Para sempre te pertencerei
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Capítulo 13
Dunscaith Castle
Escócia
1319
A carruagem negra e fechada parou em frente aos portões quando estava anoitecendo, o cocheiro desceu da mesma, pegou um banquinho que ficava ao seu lado e o botou no chão debaixo da portinhola, que logo abriu. Os guardas observavam de cima a cena que se seguia, principalmente porque o brasão naquela carruagem lhes era familiar.
Um pé delicado, coberto por uma sapatilha de tecido azul escuro com bordados de fios de ouro, apoiou-se no degrau improvisado. Uma mão pequena e enluvada segurou a do cocheiro baixinho e atarracado. Logo, uma mulher linda desceu da carruagem e pousou com leveza no chão.
Ela estava coberta por uma capa negra como um corvo, porém todos ali sabiam quem era e sabiam como suceder a sua chegada: as portas se abriram e um grupo de homens correu para descarregar a carruagem que vinha atrás.
Ela caminhou sem pressa até o portão principal que levava ao salão onde ocorria o jantar, subiu as escadas como uma rainha e fez sinal ao cocheiro para que este abrisse o mesmo. Quando ele o fez, o salão todo ficou em silêncio, ela caminhou para dentro e parou, olhando para o anfitrião que estava sentado de frente para ela. Naruto levantou-se tão rápido que a cadeira arrastou no chão e fez um barulho insuportável, mas ele pouco se importou. Ela ergueu a mão e jogou o capuz para trás.
Cachos ruivos como o fogo ficaram visíveis, assim como olhos grandes e azuis como o céu, uma boca pequena e cheia, um rosto com maçãs altas e delicadas. Ela desamarrou a capa e retirou-a, entregando ao cocheiro que estava logo atrás dela. Ela usava um vestido azul escuro de camurça, um cinto de ouro amarrado à cintura fina, um decote generoso revelando um busto branco como a neve com pequenas sardas que só acrescentavam beleza ao que já era belo.
— Mei McGregor. — Naruto sussurrou do lugar onde estava. — O que faz aqui?
Ela sorriu um sorriso lindo que transformou seu rosto em algo além do normal, uma beleza mística.
— Voltei para te reconquistar.
***
Hinata estava sentada, observando tudo. Aquela mulher linda entrar, o rosto de Naruto empalidecer, ele levantando-se como se a cadeira pegasse fogo, ela sorrindo e falando que o reconquistaria.
Ela observou tudo como se não estivesse ali, como se fosse um espectro pairando sobre a cena. Seu corpo estava dormente, seu estômago revirava de forma insuportável e suas mãos suavam frio.
Mas ela era uma guerreira, ela não demonstraria nenhum sentimento. E não demonstrou. Não demonstrou nem mesmo quando Naruto piscou, embasbacado, e ficou corado. Não demonstrou nem quando ele saiu de onde estava, ignorando o fato de que todos teriam que esperar seu retorno para continuar comendo, caminhou até ela, pegou sua mão, deu um beijo na mesma e a levou para o lugar vago ao seu lado, na mesa principal.
O lugar que Shion deixara vago esta noite por que estava indisposta.
Hinata voltou a comer, recusando-se a olhar para eles. Sua irmã olhou para ela de onde estava a sua frente, mas Hinata ignorou-a também. Ela ignorou a todos. Só comeu mais um pouco de guisado, bebeu dois copos cheios de vinho e levantou-se para se retirar. Foi quando sentiu que estava ficando ligeiramente tonta.
Atravessou o salão da melhor forma que pôde e começou a subir as escadas. Não sabia que era tão fraca assim para bebida, porém sentia como se devesse ter bebido mais ainda.
Não entendia porque seu coração estava daquele jeito, não mesmo.
Ela olhou para o chão e continuou a subir lentamente, já que ele parecia estar se movendo sob seus pés.
— Qual tal parar de se mexer? — Ralhou com o chão, bufando de raiva.
Quando finalmente chegou ao corredor, sentiu uma pequena vertigem e seu corpo começou a tombar para trás. Ela sentiu que seus membros estavam pesados e não conseguiu usar a agilidade e equilíbrio que lutou tanto para adquirir durante seus treinos.
Na verdade ela pouco se importava que estivesse prestes a rolar pela escada do castelo e cair no meio do salão, deixando claro que estava totalmente embriagada. Ela só queria fechar os olhos por um segundo e não o ver beijando a mão da outra.
Esperou pelo impacto que sabia que viria, porém no lugar dele ela sentiu mãos quentes agarrando sua cintura, logo em seguida seu corpo foi abraçado por outro.
— Mas que... — Ela estava prestes a xingar quem quer que fosse quando conseguiu jogar o cabelo para longe dos olhos e finalmente enxergar quem era seu salvador.
Naruto a olhava com olhos preocupados, e por alguma razão seu coração começou a bater muito forte e ela esqueceu o que estava prestes a falar.
— Esta bem? Machucou-se?
Ela negou com a cabeça meio embaraçada e sentiu uma grande decepção quando ele a ergueu e colocou de pé no corredor novamente, soltando-a logo em seguida.
— Eu estou bem.
Sussurrou enquanto botava uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Naruto apertou os olhos e a observou com cautela.
— O que aconteceu para que caísse desta forma? — Ele apertou os olhos mais ainda. — Esta embriagada?
Hinata piscou duas vezes de forma lenta e então negou veementemente com a cabeça.
— Não estou. Eu só perdi o equilíbrio.
— Hinata...
— Estou falando a verdade! Estou totalmente sóbria, tomei apenas um dedo de vinho. — Multiplicado por vinte, murmurou uma voz em sua mente, que ela tratou de ignorar.
— Eu não acredito em vós.
Hinata começou a ficar frustrada com a descrença, mesmo que soubesse que pensaria como ele se a visse naquele estado. Ela desviou o olhar para observar a escadaria a fim de pensar em uma desculpa melhor, e foi quando a viu. A ruiva linda que ele ficou tão embasbacado ao ver. E ela estava bem ao lado dele, quieta e observando toda a cena com aqueles olhos azuis brilhantes e aquele rosto angelical. Mas havia algo nela que Hinata não gostava. Não gostava nem um pouco. Uma raiva, a mesma que sentiu quando ele beijou a mão dela, queimou na boca de seu estômago. Ela não gostava daquele sentimento e queria que ele parasse.
Olhou nos olhos de Naruto e disse, com a voz fria e distante.
— Não posso fazer nada se não acreditas em mim, e não pedirei que acredite. Agora se me dão licença, preciso me retirar para dormir.
E então ela virou as costas e começou a caminhar pelo corredor com passos firmes e pesados.
Ou ela achou que estava fazendo isso.
Na verdade ela fez, deu cinco passos firmes, até cambalear no sexto e quase cair no sétimo. Mas, antes de se quer encostar-se ao chão, ela sentiu a mão de Naruto em sua cintura novamente e então seu corpo estava sendo erguido e prensado contra o dele.
— Eu sabia que não devia ter acreditado em vós. — Ele sussurrou em seu ouvido, com uma voz risonha que trouxe arrepios por todo o corpo dela. — Vejo-a depois, senhorita McGregor. — Ele disse em voz alta por cima do ombro, para então seguir pelo corredor até o final do mesmo. Hinata enfiou o rosto no pescoço dele e sentiu o mesmo queimar de constrangimento. Estava tão envergonhada que não percebeu que Naruto havia entrado no corredor que levava ao seu quarto, até que ele abrisse a porta com um chute leve, fechasse ela da mesma forma e carregasse Hinata até sua cama.
Quando percebeu a falta de movimentos da morena, sentou-se na cama com uma risada e manteve Hinata em seu colo, com o rosto escondido em seu pescoço.
— Pretende ficar aí a noite inteira, Hinata?
— Sim. — Veio à voz abafada da morena.
Naruto riu mais ainda e afagou seu cabelo liso e longo. Os dois ficaram daquele jeito por um bom tempo. Até Hinata afastar o rosto do pescoço dele e olhar em seus olhos. E como sempre acontecia, os dois meio que foram levados para um mundo particular. Ficaram se olhando com uma intensidade tão grande e palpável que não perceberam que estavam se aproximando um do outro até que seus lábios estavam se tocando em um beijo lento.
A mão de Naruto, que estava apoiada na cocha de Hinata, subiu por seu pescoço e entrelaçou-se em sua nuca, sua língua adentrou a boca dela e os dois começaram a explorar um ao outro. A mão direita dela se espalmou no peito dele enquanto a outra continuou abraçando a nuca dele. Eles se beijaram intensamente e por um longo tempo, até que Naruto se afastou com a respiração ofegante.
— Acho melhor pararmos por aqui. — Sussurrou, porém Hinata o ignorou e puxou-o pela nuca novamente. Só que antes de beijá-lo ela ajeitou-se em seu colo, de forma a ficar de frente para ele, com ele entre as pernas.
Ela enfiou os dedos em seus cabelos e o beijou, tomando a frente dessa vez. Naruto soltou um gemido baixo com o atrevimento dela e segurou sua cintura com força, entregando-se ao beijo de tal forma que Hinata suspirou de prazer e, instintivamente, esfregou-se contra ele. Aquele roçar trouxe alivio e desejo ao mesmo tempo para os dois, tanto que Naruto se afastou novamente e sussurrou, entre leves selinhos.
— Devo ir embora, Hinata...
A morena não sabia se era o álcool, se era sua própria luxuria ou se alguém a havia possuído, mas ela arrastou os lábios de leve pelo pescoço dele, causando-lhe arrepios, e beijou o lóbulo da sua orelha, para então sussurrar ao pé de seu ouvido.
— É uma pena... Naruto.
Ele deixou a cabeça cair em seu ombro e gemeu, uma mistura de dor e desejo, enquanto apertava a cintura dela com força novamente. Quando a soltou ele espalmou uma das mãos nas costas dela e a arrastou vagarosamente até a nuca dela, onde puxou os cabelos de leve, fazendo Hinata jogar a cabeça para trás, com os olhos fechados. Naruto deu um beijo demorado em seu pescoço, para então se afastar, segurar ela pela cintura novamente e girá-la, de forma que a deixou deitada na cama.
— Nos vemos amanhã, senhorita.
E então ele se afastou e saiu do quarto como se ele estivesse pegando fogo.
Hinata jogou-se para trás e suspirou, seu corpo pegando fogo por algo que ela não tinha conhecimento. Estava excitada até o ultimo fio de cabelo e sabia que não dormiria nem tão cedo, as imagens de Naruto beijando a tal Mei foram substituídas por um Naruto com olhos azuis escuros de desejo, lábios macios e cheios, braços musculosos e peitoral forte e um sorriso tão encantador que a deixava louca.
— A que ponto cheguei... — Sussurrou consigo mesma.
***
Shikamaru já havia passado a tarde inteira e o jantar em seu escritório quando convocou uma reunião com os outros.
Quando todos estavam finalmente sentados, ele levantou-se e abriu um pergaminho em frente a eles.
— O que é isto, Shikamaru? — Naruto perguntou enquanto debruçava-se para ler o que estava escrito. Seu cabelo loiro estava molhado, o que queria dizer que ele tomou um banho antes de descer.
— Isto... — Shikamaru moveu o dedo indicador pela lista de nomes sem fim. — É a árvore genealógica de todo o clã Campbell. E estes... — Ele parou o dedo em dois nomes que estavam um ao lado do outro, o que queria dizer que eram irmãos. — São Hiashi e Hizashi Hyuuga Campbell.
— E o que têm eles? —Questionou Gaara, atento a expressão do cunhado.
— Eles são os únicos gêmeos herdeiros de um clã, no caso, Hiashi é o atual Laird dos Hyuuga Campbells. Hizashi faleceu tem mais de uma década.
Os três arregalaram os olhos para os dois nomes ali escritos, finalmente compreendendo o que Shikamaru queria dizer.
— Mas isso não quer dizer que elas sejam... — Sasuke começou a sussurrar quando o dedo de Shikamaru desceu para a lista de baixo, apontando para um nome que pareceu saltar do pergaminho como se tivesse ganhado vida.
Hinata Hyuuga Campbell
— Não é possível...
Naruto sussurrou. Porém Shikamaru moveu o dedo na página novamente, para o nome abaixo da irmã dos gêmeos Hyuuga Campbell, um nome que fez com que o ar ficasse mais pesado ainda.
Ino Yamanaka Campbell.
— Meu Deus... — Gaara sentiu sua mão gelar. — Agora tudo faz sentido.
— Mas onde está Sakura? — Sasuke perguntou, sua voz saindo mecânica, como se não pertencesse a ele mesmo.
— Aqui. — O dedo de Gaara moveu-se para uma parte afastada da ramificação familiar pertencente aos Lairds e Ladys, parando nos Haruno Campbell, que nem mesmo eram conhecidos.
Sakura Haruno Campbell.
— Só que o nome dela é especial. — Shikamaru afirmou, voltando a ramificação principal. — Ele se repete aqui por que ela foi adotada pelos pais de Hinata.
E ele estava certo.
Lá estava ela:
Sakura Haruno-Hyuuga Campbell.
— Elas são Campbells... — Naruto encostou-se a cadeira com o rosto pálido, Gaara e Sasuke fizeram o mesmo. Shikamaru piscou confuso.
— Não era para vós estarem animados por isso? Elas são as herdeiras mais ricas da Escócia! Poderiam trazer homens e doações para a nossa causa!
Porém nenhum dos três se moveu um centímetro se quer. O primeiro a falar foi Sasuke, que sussurrou com uma voz morta.
— O que será que acontece com alguém que ousa beijar a filha de coração do guerreiro mais forte das Highlands depois de Bruce?
Naruto e Gaara sussurraram ao mesmo tempo.
— Estou perguntando-me a mesma coisa.
Antes que Shikamaru pudesse fazer qualquer comentário sobrea descoberta das aventuras amorosas dos primos, a porta foi aberta por Temari, que parecia ter visto um fantasma.
— Precisam vir comigo, agora!
Os quatro levantaram-se como se suas cadeiras estivessem pegando fogo, e Shikamaru e Gaara estavam ao lado da loira dois segundos depois.
— O que houve?
Perguntaram ao mesmo tempo, todos levando a mão ao cabo da escada.
— Acabam de informar que Neji Hyuuga Campbell e seus homens estão na porta do castelo pedindo moradia enquanto procuram por três mulheres. — Temari agarrou a gola de Shikamaru, puxando até seus rostos estarem próximos, para então perguntar com a voz perigosamente baixa. — Eles são os homens mais mortíferos das Highlands, sendo equiparados apenas por vós quatro, e estão à procura de três mulheres, devo preocupar-me?
Shikamaru engoliu em seco, sua mulher era, definitivamente, a pessoa mais assustadora que ja pisou na terra.
— Nã-não.
— Ótimo. — Ela o soltou e saiu do caminho. — Agora vão! Precisam botar esses homens para dentro logo para que eu possa dormir em paz. E vós — Ela apontou para Shikamaru, enquanto os outros saiam correndo do aposento. — Quero-te em nosso quarto hoje, ou serei obrigado a arrastá-lo para lá.
Shikamaru abriu um sorriso malicioso, deu um beijo rápido da mulher e saiu, com a promessa de retornar logo.
***
— Isto será mantido em segredo, deixem que eles decidam quando nos contar. — Naruto ordenou enquanto atravessavam o grande salão. Tentando a todo custo ignorar a sensação de que fora feito de idiota por semanas.
Os outros três assentiram. Quem olhasse de fora e visse seus rostos mascarados por expressões frias e neutras, se assustaria. O que tornou compreensível que os guardas saíssem de seus caminhos e permitissem que chegassem ao portão como se fossem deuses nórdicos.
Ao atravessar o portão, encontraram um grupo de homens em formação triangular, no centro, imponente em seu cavalo negro, estava um homem de pele branca como a neve, cabelo castanho escuro longo e solto ao vento, seus olhos cinzentos brilhavam na cor da lua. Ele usava um corselete de couro fervido, uma capa de pele cinza sobre os ombros e uma espada longa amarrada a cintura.
—Naruto!
Naruto sorriu para o amigo de antigas batalhas.
— Neji! Como é bom encontrá-lo, velho amigo. Venha, venha aquecer-se.
Neji sorriu e desceu do cavalo, sua expressão se transformando de fria em acolhedora. Logo seus dois homens de confiança, e antigos companheiros de Sasuke quando viajaram todos para a Irlanda em busca de aventuras, desceram de seus cavalos e foram cumprimentar seus velhos amigos.
— Entrem, guardem os cavalos e vão comer um pouco do caldo delicioso que temos aquecido para vós! — Naruto continuou, levando os homens para dentro e esquecendo, por um momento, o que acabou de descobrir.
***
Sakura estava parada no meio de uma floresta escura, sem conseguir enxergar nada a sua frente. Os sons dos animais noturnos eram a única coisa que a fazia entender onde estava.
— Hinata? — Gritou, sua voz ecoando no nada. — Ino?
Uma sensação de desespero começou a nascer dentro dela quando não ouve resposta.
— Alguém?
Ainda nada. Ninguém.
Um medo que ela jamais sentiu na vida a fez correr o mais rápido que pôde, se desvencilhando das arvores e tropeçando em raízes. Sentia como se estivesse sendo perseguida por alguém ou alguma coisa, ouvia o barulho de passos a perseguindo. Mas então, quando ela achou que não tinha para onde ir, quando suas pernas começaram a doer e quando o ar começou a faltar, ela viu uma luz. Uma luz lá longe, porém a cada passo que dava em direção a ela, uma sensação de alívio maravilhosa começava a brotar em seu coração.
E quando finalmente chegou até ela, viu que estava em uma clareira com uma fogueira diferente, o fogo ao invés de ser uma mistura de vermelho, amarelo e laranja, era uma chama branca. E uma mulher, de longos cabelos loiros, vestindo uma túnica branca esvoaçante e de pés descalços, dançava envolta da chama.
Sakura observou-a embasbacada, esquecendo-se da perseguição, da escuridão e do medo. Ela só sentia paz e apreciava a beleza dela.
— Quem és tu? — Perguntou em voz baixa, mas a mulher pareceu ouvir, porque parou e virou-se para ela.
Seus olhos dourados brilharam na escuridão e Sakura reparou que em seu rosto havia uma pintura diferente, como se fosse a representação de galhos floridos, vindo do pescoço e tomando todo o lado direito.
— Olá, criança — sua voz era doce como mel. — Finalmente está pronta para me encontrar, não é mesmo? — Ela caminhou até Sakura e alisou a lateral de seu rosto. — Encontre-me quando o sol nascer, na cabana que fica no topo do penhasco, no lado leste da ilha. Traga aquelas que compartilham de seu sangue. — Ela deu um beijo em sua bochecha e sussurrou. — Agora acorde.
E ela acordou, com a respiração rápida e o pulso acelerado. Olhou pela janela e, ao ver que o dia estava prestes a nascer, desceu da cama, calçou suas botas e vestiu a capa de lã negra por cima da camisola longa de tecido grosso.
Saiu do próprio quarto em silêncio e parou em frente ao de Hinata, porém a porta se abriu e a prima surgiu com os cabelos desgrenhados, com sua capa de lã vermelho sangue e botas. As duas trocaram um olhar que não necessitava palavras.
Viraram para a de Ino e aguardaram alguns segundos, até que a loira abriu a porta e saiu, usando uma capa de lã azul celeste e botas. As três desceram o corredor, viraram para a direita, desceram o próximo corredor e então as escadas. Atravessaram o salão pela lateral, saíram na cozinha, atravessaram a cozinha e saíram pela porta lateral.
Atravessaram o pátio de treinamento do lado oeste do castelo, seguiram pelas sombras e saíram pela portinhola que descobriram existir ao lado do grande portão principal. Atravessaram a ponte a passos rápidos, aproveitando que estava havendo troca de guardas, já que estava para amanhecer. Quando enfim subiram o pequeno declive e as arvores esconderam-nas, começaram a correr em direção ao penhasco que ficava ao leste da ilha.
Era coincidência demais que as três tivessem tido o mesmo sonho, o que confirmaram durante o caminho, tinham que tirar a prova real.
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