Paradoxo.
6 Final.
Notas iniciais
Quando Scorpius enviou uma coruja à sua residência na Bulgária, Rose achou que seria algo relacionado as crianças, ou até algo relacionado a Ambrosia- a mulher estava se adaptando cada vez melhor ao "futuro". Mas, não. A carta se tratava de um chamado urgente do homem, Rose deveria ir lá, bem como Alvo, pois ele tinha descoberto algo relacionado a aventura deles no passado.
—Querida. -Chamou Alexandre, ela estava no quarto, arrumando roupas. -O que está acontecendo? Algum paciente urgente?
Ela sorriu, virou-se e deixou que ele a abraça-se.
—Não, Scorpius me enviou uma carta requisitando minha presença na Major Malfoy.
—As crianças está bem? É algum problema com Ambrosia? Sabe que posso ir também.
O sorriso de Rose se alargou.
Alexandre era tudo que ela mais desejava, seus amigos adoravam ele e ela o amava.
—Não, ele escreveu que é algo relacionado a nossa aventura, ao passado. -Ela engoliu em seco.
Houve um momento de silencio, Alexandre a apertou contra si, tentando passar conforto.
—Você está bem com isso?
—Sim, eu... Você é o meu presente e futuro, amor. Nada pode mudar isso.
Ele se aproximou e lhe deu um beijo casto.
—O que precisar, qualquer coisa, basta mandar uma carta, estarei lá.
—Eu sei que estará. Agora, deixe-me arrumar minhas malas!
—E se eu não quiser? -perguntou atrevidamente.
—Quem disse que você tem querer? -Refutou.
Ele a encarou em desafio e agiu rápido o suficiente para coloca-la nos ombros e caminhar ate à cama, jogou-a ali e provou que haviam coisas mais importante, naquele momento, que arrumar uma mala.
Os raios de sol começavam a esquentar seu corpo, batendo no seu rosto. Rose estava se incomodando.
—Você tem que acordar, sweet. -Disse ele, carinhosamente.
Ela sorriu.
Gemeu insatisfeita.
—Está muito cedo, querido!
Ele beijou seu pescoço e subiu até o ouvido, sussurrou:
—Se você combinar de gemer assim de novo, posso te despertar, meu bem.
Ainda de olhou fechados, ela sorriu com malicia.
—E o que eu ganho? -perguntou se fazendo de "difícil".
Ela sentiu algo em seu barriga e, Cristo, como ela queria ele!
—O que você ganha? -As mãos dele começaram a descer, passaram pelos braços dela, pelos seios... Pelo ventre. -O que você ganha, meu bem? -Ele agarrou a cintura dela, fazendo com que ela ficasse em cima dele e sentisse o quão excitado ele estava...O quanto ele a queria.
Aquela manhã foi muito produtiva, Rose se divertiu tanto que, quando teve que se despedir, sentiu que deixava parte de si com ele. Mas, ela foi.
Assim que chegou na casa de Scorpius foi recepcionada por aqueles pequenos seres humano. Os genes Malfoy tinham sidos ativados e a coitada da Ambrosia teve que aguentar dois seres humanos saindo de dentro de si. Rose tremia só de lembrar dos gritos desesperados da amiga.
—TIA ROSE! -Gritaram as crias Malfoy.
Rose riu.
—Olá, minhas crianças.
—Tia Rose, o tio Alex não veio? -perguntou a pequena Alexia, olhando para a porta com curiosidade.
—Não, passarinha, seu tio tem que salvar algumas pessoas e não pôde vir.
—Mamãe não avisou que a senhora viria. -Disse o pequeno James, brincando distraído com algumas pulseiras que Rose tinha no braço.
—Ah, querido, temo que nem sua mãe saiba, sua pai, afoito, me enviou uma carta ontem e declarou urgência. Vim o mais rápido que pude.
James sorriu, achando graça das palavras da tia.
—ALEXIA! JAMES! O QUE VOCÊS ESTÃO APRONTANDO? -A voz de Ambrosia soou pela casa.
As crianças se entreolharam.
—Mamãe anda nervosa. -Comentou Alexia.
—O que seu pai aprontou?
A pequena Malfoy abriu um sorrisinho.
—Deixou o Luke entrar no quarto da mamãe e melar tudo...
—Sim, tia Rose, o Luke melou tudo, até aquele vestido rosinha da mamãe.
Rose riu, imaginando que Ambrosia teria comido o fígado de Scorpius.
—Crianças, você estão fazendo... Rose?
—Olá, Brósia, saudade?
A mulher abriu um sorriso e andou até Rose.
—Mais do que você pode imaginar, não vai acreditar no que o Scorpius aprontou... Onde está Alexandre?
—Vocês estão muito interessados no meu marido ultimamente. -Disse travessa. -E eu posso imaginar o que a grande inteligência aprontou, aposto que tem haver com um certo cachorro travesso.
Ambrosia levantou a sobrancelha.
—Como você... Alexia, James! -Exclamou pronta para se virar e brigar com os dois fofoqueiros mirins, ambos tinha puxado essa característica do pai, bem como, a esperteza, sendo assim correram casa adentro. -Essas crianças...
—Você foi avisada, lembro-me de dizer o perigo que seria disseminar os genes de Scorpius.
—Devo assumir que sempre soube, mas... O que faz aqui?
—Seu bom marido me chamou, disse ser urgente.
A feição animada de Ambrosia acabou e outra assumiu sua face, ela estava preocupada.
—Oh, Rose. Sinto tanto. Scorpius deveria ter esperado eu... -Ela segurou na mão da amiga. -Me escute, vai ser difícil no começo, vai doer, as memoras voltarão, mas vai passar. Eu te prometo, Rose.
—Ambrosia, do que está falando?
—É melhor deixar Scorpius falar com você. -Ela suspirou e abriu um pequeno sorriso.- Está com fome?
—Você sabe que não conseguirei comer nada, onde ele está?
Ela suspirou cansada, seria perda de tempo discutir com Rose.
—No escritório.
Quando Rose adentrou aquele lugar e ele a viu, sentiu o clima pesar.
—Algo aconteceu. -Disse convicta.
—Sim, algo triste, Rose.
—O que? Alvo está bem?
Scorpius suspirou.
—Rose, desculpe tocar nesse assunto, mas, você sabe que, legalmente está registrado que uma Rose se casou com meu...
—Bisavô. Sim, eu sei, não precisa ter medo, foi a muito tempo, Scorpius.
—Sim, mas o tempo não foi tão generoso com ele da forma com que foi conosco.
—O que quer dizer? Ele sequer lembrava de nós, lembra que eu fui ao passado novamente. Ele estava feliz, Scorpius, Abraxas estava contente.
—Não, Rose, ele se lembrou. E, passaram-se anos, Lucius nasceu, os pais dele morreram... Cassandra ficava a cada dia mais infeliz, bem como ele. Só havia uma alegria na vida do homem. -Scorpius caminhou até um quadro antigo, o mesmo quadro que Abraxas tinha encontrado a carta de Rose. -É uma foto, Rose.
—De que? Dele?
—Sim, dele em frente a uma casa. Devemos ir a essa casa.
—O que? Por qual motivo?
—Porque ela te pertence.
E então Rose olhou para a foto
Ele se mexia e sorria ao olhar para trás, com a bela casa ao fundo. Parecia contente, como se tivesse provado algo a alguém, talvez a si mesmo.
Assim que desaparatou, Rose observou o lugar, parecia um bom lugar para se viver. Mas, antes de qualquer outra coisa, uma antiga lembrança a tomou e a voz de Abraxas surgiu.
—E como será? -Ele perguntou, curioso.
Após o casamento, Abraxas retornou a mansão Malfoy e exclamou com todas as letras o amor que sentia por Rose, seus pais, os então senhores Malfoy, ficaram possessos. Eles teriam que fazer uma grande desfeita a família Black, no entanto não havia muito a ser feito. Abraxas estava casado e era o único herdeiro, por sorte, a moça era sangue puro. Quando ele voltou a mansão dos Macmillan, seu grande amor estava lá a sua espera.
—Scorpius, o que é isso? -perguntou em um fio de voz.
Ele suspirou.
—Acho que sabe o que é.
Assim que ele colocou os pés dentro daquela sala, ela o puxou para si e, sem falar com mais ninguém, eles mataram as saudades no quarto do casal. Não houve tempo para perguntar ou declarações, eles estavam juntos e isso era suficiente.
Scorpius e Ambrosia, infelizmente foram obrigados a se separar dada a aparição de um herdeiro rico, mais rico que o loiro, este teve que observar o que seria o grande amor da sua vida, partir. Rose se solidarizou com o irmão e bancou, junto a Abraxas, uma viagem para a Grécia, pais de incontáveis lendas e magia. Lá, o nobre Scorpius descobriu uma paixão por sereianos, poderia não ser tão forte quanto o amor por Ambrosia, mas era algo mais real. Era suficiente? Não, mas ao menos ele podia acordar todos os dias sem aquela sensação de derrota.
Quando informou a Rose da decisão, a moça o apoiou com veemência e, junto a Alvo, desejou boas sortes. O menino Potter, agora Peverell, assumiu a responsabilidade pelo novo sobrenome, assim como a herança, no entanto, não foi verdadeiramente feliz. Ele se animou com a possibilidade de formar família -não a mesma que ele sonhava, mas uma versão mais possível para aquela época. Ele conheceu Cassandra Black em um dos saraus organizados pelos Malfoys. Ela era tão bonita e simpática que se tornou impossível deixa-la de lado, logo eles se tornaram bons amigos. Sendo assim, durante uma das conversas, Alvo vendo a gigante pressão que os senhores Black colocavam nela, propôs casamento. Eles não se amavam carnalmente, mas possuíam uma amizade tão solida que não foi possível fragmentar nenhum sentimento no decorrer dos anos.
Ambos estavam debaixo de uma grande arvore, na frente de um lago, depois do banho. Abraxas tinha as costas encostada no tronco da arvore e Rose deitou sua cabeça nas pernas dele, deixando-o acariciar seus cabelos.
Quando as crianças Malfoy completaram um ano, Abraxas decidiu que iria concretizar o sonho da sua amada esposa. Seus pais tinham partido a alguns anos e, até os severos senhores, se curvaram a alegria que Rose emanava. Aquela mansão sombria não mais existia, deu lugar a um lar harmonioso e cheio de vida. Os ideais desenvolvidos por Tom Riddle logo foram esquecidos pelo homem, ele cuidou em se afastar de pessoas assim , alterando, alguns preceitos tradicionais e sendo seguido por algumas famílias, como a Black.
—Querido, onde estava?
Rose surgiu na porta da frente, o recepcionando e permitindo que alguns raios incidissem nos seus cabelos, criando um bonito contraste.
Abraxas não imaginava algo mais bonito.
—Tenho novidades! -Disse animado.
Caminhou até ela e a tomou em seus braços, Rose riu e se derreteu ali mesmo.
—As crianças podem aparecer! -Disse risonha.
Ele esfregou a barba no pescoço dela, sabendo o quanto ela adorava a sensação.
—Não se preocupe, mulher, as crianças tem pouco mais de um ano, o máximo que pode ocorrer é elas crescerem sabendo o quanto o papai amava a mamãe.
—E o quanto a mamãe ama o papai.
Eles se encaram, aquela sensação de magia estava no ar e, como imãs, suas bocas se atraíram uma a outra.
—Branca, com duas varandas, muitas janelas. -Ela sorriu. -Será bonito ver o sol adentrar a casa... -Ela parou para pensar, enquanto ele imaginava. -Pode ser perto de uma lago, passearíamos por ali e podemos até ter um barco! Sim. Deve haver um pequeno campo, um pouco distante do lago e sem arvores, você ensinaria quadribol as crianças e, nos feriados, podemos fazer piqueniques... -Ela se calou, como se absorvesse toda aquela vida.
—Mamãe, mamãe!!! -Exclamava a pequena Hermione, afoita.
Essa foi a maneira que Rose encontrou para não se sentir tão sozinha naquele tempo. Sua pequena menina tinha o nome da sua amada mãe. Assim como, seu rapazinho feliz possuía o mesmo nome que o filho de Abraxas teria. Lucius. Contudo, diferente daquela criança, este não tinha nenhum traço de maldade ou abandono. Ele era um menino alegre, que falava e encantava as visitas com a arte da dialética. Rose cuidava para que ele nunca se sentisse só e lhe mostrava o quão a escuridão era cruel.
—O que foi, querida?
—Aquele amigo do papai está aqui.
Os pelos de Rose se arrepiaram.
—Que amigo?
—Aquele que a senhora não gosta, o senhor Riddle.
Um bolo cresceu na sua garganta.
—Onde eles estão? -perguntou firmemente, tentando não transmitir o que sentia.
—Na sala, papai estava lendo comigo e com Lucius, quando ele chegou.
—Seu irmãos está lá? -O desespero começou a tomar de conta de si.
Ela não podia permitir que seu menino ficasse no meio daquela, assim sendo, não esperou a resposta afirmativa da filha e andou rapidamente para a sala. O ambiente estava ameno, Abraxas estava sentado em uma poltrona cinza e tinha uma mesa de chá montana na frente deles, Lucius estava sentado no tapete da sala, brincando com alguns brinquedos e o tal senhor Riddle tinha um sorriso nos lábios.
—Querida. -Exclamou Abraxas assim que a viu, levantando-se junto ao homem.
Diferente do que fazia com a maioria dos convidados, Rose sequer abriu um sorriso, isso demonstrou que ela estava severamente incomodada.
—Peço perdão pelo incomodo, no entanto a presença do meu filho é requisitada. -Disse friamente.
Abraxas estranhava cada vez mais.
—Querida, este é Tom Riddle, estudamos juntos em Hogwarts, ele veio a procura de apoio.
Rose não falou nada, apenas assentiu, observando Lucius sair da sala, quando o menino desapareceu no corredor, ela olhou para o marido.
—Que tipo de apoio, senhor Riddle?
O sorriso de Riddle se abriu, talvez ele acreditasse que estivesse na frente de uma família fiel ao seu conceito de pureza, já que todos eram, em teoria, puros.
—Acredito em ideais tradicionais, senhora. -Disse serio, convicto. -Acredito que a magia deve permanecer dentro da sociedade bruxa e que, antes de tudo, devermos exterminar aqueles que ameaçam sujar essa solida família.
—Exterminar? -Rose sentiu todos os pelos do seu corpo se agitarem, ela só se imagina pulando em cima daquele homem e o matando.
—Sim, toda a sujeira precisa ser limpa. -Pronunciou animado.
Rose lhe lançou um olhar frio, sem sorrisos ou qualquer sinal de concordância.
—O que acha das palavras do senhor Riddle, querido? -Voltou-se para Abraxas.
—Eu... São belas palavras devo admitir, mas...
Riddle não deixou ele prosseguir.
—Muito me agrada a concordância, velho amigo.
—Perdão, senhor Riddle, -Rose agora sorria. -entretanto o senhor não permitiu que o meu digníssimo esposo finalizasse sua fala. -Os olhos dela também sorriam, pois, se aquele homem pensava que poderia manipular Abraxas, como outrora fizerá, ele estava muito enganado.
Ele ainda sorria, quando olhou para Malfoy.
—Por favor, velho amigo.
Abraxas olhava de Rose para Tom e de Tom para Rose.
—Tom, creio que esse não seja o momento de apoiar tamanha mudança na sociedade. -O sorriso de Riddle teimava em permanecer, mas nos seus olhos havia ira. -Veja, as crianças são muito pequenas e estamos começando a nos sustentar sem o apoio dos meus pais.
Rose sorriu, orgulhosa, caminhou para ficar do lado de Abraxas.
—Creio que meu esposo esteja certo, senhor Riddle, é uma pena.
Ele ainda sorria, o psicopata.
—Entendo a situação, ma,s se futuramente estiverem interessados... Poderei abrir uma exceção para a família, o sangue carrega muito poder. -Ele já tinha pegado seu casaco.
Rose andou até ele, sem medo algum.
—Não apenas o sangue carrega poder, senhor Riddle, mas tudo que ele representa. O legado Malfoy é forte, mas meus filhos também carregam outros, dentre eles o Peverell. -Ela o olhou nos olhos, o sorriso dele sumiu. -Somos fortes, senhor Riddle, bem mais do que o senhor imagina. -Ela abriu um grande sorriso, mostrando os dentes. -Vamos, vejo que está de saida, posso acompanha-lo até a porta.
Com toda a classe que tinha, ela o acompanhou.
—Tenha um bom dia e uma prospera vida, senhora. -Disse.
—O mesmo, senhor, acredite em mim, ainda ouvirei historias sobre o senhor...
—Faremos história. -Disse orgulhoso, sempre atras de alguma aproximação.
—Sim, mas apenas o tempo nos dirá se é merecedor do nosso apoio. -Disse imparcial.
Ele assentiu, virou-se e saiu.
Quando Rose voltou para dentro da casa encontrou Abraxas sentado na mesma poltrona de outrora, no entanto, ele tinha feições serias.
—O que aconteceu aqui? Desde quando trata minhas visitas dessa forma?
Ela respirou fundo, rezando a Merlim para não explodir com o marido.
—Abraxas, quem é aquele homem? O que ele faz?
—Oras, é um antigo colega de escola, trabalha vendendo antiguidades.
—Não, Abraxas, o que ele faz?
—Do que está falando?
—Você sabe. Só não entendo por que o trouxe aqui.
—Rose, está ficando louca? Ele é o que eu disse ser.
—Você mente para mim. -A paciência dela se esgotava. -Como ele pretende exterminar a tal impureza?
Ele engoliu em seco.
—Ele...
A paciência de Rose se esgotou.
—Ele matou meu tio, Abraxas! Meu tio! Eu cresci ao lado de um homem incompleto pois o irmão tinha morrido pelas mãos de idiotas que seguiam ideais escrotos. -Abraxas arregalou os olhos. -O assassino de meu tio estava na minha sala, tomando chá com o meu marido, sorrindo. Ele estava aqui. O senhor Riddle, ou melhor, Voldemort, não presa por qualquer ideal sangue puro, ele só é um lunático a busca de poder. -Ela se levantou com o intuito de ir ao banheiro, mas voltou-se novamente para Abraxas. -Você sabe disso, sabe da Murta, do meio gigante, sabe das mortes e das torturas, você participou disso e, mesmo assim, eu decidi que lhe entregaria o meu coração pela promessa de afastamento. -Algumas lagrimas ameaçavam descer. -Você prometeu me amar e me proteger... Eu... -Abraxas estava tão chocado que nem ao menos conseguiu ir confortar a mulher.
Ele estranhou o silencio.
Depois daquele dia, Rose se isolou e não permitiu que as crianças ficassem na presença de Abraxas sozinho. Não, nem mesmo ela ficava. Não demorou em dois dias para que ela organizasse uma viagem urgente para a Grécia, dizendo, sem vontade alguma, que Scorpius estava adoentado e precisava de ajuda. Ela levou as crianças. Quando chegou lá bastou distrair os filhos que caiu no choro, contando os últimos acontecimentos para Scorpius.
Abraxas apareceu durando a noite daquele mesmo dia.
—Scorpius não está doente. -Se pronunciou, denunciando sua presença.
—Não, não está.
Ele suspirou e se sentou na cama, a olhando.
—O que está acontecendo conosco?
Rose suspirou, ela estava quebrada e isso matava aquele homem.
—Não posso suportar isso, Abraxas... Eu... Não posso. Sequer consigo imaginar o tenebroso destino que nos espera se você continuar mantendo contato com aquele homem. Ele é um mostro.
Diferente do outro dia, ele se aproximou dela e a abraçou, confortando-a.
—Não irei falar sequer uma palavra com ele. Nunca mais.
Rose chorou, aliviada.
—Agora, me conto o que está acontecendo e como conhece tanto Riddle.
Durante toda a noite Rose contou da aventura que seus bisavos, avos e pais viveram. Contou como foi criada e a forma com que o mundo foi destruído, nem mesmo o tal sangue puro foi polpado. Contou da trágica morte de Abraxas e das ações do seus filho, da valentia de sua neto e falou sobre Scorpius. Lhe disse o quão admirava sua mãe, o quanto sofreu com seu pai. Na manhã seguinte, eles ainda estavam sentados na cama, abraçados, acordados.
—Bom dia, Rosinha. -Disse Scorpius com ironia.
Mas, quem apareceu não foi Rose, mas Abraxas.
—Diga-me, Malfoy, onde está o respeito para com seu bisavô?
Scorpius ficou branco.
—Eu... Ehr... Como...
A risada de Rose foi ouvida.
—O que mais?
Ela suspirou.
Abraxas estava animado com a possibilidade de concretizar o projeto da casa. Tinha comprado um grande terreno, com lago e muitas arvores, um bonito campo. Tudo deles. Contudo, diferente do que acontecia naquela época, não foi requisitado o trabalho de nenhum bruxo. Abraxas Malfoy, o magnata bruxo, fez com as próprias mãos e ajuda de alguns amigos e da esposa, bem como, claro, da magia. Para que a casa ficasse pronta demorou cerca de 5 anos, as crianças já estavam prestes a entrar em Hogwarts.
Depois que eles foram para a escola de bruxaria, Rose e Abraxas começaram a frequentar a casa de campo com frequência. Passavam longas tardes dentro de um barco, brincavam na chuva e, quando sentiam a necessidade de se sentir, corriam ao encontro um do outro.
—Seriamos felizes, longe de toda e qualquer maldade... -Ela sorriu, achando graça de si mesma. -São apenas sonhos estranhos, Abraxas, não leve tão a serio.
Algumas lagrimas caiam dos olhos de Rose, suas pernas tinham vida própria, ela queria conhecer tudo, ver tudo que ele tinha feito para ela, para eles.
E, em cima de um piano preto estava uma carta. Aquele papel parecia ter sofrido com o passar do tempo, mas ainda resistia. "Rose", estava escrito ali, então a senhora Krum caminhou até o piano e abriu a carta.
Senhora Malfoy, minha amada Rose.
Tempos sombrios se aproximam a cada momento e, me vejo entre o bem e o mal, infelizmente, te decepciono ao informar que tendo para as trevas. Você está me julgando, meu grande amor? Por favor, não julgue ainda, sei que estou me reportando de forma muito fria, no entanto, os anos e o seu repentino desaparecimento me tornaram quem sou. A alguns anos, alguns meses após me recordar da vossa pessoa, tive a noticia de que seria pai, um menino, Lucius, ele parece comigo e a mãe o mima constantemente, ele já está estragado. Não convivo muito com ele, talvez todo o amor que havia no meio ser tinha sido destinado a você.
Não há um dia que eu não me amaldiçoe por ter te magoada, não existe um motivo para que haja desculpas, sendo que ao menos sei se ainda está nessa terra. Diga-me, Rose, algum dia ira me perdoar? Pois nunca o farei. Tudo isso deveria ter sido nosso. Essa casa, os moveis, os elfos... Tudo. Iria construir o nosso sempre aqui. Iriamos concretizar nossa amor em cada cômodo daqui e, nas noites de chuva, estaríamos juntos. Iriamos correr atrás das crianças, nossas crianças, pelo jardim e rir ao cair na grama, iriamos fazer piqueniques encaixo daquela arvore que, possivelmente, estará mais bonita após minha partida, Merlin sabe que eu não tenho talento para jardinagem. Estaríamos juntos.
No entanto, não aconteceu. Nada disso, nenhum sonho, apenas uma casa que, outrora, foi construída a partir de um amor eterno. Ela é sua. Lhe esperarei e, prometo, nada será como antes, não haverá esquecimento. Nem lamento. Só o amor.
Sinto sua falta, baby, mais do que posso julgar ser possível.
Até logo, estou aqui sempre.
Para sempre seu,
Abraxas Malfoy.
Ela suspirou, sentindo cansaço lhe abandonar.
—Sinto muito, querido... Sinto tanto.
Rose sentiu as pernas cederem, mas logo foi amparada por braços conhecidos, Alvo.
—Está tudo bem, estamos aqui, com você.
A agitação do hospital não colaborou para Rose manter uma alimentação equilibrada, por esse motivo, quando começou a passar mal, Rose logo ligou uma coisa a outra. Mas não era isso. Foi Alexandre que percebeu, notando as mudanças no corpo da mulher.
—Baby.
—Hum. -Disse sonolenta.
—Tenho uma coisa para você.
Rose abriu os olhos, lentamente, esperando ele retornar para a cama, quando ele voltou carregava uma caixa em suas mãos, Rose abriu e encontrou dois pequeno sapatinhos brancos.
O olhou com confusão.
—Baby, você está grávida.
Ela arregalou os olhos.
Aquela era a verdade, Ária nasceria alguns meses depois, uma garotinha perfeita. Rose nunca pensou que a ação daqueles hormônios, somado ao amor que sentia pela cria, lhe propiciaria um momento tão pleno.
MUITOS ANOS DEPOIS...
—Querida. -Ele chamou.
Quando Rose olhou, arregalou os olhos em descrença. Alexandre Krum era um homem de mais de 70 anos, com dois filhos e dois netos e, naquele momento, ele estava em cima de uma alta arvore, com a vassoura caída nos pés da mesma. Sorrindo, alegre.
—ALEX! -Girou Rose, assustada.
Ele riu.
—Não precisa se assustar ,minha querida. -Disse ainda sorrindo. -Você sempre estará no meu coração e eu nunca lhe deixarei, eu te amo.
Ela sorriu.
—Eu também te amo. -Disse sorrindo.
A diferença entre perder Abraxas e perder Alexandre era gritante, quando o viu cair daquela arvore e o corpo se chocar com o chão, apagando o sorriso da face do amado e qualquer sinal de alegria, Rose sentiu seu ser partir junto a ele, quase como se pudesse ver a transição da alma do homem, seu grande amor e melhor amigo. A maior diferença entre Abraxas e Alexandre era que Rose nunca precisou sentir a dor de perder Abraxas, ele foi como um sobro de ar em meio a um aberto campo, vivo, mas rápido.
Com Alexandre foi diferente. Não houve rapidez em nada, ele demorou e persistiu em permanecer ao seu lado, em ama-la todos os dias e dá-lhe atenção. Quando Alexandre morreu, uma parte da alma de Rose também se foi, caindo em câmera lenda daquela arvore, deixando duas crianças assustados e outros adultos agitados. Quando Alexandre caiu da arvore, Rose soube que não adiantaria correr, ele não voltaria a sorrir. Era o tal fim.
—Eu também te amo.
Hogwarts, 2017.
Até que Rose foi chamada e o chapéu posto na sua cabeça, ela pensou que seria rapido como foi com s primos, pensou que foi sangue gritava Grifinoria, mas não.
—Curioso.-Disse o chapéu, assim que foi posto.- Muito curioso.
—O que é curioso?- Questionou a menina, em pensamentos.
—Você, senhorita Weasley, nunca fui posto na cabeça de uma pessoa como a senhorita. A senhorita tem a bravura e a coragem de Godric Gryffindor, nunca deixaria alguém que precisa-se de ajuda sem ela, é justa. Bem como uma parcela dos seus parentes ruivos...
—Então eu vou para Grifinoria?- Perguntou animada com a possibilidade de está na mesma casa que , outrora, os pais tinham frequentado
—Deixe-me acabar. -Exclamou. -A sua justiça também pode ser comparada a de Helga, a sua paciência é admirável senhorita, principalmente com vosso pai. A sua sabedoria é comparada a de Rowena e, por ultimo, sua astucia é comparada a de Salazar, sua ambição e perseverança, quando quer algo, a força de vontade lhe leva a sempre conseguir... Muito curioso... A senhorita é como uma mistura de todas as casas, com todas as qualidades, é como um quinto produto, Espirito! Mas, seu sangue grita por... SONSERINA!
Não, não, não! GRIFINORIA! Essa deveria ser a casa que o chapéu gritaria, a mesa das cobras se silenciou, se já não bastasse um Potter, agora havia um Weasley ali. Mas, Rose não ligava para aquilo, Ronald Weasley era o motivo das suas preocupações.
—Senhorita.- Chamou um menino, muito educado, que estava sentado ao lado dela.
—Sim.
—Seja bem vinda! -Exclamou animado e estendeu a mão. -Me chamo Scorpius.
Rose abriu um sorriso.
—Sou Rose.
Major Krum, 2086.
Quando a cortina se fechou, Scorpius deixou uma lagrima cair. Por ironia do destino só tinha sobrado ele. A alguns meses, Alvo Severo Potter se foi graças a uma severa febre, a qual, nem mesmo os medbruxos, conseguiram sanar. Foi lento, mas Scorpius gostava de imaginar que não foi doloroso, os filhos do homem estavam ali, bem como seu companheiro, quando o suor desceu, as lagrimas também desceram e os olhos de Alvo se fecharam para sempre.
Assim que ele partiu, Scorpius começou a sentir solidão.
Não existia mais o famoso trio.
A grande razão de inúmeras pessoas terem sobrevivido a patologias fatais tinha morrido a cerca de dois anos, apenas 1 ano e sete meses depois de perder o marido. Todo o mundo acadêmico lamentou a perda e homenagens foram feitas, mas nenhuma como essa:
Todos estavam reunidos em frente ao deque e alguns estavam em cima dele. Nas mãos dos dois homens repousavam duas urnas, eles tinham olheiras severas debaixo dos olhos, que estavam vermelhos. Não havia como negar o sofrimento, tudo estava muito evidente.
—Estamos aqui hoje para nos despedirmos e comemorarmos todos esses maravilhosos anos ao lado desse ser humano, vamos... -Ele parou, pois percebeu que a voz ficava cada vez mais grosso, graças ao esforço em segurar as lagrimas. -Rose não foi apenas medica, esposa, amiga e mãe, dentre as inúmeras facetas, Rose era um espirito vivo. Minha melhor amiga e fiel confidente, permaneceu ao nosso lado em momentos que ela não conseguia manter-se em pé. Esteve compartilhando alegrias e tristezas, tentando a todo instante fazer com que a nossa passagem por esse plano fosse tranquila e cheio de vida. Rose... -Alvo não tinha forças para continuar a falar.
Tornou-se impossível prosseguir com as palavras, Alvo não sabia se tinha força para proferir uma palavra sequer.
—Rose trouxe cor e vida, por esse motivo para sempre ela viverá em nossos corações. -Completou Scorpius, sentindo uma dor incomparável. -E, por ela, iremos perpetuar seu legado. -Ele levantou sua varinha e, com um movimento, fez com que taças surgissem nas mãos dos que ali estavam. -Por favor, levantem a taça, vamos brindar a alma mais puro que conhecemos. Por favor, um brinde a Rose W. G. M. Krum. Que sua morte seja uma aventura tão inesquecível quanto sua vida foi.
Um forte vento soprou, ele se virou em direção às águas, abriu com calma a urna e, aos poucos, deixou-a seguir o vento...
Rose Macmillan Granger-Weasley Malfoy Krum, grande amiga, filha e esposa.
"Grandes paradoxos são necessários para se poder viver adequadamente, grandes amores possuem tons diferentes de complexidades...
Afirmo que conheço todas as suas cores".
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