Paradoxo
28 "Hoje acordei sem lembrar se vivi ou se sonhei..."
Notas iniciais
Quando Armando voltou para seu escritório, não encontrou Betty. Estava desesperado, precisava conversar com ela. Mas na verdade, nem ele mesmo se perdoava pelo que havia feito: Pela segunda vez destruiu Beatriz Pizón Solano, a mulher que mais amou em toda a vida.
Precisava falar com ela, deixou tudo de lado para ir atrás dela, não queria sentir como na primeira vez em que ela fugiu dele. Saiu da presidência e foi até a casa dela.
Chegando lá, saiu rapidamente do carro, e se pôs a bater na forte.
"Quem está querendo colocar a porta a baixo?" o pai de Betty dizia enquanto abria a porta.
"Olá, seu Hermes!" Armando disse um pouco alterado, estava visivelmente nervoso
"Está tudo bem, seu Armando?"
"Sim, sim, eu só queria falar com sua filha. Ela está ai não é?"
"Sim, ... quer dizer, não, não está!" terminou falando firme para tentar convercer o chefe da filha.
"Por favor, seu Hermes, eu preciso falar com Beatriz. Por favor me deixe falar com ela."
"Desculpe, senhor Mendonça, mas ela não está para conversa. É só isso o que eu tenho a dizer. Tenha um bom dia e com licença." Ele falo enquanto fechava rapidamente a porta.
"Seu Hermes, abre por favor, eu preciso conversar com ela!"
Ele só pode ouvir o senhor gritando de dentro da casa: "Volte outro dia, ela não quer falar com ninguém, não entendeu ainda?"
Armando não podia perde-la novamente. Não podia deixar ela ir de novo. Estava arrasando, imaginava como ela estava também. O que será que havia dito aos pais? Será que falou que ele brincou com ela?
Estava desorientado, não sabia o que fazer. Sabia que não abririam a porta para que ele falasse com ele. Pegou seu carro rapidamente e foi até um bar. Não queria, mas estava de volta à rotina que mantinha quando ela se foi na primeira vez.
Por horas ali, depois de dezenas doses de bebida, queria sentir-se refugiado, queria não ter feito novamente o desgosto a sua Beatriz. Depois de muito tempo decidiu ir para sua casa. Ainda desorientado, o garçom pediu um táxi para leva-lo a apartamento. Havia virado um trapo.
No outro dia acordou com o sol em seu rosto, tentou sair
Sentia seu corpo doer, beber tanto não lhe fazia nada bem. Olhou no seu pulso o relógio. Estava muito tarde, ele precisava falar com Betty. Mas será que ela iria ou sairia da cidade de novo? Ele tentou se levantar, estava estranhando por não se lembrar de ter ido para casa.
Saiu da cama com muito esforço e sentindo dor em todo o corpo. Foi até uma porta, viu um vestido de Marcela.
"Mas que diabos está acontecendo aqui?!" ele tomou consciência que aquele não era seu quarto, não era sua casa. Será que o taxista falou com alguém que o mandou para o apartamento da noiva?
Ele se olhou no espelho.
Tocou seu rosto assustado, porque está todo ferido? Estava com o rosto todo machucado.
"O que aconteceu, meu Deus?" Foi até um outro vestido de Marcela que estava pendurado e ouviu a voz dela chama-lo.
"Armando, já acordou?" Ele abriu a boca assustado. O que ele estava fazendo no apartamento dela, e porque estava daquele jeito? Como se tivesse levado uma surra; "Aqui está seu café da manhã." Marcela entrou no quarto colocando uma bandeja sobre o criado mudo.
"Marcela?" Ele falou surpreso
"Sim, sou eu, lógico." e sem dar espaço, continuou "eu já tomei, se quiser, podemos nos ver hoje na Ecomoda. Você sabe que hoje vai ser um dia muito difícil. " e indo em direção ao closet, falou " Se você quiser se trocar, aqui está seu terno azul, o cinza e o preto. Suas camisas, meias e gravatas. E você pode levar todas as suas coisas, nos vemos na Ecomoda. Tchau." Falou secamente e foi embora.
Armando não tinha ideia do que estava acontecendo. Voltou ao banheiro
Definitivamente não sabia o que estava acontecendo, como foi parar ali? Só tina certeza de uma coisa: Devia encontrar Beatriz.
Mesmo sentindo dor por causa dos machucados, tomou um banho e se arrumou. Pôs um bom terno, gravata e calçou seu sapato que estava ali perto.
Estranhou também o fato de não estar ali sua pasta. Mas comeu alguma coisa, se levantou e foi para a empresa.
Ao chegar no estacionamento procurou seu carro e não achou. Falou com o homem responsável pela garagem do prédio e foi convencido de que não levou o carro na noite anterior.
"Seu Armando, o senhor chegou com a sua noiva." um homem de uns 30 anos falou.
"Está bem. Você pode chamar um táxi pra mim, então?"
"Sim, claro."
Em poucos minutos o táxi chegou e com dificuldades para andar, ele subiu até o andar da presidência. Atraindo os olhares de todos os presentes. Foi até a sala da presidência e ouviu vozes vindas da sala de reunião. Abriu a porta e viu que todos do Conselho estavam ali.
Principalmente sua mãe, ficou surpresa ao ve-lo daquela maneira. Supostamente ouviu o que Daniel dizia, reclamando de seu estado deplorável.
Sentou-se em uma das cadeiras, ia perguntar o que estavam fazendo ali, mas se lembrou do sonho, que agora estava muito confuso na sua cabeça. Será que tudo voltou a ser como antes? Ele não estava entendendo nada.
"Já que está aqui, tem alguma ideia para salvar a empresa ou veio só para defender a Beatriz Pizón?" Armando não estava acreditando; então foi de novo um sonho? Respondeu a Daniel, já que todos o olhavam.
"Eu não vim aqui para defender ninguém."
"Ah é? Essa já é uma ideia nova. Admite que entregou a empresa para aquela senhorita, que deve estar agora dilapidando todo nosso patrimonio?"
"Daniel, por que você não cala a boca? E eu duvido muito de qualquer coisa do tipo, Beatriz Pizón Solano, jamais, ouviu? Jamais faria qualquer uma dessas coisas. Ela não é como você, um mau caráter!" Armando desabafou e saiu da sala nervoso.
Seu pesadelo só continuava. Tudo tinha voltado a ser como antes. Mas mesmo tendo a chance de fazer algo por Betty, falhou outra vez, mesmo sendo um sonho ou algo parecido.
"Seria muito bom ter a chance de ter ela novamente comigo" ele falava consigo mesmo, estando sentado na cadeira de Betty. Se lembrava de como foi ter ela outras duas vezes por inteiro, foi muito melhor que na primeira. A fez mais feliz ainda. Seria bom se nada tivesse acontecido e continuasse feliz com ela.
"Voltas no tempo não existem, foi só um sonho maluco. Bom, um sonho muito bom, mas maluco." ele riu enquanto murmurava
Enquanto se perdiam em suas lembranças, Marcela entrou na sua sala e ficou o observando. Ele parecia feliz mas as vezes o seu semblante se fechava. Ele percebeu sua presença. Então ela disse:
"Olha, estão querendo abrir um processo contra Betty. Você precisa ligar para ela e traze-la. Está dado o recado." ela simplesmente falou e saiu da sala.
Ele sinceramente não queria que nada acontecesse à Beatriz. Sabia que ela tinha saído da cidade por culpa dele e por seu maldito plano. Discou o número já conhecido, quem atendeu foi a mãe de Betty.
"Alô, dona Júlia, aqui é Armando Mendonça."
"E o que quer?" ele estranhou ela falar de maneira grossa. Nunca viu ela tratando ninguém daquela maneira. Mesmo assim continuou.
"Dona Julia, eu queria dizer que o prazo, lamentavelmente terminou. A senhora sabe que nós todos convocamos a Betty. E ela não apareceu aqui. Eu fiz até o impossível para que isso não acontecesse. E eu me sinto na penosa situação de contar a senhora e a seu Hermes porque precisam dela aqui.
"Ah, sim? Querem ela ai para que?"
"Querem tomar decisões drásticas, entenda que preciso dela aqui."
"E o senhor agiu corretamente com ela? Foi o senhor que meteu ela nesse inferno!"
"Como?"
"O senhor sabe do que estou falando, fez ela criar aquela empresa de papel, fez ela se apaixonar. Brincou com ela! Zombou dela, deixou ela despedaçada."
"A senhora falou com ela?"
"Não, não foi preciso falar com ela pra saber em que estado o senhor a deixou. E se fez alguma coisa indevida foi por sua culpa, ouviu? Eu não admito que fale com meu marido, que venha com mentiras, para pertubar a paz dele. Já que eu acredito que o senhor vá falar primeiro que ela roubou a empresa de vocês. Ou será que o senhor vai ter o descaramento de dizer tudo o que fez com ela."
"Olha dona Julia, eu sei que Betty jamais faria isso, e sei que ela sente raiva de mim, mas eu tentei explicar a ela. Dizer o que sinto de verdade. Mas ela não apareceu aqui, só mandou o Nicolas e isso não resolve. Para evitar qualquer problema, eça tem que estar aqui!"
"Não, senhor, o que tiver que falar, fale com Nicolas. Ele está reunido com os advogados agora, ligue para ele. E não volte a ligar para minha casa, nos deixe em paz!"
"Senhora, é preciso ter ela aqui."
"Não admito que o senhor ligue para casa para falar com meu marido que tem uma visão excelente da filha. O senhor mesmo achou este problema, pois que resolva!"
E então desligou o telefone. Armando sentiu sua dor de cabeça piorar.
Logo após Mário entrou na sala.
"Escuta gladiador, quantos leões você matou hoje?"
"Eu bati contra o mundo."
"Está bem."
"Olha, eu falei com a mãe da Betty. E ela sabe de tudo."
"Como?"
"Como eu não sei. Mas ela não quer que falemos com o Seu Hermes."
"Mas você sabe que precisamos dela, e de como ela tem medo do pai."
"Você quer o que? Que eu vá falar com seu Hermes e contar tudo? Até sobre nosso romance?"
"É, vendo desse jeito, parece errado."
"Claro, que é. Prefiro falar por via legal."
Mesmo com o amigo no lugar ele se perdeu nos próprios pensamentos, era tão real te-la ali, sentia tanta falta dela.
"Está tudo bem ai, amigão?"
"Sim, sim. Só estava pensando..."
"Sobre Marcela?"
"Não, sobre a Betty."
"Bom, eu acho que você deveria pensar mais na Marcela. Dá pra ver que ela o ama muito ainda, foi buscar você no bar, não foi, ontem?"
"Eu acho. Estou um pouco confuso."
"Sobre voltar pra ela?"
"Não, sobre como fui parar na casa dela! Sobre ela, eu sinto muito que ela sofra, mas não posso alimentar isso. Eu não posso ficar sem Beatriz."
"Você acha mesmo que o melhor seria deixar a Marcela, a mulher bonita, elegante, sofisticada, que te ama para trocar por uma Betty, a feia, sem classe e que te traiu?"
"Olha, Calderón, talvez ontem eu me sentisse traído, mas hoje, depois dos últimos dias, ou do ultimo sonho eu tenho certeza que ela só está magoada. Ela sim merece se sentir traída."
"Mesmo ela fugindo para provavelmente roubar a empresa da sua família e dos Valencia?"
"Ela jamais faria isso, eu a conheço muito bem. O mau dela foi me amar, e quando ela voltar, seja quando for, eu quero retribuir, dizer que estou disposto a pedir perdão por tudo o que provoquei."
Armando ficou ali durante horas conversando com Mário, as vezes o amigo ofendia a ex- assistente e prontamente Armando a defendia. Precisava dela, o mais urgente possível. Claro que para salvar a empresa, também, mas senta necessidade de te-la por perto. Várias vezes confessava essa mesma frase a si mesmo. Era impossível ficar sem Beatriz Pizón.
Os dias que viriam seriam muito duros, no dia seguinte, para tentar manter a empresa sobre os cuidados das famílias que a criaram, o próprio Roberto, pai de Armando e fundador, resolveu conversar com o pai de Betty, contar o que estava acontecendo e pedir cooperação da parte deles.
Voltando para a empresa com a notícia que no outro Beatriz chegaria a cidade, e que viria a empresa para tentar convence-la.
Falando em frente à todos do conselho, Marcela foi a que mais se alterou, na verdade pensava em Armando. De como sabia que ele estava mal por conta de Betty.
Mas ela não foi a unica, a mãe de Armando também sabia sobre a amante e sentia-se pior por saber que Armando ainda era apaixonado pela mesma mulher que ela detestava por ter roubado a empresa que seu marido fundou.
Armando mal podia se conter, mas fazia isso por Marcela e sua mãe, as respeitava, mas mesmo contra elas, não podia ficar sem Beatriz.
Faltava menos de 24 horas para ver sua amada Betty novamente, saiu cedo da empresa para comprar roupa nova, um novo perfume. Queria estar incrível para a sua Beatriz.
Na noite anterior pegou suas roupas do apartamento de Marcela, ficava triste por decepciona-la, mas precisava ser egoísta, senão mais uma vez tomaria a decisão errada, e continuaria infeliz.
Agora, com a chegada de Beatriz a cidade, sentia-se mais animado, alegre, logo a teria. Ah, como queria. Era o que mais desejava.
Já era quatro da tarde, Betty demorava demais. Ela viria para conversar com Roberto, mas ele devia de alguma maneira falar com ela.
Mesmo que ela não estivesse pronta, precisava ao menos pedir perdão, dizer que a amava.
Patrícia entrou na sala de reuniões dizendo que Betty estava na frente da empresa querendo falar com Roberto.
"Mas claro que eu não a deixei antes que falasse com o senhor, seu Roberto."
"Mande-a entrar, Patrícia. Estou esperando ela, diga para ela ir até a presidência."
"Até a presidência?" Patrícia falou assustada, Patricia era melhor amiga de Marcela, ex-noiva de Armando por que ele foi roubado por uma mulher feia.
"Sim, Patrícia, vá logo!"
Contrariada ela se foi e Roberto se dirigiu até a presidência. O tempo nunca passou tão devagar para Armando. Devem ter passado pouco menos de meia-hora, mas para ele foi como um dia inteiro. Estava aflito tanto para saber se ela ajudaria e permaneceria com ela a possa da empresa até eles se recuperarem da crise. Mas acima de tudo, queria falar com ela.
Todos podiam ver que estava inquieto, porém, nem todos sabiam que ele mantinha uma relação com Betty, a feia.
Em certo momento, o pai de Armando voltou para a sala de reuniões.
Daniel logo o questionou:
"Ela aceitou ficar com a empresa mais seis meses?"
"Sim. Está vindo para cá. Querida, chame Marcela." ele falou se dirigindo a sua esposa.
Por mais minutos incontáveis, Armando ficou ali lembrando da ultima vez que se beijaram de verdade, e das vezes que ficou com ela no suposto sonho.
Marcela enfim chegou a sala, perguntando logo por Beatriz, carregando desprezo em sua voz; a odiava por ter entrado no plano macabro, onde acabou ficando com a empresa que seus pais fundaram juntamente com os pais de Armando. Mas seus pais haviam morrido e ele e seu irmão Daniel, assim como a outra irmã, Maria Beatriz, ficaram sob os cuidados dos Mendonça.
Ainda perdido em suas lembranças, Beatriz chegou na sala de reuniões. Lentamente disse:
"Boa tarde."
"Sente-se, Betty." Armando virou para olha-la e assim como os outros ficou surpreso ao vê-la.
Mudou seu visual, estava mais bonita que antes, Armando pensava. Mas não falou nada, só queria conversar com ela depois e mal via a hora daquilo terminar.
Acertaram o que fariam com a Ecomoda e o plano do advogado em deixar sobre o comando de Betty por mais seis meses até recuperarem e pagarem todas as dívidas adquiridas durante a presidência de Armando.
Aos advogados entrarem no consenso e virem que o melhor seria Beatriz tomar a frente das duas empresas, a Ecomoda e a que estava em seu nome.
Marcela logo negou, declarou que jamais entraria ali enquanto Beatriz continuasse.
Betty saiu com pressa da sala, estava um pouco envergonhada e preocupada em continuar naquele lugar que tinha tantas más lembranças.
Roberto Mendonça foi atrás dela, Armando foi logo em seguida. Viu que o pai entrou na sala da presidência e esperou até que terminassem de conversar. E então entrou na sala, teve que se revestir de coragem, seria muito dificil ter um não da mulher que amava.
Quando ele entrou, Roberto saia da sala e Beatriz estava de costas para a porta, ao telefone falando com alguém de sua casa. Ele pôs sua mão sobre o ombro dela. E a chamou:
"Beatriz?" Ela paralisou no mesmo momento e terminou a conversa que mantinha com Nícolas e sua mãe.
"Doutor, acredito que devemos conversar apenas com o conselho presente."
"Não diga isso, Beatriz, eu preciso falar com você."
"Agora não é mesmo, o momento, doutor Mendonça!" ela firme, saindo de perto dele.
"Volte aqui!" Ele a segurou pelo braço, puxando para um abraço.
"Eu sinto muito, Betty. Me perdoe, por favor. Eu a amo de verdade!" Ela olhava para ele com os olhos marejados.
Mas a cena foi cortada quando Mário entrou na sala chamando os dois para irem até a sala de reuniões, com o Conselho. Fingido que não havia visto os dois juntos. Ele sabia que o amigo não permaneceria muito tempo quieto com Betty por perto. E agora que ela estava mais bonitinha, menos ainda.
Na visão de Mário, agora ele tinha uma desculpa a mais para tentar ficar com Beatriz.
Ao chegarem todos na sala com o Conselho, perceberam que Betty parecia nervosa, e principalmente Marcela, notou que Armando não parava de olhar para a mulher. Aquilo a deixava muito triste, além do preconceito de ser trocada por uma mulher feia, sentia-se mal por ter perdido alguém com quem tentou manter uma relação por anos, e quando finalmente conseguiu faze-lo aceitar casar-se com ela, apareceu Beatriz Pizón Solano. Definitivamente, a detestava por ter conseguido em pouco tempo o que em anos ela mesma não pode fazer: Ter Armando.
Ao acabar aquela reunião, e Marcela completamente enojada por estar naquela situação e ter que aceitar Beatriz ali por mais seis meses, assim como a mãe de Armando, preferiram se retirar.
Betty tentou ir embora, mas antes que saísse da sala, Armando o seguiu, deixando os outros homens na sala, que saíram lentamente após eles.
"Beatriz, por favor. Me dê alguns minutos."
"Doutor, é melhor não. Não quero causar mais desentendimentos.
"Vamos até a presidência, por favor?"
"Doutor, eu não quero." ela continuou relutante.
"Por favor, Beatriz, eu preciso!" ele falou de uma forma que ela se sentiu-se impulsionada a ir, o olhar dele mostrava que ele era sincero e realmente precisava falar com ela.
"Doutor, eu vou. Mas nada além de alguns minutos, por favor!"
"Tudo o que você quiser, Beatriz!" ele falou alegre, era como se ela o aceitasse de volta.
Ela tomou a frente e entrou na sala da presidência.
"Sente-se."
"Não irei demorar, obrigada."
"Beatriz, primeiramente eu lhe devo desculpas. Você saiu daqui e eu não pude lhe dizer..." ela o interrompeu:
"Sobre o seu plano sinistro, doutor?" ele suspirou após ela lembrar do plano.
"Também, eu quero te pedir perdão. Eu sei que fui um crápula, um imbecil, idiota por fazer tudo aquilo por causa da empresa, mas eu quero que saiba que..."
"Não precisa disso, doutor, eu já o perdoei." ela falou de uma vez só e continuou calmamente: "Essa viagem me fez muito bem, eu precisava esquecer um pouco tudo isso."
"Eu me sinto feliz em saber que você me perdoou." ele disse com uma expressão triste, claro que estava contente, mas ela falou de forma tão fria, que praticamente deixava claro que não queria voltar com ele.
"E eu sei que você ficou muito mal ao descobrir."
"Por isso achou que eu ia roubar a empresa?"
"Eu não tinha dúvidas quanto a sua honestidade, mais que ninguém eu sei o quanto me amou e que jamais faria isso."
"Não pareceu, doutor." ela falou séria.
"Olha, Betty, eu quero que você saiba que mesmo com todo esse maldito plano, eu me apaixonei por você. Eu estava muito dividido, é verdade, mas quando você se foi, eu pude ver o quanto você era importante e o quanto eu a amava."
"Já chega, doutor!" ela tentou escapar da sala, mas não deu mais que dois passos.
"Beatriz, por favor, se um dia você me amou, fique."
"Agora você entende que eu o amei não é? Que eu daria minha vida pelo senhor, mas o senhor só me usou. Eu não entendo como duvidou de mim. Mas eu paguei por ter caído em seu jogo. E eu acho que o senhor também está pagando por isso."
"Sim, eu estou." ele falou tristemente. Ela se virou para ir embora, ele quase não tinha forças, tinha vontade de chorar ali mesmo. Não queria deixa-la ir.
"Beatriz?"
"Sim?" ela se virou para ele.
"Eu te amo, de verdade, só quero que você saiba." Ele se aproximou ao falar cada palavra, estava a centímetros dela. Ela abaixou a cabeça, não conseguia olhar para ele sem desejar beija-lo. Queria resistir mas era difícil.
A sua mente vinha todos os momentos bons que passou ao lado dele, e sua vontade de toca-lo novamente era maior que ela. Quase a sufocava,
Foi tão fácil se apaixonar por Armando Mendonça, e mesmo no meio do pesadelo que ela viria a descobrir, ele também se perdeu naquele jogo, jogo de sentimentos, ele também gostou dela. O tempo passou e ainda vivia um sonho, seu amor se tornou cada vez maior. O amor foi tão grande que ela deixou se levar e foi apunhalada por ele.
Ela sabia o que era melhor para ela. Então cedeu a seu desejo e entregou à ele um beijo, um pequeno beijo. Tinha medo, mesmo assim ela quis.
Eles se beijavam calmamente, demonstravam o amor que sentiam um pelo outro a cada segundo que estavam ali juntos. Mas ela quebrou o momento. Saiu depressa da sala. Deixando um Armando mais feliz que nunca.
A amava mais que nunca.
"Mais que sempre." ele sussurrou, sorrindo de lado. Estava mais feliz que nunca. Ela ainda gostava dele.
Minutos depois, em um táxi, Beatriz retirava de sua bolsa um envelope. E pela milésima vez lia o seu conteúdo:
"Minha Betty,
Mais uma vez, eu te magoei, eu sinto muito. Tive a chance de mudar isso e faze-la feliz. No entanto, não aproveitei.
Gostaria que você soubesse, eu me apaixonei sem querer, de verdade, era quando menos eu esperava. Acho que foi seu jeito, sua forma de ser: tão Betty. Não seu corpo, sua beleza, mas seu coração.
Me apaixonei de verdade, mesmo que não acreditem em mim.
Não sou perfeito e nunca quis fazer nada a você. Aceitei fazer coisas erradas mas eu tenho que te dizer mais uma vez: eu te amo, Beatriz, como nunca amei ninguém. Você foi a razão para eu mudar quem eu era. A razão para eu tentar tudo de novo, e mais uma vez eu falhei.
Gostaria de estar com você o resto da minha vida, mas não a mereço. Queria que um dia você entendesse que mesmo que se repita mil vezes, mil vezes a amei, e continuarei amando,
seu Armando."
Fim?
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