Notas iniciais
Oi genteeeeeeee, mais um cap pra vcs espero que gostem! Tentarei acelerar isso ae de postar cap, relaxemmmm! Amo vcs Boa leitura! Ps: Cap n revisado

Capítulo 10

Dunscaith Castle

Somerled, cujo nome viking significava viajante do verão, atravessou os mares revoltos da Escócia com seus oitenta birlinns, em direção as ilhas. Seu sangue vinking misturado com escocês o tornou um guerreiro forte e destemido quando estava no mar, comandando seu birlinn, e feroz quando em terra. Dessa forma, ele conquistou as ilhas e ganhou o primeiro título de Ri innse Gall, o primeiro Senhor das Ilhas.

Seus descendentes se ramificaram, principalmente, em MacDonald e MacDougall, até os dias atuais, eles dominam politicamente o poder, MacDonald ao lado de Bruce e MacDougall ao lado da Inglaterra.

Por isso, mesmo no inverno, Naruto saiu do castelo acompanhado de seus primos e companheiros, de seu conselheiro e amigo e dos homens mais hábeis do clã. Eles atravessaram as ilhas até chegar a Dunvegan Castle, local onde dias antes eles atacaram em retaliação.

— Viemos para um encontro com o Laird. — Naruto disse assim que desceu de seu cavalo. O homem que os recebeu tinha uma expressão fria.

— Irei anunciar sua chegada.

Naruto aguardou enquanto olhava envolta, o clã parecia novo, como se não houvesse ocorrido uma batalha sangrenta e devastadora há tão pouco tempo.

— Entre! — O homem chamou da porta de entrada do castelo. Naruto seguiu adiante com seus três companheiros atrás de si e seus homens atrás deles. Ao entrar no salão, ele caminhou até parar em frente ao trono no qual o Laird dos MacLeod estava sentado.

— Naruto MacDonald. — Ele cumprimentou com desconfiança.

— Madara MacLeod. — Naruto devolveu o cumprimento.

— O que veio fazer aqui após o ataque recente? — Questionou, fechando as mãos em punho sobre o braço do trono.

— Não entendo o porquê de tal hostilidade, Madara, não após ter sequestrado e torturado um dos meus homens mais próximos. — Naruto sentiu a tensão no local aumentar. Seus homens e os de MacLeod estavam se encarando, prontos para o ataque se fosse necessário. — Sabes que foi uma retaliação, se tens honra, deixará como está e seguirá em frente.

Madara apertou o maxilar, mas sabia que se negasse o que Naruto dizia, traria desonra a seu clã e perderia toda a credibilidade para com os seus homens.

— Pois bem, vamos ao que interessa. O que fazes aqui?

Naruto retirou a mão que mantinha apoiada no cabo da espada por baixo da capa de pelos brancos e olhou nos olhos negros de Madara.

— Vim em nome do rei.

A atmosfera do salão mudou, passou de tensa para expectativa. Por mais que fossem inimigos mortais, quando o assunto era Robert the Bruce, esqueciam suas diferenças.

— Ele mandou que se preparassem, ao fim do inverno, partiremos e daremos um fim a tudo.

Madara assentiu.

— Sei que a maior parte de seus homens estava contigo aquela noite, por isso não tens desculpas para não ir com força total e massacrar a escória.

Madara fechou as mãos em punho mais uma vez, em sinal de alerta.

— Cuidado com o que diz, MacDonald, estamos em maior número e massacrar-vos-íamos em um segundo, se assim eu desejasse.

Naruto sorriu e levou a mão ao cabo da espada de novo.

— Creio que jamais faria isso. — Ele deu as costas. — Agora partirei, já cumpri meu dever perante o Rei da Escócia.

E então todos eles se retiraram.

***

Shion desceu aquela noite e sentou-se a mesa de jantar, os homens haviam saído desde a madrugada, por isso a mesa teve um enorme número de lugares vagos. No lugar do Laird ficou sua irmã, o que chocou a loira. Em seu clã, uma mulher jamais ficaria comandando o clã quando seu Laird estivesse fora, principalmente uma mulher que não fosse sua esposa.

Às vezes, quando via pequenos detalhes como esse, sentia que seria mais feliz dessa forma. Olhou para seu pai, que estava sentado ao lado de seu irmão mais velho. Os dois pareciam tão superiores, tão donos de suas próprias vidas.... Olhou para aquelas quatro mulheres sentadas na mesa a frente. Tinha inveja delas.

Soube que viajaram sozinhas, salvaram ao jovem Konohamaru, enfrentaram aos MacDonald, foram para uma guerra de retaliação e agora ali estavam, sentadas, rindo e conversando. A morena de olhos prateados olhou para ela por sobre o ombro, como se sentisse seu olhar, e seu sorriso morreu por alguns instantes, mas logo ela desviou e voltou a rir com as amigas. Shion queria rir como ela.

Sua vida era tão vazia, tão sem razão. A única coisa boa que fazia era ler. Lembrou-se do dia que contou ao pai que sabia ler, sua bochecha chegou a arder um pouco com a lembrança da bofetada que levou, a voz dele ainda ressoava em sua cabeça como se estivesse marcada a fogo “Garota estúpida! E achas que um homem valoriza uma mulher que lê? Deixe de ser idiota e trate de não contar a ninguém sobre isso! Não estrague a única coisa para a qual me serve! Case-se de uma vez e me libere do seu peso morto”.

E era isso que pretendia fazer. Casar-se e fugir daquele lugar horrível. O pior de tudo era que seu irmão não sabia de nada. Nagato era um homem bom, honrado e que a amava, se ele se inteirasse do que lhe acontecia, sabia que viria em seu auxilio. Mas também era um homem ocupado, nunca poderia ficar com ela no castelo porque tinha várias tarefas, e no primeiro momento em que desse as costas, ela pagaria caro por ter aberto a boca. Ou pior, ela e Sara pagariam. Shion jamais permitiria isso.

— Não vais comer, prima? — Sara perguntou a olhando com seus grandes olhos castanhos-avermelhado.

— Ah, sim! Irei sim. — Shion sorriu e cortou um pedaço da carne do guisado que estava em seu prato. Estava delicioso, pena que não tinha muita fome.

Sua mente começou a divagar por outro caminho. Naruto. Tinha desejado tanto essa visita, tinha sonhado tanto com o momento em que ele lhe pediria em casamento, mas, por alguma razão, mesmo estando ao lado dele, falando com ele em todas as refeições e rindo com ele, sentia que não era com ela que ele estava. Ele parecia não prestar atenção ao que ela dizia, parecia não tirar os olhos de um ponto.

Seu olhar se prendeu na mulher de cabelos negros mais uma vez. Era estranho como ela tinha esse magnetismo, ela conseguiu a atenção de Naruto que Shion levava anos tentando conseguir, mas o mais estranho era que Shion não estava ciumenta. Ela entendia. E lá no fundo ela sabia, somente não queria admitir em voz alto.

— Preciso conversar contigo após o jantar. — Sussurrou para a prima com seus olhos presos em seu pai, tomando cuidado para que ele não percebesse o que falava.

Sara olhou-a com curiosidade, mas assentiu, entendendo que era um segredo.

O restante do jantar passou tão lento que chegou a um ponto em que Shion não conseguia suportar seus pensamentos. Eram tantos.... Vinham em enxurrada e massacravam sua cabeça. Por isso agradeceu imensamente quando se levantaram e foram para seu quarto.

— O que queres prima? — Perguntou a ruiva, sentando-se na cama. Shion sentou ao lado dela, entrelaçou os dedos em seu colo e não desviou os olhos dali enquanto falava.

— Preciso de sua ajuda, prima.

Sara franziu o cenho.

— Te ajudarei, conte-me o que ocorre.

Os olhos azuis claríssimos, que dependendo da luz tomavam um tom lilás, de Shion estavam embargados.

— Não suporto mais, Sara. Simplesmente não suporto. — Ela ergueu os olhos para prima, assustando-a pela dor que encontrou neles. — Preciso fugir.

Sara sentiu um desespero sem igual, amava a prima e queria retirar aquela dor de seus olhos o mais rápido possível, queria salvá-la.

— Por que? O que ocorre?

Shion se levantou, seus dedos trêmulos puxaram o laço que vinha amarrado a sua cintura e ela começou a sair do cotehardie que usava, assustando ainda mais Sara. Shion sempre fora envergonhada, ela não se despia na frente de ninguém desde que chegou a adolescência.

— O que...

Mas a pergunta morreu em seus lábios quando a loira saiu de sua camisola fazendo Sara dar um grito abafado.

— O-o-o que...

Ela não desgrudava os olhos do corpo da prima, porém ao invés de enxergar os traços belos e femininos, Sara só conseguia enxergar as manchas escuras na pele pálida. Seus olhos começaram a lacrimejar enquanto sua mão trêmula ia aos lábios.

— Shion... — Sussurrou, passando os olhos pela mancha escura que tomava metade de sua cocha direita, pela mancha avermelhada e claramente recente que tomava seu estômago, pelas marcas de mãos em seus braços que foram feitas com tal força que marcaram a pele com hematomas roxos, avermelhados e alguns um pouco amarelados.

Ela correu para a prima e a abraçou, Shion tremia tanto que Sara teve medo que seu pequeno corpo não aguentasse. Embora acabava de descobrir que Shion era mais forte do que ela seria capaz de ser um dia. Apertou-a com mais força e permitiu que chorasse em seu peito. Elas tinham quase a mesma idade, Shion era somente dois anos mais velha, sempre teve um sentido de proteção além do normal para com a prima e a tratava como a irmã caçula.

Mas, naquele momento, Sara sentia-se como a irmã mais velha que não soube proteger a mais nova. Ela sentiu um aperto no peito tão forte que não conseguiu respirar por um momento. Mas então veio a raiva. O ódio.

— Quem fez isto a ti? — Sua voz era baixa e contida, mas Shion sentiu a mudança em seu corpo, sentiu sua raiva. Por isso a apertou com mais força ainda. — Foste meu avô? Teu pai?

Shion nada respondeu, porém Sara já sabia a resposta. A vontade que tinha agora era de mata-lo, fosse ou não seu avô. Que se danasse se fosse para o inferno por isso.

Elas passaram longos minutos assim, até que Shion pôde recuperar o controle. Ela saiu do aperto da prima, vestiu a camisola de manga comprida e sentou-se na cama, puxando Sara.

— Preciso fugir.

Disse com uma certeza na voz que Sara soube que o faria ela querendo ou não.

— Porque? Tenho certeza de que Naruto a pedirá em casamento logo e então...

Mas Shion a cortou.

— Sei que não pedirá, Sara. Sinto isso. Não, — A cortou quando Sara iria começar a protestar. — preciso embarcar em um barco e seguir pra Iona. Não posso voltar para casa nunca mais, aquele lugar virou meu inferno particular desde que minha mãe morreu tem quatro anos. Não suporto, prima.

Sara estava assustada.

— Mas queres mesmo isso? Queres tomar a vida do convento e desistir do amor que sempre sonhou desde a infância? Não serves para ser freira, Shion, e sabes disso.

Shion a olhou com dor nos olhos.

— Desisto disso, Sara. Desisto do amor. Ele não serve para mim, não é o meu destino! — Ela levantou da cama, exasperada. — O único homem a quem cheguei perto de sentir amor está mais interessado em uma mulher que conhece há três semanas que em mim, não tenho tempo de conhecer outro. Não posso ter tempo para conhecer outro. — Shion começou a andar pelo quarto. — Sei que pode não parecer, mas não sou idiota, prima. Sei o que me aguarda se não conseguir essa aliança. Sei que acabarei sendo morta em algum momento. — Ela olhou nos olhos de Sara. — Já quase morri na última vez que fui surrada em casa, sabias? Eu fui tratada pelos serviçais. Nem uma curandeira ele chamou, Sara. Ele queria que eu morresse. Não suporto mais isso, não suporto o olhar de pena que recebo em casa, o ódio que recebo dele e a desilusão de não ter o homem que amo. Não quero mais. Não posso mais. Estou enlouquecendo aos poucos. — Ela caminhou até a prima e segurou seu rosto entre as mãos, apoiando sua testa na dela e olhando em seus olhos. Sussurrou. — Estou morrendo, prima. A cada dia, hora, minuto e segundo. Estou. Morrendo.

Sara sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto, porque ela sabia que era verdade. Ela percebia nos olhos de Shion o que ela não percebeu durante esses quatro anos de dor. Sua prima podia não morrer em carne, mas sua alma morria um pouco a cada momento que passava. Ela temia o momento em que Shion parasse de sentir amor e alegria. Por que se isso acontecesse, sua prima jamais voltaria ao normal.

— Irei ajuda-la, — Ela agarrou o rosto dela entre as mãos e continuou, com uma convicção tão forte que fez um brilho de esperança surgir nos olhos opacos da outra — nem que seja a última coisa eu faça na vida.

***

Sakura estava entediada aquela manhã.

Terrivelmente entediada.

Desde que os homens saíram no dia anterior, ela sentia que sua diversão os acompanhou. Não tinha percebido como se divertia irritando Sasuke ou sendo irritada por ele até aquele momento. Por isso ela resolveu visitar Konohamaru.

Elas visitavam ele constantemente, mas sempre em grupo. Aquele dia, quando Sakura entrou no quarto sozinha, ele ficou surpreso.

— Sakura! — Exclamou de sua posição sentada na cama.

A rosada sorriu e caminhou até ele, sentando-se ao seu lado.

— Konohamaru! Pareces infinitamente melhor, logo poderá voltar a andar pelo castelo.

O moreno assentiu.

— Já estava enlouquecendo nesta cama, os dias pareciam horas infinitas! Ainda mais depois que passei por aquela leve infecção.

Sakura riu e alisou o cabelo dele.

— Coitado! Deve ter sido terrível passar toda a festança do Samhain aqui, não é?

Konohamaru soltou um suspiro longo e desolado.

— Sim, Sakura, foi terrível ouvir as músicas, risadas e gritos de alegria e não poder descer para dançar com vós e as outras.

— Para alegrar vosso dia, trouxe uma surpresa. — Ela foi até a porta e pegou algo que estava do lado de fora. — Jogaremos Xadrez!

***

Sasuke chegou cansado, com frio e morto de fome. Assim que entrou no castelo aquecido por inúmeras lareiras e tochas, sentiu que seu corpo voltava a lhe pertencer. Estava ansioso para que a neve derretesse e o inverno se resumisse a chuvas e nevoas. Assim poderia sair do castelo sem correr o risco de morrer congelado.

O primeiro lugar que seguiu foi para a cozinha, onde conseguiu, com muito custo e charme, um pão fresco e quente recém-saído do forno. Estava delicioso.

O segundo lugar foi ver como estava Konohamaru. Naruto tinha que receber um relatório da irmã sobre os acontecimentos do dia anterior, por isso seguiu para ver ao rapaz, tanto para acalmar seu próprio coração como para acalmar o coração do primo.

Torcia para que ele estivesse bem. Estava quase curado, graças a Deus, mas nenhum cuidado a mais é pouco. Quando chegou em frente a porta de seu quarto e ergueu o punho para bater, congelou no meio do ato ao ouvir sons altos e incompreensíveis. Aproximou o ouvido da porta e depois de alguns segundos entendeu o que eram aqueles sons: risadas. Altas, seguidas de comemorações e exclamações de ultraje.

Porém o que o intrigou ainda mais foi ter uma leve suspeita de quem era a dona da voz feminina. Sem pensar duas vezes no que fazia, agarrou a maçaneta com força e abriu a porta em um rompante. Sakura pulou da cama assustada e Konohamaru pegou uma adaga debaixo do travesseiro quando o barulho da porta batendo contra a parede ressoou.

Por um momento tudo ficou no mais completo silencio, Sasuke passou os olhos por todo o cenário, primeiro sentindo que seu estômago estava congelando lenta e dolorosamente, principalmente quando parou nos lençóis bagunçados, depois sentiu que diminuía quando viu um tabuleiro de xadrez entre eles na cama, mas então ele voltou com força quando reparou no rosto corado de Sakura.

Sua testa se franziu e ele cruzou os braços.

— O que faz aqui?

Ela piscou por alguns segundos enquanto Konohamaru erguia uma sobrancelha e guardava sua adaga.

— Jogando... xadrez?

Sasuke semicerrou os olhos.

— O faz aqui sozinha!? — Corrigiu ele, sem perceber notar o tom ameaçador que a última palavra adquiriu.

Sakura piscou de novo.

— Já disse, jogando xadrez.

Sasuke respirou fundo e passou a mão pelo cabelo, fazendo Sakura se distrair por um momento da conversa e reparar no braço musculoso flexionado e em como ele ficava bonito quando passava a mão pelo cabelo negro e longo. Mas então ele abriu a boca novamente e estrago tudo. Como sempre.

— Sabes muito bem que uma mulher não pode ficar sozinha em um quarto com um homem.

Se ele não a tivesse olhado com aqueles olhos negros brilhando em acusação, ela até teria deixado de lado aquele comentário, se despediria e sairia do quarto. Mas, como sempre, aquele olhar não fez nada além de fazer seu sangue ferver.

— Na verdade eu não sabia, obrigada por informar. — Ela virou-se para Konohamaru de novo e apoiou a mão no braço do mesmo enquanto sorria. — Vamos continuar?

Konohamaru ia concordar, mas não deu tempo. Sasuke soltou um som que mais parecia um rosnado, atravessou o quarto com três passadas largas, agarrou Sakura pela cintura com as duas mãos e a levou até a porta enquanto a mesma o olhava estupefata.

Ele a largou do outro lado da soleira e grunhiu.

— A próxima vez que quiser jogar com ele ou com qualquer outro maldito homem, faça o favor de trazer uma de suas parentas.

E então ele fechou a porta.

No rosto dela.

Sakura estava tentando controlar a raiva. Por Deus, ela estava. Mas havia chegado ao seu limite.

Ela chutou a porta com tal força que ela fez um estrondo ao bater na parede, Sasuke a olhou surpreso. Ela caminhou através do quarto, parou na frente dele e enfiou o dedo indicador em seu peito com tanta força que se até ele, que era um homem forte e treinado, que parecia feito de aço, sentiu uma pontada de dor.

— És um homem intragável. — Cutucou. — Insuportável. — Outra cutucada. — Machista. — Outra cutucada. — Irritante. — Mais uma cutucada. — E eu não tolerarei nenhuma atitude como essa novamente. — Varias cutucadas.

Ela se afastou ofegante e o olhou com tanta raiva e orgulho ferido que Sasuke não fez nada além de piscar.

— A próxima vez que me tratar dessa maneira, iremos resolver essa maldita questão através do aço. — E então ela deu a volta, jogou seu cabelo para trás bem em seu rosto e marchou para fora do quarto.

O silencio no quarto foi total, até que Sasuke sussurrou.

— O que eu fiz para que ela enlouquecesse?

Konohamaru olhou para ele como se não acreditasse no que ele estava dizendo. Depois que comprovou que ele falava a sério, jogou os braços para o ar e suspirou pesadamente.

— De que adianta ser o homem mais bonito do clã, se não é capaz de entender a mente feminina?

Resmungou enquanto se jogava na cama.

***

Se ele dissesse que não pensou no episódio da dispensa, ele estaria mentindo para si mesmo. E Naruto podia ser tudo: teimoso, patriarcal, orgulhoso..., mas se tinha algo que ele não era é ser mentiroso. Ele era sincero. Fatalmente sincero. E irrevogavelmente honrado.

Por isso ele assumia. Pensou no beijo durante cada passo que deu no frio ambiente. Cada tremor em seu corpo causado pelo vento gélido não conseguia aplacar o calor interno que sentia quando lembrava dela com os lábios inchados depois do acontecido. Ele assumia que pensava nisso agora mesmo!

Por isso, ao sair da sala de reuniões onde teve uma conversa franca com sua irmã sobre o que aconteceu em sua breve saída, resolveu evitar qualquer lugar onde ela poderia estar.

Não passou pelo pátio lateral, que era onde ela treinava. Não passou pela cozinha, onde ela ficava as vezes com Tenten para tentar pegar algum doce. Não passou pelo corredor que dava em seu quarto. Ele simplesmente se encaminhou para seu escritório particular onde queria pensar. Mas quando ele abriu a porta acreditando que aquele era o único lugar onde ela não poderia estar, ele a encontra.

Ele estava parado na porta, olhando para ela sentada a mesa com os pés apoiados na mesma, folheando um livro, parecendo muito à vontade.

Espera um instante...

— O que faz aqui? — Hinata pulou da cadeira, como se tivesse visto um fantasma, e fechou o livro com um baque surdo no processo. Seu rosto ficou pálido como a neve, até que adquiriu um tom vermelho.

Naruto se deleitaria dessa atitude, mas toda a beleza dela e a lembrança do beijo se afundou quando ele tomou consciência de que ela estava em seu escritório particular, aparentemente por horas, onde ele recebia parte das correspondências de Bruce e de seus aliados. A outra parte ia direto parra as mãos de Shikamaru.

— E-estava lendo — Ela gaguejou, completamente envergonhada.

—Lendo...

Naruto murmurou, sua expressão ficando cada vez mais escura.

Hinata sempre o achou um homem lindo e envolvente, era carismático e brincalhão quando o conheciam e esqueciam o lado idiota e estúpido. Mas o Naruto que estava diante dela tinha a mesma expressão que levava durante a guerra contra os MacLeod. E ao perceber isso, ela empurrou para o fundo do seu coração as lembranças de seu primeiro beijo e assumiu sua postura de guerreira.

— Isso mesmo, Laird.

— Em meu escritório particular?

Ela deu de ombros.

— Era o lugar mais afastado e silencioso do castelo, ninguém vem aqui.

Naruto se aproximou dela tão rápido que ela mal o viu. Ele agarrou seus ombros e aproximou o rosto do dela, seu olhar era duro e gelado.

— E ainda quer que eu acredite que não é uma espiã? Crê que sou tão idiota assim para não entender?

Ela o encarou por longos cinco segundos antes de responder.

— Sim, creio que és um belo idiota. — Ela afastou suas mãos de seus ombros e agarrou o colarinho de seu cotun, puxando-o para mais perto e falando em seu rosto com uma voz baixa e irada. — Tão idiota que não entendeu até agora que se fôssemos malditas espiãs, nunca teríamos pedido abrigo aos MacDonald sendo que já sabíamos que eram contra Eduardo da Inglaterra, ou esqueceu de seu discurso antes da luta? — Ela percebeu o brilho de compreensão em seus olhos e o soltou. — Está tão assustado com a possibilidade de ser descoberto que é capaz de fazer uma idiotice maior ainda.

E saiu tempestuosa.

Naruto sentiu uma pontada em seu orgulho por ela ter chamado ele de assustado. Àquela altura do campeonato ainda não havia assumido a posição de seu clã perante a guerra por pedido do próprio Bruce. Não queria que ela achasse que era um covarde. Era um homem leal, havia ajoelhado perante o rei e devotado toda a sua vida e a vida de seu clã. O que ele ordenava era lei, a não ser que ponha seu clã em perigo desnecessariamente.

Sentou-se pesadamente na cadeira e soltou o ar. Havia sido um idiota mesmo, devia assumir. Porque sempre se convertia em um quando estava perto dela? Seus sentimentos eram tão controversos... Hora ele a desdenhava, outra lutava ao seu lado, depois a jogava no rio, para logo salvá-la de morrer congelada, depois dançava com ela e a beijava, para então acusá-la de traição.

— Estas se tornando uma mulher, Naruto. Não é possível.

***

Sakura estava irritada. Tão irritada que atravessou o pátio, os portões e foi parar na floresta. Sentou-se em um tronco caído e estudo a neve enquanto sua respiração se transformava em nuvem ao saía de sua boca.

Sentia o frio em seu rosto, sabia que seu nariz estava vermelho, mas não se importou. Até mesmo achou as pontadas boas. Estava tão cansada. Queria encontrar sua família logo e ficar próxima a quem lhe importava. Por mais que tenha sentido falta de suas discussões com Sasuke, essa havia ultrapassado seus limites. Como ele pôde agir dessa forma? Como um bárbaro? Será que não a via pelo que era? Era uma dama! Dama!

Ele jamais trataria lady Sara dessa forma. A mulher era tão fria que conseguiu estragar um nome tão bonito. Vivia sentada a mesa com o queixo erguido conversando com aquele viking desumano. E pior ainda, eles riam juntos. Pelo amor de Deus, esse homem era capaz e fazer uma mulher rir? Com certeza que não.

Mas então porque ela ria?

Não queria saber.

Não queria saber mesmo.

Não queria...

— Sakura!

Ela levantou a cabeça e descobriu Ino, que andava em sua direção.

— Prima. — A rosada a cumprimentou quando ela chegou perto.

— O que faz aqui? — Quis saber enquanto sentava ao seu lado.

— Só queria ficar longe de lá, aquele homem me irrita até os ossos.

A loira deu-lhe um olhar astuto.

— Não preciso nem mesmo perguntar que homem, não é?

A rosada negou e as duas caíram em um silencio acolhedor.

Esse era o nível de companheirismo entre elas, conseguiam conversar e confiar umas nas outras, mas também entendiam quando a outra precisava de silencio e o acolhiam sem constrangimento.

Alguns minutos depois elas viram Hinata caminhar até lá e sentar ao lado delas, porém não disseram nada. Só observaram o sol se mover pelo céu até cegar ao ponto mais rápido. Hinata foi a primeira a levantar.

— Bem, já é metade do dia, devemos ir almoçar se quisermos comer hoje.

As outras duas se ergueram e a seguiram, sem perceber em nenhum momento o homem ruivo que havia conseguido se esgueirar para trás delas sem que notassem.

— Essas mulheres são tão diferentes. — Confidenciou duas horas mais tarde com Shikamaru. — Elas estavam claramente irritadas, mas apenas sentaram uma ao lado da outra e observaram o céu, a neve, suas respirações.... Não gritaram, não reclamaram, só.... Ficaram lá.

Shikamaru ergueu o olhar do pergaminho que lia e encontrou os olhos verdes de Gaara.

— Não me disseste que eram guerreiras? — Gaara assentiu. — O que aprendeu em seu treinamento? O que é essencial para um guerreiro?

Gaara então entendeu.

— Controlar seus sentimentos, não se deixar levar pela emoção.

— Exato.

Gaara apoiou o queixo na mão direito e ficou observando uma pequena rachadura na mesa enquanto seus pensamentos voavam. Ele achava cada vez mais intrigante observar Ino. Era uma mulher cheia de vida, mas também era uma guerreira. Contava histórias para as crianças com muito entusiasmo, para depois sentar-se em um tronco e confortar suas primas com seu silencio e presença.

Realmente intrigante