Konohamaru? Pare de esganá-lo, você não quer isso, acredite em mim!
- Oh eu quero, eu preciso, Naruto-san! – o tom frio se tornou desesperado quando pronunciou o nome do idolo e o loiro aproveitou para se aproximar.
- Eu sei. Eu sei como você está se sentindo agora. Mas apenas tente se controlar e fale o aconteceu.
Por um instante, o ninja descontrolado olhou para todos ao seu redor que ofegaram ao imediatamente notar os olhos roxos incomuns dele, então ele viu Hanabi encolhida no colo de Neji e o chacra azul se fortaleceu novamente devido sua raiva crescente, e ele se virou novamente para Taiko, que choramingou de medo.
- Eu vim para treinar, então senti o chacra desse maldito e de Hanabi. Os segui e encontrei... – ele rosnou engasgado – Eu encontrei esse demônio em cima dela, a prendendo, tentando...tentando transar com ela. – ele concluiu e socou o estomago de Taiko que silvou e então se encolheu já no final de suas forças.
- Eu entendo, Konohamaru. Você a salvou, mas agora você tem que soltá-lo e deixar a gente cuidar dele.
- Ele merece morrer! – os olhos do Sarutobi escureceram ainda mais, dessa vez se tornando negro e tomando conta de todo o globo ocular apenas com um circulo roxo no centro onde deveria ser a pupila, mas apenas Naruto notou isso.
- Talvez! Mas não é você que decide isso! É a Hokage! Nós obedecemos a ela, lembra? Somos ninjas de Konoha!
- Eu quero matá-lo, Naruto! – o pedido do Sarutobi era quase implorativo e a tensão era completa, mas Naruto se manteve sóbrio.
- Eu sei que quer, mas não importa o que aconteceu, você não vai querer ter o sangue dele nas suas mãos.
- Eu não vou perder meu sono por ter matado um verme! – ele ironizou, venenoso.
- Não é a morte dele que vai te assombrar Konohamaru, é a sua falta de controle. Você não vai querer conviver com a dúvida de ter o controle sobre si mesmo. – ele disse decidido e Konohamaru o olhou pela primeira vez, parecendo hesitante. Todos sabiam bem do que Naruto falava, ele tinha experiência – Você não vai querer que todos tenham medo de você. Isso não precisa acontecer. Você pode se controlar Konohamaru, eu sei que pode. Então se afaste do idiota e reprima seu chacra. – Naruto finalizou como uma ordem a seu soldado, e todos respiraram aliviados, quando um instante depois, o ninja descontrolado suspirou e reprimiu seu chacra, deixando a massa de ossos que era Taiko quase cair no chão se Sasuke não houvesse pego a tempo.
- A.ri.tou. – Taiko conseguiu balbuciar, mas tudo o que recebeu foi um olhar frio do Uchiha.
- Você está preso com as ordens de Konoha, sobre as acusações de violência contra uma ninja da vila, e tentativa de estupro, e a partir de agora não será mais considerado ninja da vila da folha.
Neji mantinha a prima próxima ao seu peito, apesar da postura fria, seu olhar era de raiva e desespero, enquanto ao seu lado, Hinata vigiava a irmã, preocupada. Tenten olhou com pesar para Neji, quando o mesmo passou ao seu lado, sem notá-la. Ela também olhou pesarosa com a garota encolhida em seus braços.
A mesma não parecia a pirralha venenosa com quem ela vinha guerreando nos ultimos dias. Era apenas uma criança indefesa, e não importa o que ela tenha feito, não merecia o que aconteceu, ou o que poderia acontecer. Ninguém merecia, a Mitarashi se convenceu enquanto voltava para sua casa.
Konohamaru observava enquanto os Hyuugas levavam Hanabi embora, até sentir o toque em seus ombros.
- Eles a estão levando para o hospital. Sakura vai cuidar bem dela. – Naruto pontuou, enquanto observa o mais novo com cautela, e Konohamaru suspirou.
- Se eu não tivesse chegado...
- Mas chegou. – o loiro o cortou – e a salvou. O maldito doente provavelmente apodrecerá na cadeira ou será exilado. Ela está a salvo graças a você.
- Eu ainda quero matá-lo.
- Sim, mas você não o matou e mostrou pra todos que tem controle sobre si mesmo. – dessa vez, o loiro olhou para Tsunade e Iruka que conversavam a parte, e lançavam olhares preocupados para eles.
- Eu sei que serei suspenso, por ter quase matado ele. – o sarutobi disse consciente, mas não parecia preocupado.
- Não importa o que aconteça, eu vou estar do seu lado.
Konohamaru finalmente olhou para o loiro, que também o fitou com a determinação que ele conhecia muito bem.
- Obrigado. – eles sorriram cumplices – Desde quando virou minha mãe preocupada?
- Você precisa é de alguém que te dê uns bons cacetes, seu moleque! – o loiro fez careta e eles dois riram levemente.
- Obrigado.
- Se cuida, pirralho. Eu vou ver onde o teme do Uchiha levou o prisioneiro.
Konohamaru acenou e começou a andar, até encontrar algo brilhante no chão. Era um cordão do clã Hyuuga, era de Hanabi e o sarutobi imediatamente o guardou em seu bolso. Ele voltaria a andar, mas foi interceptado pela Hokage.
- Sarutobi, Konohamaru. Vá para casa e descanse, quero você bem cedo no meu escritório amanhã de manhã. Não fale com mais ninguém antes de falar comigo.
- Demo, eu iria visitar Hanabi-chan...
- Não antes de falar comigo, Sarutobi, isso é uma ordem direta!
Contrariado, mas ainda sim cansado demais para contestar, Konohamaru assentiu derrotado.
- Com sua licença, Hokage-sama. – ele murmurou e então se afastou.
Iruka se aproximou e ela soltou o ar que segurava.
- O que vamos fazer, Iruka?
- Se for o que pensamos que seja não há muito que possamos fazer Hokage-sama.
- Eu queria que Jiraya estivesse aqui. – a Hokage murmurou para si mesma, enquanto olhava para o céu a procura do seu melhor amigo.
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Em Suna, Temari mantinha-se sentada na poltrona da sala de espera, em silêncio sepulcral. Depois da conversa com Shikamaru, ela foi chamada para fazer os exames e depois se manteve ali para esperar os resultados mesmo que o médico tivesse dito que demorariam algumas horas para sair. Ela não se importava que já era madrugada, e que sua última refeição haviam sido horas antes, ela só queria ficar ali o mais próximo de seu filho que pudesse, ele era tudo o que importava para ela.
Quando o médico aproximou-se, imediatamente ela se forçou a sair de seu estagio de torpor e levantou-se o mais dignamente que seus membros duros conseguiram e mau conseguiu esperar que ele começasse a falar.
- Quais os resultados?
Pela expressão um pouco desconcertada e penalizada do médico, ela soube sem surpresas qual havia sido o resultado. Em panico, ela sentiu suas esperanças começarem a ruírem e com elas suas forças já escassas, foi preciso um movimento rápido do médico que a amparou antes que ela desmaiasse.
- Princesa! A senhora está bem? – ele perguntou, atônito e visivelmente preocupado, enquanto a colocava de volta na poltrona.
- Sim, estou bem...apenas... – ela suspirou, um soluço incontrolável cortando sua frase.
- Infelizmente, os exames deram negativos. É algo raro, mas nós os refizemos duas vezes e o resultado foi o mesmo. Eu sinto muito.
- O que faremos agora?
- Como já havia explicado, começaremos a fazer testes até acharmos um doador compatível. Talvez isso demore um pouco mais, mas é a unica alternativa. Talvez se começássemos com os outros parentes...
- Sim, eu chamarei meus irmãos agora mesmo! – ela disse já voltando a levantar-se sob os olhares atentos do médico, até alguém chamar suas atenções:
- Enquanto isso, podem fazer o teste em mim. – Para a surpresa de Temari, Shikamaru foi quem se oferecia. Ele olhava para o médico, decidido, com os braços cruzados sobre o peito.
- Eu também gostaria de fazer o teste. – Ino falou, aparecendo ao lado de Shikamaru, olhando humildemente para a princesa hesitante e sem ação.
- Certo, certo, quanto mais pessoas fizerem o teste melhor.
- G-guarda. Chamem o kazekage e Kankurou. – Temari ordenou ao seu ninja de segurança e o mesmo a obedeceu imediatamente.
- Chame também Chouji. – Shikamaru se manifestou novamente, continuando sem olhar para a princesa e começando a seguir o médico.
Ao passar pela princesa, entretanto, a mesma segurou seu braço.
- Eu...não... – ela se calou, sua voz se perdendo no vazio no qual se tornou sua mente naquele momento.
- Faço isso pelo pirralho. – foi apenas o que ele disse, antes de voltar a seguir o médico quando o mesmo o chamou.
Ino os olhou, e seguiu Shikamaru para a sala onde seriam feito os testes.
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Hinata abraçava o próprio corpo, tremula, tentando a muito custo controlar seu desespero e seu nervosismo a tudo o que passaram nas últimas horas, e o que aconteceria em seguida. Sua única preocupação naquele momento era Hanabi, Hinata se matirizava pelo estado letargico em que a irmã fora trazida para o hospital depois do ataque. Os olhos perolados, arregalados, inchados pelo choro, paralisados na expressão de medo, e ainda sim opacos como se algo tivesse se apagado dentro deles, como se algo estivesse quebrado, morrido.
Hinata nunca esqueceria os olhos de Hanabi naquele momento. E muito menos Neji.
Ele olhava a prima de longe, sem poder consolá-la, porque ele próprio ainda não conseguira conceber sua falta quando sua protegida mais precisou dele. Era revoltante, nojento, indigno, ele sentia-se um lixo tão qual aquele que atacara Hanabi, o fato deste ainda estar vivo apenas o deixava mais decepcionado consigo mesmo.
Ele não pudera proteger a prima. Ele falhara na maior e principal missão de sua vida. E nada poderia concertar isso.
Seus pensamentos foram cortados bruscamente quando ouviu Hinata ofegar sobressaltada e ele imediatamente procurou ao seu redor, para encontrar a figura séria, temida e fria de Hyuuga Hiashi.
Este, andava pelo corredor lotado do hospital fazendo sua presença imediatamente notada tanto pela sua estatura, quanto pelas suas vestes tão finas, ou pela sua postura intimidante, seus passos eram largos e diretos e sem hesitar nenhum instante, seguiu até a filha e o sobrinho estavam, parando em suas frentes como um olha acusador.
Porque Hiashi era o acusador, o juri e o juiz.
- Devo dizer que não é um total assombro para mim, a incompetência de vocês dois, apesar de Neji ainda ser um desapontamento que eu não esperava.
E ele já os havia julgado.
- Hiashi-sama. Eu sinto muito.
- Oto-sama...eu...
- Eu não quero ouvir lamentos inuteis seus ou de Neji. – o corte do líder do clã foi frio e sem olhar os dois mais novos – Chego à vila, e descubro que minha filha foi atacada covardemente, por um maldito, por que ela estava sozinha na floresta depois do horário apropriado. Poupem-me das suas desculpas, são vazias e sem valor. – ele cuspiu friamente, daquele jeito controlado que apenas ele conseguia fazer para rebaixar alguém, e virou-se apenas para a filha que já o olhava com lágrimas nos olhos – Mais uma vez apenas mostrou a sua incapacidade de liderar o clã.
- Oto-san...
- Como espera que confiemos o clã em suas mãos, quando não consegue cuidar nem da sua irmã.
Hinata se afastou com rapidez, fazendo o possivel para controlar o choro, sabendo que isso apenas atiçaria ainda mais a ira do pai. Foi salva de mais acusações com a chegada de Sakura.
- Hyuuga Hanabi está bem. – ela disse naquele tom profissional – Quando falo isso, quero dizer que felizmente o ato não foi consumado. Entretanto, seu estado emocional está muito instavel e tivemos que sedá-la. Ela agora está dormindo e amanhã faremos novos exames para tratar de possiveis traumas psicologicos.
- Quando ela poderá voltar para o clã? – Hiashi perguntou, impaciente, mas Sakura não intimidou-se, pelo contrário, se mostrou bastante disciplinada e firme enquanto olhava para o amedrontador lider do clã Hyuuga.
- Como eu já disse, o estado emocional dela ainda está muito abalado. Removê-la agora só a deixaria mais assustada podendo até evoluir para um quadro ainda mais grave.
As palavras pareceram fazer efeito em Hiashi que não retrucou apesar de sua obvia relutância. Mas Sakura não lhe lançou um segundo olhar e aproximou-se da frágil Hinata.
- Você quer um chá, alguma coisa?
- N-não...o-obrigada. Obrigada. – a hyuuga se forçou a ser mais firme e Sakura respeitou sua decisão.
Sakura saiu, deixando os Hyuugas sozinhos com sua dor e lamentação silenciosa.
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Nem bem o sol raiou em Konoha, o escritório da Hokage era invadido pelo neto do sandaime, entretanto diferente das outras vezes, escandalosas e euforicas, dessa vez Konohamaru entrou andando sem pressa, as mãos nos bolsos displicentemente, e o olhar sério de alguém que não esperava coisas boas.
Diferente das outras vezes também, ele não encontrou Tsunade afundada em vários papeis com Shizune ao seu lado ordenando que ela começasse o trabalho e largasse o sake. Shizune não estava lá, em seu lugar Iruka, e ninguém menos que Naruto Uzumaki sentado no sofá ao fundo da sala – ele sentiu seu chacra assim que entrou na sala -, a mesa estava vazia a não ser por um livro grosso e bem grande, e Tsunade estava sentada em sua mesa, séria e composta demais para estar bebada, os olhinhos castanhos fixos em algo no livro até finalmente fitá-lo com atenção quase avaliativa.
Konohamaru podia sentir o receio de Tsunade e Iruka e isso mexeu mais com ele, do que ele imaginou ser possivel.
- Eu estou bem. – ele retrucou aborrecido, e virando-se para Naruto inconscientemente pedindo ajuda, mas o mesmo apenas recostou-se mais no sofá e deu os ombros, aparentemente tão sem informações como ele próprio, o que o fez voltar a olhar para a Hokage.
- Infelizmente não podemos falar o mesmo do prisioneiro que você quase matou. Em compensação o deixou tão quebrado que é provável que nunca consiga andar novamente.
- Está brincando comigo? – Konohamaru imediatamente encheu-se de raiva, e indignação, enquanto Tsunade ainda o olhava com atenção parecendo esperar por isso, assim como Iruka que parecia mais desconfortavel. – Aquele maldito merecia muito mais! Ele atacou Hanabi covardemente! Ele quase...!!! – suas mãos se espalmaram na mesa de madeira com uma força que fez as pernas rangerem, e ele se afastou notando finalmente seu descontrole. Mas não podia evitar, não quando lembrava-se do dia anterior.
- É por isso que ele é um ninja renegado e apodrecerá na cadeira. – Tsunade continuou como se nada tivesse acontecido, mas seu olhar acusador era o suficiente – Crimes como esse não são perdoados. Entretanto estamos aqui para conversar sobre as atitudes tomadas por você ontem. – Konohamaru bufou e ela não conteve um olhar para o loiro sentado no sofá. O mesmo estava quieto, impassível, mas ela sabia do seu desagrado – Você se mostrou cruel mais do que o necessário, usou violência extrema mesmo quando o seu combatente estava visivelmente debilitado demais, e não tenho nenhuma duvidas que o mataria se não houvéssemos chegado a tempo.
- Você não viu o que eu vi!!! – ele retrucou, andando pela sala como um animal enjaulado.
- Mas vi você agindo de um jeito que não é comum para você.
- O que quer que eu diga? Que eu me desculpe? Eu não posso explicar o que aconteceu! Eu fiquei louco! Só isso! Me dê logo o meu castigo e acabe com isso!
- Não foi por isso que foi chamado aqui, Sarutobi. Sugiro que acalme-se.
- Konohamaru – Iruka se manifestou pela primeira vez, seu jeito amável e preocupado de sempre – Tem algo que precisa saber. Não viemos aqui recriminá-lo...
- Sério? Porque é exatamente isso que parece. – o mais novo ironizou e Naruto abafou uma risada e se ajeitou novamente no sofá.
- ...queremos ajudá-lo! – Iruka continuou. – Mas antes precisámos contar algo a você sobre sua linhagem. – ele olhou para Tsunade.
- O que...? O que tem a minha linhagem? – ele olhava de um para outro em busca de respostas.
- Konohamaru Sarutobi, neto do Sandaime Hokage, — Tsunade começou – Você despertou a kekei genkai maldita dos Sarutobi. – ela foi rápida, e direta, virando o pesado livro de frente para um ninja confuso e chocado.
- Mas de que merda a senhora está falando? – Curioso, ele aproximou-se do livro onde havia escrito em letras grandes “Shinigami”. – Deus da morte?
- É como é conhecida a kekei genkai. Uma maldição àqueles que tentaram domar o deus da morte. Vocês já devem ter ouvido falar sobre a tecnica Shinigami usada pelo Sandaime para tentar selar Orochimaru, e do quarto Hokage para selar a Kyuube. A técnica consiste em invocar o Deus da morte, Minato criou a técnica, mas não foi o primeiro a tentar. O Tataravó do Sandaime tentou domar o Shinigami, mas segundo os relatos, ele não aceitou pagar o preço e antes de ser morto, ofereceu a vida de seu filho no seu lugar. – Tsunade olhou para os dois ninjas mais novos que olhavam tudo com atenção – Por isso, sua linhagem foi amaldiçoada a ter seus descendentes mais fortes transformados em ceifadores de vidas.
Ao terminar o seu relato, um silêncio duro se instalou no local por alguns minutos, antes que Konohamaru parecesse acordar de seu transe.
- Uow! Uow! Uow! Vamos com calma! Você está me dizendo que eu sou um deus da morte? – ele riu secamente – Agora é oficial! O sake ‘ta acabando com seu cérebro! – ele ironizou e nem se importou com a veia que cresceu na testa da Hokage.
- Seu moleque idiota, perdeu a noção do perigo?
- Konohamaru!! É a verdade! – Iruka disse, olhando firmemente para o ex-aluno – Isso é sério!
- Iruka-sensei! Isso é.....isso é impossivel!
- Vimos ontem apenas a primeira manifestação do Shinigami. – Tsunade disse séria – Aquilo foi apenas o começo. A kekei genkai é uma maldição por um motivo: ela corrompe quem a usa.
- Konohamaru, a kekei genkai se manifestou apenas em um integrante da família antes de você. – Iruka continuou.
- Em quem?
- Do irmão do Sandaime.
- O velhote tinha um irmão? – Naruto se manifestou pela primeira vez, tão assombrado quanto Konohamaru.
- Tinha. – Tsunade foi enfática.
- Depois que o Shinigami se apossou do corpo de Keyko, ele virou um demônio perigoso e precisou ser destruído.
- E quem...?
- Sandaime. – Tsunade o cortou – Ele precisou dar metade de sua vida para conseguir matar o Shinigami. Por isso, quando tentou aprisionar Oroximaru não conseguiu completamente...
Novamente o silêncio. O olhar de todos pesou em cima do neto do Sandaime que aos poucos percebia sua vida tomando um rumo completamente diferente, diante dos seus olhos sem que ele pudesse fazer nada, sem que ele pudesse controlar nada. As informações saltando em sua mente e aos poucos se transformando em um sentido bizarro que mudaria tudo em sua vida, em seu futuro.
- E-então quer dizer que eu vou me transformar em um...monstro? – Konohamaru engoliu em seco, olhando para Iruka com algo que o professor não via a muito tempo nos olhos do ex-aluno: medo.
- Não! – Iruka apressou-se em dizer – Keiko não quis ajuda, e sua inveja pelo sandaime o fez ficar vulneravel a ação do Shinigami, mas não precisa ser assim. Seu coração é puro e você pode vencê-lo, e se tornar forte usando a maldição a seu favor, quem sabe até virar um herói. – ele finalizou virando-se lentamente para olhar para Naruto e Konohamaru acabou fazendo o mesmo, e o loiro bufou e desviou o olhar, em desagrado.
- Mas para isso você vai precisar treinar duro. – Tsunade continuou, olhando fixamente para o mais novo – Não estou dizendo que será um treino comum, ou vantajoso. Será doloroso, cansativo, e exigirá mais do que você pensa poder dar, e você não tem escolha se um dia quiser voltar.
- Voltar...? – O mais novo repetiu confuso, ainda aos poucos tentando assimilar toda aquela informação.
Tsunade e Iruka se entreolharam, antes dela começar a falar:
- Há algumas técnicas que você precisará aprender para domar o Shinigami, Iruka é o mais habillitado a ensiná-lo pois ele aprendeu todas as tecnicas com o Sandaime. Porém, o seu poder será muito grande e destruirá tudo ao seu redor. Por isso você e Iruka partirão de Konoha para iniciar o treinamento.
- Por quanto tempo? – ele perguntou lentamente e Tsunade pela primeira vez desviou o olhar, desconfortável, principalmente por sentir o olhar acusatório cravado em si.
- Até você controlar a maldição. – ela disse por fim e Konohamaru arregalou os olhos, dando um passo para trás devido ao choque da revelação.
- Você está me expulsando da vila! – a acusação saiu de seus lábios ao mesmo tempo em que surgia em sua cabeça.
- Não expulsamos ninjas com um professor ao lado para ensiná-lo – ela bufou já sentindo o começo de uma enxaqueca – Isso se chama treinamento. Eu já passei por isso, Jiraya já passou, Naruto já passou e agora é sua vez!
- Mas todos escolheram isso! Eu estou sendo obrigado!
- As circunstancias são muito fortes! Quanto antes começar o seu treinamento, maiores as suas chances de controlar a maldição! Mas isso não pode ser feita aqui, em Konoha, que acabou de se recuperar da última destruição. Não posso colocar a vida dos ninjas em perigo.
- UM PERIGO? É ISSO QUE EU SOU AGORA?
- Sarutobi...
- Konohamaru, é para o seu bem... – Iruka tentou, olhando penalizado o adolescente tão confuso e desesperado em sua frente. A expressão de traição que ele via em seus olhos lhe partia o coração – Só queremos ajudar você.
- Vocês querem é se livrar de mim! – o garoto acusou, limpando com brutalidade uma lágrima que caiu sem sua permissão – Vão me tratar como um demônio... – ele sentenciou por fim, magoado e os dois mais velhos se calaram sentindo o baque da culpa.
De repente, a aura maligna que eles sentiram no dia anterior voltou, em menos escala, mas o suficiente para eles sentirem a pressão em seus chacras quase os subjugando, com exceção de Naruto que mantinha-se bem devido a própria maldição. Ele olhava com atenção para o adolescente, percebendo ondas de chacra azul e vermelho saírem de seu corpo e quando se encontraram, faziam explodir pequenos choques elétricos. Tsunade e Iruka começavam a fraquejar diante do poder maligno que crescia tão perto e fazia seus pelos da nuca se eriçarem, Naruto continuaria apenas observando até perceber rapidamente um flash roxo passar pelos olhos negros e ele resolveu intervir, antes tendo que controlar o demônio de repente ansioso dentro de si.
- Controle-se Konohamaru antes que os ANBUS cheguem aqui ao sentir o chacra maligno. – foi só o que ele disse e fez imediatamente o chacra perder a força, devido ao choque do adolescente que se deu conta do que estava fazendo sem perceber.
Em um misto de culpa e desespero, Konohamaru olhou para Naruto, que devolveu o olhar sério, antes de sair correndo da sala.
- Konohamaru! – Iruka chamou, mas o adolescente saiu da sala furioso, sem lhe dar atenção, uma rajada de vento fechando o livro sob a mesa da Hokage com violência. – P-precisamos ir atrás dele! Ele precisa ser contido.
- Ele está bem e não fará nada. – Naruto garantiu e Tsunade cruzou as mãos na altura do rosto, e olhou para o loiro.
- Essa situação é mais grave do que imagina, Naruto. – ela começou – o motivo de ter sido chamado aqui é porque...
- ...caso ele se descontrolasse, a Kyuube poderia controlá-lo. – ele finalizou, secamente – Se eu bem entendi, os resultados do treinamento não são garantidos.
- Não. – Tsunade não se surpreendeu que ele tenha percebido – Keiko também passou pelo treinamento, mas ele o colocou no fim de suas forças, e um ano depois, ele se rendeu a maldição. Konohamaru terá que ser muito forte e persistente, e principalmente não deixar sucumbir as trevas do Shinigami. Seja como for, ele será muito poderoso e quando seu poder atingir o ápice, nem mesmo a Kyuube poderá detê-lo.
- Então pretende transformá-lo em uma maquina de guerra.
- Não me venha com sermões Naruto! – ela bateu com força na mesa – Sabe que esse não apenas é o melhor para a vila, mas também para ele. Não demorará muito para que nem você possa impedi-lo de matar! Em compensação, ele tem muito mais de você do que qualquer um. É esforçado, quer superar a si mesmo sempre, é fiel e tem um coração gentil e puro. – Naruto revirou os olhos com a última característica. – No fundo são qualidades que você ainda tem em sua essência, Naruto por mais que as rejeite! – ela concluiu sabendo muito bem o que ele pensava. – Ele pode ser grande, o maior ninja do mundo, mas também pode vir a ser o pior e mais horrível inimigo do que todos que já enfrentamos. Só ele pode decidir o caminho que quer seguir. – ela olhou séria para o Uzumaki – Mas podemos mostrar a ele o quanto vale a pena não desistir do caminho do bem. E quem melhor do que isso do que pessoas que amam ele como filho...ou aquele a quem ele considera um sensei. – ela finalizou e Naruto finalmente levantou-se bufando.
- Não existe mais caminho do bem, velhota. – ele resmungou – Mas é melhor saber o que está fazendo. – e dizendo isso, ele sumiu em uma nuvem de fumaça.
Tsunade jogou-se em sua cadeira, finalmente relaxando o máximo que conseguia.
- Foi melhor do que eu imaginei. – Iruka confessou e ela o olhou irônica.
- Jura? O que esperava?
- Que Naruto nos desprezasse.
- Ele despreza!
- Não. Ele despreza o destino, mas sabe qual é a coisa certa. E o mais importante: fará o que for preciso para ajudar Konohamaru. – o professor garantiu.
E a Hokage esperou que ele estivesse certo.
***************
Ainda transtornado, ele se forçou a se acalmar ou pelo menos controlar sua raiva quando parou em frente ao hospital. Não importa o que eles pensassem, ele estava feliz por ter salvado Hanabi daquele porco nojento, aquele sim era o verdadeiro monstro e Konohamaru não se arrependeria nenhum segundo se tivesse ceifado sua vida. O pensamento lhe deu uma morbida sensação de agrado.
E assim ele entrou no prédio disposto a visitar sua amiga.
Não demorou muito para que ele encontrasse uma enfermeira que o comunicou a transferência da Hyuuga para o terceiro andar, dos traumas psicologicos. Saber daquilo o preocupou ainda mais.
No andar informado, ele logo encontrou a figura delicada e esbelta da irmã de Hanabi, Hinata. As duas eram muito parecidas em suas aparências delicadas, mas a mais velha tinha um olhar doce e cheio de emoções, enquanto a caçula tinha olhos ferozes e maliciosos que ele aprendeu a admirar. Mas ele nunca esqueceria a dor naqueles mesmos olhos, no dia anterior.
- Sarutobi-san... – ela murmurou, surpresa, quando ele apareceu em sua frente.
- Olá Hyuuga-san. Eu vim por que... – ele murmurou, fechando os olhos fazendo um grande esforço para controlar a raiva que sentia. Então surpreendeu-se quando sentiu uma mão delicada em seu ombro. Ao abrir os olhos, Hinata sorria fracamente, mas emocionada.
- Obrigada por tê-la salvado. – ela murmurou em fio de voz que pegou o mais novo desprevenido. – Se você não tivesse chegado, ele teria conseguido destruir Hanabi ainda mais.
- Ele...? – hesitou. Konohamaru não conseguia nem falar, mas Hinata entendeu e negou com a cabeça, para seu alivio.
- Você a salvou. – ela repetiu novamente e para surpresa ainda maior do neto do Sandaime, ela lhe deu um abraço rápido, mas forte, e depois enxugou uma lágrima ao se afastar – Eu nunca poderei agradecer o suficiente.
- E-eu queria saber como ela está... – ele murmurou e viu o sorriso de Hinata desabar novamente.
- I-infelizmente ela ainda está em estado de choque. Ontem tiveram que sedá-la, e hoje quando o efeito do remédio passou, ela se manteve em estado catatônico. Não está comendo nada, nem falando com ninguém. Os médicos dizem que ela ainda está traumatizada, e que passará logo, mas... – ela ofegou suprimindo um soluço — ...não podemos fazer nada.
- Será que eu poderia v-vê-la?
Mas antes que Hinata pudesse falar, alguém surgiu nas costas do adolescente, fazendo-a arregalar os olhos levemente, e no segundo seguinte, Konohamaru ouviu a voz odiavel de Hyuuga Hiashi:
- Não há qualquer motivo para que eu deixe um pirralho encrenqueiro perturbar o estado já lamentável da minha filha.
- O-oto-san... – Hinata começou, mas ele a calou com um olhar feroz.
Konohamaru virou-se lentamente, mas antes de ver Hiashi, seus olhos se encontraram com os de Neji que assistia a tudo impassivel, alguns passos atrás do lider do clã.
- É um disparate e uma ofensa que a Hokage tenha mandado você aqui saber noticias da minha filha.
- Ninguém me mandou. – o mais novo resmungou entre dentes – Eu vim porque sou amigo dela.
- Certamente minha filha não tem amigos de nível tão inferior ou conduta tão vergonhosa. – Hiashi nem ao menos olhava para o adolescente como se o mesmo fosse apenas um mero lixo em seu caminho – Neji, retire esse perturbador de perto do quarto da minha filha.
Mas antes que Neji fizesse algo, ou que Konohamaru explodisse desaforos – ou algo mais – em cima do líder do clã, Naruto apareceu atrás de Neji, e eles imediatamente souberam disso ao reconhecer a enorme quantidade de chacra que apenas um ninja era capaz de ter.
- Nem mesmo pense em tocar no garoto. – o loiro disse ameaçador, mas Neji não mostrou nenhuma surpresa ou hesitação, ainda que tivesse mantido-se parado.
- Não bastasse o pirralho, ainda deixam um demônio a solta dentro do hospital. – Dessa vez Hiashi não poupou o olhar de desprezo e raiva para cima de Naruto que o correspondeu com o mesmo nojo e fúria.
- O pirralho salvou a vida da sua filha e o demônio apenas tem piedade da sua. – Naruto mentiu. Nem piedade ele sentia por aquele homem arrogante e intragavel, mas se importava com os sentimentos de Hinata demais para matar o pai dela, mesmo que esse merecesse.
- Não finja compartilhar de sentimentos humanos. Monstros não são capazes de fazer tal coisa.
- Monstros como você talvez não – Naruto rebateu ferozmente.
- Suma daqui antes que eu mande acabar com o bichinho de estimação da Hokage.
- Oto-san! – Hinata interveio chocada e desesperada.
- Porque não tenta e eu faço o favor de sumir com o seu clã de merda!
- Naruto! – Hinata se pos entre eles, e conteve o loiro, segurando em seu colete e finalmente chamando sua atenção – Vá embora, onegai.
Ela viu os olhos do namorado se estreitarem com raiva, mas ela implorou silenciosamente que ele fizesse o que ela pedia. Por fim, ele cedeu apesar de seu olhar ter se tornado frio.
- Vamos Konohamaru. – ele disse duramente, sem tirar os olhos de Hinata, em uma acusação fria e silenciosa, e então lançou um último olhar de ódio para Hiashi, antes de se afastar com Konohamaru em seu encalço.
Hinata soltou o ar lentamente que prendia com força, e segurou a cabeça com as duas mãos, sentindo tudo rodar, e uma dor latejar em sua cabeça.
- Foi completamente desnecessário eu ter que testemunhar seu papel vergonhoso diante do Uzumaki – Hiashi teve coragem de ainda xingá-la, mas dessa vez recebeu um olhar feroz da filha mais velha, o primeiro vindo dela.
- Foi vergonhoso para mim, ver o líder do clã ser tão baixo.
- Como ousa... – Hiashi começou, mas Hinata o surpreendeu com a aproximação feroz.
- Naruto tem razão. Aqueles a quem você tanto despreza são a quem você deve a vida do seu clã, da sua família, e a sua própria. Mesmo que seja apenas pela piedade deles. – ela cuspiu as palavras com tanta raiva e impaciencia, que fez Hiashi encher-se de raiva tão feroz quanto a que dispunha ao Uzumaki, mas antes que pudesse despejar seu desprezo pelo comportamento indigno da primogenita, ela deu meia volta e entrou no quarto de Hanabi sem mais olhar para ele.
*********************
- Os resultados dos testes finalmente saíram, princesa. – O médico afirmou, andando animado até a sala de espera, mas parando surpreso ao ver o local quase lotado.
Na poltrona de sempre, estava Temari que imediatamente levantou-se e olhou para ele, cheia de esperança.
- Então...? – ela perguntou aflita, mordendo a bochecha e fechando os punhos sobre o tecido do vestido.
- Fico feliz em lhe dizer que depois de ter feito os testes em todos os presentes, um deles se mostrou compatível com o meu paciente.
- Oh graças a Kami! – Foi o primeiro pensamento de Temari e o de todos na sala, que começaram a comemorar a boa noticia.
- Quem foi compatível, Kanage-san? – Kankurou perguntou curioso e animado e o médico olhou na prancheta cheia de papeis a qual usava.
- O nome do doador é...Nara, Shikamaru.
- Oh Kami! Foi você, Shikamaru!!! – Ino sobressaltou-se animada e abraçou o companheiro de time, enquanto Chouji dava tapinhas no amigo. – Quem diria heim?! – ela murmurou para ele enquanto se afastava.
- Se você se dispor a doar, eu queria ter uma conversinha com você para explicar o procedimento e hoje mesmo podemos começar o procedimento.
- Certo. – Ele disse apenas e acompanhou o médico diante do olhar de todos.
Mas então antes de entrar na sala, ele sentiu alguém tocar em seu braço e ele sabia exatamente quem era que o seguira desde que saiu da sala de espera. Temari tinha os olhos baixos, e seu corpo tremia tão fragilizado, que ela surpreendeu-se quando ele segurou em seu ombro a fazendo olhá-lo.
- Vá descansar, e comer alguma coisa antes que desmaie por aí e dê ainda mais trabalho, problemática. – ele disse e ela balançou a cabeça, sorrindo tristemente.
- Tão sensível. – ela tentou ironizar, mas seu tom saiu muito mais triste do que sarcástico. – Obrig... – ela soluçou sem conseguir mais se conter – O.brigada. – ela repetiu, dessa vez seus olhos se enchendo de lágrimas.
- Eu já disse que faço isso pelo pirralho... – ele revirou os olhos, mas perdeu completamente a pose distante, quando sentiu os braços da princesa mergulharem ao redor de sua cintura e se agarrarem nele, enquanto o rosto dela automaticamente se escondeu na curva do seu pescoço.
- Não interessa....o.obrigado. Obrigado – ela dizia entre soluços e ele então finalmente retribuiu o abraço, apertando o corpo dela contra o seu tentando parar com os espasmos do choro sofrido.
- Não precisa agradecer. Yare Yare. Nem chorar. Ele vai ficar bem e você poderá mimá-lo até ele se tornar um arrogante nariz em pé, do mesmo jeito que a mãe dele.
Isso a fez rir de verdade, e então se afastar enquanto limpava as lágrimas de seu rosto. Ela sorriu para ele enquanto eles se entreolharam em um silêncio amigável, então Shikamaru a surpreendeu ao quebrar a distancia entre eles, e depositar um beijo rápido em seus lábios, um toque rápido que a fez paralisar enquanto o via se afastar e entrar na sala do médico, sem nem lhe lançar um último olhar.
Recuperada, ela tocou os próprios lábios sentindo o gosto da saudade, e novamente agradeceu silenciosamente o Nara preguiçoso. Então deu meia volta e foi até o quarto onde ficaria com o filho até a hora da cirurgia.
***************
Enquanto isso, em um dos corredores longe das pessoas, Ino recostou-se na parede e respirou aliviada pela primeira vez em muito tempo. O sentimento de culpa aos poucos deixava de pressionar seu coração a medida que sabia que as coisas voltavam ao normal. Percebendo agora, ela se dava conta o quanto aquele sentimento por Shikamaru a fazia mal, e a incitava a agir como uma vaca que ela não era, mas agora sentia um alivio e uma paz que há muito tempo não sentia, e parte disso, ela constatou, era por saber que Shikamaru e a princesa de Suna começavam a voltar as boas novamente.
Era estranho pensar assim, e até um pouco pesaroso no começo, mas logo ela percebeu que todo aquele nevoeiro de sentimentos era apenas inveja pelo o que Shikamaru sentia por Temari, e despeito por nunca ninguém tê-la amado daquele forma. E tudo piorou ao perceber que a princesa também correspondia ao sentimento dele, o amando da forma que sabia, mas ainda sim o amando, era visível em seus olhos por baixo da arrogância real. Ela tentara ter aquilo que eles tinham, mas percebeu a tempo que se tornava uma pessoa que não gostaria de se tornar, e se forçou a colocar a cabeça no lugar e aceitar que Shikamaru nunca seria seu. O dia da confissão de Temari foi a facada final, ela percebera pelo sofrimento do Nara, o quanto ele desejara aquele filho, o quanto ele queria – e já deveria ter pensado e sonhado – construir uma família com Temari, coisa que ele nunca pensou em toda a longa amizade deles. Então o laço finalmente foi cortado e Ino desistiu de vez daquele amor.
O engraçado foi que, ao fazer isso, não demorou muito para ela descobrir que não doía mais tanto, que nem ao menos doia, mas deixou em seu lugar um sentimento muito mais confortador e sincero do que antes: o de companheirismo, de amizade, de amor de irmão.
E no fim, Sakura estava certa. Senão fosse amor de verdade, logo sumiria. Como sumiu, e deixou em seu lugar um amor muito mais correto e verdadeiro.
- Yamanaka.
Pronto, foi o que bastou para estragar o seu momento de puro crescimento espiritual, ouvir a voz grossa e dura do irritante Kazekage. Ao se virar, ela imediatamente tomou sua postura desafiadora, com os braços cruzados e os olhos fixos nos dele com firmeza.
- Em que posso ajudar o grande Kazekage? — ela ironizou, mas ele pareceu se quer ser atingido, apenas a encarando com a indiferença que a irritava tanto.
- Eu soube que foi uma das primeiras a se voluntariar a fazer o teste, vim agradecer em nome de Temari e Ichigo.
Uau. Aquilo realmente a pegou desprevenida e ela não conseguiu segurar sua postura tensa por muito tempo, corando e desviando o olhar envergonhada, antes que pudesse se policiar.
- Bom. Não foi nada realmente – ela pigarreou desconcertada – Foi apenas um teste rápido, não iria me custar qualquer coisa. E o garoto precisava, ele não merecia isso, e bom...eu sou uma pessoa muito mole com crianças, e ainda sou médica, então fiz um juramento para ajudar a quem precisa sempre, então...não é alguma coisa que eu precise de agradecimento... – ela tagarelava sem conseguir se controlar. Sempre fazia isso quando estava nervosa, só ficando ainda mais ao perceber que o ruivo havia se aproximado a agora a encarava cara a cara bem mais próximos. Ele mantinha o olhar sério e os braços cruzados – e...realmente não precisava...precisava...vir aqui sabe...e...e...porque continua aqui? – ela explodiu finalmente e para sua surpresa, ou seu espanto, ela viu algo inimaginavel.
Os olhos verdes dele se estreitaram quase imperceptivelmente com uma sombra de diversão, enquanto os lábios finos se esticaram e um dos cantos se curvou levemente em nada menos do que um sorriso.
- Eu queria ver até onde isso continuava. – ele então disse com diversão maliciosa que fez Ino imediatamente se dar conta do que acontecia.
Ele zombava dele. O primeiro sorriso dele e era para zombar dela.
Ino nunca pensou sentir tanta raiva em sua vida.
- Você é um...um...idiota! – ela xingou controlando-se para não gritar – Será que o grande Kazekage-sama não tem nada melhor para fazer do que me atazanar? Francamente!
- Você é a única a falar asneiras desnecessárias aqui, Yamanaka. Eu vim agradecer formalmente a sua ajuda.
A loira agradeceu por estar com sapato alto e pode ficar exatamente da altura do ruivo, enquanto aproximava-se o bastante do seu rosto para encará-lo com raiva.
- Eu não dou a mínima pros seus agradecimentos, por mim pode engolir cada um deles. – ela resmungou.
- Se não quer meus agradecimentos, então aceite minhas ordens. Você está proibida de mexer novamente em arquivos médicos reais sem ordem direta minha ou dos meus irmãos. – ele disse sério, adquirindo a postura fria e superior de sempre, e ela fechou o punho com raiva.
- Certo, então aceite um recadinho meu também. – ela grunhiu irritada, enquanto passava as mãos nas paredes sujas do chão e depois as passou diretamente contra o nariz do ruivo.
Assim que os ácaros passaram por suas vias respiratórias, o Kazekage sentiu sua alergia ser atacada com brutalidade. E foi impossível controlar o primeiro espirro. E o próximo. E o próximo. E os outros mais.
- Espero que tenha entendido o recado, Kazekage-sama. – e dizendo isso ela saiu a passos rápidos e duros pelo corredor – Idiota! Bastardo! Metido! Imbecil! – ela continuou a xingar, furiosa, seu coração batendo rápido em fúria assassina.
Não importava o quão bonito, misterioso e sexy aquele idiota fosse ela não o suportava.
***********************
- Está na hora, senhora. – a enfermeira disse a Temari que deu um último beijinho em Ichigo.
- Mamãe vai esperar lá fora. Você vai ficar bem. – ela garantiu tentando passar o máximo de confiança ao pequeno garotinho que a olhava com os olhinhos assustados.
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Estava acontecendo. Ele estava ali, em uma sala cirúrgica, conscientemente se oferecendo a passar por uma cirurgia. A luz em sua cara estava o irritando, mas ele agradeceu ainda não estar recebendo anestésicos, ele odiava sentir-se incapaz.
Então, ele ouviu um som de porta e ao olhar para o lado, viu uma cama sendo arrastada para o lado da sua, e nela um garotinho que respirava com dificuldade olhava a tudo assustado, mas quando seus olhos encontraram com os de Shikamaru, ele pareceu relaxar e sorriu.
- mamãe disse que você ia cuidar de mim. – ele murmurou ofegante e Shikamaru nunca pensou que sentiria tanto amor por alguém em tão pouco tempo.
- Eu vou. – ele garantiu.
E quando a anestesia era aplicada, ele não se importava mais em estar em uma sala de cirurgia, ou passando por uma cirurgia, ou perdendo os sentidos, ele estava satisfeito por que ia salvar o garoto.
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Do lado de fora, na sala de espera, a princesa de Suna era consolada pela babá, que segurava em sua mão e lhe dizia palavras positivas e de conforto.
Então, ela se calou quando alguém lhe estendeu uma bandeja com chá e alguns biscoitos. Temari olhou para Ino enquanto a babá agradecia pela comida.
- É melhor comer para estar de pé quando seu filho e o Shikamaru acordarem. – A kunoichi disse olhando fixamente para a princesa e depois deu meia volta.
- Yamanaka. – a princesa a chamou baixinho, mas o suficiente para a loira ouvir e voltar a encará-la – Arigatou.
Ino deu os ombros e saiu da sala, seus olhos se cruzando uma última vez com olhos verdes que a observaram o tempo inteiro.
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No hospital de Konoha, um grito sufocado foi ouvido vindo de um dos quartos. Do lado de fora, Hinata deixou a xicará de chá cair no chão, espatifando-se em mil pedaços, enquanto corria em direção ao quarto da irmã. Ao entrar, viu com horror uma cena desesperadora.
Três enfermeiras tentavam conter os avanços furiosos de Hanabi que se debatia e gritava, as afastando com furia e desespero. Uma bandeja de comida jazia no chão, espatifada, no fim de um caminho de comida que sujava uma parte da parede.
- Hyuuga-sama, ela não quis comer e entrou em surto. – Uma das enfermeiras explicou, enquanto tentava segurar as pernas da Hyuuga mais nova que gritava e se debatia como um animal descontrolado.
- Hanabi! Se acalme! Por favor! – Hinata pediu, avançando sem pensar para conter a irmã.
Entretanto o surto de Hanabi alcançou niveis tão furiosos que seu chacra também se descontrolou e acabou se projetando em suas mãos, e quando Hinata tentou se aproximar, sentiu como um objeto cortante passando por seu rosto.
- HYUUGA-SAMA! – Uma delas gritou, mas Hinata a ignorou enquanto finalmente conseguia segurar os braços da irmã que gritava mais e mais alto.
Nesse momento, Neji e Akihiko passaram pela porta, atordoados.
- O que está acontecendo aqui? – Neji rosnou, vendo Hinata se afastar e ter um corte profundo na bochecha. – que diabos...?
- Ela surtou quando tentamos lhe dar comida – a enfermeira repetiu.
Neji imediatamente tomou o lugar da prima ao lado de Hanabi tendo mais sucesso.
- Hinata-san, você está bem? – Akihiko perguntou, aproximando-se da noiva e tocando em seu rosto a fazendo se retrair – Esta ferida...
- Não é nada... – ela murmurou tocando o lugar dolorido e finalmente se dando conta que estava sangrando – o chacra de Hanabi se descontrolou no surto. Eu estou bem. – ela disse rapidamente voltando sua atenção a irmã, mas Akihiko a conteve.
- Venha comigo para que eu possa curá-lo.
- Mas...
- Vá Hinata. Eu tomo conta dela. — Neji ordenou e Hinata hesitou por um segundo, antes de se deixar ser levada pelo outro Hyuuga – Hanabi, sou eu, Neji, você está bem! Está segura!
- NÃO! ME SOLTE! ME SOLTE! NÃÃÃO! – ela berrava alto, os olhos arregalados de puro pavor como se sonhasse acordada.
- Soltem-na. – Neji ordenou duramente e todos fizeram o que ele mandava, ao mesmo tempo que ele segurava a prima pelos braços com segurança – HANABI! EU ESTOU AQUI! EU VOU PROTEGER VOCÊ AGORA!
- Neji! – ela finalmente disse, e foi como se ela tivesse emergido depois de horas debaixo d’agua. Seus olhos assombrados e cheios de lágrimas.
- Sou eu. – ele disse e no segundo seguinte, ele segurava firmemente a prima caçula que se abraçava a ele como se fosse seu barco salva vidas, e chorava compulsivamente como não fizera desde que chegara ao hospital.
- Neji! Me ajude, por favor! Neji – ela dizia entre o choro forte, tão doido, tão sofrido que comoveu a todos os presentes, que saíram do local percebendo que tudo estava sob controle.
Um deles deixou a porta entre aberta sem perceber, atordoado demais com aquela cena chocante, e uma pessoa espiou pela fresta da porta.
- Eu não consegui....eu não queria! Mas ele...ele! Por favor! – a garota chorava desconsolada, ainda presa no pesadelo que passara.
- Ele foi preso, eu estou aqui com você agora e vou te proteger. Eu juro que vou te proteger para sempre. – Neji murmurou, sério, abraçando mais forte a prima tão fragilizada e prometendo que nunca mais a soltaria.
Do lado de fora, Tenten fechou a porta dando privacidade total a eles, mas recostou-se na parede ao lado e deixou uma lágrima de agonia cair.
Ela foi até o hospital levar um dos seus alunos que havia se machucado durante uma aula experiental, então ouviu as fofocas sobre a confusão que acontecia no quarto de Hanabi. Sem conseguir se conter, ela subiu até o terceiro andar e viu Hinata ser levada por Akihiko, e depois os outros enfermeiros saírem. Ao ver a porta aberta, não se conteve e espiou pela fresta. A primeira coisa que viu foi Neji e depois Hanabi agarrada a ele. E por mais que esta cena devesse frustrá-la e irritá-la, e enchê-la de outros sentimentos semelhantes, isso não aconteceu.
Ao contrário, o momento a emocionou, e aliviou ao mesmo tempo porque ela viu naquele gesto que antes assombrava seus piores pesadelos, um gesto de carinho sincero que ambos naquela sala precisavam.
Não importava que Hanabi tivesse feito de sua vida um inferno, ou que por sua culpa ela tenha perdido Neji, ela ainda era um ser humano, uma adolescente para completar, e fazendo o que fez, Tenten apenas se igualou a garota mimada, pior, ela se mostrou pior do que a Hyuuga, já que, agora ela via, era a verdadeira culpada por tudo isso.
Naquele momento, a Mitsashi aprendeu que lutar por aquilo que queria era necessário, mas não valia a pena se tivesse que descer tão baixo a ponto de destruir sua alma.
***********
Nos jardins do hospital, Akihiko curava o ferimento de Hinata com habilidade e logo não havia mais nada a não ser a mancha de sangue, na pele pálida macia. Entretanto, ele não conseguiu apagar a tristeza dos olhos da Hyuuga.
- Será que ela melhorou? – Hinata perguntou baixinho e Akihiko sorriu confiante.
- Tenho certeza que sim. Neji-san faria qualquer coisa pela prima.
- Obrigado por ter vindo. Eu nem se quer lhe cumprimentei. – Hinata suspirou, encolhendo-se e deixando as mãos cairem no seu colo.
- Não tem problema. Eu só consegui uma folga rápida para ver se Hanabi ou você precisavam de alguma coisa.
- Não se preocupe, mas obrigada. – ela murmurou, baixando os olhos sem conseguir esconder a tristeza, e ele segurou as mãos dela com firmeza a fazendo olhá-lo.
- Hinata-chan, não se martirize, a culpa não foi sua. E Hanabi-san é forte, eu tenho certeza que em breve ela se recuperará completamente.
- Eu sei... – ela confessou, respirando fundo – É só que com Hanabi nesse estado...e o oto-san...e o clã...e todo o resto...eu apenas não consigo pensar direito...eu só... – ela começava a se embaralhar e mau conseguia raciocinar direito – só estou cansada... – confessou -...de tudo.
- Então está na hora de você descansar um pouco. De tudo.
- Não... Eu não sei se eu consigo... – ela suspirou fechando os olhos com força. Sua cabeça doía tanto.
- Hinata-chan... – ele murmurou, aproximando-se dela e tocando sua testa quente – Está com febre. Deveria ir descansar...
- Será que eu estou atrapalhando? – a voz de trovão, fez Hinata imediatamente virar-se enquanto Akihiko afastava-se lentamente dela para olhar sem surpresas para o loiro parado em frente a eles, os olhando acusador e tenso.
- Naruto... – ela chamou e Akihiko percebeu imediatamente o tom de voz derrotado se transformar instantaneamente em alivio, quase uma necessidade.
- O que estão fazendo aqui? Sozinhos? De noite? Sozinhos? – ele repetiu mais intensamente, o ciumes evidente em cada palavra dura, em cada parte de sua feição tensa e o Hyuuga soube que era hora de sair.
Com calma, sem nenhum momento demonstrar qualquer hesitação ou medo, ele beijou o topo da cabeça de Hinata com carinho, antes de levantar-se, ignorando solenemente o ruido de desgosto do loiro.
- Cuide-se Hinata-chan, eu vou voltar para a ANBU, mas estarei aqui se precisar de mim. – diferente de todas as outras vezes que ele era sempre educado e quase respeitoso com Naruto, dessa vez ele se mostrou desafiador e em nenhum momento abaixou o olhar para a carranca do loiro – Boa noite Naruto-san. – ele disse antes de sair andando de volta para o hospital.
- Aquele mauricinho imbecil, aproveitador, idiota... – ele resmungou enquanto se aproximava da Hyuuga que continuava sentada. – Eu sei que você pensa que ele é incrivel e maravilhoso, mas acredite em mim, Hinata, ele não é o ninja encantado como todos acham que ele é. Eu sei que... – sua frase foi cortada bruscamente quando ele se viu abraçado de surpresa pela Hyuuga. – Hinata... – ele sussurrou surpreso, até ouvir o choro fino e baixo dela e logo depois sentir seu uniforme molhado por lágrimas dela.
- E-eu n-não...g-g-omenasai... – ela soluçava sem conseguir parar de chorar. Estava com dor de cabeça, sentia-se esgostada, e ao ver Naruto ali, ela não conseguiu mais controlar suas emoções.
- Shiii...tudo bem. Ta tudo bem, Hinata. – ele murmurou, a abraçando e aproveitando para colocá-la no colo, sentando-se no banco de pedra.
A Hyuuga aninhou-se mais a ele, deixando sua cabeça grudada no peito dele, ainda chorando, enquanto ele a ninava e massageava sua costa, em silêncio. Aos poucos, ela ia parando de chorar, até eles caírem em um silêncio suave apenas sentindo um ao outro e a brisa fresca da noite. Ao dar um beijo na testa dela, ele sentiu a temperatura elevada da sua pele e lembrou-se de Akihiko falar algo sobre febre.
- O mauricinho tinha razão. Você está com febre. Vamos chamar um médico para você.
- Não... – ela resmungou, ainda com o rosto grudado no peitoral dele – Eu só preciso... – ela bocejou — ...descansar... – murmurou e Naruto sorriu, penalizado.
- Certo. Então eu vou levar você pra casa.
- Não. – ela choramingou manhosa – Não quero voltar para casa... – ela novamente bocejou e olhou para ele, mostrando seus olhos inchados pelo choro e pelo sono, e seus lábios tremulos e palidos.
- A quanto tempo não come e dorme, garota? – ele perguntou franzindo o cenho, agora realmente preocupado.
- Não quero voltar para o clã.
- Quem disse que vamos para sua casa? – ele sorriu traquina e levantou-se carregando a Hyuuga com facilidade.
- Não Naruto. A minha irmã.
- Já falei com Neji, Hyuuga. – ele foi autoritário – Você precisa descansar, então eu vou cuidar de você.
- Você não sabe cuidar nem de si mesmo. – ela resmungou contrariada, mas aos poucos cedendo aos braços aconchegantes dele.
- Bom aparentemente eu não sou o único – ele ironizou – além do mais, aprendi alguma coisa da última vez. – ele garantiu.
Ele então a levou para a casa, Hinata não protestou, sentia-se muito sonolenta e percebeu estar mais exausta do que imaginava. Ao chegarem no apartamento dele, o estomago dela gritou quando um cheiro quente de sopa subiu por suas narinas e fez sua boca salivar.
- A sopa está quentinha, e a cama e o banheiro prontos e bem arrumados. – Hinata viu um segundo Naruto dizer animado antes de explodir em fumaça.
- Como pode ver, eu já preparei tudo. – ele disse, satisfeito, indo para o quarto – Primeiro vamos tomar um banho, depois comer e por fim, cama!
- Eu posso fazer isso sozinha... – ela teimou saindo do colo dele. Ao se firmar no chão, ela olhou tudo ao redor e percebeu que o apartamento nunca estivera tão limpo. Conformada, ela então começou a tirar sua roupa, enquanto ia para o banheiro. Naruto a olhou o tempo todo em silêncio, caso ela precisasse dele, então a viu hesitar na porta do banheiro – Eu...eu não... – ela sentia-se dura e paralisada, suas pernas não tinham forças para se mexer e ela começou a entrar em panico.
Por sorte, Naruto estava ao lado dela em questão de segundos e a amparou.
- Sakura explicou que isso poderia acontecer devido ao cansaço extremo, stress e ainda a sua falta de alimento. – ele explicou, com um pequeno tom de reprimenda ao final. Ela apenas choramingou – Não se preocupe, eu estou aqui... – ele murmurou enquanto a levava para debaixo do chuveiro.
Eles tomaram banho juntos, Naruto a ajudou e em nenhum momento se aproveitou dela, também a enrolou em uma toalha grande e enrolou a si próprio abaixo da cintura, antes de carregá-la de volta para o quarto. Ela não disse nada, seus olhos estavam se fechando e ela não se esforçava mais para se manter acordada.
- Não sem antes comer, Hyuuga. – ele disse a sentando na cama, e colocando uma bandeja com um prato de sopa na sua frente.
Ele também deu a sopa para ela até a última colherada a qual ele obrigou a comer como se fosse uma criança birrenta.
Por fim, ele deu a ela um de seus casacos laranjas de frio e foi levar a bandeja para a cozinha. Ao voltar, sorriu ao vê-la ressonar em sua cama, deitada de bruços, com o seu casaco cobrindo-a até a metade das cochas que estavam levemente separadas, um dos joelhos flexionados e uma das mãos próxima a boca dela entreaberta. Ela dormia tão tranquilamente que apenas aquela simples visão o fez mais animado, e menos frustrado por dormir no sofá. Apagando a luz, ele foi saindo de volta para a sala, até ser chamado em um murmurio:
- Naruto-kun...
- Durma Hinatinha, eu vou dormir na sala para não incomodar você.
- Iie... – ela resmungou remexendo-se na cama de modo a deixar um espaço ao seu lado – Fique aqui...comigo...
E ela não precisou pedir novamente, e ele foi até ela e deitou ao seu lado apenas com a parte de baixo do pijama. Imediatamente, ela se grudou a ele, entrelaçando suas pernas nas dela, e colocando seu braço por cima da cintura dele, enquanto recostava a cabeça em seu peito.
- Confortável? – ele brincou e ela soltou uma risada em meio a um suspiro.
- Muito. E você?
- Melhor do que nunca. – ele murmurou encostando os lábios na testa dela, percebendo que estava mais normal – Parece que a febre já passou.
Mas ela não o ouviu, já havia caído no sono completamente, e ele passou os braços pelos ombros dela e também fechou os olhos sentindo o sono chegar.
- Boa noite, Hinata-chan.
************
Em Suna, todos estavam reunidos na sala de espera. Gaara e Kankurou havia desmarcado todos os seus compromissos para acompanhar a irmã e o sobrinho, e estavam em um canto da sala, Chouji e a babá de Ichigo conversavam baixinho em um dos sofás, a secretária de Gaara, Matsuri havia vindo assim que soube e confortava Temari que continuava na poltrona. Ao lado da porta, Ino tomava seu quinto chá, nervosa.
A espera foi finalmente interrompida com a chegada do médico na sala e todos se reuniram ao seu redor, enquanto ele tirava a mascara de cirurgia e seu olhar se cravasse, sério, na princesa de Suna.
- Então, como foi? – ela perguntou sem se conter, a espera lhe causando agonia e parece que demorou seculos até que o médico finalmente respondesse.
- A cirurgia............
********************
Na manhã seguinte, todos esperavam ansiosos a chegada de Temari na mansão. Havia sido preparada uma festa de boas vindas, algo simples preparado as pressas por Matsuri e Kankurou, apenas um aperitivo – como Kankurou gostava de espalhar – para o baile que eles fariam para apresentar Ichigo como filho da princesa de Suna. Gaara aprovou a ideia, apesar de não gostar nadinha de bailes, mas fez pela irmã e o sobrinho.
- ELES CHEGARAM! – Kankurou anunciou animado.
- Porque está gritando, seu animal!? – Temari gritou com ele, mas todos podiam ver seu sorriso tão grande e feliz, enquanto vinha trazendo pela mão um acanhado garotinho de cabelos marrons espetados, e ao seu lado um homem de cabelos igualmente marrons, e olhos entediados.
- É uma festa, problematica. – Shikamaru disse piscando para Ichigo – festa de boas vindas.
- Pra mim? – o pequeno arregalou os olhos, chocado fazendo os dois adultos rirem.
- Hei garoto! Eu sou seu tio! – Kankurou pulava de alegria – Você é a minha cara!
- Não xinga a criança, baka! – Temari ralhou e se aproximou do irmão mais novo que como sempre estava um pouco mais afastado da multidão – Obrigado pela festa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!- Eu apenas queria que Kankurou parasse de choramingar do meu lado. – ele deu os ombros e a irmã riu.
- Sei...e o baile também?
- Ideia da Matsuri, com ajuda do Kankurou, lógico. Choro em dobro. – ele explicou novamente apatico, mas Temari sabia que ele fazia isso por ela.
- Eu gosto da Matsuri. Vocês dariam um belo casal. – ela brincou e ele a olhou com aquele olhar frio sempre que ela falava sobre pretendentes. – Okeeey. Mas você não pode ficar mais sozinho. Kami-sama sabe que você precisa transar.
- Eu vou relevar esse bando de asneiras, porque obviamente você está feliz com a cura do seu filho.
- Certo, certo... – ela riu e viu Ichigo correr até ela – Hei principe, conheça seu tio carrancudo, Gaara-sama.
Ichigo sorriu, feliz. Ele finalmente tinha uma família.
- Como você está? – Ino perguntou para Shikamaru que deu os ombros.
- Era uma cirurgia simples, Ino. Tinha menos de 2% de chances de dar errado. – ele disse a fazendo revirar os olhos. – Mas eu estou bem e Ichigo também.
- Eu sei, ele não para de sorrir. Está encantado com tudo. – Ela própria sorriu, mas então fez uma careta de desgosto – Oh Kami! Meus olhos! Que nojo!
Quando Shikamaru virou-se viu nada menos do que Chouji compartilhando um selinho com a babá de ichigo, e foi a fez dele revirar os olhos.
- Não seja problemática. Era bem obvio que eles iam se acertar. Chouji já havia me falado suas várias qualidades culinárias.
- Ótimo, apenas mais uma aliada para mantê-lo mais balofo.
- Você está despeitada. – ele pontuou a fazendo bufar.
- Kami, como você é chato. Espero que não tenha passado essa sua inteligência amaldiçoada para o garoto.
- Eu também espero... – eles ouviram a voz de Temari próxima e Ino se virou para encará-la.
Shikamaru viu as duas se encararem por alguns segundos, antes de parecerem entrar em um acordo mutuo que resultou em Ino virar para encará-lo e lhe sorrir amigavelmente, antes de se afastar.
- Com licença. – e dizendo isso, ela se afastou deixando os dois sozinhos.
- Então...? – Temari se aproximou, lentamente, com falsa inocência, enquanto ele a observava em silêncio – Ichigo está encantado com você.
- Ele está encantado com tudo.
- Mas com você está mais. Não para de falar de como você é inteligente e prometeu ensiná-lo a jogar xadrez.
- É pouco provável que ele tenha paciência para aprender. – ele murmurou a fazendo rir e aproveitar para se por na frente dele, de modo que eles se olhavam nos olhos. – O que está querendo problematica?
- Não é obvio? – ela deu os ombros, chegando mais próxima dele, sem quebrar o contato visual, e ainda sim quase roçando seus lábios nos dele.
- Eu não vou voltar a ser seu capacho, problematica.
- É uma pena. – ela fez beicinho e novamente provocou os lábios dele com os seus – Mas eu estava pensando em sermos namorados mesmo, sabe? Ou noivos. – ela sorria daquele jeito confiante e traquina como o anjo mau que ele sempre conhecera.
- Está me pedindo em namoro e casamento em menos de um minuto, Temari? – ele perguntou a vendo corar quando ele a chamou pelo seu nome, como raramente fazia.
- Não é nada demais sabe... – foi a vez dela dar os ombros – É apenas um capacho mais oficial, sabe?!
Shikamaru riu, fazendo Temari perder a paciencia e finalmente puxá-lo para um beijo cheio de saudade que ambos esperavam e queriam a muito tempo. Ele enlaçou sua cintura, colando seus corpos e sentindo os braços dela em seu pescoço, suas línguas explorando um a boca do outro sem pressa e ele riu ao sentir uma mão dela descer até seu traseiro.
- Gostoso.. – ela resmungou ao separar-se e então, eles perceberam que havia alguém os observando.
Ichigo os olhava com os olhinhos esbugalhados e a boquinha aberta em um “O” perfeito.
- Eu sabia!!!! – ele gritou histerico fazendo o casal rir, enquanto Temari o carregava no colo. – Vocês dois são namorada e namorado como a babá e o tio chouji.
- Tudo bem pra você, filhote? – Temari perguntou um pouco receosa e Ichigo imediatamente balançou a cabeça, sem conseguir fechar a boca.
- Isso é demais! – ele disse exultante e Shikamaru sorriu, e seus olhos cruzaram com o de Temari, antes de ele dar um beijinho nos lábios dela. — Ok ok, eu gostei, mas não precisam ficar trocando saliva o tempo inteiro. Sabem quantos germes são passados por segundo?
Os dois adultos olharam para o pequeno em choque.
- Oh céus, a Yamanaka tinha razão. É uma inteligência amaldiçoada! – Temari piscou sobressaltada.
- Como sabe disso, Ichigo? – Shikamaru perguntou desconfiado e o pequeno empinou o nariz igualzinho como certa pessoa fazia.
- Tia Ino me disse!
- Sei...inteligência amaldiçoada é daquela loira problemática – ele bufou fazendo Ichigo rir, enquanto olhava para os dois adultos ainda chocados olhando para ele.
***************
- Au! Au! Au! Au! – a cadelinha latia sem parar aos pés do ruivo que a olhava com fúria e rejeição.
- Qual é problema desse saco de pulgas, cadê a dona desmiolado dele? – ele resmungou irritado, enquanto andava pelo corredor com a cadela em seu encalço — Xô! Vai procurar a Yamanaka! Você é problema dela!
- Au! Au! Au! Au! – a cadelinha apenas balançava o rabo e continuava a latir sem entender o desprezo do Kazekage.
Ele continuou seu caminho que o levava até seu quarto, seu templo de paz e conforto, e principalmente solidão e silêncio.
- Au! Au! Au! Au!
- Cai fora! – ele rosnou, começando a se irritar, mas Hime apenas latiu mais alto sem parar. – Droga! Que demonios você quer?
Dessa vez a cadela parou de latir e colocou a língua para fora ofegante, e Gaara revirou os olhos talvez ciente do que o saco de pulgas queria.
- Aquela loira idiota, esquece de dar água para o seu rato de estimação e eu quem sofro! – ele resmungou e voltou a caminhar.
- Au! Au! Au!
- Cala a boca! – ele rosnou – Eu vou te dar algo para beber! Agora cala a maldita boca!
Dessa vez ela o obedeceu, apenas balançando o rabinho contente. Finalmente chegando no quarto, ele entrou, mas impediu que Hime fizesse o mesmo.
- Você espera aqui fora! Não quero que contamine meu quarto. – ele resmungou e bateu a porta na cara do cachorro, suspirando aliviado ao estar novamente em seu tão sonhado quarto.
Em um momento, ele pensou em deixar a cadela esperando, mas depois percebeu-se o quão infantil estava sendo e a verdade era que a cadela não tinha culpa de ter uma dona tão incompetente. De fato era uma cadela esperta, provavelmente mais que Yamanaka. E agora ele estava elogiando um saco de pulgas ambulante...era o fim! Ele precisava dormir um pouco.
Pegando uma garrafa de água própria, ele voltou para o corredor onde Hime o esperava esperançosa. Assim que viu a garrafinha, ela pulou de felicidade balançando a lingua para fora, de um lado a outro, espalhando baba pelo chão.
- Tome. – ele abriu a garrafa e derramou no chão – Divirta-se e me deixe em paz!
- Mas o que é que está acontecendo aqui?
O kazekage virou a cabeça, vendo uma loira furiosa segurando uma vasilinha de algo que ele pensava ser água.
- O que você pensa que está fazendo sequestrando a minha cadela! – ela veio até ele, acusadora, e o ruivo teve de usar muito do seu auto controle para não usar seu jutso de areia movediça nela.
- Eu não roubei seu rato! – ele disse irritado e ela bufou alto – Ele é que veio me seguindo, e eu tive que dar água para ele, já que aparentemente a dona é uma desleixada.
- Como é que é? Eu estava atrás dela para isso! – ela rebateu enquanto mostrava a vasilha cheia de água, como Gaara pensou, e depois colocava no chão para a cadela. – E você iria dar água para ela, jogando a água no chão? – ela voltou a acusá-lo, colocando as mãos na cintura em desagrado.
- E o que queria que eu fizesse, mulher?
- Uma vasilha! Um copo! Por Merlin, é um brutamontes insensivel, sem duvida nenhuma!
A irritação do kazekage finalmente chegou ao seu limite e ele viu explodir com aquela loira mandona e fresca insuportavel.
- Eu não tinha porque cuidar do seu rato! Eu tenho uma vila para cuidar e não tenho tempo para ouvir as reclamações de uma kunoichi histerica! – apesar de suas palavras impacientes, seu tom era duro e sem alteração, ainda sim o modo rápido com o que ele cuspiu as palavras demonstrava seu alto nivel de irritação.
Infelizmente para ele, Ino também não estava em melhor estado.
- Como ousa me chamar de histérica? Eu estou definitivamente cansada de você! Sempre se sentindo superior! Sempre querendo me dar lição de moral e me recriminando! Depois vem como um homem bom, agradecendo todo educado. – ela ironizou, franzindo o cenho e engrossando a voz – Mas não passa de um idiota arrogante que acha que todos tem que se ajoelhar aos seus pés!
- Olha como fala comigo, Yamanaka! – ele avisou – Eu ainda sou um cargo superior ao seu, e um ninja muito mais forte também. – Gaara nunca foi de realmente se vangloriar de sua superioridade, mas aquela loira estava tirando sua sanidade e sua calma, mais do que era bom para a saúde dela.
- Oh que medinho do Kazekage! – ela riu secamente – Eu não tenho medo de você!
- Pois deveria ter. – ele disse calmamente, novamente a tratando daquele jeito indiferente que sempre a tratava e talvez tivesse sido isso, que a fizera partir para cima dele pronta para acertar um tapa em seu rosto.
E se ele não estivesse tão fora de si, perceberia o quanto foi um gesto estupido e inutil, pois o ruivo não precisou do mínimo esforço para segurar em seu braço com força mais do que necessário.
- Me solta! – ela grunhiu, empinando o nariz daquele jeito mimado e arrogante que ela fazia quando não queria perder a pose, e tentou se soltar quando ele não o fez, sem sucesso – Me solta agora!
- Você não faz ideia com quem está se metendo, yamanaka! – ele murmurou, olhando fixamente nos olhos dela, mas ela em nenhum momento recuou, ao contrário, diante da obvia ameaça, ela parou de se debater e se aproximou dele ainda mais.
- Nem você, Sabaku! Eu já disse que não tenho medo de você! – ela repetiu, os olhos azuis cintilando em desafio.
E ali, eles continuaram a se encararem em um desafio que nenhum deles queria perder, a tensão era palpavel, mas demorou apenas alguns segundos para eles notarem o quão estavam próximos um do outros, seus narizes quase se tocando, podendo sentir a respiração um do outro. Para Ino, foi um choque ainda maior perceber que a tensão da briga a levou a sentir-se tão afoita e agora que olhava naqueles olhos verdes, ela ofegou ao se dar conta que despertou algo nela que nem em um de seus mais loucos sonhos, ela pensaria que despertaria. Assustada com isso, ela foi a primeira a tentar se afastar, mas o ruivo não afrouxou o aperto em seu braço, a fazendo apenas voltar a se encontrar com o corpo dele mais uma, duas, três vezes e dessa vez ele fazia questão de puxá-la de volta a si, a deixando atônita e furiosa.
- Eu vou fazer um escândalo se não me largar agora! – ela disse irritada e novamente viu aquele sorriso nascer dos lábios do Kazekage para debochar dela.
- É, você faz escândalo como ninguém.
Ino puxou seu braço com brusquidão e empurrou o ruivo com a outra, mas ele apenas aproveitou para pegar seus dois braços e puxá-la de volta de encontro com seu corpo, de forma tão violenta que fez seus rostos se encontrarem novamente a milimetros de distancia. E foi quando Ino decidiu gritar, mas ela mal abriu a boca quando seus lábios foram capturados com violência a fazendo engolir suas reclamações, enquanto sua boca era tomada com brutalidade pelo Kazekage brutamontes.
A primeira reação dela seria o choque, a revolta, a raiva, mas assim que os lábios dele, duros e frios, tomaram os seus, quentes e macios, ela sentiu como se uma grande explosão de álcool e remédios alucinógenos tomasse conta de sua mente, e era como se ela estivesse em uma realidade paralela, onde aquele beijo pareceu tão normal e esperado que ela não se surpreendeu em nenhum momento por correspondê-lo com toda a intensidade que ele exigia dela.
E isso apenas fez sua cabeça rodar ainda mais quando a avalanche de sensações encheu seu corpo e ela se viu completamente absorta em seu delírio e no beijo daquele homem que a domava com tanta facilidade, que fazia suas pernas ficarem imediatamente bambas, e algo quente começar a queimar em seu baixo ventre. Algo proibido, algo gostoso que a fez exigir dele também, e mostrar a ele seus talentos, mordendo seus lábios e sugando-os com desejo, para então o momento tão sublime ser bruscamente cortado quando ele se afastou, a deixando zonza por alguns instantes, antes de finalmente voltar a realidade e se encontrar ali, bobamente, no meio do corredor, olhando para o ruivo que ainda segurava seus braços com posse.
- Seu... – ela ofegou, assombrada – seu maldito!!! – ela explodiu e dessa vez se debateu com violência, tentando a todo custo se afastar daquele demônio e acabar com a sua raça. – Me solta! Eu vou acabar com você!
Infelizmente para ela, o Sabaku ainda era mais forte e continuou a segurá-la, depois a imprensou na parede, tentando pará-la.
- Yamanaka...
- Eu vou matar você! Vou matar! – ela disse irada, novamente balançando seus punhos em direção a ele, apenas para tê-los presos contra a parede um a um. Isso então a fez mexer seu corpo empurrando contra ele, tentando se soltar.
- Yamanaka... – ele disse novamente, em tom de aviso, a cabeça levemente baixa, e suas mãos apertando o pulso dela com mais força.
Mas ela não ouvia e continuava a se debater e empurrar contra ele, ofegar com força em busca de ar e tentar levantar as pernas, mas conseguindo apenas que elas fossem presas pelo corpo dele.
- Yamanaka! – e foi nessa hora que ela se assustou com o tom mais grave do que o normal dele, e quando ele levantou a cabeça, ela se surpreendeu ao perceber que ele também respirava com dificuldade, e estava completamente tenso, e o rosto levemente vermelho, mas o que a fez perder completamente o folego foi quando viu aqueles olhos verdes, escurecidos como a água de um pântano, sombrio e cheio de um brilho feroz que a fez estremecer e sentir novamente algo queimar entre suas pernas.
E aquela tensão novamente os cobriu com seu manto negro que os fazia esquecer onde estavam ou quem era, apenas deixando queimar sozinho aquele fogo que jazia aceso dentro deles e que parecia querer explodir a qualquer momento. Seus olhos se encontraram sem hesitação, e depois cairam para suas bocas. Ino lambeu os lábios secos fazendo Gaara rosnar e finalmente se descontrolar e atacá-la novamente.
Dessa vez, ela o esperava sem surpresas, e mal suas bocas se tocaram já se beijavam com volúpia e fome, e desejo de provar um ao outro. Gaara soltou os braços de Ino lentamente e os mesmo caíram sem forças ao lado do seu corpo, enquanto o beijo continuava lento, como se eles estivessem explorando um ao outro com calma, descobrindo uma experiência nova e completamente arrebatadora que eles descobriram ser a única coisa que abrandava a infinita irritação que um sentia pelo outro. Até finalmente o ar lhes faltar e eles serem obrigados a separarem-se. Lentamente, abrindo os olhos e vislumbrando um ao outro, ofegantes.
E naquele momento, tudo gritava em suas cabeças dizendo que ambos deveriam se separar, que deveriam continuar brigando e que se detestavam a ponto de não conseguirem suportar a presença um do outro.
Aquilo era errado. Eles sabiam.
Definitivamente daria em merda.
Eles se odiavam. Isso pioraria ainda mais suas vidas. Aquilo nunca poderia dar certo.
“Foda-se”
Eles voltaram a se beijar novamente.
Sem perder mais tempo, eles não raciocinavam mais, só agiam, só faziam o que queriam fazer a mais tempo do que eles próprios admitiam, mas seus corpos falavam por si. Eles sentiam o fogo.
O beijo logo se tornou chupões, as mãos ganharam vida e exploraram a cada pedaço de corpo que estivesse ao seu alcance. Eles não se importavam se passaria alguém pelo corredor, quando Gaara imprensou novamente ela na parede, suas mãos voaram para os cabelos loiros, os puxando com violência enquanto sentia as mãos pequenas com unhas bem feitas arranharem seu pescoço, e a pequena endiabrada descia os beijos dos lábios para o pescoço dele e mordia sua orelha, e chupava o lóbulo macio o deixando louco.
A caricia teve o efeito desejado já que imediatamente o ruivo encheu suas mãos nas cochas fartas e as levantou sem o minimo esforço, fazendo a loira soltar um gritinho abafado, ao ser obrigada a agarrar o pescoço do ruivo, e entrelaçar as pernas em volta da cintura dele. Assim, eles voltaram a se beijar enquanto ele entrava no quarto, sem nem perceber que Hime quase foi atingida pela porta fechada com brusquidão.
Finalmente dentro, ele voltou a imprensá-la na porta, ouvindo-a gemer, enquanto ele se livrava da camisa dela, deixando a mostra os seios médios e empinados presos por sutiã de bojo branco, com destreza ele livrou da peça sem dificuldades e vislumbrou os mamilos rosados empinados completamente excitados para ele.
- Kaze...kage... – a loira gritou alto, estremecendo por completo ao sentir a boca dele em seu mamilo, o lugar onde tinha maior sensibilidade, e ele os manipulava com destreza, os lambia e mordia, enlouquecendo Ino que afundou seus dedos nos cabelos ruivos e mordeu os lábios tentando conter os próprios gemidos.
Gaara olhou para aquela mulher sempre tão irritante e cheia de opinião, agora ofegante, corada, os olhos fechados e os lábios mordidos com firmeza, os cabelos loiros caindo por todo o seu rosto, lhe dando um aspecto tão angelical e puro que deixava o ruivo completamente excitado, como nenhuma outra conseguiu, apenas por olhá-la ali tão entregue a ele.
Ino abriu os olhos e decidiu entrar no jogo também.
Ofegante, e sentindo-se molhada em expectativa, ela tirou a blusa dele rasgando-a no processo, mas nenhum deles mesmo se importou, e agora admirava o peitoral definido e branco que outro dia a fizera ficar tão excitada, e agora estava ao seu alcance e decidiu aproveitar o quanto quisesse. Ela desceu do colo dele, e o olhou com sensualidade, enquanto começou a arranhar seu abdomem e a provocar o botão da calça. De surpresa, ela desceu as mãos até o volume visivel nas calças do Kazekage e com um sorriso travesso de moleca, ela subiu na ponta dos pés e começou a gemer no ouvido do ruivo, enquanto massageava ainda por cima do tecido.
- Ya...mana...ka! – ele gemeu, e então antes que acabasse tudo rápido demais, ele a afastou, vendo-a sorrir maliciosamente, e com brutalidade, a jogou em cima da cama, imediatamente se postando no meio de suas pernas levantando a saia curta e obscena e sentindo o tecido da calcinha molhado assim como o sexo que cobria.
Ela puxou seus cabelos para um beijo mais longo, enquanto se esfregava nele e gemia baixinho ao sentir dedos frios entrarem por dentro de sua saia e invadirem sua calcinha, até encontrar seu ponto mais intimo e brincar ali, tocando e apertando, a levando a loucura e a fazendo gemer e gritar quando sentiu-se ser violada e o prazer foi intenso sentindo-se ser invadida por um, dois, três dedos, rápidos e torturantes, enquanto aquele ruivo maldito chupava novamente seus seios e depois os rodeava com a língua, fazendo-a pular de prazer ao sentir os seus dedos chegarem em um ponto doce que a fez amolecer e depois tencionar sentindo a falta de ar.
Gaara estava fascinado com todas as emoções que via no rosto de Ino, uma gama de expressões desde excitada, até ofegante, então frustrada quando ele retirou seus dedos percebendo que ela estava quase chegando ao fim. Sorrindo, ele ficou satisfeita quando ela gemeu irritada pela perda de contato, para então se sobressaltar ao sentir sua saia ser tirada com tanta brutalidade que deve tê-la rasgado. Como com o sutiã, ele não se fez de rogado em tirar a última peça de roupa da loira, a deixando completamente nua, o corpo magro e perfeito, os seios empinados, a barriga lisinha, as pernas compridas e esguias e em seu centro o ponto de prazer branquinho que o fazia salivar e seu pau implorar para ser solto.
- Agora! Eu quero agora! – ela pediu manhosa, e ele se desfez da própria calça, antes de novamente colocar-se no meio das pernas dela que se abriram ainda mais, se encaixando perfeitamente ao seu redor, enquanto eles se beijavam novamente.
Enquanto se beijaram, Gaara aproveitou para finalmente penetrá-la, a fazendo gemer durante o beijo e depois ofegar entrecortada, alternando gemidos e beijos, e arranhões nas costas dele, enquanto ele finalmente entrava completamente dentro dela e ambos gemiam pela experiencia avassaladora.
- Isso é uma idiotice.... – ele rosnou começando a estocar duro e forte, fazendo questão de ouvi-la gemer alto a cada vez que ele entrasse dentro dela com força.
- Sim...ah!...uma maluquice...ah!! – ela gemia sem se conter, e seus gemidos se transformavam em gritos a medida que as estocadas ficavam mais fortes, mais rápidas, mais duras, mais precisas e entrava e saia dela com força, e tocava em seu ponto mais doce e a fazia gritar e arranhá-lo mais forte nas costas alvas e no pescoço.
Tudo era uma batalha, uma disputa entre eles, e até naquele momento, eles acharam algo em que disputar. Eles gemiam juntos, e encontravam seus corpos em sincronia, e queriam com mais força, com mais rapidez, com mais tudo, sempre querendo mais, e mais, e mais.
Até seus corpos chegarem ao ápice, a loira estremecer violentamente e gritar enquanto sentia-se despencar de um precipício de prazer. Com isso, Gaara sentiu seu pau ser estrangulado e foi o que bastou para que ele também se entregasse ao prazer avassalador que nublou sua visão, quando ele finalmente gozou, enquanto chupava o pescoço pálido dela arrancando um último gemido.
Ofegantes, suados, exaustos, eles deitaram-se um do lado do outro na cama, olhando para o teto ainda tentando controlar suas respirações vacilantes.
- Isso não...deveria...ter...acontecido.... – ela falou ofegante, enquanto mau tinha coragem de olhar o homem ao seu lado.
- Não...Foi inconsequente... – ele murmurou, também olhando para o teto assombrado consigo mesmo ter perdido o controle desse jeito. – e...incorreto.
- Nunca mais....vai...acontecer... – ela continuou, panico e vergonha tingindo seu ser.
- E ninguém nunca vai saber.
- Feito! – e dizendo isso, ela se levantou com rapidez e vestiu sua roupa, em nenhum momento olhando para o ruivo.
Enquanto ele a observou a cada segundo até que ela saisse do quarto batendo a porta atrás de si. Novamente sozinho, ele colocou as mãos atrás da cabeça, chutando-se mentalmente por estar repassando cada momento dos últimos instantes na sua cabeça.
- O que eu fui fazer?
Ino resmungava ainda em panico, quando finalmente chegou em seu quarto e trancou a porta, querendo privacidade.
Ela olhou no espelho e percebeu seu estado, sua roupa amarrotada, seu cabelo desgrenhado. E oh Kami-sama! Um hematoma vermelho escuro bem no meio do seu pescoço.
- Que merda eu fui fazer?
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