Notas iniciais
Demorei, mas cá estou! :) Usei um diálogo da versão mexicana entre a Cecilia e o Gustavo (Luciano na ocasião rsrs) que gosto muito! Com algumas modificações...mudei um pouco a cronologia das coisas...espero que gostem.

O caminho até a casa das irmãs Santos foi silencioso. Cecilia não abriu a boca para trocar uma palavra com o empresário. Gustavo, por sua vez, estava perdido em seus pensamentos, queria conversar com a bela jovem ao seu lado, mas não sabia como puxar assunto com a ex-noviça sem envolver Dulce Maria.

— É...a Dulce deu muito trabalho hoje? — disse, tentando quebrar o gelo.

— Sim, ela é muito inteligente, tenho certeza que se sairá bem amanhã! — respondeu Cecilia.

— Ótimo...- continuou Gustavo, encorajado pelo sorriso que ganhou — Então...com saudades do colégio?

— É aqui...- desconversou Cecilia, ansiosa por deixar o carro — Obrigada por me trazer...

— Espere um pouco Cecilia...- pediu Gustavo.

— Você quer entrar? — estranhou a ex-noviça.

— É rápido...- disse o empresário — Quero lhe agradecer por ajudar minha filha...Você acha que...acha que poderia ensina-la mais vezes lá em casa?

— Ensinar? Na sua casa? Bem...agora eu não sou mais uma noviça que dá aulas a Dulce...- começou, olhando para frente sem encara-lo — Agora sou só uma moça como as outras e...

— Não você ainda não é como as outras...- interrompeu Gustavo.

— Não sou?

— Nem um pouco...- declarou o rei do café, meio hipnotizado pelos olhos dela, com tonalidades verdes sobre o azul, provocado pela luz alaranjada do pôr do sol.

— E por que? — perguntou Cecilia, inquieta no banco, segurando o cinto de segurança com ambas a mãos.

— Por que nunca me olha nos olhos? — divertiu-se o empresário, projetando o corpo para a direção da jovem e levantando seu rosto, segurando-a pelo queixo com uma das mãos.

— Essas roupas...ainda fazem eu me sentir estranha...- tentou a professora, estremecendo.

— É...eu a vejo e para mim é difícil se acostumar...porque está tão bonita...- declarou Gustavo.

— Por favor não caçoe de mim...- pediu, afastando-se do toque dele.

— Não estou caçoando...é verdade...para mim você é uma mulher muito linda...

— O senhor conhece mulheres muito bonitas...ao lado delas eu sou insignificante...- declarou a ex-noviça olhando para baixo.

— Não é não...- afirmou Gustavo.

— E-eu...eu acho que preciso ir...

— Cecilia espere...- pediu novamente o rei do café, apertando-lhe o ombro- Como está se sentindo? Digo...com essa nova vida...

— É difícil se adaptar...

— Imagino...Você me parece sempre angustiada quando a vejo...Por que?

— Estou procurando a paz...a paz que eu perdi...- respondeu Cecilia.

— Posso saber de que paz está dizendo? — pressionou Gustavo.

— Eu sempre achei que estivesse em paz no colégio, com as minhas escolhas de servir a Deus, ensinar e cuidar das meninas...mas eu a perdi...

— Você cuidou muito bem da Dulce Maria...como a Tereza teria feito...

— Eu a amo tanto...como uma filha...- disse a ex-noviça, carinhosa.

— Como as filhas que provavelmente terá um dia...quando se casar e...- divagou o empresário -...e se apaixonar...Já se apaixonou alguma vez? a tensão tomou conta naquele espaço pequeno entre os dois. Gustavo aguardou ansioso pela resposta. Cecilia prendeu a respiração, tomando cuidado para dizer qualquer coisa. Foram interrompidos pelo toque de um celular.

— Acho melhor o senhor atender...

— Alo? Ah...oi Verônica...posso, estou no carro...tudo bem, que horas? Ok...pode marcar...Tchau, até amanhã...- quando Gustavo desligou o telefone, viu que Cecilia já não estava ao seu lado. Suspirou, chateado e deu partida no veículo. Era melhor retornar para o apartamento. Ainda precisava levar Dulce ao colégio e no dia seguinte atenderia uma reunião importante, que não estava esperando, como Verônica acabara de lhe informar.

...

Na terça-feira pela manhã, o telefone começou a tocar insistentemente na residência dos Lários. Silvestre estava de folga naquele dia, por isso, Estefânia levantou-se da mesa onde tomava café com os primos e foi atender.

— Estefânia Lários...Oi irmã Fabiana! Como vai? — sorriu a estilista — Bem obrigada...Notícia? Boa ou ruim? — perguntou, vendo que Gustavo a observava atento — Jura?! Ele vai adorar saber disso! Claro claro...até, um abraço...- terminou, desligando e voltando para mesa em silêncio.

— Não vai falar nada? Por que ligaram do colégio? O que a irmã Fabiana queria? — questionou o empresário.

— Adivinhem só?! A Dulce Maria tirou um 10 na prova de Português! Dá para acreditar?! — sorriu tia Perucas.

— Dez?! Minha filha tirou um dez?! Mas essa é uma notícia muito boa! — riu Gustavo.

— Acho que dessa vez ela merece um presentão! — afirmou Gabriel.

— Sim! Merece sim! Vou comprar um lindo presente e levar para minha princesa no colégio! — declarou Gustavo, orgulhoso — Mas acho que outra pessoa também merece algo...- pensou alto, pegando o celular.

— Para quem está discando? — indagou Estefânia curiosa.

— Alo! Fátima? Oi Fátima, tudo bem? Gustavo Lários, pai da Dulce. A Cecilia está por ai? — começou o empresário, fazendo o padre e a prima trocarem um olhar surpreso — Oi Cecilia...como vai? Tenho uma notícia muito boa! — continuou feliz — A Dulce Maria tirou um dez na prova de ontem! Tudo graças a você! Por isso eu queria convida-la para jantar comigo hoje e comemorarmos...o que acha?- pediu, esperando uma resposta do outro lado da linha — Já tem compromisso? — estranhou o empresário. Estefânia teve dó do primo, quando viu seu sorriso murchar — Tudo bem...entendo...fica para uma próxima...- finalizou, desligando.

— O que foi isso meu irmão? — perguntou Gabriel — Convidando a Cecilia para um encontro? Resolveu investir numa mãe de verdade para sua filha?

— Não é nada disso Gabriel! Eu só queria recompensa-la por ajudar a Dulce mais uma vez! — reagiu Gustavo.

— E? Ela não aceitou? — provocou Estefânia.

— Não é isso! Ela...ela disse que tem um compromisso e que jantaria com o doutor André! O doutor André, dá para acreditar?! — exclamou, furioso — Achei que...que a Dulce fosse mais importante para ela!

— Não viaja Gustavo! Uma coisa não tem nada a ver com a outra...só está chateado porque tomou um fora! — riu a estilista.

— Nunca te vi tomar um fora de ninguém, meu irmão! — riu o padre — Devo dizer que estou surpreso!

— Não tomei fora nenhum! Ah quer saber?! Foi melhor assim! — concluiu Gustavo, pegando o copo de suco. Suas companhias ainda riam — Também perdi o apetite! Com licença! — retirou-se da mesa, explosivo e pegou sua maleta, saindo para o trabalho,

— Que bicho mordeu ele? — perguntou Gabriel a prima — Tudo isso por causa do fora?

— Acho que tudo isso é ciúme...só que ele não sabe ainda...- riu a estilista, balançando a cabeça.