Notas iniciais
Essa é mais uma continuação do capítulo anterior do que um capitúlo novo. Tentarei postar um brandnew amanhã. Tive uma ideia aqui meio desesperadora rsrsrs

Os Lários chegaram na cobertura no inicio da noite. Silvestre e Franciely discutiam algo sobre o cardápio do jantar, mas se calaram ao verem a cara do patrão, quando se sentou no sofá bufando...

— Vai Estefania! Pode falar, me xingar...eu sei que o caminho todo você estava louca para fazer isso — comentou o empresário, diante da prima e do amigo.

— Eu deveria te bater Gustavo! Isso sim! — exclamou a estilista indignada — Você parece um menino mal criado!

— Eu sei...- suspirou Gustavo, abaixando a cabeça.

Naquele momento Gabriel saiu da cozinha, comendo uma pedaço de bolo.

— O que aconteceu? — perguntou o padre.

— Foi muito injusto o que você disse para Cecilia...ela não merecia ouvir aquilo...- continuou Estefania, sem responder Gabriel — Há poucos dias você a levou no restaurante favorito da Teresa, dizendo que ela era a única que merecia estar ali e depois você grita em alto em bom som que ela não tem o direito de agir como mãe da Dulce?

— Eu sei...eu sei...- repetiu o empresário — E-eu não sei o que deu em mim...

— Péssimas palavras meu amigo...- pontuou Vitor.

— Alguém pode me explicar o que aconteceu? — insistiu Gabriel.

— Resumindo, a Dulce aprontou uma das grandes no colégio por influência das coleguinhas. A Cecilia estava lá e a defendeu...nosso amigo aqui ficou bem bravo com isso e foi meio...duro...- explicou Vitor.

— Francamente Gustavo! — começou o padre — Nem sei se fico surpreso!

— Eu sei...estou errado, não vou discutir com vocês e tentar me defender...- disse o empresário.

— Imagino como a Cecilia deve estar se sentindo agora...- continuou Estefania — Fazem mais de três anos que ela cuida da minha sobrinha com um amor que só uma mãe tem por um filho...um amor que também a tirou do caminho que tinha escolhido...ouvir essas coisas logo de você...ah primo...foi muito cruel...

— Eu estava muito nervoso! — afirmou o rei do café se levantando. Começou a andar de um lado para outro — Vocês viram o que a Dulce Maria aprontou! Eu não queria interferências! A Cecilia sempre a defende! Não sei o que deu em mim! Eu senti tanta raiva! Eu queria afasta-la! E...

— Eu só não vou te esculachar mais primo, porque sei o que é isso que está sentindo...- sorriu tia Perucas, aproximando-se.

— Sabe? — perguntou Gustavo.

— Todos sabemos meu irmão...- completou Gabriel.

— É medo...- afirmou Estefania — Você está com medo do caminho para o qual a vida está te levando...Está com medo de se permitir amar a Cecilia porque tem medo de perde-la como perdeu a Teresa...

— Não fale besteiras...eu já me relacionei com outras mulheres ao longo desses anos...- rebateu o empresário.

— Sim, mas não estava apaixonado por nenhuma delas...você agride a Cecilia para afasta-la...por que já a ama, é a maneira que você encontrou para não sofrer...- afirmou novamente a estilista, recebendo um aceno de aprovação de Vitor — Abra seus olhos primo...antes que seja tarde...

— Eu vou atrás dela...vou procura-la para pedir desculpas...- decidiu, caminhando até a porta.

— Não! — pediu Estefania — Vá descansar, refletir um pouco...enquanto você não admitir para si mesmo o que para todos nós já é obvio e se permitir sentir isso, você só vai magoar mais e mais a Cecilia...

— Tudo bem...- concordou, vencido — Eu vou tomar um banho e me deitar...o dia foi longo, com licença...e fiquem a vontade...

...

Aquela fora uma noite difícil para pegar no sono. Gustavo levantara três vezes para beber água. Os eventos daquele dia martelavam em sua cabeça. Sentou-se na cama pensando nas afirmações de Estefania. Será que usava mesmo a raiva para afastar seus medos? Sorriu. Cecilia era alguns anos mais jovem que ele, mas era corajosa, reconheceu, desafiava-o o tempo todo quando se tratava de defender Dulce Maria. Estava confuso, como sempre. Entretanto, não podia ficar totalmente imune ao fato de que a tristeza dela ao ouvir aquelas palavras duras, e as lágrimas que surgiram naqueles olhos azul-claro em contrate com a palidez do rosto lhe davam um ar de frágil beleza e vulnerabilidade que faziam seu coração bater duas vezes mais rápido.

— Sou um idiota! — falou para si mesmo, passando as mãos no rosto

...
Gustavo acordou inesperadamente. Estava habituado a acordar as seis da manhã, mas sempre com a ajuda do despertador. Não tivera uma boa noite. Estava ansioso. Vestiu uma camisa azul e um terno cinza e desceu para tomar café. Pegou uma fatia de pão com geléia, deu um gole num copo de suco, pegou sua maleta e saiu apressado, sem falar com ninguém.

Chegou ao escritório, aparentemente antes de todos, mas logo ouviu uma batida na porta.

— Entre...

— Bom dia Gustavo...- cumprimentou Cristovão — Trouxe aquele contrato dos representantes da Europa para você assinar...

— E eu achando que cheguei cedo...- riu o empresário — Dormiu aqui?

— Tive que deixar minha mãe numa consulta médica e acabei chegando cedo...- esclareceu o advogado.

— Ela está bem?

— Sim, apenas um exame de rotina....Quem não parece bem é você...Não dormiu?

— Não...problemas e problemas...- suspirou Gustavo, olhando para o relógio. Tirou o celular do bolso, procurando o número da casa de Fátima e discando — Alo? — chamou. Cristovão colocou os documentos na mesa, percebendo que talvez aquele não fosse um bom momento para discutir os negócio da Rey Café. — Bom dia Fátima...Desculpe ligar tão cedo...Gustavo Lários, a Cecilia está?

— " Está, mas com certeza você é a ultima pessoa com quem ela quer falar..." — respondeu a cozinheira, do outro lado da linha.

— Você já sabe o que aconteceu...- afirmou o empresário — Eu só quero falar com ela...pedir desculpas...

— " Acho que não é o melhor momento. Eu no seu lugar esperaria. Minha irmã é uma flor, mas pode ter muitos espinhos quando precisa se defender..."

— Entendi...Avise que eu liguei, tudo bem? Obrigado Fátima...Tchau...

...

O ar estava muito frio, por causa da queda de temperatura. Finalmente havia parado de chover e o céu estava firme. Porém, todos na cidade andavam agasalhados e curtiam o fim do inverno. Duas semanas haviam se passado e durante todos aqueles dias, Cecilia ignorara todas as tentativas que Gustavo fizera de qualquer tipo de contato ou aproximação. Dulce Maria não estava nada feliz com a situação. Era sábado de manhã e a pequena se juntava a familia na sala de estar, após dormir algumas horas a mais. Vestia um pijama felpudo e carregava uma pelúcia colorida nos braços...

— Bom dia titia...bom dia papai...

— A cama estava quentinha minha flor? Dormiu bastante...- disse Estefania.

— Eu estava sonhando titia...sonhei bastante...- explicou a menina, agarrando-se ao pai.

— Sonhou o que minha princesa? Com a mamãe? — perguntou Gustavo.

— Não papi...com a Ceci...estou com saudades...Você brigou com ela e ela nunca mais veio me ver...fica de bem com ela papai...por favor...- pediu Dulce, carente.

— Já tentei Dulce...mas quando adultos se desentendem, eles precisam de tempo para refletir...colocar os pensamentos no lugar...- explicou o empresário.

— Quanto tempo? Esse tempo já está tempo demais...- observou a pequena, fazendo os adultos rirem — Papi...fica logo de bem da Ceci, senão quem vai ficar de mal de você sou eu! — reclamou Dulce, indo para cozinha atrás de Franciely.

— Você ouviu o recado primo...você ouviu...- riu Estefania.