Para sempre te pertencerei
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Um homem com sangue real estava sentado em seu trono, no castelo de seu clã. Quem o olhasse pensaria no quão forte e poderoso ele parecia, sua tez clara lhe dava um ar de rei, assim como sua expressão gelada e a cota de malha que usava. Sua mão estava apoiada em uma espada longa com um rubi no punho. Ele olhou para o homem de cabelos negros que entrou no salão principal.
Era parecido com ele em alguns aspectos, mas muito diferente em outros.
— Meu irmão. — Ele ajoelhou-se diante do trono. — Trago-lhe notícias.
Aquele que era conhecido como O rei de gelo debruçou-se para frente e apoiou os cotovelos nos joelhos.
— Diga-me.
O irmão de cabelos negros ergueu seus olhos para ele e abriu um sorriso travesso.
— Parece que Neji Hyuuga Campbell está atrás delas.
O Laird franziu o cenho.
— E em que isso me ajudaria? Só torna cada vez mais difícil capturá-las.
Mas o sorriso de seu irmão só fez aumentar.
— Tenho uma ideia, meu irmão. Não precisaremos captura-las, elas virão até nós.
O rei piscou por alguns segundos e então ordenou.
— O que está esperando para me contar? Vamos logo!
E então seu irmão narrou seu plano, fazendo aquele rosto gelado e bonito abrir-se em um sorriso largo.
Tão largo que fez a nova empregada que entrou no aposento suspirar de alivio. Sabia o que havia acontecido com a anterior quando ele a chamou em um momento de raiva. A pobre mulher caminhou até ele sentindo os joelhos tremerem, havia acabado de chegar a idade madura e por isso chamou a atenção dele.
Parou a sua frente e teve que reprimir o vômito que chegou a sua garganta quando ele levantou sua saia sem nenhum pudor e começou a alisar sua perna com seus dedos gelados.
O irmão moreno levantou-se e saiu em silencio, sabia que não seria mais necessário ali.
***
Aquela madrugada algo incrível aconteceu: a neve começou a derreter. Mas isso só ocorreu por causa de uma chuva forte que assolou as ilhas de Arran, Islay e Mull. Ino acordou por conta do barulho e ficou observando pela janela a tempestade.
Sua mente vagou no quão incrível era a natureza e sua fúria, já que conseguia ouvir não somente o som das gotas grandes e pesadas batendo contra a janela, mas também o som do mar revolto que quebrava contra as rochas que ficavam no penhasco onde o castelo fora construído.
Era uma fortaleza inteligente, pensava ela, com uma ponte estreita que conectava o morro ao castelo e a segunda porta, desconhecida por aqueles que não moravam lá, era uma escada escondida ao lado das rochas que dava em uma caverna onde poderiam embarcar em birlinns de guerra, atacando, se protegendo ou fugindo pelo mar.
Naquele momento, observando a chuva torrencial e pensando na arquitetura daquele castelo de pedra, Ino finalmente percebeu o quanto eles puseram a perder ao acolhê-las. Descobriram essa entrada escondida, descobriram como o castelo funcionava sob o comando de Karin, descobriram como o exército funcionava sob o comando dos três Dragões, como eles eram chamados por Bruce. O que elas descobriram durante o jantar daquele dia. E tudo isso porque eles as abrigaram da nevasca. As acolheram e confiaram nelas. Mesmo com pequenos episódios de desconfiança e ameaças vazias.
Eram pessoas boas que botaram a vida de três desconhecidas, que se infiltraram em meio a eles, acima das próprias. Ino sorriu. E pensar que no momento em que ela e Gaara se conheceram ele a acusou de sequestrar Konohamaru.
Não teve a chance de conversar com ele, parecia ser um homem calado. Vivia por perto, mas ao mesmo tempo longe. Suspirando, ela levantou da cadeira que havia posto ali, enrolou-se em um casaco para esconder que usava somente uma camisola de tecido fino (dada por Karin) e saiu do quarto. Seus pés descalços mal faziam barulho no chão coberto por tapetes macios e gelados (devido a falta de contato com o calor humano por um bom tempo), ela desceu as escadas na ponta dos pés porque era o único lugar onde não havia tapetes, a pedra do chão estava gelada demais.
Quando chegou ao salão principal agradeceu pelos guerreiros que não tinham família estarem dormindo mais próximos a porta, isso permitiu que ela percorresse o caminho até a cozinha com tranquilidade. Antes mesmo de chegar ao cômodo, sentiu seu calor. Como era inverno, os fogões eram mantidos acesos, mesmo que não houvesse ninguém lá. Demorava tanto tempo para acender um novo fogo que teriam que acordar três horas antes do dia nascer para fazer isso, ainda mais se a lenha estiver molhada, o que sempre é o caso essa época.
Ino entrou na cozinha quente e abafada soltando um gemido de prazer. Estava agarrada ao casaco antes até atravessar a porta. Foi até uma travessa de barro que havia em cima do fogão (para manter o que tinha lá aquecido) e retirou o pano que cobria seu conteúdo. Viu um monte de bolinhos achatados com cobertura açucarada e uma cereja vermelha e suculenta em cima. Olhou para os lados para ver se alguém estava por lá, jogou o casaco no encosto da cadeira que arrastou até a mesa, pegou a travessa e botou-a em cima da mesa de madeira a sua frente.
Ino ficou um minuto inteiro encarando aquela delícia doce enquanto tentava decidir quanto comia.
— Somente um. — Afirmou em voz alta e pegou o bolinho que estava no topo da pilha. Quando mordeu o primeiro pedaço e o bolinho quase derreteu em sua boca, Ino pensou que ia desmaiar. Ela gemeu com aquele gosto doce. — Ai Deus, como eu estava com saudades da minha Escócia.
***
Gaara não sabia que teria que passar por uma prova tão difícil quando, por acaso, entrou no salão principal pela porta menor (na lateral) e viu Ino sumir no corredor que dava para a cozinha. Ele a seguiu, por curiosidade e por ser seu dever, e parou antes da porta, olhando-a discretamente.
Quando ela tirou o casaco pesado de pele e o botou no encosto da cadeira, ele achou que morreria. Ver os músculos de suas costas se movendo (sim, ela estava de costas para ele) e sua silhueta que só era visível tanto pela finura do tecido da camisola quanto pelo fogo que queimava a sua frente, fez o desejo singelo que ele sentia queimar como um vulcão. E ele sabia o estrago que um vulcão poderia fazer.
Mas tudo piorou quando ela pegou a travessa, prometeu comer somente um bolinho e deu a primeira mordida. O gemido que saiu de seus lábios rosados e a expressão de prazer quase o fizeram perder o controle.
Desde quando ele era o tipo de homem que perdia o controle por tão pouco? Ele descobriu que isso era possível naquele momento. Se arrependia do soco que deu em Shikamaru quando descobriu seu romance com sua irmã. Agora entendia o amigo.
Quando Ino gemeu pela quarta vez (ela fazia isso sempre que pegava um bolinho) ele não pôde se segurar.
— Não iria comer somente um? — Perguntou risonho, mesmo que sentisse uma dor causada pelo desejo e tivesse que controlar seus membros para não atacá-la como um bárbaro.
Ino pulou em pé com a careta mais cômica que Gaara viu em sua vida. Ela estava com o rosto coberto de açúcar, a boca cheia e os olhos arregalados. Soltando uma gargalhada ele atravessou a cozinha e parou diante dela. Ino ficou de costas para a mesa, olhando-o de frente.
— O-o-o que o senhor faz aqui?
Agora ela estava mais engraçada ainda, com o rosto vermelho contrastando com o pó branco.
— Vim fazer o mesmo que vós. — Ele sorriu e esticou o braço ao redor dela, pegando um doce. Porém, em algum momento durante essa provocação divertida e saudável, Gaara olhou-a nos olhos.
Um sentimento diferente da luxúria que sentia tomou conta dele, era uma sensação diferente na boca do estômago, uma sensação boa e ao mesmo tempo incômoda. Olhar para aquele tom de verde com rajadas azuis fez que seu corpo ficasse anestesiado, seus olhos desceram até sua bochecha, que estava suja de doce, e antes que ele pudesse se quer entender o que estava fazendo, passou a ponta da língua por toda a mancha de açúcar.
Ino congelou no lugar com os olhos arregalados, engoliu os últimos vestígios do bolinho e sentiu um formigamento no rosto exatamente onde a língua quente passava. Por alguma razão um arrepio a atravessou e ela conseguia sentir o calor queimar seu corpo no espaço que o separava do dele. Como se o corpo dele fosse fogo e ela estivesse sendo atraída para ele.
Ino sentiu a mão dele deslizar pela lateral de sua cintura e engoliu em seco, os lábios dele arrastaram em sua pele até que a respiração dele batia em seu ouvido direito.
— Vim provar o bolo, soube que comê-lo durante a madrugada é muito mais saboroso.
Então ele puxou-a até seus corpos se tocarem. E ela foi, sem nenhuma resistência, como se seu corpo não pudesse fazer nada além de estar perto do dele, tocando-o e sendo tocado por ele.
Gaara não sabia o que tinha acontecido, mas não poderia voltar atrás, não podia continuar negando a atração que sentia por ela. Levantou sua mão livre e afastou o cabelo sedoso de seu ombro, tocando a pele nua próxima ao pescoço levemente no processo. Ino soltou um som baixinho, um gemido parecido com o que tinha deixado escapar enquanto provava o doce. Isso tirou todo o controle que ele ainda tinha. Gaara enfiou os dedos nos cabelos da nuca dela e trouxe seu rosto de encontro ao dele, tomando os lábios macios em um beijo lento, invadindo sua boca com a língua e saboreando cada pedacinho.
Desceu as mãos para seu quadril e a ergueu, sentando-a na mesa, voltou com as mãos pela lateral do corpo dela até chegar com as duas ao seu rosto, segurando-o enquanto aprofundava ainda mais o beijo, quase fazendo-a deitar-se sobre a mesa, de tão inclinada que ficou. Ino gemeu em sua boca quando Gaara sugou sua língua de leve, fazendo um arrepio atravessar seu corpo e suas mãos ganharem vida. Ela passou-as por seu peito forte, apreciando o fato de ele estar usando somente uma bata fina, desceu até a barra da mesma e não conseguiu controlar a vontade de tocar sua pele. Por isso escorregou os dedos frios pela pele macia e quente, fazendo Gaara gemer contra sua boca.
Ah, como ela queria ouvir aquele som de novo. Ele enfiou os dedos em seus cabelos e sugou seu lábio inferior. Suas respirações pesadas se mesclavam no ar entre os dois e seus narizes estavam unidos. Estavam ofegantes. Desorientados. Excitados.
— É melhor que vá dormir. — Gaara sussurrou e Ino assentiu, concordando.
Porém nenhum se moveu. As mãos dela ainda estavam agarrando a cintura dele e as mãos dele ainda estavam nos cabelos dela.
— Sim... É melhor que eu vá.
E depois de dizer isso Ino retirou as mãos vagarosamente da cintura dele, passando-as levemente por alguns centímetros de pele antes de retirá-las de vez, fazendo Gaara prender a respiração. Quando ela começou a afastar o rosto dele, ele a prendeu no lugar e deu um beijo demorado em sua testa, para só então se afastar e deixar que ela saísse.
Ele passou um longo tempo na cozinha, mesmo depois que a loira chegou ao próprio quarto e tentou acalmar o próprio coração.
***
Quando abriu os olhos e encarou o teto de pedra acima, Hinata teve certeza de que tudo estava em péssimo estado.
Havia sonhado com aquilo.
De novo.
E estranhamente, em seus sonhos, o beijo ultrapassava o que de fato ocorreu. Ele subia a mão pela sua perna e chegava lá perto... Bem lá perto... E a sensação era tão boa que ela acordou. Acordou
Seu rosto devia estar mais vermelho que um tomate, mas pela primeira vez na vida ela não se importou.
Hinata olhou pela janela e viu que ainda estava escuro e que chovia muito, o que queria dizer que era madrugada. Virou-se de bruços e fechou os olhos, demorou um pouco, mas o sono finalmente chegou.
— Hinata, vamos! — Ele segurou minha mão com força e me puxou com determinação. Por alguma razão, o toque de sua mão me deixava feliz e meu coração batia forte contra meu peito. Eu gosto dessa sensação.
— Pa-para on-onde? — Pergunto enquanto corremos pela praia.
— Ora, já esqueceste? Vamos ver o sol nascer lá do alto! — Ele apontou para uma penhasco gigante que ficava no final da praia, não estava longe, conseguiríamos chegar lá a tempo.
Sorrio. Esse é o dia mais feliz da minha vida, vou contar a ele como me sinto. Vou contar que quero ficar ao lado dele para sempre. Não importa se sou uma criança, sei que ele vai me proteger e eu irei proteger ele. Mas por alguma razão, quando olho em seus olhos, eu não os vejo. Sei quem ele é, sei o que significa para mim, mas não consigo ver seu rosto, seus cabelos... Somente seu corpo. É como se todas as vezes que tento olhar para ele, a luz do sol me cegasse e eu só consigo enxergar seu corpo e o contorno de sua cabeça.
Suspiro de irritação e o sigo. O caminho para o topo não é difícil. Quando chegamos lá, sentamos lado a lado e olhamos para o horizonte. Uma arvore enorme estava bem acima deles, dando-lhes sombra naquele dia quente.
— Parece que partirá logo, não? — Ele pergunta, e mesmo que não consiga enxergar seus olhos sei que está triste.
— Sim... Meus pais estão arrumando as carruagens.
Voltamos a olhar para o horizonte, toda a nossa alegria agora estava sendo substituída pela tristeza.
— Não quero que vá. — Ele declara, mesmo sabendo que era inútil. Onde meus pais mandassem que eu fosse, eu teria que ir.
— Eu não quero ir.
E então ele ri, uma risada alta e calorosa, que aqueceu meu corpo inteiro e acolheu meu coração.
— Do que está rindo? — Pergunto, também rindo.
— Não estais gaguejando.
Sinto meu rosto queimar de vergonha.
— O-o que...?
Levei as mãos ao rosto, tentando esconder que estava corando. Estava terrivelmente envergonhada por ser fraca na frente dele tão constantemente. Mas ele pegou minhas mãos, retirando do meu rosto, e as apertou entre as dele.
— Quero vê-la corar dessa forma pelo resto de minha vida, Hinata. Quero que se case comigo quando me tornar o ... — Sua voz sumiu, ficando baixa e longínqua. Sei que deve ser algo importante, mas não consigo ouvir. — aceita?
— A-aceito — Não consigo controlar minha boca e perguntar o que ele disse. Ele pula de pé, me puxando junto, estava tão animado que meu corpo foi contagiado por ele.
— Então... Promete-me? Casara-se comigo quando eu for o maior ... — Sua voz se perdeu de novo, o que ele disse? O que? — que Skye já teve?
Skye...
— E-eu... Pro-prometo
Quando voltou a abrir os olhos, Hinata estava confusa. O que Skye tinha haver com aquele garoto? Quem era ele? Será que foi apenas um sonho ou uma lembrança.
— Talvez a Sakura saiba de algo... — Sussurrou para si mesma enquanto levantava. Hinata lavou o rosto na bacia que ficava na mesinha no canto do quarto e limpou os dentes, depois sentou-se em frente a penteadeira e começou a fazer tranças complexas. Duas em cada lado da cabeça e uma mais grossa no topo, elas prendiam uma parte do cabelo e o resto ficava solto.
Quando ficou satisfeita foi em direção ao baú em frente a cama para pegar um dos vestidos marrons que havia lá, mas antes de abrir a tampa, sua porta foi aberta com estrondo e Karin entrou.
— Ah! Que bom que não se vestiu ainda! — Ela estava animada e saltitante, o que só provocou suspeitas em Hinata. Estava morando com ela por tempo suficiente para saber que tramava algo. Não tirava da cabeça que a ideia brilhante dela e Naruto ficarem sozinhos naquela dispensa tinha partida daquela cabecinha ruiva. — Venham! — Chamou alguém do lado de fora. Três mulheres entraram no quarto com os braços cheios de tecidos.
— O que é isso? — Perguntou Hinata, confusa.
— Ora, como assim o que? São suas roupas! — Ela virou-se para as mulheres. — Ponham tudo sobre a cama e saiam, depois poderão arrumar.
Assim que as mulheres saíram Karin pegou um vestido de camurça cor de vinho.
— Esse vai ficar perfeito para o dia de hoje! Ainda mais que o tempo está melhorando e a neve derretendo.
Hinata saiu de seu estupor quando a amiga começou a enfiar o vestido pela sua cabeça.
— O que...? Não preciso disso, Karin. Estou ótima com as roupas das empregadas. — Sua voz saiu abafada pela euforia da ruiva, mas Hinata sabia que ela escutou. Só escolheu ignorá-la.
— Escolhi tons mais escuros para vós, como o vinho, o vermelho sangue, o azul, o roxo, acho que combinará com sua pele clara, seus cabelos escuros e olhos claros. — Assim que a cabeça de Hinata estava livre, Karin começou a fechar um corpete externo em sua cintura enquanto continuava a tagarelar. — Para Sakura escolhi cores mais vivas, como o verde, rosa, branco e vinho também, ela fica esplendida de vinho, mas terão que avisar uma a outra quando usarão para não ficarem iguais. — Ela apertou tão forte que Hinata pensou que iria ficar sem ar. — Para Tenten escolhi tons mais diferentes, como o dourado, prata, cinza, amarelo... Ficará linda, ainda mais com seus cabelos cor de chocolate.
Assim que acabou uma nova remessa de criadas entrou no quarto com caixas nas mãos, botaram todas ao lado da cama e saíram tão rápidas quanto entraram.
— Ah! — Karin gritou de alegria. — Os sapatos! — Abriu uma caixa atrás da outra até encontrar o que queria. Retirou de dentro um saltinho revestido com camurça cor de vinho com pedras em forma de flores enfeitando a frente. — Tão lindo!
Karin foi até Hinata, empurrou-a sentada na cama e botou os saltos em seus pés.
— Como sabia o tamanho de meus pés? — A morena perguntou, ainda atordoada com a tempestade ruiva que a atacou.
Karin olhou para ela como se fosse idiota.
— Peguei as medidas dos sapatos que usavam quando chegaram. Não poda permitir que ficassem aqui com as mesmas botas por mais tempo do que já ficaram. — Ela ergueu a bota de couro suja e desgastada pelo uso. — Por falar em botas, tem uma nova entre todas essas caixas. Agora vamos comer porque estou morrendo de fome. — Ela jogou a bota longe, agarrou Hinata pela mão e a puxou para fora do quarto.
Quando chegou ao corredor encontrou Sakura e Tenten aguardando.
— Esperem um instante que cuidarei de Ino, será rápido. — E então Karin sumiu na porta seguinte e segundos depois as outras três mulheres passaram com os braços cheios de vestidos.
— Parece que conseguiu sobreviver a tempestade ruiva. — Sakura brincou, estranhamente usando o mesmo apelido que Hinata usou em sua mente.
— E vós também. — Hinata sorriu e olhou para elas. Sakura usava um vestido de camurça branco com um corpete externo preto apertando sua cintura. Seus cabelos rosados estavam soltos com exceção das duas tranças dos dois lados de sua cabeça. Estava linda.
Tenten usava um vestido marrom com ouro, seu corpete era interno e seus cabelos cor de chocolate estavam presos em uma trança grossa e pesada que ia da têmpora até a cintura.
As três ficaram em silencio enquanto ouviam o barulho no quarto, rindo dos comentários de Ino, como: “ Deus, a ruiva enlouqueceu!” ou “ Largue de mim mulher!”, ou “ Primas, me salvem pelo amor de Deus!”, ou melhor “ Jesus, mulher, és uma bruxa? Como conseguiste enfiar esse sapato em mim?”
Quando Ino saiu, todas suspiraram. Estava claro que a diversão delas e o empenho de Karin valeram para alguma coisa. Ela estava linda, com um vestido de camurça roxo, um corpete externo marrom na cintura, cabelos soltos e um diadema prateado em sua cabeça.
— Estão lindas! — Karin bateu palmas e então ordenou. — Agora vamos comer!
***
Naruto já sabia o quão bonita Hinata era, mesmo com aquele vestido marrom de criada e os cabelos bagunçados pelo treino. Ele sabia. Mas no momento que ela entrou no salão principal com aquele vestido cor de vinho, os cabelos presos em um penteado diferente da trança habitual e o sorriso calmo e gentil, ele sentiu sua respiração falhar. Seu coração pulsar. E uma vontade louca de beijá-la de novo.
Mas sabia que não poderia nem mesmo dizer “bom dia” para ela por conta do desentendimento que tiveram. Hinata poderia aparentar ser frágil e dócil, mas todos do clã já haviam descoberto que não era. Por isso ele teria que pensar com muito cuidado em seu próximo passo.
***
— Estou fadado a sofrer nas mãos desta mulher. — Gaara sussurrou para si mesmo por cima da caneca enquanto olhava Ino entrar. Ela estava linda, ainda mais linda do que todas as vezes que a viu.
Mas não tão linda quanto ontem. Uma voz sussurrou em sua cabeça, lembrando o acontecimento que o impediu de dormir esta noite e que o impediria de dormir durante muitas noites mais.
Como podia uma mulher o enfeitiçar de tal forma em tão pouco tempo? Desde o momento em que a viu toda suja, descabelada e perdida na floresta, até agora, ele caminhou em direção ao penhasco. Estava na borda e não conseguia mais se impedir de dar o passo seguinte. Estava acabado.
Encontrou seus olhos enquanto ela caminhava para a frente da mesa ao lado das amigas e se curvava levemente perante o Laird, um respeito que Naruto havia demorado muito para conquistar. Mas o que fez Gaara sentir um incômodo irrefreável foi o fato de que Ino, sem perceber o que fazia, não desviou o olhar do dele. Ela caminhou olhando para ele, fez a reverência sem tirar os olhos dele e deu um passo para trás, sem tirar os olhos dele, antes de virar-se e ir para sua mesa.
Aquele olhar o queimou como brasa, fez sua mão tremer de leve e o desejo aflorar com toda a força. E saber da inocência dela piorava tudo. Era nítido pela forma como ela deixou ele conduzir o beijo e o imitava, que era inexperiente, e pensar nisso o deixava louco.
Gaara desviou o olhar e voltou a comer seu queijo, tentando não perder o controle de si mesmo. Estava surpreso com a força do próprio desejo, sempre foi um homem centrado, decidido e até mesmo frio. Agora tremia de desejo por uma mulher inocente que não sabia como era capaz de seduzi-lo somente com o olhar.
Estava acabado. Simplesmente acabado.
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