Europa, 1951.

A casa Macmillan pertencia a uma rica família que morava no sul da Inglaterra, sua moradia consistia em um pomposo palácio as margens do mar. Seu sangue era tão puro quanto a influencia que ela tinha no mundo bruxo, por esse motivo Abraxas estava ali. Cumprindo mais uma das tais tarefas de conseguir seguidores, jovens, para Riddle. Ele poderia afirmar com certeza que estava entrando em coma de tedio. Aquela noite deveria está lhe garantindo bons momentos, com bebidas e mulheres, entretanto, até aquele momento, tudo que o Malfoy conseguiu foi andar com sua pai e dialogar com homens chatos a respeito dos negócios da família.

Contudo, ao atravessar o salão e chegar no espaço destinado a dança, Abraxas se surpreendeu. Nem mesmo as elegantes vestes das senhoritas que procuravam conseguir a atenção do herdeiro Malfoy, conseguiam se comparar à aquela mulher.

O próprio Abraxas, se via invejando o cavalheiro o qual dançava com ela. Eles pareciam mandar a postura, mas se divertiam. Ela olhava para dele seria, mas logo sorria, ele parecia se conter para não rir. Era como se ambos tivessem crescido ali e estivessem familiarizados a se provocar, como se fossem família.

Não haviam muitas pessoas ruivas, como ela, pelo contrario, a mulher ali poderia ser a única, no entanto, o contraste entre aquele vestido azul, a pele branca e os cabelos ruivos garantiam a Abraxas um sentimento de reconhecimento, quase como se ele tivesse na própria casa, perto do fogo da lareira, relaxando.

—Senhor Malfoy, percebo que observa os casais dançando, não gostaria de dançar também? -perguntou o anfitrião.

A senhora Malfoy, mãe de Abraxas, o olhou com estranheza, afina seu filho não gostava de dançar, muito menos em bailes e eventos sociais.

—Adoraria, senhor.

O homem abriu um sorriso satisfeito.

—Deixe-me chamar minha sobrinha. -Ele olhou ao redor, tentando encontrar a tal pessoas, logo suas feições se tornaram de decepção. -Bom, terá que ser minha doce Ambrosia. -Disse assim que viu uma moça ir na direção deles.

Os olhos de Abraxas voltaram para o casal dançando, mais precisamente, se voltaram para a misteriosa mulher. Ele desejava está ali... Como queria...

Abraxas sentiu um braço passar pelo seu e ouviu uma voz lhe dizer:

—Aquela moça se chama Rose Macmillan , minha prima.

Ele se virou, surpreso e encontrou uma moça loira.

—Percebi que estava olhando-os, o rapaz é nosso primo, um dos últimos Peverell, tornou-se órfão recentemente. -Disse com pesar.

—E como posso chamar-te?

Ela sorriu docemente.

—Sou Ambrosia Macmillan, por favor, vamos dançar.

Ele a acompanhou até a pista de dança e ali bailaram.

—Atenção, logo haverá troca de pares, será sua chance de encontrar Rose. -Disse animada.

—Eu não...

—O senhor a olhou durante toda a noite. -Disse o obvio.

Abraxas não poderia negar, ele, de fato, tinha encarado a moça durante boas horas.

Bastou um giro para Rose cair nos braços dele. Assim que ele a olhou, tão perto, se encontrou admirando o sorriso dela, um sorriso animado, como se a moça se divertisse com a dança. Ela olhou para os lados, a procura do seu par e riu ao encontra-ló com a mesma mulher que outrora dançava com Abraxas. Ela sorria quando o olhou.

—Olá, sou Rose Macmillan G-W., como o senhor se chama? -perguntou sorridente.

Abraxas se surpreendeu com a repentina aproximação da garota.

Ele um sorriso ala "Don Juan", aquele mesmo que fazia com que as jovens senhoritas desejassem um convite a sua cama.

—Abraxas Malfoy, senhorita.

Os olhos dela se arregalaram, surpresa.

—Malfoy? -Questionou.

—Sim, acaso conheceis minha família?

Ela negou, ele sorriu e continuaram a dança, Rose ficou calada e apenas sorria a qualquer interação com o homem. Logo os pares foram trocados novamente. A dança acabou e ele avistou ela ir ao encontro do homem que anteriormente dançou com ela, rindo de algo que o homem disse, uma estranha raiva lhe tomou o peito e ele se aproximou.

Ministério da Magia, 2022.

—Você não faz nada pela sua mãe!

—Ingrata, Hermione te defende tanto, na ausência dela deveria ter limpada a casa!

—Que tipo de irmã é você? Sua egoísta!

—Já ta estudando de novo? Tá querendo tomar o lugar da sua mãe?

Não, essas frases não eram ditas com um sinal de atenção, não, Rose acreditava que só era uma forma de um ser humano se sentir mais importante em meio a tantos outros. Ronald Weasley pode ter sido um dos heróis da guerra contra Voldemort, mas, agora, ele não passava de um homem que, para se alto afirmar, precisa usufruir de um linguajar tão ruim quanto suas atitudes.

Ele a lembrava constantemente de erros, anteriormente, cometido por ele mesmo. Com o passar dos anos, Rose só pôde compreender que, quanto mais ela evoluísse, mais Ronald lhe atacaria. Ronald e qualquer outro ser que, em meio a sua burrice humana, acredita-se que diminuir o outro era algo mediador de progresso... Para a infeliz vida daquele Weasley, não era.

—Acredite em mim, Granger mirim, o Weasley é um poço de amargura. Teve todas as chances de evoluir, entretanto, continuou o mesmo vegetal sem cérebro. -Disse Draco, certa vez que encontrou a menina, ela possuía 13 anos, chorando em um corredor próximo a enfermaria. Ao questiona-la Rose só pôde lhe informar sobre as ultimas palavras do pai.

Draco Malfoy se tornou uma estranha figura paterna, principalmente com o rápido vinculo criado com Scorpius, seu melhor amigo. Scorpius era outro que afirmava com veemência o quão ridículo era Ronald.

Contudo, Rose ainda contava com a ajuda de outros ruivos, milhares deles-hipérbole, eles lhe deram apoio, mesmo quando ela e Alvo, seu primo, foram para a Sonserina, aqueles Weasleys continuaram juntos. E acolheram Scorpius como integrante da família, fato esse que aproximou Draco e Astoria Malfoy, bem como a velha Narcisa Malfoy. Os preconceitos tinha se esvarrido e eles se tornaram bons amigos, para o bem dos jovens.

Eles foram a bailes de mascaras, de inverno e primavera, aprenderam sobre costumes trouxas e bruxos, se divertiram em parques de diversão, foram a visitas no ministério -privilegio de ser filha da ministra e passaram cerca de 7 anos juntos em Hogwarts. Scorpius, Alvo e Rose. Os meninos tentavam suprir a falta que Ronald fazia como pai, tornaram-a uma espécie de ancora, conversavam sobre meninas e meninos, sobre corpos... Tudo. Nem mesmo a relação de Rose com Hugo poderia se assemelhar a irmandade que existia ali.

Como sempre estavam juntos, naquele momento não seria diferente. Após finalizar os estudos em Hogwarts, os três estavam conhecendo o Ministério, para, enfim, decidir a tão espera profissão. Hermione Granger, ops, Weasley estava acompanhando-os no trajeto, mas, dado seu cargo, ela foi solicitada e teve que deixa-los com um outro funcionária do ministério.

—Qual é a próxima parada? -perguntou Scorpius.

Rose deu um tapinha no braço dele.

—Não fale assim, parece que estávamos pegando um metro!

Alvo riu e o funcionário apenas estranhou a palavra.

—Perdão, metro?

—Um transporte trouxa... -Alvo começou a explicar, enquanto Rose e Scorpius exploravam.

Aquela era a ala de Mistérios, tinham espelhos, profecias e artefatos mágicos desconhecidos, dentre eles, um grande portal. Feito de madeira, com elegantes bordas, parecia sem vida.

—Para que serve?

Rose o olhou, questionando a inteligência do amigo.

—Scorpius, pense, se está na ala de mistérios, você acha que alguém aqui sabe?

—Há... Faz sentido.

—Sim!

Rose olhava com atenção os detalhes do artefato. Aquelas bordas lhe lembravam algumas runas... E haviam palavras escritas ali, coisas que ela não conseguia ler. Rose apertou os olhos e se aproximou, sem tocar, só Merlin sabe o que aconteceria. Todo se tornou muito silencioso. Como se só houvesse ela e o portal.

—O está fazendo? -Perguntou Alvo, quebrando o silencio e assustando Rose, que se desiquilíbrio e encostou no espelho. Alvo pegou sua mão rapidamente, impedindo uma queda e Scorpius fez o mesmo com ele, por puro reflexo.

—ALVO! Seu imprestável! -Exclamou irada.

Ele sorriu.

—Não se zangue, Rosinha, não foi por mão.

Os olhos dela demonstraram sua irritação com o apelido dado pelos mesmos, no entanto, quando ela foi tentar bate-lo não conseguiu.

—O que?

Alvo olhou com atenção e tentou mexer a sua mão, a aquela segurava Rose. Nada, eles não se mexiam.

—Senhores? -Chamou o funcionário, perdido entre estantes.

—AQUI, SENHOR RODRIGUES! -Gritou Scorpius. -Precisamos de ajuda.

Os passos apressados do homem eram tão rápidos quanto uma estranha cor preta, ela tomou de conta do portal e logo se expandi-o, irradiava escuridão. O negro foi dando lugar para outas cores, aquilo brilhava nas cores do arco-íris e Rose estava presa no centro daquilo.

—Droga, vamos morrer! -Exclamou em desespero.

—Rose, temos que tentar ver o lado bom disso...

—Não há lado bom, se a Rose vai morrer, nos também vamos, seu paspalho. -Disse Alvo, o pânico começava a tomar de conta dele.

—Scorpius, qual o lado bom? -Perguntou Rose.

Alvo a olhou com censura.

—Pode sair um unicórnio dai, no estilo trouxa.

Antes que Alvo ou Rose pudessem responder, o funcionário apareceu, arregalou os olhos, virou-se e correu, correu como se sua vida dependesse disso. As cores se unirão e, em conjunto, formaram o branco. Uma cor tão forte que poderia cega-los, por isso todos fecharam os olhos.

—Rosie?

—Sim, Scorpius.

—Obrigada, foi uma bela aventura. -Disse emocionado.

—Não vai me agradecer, loiro? -Questionou Alvo.

—Eu não, seu energúmeno.

—Oras, seu...

—Meninos?

—Sim, Rose. -Ambos falavam.

—Obrigada por sermos família.

Eles se calaram, e a luz tomou de conta da sala, eles sumiram.

Europa, 1951.

Abraxas voltou à Hogwarts e aguardou aquela mulher em sua mente por todos aqueles meses, um tipo de obsessão. Seus pais lhe falaram a respeito do contrato de casamento que existia entre ele e Cassandra Black, essa mesma moça tinha a mania de já se afirmar como uma Malfoy, mal sabia ela que Abraxas já tinha outra em mente, a bela senhorita Macmillan. Quando as aulas acabaram, como era comum entre algumas famílias de sangue-puro, acontecia uma espécie de migração e, para a grandíssima sorte de Abraxas, ele iria para a casa dos Macmillan .

—Seja bem-vindo, Abraxas. -Disse o senhor Macmillan . -Minha filha, sobrinha e alguns amigos estão na área de estar, tomando chá. Junte-se a eles.

Abraxas assentiu.

Foi necessária a ajuda de um elfo domestico para que ele chegasse ao local indicado pelo senhor, logo sons de risos foram ouvidos.

—Por favor, Alvo! -Exclamou Ambrosia, aos risos.

Assim que a porta se abriu por completo os meninos se levantaram, sendo acompanhados por uma Ambrosia sorridente. Os olhos de Abraxas varreram a sala procurando por certos fios avermelhados, Rose não estava ali.

—Senhor Malfoy. -Exclamou Ambrosia. -Seja bem-vindo. -Disse gentilmente.

Abraxas a olhou e, rapidamente, tratou de ir cumprimentar a senhorita, pegou-lhe a mão, gentilmente, despejando um beijo no peito da mão.

—Senhorita, é um imenso prazer revê-la. -Ambrosia sorriu e Abraxas virou-se para os meninos. -Senhores.

Alvo e Scorpius assentiram.

—Por que não se junta a nos? Estávamos esperando o senhor.

—Estavam?-Surpreendeu-se.

—Sim, claro.

—Vamos nos encontrar com Rose. -Se pronunciou, pela primeira vez, Scorpius.

Uma sala toda iluminada surgiu, as janelas estavam abertas, fazendo com que as cortinas voassem. Quando a porta se abriu, Rose pensou se um dos meninos, já que o tal tio nunca ficava muito tempo na companhia das damas. Todo aquela história tinha sido engraçada. Assim que a luminosidade criada pelo portal passou, Rose, Scorpius e Alvo estavam ali. Naquela mesma sala de chá que ela se encontrava.

O senhor Macmillan era um patente distante da família Weasley, outrora ele seria avô materno da mãe da avó de Rose, Molly. Então, foi fácil provar que nas veias de Rose havia traços do sangue dele. Mais fácil ficou pois certos parentes chegariam, por sorte, não foram. Rose se mostrou gentil e elegante, tal como, os meninos. Alvo adotou o nome Severo e o sobrenome da antiga ramificação da família Potter, Peverell. Scorpius ressurgiu a antiga casa também, eles se tornaram os irmão Peverell, com as pura e magia herança sanguínea. O senhor Macmillan logo cresceu os olhos para aquela oportunidade e os recebeu de braços abertos.

—Alvo? -Perguntou, já levantando a mão. -Estou aqui, venha. -Ela riu. -Sinta esse vento.

Aquilo soou como musica aos ouvidos de Abraxas e, sem poder se segurar ele andou até ele e pegou na sua mão. Para sua surpresa, Rose puxou a mão, levando o homem ao seu encontro.

—MERLIN! -Exclamou Ambrosia.

Os meninos correram ao socorro de Rose assim que ouviram seu grito.

A situação era a seguinte:

Abraxas estava todo esparramado em cima de Rose, o que só contribuiu para que o loiro caísse do sofá e a moça fosse com ele.

—Rose! -Exclamou Alvo.

A ruiva estava assustada, mas nem seu susto foi suficiente para conter sua risada.

—Alvo, ai está você! -Disse aos risos, segurando a mão do Potter e levantando-se. -Pensei que fosse você, menino de ouro. -Rose virou-se para Abraxas. -Senhor Malfoy, peço desculpas pelo transtorno, ocorreu apenas um equivoco.

Abraxas sorriu.

—Não se preocupe, senhorita.

Rose sorriu para ele, criando, sem perceber, uma bolha que os envolveu. Atração fatal.

—Rose. -Chamou Scorpius.