Notas iniciais
Mais um girls...

Ao chegarem na cobertura, Gustavo pediu licença e subiu direto para o seu quarto, deixando Gabriel e Estefania sozinhos...

— E ai? Falamos com ele? — perguntou a estilista para o padre. Angustiada.

— Espere um pouco, deixe ele esfriar a cabeça, assimilar o dia...

— Você tem razão...O que será que aconteceu fora do restaurante? Nunca vi o Gustavo agir da maneira que agiu...e a Cecilia? Estava com uma cara...

— Você conhece meu irmão...sabe como ele é temperamental...mas dessa vez parece que alguém deu o troco...

— É o que parece...mas está na cara que esses dois estão se gostando...

— Eu diria mais, diria que estão se amando...E não é de hoje né prima?

— Bom, por parte da Cecilia, tenho certeza que não...

— Do Gustavo também! Ele só disfarça melhor...Bom, eu tenho que ir, pois já estou atrasado...Deixe um beijo meu para Dulce...- despediu-se o padre.

— Tchau primo...deixo sim...se cuide...

A estilista despediu-se de Gabriel, esperou uma hora e subiu as escadas em busca de Gustavo. Queria oferecer um ombro amigo. O quarto estava na penumbra quando entrou e deu duas batidinhas na porta. O empresário estava deitado, com os braços atrás da cabeça, olhando para o teto...

— Posso entrar? Trouxe um chazinho com biscoitos que a Franciely fez...

— Claro Estefania...entre...- respondeu.

— Quer conversar? — perguntou tia Perucas, carinhosa. Queria ajudar o primo de todas as maneiras e estava disposta a fazer o que fosse preciso para que ele fosse feliz novamente, como na época em que Tereza vivia.

— Você está se tornando uma espécie de terapeuta para mim...- brincou — Obrigado...

— Você é um paciente difícil...mas eu também te peço desculpas se sou tão intrometida às vezes...só quero o seu bem...

— Que isso prima, sente-se aqui por favor, estou precisando mesmo desabafar algumas coisas...

— Então vamos lá, conte-me o que aconteceu hoje...a Cecilia te desculpou?

— Sim...ela me desculpou, mas me deu um bom sermão também...

— E você ficou chateado com isso...pelo menos é o que parece...- observou a estilista.

— Não com isso...eu bem que mereci as palavras dela...e até gostei sabe...foi bom vê-la cheia de atitude...- contou Gustavo, sorrindo.

— E por que então ficou tão fechado o caminho todo até aqui e se enfiou no quarto?

— Tem uma coisa que não gostei no dia de hoje...Não gostei nadinha...- comentou o empresário, fechando a cara.

— Já imagino...

— É...eu não gostei nada de ver a Cecilia na companhia de outro homem...

— Eles não estavam fazendo nada demais Gustavo...

— Eu sei, mas eu não gostei...eu me senti tão, eu não sei...traído? — argumentou.

— Humm...interessante...O que está querendo me dizer é que se sentiu traído, porque os olhares da Cecilia, que antes eram só para você, hoje eram para outro?

— Isso! Eu sei, parece egoísta falando assim...como se eu quisesse monopolizar os sentimentos dela, mas não é isso...eu fiquei...ah! Eu fiquei com ciúme! Com muito ciúme! Eu quis tira-la de perto daquele doutor e...

— Ai primo...você já está começando a admitir para si mesmo o que sente...isso é bom...- incentivou Estefania — Posso te fazer uma pergunta bem pessoal?

— Vamos lá...- concordou o rei do café.

— O amor é um sentimento que não tem muita explicação...- começou, devaneando — Mas tem algumas coisas fundamentais para que o amor entre um homem e uma mulher floresça...

— Aonde quer chegar prima?

— Alguma vez você sentiu...ou sente desejo pela Cecilia? Não precisa me responder se não quiser...

— Desejo...Esse é um sentimento que parece fácil de entender mais não é...eu não sei se já senti desejo pela Cecilia enquanto noviça, ela sempre me transmitiu uma imagem tão casta sabe...mas...bem...já que estamos nessa conversa tão aberta...eu não sei descrever muito bem, mas ela tem um cheiro Estefania, que me atrai para perto, e uns olhos tão verdadeiros e lindos...e quando eu me aproximo eu...- descrevia Gustavo, sonhador — Não é aquele desejo pelo estereótipo feminino sabe...é algo que transcende...e fazem meus olhos não enxergarem outra coisa além dela...

— Primo...você está se escutando? — perguntou Estefania, sorrindo — Tudo isso que está me dizendo Gustavo é...

— Eu sei...eu já sabia...eu...- o empresário inspirou fundo — eu estou completamente apaixonado pela Cecilia...- declarou, mais para si mesmo do que para prima — Muito apaixonado...

Estefania abriu mais ainda seu sorriso, com as mãos unidas sobre os lábios. De certa maneira, sentia-se aliviada em ver aquelas palavras saindo da boca de Gustavo.

— Ai meu Deuuuus! Obrigadaa! — exclamou, rindo — Obrigada! Primo! Eu estou tão, mais tão feliz que finalmente ouvi você admitir isso para si mesmo com tanta convicção! Acho que só ficarei mais feliz no dia do casamento de vocês!

— Ei vai com calma! — riu o rei do café — As coisas não são assim tão simples...

— São sim! Corre agora para casa da Fátima e abra seu coração! Ai meu Deus eu queria ser uma mosquinha para ver a cara da Cecilia quando você se declarar para ela! — empolgou-se Estefania.

— Calma prima...não é assim, eu não sei se a Cecilia...

— Te ama?! — interrompeu a estilista — Claro que essa mulher te ama primo!! Claro que te ama! Eu paro de usar perucas se eu não estiver certa!

— Nossa, você realmente parece ter muita certeza...Apesar de ter se desculpado, a Cecilia está chateada comigo Estefania...Não acho que vai querer me ver tão cedo...além disso, ela é jovem, talvez eu deva lhe dar um tempo para viver a vida e...

— Lá vem você tentando se blindar de novo! Gustavo! O amor não bate na porta assim de qualquer um...e na sua é a segunda vez, então pare de colocar minhoca nessa cabeça linda!

— Eu sei Estefania...ok...eu já admiti que estou apaixonado pela Cecilia, mas isso não quer dizer que eu vá me casar com ela assim...

— Por que não?!

— Porque apesar de tudo, precisamos nos conhecer primeiro e...

— O que você precisa saber além do fato de que ela é uma mulher linda e que ama você e sua filha? — falou tia Perucas, parecendo óbvio.

— Não quero me magoar e magoar os outros, você sabe disso...Já senti esse tipo de felicidade, mas tudo me foi arrancado de repente Prima...sabe disso...- comentou pesaroso — Estefania deixe isso comigo ok — afirmou ao ver a preocupação nos olhos castanhos — ...e por favor, essa conversa fica entre nós eu não quero a Dulce Maria cheia de expectativas e...

— Estão falando de mim? — perguntou a pequena, entrando no quarto e pulando na cama — Cheguei!

— Estamos vendo filha! — riu o empresário — Como foi o passeio?

— Foi muito legal! — disse a menina — Do que vocês estavam falando papai?

— Estávamos falando que você ficaria muito feliz em saber que...- começou Estefania, recebendo um olhar de alerta de Gustavo — ... que seu papai já pediu desculpas para Cecilia...

— Iupiiiii! — comemorou a pequena — Isso ai papi! A madre disse que sempre devemos pedir desculpas quando fazemos coisa errada...Agora a Ceci pode vir me visitar?

— Ela disse que vai até o colégio para te ver...- informou o empresário. Feliz com a alegria da filha.

— Eu fiquei muito feliz papi! Agora vou brincar com a Fran! — completou Dulce, saindo.

— Será que ela ouviu alguma coisa?

— Claro que não Gustavo! Mas a Dulce é muito esperta e sonha com o dia que você se case com a Cecilia...bom eu tenho que ir, o Vitor está me esperando...Tchauzinho e fique bem...

— Estou mais aliviado agora...

— Isso que traz paz pro seu coração é o amor...- riu a estilista, saindo.

— Amor....- murmurou Gustavo para si mesmo, já sozinho. Não esperava sentir algo tão profundo por uma mulher novamente. Sentia-se vulnerável diante desse sentimento. Os horrores que vivera após a morte da esposa ainda o perseguiam. Estava com medo de passar por tudo aquilo novamente. Mas a descoberta enchia sua vida de uma luz tão brilhante, que era difícil resistir. Deixaria o destino agir dali e diante, independente do caminho para o qual o levasse.