Notas iniciais
FALAE GALERAAAA!! Quem é vivo sempre aparece, né non? Primeiramente eu queria pedir desculpas pela demora gigante, eu tive um período dos infernos na faculdade, daquele tipo que suga até a sua vontade de viver, que te faz querer chorar antes de sair da cama kkkk mas agr eu to de férias, comi muito no final de ano e consegui me livrar dessa bosta desse bloqueio q me deu por causa do estresse. Enfim, to de volta cambada, queria agradecer aos lindos que continuaram comentando e mandando mensagem, amo vcs cara, vcs me fizeram lutar mais ainda para sair do bloqueio. Escrevi esse cap aos pouquinhos, com pausas entre uma parte e outra, por isso gostaria que me falassem se deixei a desejar de alguma forma, ademais, BOA LEITURAAAA!!

Capítulo 14

Cabana

Leste da Ilha de Skye

Elas chegaram ao topo do penhasco quando a neve voltou a cair, ela era fina e derretia assim que tocava em seus corpos, mas elas sabiam que o chão voltaria a ficar coberto de branco antes que a noite caísse.

Sakura ergueu o punho e bateu contra a porta de madeira, segundos depois uma voz chamou lá de dentro.

— Entrem!

As três trocaram um olhar antes de Sakura empurrar a porta. Deram com uma sala pequena, ela tinha uma lareira, utensílios de cozinha, uma mesa com quatro cadeiras em volta e uma mulher sentada em uma das cadeiras. Seus longos cabelos loiros estavam recolhidos em uma trança grossa e, por cima da túnica branca que usava no sonho, estava um avental marrom amarrado na cintura. Ela olhou-as com seus olhos dourados brilhantes e um sorriso acolhedor.

— Vamos, sentem. — Chamou novamente, indicando as cadeiras a sua frente.

As três entraram hesitantes, cada uma puxando uma cadeira, Sakura de frente pra mulher, Hinata a sua direita e Ino a sua esquerda.

— Como vós... Como falou conosco através dos sonhos? — Hinata questionou, um pouco receosa.

A mulher riu e depositou três copos a frente delas, enchendo-os com whisky caseiro.

— Ah, isso é algo que aprendi há muito tempo e que é passado de geração à geração.— Ela fez sinal para que bebessem, e só voltou a falar quando elas o fizeram. — Sou uma das últimas druidas que ainda persistem.

— Achei que eles estivessem extintos. — Ino comentou enquanto dava outro gole em seu Whisky. Ele era realmente bom.

— Não tanto quanto os ingleses desejam, não é mesmo?

— Justo. — Ino sorriu, o pouco que conversou com ela, a loira decidiu que gostava da mulher mais velha.

— Lembro-me da senhora. — Hinata informou, apontando para a mulher. — No festival.

A mulher sorriu.

— Sim, eu estava lá. Precisava vê-las.

Sakura se debruçou na mesa.

— Porque?

— Para confirmar se eram as mulheres certas. — A loira levantou-se e caminhou até o fogo, parando a frente dele, ela ficou o olhando enquanto falava. — Tenho um aviso para dar-lhes, e espero que ouçam o que tenho a dizer.

As três trocaram olhares.

— Estamos ouvindo. — Sakura afirmou.

— Pois bem: tempos difíceis estão por vir, se sentirão traídas, usadas, seus corações serão quebrados e sua coragem será testada ao extremo. — Ela olhou por sobre o ombro, a luz do fogo brilhando ao redor dela como uma áurea dourada, seus olhos, da mesma cor de ouro, brilhavam mais ainda. — Espero que estejam preparadas, a maior missão de suas vidas está por vir. Agora vão, seus destinos já estão em curso.

As três levantaram embasbacadas, dirigiram-se a porta e saíram. Não se despediram. Algo lhes dizia que o que aquela mulher dizia era a verdade, algo na voz dela, no tom, dizia que ela realmente podia ver o futuro.

— Vamos. — Ino falou, quando todas estavam reunidas na porta. — Vamos enfrentar o que vier. — Ela estendeu as mãos para as primas, que as agarraram em um aperto firme.

— Estaremos sempre unidas. — Hinata disse, olhando para o mar revolto no final do penhasco onde estavam.

— E nunca nos trairemos. — Sakura afirmou e começou a andar, obrigando as outras a acompanharem-na.

***

Tenten tinha o sono leve, e, ao ouvir barulho de portas abrindo e fechando, seu corpo despertou, impedindo que ela continuasse a dormir, por isso ela se levantou.

A morena se espreguiçou e caminhou com os pés descalços até a janela, para confirmar que o céu não havia nascido completamente. O pátio estava vazio e a neve fina descongelava antes de chegar ao chão. Ela esticou a mão e apanhou uma, observando a gota que se formou. Quando ela ergueu o olhar, viu três figuras conhecidas correndo pela colina através do muro e, no mesmo segundo, seu coração começou a bater tão rápido quanto as asas de um passarinho.

— Elas estão... Me deixando?

Sem que percebesse, esse simples pensamento abriu as portas para um medo que Tenten não imaginava possuir. O medo de ficar sozinha como sempre esteve. O medo de sentir como era ser querida e então voltar a ser odiada.

Imagens do passado começaram a povoar sua mente, e, quando ela viu, estava submersa em um mar de lembranças ruins. Ela deu um passo torpe para trás, suas mãos tremendo e sua respiração falhando.

"— Garota estúpida. Eu queria um homem, e a vagabunda da sua mãe me deu uma incompetente."

— Me deixe em paz... — Tenten sussurrou, mas mesmo assim ela ainda sentia as mãos daquele homem em seu corpo e sua voz em sua mente.

"— Ao menos é bonita, vai servir como diversão para meus homens."

— Me deixe... Me deixe em paz.

Ela virou-se e correu para fora do quarto. O pânico incontrolável tomando conta do corpo dela e lágrimas escorriam por seu rosto. Ela estava sendo abandonada de novo, ela estava sendo abandonada. Ela sabia que isso aconteceria. Parou em frente ao quarto de Hinata e abriu a porta, confirmando a ausência da mesma. Ela não conseguiria olhar nos outros dois. Por isso, ela começou a correr cegamente pelo corredor, agarrando sua camisola e a erguendo, enquanto descia as escadas a passos rápidos. Quando chegou ao final, evitou passar pelo grande salão, por isso saiu pela porta lateral e começou a correr pelo pátio.

Mas, estranhamente, ela trombou com uma parede que não existia antes e foi de encontro ao chão. Contudo, antes que chegasse ao mesmo, um braço forte a segurou.

Tenten ergueu os olhos cheios de lágrimas, ainda com a respiração rápida e com o cabelo bagunçado, encontrando um par de olhos perolados. Por alguns segundos, o tempo pareceu parar, assim como seu coração. Ele estava tão próximo que ela sentia o cheiro de couro que ele exalava, seus cabelos lisos e castanhos escuros estavam soltos e voavam com o vento, rodeando seu belo rosto, que a encarava seriamente. Ela havia acabado de encontrar o homem mais lindo que já viu em sua vida, mais do que Naruto, Sasuke e até Gaara. Mais do que todos.

Neji foi pego de surpresa quando ela esbarrou nele, estava cansado da viagem, um pouco desconfiado sobre a presença de sua prima e irmãs no castelo e havia saído para averiguar, antes que pudesse realmente descansar.

Mas agora, com aquela estranha com os mais lindos e chorosos olhos castanhos que já havia visto, em seus braços, sua mente ficou momentaneamente em branco. Porém, o mais encantador nela não eram os olhos, mas, sim, os cabelos. Uma massa castanha pesada e ondulada, que estava solta e indomada, contornando seu rosto pequeno e bonito.

Ele levantou a mão livre e secou as lágrimas embaixo dos olhos dela, para, logo em seguida, apertar o pequeno corpo contra o seu e abraçá-la. Um abraço sem maldade, carinhoso e acolhedor. Por alguma razão, ele sentiu que era o que ela precisava. E ele estava certo, seu corpo tremia muito e ela começou a soluçar.

Neji enfiou os dedos naqueles cabelos espetaculares e massageou sua nuca, procurando, assim, acalmar seu coração. Que batia tão rápido que ele conseguia sentir.

Quando o corpo dela finalmente parou de tremer, quando seu coração se acalmou e as lágrimas deram uma pausa, ele a soltou.

— Está melhor?

Ela apertou as mãos nervosamente em frente ao corpo e assentiu. Neji sorriu e ergueu seu rosto com o dedo, fazendo-a olhar para ele.

— Não senti muita firmeza em sua resposta, milady.

Os olhos castanhos e grandes brilharam de uma forma que o atingiu bem no coração.

— Estou bem, obrigada.

Os dois se encararam por alguns segundos, até que Neji olhou para o corpo dela e então para seu rosto novamente.

— Acho melhor a senhorita entrar, não está devidamente vestida e todos estão para acordar.

Ela corou lindamente enquanto dava um passo atrás.

— E-eu, eu sinto muito, milord, obrigada novamente.

E então ela se virou, agarrou a barra da camisola, levantando-a até os tornozelos, e correu para dentro, seus cabelos voando as suas costas. Neji a observou se afastar, não podendo deixar de notar suas belas curvas femininas.

— Espero que estejam aqui, meninas. Porque eu desejo permanecer mais um pouco. — Comentou consigo mesmo, sorrindo.

***

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, na sala de reunião do castelo, Naruto, Sasuke, Gaara e Shikamaru estavam sentados à mesa, cada um perdido em seus próprios pensamentos, a procura de uma solução.

— O Hyuuga Campbell apoia Bruce abertamente? — Naruto questionou, apenas para confirmar com os outros.

— Não, Bruce mantém em segredo quem o apoia na surdina. Porém, o melhor para nós, é ter um homem poderoso, rico e Laird de um clã tão grande, ao nosso lado. De forma clara. Precisamos mostrar força perante aos ingleses, mesmo estando eles em maior número. — Shikamaru afirmou, apontando no mapa os territórios de Hiashi e daqueles sob seu comando, como, por exemplo, os Loudoun Campbell, que estavam em Dunscaith.— Precisamos de um plano, essas mulheres no castelo são um trunfo que não podemos perder.

Sasuke assentiu, olhando para o mapa.

— Temos que arrumar uma forma de prendê-las a nós, sem forçá-las e com o consentimento de Neji.

Todos ficaram em silêncio novamente, ainda buscando uma forma honrada de prosseguir. Até que Naruto arrastou a cadeira para trás e se levantou, apoiando as mãos na mesa de madeira e olhando nos olhos de cada um deles, o azul safira agora estava mais escuro, ele tinha o olhar que sempre possuía quando estava para lutar, ou para fazer algo que não gostaria, mas que seria para o bem do clã.

— Já sei o que devemos fazer, espero que sigam minhas ordens sem contestação.

Os outros três assentiram, sabendo que aquele era um momento delicado e que deveriam seguir o que seu rei lhes disse: "sigam Naruto, ele é o líder do grupo". E era isso o que faziam. Seguiam o chefe.

***

Quando as três retornaram ao castelo, elas se trocaram e foram direto ao quarto de Tenten. Quando entraram, encontraram a morena sentada em frente a penteadeira, com os cabelos soltos, um olhar sonhador para o próprio reflexo no espelho e passando a escova pela mesma mecha de cabelo várias e várias vezes seguidas.

Elas observaram a cena por alguns segundos, esperando que a morena percebesse que estavam ali. Quando ficou claro que a mesma estava em outro mundo, Ino caminhou até ela e arrancou a escova de suas mãos, fazendo Tenten pular, assustada.

— Meu Senhor! De onde surgiram?

Sakura abriu um sorriso pícaro, observando atentamente a face avermelhada da amiga.

— Porque encontraste tão distraída, Tenten? — Ela caminhou até a amiga e aproximou o rosto do dela, fazendo a morena chegar um pouco para trás. — Porque sinto cheiro de paixão no ar?

Hinata riu e balançou a cabeça negativamente, quando percebeu que Tenten ficava cada vez mais corada.

— Não é nada, pare com isso.

Hinata botou as mãos na cintura, fazendo a pose de mãe que ela adotava as vezes.

— Ah não, precisa nos contar! Sabe tudo de nós, nada mais justo do que sabermos tudo de vós.

Tenten corou mais ainda e sussurrou.

— Tudo bem, eu... conheci um guerreiro. — A três soltaram gritinhos animados, Ino agarrou Tenten pelas mãos e a arrastou até a cama, deixando-a sentada no meio, com as outras a sua volta. Nada era mais refrescante que um romance para fazê-las esquecer, pelo menos por alguns segundos, o que lhes disse a vidente.

— Conte-nos, conte-nos! — Sakura pediu, com o rosto corado de animação.

— Tudo bem, tudo bem. Eu, eu fiquei um pouco assustada quando o sol estava nascendo, tive sonhos ruins, então saí para respirar um pouco de ar fresco e desanuviar a mente. Porém, enquanto andava, não vi para onde estava indo, porque estava olhando para o chão. Foi nesse momento que esbarrei em uma pessoa, ele me segurou antes que caísse no chão, aí, quando levantei o olhar... — Tenten suspirou, com um olhar apaixonado no rosto. — Vi o homem mais lindo que jamais havia encontrado.

Ino debruçou-se, apoiando o rosto os joelhos, já que ela havia puxado as pernas para cima do colchão e abraçado as mesmas. Nada escapava de seu olhar azul esverdeado.

— Como ele era? — Perguntou.

— Ah... Era lindo, os olhos eram de um azul cinzento, quase perolado, como os seus, Hinata. — Quando a morena disse isso, ela não percebeu o corpo das outras enrijecer e nem seus olhos arregalarem. Só havia uma família em toda Escócia que tinha aqueles olhos... — Os cabelos são castanhos, ele é alto, com um rosto de feições fortes, e, bem, ele é todo forte. — Tenten corou ainda mais, escondendo o rosto entre as mãos, não percebendo a troca de olhares entre as outras. — E sua voz... Sua voz é tão linda! Ele foi perfeitamente gentil, perguntando se eu estava bem e tudo mais.

— Ele disse qual era seu nome? — Hinata perguntou, sentindo a voz tremer na última palavra.

Tenten olhou para ela e ergueu uma sobrancelha quando reparou no olhar da amiga. Ela parecia... Desesperada.

— Não.

— Mas sabe onde ele está?

A morena perguntou de novo, parecendo mais desesperada ainda.

— Eu o vi no pátio onde treinamos há dez minutos, ele ainda deve estar lá-

Tenten não havia terminado de quando Hinata saiu correndo como o vento, ela se levantou rápido, junto de Sakura e Ino, e as três correram atrás de Hinata.

***

Hinata mal ouvia o barulho dos seus pés batendo no chão, seu coração batia tão forte que atrapalhava qualquer outro som. Seu irmão... Não o via há anos, desde que foi embora. Deus, como sentia saudades dele! Esperava de coração que estivesse certa.

Por um momento, esqueceu-se de ser discreta, por isso levou um susto quando chegou ao pátio e o encontrou cheio. Parou se supetão, sendo quase jogada no chão quando as outras esbarraram nela na porta.

Todos olharam para elas, Hinata passou os olhos pelos homens treinando, todos sem camisa, mesmo com o frio que fazia, um deles sorriu malicioso, mas ela nem se importou. Deu as costas para o pátio e voltou para dentro quando viu que ele não estava lá.

— Porque estás tão desesperada, Hinata? — Tenten perguntou, desconfiada.

— Descobrirás quando eu o encontrar, prometo.— Hinata entrou e procurou no grande salão, e assim ela percorreu todo o primeira andar do castelo, com Tenten ao lado, para o caso de ela reconhecer o homem misterioso e afirmar a Hinata quem ele era. Quando chegaram ao segundo andar, ela estava mais tranquila, porém não menos desesperada.

— Não é possível! — Tenten exclamou, frustrada, enquanto andava a frente delas. — Parece que ele evapo-

A palavra foi cortado quando ela virou a esquina do corredor e bateu de frente com um homem, que a segurou pela cintura antes que ela caísse.

O rosto de Tenten ficou vermelho quando ela sussurrou, olhando para o rosto que estava escondido por trás da cascata de cabelos castanhos.

— Achei...

Tenten viu o homem bonito franzir a testa para o que ela disse, com um sorriso divertido nos lábios. Ela desviou o olhar de forma lenta, porque não conseguia pensar direito com aqueles olhos perolados presos nos seus e aquelas mãos fortes segurando sua cintura. Quando ela finalmente conseguiu e olhou para as amigas, o homem seguiu seu olhar.

Todos ficaram paralisados por alguns segundos, até que ele soltou Tenten com cuidado, para que ela não caísse, e olhou para Hinata primeiro.

— Hinata...?— Ele olhou para a direita dela. — Sakura...?— E então para um ponto em cima dos ombros de Hinata. — Ino...?

Neji deu um passo à frente, parou e abriu os braços. Sem trocar nem uma palavra, as três correram e pularam nele, quase o derrubando no chão enquanto o abraçavam de tal forma que ninguém sabia qual braço era de quem. Tenten observou tudo sem entender nada, ainda mais quando suas amigas começaram a chorar copiosamente.

Depois de longos segundos, os quatro se afastaram e foram o abraçar uma a uma, primeiro Hinata, depois Sakura e por último Ino.

— Irmão, quanto tempo. — Hinata disse, secando os olhos, enquanto ele se afastava de Ino.

Tenten piscou.

— Irmão?

Todos pareceram lembrar que ela estava ali, Sakura foi quem respondeu a ela.

— Ele é nosso primo, mas como fomos criados juntos, nos tratamos como irmãos.

Neji sorriu para elas.

— Minhas irmãzinhas, estava tão preocupado. — Ele apoiou as mão nos ombros de Ino. — Mas estou aliviado por estarem bem.

Ino pousou a mão em seu rosto com carinho, fazendo Neji rir e Tenten ficar levemente incomodada.

— Vamos todos para o meu quarto, lá conversamos e explicamos a situação em que nos encontramos para vós, irmão. — Ino pegou a mão dele e o puxou, todas os seguiram até o quarto da loira. Onde sentaram Neji na cama e contaram tudo o que aconteceu.

—Por isso, não podes contar ao Laird quem somos. Saíremos quando ninguém desconfiar, em duas noites, e vós partirá ao amanhecer e nos encontrará no barco. — Sakura disse, apoiada na janela. — Assim esse pesadelo finalmente acaba e poderemos encontrar nossas famílias.

Neji franziu o cenho quando ela disse "pesadelo".

— Estão sendo maltratadas aqui? — perguntou, sua voz perigosamente baixa.

Sakura fez sinal de descaso com a mão.

— Melhor do que trataríamos pessoas estranhas que acolhessemos em nossas casas.

Neji relaxou, mas apenas um pouco.

— Então terei que agir como se não as conhecesse?

— Sim. — Hinata concordou, apoiando a mão no ombro dele. — Só assim não desconfiarão de nada.

— Naruto não faria nada contra vós, ele e os seus são meus amigos, lutamos lado a lado, não me trairiam assim.

"Se sentirão traídas", a voz de Tsunade reverberou na cabeça das três.

— Mas nós não confiamos. Fique ao nosso lado, irmão. Apenas dessa vez. — Ino disse, cruzando os braços. — Depois que essa guerra acabar, agradeceremos a ele por nos acolher e o recompensaremos.

***

Quando o jantar foi servido e todos começaram a comer, Sasuke falou com Naruto através de um murmúrio por trás de sua taça de vinho.

— Neji não aparenta conhecê-las, será que Shikamaru estava errado?

Naruto olhou para o moreno e disse em tom normal, para que Neji, que estava do seu outro lado, não desconfiasse.

— Shikamaru jamais erra. Esse guisado está espetacular.

Ele pegou sua taça para beber seu vinho e continuou com um sussurro.

— Seguiremos o plano, se der certo, comemoramos, se der errado, esqueceremos que aconteceu.

***

Quando todos foram dormir, Hinata sentiu fome. Não comeu durante todo o jantar por que estava pensando no que a vidente lhe falou. Por isso, quando já era meia noite, ela saiu de seu quarto vestindo um roupão fino de seda, por cima da camisola, e desceu para a cozinha.

Ao entrar, sentiu o frio ser substituído pelo calor agradável dos fornos, que sempre estavam acesos. Ela vasculhou cada espacinho a procura de algo para comer, e quase gemeu de alívio quando viu que havia um pouco de guisado em uma panela na lareira de fogo brando, ela serviu-se e comeu sentada na mesa que havia no centro da cozinha. Quando acabou, ela bebeu um copo d'água e virou-se para sair da cozinha, mas foi impedida quando esbarrou em um corpo duro e quente.

Hinata ergueu os olhos e encontrou os de Naruto, eles tinham um brilho diferente, o tom de azul estava mais escuro. As mãos dele foram parar na cintura dela, onde ele as usou para estabilizá-la, porém ele não a soltou.

— Naruto?

A voz dela ecoou pela cozinha, por mais baixo que ela tenha falado. Ele olhou para os lábios dela e Hinata sentiu sua pele ferver, a lembrança dos beijos que trocaram bombardearam sua mente, fazendo sua pele formigar. Ele espalmou a mão na base da sua coluna e a puxou para perto, colando seus quadris e, se ela não estivesse tão absorta em seu olhar, teria se assustado com o que sentiu contra seu ventre, mas, ao invés disso, ela só sentiu o calor aumentar.

A outra mão dele subiu pelas suas costas, parando em sua nuca, quando ele enfiou os dedos na massa de cabelos negros e pesados. Hinata não saberia dizer quem se aproximou primeiro, mas no segundo seguinte seus lábios estavam unidos em um beijo selvagem. Um beijo que não vinha acompanhado da raiva ou da ternura, como os outros, mas apenas pelo desejo.

Eles mergulharam um no outro, sentindo seus corpos queimarem e seus corações baterem e suas respirações pesarem. O ar quente da cozinha, antes acolhedor, se tornou pesado e quente demais. Naruto deslizou as mãos pela cintura dela e a ergueu, sentando-a em cima da mesa. Hinata abriu as pernas e permitiu que ele ficasse entre elas, enroscando-as envolta de sua cintura e sentindo uma sensação de alívio quando sentiu seu membro duro contra si. Ela se esfregou contra ele e engoliu o gemido que saiu de seus lábios. Não sabia o que a havia possuído, mas todo o pudor que tanto lhe foi ensinado, desapareceu.

Naruto afastou os lábios da boca dela, permitindo que os dois respirassem pesadamente para recuperar o fôlego, e, se aproveitando disso, ele distribuiu beijos pelo maxilar delicado, pelo pescoço delgado e pelo colo que ficou à mostra quando o roupão deslizou pelo ombro delicioso.

Ele retirou o roupão pelos braços dela e a olhou nos olhos enquanto abria os botões da camisola até que um seio cheio e leitoso ficou a mostra. Permitindo que ela visse o desejo, a fome e a admiração por aquele pequeno pedaço dela que ele pôde ver, sentir e experimentar.

Ele pesou o seio e gemeu quando ele encheu sua mão, sorrindo travesso quando olhou nos olhos de Hinata novamente e a viu corada e ofegante. Naruto se curvou e lambeu o bico duro, fazendo-a prender a respiração. Ele o chupou e mordiscou, enquanto ela se contorcia e esfregava contra ele.

Tudo estava perfeito, até que desmoronou.

— Que porra é essa, Naruto!?

Hinata ainda estava desorientada quando Naruto foi arrancado de si com força e jogado do outro lado da cozinha, sendo substituído pelas costas largas de outro homem. Um homem de cabelos longos, músculos retraídos e postura mortal.

Seu primo.

Hinata puxou a camisola para o lugar e vestiu o roupão o mais rápido que pôde, agradecendo por Naruto não o ter desamarrado de sua cintura. Ela fez isso a tempo de ver Naruto se levantar sorrindo.

Como se ele estivesse satisfeito por Neji ter visto os dois.

Como se ele soubesse que Neji reagiria assim se os visse.

A traição borbulhou dentro dela, a ponto de não conseguir se mover da mesa onde estava sentada.

Neji rugiu e socou Naruto no rosto, fazendo o loiro cambalear.

Mas Hinata não sentiu nada.

Depois de alguns segundos ela percebeu que palavras eram gritadas e rosnadas enquanto Neji ia para cima de Naruto de novo, que não revidava e nem se defendia.

Como se ele soubesse que merecia aquilo.

— ... desonrou minha irmã! Pagarás por isso, Naruto! — Neji o socou, mas agora com menos força que antes. E todos sabiam que aquele havia sido o último soco. — Se casará com ela.

Naruto assentiu, seu olho esquerdo começando a inchar.

— Me casarei. — disse com convicção, olhando para Neji.

Mas então seus olhos desviaram para os de Hinata, e o que viu em seus olhos, o que contrariava a expressão neutra que ela carregava, o fez dar um passo para trás. Os olhos perolados, que momentos antes brilhavam de desejo, agora estavam opacos e o denunciavam do que ele sabia que o perseguiria pelo resto da vida que passariam juntos: traidor. Eles gritavam essa palavra.

Ele sabia, desde o momento em que planejou aquilo tudo, que Hinata descobriria. Era uma mulher inteligente demais para não descobrir. Mas o que ele não sabia era que seu coração doeria tanto por ter feito aquilo com ela.

Que ele jamais se perdoaria.

Mesmo que tivesse feito pelo seu rei, seu país e seu clã.

No fim de tudo, ele traiu a pessoa por quem estava se apaixonando.

E teria que viver com isso para sempre.

Notas finais
eae? CURTIRAM? Me digam nos comentários ♥