Para todo Sempre
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Já havia se passado dois dias desde a minha chegada ao futuro, e até agora não percebi nada anormal por aqui. E eu Sasuke Uchiha sou muito observador, por mais que agora eu seja Ayato, ainda sou eu.
Sakura é uma escritora e teve quatro livros publicados que fizeram grande sucesso, ela disse que seu local de trabalho é em casa e por mais que tenha tido Sarada muito jovem isso não lhe atrapalhou, pois teve muita ajuda dos seus pais e da sua sogra, assim só precisa comparecer as reuniões da editora, podendo assim trabalhar em um dos escritórios da casa, que contém dois, o outro é do Sasuke.
Este eu acabei descobrindo, com ajuda da tagarelice da Sakura, que trabalha na empresa do irmão, como sempre ele me ajudando. Ele começou a trabalhar lá com dezoito anos, como ajudante do irmão e agora, depois e formado, é um dos diretores administrativos e por isso está sempre em viagens a trabalho, mesmo que o irmão seja contra o excesso das mesmas.
E foi ao ir descobrindo essas informações que eu comecei a me questionar se tudo o que estava acontecendo era correto e se essa tal missão era real, afinal, apesar de eu ter me casado com a Sakura, tudo estava bem para mim e não tinha do que reclamar.
— Ayato pode atender, por favor – escuto a Sakura dizer da cozinha.
Eu estava tão perdido em meus pensamentos que não ouvi a campainha tocar. Rapidamente tratei de me levantar e ir até a porta, e ao abri-la tive uma grande surpresa.
— Bom dia! A Sakura está em casa?
Parada bem ali na minha frente estava a minha mãe, com os cabelos um pouco mais curtos, os olhos escuros como os meus agora possuíam marcas da idade, no entanto eles ainda tinham aquele olhar sereno e em seus lábios continha um sorriso gentil.
— Na cozinha – foi tudo o que eu consegui dizer e me afastei para que ela pudesse entrar.
—Com licença! – ela entrou e eu fechei a porta – você é o primo do Sasuke não é mesmo? – virou-se para mim.
— Sim, sou eu, me chamo Ayato – eu disse.
— É um prazer conhecê-lo. Eu sou a Mikoto, a mãe do Sasuke – ela se apresentou.
Eu esboço um fraco sorriso enquanto percebo que ela está parada me analisando com um pequeno sorriso no rosto, o que estava me deixando sem jeito. Mas este momento logo é quebrado por Sakura que entrou na sala me fazendo agradecê-la mentalmente.
— Mikoto! – Sakura disse com um largo sorriso no rosto – fico muito feliz pela sua visita.
— Ora Sakura, a minha maior alegria é vim visitar você e a minha neta – e ainda com um sorriso no rosto virou-se para mim – e hoje ainda tive a felicidade de conhecer esse rapazinho.
—Humm! – murmurei e ergui uma sobrancelha.
— Ele não é de falar muito – Sakura disse em tom de desculpas.
— Assim como o Sasuke era – a senhora a minha frente diz e percebo seus olhos se desviarem de mim e mirar um ponto vago no chão. Seu sorriso antes gentil deu lugar a uma linha cujas extremidades estavam sutilmente repuxadas para baixo. E suas sobrancelhas fizeram um movimento quase imperceptível como se sua mente vagasse a quilômetros de distância.
— E a escola? – ela se sobre salta ao ouvir a voz de Sakura – As crianças continuam dando muito trabalho a você?
— As crianças – ela sorri em meio ao suspiro – em alguns momentos elas até que são bem comportadas.
Sakura estende um braço e o coloca em torno dos ombros de Mikoto e a encaminha em direção a cozinha. Nesta hora percebo que se eu quiser saber mais coisas e entender melhor essas pessoas eu terei que ir buscar as respostas que quero pois elas não irão cair na minha frente.
Assim sendo, eu caminhei até a sala e abaixei em dois números o volume da televisão, fui até o chiqueirinho no canto da sala e verifiquei que o bebê continuava dormindo profunda e despreocupadamente. Era hora de agir. Bem devagar eu retirei os meus chinelos e empurrei-os para o canto, e na ponta dos pés me dirigi a cozinha.
Cheguei perto do portal da cozinha e sem fazer ruído algum eu me sentei e em coloquei a escutar a conversa de ambas, sim, eu sei que é errado o que eu estava fazendo, mas eu queria entender, eu precisava entender. Fiquei ali cerca de vinte e cinco minutos até que a mãe do Sasuke resolveu por fim perguntar.
— E como vão as coisas entre você e o Sasuke? – foi possível notar certo receio em sua voz ao fazer esta pergunta.
— Estamos melhorando – ela fez uma pausa e eu pensei que ela não fosse continuar, mas eu estava enganado – nos últimos dias ele tem chegado não tão depois do jantar e neste mês ele não teve nenhuma viagem.
— E sobre a ... – Sakura a interrompeu.
— Não notei nada estranho – seu tom de voz tornou-se seco – nada neste último mês, sem olhos vermelhos, nenhum cheiro diferente ... sempre perfeito – Sakura disse num tom irônico.
— Mas isso não quer dizer que ... – a mulher mais velha insistiu de forma triste, mas Sakura a cortou.
— Eu sei – ela disse com amargura na voz que também transmitia dor.
Enquanto isso eu estava ali, sentado ao lado da porta, eu ouvia toda a conversa e procurava entender o porquê delas estarem falando do meu eu do futuro desta maneira. Por que suas vozes estão tão tristes? Para poder entender sobre o que estavam falando voltei a prestar atenção.
— Como você o encontrou naquele dia? – a senhora perguntou a Sakura – e-eu ainda não tinha tido a chance de te perguntar.
Ouvi Sakura suspirar pesarosamente.
— Foi em uma quarta- feira, Sasuke disse que não era para esperá-lo para o jantar. Eu tinha uma reunião marcada com o pessoal da editora na parte da tarde, por isso levei Sarada comigo, depois fomos ao parque, quando cheguei em casa já era por volta das sete horas da noite, com o passar das horas coloquei Sarada para dormir e fiz o mesmo. Por volta das onze horas da noite acordei assustada com o toque do telefone. Era de um bar do qual eu não lembro o nome – ela faz uma pausa e posso ouvi-la suspirar novamente – era um dos funcionários, ele se chama Kiba, ele disse que o Sasuke havia bebido muito e que estava arrumando briga com os outros fregueses e me perguntou se eu poderia ir buscá-lo, pois nas condições em que ele estava de modo algum poderia dirigir.
Houve um minuto de pausa e em seguida foi possível ouvir um barulho abafado e distante que descobri ser o liquidificador. Logo deduzi que ela havia se afastado para que o barulho não despertasse a pequena que dormia tranquilamente na sala de estar. Mas logo em seguida ela continuou.
— Sendo assim eu liguei para a Ino para que ela viesse ficar com a Sarada, quando ela chegou eu fui até o endereço que Kiba me passou. Quando eu cheguei logo encontrei o rapaz que me levou até onde o Sasuke estava. Eu fui levada até o fundo do bar e o encontrei deitado em um dos sofás – sua voz tornou-se mais aguda e foi possível perceber o quanto lhe doía falar sobre isso – quando olhei em seu rosto havia um corte em seu lábio inferior e na lateral de sua testa havia um inchaço vermelho. Eu tentei acordá-lo para que pudesse ir para o carro e quando o fez ele me reconheceu em um momento de lucidez, se levantou e me abraçou e me deu um beijo onde pude sentir o gosto variado do que ele tomou. Apesar das dificuldades Kiba e eu conseguimos colocá-lo dentro do carro para que eu o trouxesse. Ele dormiu todo o percurso e quando chegamos Ino me ajudou a levá-lo para dentro, apesar de todos os xingamentos a que ele lhe desferia.
Agora foi a vez de escutar a Mikoto do futuro suspirar.
— Não quero que você passe pelas mesmas coisas que eu passei enquanto ainda era casa com o pai dele – a senhora diz com tristeza na voz.
— A senhora não deve se preocupar tanto – Sakura diz com a voz neutra – Sasuke não é igual ao senhor Fugaku.
— Eu sei ... mas ... ele ... ele pode – a mais velha diz com a voz quebrada e falha.
— Mikoto – Sakura disse seu nome com determinação – Sasuke e Fugaku são pessoas completamente diferentes – ela afirmou – Sasuke jamais levantaria um dedo contra mim ou a nossa filha. Além disso, eu posso me proteger, mas eu garanto que não será necessário.
— Você é ainda é tão jovem – Mikoto se lamentou – tem um bebê pequeno para cuidar – sua voz estava cansada e infeliz – é bem mais jovem do que eu quando os problemas começaram para mim.
Os soluços podiam ser ouvidos, e a dor que eles transmitiam, fazia com que algo se quebrasse dentro de mim.
— A culpa foi minha – a senhora concluiu – naquele tempo eu fiquei focada demais na minha própria dor, que não me questionei sobre como isso o afetaria, o que ele sentia – ela soluçou em meio ao choro – se eu tivesse sido uma mãe melhor.
— Ei, você é uma ótima mãe, criou dois filhos maravilhosos e que são pessoas e profissionais talentosos – Sakura afirmou – se o Sasuke é assim, isso é apenas um ... – algo a interrompeu.
De repente ouço um choro vindo da sala e percebo que a pequena Sarada acordou. Minha atenção é novamente atraída para a conversa na cozinha a tempo de escutar a Sakura.
— É parece que alguém está chamando – a jovem mamãe disse risonha.
— Pode deixar. Eu vou lá pegá-la – disse a Uchiha mais velha.
Neste momento pode ser ouvido o barulho de cadeiras arrastando, e eu logo me levantei e somente deu tempo de ouvir uma última coisa antes que eu corresse até a sala de estar.
— Mikoto – Sakura chamou – você é uma mãe incrível – ela afirmou.
E assim eu corri.
Cheguei mais que depressa e me joguei no sofá e fiquei todo desajeitado. Alguns segundos depois a Mikoto entra na sala e pega a garotinha – que já havia parado de chorar no momento em que eu entrei – mas que continha as bochechas, olhos e nariz avermelhados pelo choro.
Quando ela se abaixou para pegá-la notei que seu rosto estava um pouco vermelho pelo fato de ter estado chorando antes. Mas quando se ergueu novamente já com o bebê nos braços, me lançou um sorriso meigo e sereno.
— Ayato querido – ela diz voltando-se para mim – venha, o almoço já está pronto – em seus olhos foi possível vislumbrar o brilho das lágrimas que antes estiveram ali.
— Estou indo – eu disse do meu modo indiferente.
Quando cheguei a cozinha Sakura e Mikoto já estavam sentadas à mesa, e Sarada como sempre estava em sua cadeira fazendo a maior bagunça.
Depois de me servir sentei-me e me prontifiquei a observar a cena, as duas mulheres entretidas em uma conversa animada, que nem pareciam às mulheres chorosas de mais cedo, e em seguida virei-me para a bebê que cantarolava uma música em sua linguagem estranha e parecia alheia a tudo enquanto fazia isto.
Voltei meus pensamentos para a conversa de mais cedo, mais especificamente para o que diziam sobre o meu eu do futuro. Eu não conseguia acreditar no que elas disseram.
* * * * * *
Passado o almoço, Mikoto não ficou por mais tempo, disse que daria aula na parte da tarde. Disse que agora que nos conhecemos quer muito conhecer os meus pais quando meu pai estiver melhor.
A parte da tarde passou tranquilamente. Sakura disse que Sarada tinha uma consulta marcada e que de lá iria para uma reunião do trabalho e por isso demoraria um pouco para chegar, deixou um lanche pronto caso eu sentisse fome, mas que com certeza estaria aqui para fazer o jantar.
Minha tarde foi passada alternando entre ficar deitado no sofá não fazendo nada e conhecer a casa. Tentei entrar no escritório do Sasuke, mas o mesmo estava trancado, somente o de Sakura se encontrava aberto e era tão incomum quanto ela com estantes que iam do chão ao teto, repletas de livros, nas paredes tinham quadros com cores bastante chamativas, ainda continham diversos tipos de cactos em miniatura, enfeites e fotos entulhavam a sua mesa, fotos de Sarada, do seu casamento e uma dos três juntos.
Dei de ombros para tudo aquilo e caminhei em direção a uma das estantes e enquanto olhava os títulos das obras eu me deparei com um dos livros de Sakura, como não tinha nada melhor para fazer, o peguei e fui lê-lo na sala para saber sobre que tipo de loucuras ela escreve.
O restante da tarde eu fiquei lendo o livro que por mais incrível que pareça estava realmente bem divertido.
* * * * * *
Sakura chegou por volta das seis e quinze da tarde, e eu estava no banho quando escutei o barulho do seu carro. Depois de chegar quase a metade do livro resolvi tirar um cochilo, e acordei umas cinco e quarenta da tarde.
Depois de devidamente trocado, desci até a cozinha para encontrar as duas. Ao entrar lá me deparei com Sarada sentada no chão da cozinha com um pratinho rosa em formato de urso repleto de uvas roxas, ao me notar ela colocou uma uva na boca e deu um daqueles sorrisos contendo poucos dentes. A mesa da cozinha tinha algumas sacolas de compras e Sakura estava guardando algumas coisas no armário.
— Precisa de ajuda? – eu me pronunciei.
— Ah! – exclamou virando-se para mim – não, obrigada são apenas poucas coisas, continuou guardando – disse – a reunião terminou em uma boa hora e eu passei no supermercado – ela terminou de guardar as compras e se virou para mim – espero que não tenha ficado entediado.
— A tarde passou bem rápida, na realidade eu dormi boa parte dela – de jeito nenhum eu iria dizer a ela que eu estou lendo um de seus livros.
— Eu vou dar um banho nesta mocinha – olhou para a pequena no chão – e vou tomar um também e já venho para preparar o jantar.
Ela pegou o bebê e se dirigiu as escadas e eu fui para o meu quarto ler um pouco mais do livro.
Na hora do jantar eu me coloquei a pensar sobre algo que eu havia deixado de lado sem dar a devida importância, ali sentado a, mas junto delas eu olhei para a cadeira que fica na cabeceira da mesa, a cadeira em que Sasuke Haia sentado apenas no dia em que eu cheguei. E este era o ponto, ele não viera jantar em nenhum dos outros dias que eu estou aqui. Eu não voltei a vê-lo desde aquele dia.
O único jeito que eu sei que ele está em casa é que às vezes eu acordo com o barulho dele chegando de carro e quando olho o relógio bem tarde da noite.
— Onde está o Sasuke? – eu perguntei a interrompendo de alimentar a bebê.
Eu pude perceber que ela se assustou um pouco com a minha pergunta.
— Ele ... ele tinha uma reunião hoje, por isso vai chagar mais tarde – ela tenta sorrir mas falha.
— Não estou falando sobre hoje – ela olha para baixo – ele ainda não apareceu para o jantar nos dias que eu estou aqui – olhei diretamente para ela.
— O ... – ela passou a língua pelos lábios em sinal de nervosismo — o trabalho dele é um pouco complicado e exige muito tempo dele.
— Tanto tempo que não pode nem vir jantar com a família? – perguntei direto e amargo.
Ela fitou-me com suas grandes esmeraldas brilhantes, ela abriu a boca como se fosse dizer algo, mas nenhum som saiu, seus olhos baixaram para a mesa e seu lábio inferior tremeu quase imperceptivelmente, mas isso não passou despercebido sob meu olhar atento.
— Desculpe – não é do meu hábito me desculpar mas aquela imagem de seus olhos tão tristes e vazios fez algo doer dentro do meu peito e só consegui pensar que eu queria ver um sorriso naqueles belos olhos.
— Esqueça – ela sorriu minimamente para mim e voltou a alimentar a pequena Sarada e eu voltei ao meu jantar.
* * * * * *
Acordei sobressaltado com um estrondo vindo do andar de baixo. Sentei-me rapidamente na cama e me coloquei em alerta. Levantei-me da cama e caminhei em direção a porta, nem me preocupei em calçar alguma coisa. Abri delicadamente a porta do quarto e caminhei em direção de onde vinham as vozes. Enquanto andava pelo corredor e ia me aproximando pude reconhecer as vozes como de Sakura e Sasuke.
Eles estavam na sala pela distância do som, passei pelo quarto da bebê e fechei a porta para que ela não acordasse por causa do barulho, já que seu quarto ficava bem acima da sala. Cheguei até a escada e posicionei de um modo que eu conseguia vê-los mas eles não conseguiam me ver e as vozes estavam ainda mais altas, Sasuke andava de um lado para o outro perto da lareira e Sakura estava em pé ao lado do sofá.
— E o que ela veio fazer aqui? Com certeza se juntaram para falar mal de mim – Sasuke disse alterado.
— Não é nada disso – Sakura gritou – ela veio visitar a Sarada.
— Você não acha que essa desculpa já esta ultrapassada – ele usava um tom irônico.
— Desculpa? É isso que você acha? – questionou.
— Sempre que ela vem aqui vocês começam a falar sobe mim, e no outro dia meu telefone não para de tocar e ela vem querer me dar lição de moral.
— Ela se preocupa com você, com Sarada, conosco – ela argumentou.
— Não preciso da preocupação de vocês, já não basta no trabalho onde Itachi não para de falar no meu ouvido, dentro da minha casa eu quero paz – ele caminhou até uma prateleira de onde tirou um como e uma garrafa.
— Mas nós não incomodaremos você, só queremos que venha jantar em casa, passar os finais de semana com a gente, nós somos sua família Sasuke.
Eu nunca havia visto Sakura ficar tão nervosa daquela maneira, e como ele podia ser tão frio para com ela.
— Você sabe que não deveria beber isso não te faz bem – ela tenta se aproximar – A sua mãe ela quer fazer um jantar em família e quer que você vá.
— Hum – ele disse tomando um gole da bebida.
— O seu pai – ele a corta.
— Não mencione o nome dele aqui – ele rugiu e eu fiquei com medo, parecia uma fera.
— Ela quer convidá-lo também – ela diz.
— Calada – ele grita e lança a ela um olhar cheio de raiva.
— Ele é seu pai – ela tenta mais uma vez.
— CHEGA – em um rápido movimento ele lança o copo na parede e se estilhaça em vários pedaços e mais rápido do que eu pudesse raciocinar ele se lançou sobre Sakura e a sacudia pelos dois braços – eu mandei você calar a droga da sua boca.
Eu não consegui acreditar no que eu estava vendo, ele iria machucá-la se eu não fizesse alguma coisa. Rapidamente tive uma idéia e me levantei indo pelo corredor, entrei no quarto da Sarada e comecei a chacoalhá-la para que ela acordasse e começasse a chorar. Não demorou muito para que a pequena abrisse os olhos e que de sua garganta um som estrondoso de choro saísse. Sai do quanto e escutei passos apresados na escada, entrei na primeira porta que vi e me escondi. Em seguida ouvi a voz de Sakura acalmando a filha e do outro lado do corredor o estrondo de uma porta sendo fechada.
— Boa menina – eu disse para o nada e colocando as duas mãos sobre o rosto e sentindo meu coração acelerado.
Caminhei lentamente em direção a porta parcialmente aberta e espiei dentro do quarto, e bem no canto sentada em uma poltrona estava Sakura com a filha no colo a luz apagada, e sendo iluminada somente pela luz da lua que adentrava pela janela. Seu choro e soluços podiam ser ouvidos de onde eu estava e respirei aliviado, ao menos ele não tinha conseguido machucá-la.
Desencostei da porta e me virei no corredor em direção ao quarto que ele tinha entrado.
— Quem é você? – eu perguntei franzindo o cenho.
* * * * * *
Entrei no meu quarto exaltado.
— Ren! – chamei — Ren! Apareça seu gato estúpido, eu não estou para brincadeiras – eu disse com raiva.
— Em que posso ajudá-lo? – ele apareceu em cima da escrivaninha.
— Não vem com essa, que porcaria foi aquela que aconteceu lá em baixo? – praticamente gritei.
— Uma briga – ele disse com a maior cara de pau, se é que gatos podem fazer essa cara.
— Não seja imbecil, por que ele fez aquilo? Eu jamais faria uma coisa daquelas. Ele quase bateu nela – falei indignado.
— Não faria? – ele soltou uma risada sarcástica que eu não entendi – eu não vejo você tratando bem as pessoas.
— Isso não tem nada a ver, as outras pessoas não importam, estou falando sobre o que aconteceu naquela sala com a Sakura.
— É claro que o que eu estou falando tem a ver, você consegue olhar para tudo o que você viveu nesta sua curta experiência de vida e me dizer um só momento em que você a tratou bem? – ele olhou no fundo dos meus olhos com aqueles misteriosos olhos violeta – Me diga Sasuke um só momento em que você sorriu para a Sakura.
Aquilo me desarmou, e eu não consegui pensar em nada para contradizê-lo.
— Esse não sou eu – foi a única coisa que consegui dizer.
— Você ainda tem um longo caminho para percorrer – eu me sentei na cama.
— Não sou eu – eu me deitei na cama.
— Vá dormir Sasuke, amanhã será um novo abrir de olhos.
— Não sou as... – não consegui terminar de dizer e cai na inconsciência.
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