Para nós, todo o amor do mundo...
24 O Jantar - 1
Notas iniciais
Gustavo estacionou em frente a casa onde Cecilia morava com Fátima e caminhou até o portão, ajeitando a roupa. Vestia um jeans escuro e camisa branca. Estava inquieto demais, pensou, era somente um jantar. O que conversaria com a ex-noviça? Que assuntos tinham em comum além de Dulce Maria? Começou a ficar nervoso, mas seguiu em frente, tocou a campainha e esperou.
Achou que o convite começou a valer a pena no momento em que Cecilia saiu e caminhou ao seu encontro. Usava um vestido preto, simples e curto, sandálias altas combinando e um blazer rosa quartzo. Seus cabelos estavam presos para trás num coque feito as pressas. Nas orelhas apenas um par de pérolas, além de bolsa e maquiagem discretas. O empresário teve certeza que se não a conhecesse, não acreditaria que fora religiosa e que há pouco tempo atrás vestia um hábito, que ocultava tudo o que via naquele momento. Aproximou-se sorrindo, e como sempre não soube como cumprimenta-la.
— Boa noite...- disse apenas, recebendo as mesmas palavras em troca — Você está...muito bonita...- elogiou, deixando-a sem jeito.
— Obrigada... — Cecilia respondeu. Sentiu o perfume almiscarado de longe. Certamente ficaria com ele impregnado em pensamento dias e dias — Aonde vamos? — quis saber curiosa.
— Ah! Isso é surpresa! — brincou Gustavo, abrindo a porta do carro.
...
Chegaram ao local poucos minutos depois. Assim que encostaram o carro, dois rapazes se aproximaram para abrir as portas do veículo. O lugar era um dos mais badalados de Doce Horizonte e por fora parecia um grande casarão, todo talhado em madeira, com dois ambientes. Embaixo funcionava um sofisticado restaurante, com pratos premiados e no deque de cima, havia um bar com um pista de dança para quem desejava prolongar a noite.
O maître os recepcionou, cumprimentando Gustavo pelo nome, pegou o casaco de Cecilia e os acompanhou até a mesa reservada.
— Senhor Lários, esse é o Paulo, o garçom que os atenderá essa noite...
— Obrigado José...- agradeceu o empresário.
— Parece que todos te conhecem...Você vem sempre aqui? — perguntou a ex-noviça.
— Costumava vir muitas vezes...era o restaurante favorito da Tereza...é a primeira vez que venho depois que...enfim...- respondeu Gustavo, recebendo o cardápio.
— Não precisava ter me trazido num lugar tão especial para você...
— Você ama minha filha como se fosse a mãe dela, não tem ninguém que mereça mais estar aqui do que você Cecilia...- declarou o empresário, com o olhar fixo na jovem, que sorriu.
Diferente do que receava o rei do café, o jantar fora agradável e natural. Naquele dia descobriu que, apesar da vida cheia de restrições que a moça tivera até então, tinham muitas coisas em comum. Era incrível que gostassem da mesma estação do ano, que tinham um mesmo prato favorito, gostavam de músicas e livros parecidos, e que podiam ficar a noite toda conversando sobre qualquer assunto sem enjoar. Terminavam a sobremesa, enquanto o empresário contava um história de sua infância.
— Então minha mãe descobriu que eu tinha escondido o cachorro em casa e ficou maluca! — disse animado — Eu não sabia que o animalzinho tinha dono...Você já teve animais de estimação?
— Nunca! Não era permitido no orfanato...o que era de um, era de todos...imagino como um bichinho causaria confusão! — respondeu Cecilia.
— O que aconteceu com seus pais?
— Acho que a Fátima sabe contar tudo melhor do que eu...lembro pouco do meu pai e nada da minha mãe...tenho só alguns flashes na memória...
— Entendi...- finalizou Gustavo. Não queria prolongar um assunto que talvez a entristecesse. Aquele sorriso lindo poderia se apagar e ele não queria arriscar — Nem brindamos ao sucesso da Dulce! — lembrou — O que acha de irmos lá para cima e tomarmos um champagne?
— Eu não bebo...nunca bebi...
— Para tudo tem uma primeira vez na vida! — riu o empresário, levantando-se e puxando a cadeira para ela.
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