Notas iniciais
Meninas volteeeei!! Desculpem-me, estava fora do país num treinamento pesado, sem tempo para nada além de respirar rsrsrsrs voltei tem duas semanas, estava organizando a vida e o bloqueio criativo, mas estou aqui para continuar ! :)

Após uma semana, Cecilia continuava com a pergunta de sua menina na cabeça " Você gostaria de ser minha mamãe?" A resposta de seu coração dizia que já se sentia daquela maneira há muito tempo, porém, tornar aquilo realidade tinha suas implicações.

Não vira ou falara com Gustavo uma única vez após aquele jantar. Seu coração acelerava quando fechava os olhos e as imagens daquela noite se projetavam em sua mente.

Sonhava acordada, enquanto dobrava algumas roupas no quarto, quando Fátima chegou...

— Boa tarde maninha! — Cumprimentou.

— Ah oi Fátima...boa tarde...como foi o dia?

— Correria...O LePF é um sucesso total! — comentou a cozinheira.

— Você chegou cedo...- observou Cecilia.

— Hum...é que o Vitor teve que sair e como começou a chover, tive que fechar...- respondeu Fátima, em meias palavras.

— Aconteceu alguma coisa com ele? Está tudo bem? — perguntou a mais nova, captando o tom de voz da irmã.

— Na verdade não sei bem...acho que é alguma coisa com a Dulce...

— Com a Dulce?! Como assim?! O que aconteceu? — perguntou Cecilia preocupada.

— Calma...a Dulce está bem...eu acho...- esclareceu Fátima — Na verdade a Estefânia ligou para o Vitor pedindo ajuda, porque o Gustavo saiu muito furioso para o colégio...na certa sua pequena aprontou alguma...e das grandes! — riu Fátima.

— Ai meu Deus...- suspirou a mais nova.

— Olha essa baixinha é levada viu...o que será que ela fez? — indagou a cozinheira, pegando algumas roupas para dobrar.

— Eu não sei, mas vou descobrir...Me empresta seu carro?

— Aonde você vai?

— Para o colégio, é claro! — respondeu Cecilia.

...

Gustavo chegou ao internato Doce Horizonte cantando pneu. Estava furioso. Dessa vez Dulce Maria fora longe demais. Bateu a porta de seu 300C e caminhou em direção à entrada. Estefania estacionou logo em seguida, acompanhada por Vitor.

— Gustavo! Primo espere! — chamou a tia Perucas.

— Ela vai me ouvir Estefania! Ah vai! Nem adianta vir a trupe da salvação para defende-la! — reclamou o empresário.

— Ela é uma criança Gustavo...o que pode ter feito de tão grave? — perguntou Vitor.

— Venham ver com os próprios olhos...nem eu acredito! — continuou, esbarrando na irmã Clementina.

— A Madre o aguarda na sala dela senhor Lários...- informou a freira.

Os três seguiram para sala da Superiora e ao chegarem, realmente não esperavam encontrar o que encontraram . A sala da Madre estava inteiramente cor de rosa. Desde o piso até mais da metade das paredes. Alguns respingos de tinta caiam também sobre os móveis. Dulce se encontrava no meio daquela bagunça toda, com um avental branco todo manchado e uma Madre Superiora com um olhar severo em pé, atrás de sua mesa.

— Nossa senhora! — exclamou Estefania, levando as mãos à boca.

— Boa tarde senhor Lários...- começou a Madre, rígida — Como pode ver, não o tirei de seu trabalho atoa...

— Dulce...Dulce o que aconteceu?! Você por acaso é responsável por isso! — gritou o empresário.

— Gustavo se acalme...deve ter uma explicação...- implorou a prima.

— Que explicação isso pode ter?! — riu o rei do café.

— Sentem-se! — exigiu a Madre — Digo...se quiserem...- corrigiu, ao lembrar da tinta.

— Madre, por favor nos explique o que aconteceu...- disse Vitor, calmo.

— É isso que estou tentando entender até agora...Sai hoje pela manhã para resolver alguns assuntos do colégio e quando volto, encontro esse completo caos e sua filha no meio dele senhor Lários! — disse a Madre — E adivinhem só?! Ela mesmo disse que tudo isso é obra dela!

— Dulce Maria explique-se já! — determinou Gustavo, cruzando os braços diante a filha, que parecia confusa.

Naquele momento Cecilia que entrava na sala, estacou no batente da porta.

— Mais o que é isso?! — assustou-se, colocando uma das mãos no peito, com os olhos arregalados.

— Ceci! — exclamou Dulce, correndo e se jogando no colo da ex-noviça, que a ergueu com carinho.

— Aaaaah! Chegou quem faltava para defender suas travessuras! — reclamou Gustavo, furioso, arrancando um olhar indignado de Cecilia — Vamos Dulce Maria! Estamos esperando! O que foi que aconteceu aqui?!

— Foi uma surpresa papi...- revelou a pequena, agarrada à sua protetora.

— Uma surpresa?! — perguntou o empresário, irônico.

— É papai...a Barbara e a Frida disseram que rosa era a cor favorita da Madre...e que ela queria muitoooo que essa sala fosse pintada antes do aniversário dela..ai eu resolvi fazer uma surpresa de presente...você não gostou Madre Superiora? — perguntou a menina, inocente.

— Não Dulce, eu não gostei...o que fez foi errado...Você entende isso? — perguntou a Superiora.

— Eu achei que gostaria Madre...rosa não é sua cor favorita? — continuou — A Barbara e a Fr...

— Chega de desculpas Dulce Maria! — interrompeu o empresário — Não é a primeira vez que você cai nas armações de suas colegas! Já basta!

— Por que você está gritando comigo papi? — perguntou a menina, confusa, abraçando Cecilia mais forte, chorosa.

— Ela não fez por mal Gustavo...Achou que estava fazendo um agrado à Madre...- interferiu Cecilia.

— Não se intrometa Cecilia! Isso não tem nada a ver com você! — replicou, seco.

— Gustavo...menos...- pediu Estefania, observando a cena que se desenrolava.

— Sua filha só caiu na armação maldosa de duas meninas Gustavo. Ela pode ter agido errado, mas não foi porque queria! — respondeu Cecilia, desafiando-o com o olhar — Por que tem que ser sempre tão duro com ela?!

— Porque como você bem disse, ela é minha filha! E quem tem que saber como lidar com isso sou eu! Você não é a mãe dela Cecilia! Então não tem porque interferir nesse assunto! — rebateu o rei do café, cuspindo as palavras de maneira dura num tom alto e grosseiro — Você não é a mãe dela, entendeu bem?!

Todos na sala se calaram diante daquelas palavras ríspidas do empresário. Estefania prendeu a respiração sem saber o que dizer diante da frase cruel do primo. Vitor tocou seu braço, também quieto. Dulce olhava assustada do pai, para Cecilia, cujos olhos se encheram de lágrimas. A Madre pigarreou, tentando disfarçar a situação...

— Bem...- começou a superiora dizendo, mas parou, sem completar o raciocínio.

Cecilia abaixou-se, com Dulce ainda agarrada ao seu pescoço, deu um beijo no rostinho da pequena e se soltou de seu abraço.

— Eu tenho que ir meu amor...- disse, com a voz embargada e um fraco sorriso.

— Ceci...fica aqui comigo...- pediu a carinha de anjo.

— Eu não posso minha florzinha...eu não posso, ok? — afirmou, limpando uma lágrima que rolou pelo rosto, levantou-se e saiu depressa pela porta.

— Cecilia! — chamou Gustavo, indo atrás dela, mas a perdeu de vista quando virou o corredor — Droga! Que droga! — exclamou para si mesmo, voltando para sala.

— Gustavo...- começou Estefania.

— Agora não prima! — pediu o empresário — Agora não...

— Você fez a Ceci chorar papai...fez ela chorar! — reclamou Dulce, afastando-se do pai e saindo porta afora.

— Deixe-a senhor Lários...- pediu a Madre, fazendo-o retornar alguns passos — Deixe-a...bom...acho que talvez não seja o melhor momento para falarmos sobre o que aconteceu aqui...Conversaremos na sexta, quando vierem buscar a menina...