Para nós, todo o amor do mundo...
11 Capítulo 11 - Sensações
Notas iniciais
Gustavo foi o único a não sair do lugar quando todos se aproximaram para cumprimentar Cecilia . Esperou, distante, até que finalmente chegasse sua vez. Seu coração ainda batia muito rápido. Todas as vezes que chegava perto da, agora, ex-noviça sentia algo diferente que o transportava para outra atmosfera. Fora assim, na última vez que estiveram mais próximos e ela desmaiara em seus braços. Naquele dia, revelara à sua prima Estefânia que finalmente percebera ter sentimentos diferentes por Cecilia, e não eram só de gratidão. Porém, resolvera colocar uma pedra naquela história e estava tendo sucesso até aquele momento. Apaixonar-se novamente, definitivamente não estava em seus planos após perder Tereza, e assim deveria ser. Fizera uma tentativa errada com Nicole, achou que poderia ser amor, mas era só paixão. Era um homem jovem e solteiro e merecia se divertir.Resolvera até mesmo sair com Veronica, sua nova secretária. Mas tinha uma filha e se permitisse que seus sentimentos fossem além, não só seu coração estaria em risco, mas o de Dulce também. Cecilia era um risco muito alto. Não para a menina, mas para ele. Era muito jovem, inocente sobre a vida, e com um passado cheio de regras rígidas, tão recente, que assustava o empresário. Era melhor não permitir que aqueles sentimentos aflorassem para o bem de todos.
Aproximou-se de maneira formal, oferencendo uma das mãos...
— Prazer em revê-la Cecilia...- disse, apertando a mão da moça, sem graça. Recebeu apenas um aceno de cabeça. Permaneceu naquela posição.
— Aham...- pigarreou Estefânia, tentando acabar com aquele desconforto. Gustavo voltou a si e soltou a mão de Cecilia.
— Cecilia! Vem brincar vem! — pediu Dulce, puxando a mão da professora, empolgada — O tio Vitor tem um quintal beeem grandão lá fora! Dá para brincar de pega-pega!
— Eba pega-pega é legal! — exclamou Emilio.
— Vem Cecilia vem! — continuou Dulce, puxando a ex-noviça com mais força.
— Vai lá maninha...mata a saudades da menina...- disse Fátima.
— Tudo bem pequena! — riu Cecilia — Já estou indo, já estou indo! — concordou, saindo com as crianças para o quintal.
— Bom eu vou voltar para cozinha! — informou Vitor.
— Vou contigo! Posso? — pediu Fátima.
— Claro! — riu o chef.
Estefânia serviu mais uma taça de vinho à todos que permaneceram na sala...
— Meu Deus! Eu não sabia que a irmã Cecilia...quer dizer...ex-irmã Cecilia não era mais uma irmã! — disse Rosana.
— Você sabia disso Gabriel? — perguntou Gustavo ao irmão.
— Não a Madre não me disse nada...- respondeu o padre, que também parecia surpreso, porém, observava as atitudes do irmão mais novo.
— Pelo jeito só você sabia né prima?! E nem disse nada...- reclamou o empresário.
— E o que tem demais? — provocou Estefânia — Você mesmo pode ver que o fato da Cecilia não ser mais noviça, não impactou em nada o que a Dulce Maria sente por ela...Vocês viram como ela ficou feliz?!
— Muito! — disse Gabriel — Graças a Deus! Eu estava começando a me preocupar com a tristeza da minha sobrinha...
— Quero só ver como será daqui para frente...- disse Gustavo, mais para si mesmo, do que para os outros.
— Ué...a Cecilia pode ir lá em casa ver a Dulce quando quiser...não? — perguntou tia perucas.
— Pode...claro que pode...- respondeu o rei do café.
Minutos depois na cozinha, Vitor e seus ajudantes terminavam os pratos, enquanto todos se envolviam numa discussão animada sobre música. Gustavo aproximou-se, comentando sobre o cheiro bom, quando o amigo tirou uma torta de maça do forno...
— Para comermos com sorvete mais tarde! — explicou o chef — Terminamos aqui...Poderia ir lá fora chamar as crianças e a Cecilia? — pediu de propósito, em sintonia com os planos da namorada que fez um sinal positivo para ele, pelas costas do primo.
— Tudo bem...- disse Gustavo, saindo pelo corredor que levava à porta dos fundos.
Antes de sair, ouviu risadas altas de sua filha e Cecilia. Assustou-se, quando esbarrou em Emilio que entrou correndo na casa...
— Desculpa tio! — disse o menino sumindo de vista.
Gustavo adentrou ao jardim, seguindo os sons das risadas e parou, observando a brincadeira. Dulce corria em volta de uma árvore, com um sorriso alegre de criança feliz, enquanto Cecilia a perseguia. Em algum momento a menina se escondeu, ficando ainda às vistas do pai, enquanto a ex-noviça fingia procura-la...
— Onde será que se meteu essa carinha de anjo?! — perguntou a moça alto, quando Dulce saiu de trás de um arbusto, pulando em seu colo e a derrubando no chão
As duas continuaram a rir, mais alto, fazendo cócegas uma na outra, enquanto se esparramavam no gramado. Gustavo emocionou-se com aquela cena. Sua garotinha realmente amava aquela jovem mulher. Tinham uma ligação especial. A menina confiava em Cecilia que a fazia sorrir de alegria, a obedecer quando necessário e que limpava suas lágrimas quando chorava.
Achou a ex-noviça mais bonita ainda, daquele jeito natural. Com os cabelos escuros espalhados no chão, os olhos iluminados pela luz do sol e pela nobreza de não se importar com as roupas se amarrotando e sujando, na brincadeira com uma criança.
O empresário engoliu seco, apertando as mãos em punhos e se aproximando.
— Meninas! Desculpe atrapalhar a brincadeira de vocês, mas o almoço já está pronto. — anunciou, assustando ambas.
— Nossa senhor Gustavo que susto! Não vimos o senhor ai! — disse Cecilia.
— Ceci, não chama meu pai de senhor não, ele ainda não é velhinho, os cabelos nem são branquinhos...- disse a menina, fazendo o pai sorrir — Papai vem brincar com a gente!
— Agora não filha, talvez mais tarde...agora vamos almoçar...
— O papai tem razão Dulce...Não está com fome?
— Minha rabiga sim, eu não...- declarou, fazendo os adultos rirem.
— Vem meu amor vamos...- chamou, fazendo a filha se levantar com agilidade. Ofereceu a mão para ajudar Cecilia, que aceitou. Um arrepiou percorreu todo seu corpo ao sentir o toque da pele dela no seu. Cecilia sentira o mesmo, pois acabou tropeçando e se não fosse os braços do empresário para segura-la, cairia de cara no chão. — Opa! Acho que não é a primeira vez que preciso te segurar assim...- sussurrou, sorrindo, arrependendo-se logo em seguida quando viu o rubor tomar conta do rosto da moça.
— D-desculpe...- pediu Cecilia, tentando dar um passo para trás, mas sendo mantida presa pelas mãos fortes do homem à sua frente. Os dois se olharam diretamente pela primeira vez, desde o inicio daquele dia. Por um minuto, parecia que nada existia, apenas a proximidade e um calor latente que tomava conta de ambos, fazendo o empresário se aproximar mais.
— Vamos papai! Vamos Ceci! — chamou Dulce, tirando-os do transe que se encontravam.
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