Para Te Encontrar

33 Capítulo 32 - Histórias do Passado


Notas iniciais
Boa noite. Segundou e cheguei com um novo capítulo de PTE. Quero agradecer imensamente a quem voltou a acompanhar a fanfic, sei que é até difícil pedir apoio nesse momento depois do longo sumiço, mas é gratificante demais contar com vocês. Hoje o capítulo será dedicado a quem comentou no anterior e também a Caroline, que recomendou PTE. Brindando-nos de modo sem igual. Apreciem Com Moderação. Capítulo Postado Em: 25/07/22

— Porque já sei o que eu tenho.

— E o que é?

— Eu estou grávida...

— Perdão. Acho que não ouvi bem. – Pronunciei. – O que a senhora disse?

— Eu estou grávida Bella. – Informou. – Diante dos sintomas estava desconfiando da possibilidade, mas agora acabei de confirmar.

Mostrou um bastão de teste de gravidez na mão.

— Mãe, mas como...? – Nem consegui formar a frase completa. – Quer saber, vamos por partes. Senta aqui, a senhora está bem? – A ajudei a sentar na cama.

— Estou. Agora que confirmei o que tenho conseguirei lidar melhor com tudo.

— Certo. Não vamos ao hospital agora, já que não é uma situação de emergência, mas a senhora precisa consultar um médico. De preferência um obstetra para confirmar que tudo está realmente bem.

— Eu farei isso querida. Não se preocupe.

— Mãe, desculpe, mas não posso deixar de perguntar. Como a senhora engravidou? Quem é o pai desse bebê? A senhora tinha um namorado nos Estados Unidos e não me falou?

Não consegui conter a enxurrada de perguntas.

— Não Bella. Eu não tinha ou tenho namorado algum nos Estados Unidos.

— Então como?

Ela desviou o olhar focando no bastão em sua mão.

A prova de que em breve terei um irmão ou irmã.

E de repente entendi tudo...

— Mãe. Esse bebê também é filho do meu pai?

Questionei sem realmente acreditar no que estou dizendo.

— Sim. — Sussurrou. – Seu pai também é o pai desse bebê.

Mãe! Como à senhora...? Como vocês? Quando? Mãe...

Não aguentei ficar sentada, por isso levantei passando a caminhar pelo quarto.

— Bella. Nem eu sei bem como tudo aconteceu, mas o fato é que aconteceu. E agora estou grávida. Novamente grávida do Carlisle. Como minha vida pode ser tão complicada assim? – Ponderou consigo mesma.

— Eu também não consigo entender como isso pode ter acontecido. – Murmurei. – Eu achei que vocês estavam tentando se entender, mas de outro modo. Isso quer dizer que estão juntos? Por isso ele terminou com a Carmen?

— O que? Não. Não estamos juntos. E que história é essa que seu pai terminou com a Carmen?

— Então ele não fez isso por vocês? – Rebati. – Ou talvez tenha feito. — Refleti. – Mas isso não é o mais importante agora. Quando vocês ficaram juntos? Foi só uma vez? Agora que ele está livre vocês vão voltar?

— Bella calma. – Pediu. – Minha cabeça está com preocupações demais para pensar em tudo isso. Sendo que o maior fato é que não estamos juntos e nem pretendemos voltar.

— Mas vocês terão um filho juntos, aliás, outro filho.

— Sim, mas isso não é motivo para fazer alguém ficar junto.

— Ok. Independente de voltarem ou não, de algum modo, ao menos uma vez, vocês ficaram juntos ou esse bebê não existiria. – Pontuei.

— Sim, houve uma vez, apenas uma vez. Porém realmente basta apenas uma vez para algo assim acontecer...

— E quando...?

Ia refazer a pergunta, mas uma lembrança assolou minha mente.

A noite que Edward e eu cantamos uma música especial a eles e depois foram embora sozinhos...

Eu não passei àquela noite no quarto, já que aproveitei para ficar com o Edward, porém achei que minha mãe tivesse vindo para cá, mas acho que ela não voltou.

Também lembrei como pareceu estranha na manhã seguinte, quando nos encontramos pela primeira vez. Na época pensei que era por desconfiar de onde realmente tinha passado a noite.

No entanto, é provável que não tenha sido isso. Na verdade acredito que ela estava preocupada com as suas próprias ações noturnas.

— Mãe, a senhora e meu pai ficaram juntos naquela noite que voltaram sozinhos do Pub? – Expressei a dúvida.

Ela demorou um pouco para responder, mas não me importei, pois preciso saber a verdade.

— Sim Bella. Ficamos juntos naquela noite. Agimos como dois jovens inconsequentes, por inúmeros motivos, sendo um deles não usar o preservativo.

— Mãe! – Exclamei chocada.

— Eu sei, eu sei. Foi burrice. Imprudência. Um erro total. — Suspirou. – Veja quão irônica é a vida. Nunca precisei ter esse tipo de preocupação com você, minha filha jovem, em um relacionamento firme. Enquanto isso, você está tendo que ouvir que sua mãe e seu pai agiram de forma inconsequente e agora terão que lidar com uma consequência sem tamanho.

— Mãe, também não é assim. Vocês são adultos, imagino que se optaram por essa escolha, tenham pensado ao menos um pouco nela. Ou talvez não. Mas isso também não importa agora. – Sentei novamente ao seu lado, segurando suas mãos. – A senhora está grávida. É com isso que temos que nos preocupar.

Grávida. Grávida novamente aos 38 anos. – Suspirou. – Você teve uma mãe jovem demais, enquanto esse bebê terá uma mãe velha demais.

— Mãe para com isso, a senhora não é velha. Muitas mulheres optam por ter o primeiro filho por volta dessa idade ou o segundo filho também. Dará tudo certo e agora a senhora terá o meu apoio. Caso opte por levar a gravidez adiante, é claro.

— Mas é claro que levarei Bella. Não existe outra opção. Não temi ter você quando era apenas uma jovem perdida, não será diferente agora. Esse bebê é meu filho, independente de tudo.

— Tudo bem então. Pois a senhora pode contar comigo para o que precisar. – Garanti. – E não acredito que terei um irmão ou irmã. Eu sempre quis ter irmãos, a senhora sabe.

— Eu sei querida, eu sei. – Alisou meu rosto. – No fundo eu também sempre quis ter mais filhos, mas depois de um tempo achei que esse desejo nunca se concretizaria.

— Quem diria que nós duas teríamos nossos sonhos realizados, não é?

— Ninguém diria...

Ela pousou a mão sobre a barriga plana e não me contive em fazer o mesmo, pensando que daqui a alguns meses começaremos a notar as mudanças em seu corpo e a presença afirmativa do meu futuro irmão ou irmã.

— A história está se repetindo em tantos sentidos.

— Como assim? – Perguntei confusa.

— Quando soube que estava grávida pela primeira vez, minha melhor amiga também foi a primeira pessoa para quem contei. – Contou. – Agora a situação está se repetindo, você é minha melhor amiga e é a primeira a ficar sabendo do novo bebê. – Sorri. – Queria tanto que a Mary tivesse te conhecido. – Suspirou. – Ela ficou tão contente ao saber da minha gravidez, apesar das circunstâncias, me fez ver o cenário por uma ótica tão boa que durante os momentos em que conversávamos não tinha medo do que estava por vir.

— Fico feliz que a senhora tenha tido apoio ao menos de alguém.

— Sim, a Mary era uma amiga muito especial. Desde o início falou que deveria contar ao seu pai, que ele ficaria muito feliz também em saber do bebê.

— Mas a senhora não contou...

— Não. Na época me senti mais confortável em compartilhar a notícia com ela primeiro e depois as coisas não saíram exatamente como esperado.

— Por quê? – Soltei. – Porque a senhora preferiu contar a ela primeiro ao invés do papai? Vocês eram um casal ainda, pelo que sei as coisas só desandaram depois, não foi?

— Sim, você tem razão. – Pontuou. – Mas quando soube da gravidez, apesar de querer contar ao seu pai, percebi que seria melhor conversar com alguém de confiança que entenderia o que estava passando e tão pouco podia falar com a sua avó. Assim a Mary foi minha escolha. – Respondeu. – Sei que você provavelmente teria agido diferente, caso algo do tipo acontecesse, não tenho dúvida que compartilharia com seu namorado sem pensar duas vezes. Mas apesar das semelhanças que possuímos, também existem muitas diferenças entre nós. Sendo sua maturidade um dos pontos mais discrepantes. Pois na sua idade não tinha um terço do senso que tem. Talvez por isso minha vida tenha sido regrada de tantos erros e decisões controvérsias.

Suas palavras tiveram efeito caótico dentro de mim, pois percebi como estou sendo hipócrita, sendo que em mais de uma ocasião me senti mais confortável em falar sobre algo com a Rose primeiro, antes de comunicá-las ao Edward, pois ter o apoio de uma amiga em determinados momentos é realmente fundamental.

E como posso pensar em criticar minha mãe sendo que nesse exato momento estou não só escondendo algo sério dele, mas também tomando decisões que afetarão nós dois drasticamente deixando-o totalmente no escuro...

— Tudo bem mamãe. A senhora fez o que achou certo. E eu sei como às vezes contar com o apoio de uma amiga é importantíssimo para uma tomada de decisão pessoal. – Afaguei sua mão.

— Obrigada por entender querida.

— Mãe, mas em algum momento a senhora decidiu contar ao papai, não é? A senhora não foi embora tendo decidido não contar a verdade desde o princípio.

— Não, eu tentei contar a ele, mas acabei não o fazendo. Somente depois de certas situações foi que decidi ir embora.

— E que coisas são essas? – Enfatizei. – O que realmente aconteceu entre vocês que ocasionou o fim do namoro e sua decisão de partir?

— Ah Bella. É melhor deixarmos essa história quieta.

Não. A senhora e o papai têm o mesmo defeito tentando nublar esse assunto. Mas está na hora de darem um basta nisso.

— Querida...

— Ele me contou o que aconteceu. – Relatei, percebendo o choque em seu olhar. – Ao menos a versão dele dos fatos. Agora quero saber a sua, por favor, mamãe.

— Tudo bem, você tem razão. Não podemos continuar deixando-a no escuro, não é mesmo?

— Não, não podem. Agora me conta. O que realmente aconteceu?

Ela respirou fundo mais uma vez e começou a falar.

— Nosso rompimento foi envolto a uma sucessão de coisas. Seu pai e eu não estávamos no melhor momento da relação, então descobri a gravidez, isso acabou agravando um pouco as coisas, pois levei um tempo para me preparar e decidir contar a ele. Nesse intervalo fomos ficando distantes, ocupados com a vida, nossas decisões de futuro, tudo aconteceu em um momento que estávamos cheios de afazeres e por menores a decidir. Então quando finalmente tomei coragem para falar, nós discutimos, seu pai falou coisas que me magoaram bastante e não tive coragem de contar sobre a gravidez.

— O que ele falou?

— Hoje isso não tem mais importância, porém na época, falaram que eu estava com outra pessoa ou insinuaram isso e ele acreditou. Ele acreditou que pudesse de algum modo estar traindo-o. E eu simplesmente não entendi como ele pôde acreditar em algo do tipo. Uma fofoca infundada, sendo que o amava. Seu pai foi meu primeiro namorado. Eu jamais seria capaz de fazer algo tão vil.

— E a senhora decidiu ir embora por conta dessa desconfiança do papai? Porque ele a magoou?

— Não. No dia apenas falei que se ele não confiava em mim, que não havia motivos para continuarmos juntos. Mas tudo mudou depois que cheguei em casa. Sua avó já estava desconfiada e acabou me confrontando na frente do meu pai, ai já viu. Acabei discutindo com eles também, disse que lidaria com a situação sozinha, já que até aquele momento não tinha contado ao seu pai e para todos os efeitos tínhamos terminado. Foi ai que seu avô falou que teria que realmente lidar com tudo sozinha, pois também não poderia contar com o apoio deles.

— Mãe, eu sinto muito. – Falei já sentindo lágrimas nublarem meu rosto.

— Está tudo bem agora, já passou.

Apesar de saber que eles estão se acertando, não tenho dúvida que algum tipo de mágoa ainda permanece. Mas acredito que será completamente sanada, só levará mais um tempo para tal.

— E foi ai que a senhora decidiu partir? Após o confronto com os meus avós? – Retomei.

— Nossa discussão foi um grande agravante sim, porém só tomei a decisão no dia seguinte. Eu estava a caminho da lanchonete onde a Mary trabalhava quando encontrei o Eleazar.

— O que? O senhor Denali?

— Sim. Ele era amigo do seu pai desde aquela época, até antes dos seus avós falecerem. Por isso o conhecia desde o início do namoro.

— Entendo, mas o que aconteceu? Ele foi encontrá-la para falar algo sobre o papai?

— Não, nosso encontro foi ocasional, porém conversamos. Ele perguntou como estava e acabei contando que tinha brigado com o Carlisle. Ele foi gentil em me ouvir e falou que só precisávamos de tempo para esfriar a cabeça e acertar os pontos. No entanto, falou algo que acabou abrindo meus olhos para toda a situação.

O que ele disse?

— Ele disse que o Carlisle tinha sorte em estar comigo, que o ajudava a amadurecer, pois com o tipo de criação que teve seu pai nunca soube o que era a vida real, ouvir um não, etc. Mas justamente por conta disso também sempre teve muito poder e influência, que seu dinheiro e o nome da família Cullen poderiam abrir todas as portas sem esforço algum e fazê-lo conseguir o que quisesse a hora que quisesse. Então era bom que ele estivesse com alguém pé no chão como eu.

— E essa conversa foi o ponto que te fez mudar de ideia? – Perguntei tentando encaixar as peças.

— A certo modo sim. Pois foi ali que percebi o quanto seu pai poderia fazer o que bem entendesse diante de qualquer situação. Acredito que hoje as coisas não são mais daquela forma, mas você não tem ideia do quão influente à família do seu pai era, do quão importante é o sobrenome Cullen perante a sociedade londrina. – Comentou. – E ali estava eu, uma menina a certo aspecto simples, não pobre ou humilde, mas com bem menos recursos do que ele. – Ponderou. – Eu pensei na nossa situação, na discussão que tivemos. Na sua desconfiança, na falta de apoio dos meus pais. E naquele momento percebi que estava sozinha e que precisava agir. Eu não podia continuar na casa dos meus pais e também não podia continuar em Londres, pois se seu pai soubesse da gravidez não teria volta. Na hora milhares de cenários passaram pela minha cabeça, minha cabeça jovem, inexperiente, aflita, temerosa. Sei que agi por impulso, de forma imprudente e até um pouco egoísta, mas o que precisa entender filha é que naquele instante procurei pensar mais em você do que em mim. Eu percebi que seu pai poderia fazer o que quisesse comigo e com você, se fosse da sua vontade. E eu não podia arriscar perdê-la, não quando já te amava tanto. – Afagou meu rosto. – E foi assim que decidi ir embora, não só da cidade, pois a influência dos Cullen se estendia por todo país. Mas para um lugar distante o suficiente para que não pudesse ser encontrada, nem por ele ou por ninguém.

— Mãe, isso é. Eu não sei nem descrever como deve ter sido. Mas a senhora realmente acha que o papai poderia ter feito algo conosco?

— Meu bem, eu não sei, não posso afirmar, mas preferi não arriscar, pois não poderia te perder, jamais. – Afirmou. – Tanto que fiz algo que não me orgulho.

— O que?

— Antes de partir procurei a Mary e disse que estava indo embora. Contei da briga com os meus pais e com o Carlisle. Falei que precisava me distanciar de tudo, porém para que ela compreendesse minha decisão e não falasse nada a ninguém, disse que tinha perdido o bebê, que esse era o motivo maior da minha partida.

— Mãe!

— Eu sei, foi horrível, mas achei que era necessário. Apesar dos seus avós terem ciência da gravidez, sabia que não falariam nada ao seu pai, por vergonha de toda situação. Mas a Mary com certeza contaria a ele, então decidi que era melhor ela não saber da verdade.

— Mãe, eu nem sei o que falar. Isso é informação demais para assimilar.

— Eu sinto muito querida. Sei que toda sua vida foi modificada por conta da minha decisão, mas eu juro que fiz tudo pensando em você. Um dia quando for mãe, entenderá os sentimentos que nos assolam com a maternidade.

Fiquei em silêncio, pois não tenho ideia do que dizer, porém um lampejo aflito tomou minha mente.

— A senhora não fará isso de novo, não é? – Disparei.

— O que?

Ir embora sem contar ao papai sobre a gravidez. Por favor, mamãe. Não cometa esse erro de novo. Não importa que decida voltar aos Estados Unidos. Não importa se vão tentar ficar juntos de novo ou não. Só, por favor, não deixe meu pai no escuro outra vez. Independente do que acontecer daqui para frente, vocês têm que decidir juntos, pois foi juntos que fizeram esse bebê. E não quero meu irmão ou irmã tenha a mesma história que eu.

— Mas é claro que não querida. Nem precisa pedir isso. Eu vou contar ao Carlisle, amanhã mesmo o procurarei para conversar. – Prometeu. – Eu não sou mais aquela menina, tão pouco seu pai é o jovem que conheci. As circunstâncias são totalmente diferentes agora. Eu sinto muito que sua vida tenha seguido dessa maneira, mas esse bebê não passará pelas mesmas aflições, eu prometo.

— Eu te amo mãe e estarei ao seu lado para o que precisar.

— Eu também te amo Bella, muito. Obrigada por ser a melhor filha do mundo.

— Logo a senhora terá que parar de falar isso. – Brinquei.

— Se tiver um menino poderei continuar falando que tenho a melhor filha do mundo... – Devolveu e sorrimos. – Tudo dará certo querida, não se preocupe. Dessa vez as coisas serão diferentes.

— Eu sei que sim mamãe. – Afirmei.

E eu farei tudo que estiver ao meu alcance para que realmente sejam...

***

Eu me ofereci para acompanhar minha mãe durante a conversa com meu pai, mas ela recusou, alegando que aquele era um assunto que precisava ser resolvido apenas entre eles.

Apesar de concordar, não pude deixar de ficar preocupada temendo o pior. Passei o dia nervosa à espera de um retorno da minha mãe.

À noite quando cheguei à pousada fui logo conversar com ela, mas tudo que soube foi que eles conversaram e que vão se responsabilizar juntos pelo bebê. Nada ficou completamente definido, mas ao menos dessa vez não existe segredo nenhum.

Como o assunto não é propriamente meu, não me senti no direito de compartilhar com ninguém. Estou esperando o momento que meus pais o façam ou digam que posso fazer.

E como se minha cabeça já não estivesse cheia o bastante, com a chegada do fim de semana tive que lidar com mais um enorme obstáculo, me apresentar com Edward no Pub.

Durante a semana mal ensaiamos e com a novidade dos meus pais pairando sobre a minha cabeça, não tenho vergonha de admitir que a apresentação de sexta-feira foi horrível. Só não um completo fracasso, pois Edward ainda conseguiu segurar as coisas muito bem, ao menos muito melhor do eu.

Porém, ainda sim, não tenho dúvida que as pessoas acharam que nossa falta de conexão no palco era proveniente das preocupações perante a situação do Edward com a justiça.

Já que na sexta-feira de manhã o Dr. Pace entrou em contato com o Edward para atualizá-lo das questões e não trouxe boas novas.

Ele não falou nada ruim ou que piorasse a situação, mas tão pouco nos apresentou um cenário de alívio. Desse modo Edward continua em processo com a justiça podendo ser julgado a qualquer momento.

Para a apresentação de sábado me preparei melhor, afinal de contas, tenho um compromisso com Emm e Rose. Nossas apresentações são um trabalho e não posso deixar de cumpri-lo por questões pessoais.

Não me neguei a ensaiar com Edward, mas usei nosso tempo juntos como artifício para continuar afastando-o. Sendo fria, evasiva e até um pouco mesquinha, nos comentários sobre as canções.

Sei que ele já percebeu minha mudança de atitude, mas, por enquanto, continua tentando reverter à situação de algum modo, porém não posso fraquejar, não quando há tanto em risco...

Nunca comemorei tanto a chegada da segunda-feira, pois com a volta da rotina o afastamento de Edward torna-se mais fácil e justificado. Ainda mais que realmente estou tendo que trabalhar muito por conta da nova exposição.

Sem contar que em contraponto Rose não está em seu melhor momento, por isso tenho que me esforçar em dobro para dar conta de tudo nos últimos dias.

Sabendo que ela e minha mãe não têm a mesma coisa, fiquei ainda mais preocupada. Preocupada com a saúde da minha amiga, mas também com a possibilidade de contrair alguma coisa e acabar passando para a minha mãe, minha grávida mãe.

Assim fiquei mais do que tranquila quando Rose falou que iria ao médico para descobrir o porquê do mal-estar.

E estaria ainda mais tranquila se não tivesse meu próprio compromisso para me preocupar, já que ontem Edward e eu fomos chamados a comparecer na Universidade de Londres.

Marcamos para o horário do almoço e querendo evitar o máximo de contato possível, aleguei que seria mais prático seguirmos direto dos nossos trabalhos, para não perder tempo.

Assim não me surpreendi quando o táxi parou e já vi Edward a minha espera.

Paguei o motorista, respirei fundo e desci.

— Oi.

Cumprimentou, mas sem fazer menção de se aproximar, o que agradeci.

— Oi. Está esperando há muito tempo?

— Não, acabei de chegar.

— Que bom. Vamos entrar? – Ele assentiu.

Caminhamos para dentro do prédio, da recepção fomos conduzidos até a sala de espera adequada.

Não demorou muito e Renata apareceu.

— Edward, Bella. Que bom ver vocês.

— Oi Renata. – A cumprimentamos.

— Venham, vamos conversar um pouquinho.

A seguimos para dentro da sala, nos acomodamos em frente à mesa e aguardamos.

— Certo. Como vocês estão?

— Bem. – Respondi simplesmente.

— Ok, não gosto de rodeios, por isso não farei com vocês.

— Por favor. – Pedi.

— Vocês foram chamados porque precisamos conversar sobre a proposta de bolsa que estão concorrendo.

Edward e eu nos entreolhamos.

— Ouçam, a RAM é uma instituição antiga, de renome. E procuramos mantê-la assim em todos os aspectos. Por isso não aceitamos alunos baseando-nos apenas em seus talentos artísticos. Quando alguém ingressa na RAM, trás todo seu histórico pessoal e a partir daí também carrega nosso nome consigo.

— Perdão Renata, mas onde você está querendo chegar?

— Então Bella. Chegou até nós à situação que Edward está passando. O acidente que causou. E o fato de ter sido preso e o processo que está enfrentando.

— Mas eu sou inocente.

— Mas ele não fez nada.

Dissemos juntos.

— Eu entendo. – Afirmou. – Pelo pouco que conheço de você Edward, realmente é difícil acreditar que agiria do modo imprudente ao qual o estão acusando. Porém a decisão não cabe a mim.

— Que decisão? – Questionei.

— Em breve vocês receberão um comunicado oficial sobre a data do teste prático. Porém no momento o Conselho decidiu que apenas a Bella poderá concorrer à bolsa. – Soltou. – Eu sinto muito Edward.

— O que? Como assim? Nem a justiça não tomou uma decisão, mas vocês sim?

— Não é isso Bella. Essa é uma medida preventiva e momentânea. – Tentou justificar. – Se amanhã ficar provada a inocência do Edward, tudo será revogado e continuará como antes. Mas, por enquanto, essa é a decisão vigente.

— É claro. Como se tudo fosse se resolver num passe de mágica. – Edward desdenhou.

— Eu realmente sinto muito e espero não só por essa situação, mas de modo geral, que você consiga provar sua inocência. – Voltou os olhos a nós dois. – Porém no momento essa é a decisão da universidade. Até que sua inocência seja provada e o seu nome deixe de estar atrelado ao processo, apenas a Bella poderá continuar concorrendo à bolsa.

— Não! — Exclamei. – Isso não é justo.

— Está tudo bem Bella. – Edward tentou contrapor, mas não deixei.

— Não, não está. Isso é injusto, ridículo e até desrespeitoso. Eles estão agindo como se você tivesse cometido um crime hediondo.

— Bella...

— Não. — Interrompi Renata também. – Nós vamos provar a inocência do Edward. Então vocês terão que voltar atrás e se desculpar por essa atitude. – Afirmei. – Mas até lá podem considerar nós dois fora.

— Bella...

— Por favor, não aja assim.

— Essa é minha decisão final. Ou Edward e eu concorremos à bolsa ou nenhum de nós o fará. – Pontuei. – Era só isso que tinha para falar conosco Renata?

— Sim.

— Muito bem. Agradecemos seu tempo e atenção. Agora se nos der licença.

Levantei da cadeira com Edward atrás de mim, assim saímos da sala.

— Bella, espera. – Continuei andando. – Bella!

Obviamente ele me alcançou e me parou segurando meu braço.

— O que?

— Não acha que temos que conversar sobre o que aconteceu?

— E vamos falar sobre o que? Sobre o quão imbecis eles são? Porque se for para falar isso é melhor fazermos fora do prédio, não acha?

Ele não falou nada, mas também não me soltou, caminhamos em silêncio até sair do prédio, só quando chegamos à calçada foi que consegui me livrar do seu toque.

— Porque você fez isso? – Disparou. – Porque disse que não concorrerá a bolsa?

— Porque é o certo. Eles estão sendo injustos em te excluir.

— Sim, estão. Mas não é por isso que você tem que arriscar o seu futuro, o seu sonho, por minha causa.

— Edward, isso não importa. Aliás, toda essa situação não estaria acontecendo se não fosse por você. Se não vamos concorrer à bolsa juntos, então não vamos concorrer de modo algum.

— Bella... – Ele fez menção de afagar meu rosto, mas me esquivei. – O que está acontecendo?

— Do que você está falando agora? – Desconversei.

— Você está estranha, distante. O que está havendo? Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.

— Por acaso você não sabe? Sua cabeça não está cheia de preocupações? Porque a minha está.

— É claro que sim, mas...

— Mas o que? – O interrompi. – Você acha que é pouco tudo que estamos passando? O acidente, sua prisão, o processo e agora isso? Não percebe que nada está dando certo? Sem contar os meus pais...

— O que houve com os seus pais? Eu posso ajudar com alguma coisa?

— Não. Não é nada. Não se preocupe.

— Por favor, Bella. Se abre comigo.

Deus me dê forças.

Me dê forças para não fraquejar...

Minha mãe está grávida. — Acabei soltando.

— O que? Mas como? Desde quando? Grávida de quem?

— Do meu pai. – Respondi simplesmente.

— Nossa. Por essa realmente não esperava. Ele já sabe?

— Já. Mas ouça, esqueça isso, ao menos por enquanto. Pois eles não falaram para ninguém ainda. Então, por favor, não comente com ninguém.

— É claro que não falarei nada. – Afirmou. – Estou surpreso em saber disso, é claro. Mas pode confiar em mim, não contarei a ninguém.

— Obrigada.

Ficamos em silêncio um instante, porém o mesmo foi quebrado igualmente.

— Você não...

— Eu tenho...

— Pode falar. – Sugeriu.

— Não, fala você primeiro. – Indiquei.

— Estava pensando, ainda mais agora com essa notícia. Você não quer voltar a investigar sobre o passado deles? Faz tempo que não tentamos...

Não Edward. De jeito nenhum. – Enfatizei.

De modo algum posso deixá-lo chegar perto desse assunto.

— As coisas já estão bem complicadas sem remexermos no que já passou. Agora só quero pensar em como eles lidarão com a situação do bebê, nada mais.

— Tudo bem, desculpe.

— Não foi nada, mas agora tenho que ir, preciso voltar ao trabalho.

— Mas você nem almoçou.

— Não importa. Eu como qualquer coisa quando chegar. – Avistei um táxi e o chamei. – A gente se fala depois.

— Fala mesmo? Porque faz dias que praticamente não te vejo.

A mágoa em sua voz me cortou no meio.

— Edward, eu... Agora não.

O táxi parou, fiz menção de entrar, mas ele impediu abrindo a porta primeiro.

— Tchau Bella.

Ele beijou minha testa e meu corpo inteiro estremeceu.

Entrei no táxi sem coragem de olhá-lo ou de me despedir.

Informei o endereço ao motorista e aguardei o carro andar pela cidade.

Eu não posso desistir, não posso fraquejar, ainda mais agora com essa situação.

Se Irina resolver voltar atrás, é capaz de Edward ser preso de novo e não deixarei isso acontecer!

Eu farei o que for necessário para que ele fique livre e seja inocentado.

Ainda não sei como conseguir a segunda parte, mas não medirei esforços para que ele fique bem e tenha a vida que merece.

Feliz, plena, realizada, mas sem mim...

Nem vi o tempo passar, só percebi ter chegado ao Antiquário porque o motorista avisou, paguei a corrida e agradeci saindo do carro.

Ao entrar logo vi Rose e para minha surpresa Emm ao seu lado.

— Oi. Atrapalho?

— Bella, mas é claro que não. – Rose respondeu.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim. Uma coisa maravilhosa. – Emm disparou.

— Ok. E o que aconteceu? Se puder saber é claro.

Eles se entreolharam e falaram juntos.

— Nós vamos ser pais!

— Ah, meu Deus. Mas que notícia maravilhosa! – Corri para abraçá-los. – Rose, Emm, parabéns. Estou tão feliz por vocês.

— Também estamos muito felizes. – Rose falou.

— Sim, depois de muito tentar, conseguimos. – Emm pontuou. – Daqui a alguns meses teremos um pequeno Emm ou uma pequena Rose.

— Isso é incrível. Vocês merecem toda felicidade do mundo e o futuro bebê também.

— Obrigada Bella. – Rose agradeceu. – Sei que algumas pessoas dizem que não é bom anunciar a gravidez tão cedo, mas estou tão feliz que só quero compartilhar com todos.

— Não se preocupe Rose, você terá uma gravidez saudável e daqui a alguns meses um lindo bebê. Vocês estão passando por algo único e merecem compartilhar essa felicidade do modo que quiserem.

— Obrigado Bella. Escolhemos bem a primeira pessoa para quem contar.

— Ai, vocês me farão chorar desse jeito. – Comentei. – Eu agradeço a honra. E mais uma vez, parabéns. Estou muito feliz por vocês, de verdade.

— Nós agradecemos Bella.

— Vou deixá-los a sós para continuarem curtindo o momento.

— Nem precisa. Eu tenho que ir embora cuidar das coisas do Pub. Agora que serei pai, tenho que trabalhar em dobro. – Foi impossível não rir. – Tchau Bella, até sexta.

— Tchau Emm.

— Tchau ursinha, até mais tarde. Se cuida e do nosso pequeno ursinho também.

— Pode deixar. Eu te amo.

— Eu também.

Não consegui desviar o olhar a tempo para não ver a demonstração de carinho dos dois, o que fez com que o aperto no meu peito voltasse a arder por saber que provavelmente nunca mais terei isso com o homem que amo...

Emm foi embora e nos concentramos no trabalho, porém foi impossível não pensar em tudo que está acontecendo agora.

Na gravidez da minha mãe e também da Rose.

Quem diria que no fim das contas as duas estariam com a mesma coisa...

Mas infelizmente não só de alegrias meus dias têm sido preenchidos e não sei quando voltarão a ser completos de novo, talvez nunca, se realmente seguir em frente e tirar Edward da minha vida...

***

— Vocês têm certeza que não querem que vá junto?

Perguntei aos meus pais, já que estão prestes a ir jantar com meus avós e contar que minha mãe está grávida de novo.

— Bella, nós somos os adultos aqui. Não precisamos da nossa filha para nos proteger. – Papai respondeu.

— Não é proteger, apenas dar apoio. Intermediar a favor de vocês. Coisas do tipo. – Pontuei.

— Não querida, agradecemos a oferta, mas não será necessário. Fique aqui, aproveite a noite com seus amigos.

— A senhora sabe que Alice está ocupada estudando.

— Pois então aproveite a noite com o Edward. – Rebateu.

— Ou pode ajudar Alice a estudar. É uma boa opção também.

Papai completou e foi impossível não rir.

— Carlisle, por favor. Acho que não estamos em posição de tentar impedir a Bella de se divertir com o namorado.

— É claro que estou. Justamente por estar me tornando pai de novo, não quero também ser avô.

— Papai!

— Carlisle!

— Está bem. – Se rendeu. – Eu confio em você querida. Pode aproveitar a noite como preferir.

— Não se preocupem. Ficarei aqui pensando em como será esse jantar, mas vocês não têm com o que se preocupar. – Prometi.

Sabendo que mais do que nunca será fácil não me divertir com Edward, já que continuo evitando-o completamente.

— Não se preocupe querida, tudo ficará bem. – Mamãe falou. – Todos a quem contamos sobre a gravidez ficaram felizes por nós. Sei que seus avós também ficarão. – Assenti.

Em meio ao anúncio da gravidez de Rose e Emm no início da semana, mamãe acabou comentando sobre a sua situação também.

É claro que todos ficaram muito surpresos, para não dizer completamente chocados, não só pela gestação inesperada, mas também pelo fato do meu pai ser o pai do novo bebê. Mas após o choque inicial, todos receberam a notícia com agrado.

Alice está eufórica pela expectativa da chegada de dois bebês para mimar. Vovó Elizabeth já se dispôs a ajudar minha mãe no que for necessário. Enquanto Rose e ela têm conversado bastante sobre o momento especial que estão vivendo.

Assim realmente dos conhecidos, entre familiares e amigos, meus avós maternos são os únicos que ainda não sabem da novidade.

Só espero realmente que a notícia dessa gravidez seja recebida de modo diferente da anterior.

Vovó Elizabeth chamou minha mãe por um instante, então papai e eu ficamos próximos à porta a sua espera.

O observei notando uma feição estranha em seu rosto.

— Pai. Está tudo bem? O senhor ficou sério de repente. – Pontuei. – Está reconsiderando a ideia de me levar ao jantar?

— Não, não é isso. Só estava pensando no que falou há pouco.

— Sobre o que?

— Sobre como as pessoas reagiram ao saber da gravidez. – O olhei intrigada. – É só que contei ao Eleazar hoje e ele fez um comentário estranho. – Deu de ombros. – Mas imagino que seja por conta da minha situação com a Carmen. Não deixei claro, porém ele deve ter entendido que fiquei com a sua mãe enquanto ainda estava com ela.

— É. Isso realmente não foi legal. – Concordei. – Mas o que ele disse?

— Nada demais, deixa para lá.

— Pai... – Insisti.

— Ele falou sobre o fato de Carmen e eu não termos dado certo, apesar dos anos que passamos juntos. Mas que sua mãe voltou a pouco e já engravidou. Que não bastou descobrir sobre você, agora com o novo bebê não teremos meios de nos afastar da vida um do outro. – Explicou. – Não sei, a certo aspecto ele tem razão. Realmente a partir de agora sua mãe e eu temos não apenas um, mas dois elos inquebráveis. Porém pareceu que ele quis insinuar algo mais...

— Não fique pensando nisso papai. – Tentei distrai-lo. – É como o senhor disse, ele apenas deve estar tomando as dores da filha. O senhor é pai, sabe como é. – Pisquei.

— É, você tem razão. Como sempre.

Me puxou para um meio abraço e beijou minha testa.

Nosso momento terno foi interrompido pela volta da mamãe.

— Carlisle, vamos? Não quero me atrasar.

— É claro. – Nos separamos. – Boa noite filha.

— Boa noite pai, mãe. Se cuidem.

— Você também querida. – Mamãe também me deu um beijo e nos despedimos.

Deus queira que ocorra tudo bem nesse jantar...

Depois que meus pais foram embora fiquei um tempo conversando com a vovó no balcão, mas quando um hóspede veio falar com ela aproveitei a deixa para seguir até o quarto.

No corredor observei a porta do quarto de Edward, porém apesar de desejar muito ir até ele, fui forte e não cedi, entrei no meu quarto sufocando os sentimentos intrusos.

Pensando na minha relação com Edward, acabei refletindo também sobre a situação dos meus pais.

Quando mamãe contou como foi à conversa com meu pai, me surpreendi em saber quão bem ele levou toda a história, talvez de algum modo esteja se confortando por saber que poderá acompanhar essa gestação.

Ainda que não tenha deixado totalmente claro, sei que a mamãe não pretende voltar aos Estados Unidos. Acho que essa possibilidade já era remota antes e agora não acredito que optará por separar meu irmão ou irmã do papai.

Na época em que foi embora as circunstâncias a levaram a decisão de partir, mas agora não vejo o cenário se repetindo.

Sem contar que apesar de nenhum dos dois ter falado nada, sinto que existe algo mais entre eles. Na verdade minhas suspeitas são enormes, do contrário a gravidez não existiria...

E ainda que mamãe tenha jurado que o acontecido só ocorreu na fatídica noite, não tenho dúvida de que com a boa convivência que estão tendo, juntamente a conexão que o bebê trará, as chances de voltarem a ficar juntos torne-se real...

É inevitável não pensar em como as coisas teriam sido diferentes se eles nunca tivessem se separado. Se eu tivesse nascido dentro da união, convivendo com meu pai desde o início, com meus avós...

Até mesmo com os Masen, pois não tenho dúvida de que sem a partida da mamãe, a amizade dos quatro teria permanecido intacta.

A mãe de Edward e Alice deve ter sido uma mulher realmente muito especial, pois não hesitou em tomar as dores da amiga ao pensar que meu pai a tinha magoado.

Gostaria de tê-la conhecido, assim como ao pai deles.

Gostaria que eles não tivessem falecido.

Que meus pais não tivessem se separado.

Que não estivesse nessa berlinda sentimental.

Gostaria que muitas coisas fossem diferentes, mas infelizmente não é possível mudar o passado...

Observei o relógio pensando que há essa hora meus pais já estão na casa dos meus avós, provavelmente já tenham falado sobre a gravidez ou talvez esperem para falar apenas após o jantar.

Independente de como ou quando, só espero que tudo ocorra bem, pois sei que apesar de tudo, a opinião dos meus avós, ainda mais em um assunto como esse, é extremamente importante à mamãe.

Por isso entendo porque papai ficou chateado com a reação do senhor Denali, já que após a morte dos meus avós, ele tornou-se o mais próximo a uma figura familiar que meu pai teve.

Mas sendo bem sincera tenho que admitir que ele não está de todo errado em pensar mal da situação. Já que meu pai de fato traiu a Carmen com a minha mãe, apesar de ter tentado corrigir as coisas depois com o término do relacionamento.

Suspirei pensando que se o senhor Denali fizesse grande questão do relacionamento entre meu pai e Carmen, realmente deve ter ficado bem chateado com a volta da minha mãe...

Ergui a cabeça do travesseiro quando um estalo tomou minha mente.

E se...?

Não, não pode ser...

Flashes de conversas diversas tomaram meus pensamentos como um rio desgovernado.

Meu pai falando sobre como sua família foi fundamental para que o senhor Denali ascendesse politicamente.

Que mesmo após meus avós falecerem, ele nunca deixou de ser próximo ao papai. Apoiando-o nos seus objetivos, enquanto meu pai manteve o apoio financeiro, juntamente a influência do nome dos Cullen.

Imagino que o senhor Denali não arriscaria perder nada disso, não quando havia tanto em jogo. Como o início da sua carreira política, por isso manter meu pai próximo a si era fundamental.

Talvez ele tenha tentado unir meu pai e Carmen quando jovens, porém tanto ela acabou se envolvendo com outra pessoa, quanto meu pai já namorava minha mãe.

Assim seu primeiro baque veio quando a Carmen engravidou, tendo que casar com outro homem, desse modo à união das famílias por casamento foi arruinada.

Mas ele não teria perdido tudo, ao menos não até saber sobre a gravidez da minha mãe e como isso a tornaria de fato o elo mais importante da vida do meu pai.

A memória da minha mãe falando que o senhor Denali sabia onde a Mary trabalhava foi a próxima a me assolar.

Será que ele descobriu sobre a gestação de algum modo? Talvez ouvindo uma conversa das duas? Será que por isso disse ao meu pai que viu, aliás, que viu não. Mas que viram e lhe contaram que minha mãe estava com outro no intuito de deixá-lo perturbado?

E que conveniente encontrar minha mãe justamente após a discussão com meu pai e lhe abrir os olhos sobre a influência e poder que ele tinha. Assim enchendo sua cabeça de medos, inseguranças e aflições.

Ele poderia ter perdido a chance de domínio sobre o meu pai de modo direto, se tivesse conseguido juntá-lo a Carmen de primeira, mas ao deixá-lo sozinho o poder exclusivo sobre o único Cullen vivo seria certeiro.

É claro que ele não obrigou minha mãe a partir.

Tão pouco obrigou meu pai a acreditar nas insinuações, desconfiar e acusá-la.

Mas um plano quando bem arquitetado pode correr exatamente como esperado, disso não há dúvidas.

E em um golpe de sorte, de repente teve meu pai a sua mercê sem qualquer interferência.

A recordação do papai contando como foram seus anos universitários, sérios, rígidos, focados, mas sempre tendo total apoio do senhor Denali, fechou o pacote de lembranças.

Ofeguei ao mesmo tempo em que comecei a chorar.

Levei um bom tempo para conseguir me controlar, acalmar a respiração e não sucumbir ao desespero.

Mas é difícil não surtar quando a verdade está tão clara.

O senhor Denali é o responsável pela separação dos meus pais...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Muitas, para não dizer todas, já tinham ciência que o Eleazar era o culpado, mas o grande mistério são os comos e porquês da história. Agora vamos focar no presente. A Esme está grávida e o pai é o Carlisle. Eu achei realmente que ele seria a aposta clara e certeira, mas amei ver que muitas duvidaram da paternidade, foi uma surpresa muito legal. Mas àquela noite em que Beward cantou uma música especial acabou sendo ainda mais importante. E dessa vez, ao menos por enquanto, ambos os papais estão cientes de tudo e levando as coisas conforme esperado. E ficaram felizes pela novidade de Rosemm também? As mulheres estavam com os mesmos sintomas, porque ambas estavam grávidas haha. Porém tivemos também a situação na universidade, nosso menino está livre das grades, mas não dos problemas. Será que ele perderá a chance de concorrer à bolsa? E a Bella manterá a ideia de também não participar? E agora que sabe a verdade sobre o passado dos pais, qual será seu próximo passo? Isso e mais quero saber de vocês nas reviews. Não deixem de comentar, deixar as teorias, impressões, desejos, o que lhes vier à mente. E segunda-feira que vem volto com os desfechos da situação. Sigam-me no twitter: @KNRobsten. ~Kiss K Nanda.