Paradoxo.
3 Capitulo 2.
Com o passar dos dias Rose parecia envolver Abraxas em uma linha de sedução, mesmo sem perceber, a garota encantava o homem a cada pequeno gesto. Alvo e Scorpius observavam a interação com curiosidade, para o herdeiro Malfoy era estranho ver a melhor amiga se envolver com seu bisavô. Contudo, algo mais chamava à atenção do rapaz e, esse algo, tinha cabelos tão loiros quanto o dele e um sorriso que podia iluminar todos a sua volta. Se Rose Weasley estava mais próxima de Abraxas, mesmo que não romanticamente, Scorpius Malfoy estava mais que atraído por Ambrosia Macmillan
Rapidamente eles foram pegar as vassouras para passearem na propriedade. Rose olhou para Alvo e Scorpius, animada. Um pequeno sorriso surgiu no rosto do Malfoy do futuro.
—Vamos? -perguntou, de repente, aos amigos.
Alvo olhou para ele com diversão.
—Só se o Rose estiver preparada para perder.
A ruiva gargalhou.
—Espero que você esteja, irmão. -Provocou.
—Veremos.
—Oras, ambos devem se preparar para perder. -Disse Scorpius, orgulhoso.
—É mesmo, por que?
Rose abriu um sorriso sagaz, e atiçou seu cavalo que logo correu, deixando-os para trás. Ambrosia riu e Scorpius mexeu o rosto, negando.
—Você não deveria ter perguntado isso... -Disse seguindo a bruxa.
—EI, ISSO É TRAPAÇA. -Gritou Alvo, seguindo-os, esquecendo os outros dois acompanhantes.
Ambrosia sorriu e foi acompanhada por Abraxas.
—O que estávamos esperando?
O loiro não se designou a responder, deu impulso e fez a vassoura voar e acelerar.
A vassoura dela logo ganhava velocidade e se afastava, enquanto ela ria.
Rose ainda ria enquanto descia da vassoura, no pátio da casa. Logo, Alvo surgiu, sendo seguido de Ambrosia. Ambos riam. Abraxas e Scorpius, surpreendentemente, foram os últimos.
—O que houve? Se perdeu? -perguntou Alvo irônico.
Ambrosia riu.
—Isso, riam enquanto podem, seus trapaceiros. -Disse fingindo está magoado.
—Trapaceira? Eu? -Questionou Ambrosia, fingindo inocência.
Scorpius se aproximou, perigosamente.
—Sim, você! Sua ladra.
—Quanta audácia, como ousa? -Se fingiu de magoada.
Scorpius riu.
Ambrosia perdeu o ar por um instante.
Ele se aproximou mais, suas mãos foram para a barriga dela, ele a tocou de uma forma que fez com que ela risse, não, gargalhasse. Cosquinha.
—Pare com isso! -Dizia entre risos. -Como ous... -Ela já chorava.
Eles estavam tão concentrados na própria diversão que não perceberam que deixaram Alvo, Rose e Abraxas de lado, ou não viram, já que ambos já estavam grudados, nos braças um de outro. Scorpius abraçava Ambrosia enquanto sua mãos faziam a tortura. Sem querer. Rose olhou diretamente para Abraxas.
Pobre Alvo, parecia ser destinado a ocupar a posição de vela.
Momentos como aquele começaram a ser tornar costumeiros.
E o tempo ia passando...
Desde pequeno Abraxas foi preparado para qualquer atentado, claro, vindo de uma família rica e pura, segurança era sempre um problema, mesmo dormindo. Mas, até mesmo esses anos de preparação tinham causado certos estragos ao rapaz, pesadelos. Quando Rose chegou perto dele, ela não pode deixar de admirar aquele belo rosto, intuitivamente, suas mãos acariciaram a bochecha dele, ele com um golpe a colocou embaixo dele.
—Por Deus! -Exclamou assustada.
—Rose? — perguntou confuso.- O que faz aqui?
—Eu vim te chamar.- falou ainda respirando ofegante.- Parece que você dormiu aqui na sala, quando fui a cozinha pegar uma jarra de água ouvi seus gritos. Agora, me solte! — Falou se debatendo.
—Calma, leãozinho.
—Não é um leão, Malfoy, é uma cobra! -Exclamou se debatendo mais.
Ate que Rose parou de se debater, graças àquela bolha estranha que surgia sempre que estavam juntos, Abraxas olhou para os lábios vermelhos dela e ela olhou para os dele. Os lábios secaram, o coração parecia bater fora do compasso, tudo os ligada, tudo fazia com que eles se sentisse um só.
E então, como a coisa mais certa que havia na sua existência, ele a beijou. Com tudo ardor, e desejo. Quando pediu passagem rapidamente foi cedida, haviam mãos, suspiros. Havia tanto desejo ali, tanto a pedir, tanto a aceitar. Naquela noite eles se contentaram com aquele beijo, nenhum dos dois conseguiu dormir, mas, no dia seguinte, ambos estavam na mesa esperando um pelo outro enquanto o café da manhã magicamente aparecia na mesa. Quando os olhos de Abraxas bateram em Rose, a ruiva não se conteve e corou violentamente.
—Está com calor, Rosinha? -Provocou Alvo.
A cada canto daquela casa, a cada lugar isolado, Abraxas e Rose trocaram beijos, era algo involuntário, movimentos que apenas aconteciam. Quando Rose decidiu falar com os meninos, encontrou zero de dificuldades e nenhuma surpresa.
—Devemos nos fingir de surpresos? -Perguntou Scorpius.
—Devo chorar?
—O que...
—Por favor, Rose, é nítido que você esta tendo um affair com o meu galante bisavô. -Rose fez careta ao ouvir a palavra "bisavô". -Pois é, minha cara, olhe o seu nível, um pobre idoso!
—Vejamos você, Scorpius! Acha que Ambrosia permanecerá jovem para sempre?
—Aos meus olhos...
—Nem ao menos tenta negar? -Perguntou Alvo, achando graça.
—Deveria?
Ambos riram.
Depois daquela conversa, Rose andou pela casa, pensativa. Até parar na frente de um ambiente espaçoso, uma possível biblioteca, se houvesse mais livros, mas não havia. Tudo que tinha ali, eram cerca de quatro obras, um sofá e um homem.
—Quem está ai?
—Sou eu, Rose, o que anda fazendo senhor Malfoy?
Ele a olhou e, sem nenhuma palavra, proferiu um feitiço que selou a porta.
—Abraxas! O que você pensa em fazer, seu pervertido?
Ele sorriu e se aproximou, ao passo que Rose se afastava.
As mãos dele começaram a descer pela sua pele, suavemente, causando arrepios gostosos e uma sensação de queimação. Por Merlin, ela estava em chamas e a única forma de acalmar seu ser era ele. A formula magica e... Os pensamentos foram interrompidos novamente ao sentir os lábios dele na sua barriga, pequenos beijos foram deixados ali e ele ia subindo.
Rose queria aquilo, queria ele, queria-o naquele momento, junto a ela, unificado a ela. Ela queria aquela realidade, não desejava sequer voltar. Obvio que sentiria falta dos seus pais, mas... Merlin... Os dedos dele, cuidadosamente, desceram a calcinha dela, algo grande e pomposo, exatamente como as moças usavam naquele época.
Sentiria falta da sua mãe? Sim, e aquilo lhe consumiria no decorrer dos anos. Sentiria falta do pai e de Hugo? Como jamais pensou sentir, mesmo tendo tantas divergências com o pai, ela o amava profundamente... Tão profundo quanto os dedos de Abraxas que tinha encontrado o lugar "x" e levavam Rose a loucura.
—Abraxas. -gemeu, causando sensações estranhas no homem.
Ele já se sentia possessivo, desde o primeiro olhar enviado a ruiva, mas, ali, ao vê-la tem entregue, e... Quando acordaram, horas depois, sorriram, um para o outro. Em nenhum momento sentiram medo ou temeram algo, eles estavam na presença um do outro e nada, nunca, poderia ser maior que isso.
Como um homem do inicio do século XX, Abraxas tratou de oficializar seu relacionamento com Rose, logo, tratou de pedir a mão da jovem bruxa ao seu tio e provável tutor que, com grande alegria, aceitou. Em seguida, o jovem Malfoy foi a moça e, com todo amor que sentia, se ajoelhou e fez a grande pergunta.
—Me daria a grandíssima honra de se tornar minha esposa?
Rose abriu um sorriso gigante e aceitou, sem pensar nas consequências. Ninguém pensava, já que o tempo passava e nada acontecia, não havia futuro para eles longe dali, seja Rose e Abraxas ou Scorpius e Ambrosia, ou até mesmo Alvo, o qual nunca deixaria os amigos. Eles estavam felizes. Completos.
—Não está notando nada de diferente?
Rose sorriu, achando graça da situação, mas sem dar atenção ao rapaz.
—Malfoy, Malfoy... Acaso não sabes que quem deve notar algo diferente é você?
A risada dele soou pelo cômodo.
—Vai, senhorita, vire-se!
Ainda achando graça da situação, Rose virou-se e surpreendeu-se.
—MALFOY! Que loucura é essa?
O sorriso dele apenas cresceu.
—Não gostou, querida? -Ele se aproximou e fez com que ela o olhasse diretamente nos olhos. -O que me diz?
Instintivamente, Rose colocou os braços ao redor do pescoço dele, sentindo o tecido do cachecol.
—Onde estão suas roupas, Malfoy?
Merlin, ele adorava aquela mulher. Só em pronunciar cinco palavras, Abraxas sentia-se animar, por completo.
—Estão no quarto.
Ela sorriu.
—E o que fazem lá?
Ele também sorriu, malandro.
—Estão a espera das suas.
Os dias que se seguiram transitaram entre passeis por parques e explorar a casa, tal como, a si. A mancha atrás da orelha de Rose tinha se tornado ponto estratégico de provocação, bem como ela descobriu a reação do rapaz ao mexer-se no seu pescoço, ele se arrepiava por completo. As roupas de verão eram mais abertas e pequenas, os lagos possuíam aguas boas para banho e divertiam o jovem casal após o almoço.
—E como será? -Ele perguntou, curioso.
Ambos estavam debaixo de uma grande arvore, na frente de um lago, depois do banho. Abraxas tinha as costas encostada no tronco da arvore e Rose deitou sua cabeça nas pernas dele, deixando-o acariciar seus cabelos.
—Branca, com duas varandas, muitas janelas. -Ela sorriu. -Será bonito ver o sol adentrar a casa... -Ela parou para pensar, enquanto ele imaginava. -Pode ser perto de uma lago, passearíamos por ali e podemos até ter um barco! Sim. Deve haver um pequeno campo, um pouco distante do lago e sem arvores, você ensinaria quadribol as crianças e, nos feriados, podemos fazer piqueniques... -Ela se calou, como se absorvesse toda aquela vida.
Ele estranhou o silencio.
—O que mais?
Ela suspirou.
—Seriamos felizes, longe de toda e qualquer maldade... -Ela sorriu, achando graça de si mesma. -São apenas sonhos estranhos, Abraxas, não leve tão a serio.
Ela se levantou e o olhou.
—Leve-os a serio, prometo que torná-lo-ei realidade, acredita em mim? -Ele a olhava nos sonhos.
Rose sorriu e o beijou.
—Como posso duvidar?
O grande dia enfim tinha chegado. Não havia um grande salão enfeitado, ou pessoas andando de um lado para o outro, dialogando a respeito da decoração. Sua mãe não estava ali, ela estaria animada e não sairia do lado de Rose por nada, lhe entregaria as três coisas que a tradição trouxa pedia e iria sorrir ao ver a filha vestida de noiva, o mesmo faria a mãe de Abraxas, mimando o filho até o ultimo momento. Não haviam filas de pessoas sentadas em cadeiras de madeiras em torno do altar, não existia um altar.
Contudo, havia ele. Ele estava ali. Aquele homem extravagante e extremamente belo, com um terno bruxo, branco, sim! Branco e, diferente de Rose, estava ao lado de Alvo e Scorpius, o qual tinha deixado Ambrosia sentada em um tronco de arvore.
A decoração consistia em arvores e flores, um campo vazio. Um funcionário de Ministério estava ali e todos esperavam Rose. E, quando ela surgiu, Abraxas duvidou da realidade.
Aquilo era mesmo real?
A mulher parecia um tipo de fada, vinda dos céus diretamente para ele. Com um vestido branco que carregava pequenas flores bordadas e um fino véu, entretanto nada se sobressaltava tanto quanto seu sorriso. A menina Weasley estava muito feliz e isso era claro. Foi uma cerimonia rápida, Alvo e Scorpius assinaram como testemunhas, Ambrosia bateu palmas animadas com quanto aquelas tradicionais palavras foram ditas:
—Aceito.
—Aceito.
Uma lagrima caiu dos olhos de Abraxas antes dele beijar Rose, selando uma longínqua promessa.
—Enquanto estiverem vivos, permanecerão unidos perante as leis bruxas. -Disse o homem, representante das leis bruxas.
Ele logo desaparatou.
Rose olhou para Abraxas, emocionada.
—Para além da vida. -Sussurrou.
Ele sorriu, mas quando foi se aproximar mais para beija-la e abraça-la, ela começou a sumir, Rose levantou a mão e tentou alcança-lo, tentou gritar por ele, mas, para ela, ele também sumia.
—Rose? ROSE! -Gritou Abraxas.
Ministério da Magia, 2024.
Quem queria zangar a atual Ministra da Magia? Pior, quem queria irritar Hermione Granger -Weasley? Após descobrir do sumiço do sobrinho, de Scorpius e de Rose, sua filha, ela ficou mais mandona que o normal e acionou todo o departamento de mistérios, afirmando que Rose, sim, voltaria.
Draco Malfoy também estava ali, assim como Harry Potter e Gina Potter, todos ansiosos.
O lugar estava diferente, haviam instrumentos e uma espécie de portal montado. Tudo compactuava para que os jovens adultos retornassem, entretanto algo não estava dando certo. Mesmo com toda a magia envolvida, algo estranho ocorria, não funcionava.
—Por que não funciona? -Questionou-se frustrada.
Ela estava frustrada, não só por Rose, mas pelo comportamento infantil de Ronald em insistir que a filha tinha "fugido" com o herdeiro Malfoy. E, por Merlin, como ela poderia odiar tanto alguém que prometeu amar? Mas, estava chegando a hora que, a muito tempo, ela percebeu que aconteceria, a hora de dizer adeus. Afinal, não é responsável se desgastar em prol de qualquer relacionamento, pois, antes de tudo, relacionar-se com alguém impõe respeito e amizade, não dor e traição.
—Granger?
Ela se virou e deu de cara com Draco Malfoy.
—É Weasley, Malfoy. -O corrigiu com um sorriso no rosto, estava acostuma em falar aquilo ao homem.
Ele sorriu.
—Você sempre será a Granger para mim, Hermione.
—Isso é algo estranho.
—Estranho sim, mas, a muito tempo, não é algo raro.
Ela se levantou e deixou que ele a abraça-se.
—Não, não é.
Sim, aquela era uma cena estranha aos olhos de muitos indivíduos que conviveram com aqueles dois na adolescência, porém não era algo anormal para os trabalhadores do Ministério, ou amigos próximos. Até mesmo para Astoria Malfoy, grande amiga da morena. Após o episodio com as crianças, no passado, eles desenvolveram essa estranha ligação, uma ligação que poderia ter sido feita a muito tempo, no entanto, a carga de preconceitos sobre o homem não permitiu tais ações.
—O que faremos? -perguntou, seu tom de voz carregava sofrimento.
—Daremos um jeito.
Assim que tais palavras sairão da boca do patriarca Malfoy, o portal começou a emitir uma forte luz, essa luz logo foi substituída por outras, de outras cores e vibrações diferentes, sons de gritos foram ouvidos e Draco teve que segurar Hermione fortemente, pois no momento que ouviu o grito da filha, suas pernas ganharam vida, ela enfrentaria todo e tudo por Rose. As luzes se tornaram fracas e o preto surgiu, depois o nado. Rose, Alvo, Scorpius e uma mulher desconhecida por aqueles que ali estavam, pareceram.
Alvo tinha a boca aberta, surpreso. A moça ao lado de Scorpius tremia levemente e o rapaz a abraçava fortemente contra si...
Bom, Rose...
Quando percebeu onde estava seu rosto, que já apresentava requisitos de desespero, adquiri-o lagrimas, muitas. Rose gritou alto. Alvo saiu do seu estado de choque e correu ao socorro da prima, a abraçando fortemente.
—Alvo... Abraxas...
—Eu sei, Rose, eu sei.
Hermione não sabia o que fazer, ela só queria agarrar sua filha e sair dali, mas a moça parecia tão quebrada.
—Draco, o que...
—Deixe-os. -disse observando Scorpius se aproximar de Rose e juntar-se ao abraço, sendo acompanhado, em seguida, pela moça.
Apartamento de Rose Weasley.
Os dias que se seguiram foram horríveis, Rose não comia, não sorria, nem mesmo falava. A mulher só ficava em um canto. Parada.
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