Paradoxo
27 And i love her
Notas iniciais
Ela desligou, tinha algo muito estranho acontecendo. O que será que tinha naquela sacola que ninguém podia ver, nem mesmo ela?
"Muito, muito estranho."
Tentou espantar um pouco a curiosidade, devia se concentrar nos seus afazeres. Se ele havia pedido que não abrisse, era porque era sério.
"Mas por que ele está querendo esconder de mim?" Mais uma vez essa ideia veio a mente dela.
– "Está tudo bem, doutor?"
"Sim, sim, ótimo. Só te peço uma coisa, Betty. Você faz?"
"Sim, faço o que o senhor quiser."
"Por favor, de jeito nenhum abra essa sacola, está bem?"
"Sim, claro. Mas o que tem nela, doutor, o senhor parece muito nervoso."
"Pelo amor de Deus, Beatriz, você não pode ver o que tem nela!"
"Eu não posso ver?" ela perguntou surpresa
"Ér, sim, ninguém pode ver, principalmente você. Quer dizer..." ele pausou nervoso "Betty, me prometa, você não vai abrir essa sacola. Está bem?"
"Doutor, é só uma sacola, não é?"
"Não abra, por favor."
"Está bem, doutor, se acalme. Eu não abrirei." -
De qualquer forma, era melhor falar com Cecília rápido, quase esqueceu disso. Pegou o telefone e discou o número do ateliê.
"Seu Hugo, aqui é Beatriz Pizón. Antes que desligue na minha cara, tenho que dizer que seu Armando está vindo para cá e quer dar uma atenção especial à Cecília Bolocco."
"E eu posso saber que tipo de atenção é essa?" Hugo falou debochado do outro lado da linha.
Mas não deu tempo para terminar a frase, Betty desligou o telefone.
Ela continuou sentada olhando para a sacola azul.
"Bendita sacola azul" ela falava enquanto censurava sua curiosidade mentalmente.
Foi quando Sara entrou na sala com alguns papeis.
"Olha, Betty, dê isso para seu chefe"
"Claro!"
"E ai, já descobriu o que tem na sacola?"
"Não, não, é melhor não abrir. Deixa isso ai. Seu Armando está chegando logo e pode nos pegar se ver que mexemos."
"É, mas você não tem curiosidade pra saber o que tem ai dentro?"
"Não." a amiga mentiu
"Ai, Betty, porque você não abre? Seu Armando tem toda a confiança do mundo em você. Acho que nem brigaria se você abrisse."
"Não, Sara. É melhor não."
"Ai, Betty, como você é estraga prazeres!"
Betty sorriu com a piada enquanto Sara saia da sala. Preferiu também ir para sua sala. Mas viu que a amiga tinha razão.
Armando confiava mais nela que em qualquer outra pessoa, mais que nos pais, mais que no melhor amigo, mais que na noiva. Que mal aconteceria? Provavelmente acabaria sabendo, já que poderia ser algo relacionado ao trabalho.
Ela resolveu ir até a sacola.
"O que tem ai dentro?" Pegou na sacola azul "não, é melhor não mexer." ela hesitou "Mas quer saber? Não deve ser nada demais."
E cedeu a curiosidade.
Abriu a sacola azul, tirando a fita que unia as alças. Achou estranho estar praticamente lacrada. Quando pode ver o conteúdo ficou surpresa.
"Ursinho? Caixa de bombons? O que é isso?" e riu. Olhou para os lados para ver se tinha alguém vindo e retirou um envelope amarelo de dentro.
Achou mais estranho ainda, mas não podia se segurar mais, já tinha ido até ali mesmo.
Tirou as duas folhas de papel que estavam dentro e passou a ler:
"Meu estimado presidente,
Aqui estão as instruções para que você possa continuar a sua rotina de horror com Betty.
Em primeiro lugar, você vai encontrar cartões que deverá continuar colocando sobre a mesa todas as manhãs, com os seus respectivos detalhes para sua mostrinha. E não vai esquecer que eu não vou estar por perto para fazê-lo. Escrever esses cartões foi mais difícil do que nunca, pelo menos nos anteriores, me contou o que acontecia na noite passada. Os tétricos beijos que dava nela, as suas palavras para fazer o horror, digo, amor com ela.
Cada detalhe do teu itinerário com medo, pelo menos me serviu para escrever algo. Então, esses cartões contêm sentimentos neutros, suponho que nesses dias vai ter que voltar a beijar e, provavelmente, dormir com ela.
De qualquer forma, aqui vai a poesia barata que a fascina. Poesia para feias apaixonadas. Como a monstrinha deve estar animado pela ausência de Marcela o mais certo é que vai estar esperando que você dedique a ela todas as noites, e têm razão para pensar assim. Mas cuidado, você deve ter cuidado, Marcela não vai se descuidar. Patrícia Certamente você vai seguir os seus passos e se você der razão Marcela vai querer cancelar o casamento, e você sabe melhor do que ninguém que esta é a última coisa a admitir. Que o casamento deve ser acontecer mesmo com ventos e tempestades.
Eu sugiro que você leve Betty, para o evento de amanhã, da Adriana Arboleda, não estranharão se ela o acompanhar. Tome alguns embelezadores, leve para a casa e se estiver inspirado o suficiente, se deite com ela.Sim, sim, sim, eu sei que o cara de mártir que deve estar fazendo ao ler isto. Mas você já não tem tanto horror de dormir com ela. Já está anestesiado. Ela vai ficar feliz e você vai ter alguns dias de folga. Ah, mas sim, eu não pague mais o meu apartamento, não senhor, você estragou o meu histórico! Até o porteiro falou como era feia era a mulher que levou no outro dia.
Por outro lado, meu caro doutor, o fato de que amanhã fique livre dela não significa que você negligenciar.
Mantenha a rotina de cartões e detalhes que estão aqui, pois Nicolás Mora continua atrás de Betty e da Ecomada, e eu não quero que quando eu voltar eu tenha a notícia de descuidou dela e a deixou ir com aquele cara, isso seria como ter-lhe dado empresa.
Espero, de coração, que esta semana seja menos horrível do que as outras que teve com ela, mas tenha sempre em mente o lema "Eu beijo a Betty para não perder a Ecomoda. Eu faço amor com a Betty para não perder a Ecomoda."
Pense que com cada beijo, com cada terrível carícia, Betty jamais nos aprontará alguma coisa
E por ultimo, te lembro que durante esses dias você tem que ser muito intenso, não só para manter a segurança da Ecomoda, mas você para que você faça ela maquiar os relatórios que deverão ser entregue ao Conselho. Irmão, ela nos tem nas mãos e se ela estiver hesitante em colaborar, feche os olhos, tome outros embelezadores, invente frases sensíveis e leve-a para a cama mais próxima.
É o que eu digo, não há ninguém mais feliz no mundo do que uma feia depois de fazer amor.
Bem, meu caro Presidente, sei que terminará de ler estas instruções completamente enojado, mas pense em uma coisa: Esse inferno não será para toda a vida. Você vai voltar a ser um homem feliz, rodeado de belas mulheres, quando ela nos devolver a empresa.
Animo Presidente.
atenciosamente,
Mario Calderon"
Betty não sabia o que pensar, o que era toda aquele enxurrada de ... já não conseguia pensar em nada além de mais um fracasso, mais uma vez se viu enganada;
Era uma idiota, como podia pensar que dessa vez seria diferente? Vivia tudo de novo, mas dessa vez era muito mais cruel.
Acreditou em Armando, acreditou que ele a amava. Como ele foi capaz de fazer aquilo a ela?
Ela jamais faria nada contra ele.
Totalmente desolada, ela pensava em meio a seu choro, e derrepente a porta de se abriu. Armando a viu jogada no chão do lado da mesa. Com o rosto vermelho e nas mãos, a carta que o entregou.
"Betty, não é o que você está pensando."
Ela não o respondeu, olhava fixamente para o chão, ainda chorando, destruída.
"Betty, isso tudo é mentira. Eu... eu..."
"Eu não estou pensando nada, doutor." ela disse chorando mais forte ainda.
"Mas me diga, isso é uma pegadinha não é doutor? Diga que sim, diga que é só uma brincadeira." ela pedia inconsolável.
Armando passou a chorar junto. Tentou abraçar Betty, mas ela o empurrou para longe.
"Me responda, doutor. Isso é só uma brincadeira, não é? Diga que sim!" ela implorava sem nem respirar, apenas chorava, seu olhar desolado fazia Armando sentir-se ainda pior.
Cecília Bollocco, entrou na sala, deparando-se com os dois no chão chorando. Armando se recompôs.
"Cecília, acho que agora não é uma boa hora. Eu peço desculpas e peço também que não diga a ninguém o que viu aqui. Está bem?"
"Sim, sim, claro. Eu não falarei."
Enquanto ele falava com a apresentadora, Betty se levantava e ia para sua salinha. Ao perceber, fechou a porta, e tentou abri a porta da caverna. Do outro lado ela só podia sentar-se na cadeira, extasiada, como ele pode ser capaz de fazer aquilo? "Betty abre essa porta, por favor!" "Saia daqui. Alguém pode ouvir sua gritaria." "Beatriz, eu preciso te exlicar." "Seu silencio foi o suficiente, doutor." Ela falou ainda chorando. Sussurrou "como o senhor pode fazer isso comigo?" Armando chorou, queria poder falar que amava ela, que aquilo era verdade e sentia-se muito mal por fazer aquilo com ela novamente.
"Beatriz eu tenho que lhe explicar tudo." "Agora não, doutor." Ela voltou para sua cadeira, pegando a sacola e a carta. Começou a ler tudo novamente. Enquanto isso ele saiu da sala correndo, em direção a sala da equipe de limpeza. Eles deveriam ter a chave. "Não precisa ir comigo, apenas me dê a chave. " Armando falou pensando apenas em como fez mal à Betty. No caminho de volta, Armando encontrou Catalina, ela iria falar com ele. "Armando, queria mesmo falar com você!" ela disse animada. "Agora não, Cata. Estou um pouco ocupado." "Está tudo bem? Você estava chorando?" "Eu? Eu não." ele falou limpando o rosto. "Se você não poder conversar comigo agora, tudo bem." "Sim, sim, nos vemos depois." ele falou antes dela terminar de falar.
Armando entrou na sala e pegando as chaves abriu a porta de Beatriz. "O que está fazendo aqui?!" Beatriz falou com raiva. Ele, tentando manter a calma, fechou a porta com as chaves. E se aproximou dela. Abraçou com força, mesmo com ela lutando dentro de seu abraço. "Saia daqui. Me deixa em paz!" ela gritava ferozmente juntando sua raiva as lágrimas que escapavam de seus olhos. "Betty, eu te amo, eu te amo!" "Então porque não disse que isso era mentira?" ela perguntou mais calma. "Infelizmente é a verdade." sua calma foi para longe. Irrompeu em choro novamente. "Porque não confiou em mim? Que provas lhe dei que não deveria confiar?
"Beatriz, me desculpe, eu quero te explicar tudo. Tudo o que aconteceu, por mais dificil que seja."
"Vocês dois fizeram isso? Como pode? Como pode, doutor." ela conseguiu sair dos braços dele, pegando sua bolsa e saindo da sala.
Ele gritou para que ela não fosse embora. Não resistiu, era sua culpa, sua culpa estar acontecendo tudo de novo, o sofrimento para os dois, e agora mais que nunca, ele a amava.
"Mais que sempre." ele sussurrou. Tirando do bolso interno do paletó um envelope.
"Eu não posso desistir agora. Ela não merece."
Ele foi atrás dela. Correu pela recepção perguntando sobre Betty. O quartel respondeu que ela havia saído de forma muito estranha, que parecia estar doente. Ele foi até a frente da empresa para acha-la. Mas enquanto descia, ela subia de volta para a presidência, com cópias da carta. Devolvendo à sacola a carta e os presentinhos que ficaram jogados na sala. Logo após dando para Sandra devolver para a sala de Mário, o pacote.
"Sandra, você poderia por de volta a sacola na sala do seu chefe?"
"Não é para o seu Armando?"
"Não, deve ser para o seu chefe, mesmo. Guarde e não fale a ninguém que ela esteve em minhas mãos."
"Está certo. E Betty, você está bem? Está com cara de doente." Sandra perguntou para a amiga.
"Não estou me sentindo muito bem, deve ser uma queda de pressão. Já pedi para seu Armando para voltar para casa. Já estou indo. Tchau meninas!" ela se despediu das outras secretárias do quartel que estavam por ali.
Ela se virou, olhando para o elevador. Claro que Armando pegaria ele, e a veria. Seria pior se o visse. Preferiu ir de escadas novamente. Indo para casa, agora destruída.
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