Notas iniciais
OLHA QUEM VOLTOU???? Feliz ano novo genteeeeee!! Presente pra vcs, peço perdão pela demora, mas eu real estava sem inspiração e tempo, pois agora estudo e estagio, mas to torcendo muito para esse ano ser diferente e eu conseguir postar regularmente! Enfim, boa leituraaaaa!

Capítulo 15

Trotternish Castle

1319

Robert de Bruce sentou-se em seu trono improvisado, no salão principal do castelo, e olhou o mensageiro que recebeu. O homem estava ajoelhado à sua frente e mantinha a cabeça baixa quando começou a falar.

— Chegou ao conhecimento de meu Laird, Naruto Uzumaki MacDonald, que duas das mulheres abrigadas em seu castelo são filhas de Hiashi Hyuuga Campbell, e, por este motivo, e apenas este, neste mesmo momento, com o intuito de consolidar a aliança entre o clã Campbell e o clã MacDonald, ele garante que se casará com a filha mais velha. — O homem ergueu a cabeça, seus grandes olhos negros observando o rei com respeito e reverência. — Meu Laird mandou-me aqui para saber pelo senhor meu rei se deve prosseguir com as bodas.

Robert acariciou a barba negra e estudou o homem com seus olhos inteligentes, um silêncio pairou sobre eles por alguns longos segundos, até que o rei respondeu.

— A lealdade de Naruto não conhece limites, diga que deve manter tudo como está e prosseguir. Talvez assim Campbell declare abertamente que está ao meu lado e mais aliados se juntem a nossa causa, até o grande dia.

O homem concordou e levantou-se, para seguir caminho de volta à Dunscaith. Mas parou quando ouviu a voz do rei novamente.

— Qual seria o seu nome, highlander?

— Rock Lee MacDonald, meu senhor.

— Pois bem, Rock Lee, peço que entregue esta mensagem ao seu senhor. — Robert entregou um pergaminho lacrado para o homem, que o pegou rapidamente. — Agora vá, estamos próximos a Dunscaith, mas a viagem ainda sim é perigosa e logo chegará uma tempestade de neve.

Robert observou enquanto Rock Lee saía, esperando que sua mensagem chegasse a tempo e segura, assim como seu súdito.

***

Dunscaith Castle

1319

Hinata deslizou para fora da mesa e caminhou até sair da cozinha, seus pés descalços batiam no chão frio de pedra, mas, pela primeira vez, ela não se importou. Não chiou. Na verdade, Hinata nem mesmo sentiu a dor que o frio causava, pelo menos não a física, já que seu coração parecia sofrer mais do que qualquer dor possível e imaginável.

"Se sentirão traídas, usadas, seus corações serão quebrados..."

Parece que a curandeira estava certa, afinal. Ela foi a primeira a cair. Escutou alguém chamar seu nome, mas agora já estava no corredor para seu quarto. Somente mais um pouco e estaria segura. Mais um pouquinho...

Sentiu uma mão em seu braço e seu corpo foi virado, seus olhos encontraram o último par de olhos que desejava ver naquele momento.

— Precisamos conversar.

Naruto tinha uma postura altiva, como se ao falar aquilo ela fosse obrigada a escutá-lo. Bem, isso só aconteceria por cima do seu cadáver.

— Não temos nada a conversar, milord, iremos nos casar e isso já foi decidido. — Ela o olhou friamente. — Como o senhor desejava.

A postura dele abalou levemente, seu ombros caíram um pouco, mas ela não se importou.

— Hinata...

— Lady Hyuuga, como bem sabe. — Ela o cortou com um tom glacial. Já estava perdendo a paciência.

Naruto engoliu em seco e tentou novamente.

— Lady Hyuuga, agora que seremos companheiros para toda a vida, preciso que compreenda o que me impeliu a...

Hinata perdeu a cabeça, em um segundo, Naruto estava no meio do corredor, no seguinte, estava colado na parede com a pequena mulher o prendendo a ela, uma adaga afiada em seu pescoço.

— Honrarei o que melhor será para minha família neste momento, preservarei minha inocência cansando-me convosco. Mas não seremos companheiros, vós serás o senhor e eu a mulher que enganou para conseguir o que queria. Não finja que é diferente, sei que quer minhas terras e o poder de meu pai. Expôs meu clã, e sabe disso. Agora minha gente morrerá e terei de dormir ao lado do meu inimigo. Poupe-me de mais humilhação por hoje, futuro marido.

Ela se afastou e correu para seu quarto, deixando-o ali, parado. Mesmo que ela tenha despejado palavras raivosas para ele, Naruto sentiu a mágoa que elas escondiam. Ele viu Hinata em todas as suas formas: feliz, animada, raivosa, furiosa, assustada, surpresa, mas nunca, nunca, tão triste, tão magoada. Por isso, como um castigo auto imposto, ele caminhou até a porta de seu quarto e sentou no chão, onde ele pôde ouvir, bem ali do outro lado da porta, o primeiro soluço que Hinata soltou.

A morena apoiou-se na porta e deslizou, até sentar no chão gelado, seu corpo todo tremia. Ah, se ela tivesse percebido antes... Lágrimas grossas escorreram de seus olhos quando ela lembrou-se da tristeza que viu em seus olhos azuis. A mesma tristeza que presenciou tantos anos antes, quando os dois se despediram logo após terem prometido casar um com o outro.

Como o destino parecia gostar de brincar com as pessoas. O amor pelo qual tanto se guardou, aquele que ela sabia que jamais a magoaria, foi o que a traiu.Outro soluço escapou, seguido por mais e mais lágrimas.

Como doía amar.

***

Momentos antes

Nos jardins

Ino estava extasiada, fazia dias que, desde o que aconteceu na cozinha, ela e Gaara vinham se encontrando depois da meia noite. Estava perdidamente apaixonada e não sabia se conseguiria esconder mais, assim como ele.

Nesse momento, ela tava estudando os arbustos nus por conta do inverno, tentando imaginar como ficariam quando a primavera chegasse e colorisse cada raminho com flores belíssimas.

A Escócia era fria, úmida, mas, ao mesmo tempo, ela era linda e colorida. Seus dias de chuva faziam cada dia ensolarado valer a pena, pois permitia que eles apreciassem mais as maravilhas do calor e da cor. Gaara era como o seu sol depois de um dia chuvoso.

Quando ela sentiu mãos taparem os seus olhos, Ino sorriu abertamente e girou dentro de seus braços, ficando de frente para ele e o obrigando a abraçá-la, Gaara sorriu para ela quando viu seus olhos azuis e seu lindo sorriso.

Ele já tinha tudo planejado, antes mesmo de descobrir quem ela era. Por isso não foi contra o que Naruto pediu, pois de nada faria diferença. Amava Ino, e com ela ficaria para sempre, isso estava decidido desde o momento em que pôs os olhos nela, quando ela mais parecia uma sem teto do que uma Lady.

— Como estas esta noite, pequena guerreira?

Ino ficou na ponta dos pés e beijou seu queixo.

— Estou muito feliz, meu Highlander. E vós?

Gaara abaixou a cabeça, até suas bocas ficarem muito próximas.

— Estou um pouco frustrado, já que fez um esforço para beijar meu queixo, quando poderia beijar algo muito melhor.

Ino olhou em seus olhos verdes, sentindo o desejo que borbulhava entre eles tirar o sorriso de sua boca. Ela sentiu um desconforto em seu ventre e uma vontade quase descontrolada de beijá-lo e beijá-lo e beijá-lo, até se perder por completo.

Ela sabia que deviam se controlar, para preservar o pouco que restava de sua virtude, mas cada dia que passava, cada encontro, cada momento roubado... Tornava esse controle cada vez mais tênue.

— Acredito que devo consertar isso, então. — Ela sussurrou, ficando na ponta dos pés e encostando sua boca na dele. Gaara agarrou sua cintura com força, puxando-a para ele até que seus corpos estivessem tão juntos que um não saberia onde o outro começava ou terminava. Ela mergulhou a língua em seus lábios entreabertos e dominou o beijo, pela primeira vez. Ino agarrou os fios ruivos em seus dedos e o beijou de maneira faminta, o calor tomando conta dela de tal forma que estava ficando cada vez mais insuportável.

Quando percebeu que estava quase perdendo sua mente, Gaara se afastou ofegante e apoiou a testa na testa de Ino, a respiração dos dois formava nuvem envolta de seus rostos, permitindo que um inspirasse o ar do outro, aumentando ainda mais a sensação de união que o momento passava.

Gaara enfiou a mão no bolso da sua calça e retirou uma caixinha, fazendo Ino se afastar e olhar para o objeto com o coração batendo tão forte que parecia estar em todos os lugares do seu corpo, não somente em seu peito.

— Estamos nos encontrando além do aceitável, Ino, e não digo isso como uma reprimenda, eu adoro me encontrar a sós contigo, mas as coisas estão caminhando para um destino que não consigo imaginar diferente. — Ele abriu a caixinha e revelou um anel de ouro com uma pedra rubi grande e brilhante no centro, era o anel mais lindo que Ino já viu em sua curta vida— Exatamente naquele dia em que nos beijamos pela primeira vez, eu soube que era a mulher da minha vida, então, pedi para que Sai buscasse o anel que todas as noivas de minha família carregaram em seus dedos antes de se casar. — Ele ajoelhou no chão gelado e olhou para ela, vendo seus olhos cheios de lágrimas, enquanto retirava o anel da caixa. — Com este anel tão importante para mim, peço que o aceite como símbolo de nosso amor. Ino, aceitar fazer parte da minha vida para sempre?

Ino sorriu em meio as lágrimas que começaram a cair, sua mão tremia quando ela esticou e disse, com a voz embargada de emoção.

— Sim, Gaara No Sabaku MacDonald, eu aceito me casar contigo e fazer parte da sua vida para sempre.

Ele botou o anel em seu dedo e beijou sua mão, um sorriso incomum tomando conta de seu rosto bonito. Gaara se levantou e beijou-a com paixão, parando antes que as coisas ficassem fora de controle.

— Venha, minha noiva, vamos entrar antes que pegue um resfriado. — Eles caminharam para dentro de mãos dadas, Gaara estava tranquilo, até que percebeu que precisava contar a Ino que descobriu quem ela era, ou pelo menos confirmar com ela.

—Ino... — Chamou, quando os dois estavam na porta, prestes a entrar. — Preciso contar-te algo.

Ela o olhou com um sorriso gigante, que morreu quando viu o olhar em seu rosto. Gaara parecia genuinamente preocupado.

— O que?

— Ontem de madrugada, antes de Neji chegar, Shikamaru descobriu quem são suas primas. — Gaara estudou o choque que tomou o rosto lindo de Ino. — É verdade? São as filhas de Hiashi Hyuuga Campbell?

— C-como ele descobriu? — Ino perguntou, assustada.

— Viu na árvore familiar de todos os clãs, Shikamaru é um homem inteligente que gosta de ler de tudo, até mesmo sobre as famílias. Além do fato de que ele estava muito curioso sobre vós.

Ino ficou em silêncio por alguns segundos, antes de arrancar a mão da dele.

— Foi por isso que me pediu em casamento? Por causa de meu tio?

Gaara arregalou os olhos e segurou seu rosto entre as mãos.

— Não Ino! Jamais faria isso! — Ele segurou seu rosto até que ela olhasse em seus olhos e visse a verdade neles, respirou fundo e disse em tom calmo. — Amo-te, jamais casaria com alguém que não fosse a dona de meu coração.

Ino encarou seus olhos verdes e sinceros por longos segundos, até que uma lágrima caiu de seu olho direito e ela suspirou de alívio. Via verdade em seus olhos, e, mesmo que não a visse, sentiu que Gaara não mentiu através da sua pulsação, um truque que treinou anos para dominar, junto de suas primas.

Soltou seus pulsos, onde sentiu sua pulsação segundos antes, e o abraçou, sentindo quando ele envolveu seus braços envolta dela e beijou o topo da sua cabeça.

— Obrigada por me contar a verdade, não sei se suportaria se mentisse para mim, ou se conseguiria te perdoar.

Gaara a apertou mais ainda, sentindo a tensão sair de seu corpo. Graças a Deus contou-lhe que sabia, pois se não o tivesse feito, na manhã seguinte, quando descobrisse o resultado dessa descoberta, ele a perderia para sempre.

No fim, não traiu sua amada, nem seu Laird. Tudo ficaria bem, ele acreditava nisso.

— Vamos nos casar quando estiver preparada, minha guerreira.

— Sim, vamos.

***

— Porque fez isto? — Neji perguntou em um rosnado, ele estava vermelho, seu cabelo bagunçado e os punhos apertados ao lado do corpo. — Porque quebrou minha confiança e desonrou Hinata?

Naruto ajeitou sua camisa e olhou para o amigo, seu olho queimava e ele sabia que ficaria com um hematoma. Mas, sinceramente, ele torcia por isso. Não conseguiria conviver consigo mesmo se não tivesse um castigo se quer.

— Não sabia que ela era sua parente. — Era parte da verdade, Naruto já havia comprometido Hinata desde o primeiro beijo que compartilharam, ou seja, quando não sabia que ela era filha do Laird Campbell.

Neji semicerrou os olhos.

— Então quer dizer que faria isso com qualquer outra mulher?

Naruto arregalou os olhos de leve.

— Nunca faria isso! O problema todo é que Hinata me enlouquece. Ela apareceu aqui sem um motivo claro, agiu como uma rainha quando era prisioneira, lutou como um guerreiro e me enfrentou em toda e qualquer situação, sem se importar que estava em frente aos meus homens. — Ele passou as mãos no cabelo, esquecendo, por um segundo, tudo o que ele fez e sendo tomado por cada pedacinho dela que o conquistou. — Ela gritou comigo, me bateu e me beijou. Nunca vi uma mulher mais chocante e que é, ao mesmo tempo, delicada e doce. Ela apazigua a personalidade difícil da irmã e da prima, trata Konohamaru como um irmão mais novo, virou grande amiga da minha irmã e salvou uma outra mulher de ser estuprada, acolhendo ela como se fosse sua família, e não a filha do inimigo.

Naruto encontrou os olhos de Neji e o outro viu o quão apaixonado ele estava por Hinata. Neji o estudou por longos segundos, sopesando aquele olhar e o que queria para o futuro de sua prima. Ele suspirou, derrotado.

— Seja bom para ela, ou eu o matarei sem piedade. Arrancarei cada membro seu de forma lenta e dolorosa, esquecerei que um dia fomos amigos e do quanto gosto de seus pais. Leve isso como uma promessa de honra.

Naruto assentiu, sério, e apertou a mão de Neji. A partir daquele momento, ele conquistaria Hinata de qualquer jeito e se tornaria o melhor marido que ela poderia desejar. Principalmente após Robert ganhar a guerra.

***

Hinata acordou com alguém batendo em sua porta. Seus olhos estavam inchados e ela não tinha a mínima vontade de se levantar, na verdade, mal tinha dormido.

— Entre! — resmungou, mas, aparentemente, a pessoa que a estava perturbando escutou.

— Bom dia! — Hinata gemeu quando ouviu a voz de Karin, abrindo um olho para observar o furacão ruivo girar pelo quarto com algo em suas mãos. — Passei a noite inteira fazendo ajustes nesse vestido, depois que descobri que seu noivado com meu irmão seria anunciado hoje durante o desjejum. — Ela se aproximou de Hinata e seu sorriso morreu um pouco ao observar o estado deplorável que sua amiga se encontrava.

Karin sabia que era um casamento por obrigação, mas estava decidida a tornar os dois um casal de verdade. Sentia que eram feitos um para o outro, por mais que se tornassem cães ferozes quando se encontravam, ela sabia que era só uma defesa que eles se auto-impunham.

— Bem, vamos levantar, tomar um banho quente e tentar resolver esse pequeno problema que se tornou esses seus olhos inchados. — Ela abriu a porta e permitiu que a banheira fosse montada e enchida, enquanto Hinata tampava o rosto com a coberta e fingia que nada acontecia.

Assim que o quarto ficou completamente vazio, Karin trancou a porta e marchou decidida até a cama, retirando o cobertor de Hinata com um único e firme puxão. A morena resmungou, mas se levantou e se despiu, pois sabia que teria que se preparar pro anúncio de qualquer jeito. Quando a mesma sentou-se na banheira e suspirou de alívio, com os olhos fechados, Karin pegou uma bandeja com várias colheres de prata e sentou-se em um banquinho ao lado da banheira.

Hinata soltou um grito de susto quando a ruiva botou o metal gelado de uma colher em seu olho fechado.

— O que está fazendo!?

— Tentando diminuir esses olhos inchados. — Karin resmungou enquanto segurava a cabeça de Hinata no lugar.

A morena bufou.

Depois de longos minutos em silêncio, onde Hinata esperava Karin terminar de desinchar seus olhos, a ruiva soltou um suspiro.

— Sei como está sendo difícil para vós, Hinata, sou mulher também e compreendo como o mundo é injusto conosco. — A morena olhou para Karin enquanto se ensaboava, esperando que a amiga continuasse.— Eu mesma sei que minha liberdade nesse castelo terminará no segundo em que meu pai ou irmão decidirem que eu preciso me casar para formar uma aliança, esse é o destino que somos obrigadas a ter. Mas, saiba que farei o que puder para deixá-la confortável, somos amigas e seremos irmãs, as mulheres e homens deste clã te respeitam, sei que vós jamais deixará de ter quaisquer liberdades que já tinha antes, vós serás a melhor Lady que este castelo poderia pedir, porque, por mais que seja uma Campbell, — Hinata ergueu uma sobrancelha. — sim, eu soube pelo meu irmão ontem a noite. Enfim, por mais que seja uma Campbell, sei que será uma MacDonald perfeita, pois és feroz como nós somos, és uma líder como precisamos que seja. És tão viking como seu futuro marido, a única capaz de controlar esse meu irmão impulsivo e proteger este castelo de ataques enquanto ele guerreia fora desses muros, e és a única que poderá lutar lado a lado com ele em qualquer batalha, seja a política ou a de sangue.

Hinata olhou para Karin, absorvendo tudo o que a amiga lhe dizia, até que, então, um sorriso tímido nasceu em seus lábios, transformando todo o seu rosto.

— Por mais que eu acabe matando seu irmão em algum momento antes disso, quero que saiba que, uma vez que me tornar uma MacDonald, este clã passará a ser o meu e darei minha vida para defendê-lo, e isso inclui tentar diminuir meus instintos assassinos.

Karin jogou a cabeça para trás e gargalhou alto.

Como seria bom ter uma mulher como Hinata em sua família.