Para sempre te pertencerei
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9
Hinata parou o movimento que demostrava a Tenten e o encarou. Ele tinha um sorrisinho de canto tão bonito que, por um momento, ela esqueceu que não devia confiar nele. Não completamente.
— Laird! — Tenten cumprimentou e curvou-se de leve, em sinal de respeito.
— Senhorita. — Ele acenou para ela, piscando um olho.
Hinata observou a troca em silencio, aquele homem não devia ter o direito de ser tão bonito!
— Eu já estava de saída — Tenten começou enquanto entregava a espada para ele. — Depois eu continuo o treino, Hina! — Traidora! Hinata quis gritar, mas a morena já corria para dentro com o rosto corado de frio e uma risadinha maliciosa escapando.
Naruto desviou os olhos da porta quando ela se fechou e olhou para Hinata. Ela estava parada com a espada de madeira pendendo ao lado do corpo. Seu cabelo negro estava bagunçado, seu rosto corado pelo exercício e pelo frio e sua postura ereta, o queixo apontando para cima enquanto o olhava com suspeita.
Ele gostava imensamente da suspeita dela.
— Posso acompanhá-la? — Perguntou, erguendo a espada. E, mesmo que sua postura não dissesse isso, seus olhos brilhavam em desafio. E Hinata jamais recusava um desafio.
— Claro, milord! — Sua voz saiu baixa e rouca, por conta da emoção por trás dela. Estava nervosa, tinha que admitir.
Naruto entrou em guarda diante dela e esperou até que ela fizesse o mesmo. Os dois se encararam com intensidade enquanto andavam em círculos. Ela fez o primeiro movimento de ataque, Naruto se defendeu e atacou de volta, os dois começaram uma sucessão de golpes rápidos e fortes. Hinata tinha que admitir: Naruto era excepcional, perfeito. Seus golpes eram precisos, rápidos e fortes, sua postura era ereta e flexível... Ela não viu fraquezas. Não sabia como contornar suas defesas e nem seus ataques.
Mal sabia ela que ele pensava o mesmo. E ele não lutava com ela vendo uma mulher frágil, mas sim vendo a guerreira que lutou ao lado dele na invasão. Aquela mulher e suas parentes mudaram a visão dele perante a força de uma mulher, perante a sua utilidade para o clã. Ele agora se sentia um enorme idiota por todos os comentários debochado que fez a sua irmã quando eram crianças e ela sonhava em aprender o que eles aprendiam.
Os dois afastaram do embate e se estudaram por alguns segundos, até que atacaram ao mesmo tempo e suas espadas se chocaram. Em um empasse de atacar e se defender ao mesmo tempo. Depois de algum tempo assim, os dois se afastaram. Hinata ofegava pelo exercício excessivo e por isso Naruto fincou a espada de madeira na neve e sentou-se em um toco de madeira, fazendo sinal para que ela sentasse ao seu lado.
— Sua técnica é muito boa, Hinata. — Comentou quando ela se sentou.
— Obrigada, Laird.
Ele olhou para ela com o rosto apoiado na mão e o cotovelo em seu joelho. Ela tinha o rosto corado e seus olhos estavam no castelo. Ele achou a atitude dela adorável.
— Pode me chamar de Naruto.
Ela olhou para ele e o rosa aumentou um pouquinho mais quando reparou que ele a olhava com atenção.
— Irei tentar, La- Naruto.
Era aceitável ele achar que seu nome soava diferente na voz tranquila dela? O som fez um leve arrepio passar pelo seu corpo.
Quando ele ia começar a falar de novo, a porta para a cozinha se abriu e Karin apareceu, seus cabelos estavam soltos e bagunçados e havia manchas de fuligem em seu rosto branco.
— Naruto! Hinata! — Chamou, fazendo sinal para que eles se levantassem e fossem até ela. Quando eles fizeram isso ela esperou com as mãos apoiadas na cintura. — Preciso que me ajudem. — Decretou, logo virando as costas e entrando na cozinha. Naruto e Hinata trocaram um olhar, o loiro deu de ombros e seguiu a irmã, as mãos enfiadas nos bolsos da calça de lã que ele usava. Hinata suspirou e seguiu os dois.
A cozinha estava movimentada e abafada, o teto era baixo, por isso Naruto andava com os ombros largos curvados. Às vezes Hinata esquecia do quão alto ele era. Karin parou em frente a uma mesa que estava cheia de mantimentos.
— Eu tive a ideia de fazer um bolo — Ela começou a explicar, apontando para a bacia de madeira que usaria. — Fui a dispensa e peguei todo os ingredientes, menos um. — Ela olhou para Naruto. — O saco de farinha, meu irmão. Preciso que tu pegues para mim pois é pesado demais para que qualquer uma de nós — ela apontou para todas as mulheres na cozinha. — O pegue. Podes fazer isso por mim?
Naruto faria de qualquer modo, mas tinha que assumir que aqueles olhos castanho-avermelhados da irmã fariam um estrago em seu marido, quando ela casasse, era impossível dizer não a eles!
— Claro, irmãzinha. — Ele bagunçou seu cabelo.
— Vá com ele, Hina. Precisa iluminar a despensa para que ele possa enxergar algo. — Ela se curvou e cochichou ao seu ouvido. — Meu irmão pode parecer inteligente, mas não é nem um pouquinho. É daqueles que gritam primeiro e saem correndo pra guerra, mas quando tem que ler um livro, dorme em menos de dois segundos.
Hinata soltou uma gargalhada sonora e rara, fazendo todos na cozinha olharem para ela, surpresos. Naruto não sabia se ficava encantado ou envergonhado, já que tinha plena noção de que a irmã falou algo sobre ele.
— Vamos logo. — Resmungou enquanto ia na frente, Hinata o seguiu com uma lamparina entregue por Karin. Os dois atravessaram a cozinha até os fundos, passaram por um corredor escuro e baixo, para só então entrarem em uma sala espaçosa e escura cheia de prateleiras de madeira e sacos. Naruto deixou Hinata entrar para então encostar a porta, quando ele se virou para ver o que ela fazia, Hinata já estava do outro lado do cômodo, apoiando a lamparina em uma prateleira ao lado dos sacos de farinha e cheirando as ervas. Naruto abriu um sorriso enquanto caminhou até ela, seu sorriso aumentou ainda mais quando ela ficou na ponta dos pés para pegar uma erva na última prateleira, mas não conseguindo nada além de encostar a ponta dos dedos.
Um resmungo descontente saiu de seus lábios e quando ela estava prestes a pular, ele esticou o braço acima de sua cabeça e pegou o maço de ervas.
— Eu pego para ti.
Hinata virou de frente para ele e se assustou com a proximidade, dando um passo para trás, porém, por não ter para onde ir, suas costas bateram conta a prateleira e Naruto, agindo por reflexo, segurou o objeto no lugar, apoiando-a no suporte outra vez, enquanto soltava uma gargalhada.
— Não precisa ficar tão nervosa, Hinata.
Então ele olhou para ela.
A erva, a prateleira, a lamparina, a farinha e até mesmo a porta encostada, foram esquecidas, seus olhos se encontraram com os dela, que ele não havia percebido que estava tão próxima. Sua mão direita apertou involuntariamente, e só quando sentiu a carne macia por baixo do tecido áspero do vestido que ela usava, foi que ele percebeu que sua mão estava segurando sua cintura.
O ar pareceu ficar pesado e frio contra sua pele quente, mesmo que tivesse três fornos acesos a alguns metros de distância. Os olhos dela pareciam brilhar como a lua, seu rosto normalmente branco como a neve estava dourado a luz da vela dentro do candelabro, a única coisa que atrapalhava aquela perfeição era uma mecha de cabelo negro como a noite que estava agarrado a sua boca cheia e avermelhada.
Hinata estava perdida. Perdida nos olhos mais azuis que viu em toda a sua vida. E quando ela sentiu seu dedo nu afastar a mecha de cabelo de sua boca e arrastá-la vagarosamente até sua orelha, deixando um rastro de calor por seu rosto, ela sentiu algo que não sentia há anos, ela sentiu que iria desmaiar.
Era normal sentir seu corpo derreter por inteiro por um toque tão simples e mundano como aquele? Quantas vezes sua prima e irmã não tiraram uma mecha de cabelo de seu rosto e botaram atrás da orelha, afim de manter seu penteado impecável? Mas elas não eram ele, uma voz sussurrou em sua cabeça.
Antes que chegasse a uma resposta, ela se perdeu novamente. Sua mão estava em sua nuca, ele brincava com os fios pequenos que estava encostando no colarinho do vestido, abaixo da trança pesada. O que ele estava fazendo? Ela sabia que devia manda-lo parar, mas onde estava a sua voz quando precisava dela? A outra mão apertou sua cintura, e ela teve certeza de que suas pernas virariam geleia a qualquer momento. Principalmente quando sentiu uma pequena pressão em sua nuca e percebeu que seus olhos estavam elétricos, suas pupilas estavam dilatadas e estranhamente ele estava cada vez mais perto.
Ela ergueu as mãos e apoiou-as em seu peito, preparada para afastá-lo, mas por que elas estavam agarrando a bata branca e o puxando para perto? Ela entendeu o porquê quando seus lábios se encontraram e o mundo pareceu parar. Era a primeira vez que ela sentia os lábios de um homem, e ela se perguntou porque não fiz isso antes? Porém ela se esqueceu da resposta quando ele enroscou os dedos em seus cabelos, por baixo da trança e encostou a língua em sua boca, instintivamente, Hinata abriu-a e sentiu suas pernas enfraquecerem quando a língua dele a invadiu.
Naruto agarrou-a pela cintura e colou a pélvis a dela, impedindo que ela caísse. Por algum motivo nada mais importava além da sensação da maciez de seus lábios, do peso maravilhoso de seus cabelos em seus dedos e do alivio momentâneo quando sua ereção roçou nela, mesmo com as camadas do vestido entre eles. O gemido baixo que ela soltou quando ele aprofundou o beijo quase o fez erguer suas saias e tocar sua pele. Tudo o que ele enxergava era desejo, sensação. Como ele a queria. Como ele percebeu somente naquele momento isso?
Sua mão esquerda desceu de sua nuca, passou por suas costas e parou em sua bunda, onde ele apertou e a puxou contra si. Seu corpo pegou fogo quando ela gemeu e o puxou pela camisa, beijando-o com mais força e paixão. A mão dele desceu até sua cocha, ele a agarrou e puxou até que ela estava a altura de sua cintura, fazendo sua ereção roçar em um lugar ainda mais íntimo do que a parte baixa de seu ventre. Agora não foi ela quem gemeu, mas sim ele, um som rouco e grave veio por sua garganta, fazendo-a suspirar.
Quando a mão dele começou a descer pela sua perna e chegou a barra do vestido, um grito soou, quebrando totalmente o encanto.
— Vamos Naruto!
Era Karin.
Os sons das conversas entre as mulheres na cozinha, as panelas batendo, o fogo crepitando alto, os talheres sendo lavados... Tudo voltou.
Hinata corou da cabeça aos pés e pegou a lamparina com as mãos trêmulas.
— A-acho m-melhor que pegue o que sua ir-irmã pediu, Laird.
Laird. Não Naruto. Ele foi até os sacos e pegou um, decidiu que o momento era constrangedor demais para que ele a corrigisse. Quando os dois saíram da dispensa e seguiam pelo corredor, a mente de Naruto não estava somente no beijo, mas em algo mais. Por que Hinata gaguejou? E por que isso lhe parecia tão familiar?
***
Shikamaru estava sentado na sala de reuniões quando a porta se abriu. O moreno ergueu os olhos do pergaminho que lia e encontrou Gaara parado na porta.
— O que deseja, cunhado?
O ruivo caminhou até ele e sentou-se a sua frente.
— Eu estava seguindo a Ino, como me foi designado, e escutei algo um pouco suspeito.
— Diga. —Shikamaru pediu, fechando o pergaminho e apoiando-o na mesa.
Gaara narrou tudo o que ouviu Ino contar as crianças enquanto Shikamaru prestava atenção aos mínimos detalhes.
— Isto é alguma coisa e ao mesmo tempo não é nada, Gaara. Quantas famílias por aqui já sofreram tal destino?
Gaara abriu um sorriso vitorioso, como se soubesse de algo que Shikamaru não soubesse. Era raro, porém não impossível.
— É aí que se engana, cunhado. — Ele debruçou-se sobre a mesa, apoiando os braços cruzados nela. — Não estou falando da perda do tio em si, mas sim do fato de ele e o Laird do clã serem idênticos.
Shikamaru piscou duas vezes, até que finalmente teve que admitir que Gaara estava certo.
— Então investigarei nos arquivos quantos dos clãs da Escócia tem um caso como esse.
Gaara assentiu completamente satisfeito consigo mesmo.
— Mas isso tomará tempo, por isso continue seguindo Ino e avise-me caso consiga outra informação.
— Avisarei.
***
Em algum lugar
Neji desceu do cavalo e seguiu até uma caverna rochosa onde passariam a noite.
— Suigetsu, irás ficar responsável pela caça noturna ao lado de Juugo e eu.
Um homem de cabelos tão loiros que chegavam a ser brancos desceu do cavalo ao mesmo tempo em que o ruivo.
Suigetsu já fora um jovem guerreiro magro e arisco, hoje era um homem alto e forte que manejava a maior espada do grupo de Neji, ele era seu braço direito. Já Juugo, sem sombra de dúvidas, era o maior homem do clã dos Hyuuga Campbell, com seus dois metros de altura e força proporcional. Ele era o braço esquerdo de Neji.
O moreno esperou que os homens entrassem e então saiu com os dois.
— Pelo que descobrimos em Alloa, elas tomaram o caminho para as ilhas, Neji. — Juugo disse quando se afastaram dos homens. — Podem ter se perdido.
Neji concordou.
— Foi uma sorte que tenhamos conseguido seguir a trilha deixada por elas desde Londres até Alloa.
— E que aquela mulher tenha visto-as caçando. — Acrescentou Suigetsu, enquanto Neji retirava o arco das costas para se preparar.
— Devemos prosseguir o mais rápido possível, logo ficará ainda mais difícil e demorado para encontrar uma caça. Nossos mantimentos reservas não nos manterão por muito tempo.
— Sim. — Concordou Juugo. — Precisamos chegar às ilhas o mais rápido possível, lá poderemos pedir abrigo a alguns aliados do clã.
— Acredito que tenham feito o mesmo. — Suigetsu sussurrou, havia avistado algo parecido com uma lebre. Teria de bastar para eles três e mais os dois homens que aguardavam na caverna.
— São mulheres espertas e fortes, tenho certeza de que estão bem. — Neji sussurrou de volta e ergueu o arco. Era uma lebre.
Juugo e Suigetsu observaram o amigo de infância, sabiam que na verdade ele estava muito preocupado, mesmo que soubesse que elas eram tão capazes como eles de se proteger. Porém nem o melhor guerreiro é invencível. E Neji sabia plenamente disso, principalmente mulheres com uma herança tão importante.
Neji soltou a flecha e acertou a lebre.
— Não entendo porque meu tio fez isto, deixou uma herança como essa para elas. — Ele pegou o animal na mão, ele era belo, mas agora estava morto. Neji percebeu ao tocá-lo que lhe fez um favor, o pobre animal estava frio e provavelmente morreria em pouco tempo. Talvez uma hora.
— Ele e sua tia já explicaram, Neji. — Juugo apoiou uma mão no ombro do amigo, chamando sua atenção para si. — Precisam garantir o futuro delas caso aconteça algo a vós e ao seu tio, vivemos em um mundo onde as mulheres não têm direitos, elas sofreriam se não tivessem algo tão importante em mãos.
Suigetsu concordou e apanhou a lebre da mão dele.
— Sabes bem que seu tio deixou tudo para elas, ignorantes seriam seus maridos se casassem sem saber disso. — Ele soltou uma risadinha enquanto Neji suspirava aliviado.
— Isto é verdade, a herança jamais passará para seu marido, se não for para seus filhos, independente do sexo, voltarão para os Campbell. A não ser que o Laird no momento decrete o contrário. O que eu não farei, caso ainda esteja vivo.
Neji seguiu o caminho de volta com eles.
— Imagino qual louco iria querer algo com alguma delas. — Suigetsu riu enquanto desviava do soco que Neji ia dar-lhe. — Não faça isso, Neji, sabe que suas primas são tão difíceis quanto lutar uma batalha.
Neji teve que rir com os amigos, porque Suigetsu estava completamente certo. Suas primas eram lindas, adoráveis e românticas. Mas isso quando não era de manhã, já que acordavam de mau humor, quando não gostavam do outro ou quando estavam irritadas. O que acontecia com certa frequência desde crianças.
***
Dunscaith Castle
— Achas que deu certo? — Karin perguntou a Temari quando se sentou ao seu lado para refeição noturna.
Temari sorriu de lado e olhou para a mesa a frente, onde Hinata havia feito questão de se sentar de costas para a mesa delas, depois olhou para o primo e reparou que ele olhava para ela a cada cinco segundos por cima da taça.
— Ah, prima... Com certeza deu certo.
As duas riram e começaram a comer, o plano de deixa-los sozinhos na dispensa pareceu ter ido perfeitamente bem. Agora era só deixar o destino seguir seu próprio curso e ir para o próximo plano.
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