Para nós, todo o amor do mundo...
25 O Jantar - 2
Notas iniciais
O casal se sentou nos bancos altos em frente ao bar agitado. Ali o ambiente estava fervilhando. Os barmen corriam para todos os lados servindo drinques e a pista de dança, que tocava uma música da atualidade, estava lotada. Toda aquela energia encantou Cecilia. Gustavo tinha razão, para tudo havia uma primeira vez, e ela estava provando, constantemente, o sabor da descoberta. O empresário observava as reações da jovem. Percebeu que gostava daquilo. Era interessante e divertido ajudar alguém na exploração de um novo mundo.
— Gostou? — perguntou, servindo duas taças de champagne do balde que acabara de pedir.
— Muito! Essas luzes e as pessoas assim tão descontraídas e felizes! — exclamou, empolgada.
— Aqui...- riu o empresário entregando uma taça — Um brinde ao sucesso da Dulce! — saudou.
O primeiro gole da bebida provocou uma sensação esquisita na ex-noviça, que começou a rir.
— Faz cócegas no nariz! — contou, bebendo todo resto.
— Ei ei ei...vai com calma...senão sentirá uma baita dor de cabeça além das cócegas! — alertou o rei do café, servindo-a novamente.
Algumas taças depois, e a garrafa estava vazia. Gustavo bebera apenas duas. Cecilia apoiava um dos cotovelos no balcão, segurando a cabeça inclinada, enquanto observava as pessoas dançarem. Sentia-se um pouco alegre e boba demais.
— Quer dançar? — perguntou o empresário, tirando-a de seus devaneios.
— Dançar? Na pista? — perguntou, confusa no primeiro segundo.
— É, você parece tão feliz observando tudo...vamos lá, vem...- disse, puxando-a pelas mãos — Estou meio enferrujado com essas músicas de hoje em dia, mas não passo vergonha...- contou, balançando o corpo — Poxa...achei que noviças não sabiam dançar...- declarou, quando a viu se soltar sem medo.
— Eu era uma noviça, não uma santa...- replicou a jovem — Eu e a Fabiana gostávamos de dançar sozinhas no quarto...a Madre nunca soube e se soube nunca ligou...
As duas próximas canções também foram cheias de efeitos e super dançantes, mas o DJ da casa resolvera mudar o repertório e aproximar os casais na pista, que até então dançavam separados, colocando um clássico com uma melodia lenta e romântica.
Gustavo e Cecilia pararam imediatamente e se encararam. O empresário olhou para os lados e viu todas aquelas pessoas tão próximas uma das outras, embalados pelo ritmo suave. Não sabia se deveria ou se queria seguir aquele caminho. Mas algo forte o impulsionou a segurar firmemente a mão quente da bela mulher à sua frente e trazê-la para junto de si, arrancando-lhe um soluço de surpresa. O perfume dos cabelos escuros logo o inebriou, quando inclinou a cabeça para baixo e ficou com o rosto lado a lado ao dela. Outro detalhe lhe chamou atenção naquele momento. O corpo pequeno de Cecilia se encaixa perfeitamente em seu abraço.
Poderia abrir os olhos e comprovar que não era sonho? Pensou a ex-noviça, quando juntos, se mexiam ao som da bela música. O calor dele ao invés de aquece-la, provocava-lhe arrepios da cabeça às pontas dos pés. Suspirou e apoiou a cabeça no peito largo e forte, coberto pelo tecido branco e cheiroso. Não queria acordar, resolveu.
Cecilia sentiu os dedos longos do empresário se afundarem em seus cabelos involuntariamente, descendo em seguida para suas costas num carinho longo que fez suas pernas começarem lentamente a amolecer. Prendeu a respiração, ansiosa.
— Tudo bem? — perguntou Gustavo, carinhoso, afastando-se alguns centímetros para olha-la nos olhos. O azul que tanto o encantava o hipnotizou, fazendo-o apoiar uma das mãos no rosto dela e com a outra diminuir a pequena distância entre os dois.
— Uhum...- murmurou a jovem, presa ao olhar dele. Sentiu-se um pouco zonza. Não sabia se eram as novas sensações ou se era efeito da bebida que tomaram.
— Bom...Muito...bom...- sussurrou o empresário, fazendo um carinho gentil no rosto dela,
Estavam tão próximos que podiam sentir a respiração abafada um do outro. Gustavo ficou assustado com a vontade louca que sentiu de beija-la e Cecilia só conseguia ouvir as batidas rápidas de seu coração, em expectativa. Os pares de verde e azul se fecharam. Apenas um milímetro os separava. Gustavo deslizou a mão direita, segurando-lhe a nuca e inclinando a cabeça, mas o sabor dos lábios dela não pode provar, pois ao sentir um "tum" fraco em seu ombro, abriu os olhos e viu que Cecilia apoiava a cabeça ali, os olhos ainda fechados. Dormia, suspirando fundo.
Gustavo sorriu. A jovem realmente não estava acostumada com o álcool, pensou, saindo do transe. Envolveu os braços dela em seu pescoço e a abraçou pela cintura, deixando o lugar. Quando chegaram à rua, disse a um dos funcionários que buscaria seu carro no dia seguinte. Entrou num táxi, passando o endereço de sua cobertura ao motorista e deitando Cecilia no banco, apoiando sua cabeça no colo. Talvez fosse melhor a noite acabar daquela maneira. sem maiores complicações. Pelo menos recuperara o controle da situação e poderia racionalizar. Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, passando uma das mãos no rosto, visivelmente preocupado.
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