Notas iniciais
Olá gente! Mais um capitulo para vcs!! Primeiro de tudo, peço que continuem sendo esses leitores maravilhosos e pacientes que são! Essa fic sempre necessita de pesquisas que demoram horas: sobre clãs, sobre ervas, sobre métodos medievais e tudo mais, por isso acabo perdendo um tempo precioso com isso e demoro ainda mais. Peço desculpas desde já caso eu tenha dado algum deslize em gírias e tals (sou carioca gente, nós falamos três gírias a cada quatro palavras, por isso posso acabar confundindo). Eu planejava postar no natal como um presente pra vcs, mas o note da minha mana continuava ruim, o pc e a bateria do meu cel também, então tive que esperar mais um pouco. Essa semana tudo voltou aos conformes (menos meu celular), por isso eu consegui escrever esse capítulo para vcs! Espero mt mt mt que gostem, amo vcs e boa leitura! ps: capítulo não editado

Capítulo 8

Escócia,

1319,

Dunscaith Castle

Sakura acordou junto com o sol, ela espreguiçou-se e afastou as cobertas de pele. Assim que tocou o chão, agradeceu por ter permitido que as criadas reacendessem o fogo durante a noite, porque isso fez com que o chão estivesse quente e confortável.

Arrastou os pés descalços pelo quarto até parar em frente à janela, seus dedos encostaram no vidro congelante e ela tentou visualizar a paisagem, mas a tempestade que ocorreu durante a noite tornou isso impossível.

Suspirando com pesar, ela resolveu se vestir de uma vez. Por isso, pegou o vestido marrom, sem adornos ou enfeites, e o vestiu, depois foi até a penteadeira, sentou-se e passou a escova de prata que havia ali em suas madeixas longas e exóticas, enquanto fitava seus olhos pelo espelho.

Sakura sempre se perguntou se havia herdado o tom rosado da mãe ou do pai, até que um dia sua mãe Hitomi penteou seus cabelos, como ela fazia naquele instante, e disse.

“Seu pai tinha um tom mais escuro de rosa, o seu saiu dessa cor linda graças a sua mãe, que tinha os cabelos loiros como o trigo. Você é tão parecida com eles Sakura... Eles estariam orgulhosos.”

Por isso a amava tanto, ela sempre fez de tudo para lembra-la de seus pais, ao mesmo tempo em que a criou como uma filha de sangue. Sakura secou uma lágrima errante que deslizava pela sua bochecha, como sentia saudades de sua família... Tanto tempo sem vê-los, sem abraça-los...

A rosada sacudiu a cabeça para desanuviar a mente e afastar as lembranças que casavam a dor da saudade. Logo os veria, era só questão de tempo. Trançou seus cabelos e calçou os sapatos.

Quando ela entrou no salão para comer a refeição da manhã, viu que ele estava parcamente povoado, por isso escolheu uma mesa vazia e aceitou o prato de mingau e o copo de leite quente oferecido pela criada.

Enquanto comia, não reparou que alguém havia sentado ao seu lado, até que a pessoa se pronunciou, assustando-a de leve.

— Hoje me acompanhará até a aldeia. — Sasuke apoiou um prato com pão e queijo ao lado do dela, enquanto bebericava seu vinho. — A curandeira que temos é muito idosa, então aproveitar-nos-emos de vos.

Sakura olhou para ele longamente, antes de concordar lentamente.

— Ótimo.

E então os dois focaram em comer o que tinham a sua frente, embora Sakura sentisse um leve incômodo pela proximidade dele.

***

Ino acordou mais tarde que o normal, havia passado metade da noite em claro pensando em tudo o que estava acontecendo com ela e suas primas. As coisas estavam saindo do controle rapidamente, fazia poucos dias que estavam perto daqueles homens e a cada hora que passava, mais difícil ficava planejar a fuga delas.

A loira sabia que eles desconfiavam delas, até mesmo ela desconfiaria! Três mulheres forasteiras, que não querem revelar seu clã e que falam com sotaque inglês devido aos anos que perderam vivendo com o inimigo. Tudo era suspeito, tudo era estranho.

Fora o fato de elas serem treinadas para se defender.

A loira suspirou e saiu do quarto, mesmo que ainda estivesse terrivelmente cansada. Foi até o salão e o encontrou vazio, exceto por um grupo de crianças que fizeram uma roda no chão e estavam curvadas para o centro do grupo, como se contassem segredos.

— O que fazem aí? — Ela perguntou, suas mãos cruzadas a suas costas e suas feições exibiam um sorriso gentil.

Uma menininha, de aproximadamente sete anos, olhou para ela com seus grandes olhos cor de chocolate e respondeu, com o dedinho na boca.

— Estamos contando histórias, senhorita. Histórias de terror!

Ino foi se aproximando cada vez mais.

— É? E eu posso me juntar a vós?

Todos trocaram olhares surpresos, até que um menino, de uns doze anos e que aparentava ser o mais velho, disse.

— Sei não, senhorita, os senhores podem não gostar. — Ele apontou para todas as crianças. — Somos das famílias mais humildes do clã, dependemos do senhor Laird para viver. Não queremos irritá-lo e nem irritar aos outros senhores.

Ino afagou sua cabeça com um gesto carinhoso e disse baixinho.

— Eu também não faço parte das famílias mais ricas do clã, na verdade sou uma forasteira e eles me chamam de Sassenach, mesmo eu sendo escocesa. — Ela sorriu gentil. — Viu como não se importaram se eu passar meu tempo com vós?

O menino ainda a olhava duvidoso quando ela disse, com a voz baixa e triste.

— Me façam companhia, estou sempre sozinha.

Isso pareceu acalentar seu coração, pois ele sentou-se e abriu espaço para Ino. Ela sentou-se feliz e animada.

— Então senhorita, tem alguma história para nos contar? — Perguntou outra menina, agora uma loira dos olhos azuis celestes.

Ino pareceu pensar um pouco, e então ela abriu um sorriso malicioso.

— Ah, tenho sim, querida. Vou contar a história de três meninas que tiveram que sobreviver ao mundo sozinhas. E isso quando ainda eram deste tamanho. — Ela ergueu a mão para mostrar o tamanho de uma menina entre os nove, dez anos.

As outras crianças debruçaram-se em direção a ela, animadas.

— Tudo começou em uma noite de verão...

Escócia,

1306,

Inveraray Castle

Hinata e Sakura ainda sentiam a alegria do acontecimento de três anos antes. Elas estavam noivas, vejam só, e dos garotos que elas amavam!

A vida andava tão feliz, seus pais estavam sendo amorosos um com o outro, Hitomi havia contratado a curandeira do clã para que ela ensinasse tudo a Sakura e Hiashi finalmente havia permitido que Hinata aprendesse arco e flecha junto de seu primo e irmão, Neji. E Ino estava radiante por que sua mãe havia permitido que ela morasse com as primas.

Naquela noite, a pequena menina loira estavam colhendo uma flor estranha, que só aparecia aquele horário, quando escutou um barulho vindo da fortaleza que cercava o castelo. Estranho o suficiente para fazê-la se esconder e observar as sombras. Seu coração batia com força e ela não conseguia parar de apertar as flores tão preciosas em suas mãos fechadas em punho.

Todos deviam estra dormindo, por isso a menina estava tão assustada. Qualquer barulho no meio da noite só podia significar uma coisa: ataque. Por isso, assim que viu uma sombra se mover, a pequena encostou-se contra a parede e começou a andar lentamente para a porta dos fundos que ela havia deixado aberta para o caso de alguém aparecer e ela precisar voltar para o próprio quarto. Assim que chegou nela, ela entrou, a trancou e deu dez passos em silencio, para então desatar a correr desembestada pelos corredores.

Quando chegou ao segundo andar, correu para o quarto principal, que era onde seus tios dormiam, e bateu na porta incessantemente, até que a mesma foi aberta e seu tio a olhou, sonolento.

— O que houve Ino? Por que está acordada a essa hora e batendo na porta do meu quarto?

A pequena estava tão assustada e nervosa que sua respiração saía com força e audível.

— O que houve Hiashi? — Hitomi perguntou, abrindo a porta e olhando para a sobrinha. Vendo o estado que a menina se encontrava, ela ajoelhou-se e a puxou contra seu corpo, acariciando suas costas para acalmá-la. Assim que conseguiu falar, Ino soltou.

— Estão invadindo tio, eu vi a sombra de um homem e ouvi barulhos lá fora!

Hiashi nem mesmo parou para duvidar das palavras da menina, apenas puxou sua mulher até que ela ficasse de pé.

— Pegue as crianças, as criadas e saia pela passagem subterrânea, chamarei Hizashi e os outros.

Então ele saiu em disparada e a tia pegou a mão de Ino. As duas andaram a passos rápidos até o final do corredor e subiram uma escada para o terceiro andar, que era onde as crianças dormiam. Assim que chegaram lá, Hitomi puxou Ino e disse.

— Vá chamar suas primas enquanto eu chamo seu primo, seja rápida Ino! Nos encontramos aqui dentro de três minutos.

A loira assentiu, entendendo o desespero do momento, e correu para o quarto das primas. Abrindo a porta com força e falando alto enquanto puxava suas cobertas.

— Acordem, acordem! — Sakura resmungou enquanto Hinata se sentava sonolenta.

— O que foi, Ino? — A morena perguntou enquanto se espreguiçava.

— Levantem logo! O castelo está sendo atacado!

Nesse momento as duas pularam para fora da cama, Sakura pegou seu punhal embaixo da cama e jogou outro para Ino, que o pegou pelo cabo. Já Hinata optou pela sua aljava e flechas.

Mesmo que o pai de Hinata tenho permitido somente agora que a morena treinasse, ela já vinha fazendo isso faz um ano, assim como Sakura e Ino treinavam a luta com punhais. Tudo graças a Neji, que acreditava que as primas eram pequenas demais para serem indefesas, por isso se empenhava em treiná-las escondido.

Antes das três saírem do quarto correndo e irem para o topo da escada, Hinata pegou a irmã de cinco anos no colo, mesmo sentindo dificuldades em carrega-la, ela não a soltaria jamais. Hanabi dormia tranquilamente, a cabeça pequena apoiada no ombro de Hinata.

Encontraram Hitomi passando ordens para uma criada, que correu desembestada para acordar a todas as outras.

Todas, até mesmo as crianças, sabiam o que acontecia com uma mulher que era pega no meio do furor da vitória, principalmente se o lado vencedor fosse o inimigo. Por isso Hiashi mandou que fossem mandadas para longe, voltariam provavelmente só quando a tarde reinasse.

Quando todos chegaram a cozinha, a mulher do Laird andou por um corredor ao lado do forno e abriu um compartimento pequeno no canto da parede. Enquanto a baralha começava a ser ouvida, Hitomi foi comandando as mulheres a entrarem uma a uma enquanto Neji ficava de tocaia perto da porta para o caso de alguém aparecer. Assim que todas passaram, Hitomi enviou Sakura, depois Hinata, que apertou a cabeça de Hanabi contra seu peito enquanto se arrastava lentamente para não acordá-la e denunciar a fuga, depois Ino e só então mandou Neji voltar e entrar, quando enfim todos estavam seguindo pelo túnel, a mulher entrou e fechou a pequena porta, para depois arrastar uma pedra do tamanho da entrada para lacrá-la por dentro.

Três mulheres foram necessárias para empurrar a pedra. Quando o trabalho enfim foi feito, Hitomi acendeu uma vela que trouxe consigo e foi passando de mulher para mulher, logo quem havia pensado em trazer uma ajudou a iluminar o túnel.

Ino olhou envolta, surpresa. Achou que todo o túnel seria do tamanho de sua entrada, mas na verdade ele era grande e espaçoso o suficiente para eles andarem em dupla, lado a lado, e as crianças em trios.

— Vamos seguir adiante, virar para a direita quando aparecer uma bifurcação, entrar em um esconderijo que fica embaixo do castelo e nos trancar lá! — Hitomi sussurrou, pegando a mão de Hinata enquanto a menor carregava a aljava e o arco nas costas e a irmã no colo.

Sakura, Ino e Neji seguiram logo atrás das duas, Neji no meio apertando as mãos das primas, passando tanta segurança quanto poderia passar.

Ino nunca se sentira tão grata por ter um primo que as amasse e protegesse tanto. Neji seria um grande homem e guerreiro, era honrado até o fim.

Logo as outras se juntaram com seus filhos e seguiram sua Senhora, quando enfim chegaram no esconderijo eles entraram e Hitomi fechou a porta quando a última mulher e criança entrou. Ali debaixo era impossível de escutar o que acontecia, por isso todas deram as mãos e pediram aos deuses que protegessem seus maridos, irmãos, pais e parentes que lutavam lá em cima.

Ino observou a tia e chegou à conclusão de que a mulher forte que observava a porta com os olhos e ouvidos atento era o tipo de mulher que ela queria ser quando crescesse. Nunca havia visto ela daquele jeito, tão concentrada, mascarando seu medo e sua dor. Seu marido estava lá em cima e seria o primeiro que todos os inimigos iriam atrás para matar.

— Tia... — Ino chamou em um sussurro, fazendo a mulher olhá-la. — O tio vai ficar bem? Estou com medo por ele.

Hitomi abriu um sorrisinho corajoso e soltou a mão de Sakura por tempo o suficiente para bagunçar os cabelos de Ino e dizer.

— Não tema por ele, minha querida. Seja uma mulher forte e corajosa que protege os seus, ele é um homem poderoso e esperto, sabe se defender. A parte dele ele está fazendo lá em cima, por isso se preocupe somente com a sua parte.

— E qual é a minha parte?

— A sua parte é viver. Tu és o destino deste clã, todos vós. — Ela indicou cada um dos cinco com os olhos cinzentos. — Então se preocupem em mantê-lo vivo. Não importa o que acontecer conosco

E depois desse ensinamento, nenhum deles o esqueceu. Quando a tarde chegou, um som de batida na porta despertou todas as pessoas ali dentro que haviam passado a noite em claro.

— Sou eu, senhora! Ibiki Morino, vim avisar que tudo acabou.

Hitomi abriu a porta lentamente e quando viu que tudo estava livre, começou a guiar todos para fora. Quando chegaram ao pátio, Ino ficou horrorizada, assim como as primas. Hitomi havia pego Hanabi no colo e escondia o rosto da pequena em seu peito. Ela caminhou a frente de todos e parou no meio daqueles corpos ensanguentados que estavam espalhados pelo local.

A cena parecia irreal, a mulher linda, com sua pele branca imaculada, sua camisola um tom mais claro que a pele, seus cabelos negros chicoteando com o vento e a criança em seus braços. A barra da camisola longa começou a sugar o sangue, principalmente quando Hitomi se ajoelhou no chão com os olhos fixos em um corpo.

Ela nada disse, apenas ficou parada olhou, lágrimas descendo pelos seus olhos. Depois de alguns segundos de choque, Neji agarrou as mãos de Hinata e Sakura, a última agarrou a de Ino e os quatro andaram pulando os corpos, sem demorar muito olhando para eles.

Assim que pararam ao lado de Hitomi, seus corações pararam por uma batida e logo seus olhos nadaram em lágrimas que não demoraram a escorrer. Ali, no chão, estava um homem de cabelos longos e negros, traços fortes com um filete de sangue escorrendo pelo canto do seu lábio, uma espada atravessava seu peito.

Ibiki parou de frente para a senhora, em silencio.

— Qual deles? — Hitomi perguntou, sua voz rouca pelo choro.

Ibiki lançou um olhar a Neji que fez as pernas do menino tremerem.

— Senhor Hizashi.

Hitomi soltou um soluço dolorido enquanto esticava a mão às cegas, agarrava o sobrinho e o apertava forte contra o lado livre de seu peito.

— Eu sinto muito, querido. Eu realmente sinto muito.

Neji ficou sem forças nas pernas e apoiou todo o peso contra a tia, enquanto a agarrava com todas as forças. Seu pai era o único que restava, agora ele também havia sido tirado de si. A dor era tão grande e pesada que ele sentia como se seu corpo não pudesse suportar.

Ino olhou para Hinata e Sakura, logo as três se abraçaram e choraram juntas. Hizashi era como um pai para elas, ele era bom, honesto, honrado. Um homem de valor. Elas sentiriam saudades dele, era como se uma parte delas tivesse morrido junto com ele.

Depois disso, a família do Laird foi enviada ao quarto dele, onde o mesmo se recuperava de um ferimento profundo em sua perna direita. Descobriram aquele dia duas coisas que mudariam suas vidas e o sentido delas: Hizashi Hyuuga Campbell havia dado sua vida pela do irmão e a causa do ataque era uma tentativa de sequestro por parte dos Comyn, que desejavam levar as herdeiras do clã como reféns, casá-las com seus filhos e assim tomar posse da lealdade dos Campbell de Inveraray.

Uma semana depois, Hiashi anunciou que agora não apenas Hinata, Sakura e Hanabi tinham uma herança generosa do clã Campbell, como também Ino e Neji. O último herdaria a liderança do clã quando o tio falecesse, porém enquanto isso não acontecesse, ele deveria zelar por suas primas e irmãs.

Dois dias depois do anuncio, três das quatro foram enviadas para longe e a última, por ser muito jovem, foi criada sob total vigilância em Inveraray Castle.

Escócia

1319

Dunscaith Castle

Ino não deu nome aos personagens, nem ao clã, porém a história fascinou as crianças da mesma forma.

— Que triste, senhorita! — Um garoto com cabelos loiro sujo disse, com pesar em sua voz.

— Elas devem ter sofrido muito por terem perdido o tio e serem enviadas para longe. — A menina de grandes olhos castanhos afirmou, sentindo empatia pelas crianças. — Eu choraria muito se fosse comigo.

Ino sorriu triste e acariciou seu cabelo.

— Não se preocupe, querida. Elas descobriram que a melhor forma de seguir em frente é acolhendo o seu passado, aprendendo com ele e seguindo em frente. Elas sabiam que seu tio sempre estaria ali com elas, em seus corações e em seus ensinamentos. Ele era um homem realmente sábio.

Isso pareceu fazer as crianças relaxarem. Logo todas estavam contando sobre as tristezas que passaram na vida, as saudades que sentiam de alguém ou de um bichinho de estimação e riam das lembranças felizes.

***

Sakura subiu em seu cavalo, puxou as rédeas e começou a seguir Sasuke um pouco mais atrás. Estava desconfiada dele. Ele poderia até ter sido amigável e gentil com ela desde o festival, mas ela não tinha tanta certeza assim de sua amizade.

Os dois subiram a encosta e entraram no refúgio embaixo das arvores, onde o solo tinha menos gelo e era muito mais fácil de trafegar.

— Crianças no povoado estão ficando doentes sem nenhuma razão específica e isso está preocupando suas famílias e todo o clã. Talvez se tu os visitar, descubra a causa dessa epidemia.

— Entendo. — Sakura respondeu.

Sasuke olhou para ela com os olhos levemente estreitos. Sakura estava desconfiada, isso era visível tanto em sua postura tensa quanto em sua expressão séria.

— Estas desconfiada. — Essa afirmação atraiu os olhos verdes brilhantes até os dele. — O que está deixando-a dessa forma?

A rosada deu de ombros, um gesto nem um pouco elegante.

— Tudo. Sair contigo sem companhia, ir para além da muralha...

Ele riu brevemente.

— Não preciso de companhia para te controlar.

Sakura não sabia se sentia-se indignada pela confiança dele de que a venceria ou se dava atenção ao tremor que atravessou o seu corpo quando percebeu o toque malicioso na voz dele.

— Está confiante demais de que pode me controlar, milord. — Ela abriu um sorriso desafiador. — Embora eu esteja confiante de que não és capaz disto.

Antes que Sakura se quer terminasse de falar, Sasuke puxou as rédeas de seu cavalo, passou um braço pela cintura dela, girou seu corpo com a mão livre e a montou de frente para si, suas mãos agora apoiadas na cintura dela. Tudo aconteceu de forma tão rápida que ela arregalou os olhos.

— O que dizia? — Perguntou, sínico.

Sakura apertou suas mãos, percebendo naquele momento que ela as havia apoiado em seu peito. A sensação dos músculos duros e quentes não ajudou a desanuviar sua mente. Assim como o cheiro de couro e sabão que ele exalava.

— Que tu não és capaz disto.

A mente de Sakura parecia ter voltado ao normal, assim como seus reflexos, porque ela ergueu-se em um movimento rápido, escapando das mãos dele, agarrou a rédea de Nôra e pulou, caindo montada em sua cela.

— O que dizia? — Perguntou, sínica.

Sasuke a olhou por alguns segundos e então a coisa mais surpreendente aconteceu: ele riu. Na verdade, ele gargalhou. Sakura ficou sem entender nada, enquanto Sasuke tentava parar de rir, o que parecia estar sendo bem difícil.

O moreno nunca havia visto mulher mais teimosa e determinada, chegava a ser engraçado a forma como ela sempre arrumava uma maneira de sair vitoriosa. Embora ele não negasse que achava aquilo atraente. Até o biquinho que ela estava fazendo naquele momento era atraente.

— Do que tanto ri? — Perguntou, com uma expressão confusa e irritada por não entender.

Pelo visto ela também gostava de saber sobre tudo o que acontecia.

— És teimosa demais para o próprio bem, Sakura. — E, antes que ela pudesse responder, ele apontou para a frente. — Chegamos a primeira casa.

Eles desmontaram de seus cavalos e seguiram até uma cabana simples e acolhedora. Ao entrar, Sakura logo visualizou uma mulher sentada em um banquinho de três pernas trocando panos molhados da testa de duas crianças, uma de cinco e outra de dez anos.

A casa estava com a lareira acesa, por isso estava aquecida e acolhedora. A mulher ergueu os olhos chorosos e encontrou os de Sasuke.

Ah, senhor! Que bom que veio em nosso auxilio, senhor! — Ela se levantou e agarrou as mãos de Sasuke, estava desesperada. — Meus filhos caíram de febre tem dois dias, não sei o que houve! — Ela olhou para Sakura e seus olhos brilharam de esperança. — A senhorita é curandeira?

— Sou sim, senhora. — A mulher agarrou suas mãos com força.

— Salve meus filhos, senhorita! Salve-os!

Sakura apertou as mãos dela de volta.

— Farei o possível e o impossível, senhora. Preciso que deixe-me avaliar suas crianças o mais rápido possível!

A mulher largou suas mãos e abriu espaço para Sakura. A rosada desamarrou sua capa, jogou-a no peito de Sasuke, que a agarrou surpreso, ergueu as mangas de seu vestido e foi até as crianças.

A primeira a ser examinada foi a menina de cinco anos, a menina estava envolta em cobertas e usava apenas um pijama branco. Sakura ergueu o pijama, o retirando, e deixou a menina, que delirava e suava de febre, somente com as calçolas. Ela estudou seu peito, que continha manchas avermelhadas, virou-a de costas com gentileza e apoiou o ouvido nas costas quentes.

A sala ficou em total silencio enquanto Sakura sentia a respiração da menina pela mão em seu peito e escutava com o ouvido em suas costas.

Logo depois a rosada abriu a bolsinha que ela tinha amarrada a sua cintura, pegou tubérculo de maravilha e deu para a criança, incentivando-a com voz doce a mastiga-la. Quando a criança começou a fazer isso, Sakura fez todo o procedimento no menino de dez anos e o fez mastigar também.

— O que é isso? — A mãe perguntou.

— Tubérculo de maravilha, para tentar acabar com a febre. Vamos lá fora, senhora, precisamos conversar. Venha também, senhor.

Sakura permitiu que Sasuke amarrasse sua capa sobre seus ombros enquanto a mulher pegava a dela.

Quando todos estavam do lado de fora, uma neve fraca começou a cair. Sakura olhou nos olhos da mãe e disse, direta.

— Seus filhos tem uma doença que eu vi há um tempo, e provavelmente as outras crianças também tem. E essa doença pode ser fatal, dentro de alguns dias seus filhos definharão e morrerão de febre.

A mulher arregalou os olhos, porém as lágrimas que os banharam desceram silenciosamente, porém sua voz era firme.

— A senhorita tem certeza.

— Sim.

A mulher olhou para Sasuke, que estava atrás de Sakura. Quando o moreno assentiu, ela soube que devia confiar naquela estranha.

—O que pode fazer em relação a isso?

— Eu conheço uma erva, já testei ela para curar uma pessoa dessa doença sem nome. Posso tentar fazer o mesmo com seus filhos e as outras crianças da aldeia, porém devo avisar que existe o risco de dar errado.

— E se der errado? O que acontece? — Sasuke perguntou, apoiando a mão grande e pesada no ombro de Sakura. Ela olhou para ele, por sobre o ombro, e disse séria.

— Eles morrem. — Ela voltou a olhar a mãe, que ingeriu o ar audivelmente. — Por isso estou pedindo a tua confirmação. A mesma quantidade de chance que eles têm de viver, eles têm de morrer. Porém, diferente da doença, tu poderás ter esperanças.

A mulher deu um longo olhar para a cabana, então olhou para Sakura novamente e fez sua última pergunta:

— Que erva é esta que tens?

Sakura retirou da bolsinha um frasco com um líquido ralo e escuro.

— É uma planta rara, que só nasce à noite e morre com o nascer do sol. Seu nome é beladona, fiz uma infusão dela e ainda está na validade. Segundo minha mestra curandeira, é a planta mais poderosa que ela já conheceu, capaz de matar um homem, mas também de trazer um moribundo de volta à vida.

A mulher olhou para o frasco por alguns segundos e então ela assentiu.

Sakura, ao receber o consentimento, atravessou o quintal a passos largos e entrou na casa, Sasuke em seu encalço. Ela retirou a capa e jogou contra seu peito mais uma vez, depois foi até a cama e sentou-se ao lado do mais velho.

— Quanto tempo demora para saber se deu errado? — Sasuke perguntou, enquanto parava ao lado dela.

— Pode levar cinco minutos ou uma hora.

Ela apoiou a cabeça do menino em seu colo. Ele estava pálido, suado e magro. Mais algumas horas e a doença o levaria.

— Seria só um pouco mais rápido que a febre... — Ela sussurrou para Sasuke, olhando em seus olhos. — Espero que dê certo.

Os olhos negros não se afastaram dos dela.

— Dará, Sakura.

A confiança que ele passou com aquela frase e aquele olhar foi suficiente para que a rosada abrisse a boca do menino e pingasse duas gotas do chá.

Sakura começou a contar os segundos e quando se passaram dez minutos, um peso saiu de suas costas. Da fase inicial ele passou com folga.

A mãe tomou o lugar de Sakura e ficou alisando a cabeça do filho enquanto cantava uma canção de ninar. Sakura fez o mesmo procedimento com a menina, porém para ela deu somente uma gota, por ser muito menor e mais magra que o irmão. E então eles passaram uma hora lá.

Quando o tempo se esgotou, a mãe ergueu os olhos marejados do filho e um sorriso genuíno nasceu em seus lábios.

— A febre baixou!

Ela se levantou e foi olhar a filha.

— A dela também! — E então a mulher começou a chorar, agarrada a sua pequena.

Sasuke fez sinal para que Sakura saísse com ele, quando chegaram a porta, ela olhou para a mãe e os filhos, um sorriso lindo nascendo em seus lábios. Sasuke botou a capa em suas costas e a amarrou, depois segurou seu cotovelo e a guiou para fora.

Quando o ar frio bateu em seu rosto, Sakura sentiu como se um peso enorme saísse de suas costas. Suas pernas ficaram bambas e ela temeu cair ao chão, porém Sasuke a segurou com firmeza pela cintura e alisou seus cabelos. Só nesse momento que Sakura percebeu que estava chorando.

Os dois nada falaram, palavras não eram necessárias. Sasuke sabia que ela ficou com medo de matar aquelas crianças, mas sua decisão difícil e racional salvou a vida delas.

— Vamos. — Ele chamou quando ela se recompôs. — Temos mais crianças para salvar hoje.

***

Hinata acordou cedo, porém preferiu ficar em seu quarto por uma hora para lustrar suas adagas, sua espada e afiar suas flechas. Assim que ela terminou o que estava fazendo, desceu para o salão, comeu um prato de mingau e bebeu leite.

Quando ela finalmente ouviu o som de espadas se chocando no pátio, a morena se ergueu, jogou a pesada trança para as costas e foi para a porta que dava para os fundos do pátio. Quando saiu para a área vazia com uma leve geada caindo, encontrou Tenten sentada em um banquinho com duas espadas de madeira no colo.

A morena levantou-se rápido demais, fazendo as espadas caírem ao chão.

— Finalmente, Hinata!

Hinata riu da impaciência da amiga.

— Pegue as espadas e vamos começar, Tenten.

Tenten pegou as espadas e jogou uma para Hinata, que pegou-a no ar.

— Vamos começar com sua postura. — Hinata começou a andar envolta de Tenten, observando a posição que a morena segurou a espada. — Afaste um pouco as pernas, Tenten. Isso, assim... — Ela bateu com a espada de leve em suas costas. — Fique mais ereta, isso torna mais fácil de se desviar. — Bateu na parte de trás de seus joelhos. — Curve-os levemente, assim... — Bateu de leve em seu braço que segurava a espada. — Dobre-o mais um pouco.

Quando finalmente ficou satisfeita com a postura dela, as duas começaram a trocar golpes. Hinata dando instruções enquanto Tenten as seguia, e a cada vez que sua espada caia, ela ficava ainda mais animada em aprender. Graças a essa animação, o treino foi leve e regado a gargalhadas, tanto que a guarda sempre erguida de Hinata havia caído e ela não percebeu que Naruto as observava, até que o mesmo se pronunciou.

— Posso me juntar a vós, senhoritas? — Perguntou, galanteador.