Paradoxo.

7 Bônus, antíteses.


Ela sentiu dedos em torno da sua cintura, como se alguém quisesse desenhar com as mãos em seu corpo, dedos finos e conhecidos.

—Mais um sonho? -Questionou-se em murmuro, de olhos fechados.

Ele riu.

—Sonho? Sim, posso dizer que sou um sonho, mas, querida, tem alguém que precisa que você acorde, existem pessoas que esperam o seu adeus, o momento do nosso viver se aproxima. -Ele beijou-a em sua orelha. -Logo estaremos juntos.

—Está tão bom aqui. -Disse manhosa.

Ele riu.

—Eu sou maravilhoso, pequena rosa.

Ela riu e, diferente das outras vezes que sonhou com ele, seus olhos tentaram se abrir. Não, não, foi apenas uma tentativa, mesmo que ela tivesse sentido uma forte luz branca, não o viu.

—Abraxas. -o chamou.

Ele afastou os lábios do corpo dela.

—Sim, querida?

Ela respirou fundo, puxando um ar inexistente.

—Foi uma boa vida.

Ele sorriu, um sorriso tão calmo que Rose se acalmou, mesmo não o vendo.

—Eu estive lá, todo o tempo.

E, pela ultima vez, Rose abriu os olhos.

—Vovó?

Custou um pouco para Rose se acostumar com a luz solar.

—Sim, querida?

Seus cabelos ruivos, agora, tinham poucos fios ruivos. Sua voz estava cansada.

—Mamãe pediu para acordar a senhora. -Disse a pequena criança. -Ela disse que está na hora de irmos.

—Muito bem, diga a sua mãe que irei na frente e espero por você daqui a 1h, será tempo suficiente para ela arrumar seus irmãos e primos, feito?

—E poderemos nadar na lago? -Perguntou a pequena Defne Krum, filha de Ária.

—Claro que sim, nadarei com você.

A ruivinha abriu um grande sorriso, desceu da cama com um pouco de dificuldade e correu até a mãe para lhe dar a noticia. Enquanto isso, com a varinha em mãos, Rose arrumou sua cama, fechou o malão e vestiu-se apropriadamente. Caminhou calmamente até a lareira e, de lá, partiu para sua outra casa.

Aquela casa.

Depois da morte de Alexandre, ela sentiu uma necessidade de voltar para aquele lugar que, de alguma forma, lhe trazia paz. Não era uma forma de escapar do mundo, apenas... Bom, Alexandre foi seu sol, iluminando os tempos sombrios. Abraxas foi sua lua, daquelas que ilumina grandes escuridões, como a que ela passava.

Quando as crianças chegaram, juntos a seus netos, Rose aproveitou enquanto pôde toda aquela alegria, até mesmo brincou no lago com Defne. Mas, a noite chegou e, após o jantar, ela foi para a varanda acompanhada da sua pequena neta.

—Vovó, o vovô Alex fez essa casa?

—Não, querida.

—E quem fez?

A lua brilhava no alto do céu.

—Durante uma aventura eu conhecido um bom homem e me casei com ele.

—Antes do vovô? -Perguntou com a mão na boca.

Rose riu.

—Sim, querida. Mas, acabou e eu fiquei muito triste, foi quando seu avô apareceu e me fez voltar a ver todas as cores do arco-íris.

Defne sorriu.

—Sinto falta do vovô, vovó.

—Eu também, querida, eu também.

Alguns segundos se passaram, Rose estranhou o silencio vindo de Defne e imaginou o que a menina tinha na pequena cabecinha.

—Vovó.

Rose sorriu.

—Sim, Defne.

—Ele também virou estrelinha, igual o vovô?

—Quem, querida?

—O moço que a senhora conheceu, a grande aventura da senhora.

—Ah, sim, querida, ele também se tornou estrela.

—E a senhora? Também vai virar estrela?

Rose colocou a menina no seu colo.

—Querida, ser tornar estrela significa que nunca partira verdadeiramente, que as memorias e sentimentos permaneceram vivos dentro do coração daqueles que amamos. Me diga, Defne, quando eu não estiver aqui, ainda me amará?

—Para sempre, vovó.

Os pelos de Rose se arrepiaram.

—Então eu estarei com você.

Defne encostou a cabeça no ombro da avó e ficou olhando para o lago, adormeceu logo, sentindo-se segura nos braços da avó, aquela a quem tanto amava. Rose segurou a criança em seus braços e a levou para o quarto destinado a mesma, aproveitou e visitou seus outros netos que já dormiam e, por ultimo, foi até a sala e encontrou seus filhos com os companheiros.

—Mãe, está indo se recolher? -Perguntou Pyxis, ele estava deitado em um grande sofá, com sua esposa Sanem.

—Sim, querido, aproveitei que Defne dormiu e vim me despedir de vocês.

—Defne estava dando trabalho? Perguntou Ária, como a mãe preocupada que era.

—Não, não, sabe que adoro ficar com ela.

—E ela a adora. -Disse Dorian, esposo de Ária.

Eles se calaram.

—Ária, Pyxis, podem me fazer um favor?

—Claro, mãe.

—Está casa, não permita que ela seja abandonada. Digo, após minha partida...

—Mamãe...

—Não, deixe-me continuar. Façam piqueniques, brinquem, se divirtam e, quando tiverem a minha idade, passem-na para Defne.

—Para Defne? -Estranhou Sanem. -Mas, Defne é uma criança.

—Não será para sempre, ela irá crescer e aprenderá a ser justa e bondosa, como vocês. Ela saberá como unir a família e não deixar essa casa vazia, nunca.

—Mamãe, por que fala assim?

Rose suspirou.

—Essa casa carrega uma promessa, "para sempre", devemos honra-la. Entenderam?

—Sim. -Disseram.

Rose os olhou, como se fosse a ultima vez, sorriu.

—Tenham uma boa noite. -Disse se virando para sair.

—Mamãe. -Chamou Ária, já em pé, Rose se virou e observou a filha caminhar até ela. -Eu te amo, muito.

Os olhos de Rose se encheram de lagrimas.

—Ah, minha querida, eu também te amo.

Pyxis se aproximou e abraçou a mãe.

—Também te amo querido, vocês, junto a seu pai, foram um sopro de vida para mim. Eu os amo tanto que me desespero em pensar que podem se separar, com o tempo, que a bela irmandade que há entre vocês, pode acabar.

—Haverá a senhora para puxar nossas orelhas e fazer com que role um abraço. -Disse Pyxis brincalhão.

Rose riu.

—Claro, querido. Agora, deixe-me ir, estou cansada, tem sido uma longa vida. -Disse irônica.

Todos riram e ela subiu.

Notas finais
Obrigada pela companhia!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.