Notas iniciais
Hey meninas! Desculpe pela demora! Semana curta, correria!

Dulce Maria se recusara a fazer qualquer programa com o pai naquele sábado. A pequena estava realmente chateada com toda a situação ocorrida no colégio. Gustavo resolvera respeitar os sentimentos da filha e se preparava para almoçar em casa quando a campainha tocou. Ele mesmo caminhou até a porta e ao abrir não viu ninguém a frente até abaixar a cabeça e se deparar com Emilio.

— Oi tio! A Dulce está? — perguntou o pequeno.

— Está sim Emilio, entre...- disse o empresário. Alegre por ver o menino, ele poderia animar Dulce já que suas próprias tentativas fracassaram.

— Tio, a mamãe vai nos levar para comer hambúrguer e brincar lá na pracinha, a Dulce pode ir? — perguntou o baixinho. Estefania e Gabriel chegaram naquele momento.

— Claro, pode sim...eu vou chama-la...Sente-se Emilio, fique à vontade...- respondeu Gustavo.

— Deixa...eu vou! — disse Estefania, subindo as escadas em busca da sobrinha.

— Sua casa é bem grandona né tio? — começou o menino, questionador, fazendo Gustavo sorrir — Por que só você e a Dulce moram aqui?

— Ah Emilio...porque minha prima Estefania agora mora com o tio Vitor...- respondeu o rei do café.

— E porque a mamãe da Dulce morreu né? — Continuou o pequeno — Minha casa é muito barulhenta...porque tem a mamãe e a Juju...quando minha mamãe casar com o meu amigo Peixoto, vai ficar mais cheia ainda! — riu.

— É Emilio, vai sim! — concordou Gabriel — E você o que acha disso tudo?

— Acho legal...é legal ter a casa cheia de gente que se gosta...Tio, por que você não enche a sua casa também? — continuou o garoto — Você já é grande, pode arrumar uma mamãe nova para Dulce e uma irmã! Ou irmão que nem eu com a Juju! Ela é chata às vezes, mas eu amo muito ela! É legal ter irmã! — tagarelou.

— É sim, quem sabe um dia né? — riu Gustavo.

— Se o senhor quiser tio, o Super Eu pode arrumar uma família para encher essa casona aqui! — ofereceu Emilio.

— Ih Emilio, do jeito que meu irmão é difícil, acho que nem o Super Eu conseguiria agrada-lo...- provocou o padre.

— Emilio! — animou-se Dulce ao ver o amigo.

— Dulce! Seu papai deixou você passear comigo! — afirmou o menino.

— Vamos ver se daqui uns anos ele será tão flexível assim quando um garoto chama-la para sair...- brincou Estefania.

— Só se ele matar o dragão da torre que colocarei minha princesa...- disse Gustavo.

— No caso o dragão é você né meu irmão? Sempre soltando fogo pela boca...- disse Gabriel.

— Não vai me dar tchau filha? — perguntou Gustavo a menina.

— Tchau...- disse Dulce, sem cerimonias, saindo de mãos dadas com o amigo.

— Vocês viram isso? — perguntou o empresário.

— Vimos sim...Ah Gustavo, deixa a Dulce que daqui a pouco isso passa...Viemos convida-lo para almoçar conosco, distrair essa cabeça...- animou-se tia Perucas.

— Não estava muito afim de sair...

— Ah vamos primo! Só nós três! — pediu Estefânia.

— Tudo bem...mas eu escolho o lugar! — animou-se o empresário.

...

O almoço fora extremamente agradável. Gustavo se sentia com a cabeça leve, livre dos pensamentos conturbados que ultimamente o atormentavam. Tomavam um café após pedirem a conta. Conversavam, animados sobre o assunto que mais trazia alegria aos três. Dulce Maria.

— Já pensaram sobre o que vamos fazer no aniversário da minha florzinha? — dizia Estefania.

— Caramba é daqui dois meses! Com tantas coisas acontecendo, eu não tinha me atentado a isso...- observou Gustavo — Minha filhota está crescendo rápido...mas ainda temos tempo de fazer algo legal, não?

— Dois meses? Dá para fazer várias festas em dois meses...- riu Gabriel.

— Não senhor...não das que a Dulce merece! É o primeiro aniversário dela após o retorno do Gustavo e eu quero que seja uma grande festa! — animou-se tia Perucas.

— A Estefania tem razão...quero que a Dulce tenha uma festa maravilhosa! — concordou o empresário.

— Gosto dessa animação primo! — disse tia Perucas, batendo palmas — Então vamos?

— Vamos...tenho que passar na paroquia para resolver alguns assuntos...- informou Gabriel.

Os três deixavam o restaurante, animados, quando Gustavo estacou diante de uma mesa, próxima a saída. Cecilia ria, entusiasmada e parecendo muito confortável na companhia do doutor André. Fátima e o amigo do médico, Leandro, os acompanhavam. O empresário foi tomado por uma explosão de emoções, com a velocidade de uma tempestade tropical, que embaralhou seus neurônios e deu um nó em sua garganta. Estefania se aproximou sorridente, interrompendo a conversa do grupo.

— Boa tarde! Que coincidence boa! — Cumprimentou animada, despertando a atenção de todos, principalmente a do primo.

— Estefânia! Boa tarde! — respondeu Fátima animada — O que faz aqui?

Frustração cobriu as feições de Cecilia, que deu um tímido boa tarde a amiga e ao padre, mas ignorou Gustavo.

— Essa cidade é um ovo! — riu a estilista, observando o primo de esguelha — Oi André! Que bom vê-lo! Não é a primeira vez que esbarramos com você num restaurante! — lembrou-se.

— Boa tarde Estefania! Sentem-se conosco...- convidou o rapaz, educado — Ainda não pedimos nada...

— Obrigado doutor, mas já estávamos de saída...- agradeceu Gabriel.

— Podemos conversar? — pediu o rei do café, sério, dirigindo-se diretamente a Cecilia.

— Conversar? Sobre o que? Eu não tenho nada para conversar com você! — respondeu Cecilia, seca, surpreendendo a todos, já que sempre era carinhosa e doce.

— Mas eu tenho... — respondeu Gustavo. Aproveitou que a ex-noviça estava de pé e a puxou, segurando em um de seus pulsos, arrastando-a para fora do restaurante, sem olhar para trás.

— Ei me larga! — Pediu Cecilia, furiosa. Gustavo continuou calado e só parou, quando estavam a poucos metros da entrada do restaurante, longe do olhar de curiosos — Você não tem o direito de...

— Eu só quero te pedir desculpas! — interrompeu o empresário — Pedir desculpas pelo que te disse naquele dia...

— Ah...entendi...- murmurou a jovem, irônica.

— Eu só...só estava esperando o momento certo para esclarecer tudo e falar com você...- continuou Gustavo, respirando fundo.

— E o melhor momento foi me tirar do almoço com amigos e me arrastar pelo braço como se eu fosse uma marionete?! — perguntou, indignada.

— Amigos?! O doutor André está longe de querer ser só seu amigo! — afirmou o empresário, capturando o olhar de Cecilia — Nem todos os homens querem somente amizade!

— E o que você tem a ver com isso? — a irritação a invadiu, fechou os punhos, tentando se acalmar.

Aquela era uma Cecilia que Gustavo não conhecia. Ela estava visivelmente chateada com tudo o que acontecera e furiosa com aquela atitude impensada que ele tivera. Ele não soube o que responder. Por que estavam brigando? Droga! A imagem dela sorrindo para outro homem, deixara seu coração agitado e sua cabeça cheia de assombrações. Ficou alguns minutos em silêncio.

— Posso ir agora? — Cecilia o tirou de seus devaneios.

— Vai me desculpar? — insistiu — Por favor...a Dulce está sofrendo com a sua ausência...você sempre foi tão amorosa com ela e eu fui um ingrato ao te tratar daquela maneira...

— Gustavo eu já te disse isso uma vez e te direi novamente, pois parece que é difícil para você entender...O amor que eu sinto pela Dulce é retribuído em cada abraço ou palavra de carinho que ela me oferece...e mais do que isso, saber que ela está bem e feliz é tudo o que eu preciso...Seus agradecimentos são desnecessários, pois isso nunca foi uma obrigação para mim. Sim eu o desculpo, pois apesar de tudo, não costumo guardar rancor das pessoas. Agora se me der licença eu tenho que voltar...diga para Dulce que eu irei vê-la... — informou — Mas no colégio...Boa tarde para você também... — concluiu, saindo e o deixando sozinho.

Cecilia passou por Estefania e Gabriel que saiam para encontrar o primo, mas não disse nada.

— Primo...está tudo bem? — perguntou a estilista, cuidadosa ao ver o semblante chocado de Gustavo.

— Está...está sim...Talvez esse não tenha sido o melhor momento e...Vamos...- respondeu o empresário, sem se prolongar. Estefania e Gabriel deram de ombros, olhando um para o outro. Realmente aquela não fora, de longe, o melhor momento para um pedido de desculpas. Quando veriam um ponto final naquela relação? Como já dissera Silvestre. Aquela novela parecia ter muitos capítulos até o final feliz.