Para sempre te pertencerei
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capitulo 1
Escócia,
Highlands
Ilha de Skye,
1315
— Isso é mesmo necessário? — Naruto perguntou, enquanto batia com força contra a porta de madeira da pequena cabana, em cima do penhasco que ficava ao leste da Ilha de Skye.
Sasuke o encarou com um olhar irritado, assim como Gaara e Shikamaru.
— Está caindo uma chuva monstruosa, estamos molhados até os ossos e ainda perguntas se é mesmo necessário bater na maldita porta? — Os olhos negros de Sasuke pareciam lançar chamas.
— Tudo bem... Tudo bem... Mas veja como fala comigo. — Naruto lançou um olhar feio para o outro.
— E se eu não me importar com isso? O que fará? — Sasuke ficou face a face com o loiro. Os dois sempre tiveram um relacionamento estranho, mas todos sabiam que dariam a vida um pelo outro.
— Eu vou-
— Entrar na cabana e parar de arrumar briga na minha porta. — Uma voz feminina gritou do lado de dentro
— Vamos entrar. — Gaara disse, agarrando o tecido da camiseta de Naruto e Sasuke enquanto os empurrava para dentro da cabana, poucos segundos depois de Shikamaru abrir a porta.
— Vi a chegada de vós há bastante tempo. — A mulher afirmou. Ela estava de costas para os quatro enquanto mexia no conteúdo que havia dentro da panela pendurada na lareira, seu cabelo loiro reluzia com a luz do fogo.
— Se nos viu chegando, porque não abriu a porta, Tsunade? — Naruto questionou enquanto se sentava na cadeira e servia um copo com o whisky (Uisge Beatha na Escócia antiga) que estava em cima da mesa.
— Por que eu não quis. — A mulher virou-se para eles e cruzou os braços abaixo dos seus seios generosos. Mesmo tendo a idade que tinha, Tsunade continuava tão linda como sempre. — Agora me perguntem logo o que querem saber.
Sasuke, Gaara e Shikamaru sentaram-se a mesa e também se serviram do whisky.
— Queremos saber sobre o futuro do clã, agora que Naruto é o laird e somos aliados do Rei. — Shikamaru deixou claro, erguendo seus olhos escuros para a mulher.
Minato, pai de Naruto, passou o posto de laird para o filho e foi para um dos castelos recém-conquistados pelo clã MacDonald, Knock Castle, deixando o filho sobre o comando de Dunscaith Castle em Sleat, na ilha de Skye.
Naruto, Sasuke, Gaara e Shikamaru iriam para a batalha ao lado do seu clã com o loiro os guiando, pela primeira vez.
Tsunade observou cada um com seus olhos dourados e penetrantes, como se pudesse ler seus pensamentos. E era bem provável que sim. Ela jogou algumas ervas no fogo, fazendo um cheiro agradável enfestar a pequena cabana.
— Vós. — Ela disse, apontando para Naruto. — E vós. — Ela apontou para Sasuke. —O destino do seu clã dependerá do cumprimento de uma antiga promessa, assim como o destino de outras pessoas. — Ela passeou o olhar por todos eles — Três mulheres precisarão da ajuda de vós. E devem ajudá-las. Juntos todos serão muito maiores do que são agora, mas separados... Padecerão. Lutem juntos, pensem juntos, defendam-se durante essa guerra.— Ela agarrou o copo de whisky das mãos de Shikamaru e deu um grande gole, para logo em seguida bater com o mesmo contra a mesa. — Mas não pensem que conseguirão ter sucesso e ser feliz se não cumprirem a promessa. Vidas dependem disso. Principalmente a de vocês.
Um silêncio tomou conta do cômodo. De que promessa ela falava? Que vidas dependiam dela? As perguntas rodeavam a cabeça dos jovens rapazes que estavam sentados àquela mesa; depois de tantos anos... Era quase impossível que eles lembrassem sobre aquela inocente promessa feita quando ainda eram crianças.
— Sabem que promessa era essa? — Gaara questionou, enquanto caminhavam pela floresta de volta ao castelo, que não estava muito longe dali.
— Não faço ideia... — Naruto afirmou, enquanto afastava um galho baixo de uma árvore.
— Eu também não... —Sasuke resmungou, do que aquela mulher estava falando?
— Bom... Sabendo ou não, prestem atenção. Tsunade, como a ultima druida de nosso clã, jamais errou. — Shikamaru prendeu o olhar neles. — Então cumpram suas promessas, nosso clã depende disso.
***
Inglaterra,
Londres,
1319
— Chegou uma carta, lady Sakura. — Ino esticou a bandeja para a rosada, piscando um olho. Sakura sorriu e pegou o envelope.
— Obrigada Ino... Pode ir. — Assim que a mulher saiu do Salão de Visitas, Sakura voltou seus olhos cor de esmeralda para a bela jovem de cabelos negros recolhidos em um coque no alto da cabeça e vestido vermelho vivo, sentada no outro lado do cômodo, tricotando.
Assim que Hinata saiu de seu devaneio, ela percebeu o silêncio estranho no Salão. Sakura nunca ficava calada em um lugar por muito tempo. Por essa razão ela passeou o olhar pela sala até encontrá-la sentada na poltrona florida. Lendo uma carta.
A morena ergueu-se do sofá e caminhou até a irmã. Mesmo que ela e Sakura não compartilhassem o mesmo sangue, a rosada tomou lugar como sua irmã no exato momento em que perdeu o pai e a mãe quando ainda era um bebê, sua mãe era a melhor amiga da mãe de Hinata e pertencia ao clã, por essa razão e para suportar a dor de perder sua melhor amiga, a mãe de Hinata adotou Sakura, que era pouquíssimos meses mais velha que a morena.
— O que houve Sakura?
— Precisamos ir. — Essa foi sua única frase, e Hinata entendeu tudo.
— Pedirei a Ino para separar alimentos para duas semanas enquanto pegas o que vamos precisar. — A morena afirmou, indo até a cozinha e ajudando Ino.
Sakura correu em direção ao quarto, seu vestido verde esvoaçando a sua volta. Ela separou três calças e três blusas, assim como três botas de couro, enfiou-as em uma trouxa de pano e abriu o compartimento secreto atrás de um quadro horrendo que se encontrava no quarto que ela compartilhava com Hinata e Ino.
Um segundo depois a morena entrou no quarto, acompanhada de uma Ino esbaforida. Sakura pegou sua claymore, e a pôs dentro da bainha presa em suas costas, Ino fez o mesmo. Hinata foi à única diferente, sua espada ficou presa em sua cintura enquanto ela prendia seu arco e sua aljava cheia de flechas a suas costas. Elas pegaram adagas e prenderam em suas botas e nas cintas-ligas em suas pernas, sob as saias. E, por ultimo, pegaram suas capas negras e as puseram sobre os ombros, puxando o capuz.
— Quando a carta foi enviada? — Ino perguntou assumindo sua posição real de prima.
— Parece que o papai a escreveu faz uma semana. — Sakura informou, ela vivia com a família de Hinata há tanto tempo que o pai da mesma se tornou o seu, sem que ela percebesse.
— Então eles devem estar por perto. — Hinata afirmou, abrindo a porta dos fundos e liderando o caminho para os estábulos.
— De que adiantou vivermos tantos anos entre esses ingleses malditos, se formos pegas agora? — Sakura esbravejou, enquanto montava em seu lindo cavalo bege.
— Não vamos ser pegas. — Ino afirmou com convicção, montando em sua égua branca com manchas negras.
— Nem mortas. — Hinata completou, guiando seu cavalo negro para fora, lado a lado com as outras duas.
Enquanto trotavam pela cidade em direção à área rural fora das ruas movimentadas, para não chamar atenção, elas conseguiram ver um grupo de forasteiros passando pela rua principal. As três mulheres agradeceram por estarem a poucos metros da floresta.
— Eram eles? — Hinata perguntou quando elas começaram a incitar os cavalos a mudar a marcha e galopar.
— Eram, eu vi pelo kilt. — Sakura afirmou, rangendo os dentes.
***
Em algum lugar,
1319
Elas cavalgaram incessantemente durante o resto do dia e uma parte da noite, até que encontraram um lugar para dormir. E assim foram se seguindo os seus dias. Galopavam durante toda manhã, comiam um pouco na hora do almoço e voltavam a cavalgar durante a tarde, pausando em rios e cachoeiras durante o caminho para os cavalos beberem água, assim como elas, e se banharem.
— Esses vestidos estão ficando acabados... — Ino afirmou, segurando o tecido azul claro e desgastado do seu vestido. — De que adianta ser a sobrinha preferida do chefe, se vou ficar andando por aí como uma mendiga?
Sakura olhou para Ino sem acreditar.
— Estas louca!? Estamos perdidas no meio do nada e estas preocupada com vestidos?
Ino a encarou com os olhos estreitos e os punhos cerrados.
— Eu só estava querendo descontrair, Sakura Haruno Campbell! — Esbravejou. — Desde o momento em que saímos daquele país, ficas-te desse jeito! O que houve? Preferia continuar vivendo a mordomia dos ingleses ao invés de voltar para a sua casa?
Sakura rangeu os dentes.
— É claro que não, Ino Yamanaka Campbell! — Ela parecia furiosa e indignada com a acusação da loira. — Sinto muito se estou com raiva, mas eu acho que não és tu quem está sendo caçada por inimigos da sua família para ser obrigada a se casar com algum deles, só porque o seu dote é o comando de um dos castelos do clã Campbell! Somos nós! — Ela indicou Hinata.
A morena levantou-se da pedra onde estava encostada e caminhou até as duas, enquanto Ino gritava de volta.
— O que? Esqueceu que sou a única filha da segunda ramificação principal do clã Campbell!? Eu também sou um alvo aqui! — Ela virou-se para Hinata, que agora jazia parada ao lado das duas. — Mas olha que surpresa! A Hinata não está agindo assim! Não é mesmo?
— Poderiam parar meninas? — Hinata perguntou docemente, apoiando uma mão no ombro de cada uma. — Estamos em uma situação precária e temos que nos manter sãs. Pelo que me lembro, estamos a alguns dias de Stirling, se conseguirmos chegar lá, conseguiremos algum barco não muito longe e poderemos ir para Inveraray Castle. Além dessa gritaria toda pode acabar nos atraindo atenção indesejada.
As duas trocaram um olhar raivoso e viraram para lados opostos, cruzando os braços abaixo dos seios e fazendo bico. Hinata suspirou e sorriu.
— Sakura, sempre foste a mais inteligente, que tal parar com isso? — A morena ergueu uma sobrancelha e olhou para Ino. — E Ino, ficas muito mais linda sem esse bico, que tal vós reconciliardes e pararem com isso?
As duas olharam para Hinata e depois seus olhares se encontraram, segundos depois elas estavam sorrindo cumplices e pedindo desculpas.
— Então, agora que tudo está resolvido, vamos embora. — Sakura ergueu as saias e caminhou até seu cavalo. — Temos um longo caminho pela frente até Stirling.
Todas seguiram seus movimentos e montaram seus devidos cavalos.
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