Para Te Encontrar
8 Capítulo 7 - Descobertas
Notas iniciais
— Charlie é ela. O bebê da Esme. Nossa neta. – Os dois trocaram um olhar significativo e depois olharam em minha direção.
Fiquei sem saber o que pensar, mas só espero que essa reação seja indício de algo bom...
— Como você se chama? – O senhor me perguntou.
— Isabella, Isabela Marie Swan.
— Oh meu Deus. Ela colocou o nome da sua mãe na nossa neta Charlie. – A senhora falou com o marido, depois voltou a mim. – Entre querida, vamos conversar lá dentro sim? – Assenti e segui atrás deles para dentro da casa.
Ao observar a sala notei como tudo é muito bonito e bem arrumado, mamãe nunca comentou se sua família tinha posses, mas pelo o que parece e o que vim descobrindo desde que cheguei, eles parecem possuir uma boa estabilidade financeira. A julgar pela casa, a qualidade dos móveis e a forma como estão vestidos. É estranho pensar neles dessa forma, mas também ainda não me acostumei com o fato que eles são de verdade meus avós...
— Sente-se querida, pode ficar a vontade. Você gostaria de beber alguma coisa? Um chá, uma água?
— Aceito uma água, sim senhora, obrigada. – Ela foi buscar enquanto o senhor me encarava sentado em uma poltrona a minha frente, quando a senhora voltou, me entregou o copo e sentou ao meu lado no sofá. Depois de beber um gole permaneci em silêncio, apesar de ter sido eu a vir procurá-los, não sabia ao certo como iniciar o assunto.
— Sua mãe também está aqui? – O Sr. Swan soltou de repente.
— Não senhor. Somente eu vim para a Inglaterra, minha mãe continua na América.
— E porque você veio querida? – A senhora perguntou dessa vez. Resolvi ser sincera e falar a verdade.
— Vim para encontrar meu pai. Desde que minha mãe foi embora, nunca mais teve qualquer contato com o mesmo, porém decidi que tenho o direito de conhecê-lo, por isso vim a sua procura. Mas então pensei que estando aqui, talvez fosse uma boa oportunidade também de conhecê-los, já que com os senhores mamãe também perdeu todo o contato desde que saiu daqui.
— E você já falou com seu pai? – Ela perguntou novamente.
— Na verdade não. Por motivos que só cabem a minha mãe explicar, ela nunca falou muito sobre ele. Então vim em uma busca um pouco cega atrás de pistas que me levem até o mesmo.
— Sua mãe sabe que você está aqui mocinha? Que idade você tem mesmo?
— Eu tenho 19 anos senhor. E sim, minha mãe sabe que vim à procura do meu pai, compreendo seus motivos para não falar sobre ele, assim como ela entende que tenho o direito de conhecer meu pai, ela apenas não quer interferir nisso. Se um dia ele não quis saber de mim, diretamente por ela. Não será agora que ela voltará para lhe pedir algo. Mas mamãe apoia minha decisão.
— Se você veio aqui procurando alguma notícia dele conosco, perdeu sua viagem. Desde que sua mãe foi embora, não tivemos contato com aquele rapaz e tão pouco temos algum nome para lhe dizer. – O senhor retrucou.
— Talvez tenha sido mesmo um erro ter vindo aqui. Admito que essa não foi minha primeira intenção ao planejar a viagem, mas depois que cheguei pensei. Porque não tentar conhecer meus avós? Vocês são os pais da mamãe afinal e mesmo que tenham me rejeitado quando ainda estava na barriga da mesma, talvez agora fosse diferente, talvez vocês pudessem querer conhecer sua neta, mas vejo que me enganei. Vou embora, com licença.
— Não querida, por favor, não vá. Peço desculpas pela forma que meu marido está agindo, ele apenas nunca superou o que seu pai fez a nossa filha, não é nada com você ou a sua mãe.
— Como pode não ser nada contra minha mãe e eu? Os senhores a colocaram para fora de casa porque ela estava grávida e não quis abortar para continuar com a vida que vocês haviam planejado!
— As coisas não aconteceram assim criança. Em nenhum momento falamos que sua mãe deveria abortar. Quando ela nos contou sobre a gravidez, é claro que ficamos chocados com a noticia, não foi assim que planejamos o futuro da nossa única filha, mas ela falou que acertaria todas as coisas com seu pai. Entretanto quando voltou, disse apenas que ele não iria assumi-las, então as coisas ficaram um pouco estremecidas nessa casa. E em uma conversa furiosa onde palavras duras foram ditas, sua mãe decidiu que não iria mais viver aqui e no dia seguinte foi embora deixando apenas um bilhete, mas sem nenhum destino para que pudéssemos encontrá-la. – O Sr. Swan terminou de falar.
— Queríamos que ela tivesse ficado aqui, que pudéssemos te criar ao nosso modo, assim Esme continuaria com o planejamento de vida que tinha na época. Mas sua mãe jamais abriria mão de tê-la e criá-la por si, portanto decidiu que seria melhor fazer tudo sozinha ao invés de acatar o que dissemos. – A senhora completou.
— Entendo. Tudo isso aconteceu, mas também teve o fato de vocês dizerem que ela havia sido a decepção da família e que a gravidez só iria arruiná-la. – Falei e vi o espanto no rosto dos dois. – Posso não saber de tudo, mas alguns fatos não puderam ficar escondidos por muito tempo, não é?
— Sentimos muito por tudo o que houve. Em todos esses anos nos preocupamos em como estaria à vida de vocês, mas até hoje, até o momento em que você bateu á nossa porta, não tivemos notícia alguma sobre como sua mãe estava, ou o que havia acontecido com o bebê. Esme sabe que você veio nos procurar?
— Temos nos comunicado por e-mails, lhe enviei um hoje de manhã avisando que viria, entretanto não sei se ela já leu e qual será sua reação ao saber que decidi fazer isso, mas logo que chegar à pousada irei descobri. – Respondi.
— Certo e como ela está? Como vocês se viraram ao longo dos anos? Receio que não tenha sido nada fácil.
— Não foi Sr. Swan, mas minha mãe é a mulher mais esforçada, trabalhadora e bondosa que conheço. Ela sempre fez de tudo para que tivéssemos uma vida boa e confortável. Mamãe hoje é chefe de cozinha de um bom restaurante, ela desenvolveu habilidade para cozinhar e com os anos foi se aprimorando até o ponto onde está hoje. Com a minha criação sempre ofereceu o melhor que podia, estudei em bons colégios, tive seu apoio e ensinamento nas coisas básicas e nas essenciais. Ela é minha única família e o maior referencial de pessoa que posso ter.
— Nossa menina parece ter virado uma grande mulher. – A senhora falou em direção ao marido, ele assentiu e mesmo que aquele comentário não tenha sido diretamente para mim, resolvi falar.
— E ela é. Vocês com certeza tem pelo o que se orgulhar da pessoa que a mamãe se tornou.
— E você querida? O que faz da vida?
— Terminei o colégio, mas não faço faculdade ainda, pois queria muito vir conhecer meu pai. Entretanto sonho em algum dia cursar algo relacionado à música, mas procurarei por isso quando voltar para casa. – Percebi uma troca de olhares entres os dois, mas não pude entender o que aquilo significava, antes que perguntasse algo o Sr. Swan questionou.
— E aqui? Onde você está? Como tem se mantido nesse tempo?
— Eu tenho dinheiro guardado que juntei no propósito dessa viagem. Mas agora também já tenho um emprego em vista, começo amanhã. Estou hospedada em uma pousada bem familiar, a dona é uma senhora viúva muito amável e tem dois netos que são jovens como eu, temos nos dados muito bem.
— Agora que veio nos procurar poderia ficar aqui conosco, somos sua família afinal de contas.
— É muita gentileza Sra. Swan, mas prefiro continuar na pousada. Estou lá desde que cheguei e me sinto confortável, é perto de tudo, inclusive do lugar onde irei trabalhar.
— Você não quer ficar aqui, porque não nos considera ainda como sua família. Você diz ser nossa neta, mas não sente que somos seus avós, tem nos chamado de senhor e senhora como se fossemos dois estranhos a você. Mas tudo bem, não será em poucos minutos de conversa que iremos conquistar seu carinho e afeto, foram 19 anos afastados não é mesmo? Só quero pedir que enquanto você estiver aqui na Inglaterra, que venha nos visitar sempre que puder, gostaria de conhecer um pouco mais da minha linda neta.
— Obrigada senhora, por entender como me sinto e aceitar. Gostaria muito de poder conhecê-los melhor, sempre quis ter uma família, sempre fomos apenas mamãe e eu. E pode ter certeza que virei visitá-los mais vezes sim.
— Que bom, mas hoje você fica para almoçar conosco, certo?
— Tudo bem. – Respondi. Ela sorriu complacente e não tive como não sorrir de volta.
— Então me acompanhe até a cozinha, podemos conversar um pouco mais enquanto preparo o almoço. – Assenti e segui com ela. O Sr. Swan permaneceu na sala mesmo, creio que ele realmente não se envolve com assuntos de mulheres na cozinha...
Vovó se mostrou alguém muito amável e gentil, conversou comigo sobre assuntos amenos, coisas do cotidiano, o que costuma fazer, entre outras coisas. Ofereci-me para ajudá-la nos preparativos do almoço e ela pareceu contente em ver minha habilidade para cozinhar, elogiando como é bonito ver uma moça prendada na cozinha. Respondi que tudo o que sei, aprendi com a mamãe e que ela é a melhor no que faz, vovó sorriu e continuamos a conversar.
Quando o almoço ficou pronto arruamos a mesa e chamamos o Sr. Swan. Como já era de costume, o diálogo não foi o ponto chave do almoço, aproveitei o momento para observar e tentar entender como eles pensavam.
Como puderam deixar que a filha, praticamente uma adolescente ainda, simplesmente saísse de casa grávida e sem rumo certo para buscar a vida em outro lugar?
Eles são muito educados e refinados isso da para ver, talvez esse tenha sido o maior dos motivos. A vergonha da filha grávida e sem o pai da criança para dar apoio, deve ter sido um baque muito grande para os dois. Porém eles parecem ser tão amorosos e preocupados em como a nossa vida tem sido, que é difícil acreditar que eles simplesmente deixaram tudo aquilo acontecer...
Depois que a refeição terminou, ajudei a lavar a louça e organizar a cozinha impecavelmente como estava antes. Juntei-me aos dois de volta a sala e notei algo que não tinha visto antes. Tem um piano no canto da sala, é lindo, preto e possui detalhes clássicas, mas ao chegar perto notei que parece não ser mais usado com frequência.
— Algum de vocês toca? – Perguntei enquanto alisava o instrumento.
— Não mais, ninguém nessa casa toca. – O Sr. Swan respondeu.
— Você toca meu bem?
— Não senhora, eu apenas canto. Fiz aulas quando mais nova e trabalho com letras de músicas, mas não toco nenhum instrumento, apenas acho bonito quem o faz. Mas se ninguém toca porque vocês o têm aqui? – Não entendi o que tinha feito de errado, mas ao terminar de falar o Sr. Swan levantou e saiu da sala. – Disse algo errado?
— Não meu bem, você não fez nada. É só que Charlie ainda é muito sensível quando o assunto é música e piano.
— Por quê?
— Esse piano era da sua mãe. – Ela falou e quase não acreditei no que ouvi.
— Da minha mãe? Ela nunca me disse que sabia tocar.
— Imagino o porquê... Seu avô também toca e desde pequena Esme ouvia quando o pai tocava e ficava fascinada com aquilo, com os anos ela pediu para aprender e ele lhe ensinou com o maior gosto, era algo deles, tocar e apreciar a música. Mas quando ela embora ele se fechou para a prática, acredito que sua mãe também, pois era algo deles, algo que sempre lembraria a forma como os dois eram unidos, mas que agora isso se perdeu. Quando você falou que pretende estudar música como formação, vi nos olhos dele a surpresa e o contentamento de saber que a veia artística da família também passou para você. Esperamos que siga seu sonho e não desista da música, como seu avô e sua mãe fizeram. – Ouvi tudo atentamente e no final não soube o que falar.
Quando decidi vir procurá-los não imaginei que descobriria mais segredos do que os que poderia buscar. No entanto, o que mais me interessa é saber se há alguma pista sobre meu pai. Olhei o relógio e vi que já está na hora de ir, o pessoal da pousada apesar de saber que vim procurar meus avós, não fazem ideia de onde realmente estou.
— Acho que já vou indo, tenho coisas a resolver e está ficando tarde. Vovó deve estar ficando preocupada com minha demora sem notícias.
— Vovó?
— A senhora dona da pousada. Como disse ela tem dois netos, nos apegamos muito desde que cheguei e ela tem me tratado com o mesmo carinho que trata os netos legítimos, então disse que poderia chamá-la assim também. Como nunca tive isso na vida, aproveitei com fervor o ato. – Ela assentiu, mas sua expressão ficou meio desolada.
Entendia o porquê, uma senhora que não é nada minha já tem meu total afeto para chamá-la dessa forma, enquanto minha verdadeira avó não. Senti muito por causar esse tipo de sensação, mas não se pode mandar nos sentimentos.
— Tudo bem querida se você já tem que ir, não irei me opor. Mas antes quero lhe mostrar uma coisa, você me acompanha?
— Claro. – A segui pelos caminhos da casa até entrarmos em um quarto que julguei ser o dela, pela decoração e a cama de casal bem posta no meio. Ela mexeu no guarda roupa e voltou com um baú pequeno, colocou em cima da cama e me convidou para sentar ao seu lado.
— Quando sua mãe foi embora seu avô e eu ficamos muito arrasados. Não teve um que tenha ficado mais, sentimos a dor na mesma medida, porém Charlie sendo homem não quis demonstrar tanto assim seu sofrimento. Com isso ele decidiu tirar todas as coisas que eram da sua mãe dessa casa, algumas roupas e objetos pessoais que ela deixou e os móveis do quarto. Só o que sobrou foi o piano e esses pequenas objetos que consegui guardar comigo. – Enquanto ela falava foi tirando os mesmos de dentro do baú. Tinha um lindo colar, um frasco de perfume quase no fim, um lenço de seda, algumas fotos e papéis. – Nós realmente não lembramos o nome do seu pai, sinto muito, parece meio negligente não é? Os pais não lembrarem o nome do namorado da filha? Ainda mais um que causou tanta discórdia em nosso lar. Mas como já dito, fomos meio que obrigados a apagar as memórias dela em nossas vidas, foi mais fácil para lidar com a dor. Porém esses papéis são da sua mãe e esse pequeno caderno acredito que seja um diário. Eu nunca o li, se ela tinha coisas a escrever que não me contava, não teria porque fazê-lo depois que ela foi embora. Talvez em algum desses você encontre o que procura sobre seu pai... – Peguei o caderno e alisei a capa, abri folheando algumas páginas e reconheci de imediato à letra bonita da mamãe.
— Muito obrigada de verdade. É muito importante ter essas coisas dela e quem sabe realmente descubra algo sobre o meu pai.
— Espero que você encontre o que procura meu bem. – Ela falou alisando meu rosto. Recostei a face apreciando o toque, suas mãos eram delicadas, meio debilitadas pelo tempo, mas ainda sim o toque era doce e suave como sempre imaginei que fosse o de uma avó. – Você se parece tanto com a sua mãe, a cor dos olhos, o cabelo, o jeito meigo e educado. Olhando assim penso que fizemos algo bom por ela. Que lhe demos educação e sabedoria suficientes para que ela pudesse transmitir a você. Estou muito feliz em poder conhecê-la, nunca soubemos se o bebê era menino ou menina e fiquei com essa dúvida instalada em mim por todos esses anos, mas vendo agora a jovem mulher que é tenho muito orgulho de saber que você é minha neta.
— Obrigada vovó. Por tudo o que me disse e pelo o que demonstrou ser. Não posso continuar julgando a atitude que vocês tiveram anos atrás. O que importa agora é que estou podendo conhecê-los e apreciar um carinho que sempre sonhei. Saiba que a mamãe sente muito sua falta, e por mais que as coisas tenham sido da forma que foram ela nunca falou mal de vocês. As coisas que me contou foram poucas, mas sempre eram elogios e com sorrisos ao falar da vida aqui.
— Você me chamou de vovó.
— É o que a senhora é minha não é? Estou muito feliz em poder estar aqui com a senhora, vovó. — Ela me abraçou e retribui o gesto entusiasmada.
Era bom ter algo assim, nunca planejei encontrá-los e agora via o quão certa foi essa decisão, afinal família é apenas uma e sempre iremos nos sentir bem no meio da nossa.
— E eu estou mais do que feliz em conhecê-la meu bem, espero que possamos pouco a pouco construir uma relação afetuosa de avó e neta.
— Tenho certeza que conseguiremos. Mas agora infelizmente terei que ir mesmo, mas prometo voltar logo para vê-la.
— Tudo bem, mas antes quero que fique com outra coisa que era da sua mãe. – Ela apontou para o colar que estava dento do baú e disse – Esse colar tem passado pelas moças da minha família há gerações, nós o ganhamos ao completar 16 anos. Mas como não estava com a sua mãe para que ela lhe passasse e também não pude fazê-lo quando você atingiu a idade, espero que o aceite agora. Ele irá guiá-la e protegê-la em suas futuras decisões como mulher.
— Obrigada vovó é lindo. – Agradeci segurando o objeto entre os dedos. O guardei delicadamente em minha bolsa junto com os papéis e o diário da mamãe. Vovó arrumou o resto das coisas de volta no baú e seguiu comigo até a sala, ao entrarmos vi que o Sr. Swan estava sentado de volta a sua poltrona.
— Nossa neta já vai embora Charlie.
— Tudo bem, foi um prazer conhecê-la. – Falou simplesmente.
— O prazer foi meu senhor. – Respondi.
Virei para vovó, lhe dei mais um abraço e nos despedimos também. Ela me acompanhou até o portão e perguntou como iria embora, falei que pegaria um táxi, ela tentou fazer com que aceitasse que meu avô fosse me levar até a pousada, mas declinei do convite educadamente, por mais que tenha me acertado com ela, o mesmo ainda não aconteceu com ele, então preferi não forçar uma barra tão cedo, ela pareceu entender e deixou que viesse sozinha.
Segui pela rua até que vi um táxi passando, dei com a mão e indiquei o endereço da pousada, assim seguimos caminho. Enquanto o percurso corria fiquei tentando assimilar tudo o que aconteceu. Todas as descobertas e conversas que tive, além do que, estava ansiosa para chegar e poder ler as folhas e o diário da mamãe, sentia que boas coisas poderiam vir dali.
Ao chegar à pousada desci do táxi pagando a corrida e entrei, avistei alguns hóspedes logo na entrada e os cumprimentei cordialmente, ia seguir meu caminho até meu quarto, mas fui interceptada por Alice.
— Bella, que bom que chegou. Estávamos preocupados com você e ansiosos também para saber o que aconteceu. Pela sua demora imagino que tenha encontrado seus avós, me conta como foi tudo?
— Mary Alice tenha modos, por favor, deixe Isabella Marie ao menos respirar. – Vovó falou chamando-lhe atenção. Aproximei delas e vi que Edward e Jasper também estavam ali.
— Jasper, oi tudo bem?
— Sim Bella tudo ótimo e com você?
— Bem também obrigada. Edward...
— Oi Bella, que bom que chegou, Alice estava para ter um ataque de nervos a sua espera, estávamos preocupados com sua demora, mas o motivo maior dela com certeza é a curiosidade. – Ele falou Alice lhe mostrou a língua sem medir as consequências, só depois pareceu notar que vovó e Jasper também a observavam. Ela fez uma expressão desanimada. Não sei o que seria pior, tomar mais uma represália da vovó ou o fato que o Jasper a tenha visto fazer um gesto infantil.
— Desculpem por não ter avisado que ficaria por lá, mas minha avó me convidou para o almoço e acabei ficando.
— Não tem problema querida, isso quer dizer que você os encontrou e acertou as coisas. – Vovó falou.
— Mais ou menos vovó, foi um encontro diferente, não foi como imaginei, mas isso não significa que não foi bom.
— Bom senhoritas não queremos atrapalhar as conversas de vocês, por isso vamos nos retirar agora. – Jasper falou já se levantando.
— Não precisam se incomodar em sair por minha causa, não tenho problema em falar na frente de vocês. – Respondi.
— Não é isso Bella, Jasper veio para conversarmos sobre coisas do trabalho, já íamos subir de qualquer maneira, mas ai você chegou e ficamos apenas para ver como está agora, mas já vamos mesmo, com licença. – Edward completou e assim os dois saíram de nossas vistas. Vovó indicou que sentássemos perto da janela e o fizemos.
Contei-lhes como as coisas aconteceram desde que cheguei. Como eles me receberam, das coisas que dissemos e o que interpretei com tudo. Do momento em que cozinhei com a minha avó e depois quando descobri que minha mãe tem aptidão para música e do laço especial que ela tinha com o pai, que ambos perderam com o afastamento. Por fim contei sobre o diário e os papéis que trouxe comigo na esperança de que algum deles me mostre o caminho para encontrar o meu pai.
— Isabella Marie que bom que as coisas ocorreram dessa forma. Mas sinto assim como você falou que sua verdadeira avó ficou um pouco magoada com o fato de que você também me chama de vó, sendo assim se quiser pode parar com isso.
— Oh não vovó, de maneira nenhuma. Talvez ela tenha ficado um pouco sentida no início, mas depois que nos acertamos creio que não há mais problemas. Ela é minha avó de sangue, mas a senhora foi à primeira avó que tive. Minha avó de coração e nunca deixarei de considerá-la assim.
— Mas e agora Bella? Você vai dar uma olhada nos papéis da sua mãe?
— Vou sim Alice, sinto que pode ter algo que vá me ajudar. Minha mãe é uma pessoa muito doce e até hoje ainda é ligada ao meu pai, tenho certeza que ela terá escrito algo sobre ele. Como ele a fazia sentir, como foi à história dos dois, mesmo que não encontre algo concreto, penso que pelo menos alguma pista a mais conseguirei.
— Estaremos torcendo para que você realmente encontre o que procura.
— Obrigada vovó, vou subir agora, tomar um banho e começar a mexer com isso, desço na hora do jantar, tudo bem? – Elas assentiram e subi até meu quarto.
Quando entrei, deixei minha bolsa com as coisas em cima da cama e fui em direção ao banheiro. Depois de limpa e vestida novamente, sentei sobre a cama e comecei a analisar os papéis e o diário.
Fiquei perdida por horas a fio lendo as palavras da mamãe, era notável pelo modo de escrita e também pelo desenvolver das palavras a adolescente que ela foi. Parecia ser alegre, mas ao mesmo tempo tímida e só espontânea com os amigos, estudiosa, esforçada em alcançar seus objetivos e acima de tudo muito amorosa.
Foi gostoso observar seu passado através da sua visão e próprias palavras, só confirmei o que sempre soube. Que minha mãe é a melhor pessoa que conheço e sempre irei querer ser alguém como ela, apesar das dificuldades e possíveis erros, ela sempre foi incrível.
Quando olhei para o relógio vi que já era a hora do jantar, passei meu fim de tarde tão perdida que não reparei na passagem do tempo. Desci e encontrei a todos já se reunindo para desfrutar da refeição, ao sentar à mesa de sempre, Alice perguntou como iam minhas investigações, falei um pouco do que havia lido, mas apesar da felicidade em conhecer mais da minha mãe, ainda não encontrei nada que possa me levar ao meu pai.
Edward perguntou se não iremos acompanhá-lo no Pub hoje, declinei gentilmente do convite, dizendo que continuarei envolvida com as coisas da mamãe, Alice falou que também ficará em casa, pois tem algumas coisas do colégio para fazer.
Após o jantar cada um pegou seu caminho, fiquei um tempo no quarto de Alice, a vendo estudar e ajudando-a quando necessário e depois voltei ao meu, continuando minha leitura de onde parei.
Depois de ter lido o que pareciam todas as folhas soltas que vovó me deu, finalmente peguei o diário, analisei bem a capa e depois abri. Pude ver que parecia mais um caderno de anotações do que propriamente um diário, não seguia um cronograma fixo, ela apenas escrevia quando e o que tinha vontade.
Comecei a notar que se algo mais especial acontecia no seu dia ela logo fazia questão de anotar, encontrei coisas falando sobre suas aulas e seus momentos envolvida com a música e meu avô, ou quando das tardes aprendendo a cozinhar com a vovó. Algum momento festivo da sua escola, entre outros.
Lendo tudo aquilo me perguntei qual o motivo de nunca ter falado dessas coisas comigo. De como foi sua vida aqui na Inglaterra, parece que seu rompimento com meu pai e avós, bloqueou todos os sentimentos de felicidade que ela guardava daqui.
Pensando em confrontá-la sobre esses assuntos lembrei-me do e-mail que enviei hoje de manhã, que até agora não sei se já foi respondido ou não. Aproveitando que ainda estou vestindo roupas sociáveis, desci em direção a sala para mexer no computador e verificar minha caixa de e-mail.
Enquanto o computador ligava continuei olhando as páginas do diário até que algo peculiar me chamou atenção. Era uma foto com quatro pessoas juntas, jovens. Pareciam todos muito amigos e felizes, seja qual fosse à ocasião. De primeira reconheci minha mãe abraçada à outra moça, as duas tinham dois rapazes atrás de si que pareciam compartilhar também um laço de fraternidade.
Mesmo sabendo que não conhecia as outras pessoas na foto tive a leve impressão de que já os tinha visto em algum lugar. Fiquei tentando recordar quem poderiam ser, mas me distrai do fato quando abri meu e-mail e vi que mamãe já respondeu, comecei a ler.
De: Esme Swan (Esme.S@gmail.com)
Para: Bella Swan (Bella.Swan_94@gmail.com)
Calendário: 23 de Fevereiro de 2014 12h42min
Assunto: Feliz pelas suas Novidades e Decisões
Oi meu amor, nossa quanta coisa está acontecendo com você ai. Fico feliz em ver essas mudanças, parece que essa viagem realmente lhe fez muito bem, não que aqui você já não fosse à mocinha responsável que criei, mas ai sua maturidade parece ter florescido ainda mais.
Fico orgulhosa em ver que já conseguiu um emprego, apesar de tudo você sabe que pode contar com meu apoio para qualquer coisa, inclusive financeiro, apesar de não ter concordado totalmente com a ideia no início, sei que essa é uma decisão que lhe faz bem, então não hesite em pedir algo quando precisa. Mas como já falei anteriormente, você não seria a filha incrível que criei se já não estivesse abrindo caminho e fazendo tudo por suas próprias pernas. Estarei torcendo para que tudo de certo nessa nova fase e que conquiste tudo o que deseja, seja no campo profissional, pessoal e sentimental.
Quanto a falar do seu pai, não tenho problema em ouvir sobre suas descobertas, você conhece os meus motivos e eu os seus. E nós como boas amigas que sempre fomos, sabemos entender e respeitar a opinião uma da outra, torço por você sempre e acredito que tudo tem a hora certa para se encaixar.
Sobre seus avós, há essa hora você já deve tê-los conhecido, porque tenho certeza que eles não mudaram de casa. Eles amavam demais a mesma para se desfazer assim. Apesar dos pesares espero que tenha ocorrido tudo bem, que eles tenham te tratado como você merece. O que houve comigo no passado em nenhum momento tem que afetar a convivência de vocês, será bom para ambos viverem essa relação, estou certa que vocês terão muito em comum, bastará apenas lhes apresentar.
As coisas aqui continuam normais como sempre, nada de novo a acrescentar, você que pode continuar me informando sobre sua jornada. Quero saber cada detalhe que acontece ai, muitas saudades meu bem, espero poder saná-las em breve, te amo, Beijos.
Mamãe.
Ela não disse nada de comprometedor para nenhum dos lados o que só me deixa mais confusa. Ela devia saber tudo o que presenciaria na casa dos meus avós, que possivelmente descobriria mais sobre seu passado e seus segredos. Mas mesmo assim não me diz nada, uma única palavra ou revelação sobre tudo, é difícil entender as mães às vezes, especialmente a minha.
Fechei tudo e desliguei o computador, ainda não responderei o e-mail, preciso esclarecer umas últimas questões antes de falar com ela de novo. Voltei minha atenção à foto e a página no diário onde a mesma estava posicionada, tinha algo escrito creio que deva ser sobre eles, resolvi ler.
“Hoje a tarde foi incrível, como sempre quando estamos perto das pessoas que amamos. Mas havia algo diferente no ar, uma sensação de plenitude e liberdade que não sei explicar de onde veio, mas foi algo muito bom. Nosso pequeno grupo fortalecia cada dia mais a amizade e entre os casais se fortalecia também o amor... Não quero me separar deles nunca, pois sei que só com esses três ao meu lado posso ser verdadeiramente feliz”.
Tarde incrível com: A.M, M.B, C.C e E.S.
Essa é minha pista final.
Um dos casais eram amigos da minha mãe, o outro rapaz só pode ser meu pai.
Apesar de não ter colocado nomes, senti que apenas com essa foto e as siglas descobrirei algo verdadeiramente consistente.
Preparei-me para subir correndo de volta ao quarto, mas na pressa acabei derrubando uns papéis e um porta retrato que fica meio escondido ao fundo do balcão. O peguei delicadamente para colocar de volta no lugar, mas antes reparei na foto.
Reconheci de pronto Alice e Edward ainda crianças, Alice estava no colo de um homem bonito e Edward era abraçado carinhosamente por uma mulher. Deduzi pelos traços parecidos e a felicidade do casal, que esses eram seus pais, observei mais atentamente o rosto do casal e peguei a foto do diário da minha mãe, não acreditando na feliz coincidência...
Arrumei o restante das coisas e fui até meu quarto para pegar minha pasta com as anotações sobre os homens que poderiam ser o meu pai. Desci com tudo e me ajeitei com as coisas no sofá, por já ser tarde não tinha mais ninguém acordado, portanto não haveria problema em ficar ali.
Peguei a foto da turma da minha mãe, as anotações sobre nome, profissão e endereço dos últimos candidatos. Coloquei ao lado da nova foto que encontrei dos casais, junto com a da família Masen e observei tudo incrédula não conseguindo conter minhas lágrimas ao perceber que finalmente descobri o que tanto vim procurar.
Perdida em pensamentos não ouvi o barulho da porta, só notei a presença de outra pessoa quando a mesma se fez presente falando comigo.
— Bella, o que está fazendo acordada há essa hora? Ainda mais aqui na sala.
— Edward eu encontrei. – Levantei o rosto e ele viu minhas lágrimas.
— Bella o que você encontrou? Porque está chorando? – Ele abaixou ficando a altura do meu rosto e segurou minhas mãos.
— Olha isso. Essa foto encontrei no diário da minha mãe, com essa frase escrita. – Mostrei a foto e indiquei o trecho no diário. Ele leu a frase e depois observou a foto tendo a mesma impressão que eu. – Depois que vi essa foto sem querer derrubei o porta retrato de vocês que fica ali no balcão e achei a semelhança incrível. E tem também as iniciais que deduzi por sendo. E.S, Esme Swan, minha mãe. A.M, Anthony Masen, M.B, Mary Brandon...
— Meus pais. – Completou.
— Sim e por último, C.C, Carlisle Cullen, o meu pai, o namorado da minha mãe, o outro rapaz nessa foto. Eu o encontrei Edward, tenho todas as anotações sobre ele. Ele é médico, continua morando aqui em Londres, aparentemente não tem filhos ou outra família, pelo menos não encontramos isso na internet. E se já não fosse suficiente, ainda descubro que meus pais eram amigos dos seus. Não sei de onde, talvez do colégio, mas eles eram amigos e não simples amigos, eles eram os melhores um para o outro. Entende o que quero dizer? O destino está unindo nossas famílias mais uma vez. Não era para os meus pais terem se separado, e tão pouco ter acontecido à tragédia com os seus. Por isso o destino deu um jeito de me trazer até aqui, não só para encontrar o meu pai, mas para encontrar vocês também.
— Nem consigo acreditar em uma coisa dessas Bella. Parece surreal que nossas histórias estejam entrelaçadas assim. Pela nossa diferença de idade e por quando sua mãe engravidou, tudo indica que seus pais ainda estavam juntos e eu já era nascido, eles devem ter me conhecido.
— Devem, nos e-mails que troco com minha mãe ela ainda não deve ter percebido a semelhança da história, mas nunca falei o sobrenome de vocês também. Na próxima vez vou mandar anexada essa foto. A dos seus pais, uma sua e da Alice atualmente, acho que ela vai gostar de saber como estão os filhos dos melhores amigos dela.
— Nossos pais melhores amigos e agora nós dois também, quer dizer três com Alice.
— Sim, nós três, amigos. – Respondi e ficamos em silêncio por um tempo até Edward dizer.
— Mas e sobre o seu pai? O que você pretende fazer agora?
— Irei procurá-lo. Foi isso o que me trouxe até aqui e é o que vou fazer. Não sei quando ainda, já que amanhã começo a trabalhar com a Rose, talvez tenha que esperar até o fim de semana que vem para poder ir até ele. Mas para quem já esperou 19 anos, o que pode ser uma semana a mais diante da certeza de encontrá-lo?
— Estou muito feliz por você Bella, espero que ele seja um cara incrível para te merecer como filha.
— Estou feliz por ter encontrado as respostas que procurava também. Só que mais feliz ainda por ter descoberto que existe uma ligação entre nós, antes mesmo de nos encontrarmos. – Falei e senti a veracidade dos meus sentimentos em cada palavra.
Tudo é muito confuso quando penso em meus sentimentos por Edward, mas agora talvez tenha encontrado a explicação.
Estamos destinados a ficar juntos, mas apenas como amigos, como nossos pais foram. Resta saber se as palpitações irregulares do meu coração serão capazes de entender isso também...
CONTINUA.
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