Para Te Encontrar
36 Capítulo 35 - If I Had Never Met You
Notas iniciais
— Sejam bem-vindos. Aproveitem a exposição.
Desejei a um casal que acabou de entrar no Antiquário.
Eles agradeceram sorrindo e seguiram para apreciar o evento.
Diferentemente da exposição anterior, que teve um único artista expondo suas obras, dessa vez a composição foi feita com variadas obras itinerantes, tendo como ponto em comum o tema, cotidiano...
A princípio a ideia pode parecer simples e sem atrativo, mas todas as peças transmitem algo que nos deixa simplesmente boquiabertos.
Quadros retratam passagens fundamentadas, peças em madeira, metal, argila, expressam a ideia e conceito individual de cada artista.
O Antiquário está simplesmente envolto a um ar inspirador e não poderia estar mais feliz em novamente poder fazer parte de um projeto como esse.
— Boa tarde Bella.
Surpreendi-me com a nova convidada.
— Renata. Que prazer em tê-la aqui.
— Obrigada. Resolvi vir conhecer seu outro talento.
— Oh, não. Não possuo qualquer talento para artes desse tipo. – Tratei de informar. – Amo estar em meio a todas essas belezas, mas apenas ajudo na parte não criativa do processo. Porém espero que goste de tudo que verá.
— Imagino que gostarei sim. – Sorriu. – Mas aproveitando o ensejo, como você e Edward estão? Preparando-se para o teste?
— Com certeza. Estamos até que bem otimistas.
— E têm que estar. Vocês são talentosíssimos.
— Obrigada.
— E tenho que confessar que estou ansiosa para ver o que apresentarão a banca.
— Você fará parte dela?
— Não, mas já solicitei a presença para poder assistir ao teste de vocês.
— Ah, entendo.
— Sua família os acompanhará?
— Como assim?
— Eles irão assistir a apresentação também?
— Não sabia que poderiam. Achei que seria algo privado, apenas para a banca.
— Como já falei anteriormente, a RAM preza muito o selo artístico. Por isso costumam informar e abrir ao público a oportunidade de assistir determinadas apresentações de avaliação.
— Mas isso não pode prejudicar os candidatos? Colocando ainda mais pressão por conta da plateia desconhecida?
— Bella, não é como se os candidatos tivessem que fazer um show. – Sorriu. – Além do que, no seu caso e de Edward, não acredito que sofrerão de medo do palco ou plateia, já que se apresentam no Pub diante de vários desconhecidos. – Pontuou. – Porém na RAM poucas pessoas acabam aparecendo, pelos testes serem feitos no período de férias, quase sempre apenas alguns parentes acompanham os candidatos e alunos realmente interessados nesse tipo de evento.
— Entendi. Mas como realmente não sabia, não pensei em convidá-los.
— Mas agora pode fazê-lo. – Comentou e assenti. – Sei que eu estarei lá.
— Obrigada pelo apoio Renata. Se não fosse sua iniciativa em ir falar conosco no Pub, nada disso estaria acontecendo.
— A sorte foi minha em descobrir dois talentos natos. Falando nisso, o Edward já está aqui?
— Não. Ele ainda não chegou.
E nem sei se virá, pensei cabisbaixa.
— Certo, espero encontrá-lo para trocar algumas palavrinhas com ele também. Mas agora a deixarei continuar seu trabalho.
— Aproveite a exposição.
— Obrigada.
Ela se afastou e continuei cuidando das recepções.
Apesar de obviamente ter sido convidado, não apenas por mim, realmente não sei se Edward virá.
Que situação diferente da anterior, quando viemos juntos e ele me ajudou tanto, sendo um verdadeiro parceiro.
Embora estejamos nos vendo constantemente desde a minha mudança, por conta dos ensaios para o teste, ainda mais após decidirmos a música que apresentaremos. É óbvio que as coisas estão diferentes entre nós. E talvez ele queira se abster da minha companhia quando possível.
Por não ter ideia de que horas a exposição terminará e por ter iniciado meu dia bem cedo, estabelecemos desde ontem que hoje não ensaiaremos. No entanto, amanhã passaremos o dia focados nisso. Desse modo, talvez ele prefira não me ver hoje, no único dia que poderá escolher não fazê-lo.
Observei mamãe conversando com a Rose, enquanto meu pai está fazendo companhia aos meus avós. Estou feliz em contar com a presença deles, ainda mais da mamãe, já que na época da primeira exposição ela só acompanhou tudo de longe. Vi também Emm conversando com Alice e Jasper e suspirei.
Após o confronto que tive com Rose no início da semana, não tocamos mais no assunto que nos levou ao mesmo. Eu me desculpei no dia seguinte pela forma como falei, mas ela informou que estava tudo bem e que de fato tinha razão, que se tomei tal decisão, devo ter meus motivos e ninguém tem que tentar desvendá-los ou mudá-los.
E no decorrer da semana nossa convivência voltou ao normal, ainda mais que tivemos que focar bastante nos preparativos para hoje.
Porém não posso dizer que as coisas estão tão acertadas com Emmett e Alice, já que ambos estão estranhos comigo. Quanto à atitude de Alice até entendo, afinal de contas, Edward é seu irmão. E a versão dos fatos que ela sabe é que deliberadamente terminei com ele, provavelmente magoando-o.
Mas o jeito hostil do Emm realmente me pegou de surpresa. Na terça-feira, quando Edward e eu pedimos a dispensa do Pub referente a ontem e hoje, ele foi totalmente frio comigo, muito diferente do seu normal.
E no restante da semana, quando veio buscar a Rose ao fim do expediente, hábito que adquiriu após o anúncio da gravidez, tão pouco se dignou a me dirigir mais do que cumprimentos extremamente formais.
Olhei para o grupo pelo canto de olho e os peguei me olhando também. E pelas expressões, posso apostar que estão falando de mim e não acredito que seja algo positivo.
Eu não queria arriscar perder suas amizades, mas talvez esse seja mais um preço que tenho que pagar...
— Bella?
— Hun, oi. Perdão Rose, chamou há muito tempo?
— Não. Você pode vir comigo um instante?
— É claro.
Caminhei com ela até próximo ao balcão principal do Antiquário, a espera das suas próximas coordenadas.
No momento tenho que me concentrar no meu trabalho, mais tarde terei tempo para deixar as angústias saírem.
— Boa tarde. Gostaria de um minuto da atenção de vocês.
Rose pronunciou e imediatamente se fez o silêncio solicitado.
A extrema educação inglesa, não canso de admirá-la ela.
— Quero agradecer a presença de todos em mais uma exposição do nosso Antiquário. Aos clientes fiéis e também aos convidados. É sempre uma honra sediar esse tipo de evento. Talvez quem estava aqui na exposição anterior que fizemos esse ano, pode considerar-me repetitiva e clichê, mas como não ser diante da importância da arte? Obras de arte são sempre verdadeiros achados. Ainda mais as dessa exposição, com o tema cotidiano. Isso significa que tudo pode transformar-se em arte. Um entrelace de folhas que caem formando um ninho. Uma configuração de louças de porcelana. Cores dispostas sobre tela. Palavras expressas em papel. – Me olhou e sorri.
E bem nesse instante meus olhos passaram pelos convidados e estanquei ao ver Edward entrando com a vovó Elizabeth.
Ele veio...
— É por isso que essa exposição é tão importante, pois nos mostra que pequenos detalhes podem transformar-se em arte, do tipo mais puro. Eu particularmente não me considerava uma artista, apesar de estar envolta diariamente em meio a tal. Mas agora que estou grávida, penso que a minha maneira estou me tornando uma. Pois meu marido e eu, estamos produzindo nossa própria arte provinda do amor.
Rose foi aplaudida e gracejos soaram a ela e ao Emm quando ele se aproximou abraçando sua cintura.
— Obrigada. Para quem não sabe esse é o meu marido. E sou grata por tê-lo em minha vida todos os dias. Agora ainda mais pela nossa conquista. E por seu apoio incondicional em todos os aspectos da minha vida. Acredito que sem ele não teria mais uma vez conseguido apresentar esse trabalho fenomenal a vocês. – Ambos sorriram. – Também agradeço o apoio do meu irmão e amigos, que são praticamente nossa família. E mais do que nunca preciso agradecer minha parceira de trabalho, Bella. – Segurou minha mão. – Sem você tão pouco nada disso seria possível, obrigada por toda a dedicação não só ao Antiquário, mas a esses projeto em especial. – Balancei a cabeça encabulada. – E sem mais delongas, aproveitem. Conectem-se. Exprimam suas próprias veias artísticas. E quem sabe no futuro deixem de ser expectadores e tornem-se parte ativa dos nossos projetos. Obrigada.
Uma nova salva de palmas soou, mas logo os convidados voltaram a dispersar-se para continuar aproveitando a exposição.
Alguns vieram parabenizar Rose e Emm pela notícia da gravidez. E aproveitei para ir até perto da minha família, encontrando vovó Elizabeth e Edward com eles.
— Olá Isabella Marie.
Ela me cumprimentou com um abraço apertado.
— Oi vovó Elizabeth.
No primeiro dia que voltei à pousada, depois da mudança e após a notícia do meu término com Edward ter se espalhado, fiquei totalmente temerosa de como seria nossa convivência.
Pois se Alice tomou as dores do irmão, a avó teria todo o direito de fazê-lo também. Porém a primeira coisa que ela falou foi que considerou-me sua neta, por mim, muito antes de Edward e eu termos qualquer coisa. E que nossos sentimentos são nossos e não se misturam a história entre ele e eu.
Fiquei tão aliviada por ouvir aquilo, pois me partiria totalmente o coração perdê-la também.
— Que bom que a senhora veio.
Comentei assim que nos distanciamos um pouco.
— Eu não perderia isso por nada. Peço apenas desculpas pelo atraso. Quase não pegamos o discurso da Rosalie.
— Está tudo bem. O importante é que chegaram a tempo de aproveitar o restante da tarde. – Informei.
Minha avó Renée fez um comentário com ela, então vovó Elizabeth virou para lhe dar atenção, desse modo virei para cumprimentar Edward.
— Oi.
— Oi.
— Obrigada por vir.
— Como a vovó falou, não perderíamos a exposição. Não posso ousar contrariar uma mulher grávida.
— É claro. Rose faz muita questão da sua presença. Da presença de vocês dois.
— Tudo está muito bonito. Vocês se superaram.
— Bella se superou um pouco mais do que eu.
Rose comentou aparecendo atrás de nós.
Com isso dei um passo para o lado, porque com ela Emm, Alice e Jasper, vieram também, assim de repente ficamos em meio a uma roda entre nossos familiares e amigos.
— Imagina Rose.
— Não tente bancar a modesta. – Enfatizou. – Você sabe que se desdobrou demais para fazer tudo. Ainda mais depois que soubemos da minha gravidez. Eu praticamente só cuidei da parte burocrática, mas toda organização manual foi trabalho seu.
— Que tipo de funcionária seria se deixasse minha chefe grávida pegar no pesado? – Brinquei causando risos no grupo.
— Mas não tenho dúvida que também conseguiu um feito e tanto em segurar os impulsos da Rose para não tratar do que não devia. – Jasper comentou.
— Que calúnia. Eu tenho me comportado muito bem. Sou uma grávida responsável.
— É sim. Eu sou testemunha. – Respondi prontamente.
Aproveitando a reunião inesperada, antes de nos dispersarmos, resolvi falar sobre outro assunto.
— Gente, até pretendia conversar com Edward primeiro, mas sinceramente acho que ele concordará comigo e quero aproveitar a presença de todos para comentar sobre algo que descobri hoje.
— O que foi filha?
— Então mamãe, a moça que tem nos ajudado no processo de ingresso a universidade está aqui.
— Renata está aqui? – Edward interrompeu-me perguntando.
— Sim. E ela me disse uma coisa muito interessante. Ao menos eu achei interessante.
— Não faça suspense Bella. – Rose pediu. – O que foi?
— Ela falou que além da banca, outras pessoas podem estar presentes nos testes da RAM. Sendo assim, gostaria de convidá-los para assistirem nossa apresentação.
— Isso é sério?
— Sim Alice. Também fiquei surpresa em saber. Mas ela explicou que faz parte do projeto de incentivo da Universidade.
Assim os comentários se misturaram.
— Mas é claro que aceitamos.
— Será uma honra assisti-los.
— Vocês não deixam de ser chiques, hein?
— Falando nisso, teremos que nos vestir com pompa também?
Porém dispersei do restante da nossa família, focando em Edward.
— Tudo bem por você?
— É claro. Será maravilhoso ter nossa família e amigos ao nosso lado, nos apoiando.
— Foi o que pensei também. Acho que agora temos que nos dedicar ainda mais aos ensaios.
— Faremos isso. E no dia daremos nosso melhor na apresentação.
Prometeu e assenti em concordância.
Como previsto, nosso momento em sincronia logo foi quebrado, pois Rose e eu precisamos nos ausentar.
A exposição continuou prosseguindo de vento em polpa, com tudo correndo conforme o esperado.
No início da noite, percebendo que a mesa dos petiscos está ficando quase vazia, informei a Rose que irei até os fundos pegar a reposição.
Ao chegar percebi que terei que fazer no mínimo umas três viagens para levar tudo, mas surpreendi-me quando uma pessoa apareceu.
— Rose falou para vir lhe ajudar.
— Não precisa Emm, posso dar conta.
— Você não consegue levar tudo sozinha. Se lhe ajudar, podemos fazer apenas uma viagem.
Sabendo que ele não desistirá, apenas assenti.
— Desculpe por tirá-lo da recepção e fazê-lo trabalhar, ainda que só um pouco.
— Não foi você quem pediu que viesse.
— É verdade.
Ficamos em silêncio enquanto terminei de organizar as bandejas para levarmos.
Porém aproveitando a ocasião acabei não me contendo.
— Sinto muito que tenha que passar esses minutos na minha presença.
— O que? Porque está falando isso?
— Porque é claro que você não está contente comigo nos últimos dias. Eu se tivesse que ficar perto de alguém que não gosto, ficaria no mínimo irritada.
— Quem disse que deixei de gostar de você?
— Suas atitudes? Porque se disser que o modo como tem agido comigo é o seu normal, pensarei que fui engada todos esses meses. – Desabafei.
Ele suspirou e colocou as bandejas que já segurava de volta na mesa.
— Ouça Bella. Me desculpe. É só que conheço o Edward há anos. E nunca o vi tão feliz como ficou depois que a conheceu. Aliás, minto, a verdadeira felicidade veio quando começaram a namorar. – Engoli em seco. – E saber que terminaram me deixou receoso de vê-lo perder toda a alegria que conquistou.
— A última coisa que quero é fazê-lo infeliz. — Enfatizei. – Mas justamente por isso compreendi que termos esse tempo é a melhor opção para nós no momento.
— Porque acha isso? Aconteceu algo que não sabemos?
— Não Emm, apenas compreendi a questão. Mas eu juro a você. Nunca faria nada deliberadamente com a intenção de fazê-lo infeliz. Pelo contrário. Tudo que fiz é por pensar na sua felicidade.
— Pois saiba que ele só será verdadeiramente feliz ao seu lado.
— Não tenho tanta certeza disso.
— Você que sabe. Mas desculpe pela mudança, não foi intencional.
— Está tudo bem. – Toquei-lhe o ombro. – Você só estava ficando ao lado do seu amigo. Eu sou a forasteira aqui de toda maneira.
— Hey. Eu também sou um forasteiro. Não se esqueça, meu sangue é totalmente escocês.
— Pois é. Seu filho ou filha será metade inglês, metade escocês.
— Exatamente. – Sorriu. – Agora vamos?
— É claro.
Pegamos as bandejas e voltamos ao espaço social.
Emm me ajudou a colocar tudo no lugar e sem perceber Alice se aproximou para pegar um canapé.
Não tentei contato, apesar de meio que ter estabelecido uma trégua com Emmett, sei que com ela as coisas precisarão de mais tempo e cuidado.
Porém foi inevitável não prestar atenção a sua presença quando ela exclamou alto e claro.
— O que essa desgraçada está fazendo aqui?!
Emmett e eu olhamos na mesma direção vendo Irina caminhar despreocupadamente pelo Antiquário.
— É muita cara de pau para uma pessoa só. – Emm professou.
— Vocês dois. Nada de escândalos. – Pedi. – Pensem na Rose e na exposição.
— Minha vontade é de correr e arrancá-la daqui pelos cabelos.
— Não é só sua Alice, pode ter certeza. – Emmett afirmou.
— O que está acontecendo?
Jasper perguntou ao se aproximar.
— Jas, ajude-me a contê-los, por favor.
Supliquei sabendo que ele será o único com sensatez o suficiente para me apoiar.
— Por que... – Sua fala parou no meio quando entendeu o que está havendo. – Emmett e Alice, aqui não é hora, nem lugar para acerto de contas.
— Mas Jas...
— Esse é um espaço público. Qualquer um pode entrar e visitar.
— Mas ela é uma criminosa. Nesse caso devo chamar a polícia?
— Emmett...
Foi a minha vez de conter a frase quando a vi se aproximar de Edward e o pior, ele tratar-lhe com naturalidade, totalmente diferente de como estão os ânimos dos nossos amigos.
A vi colocar a mão em seu braço e ele não rejeitar o toque, então falar algo que a fez abrir um sorriso estupendo.
O que está acontecendo aqui?
Será que...
— O Edward enlouqueceu...
Ouvi a voz de Alice, mas como algo bem de fundo, como se estivesse em outro plano.
— Será que ela o drogou de novo? – Emm soltou. – Mas como? Ela nem está com nada nas mãos.
— Não inventem coisas. – Jas protestou. – Eles estão apenas conversando.
— Mas porque estão conversando? Porque Edward ainda não a agarrou pelo braço e a tirou daqui?
— Talvez porque esteja se agradando com a presença dela...
Sussurrei quase sem forças.
— O que? Não diga besteiras Bella. Só se ele tivesse perdido o juízo.
— Não temos como saber o que se passa com ele Alice. Tão pouco qual o teor da interação.
— Mas é exatamente isso que descobrirei agora.
Ela fez menção de caminhar, mas Jasper a segurou.
Então finalmente os vimos se afastarem, com Edward indo em direção a uma das obras, enquanto ela, como esperado por todos desde que pôs os pés no Antiquário, seguiu em direção à saída.
— Pronto Jas, já pode me soltar. Edward me deve algumas explicações.
Jasper acatou o pedido de Alice, mas não a deixou ir sozinha.
Com isso os dois se afastaram, mas não continuei a olhá-los, ao invés disso finalizei o trabalho que estava fazendo na mesa.
— Bella...
— Obrigada pela ajuda Emm, agora se me der licença. Preciso ir ao banheiro.
Não aguardei sua resposta seguindo até o mesmo.
Ao entrar no reservado joguei água no rosto para nublar o fluxo de lágrimas.
Será que Irina conseguirá o que deseja?
Será que Edward está disposto a perdoá-la? E dar-lhe uma chance?
O que significou essa interação?
Terá sido a primeira vez que se encontraram depois de tudo?
Olhei-me no espelho e respirei fundo.
De todo modo não tenho nada a contestar.
Ele pode fazer o que quiser da vida.
Esse era o intuito ao deixá-lo livre.
Só espero que suas decisões o levem a um caminho seguro...
***
O fim da exposição não ocorreu do modo que esperava...
Quando sai do banheiro não encontrei mais Edward e não soube o porquê da saída repentina ou para onde foi.
Não perguntei a Alice se descobriu algo, tão pouco a ele, mesmo quando nos reencontramos para ensaiar no dia seguinte e nos subsequentes.
Após chorar praticamente a noite toda quando finalmente fui para casa. Decidi que não podia me preocupar com aquele assunto, ao menos não durante essa semana, quando meu foco tinha que ser totalmente na apresentação que faremos para nosso teste.
Acredito que Edward também manteve a mesma ideia, pois todos nossos encontros tiveram apenas um foco, ensaiar, ensaiar, ensaiar e ensaiar.
Como nossos familiares assistirão a performance, decidimos guardar segredo sobre a música. Desse modo passamos todos os momentos sozinhos, mas de alguma maneira é como se não estivéssemos a sós, pois senti como se uma sombra pairasse entre nós.
Que Deus nos ajude nessa apresentação, pois precisamos de toda a conexão possível para passar...
A semana foi corrida e a certo ponto conturbada, já que cheguei até a sonhar que seríamos reprovados e que Edward me culpava pelo fracasso, alegando que fiz tantos sacrifícios para nada.
É por isso que hoje, assim que acordei, decidi visitar um lugar que não frequentava a um bom tempo, a montanha que Edward me apresentou.
Passei algumas horas ali, apenas refletindo sobre minhas decisões e os rumos que minha vida tem tomado. Como também aspirando boas energias para mais tarde.
Precisamos conseguir...
Temos que conseguir...
Merecemos conseguir...
Tudo não pode ter sido em vão.
Não podemos perder nossos sonhos tão perto de conquistá-los.
Eu já abri mão de muita coisa, não deixarei que nada me tire isso também.
Com o empenho renovado segui de volta para casa...
Ao chegar, arrumei-me com esmero, contando com a ajuda da minha mãe.
E sorri ao ver o vestido que usarei.
Durante a semana conversei com a Renata, para saber se ela teria alguma dica sobre as vestimentas para a apresentação.
Muito gentil, ela falou que cada candidato se veste como preferir, mas é claro que uma boa apresentação visual conta. E ajuda até no tom dramático.
Assim, como usaremos piano, banco, microfone com apoio, etc. Decidimos compor o cenário, vestindo-nos a caráter.
Por isso no meio da semana fui com minha mãe e avó Renée procurar vestidos para comprar. Rose até me dispensou do trabalho no período da tarde para efetuar a busca.
Mas após rodarmos por centenas de lojas voltamos frustradas sem encontrar nada realmente a altura ou que nos agradasse.
Como passamos para deixar minha avó em casa, ela nos convidou para jantar e aceitamos. Foi por conta disso que ela acabou recordando-se de algo e chamando mamãe e eu para acompanhá-la em seu quarto.
Foi então que colocou diante de nós um vestido azul lindíssimo, delicado, com decote coração, mangas que passam através do ombro em um caimento natural, abrindo em nuances após as coxas.
Fiquei sem entender a procedência do vestido, mas quando vi minha mãe em lágrimas rapidamente tentei entender. Desse modo, vovó explicou que aquele foi o vestido que minha mãe usou na sua formatura do colégio.
Ela disse que no dia que me deu a caixa com os itens pessoas da minha mãe, esqueceu-se da existência dele, por isso não o entregou na ocasião, mas que o reencontrou recentemente e aguardou para entregar-nos no momento propício.
Imediatamente ambas pediram para vesti-lo e ao fazer foi como ter encontrado o vestido da Cinderela, perfeitamente moldado a mim e ao propósito que queremos.
Mamãe prontamente me deu o aval de vesti-lo e aceitei a honra com enorme satisfação.
Quase não acreditei na sorte ou destino, sendo que tão pouco precisamos fazer qualquer ajuste, já que mamãe e eu temos a mesma altura e aparentemente ela possuía as mesmas medidas que eu em minha idade.
Agora estou me olhando no espelho e sentindo-me plena, pronta para agarrar com todas as forças meu sonho e do amor da minha vida...
— Você está parecendo uma princesa filha.
— Não está exagerado, não é mamãe?
— É claro que não. O vestido está bonito e composto na medida certa. Você brilhará como se deve.
— Obrigada.
— Está pronta?
— Sim.
— Então vamos.
Deixamos o quarto em direção à sala e ao chegar encontramos papai tão arrumado quanto nós.
Por conta da ocasião, ele decidiu oferecer um jantar para comemorar, ainda que não tenhamos certeza do que ocorrerá, nossos familiares estão muito seguros de que teremos o que celebrar mais tarde, por isso também estão indo já vestidos em pompa.
— Minha nossa Bella. Você está tão linda.
— Obrigada papai.
— Você também Esme.
— Obrigada. Mas hoje é o dia da nossa filha. As atenções deverão ser apenas sobre ela.
— É claro. Apenas não quis deixar de elogiá-la.
— Agradeço a gentileza.
— Mas nossa filha está realmente espetacular. E desculpem se estiver sendo indelicado, porém sinto que conheço esse vestido de algum lugar.
Sorri contente.
— E conhece papai. Esse foi o vestido que a mamãe usou na formatura de vocês.
— Nossa, é mesmo. Lembro do quão deslumbrado fiquei na época quando a vi. – Comentou consternado, quase que como consigo mesmo. – É claro que são sensações diferentes. Você está perfeita a sua maneira Bella.
— Obrigada papai.
— Devemos ir para não correr o risco de nos atrasarmos, não acham? – Mamãe sugeriu.
— É claro. Vamos.
Cada um irá da sua casa até a Universidade.
Meus avós seguirão no próprio carro, assim como Rose e Emm. Apenas Jas fará a gentileza de buscar Alice, vovó e Edward na pousada.
Não demoramos a chegar e ao fazê-lo fomos recepcionados por funcionários da RAM e encaminhados ao auditório.
Cada teste tem um horário e dia próprio, por isso sei que esse momento será apenas de Edward e eu.
Assim que entramos Renata nos viu e veio nos cumprimentar.
— Bella, você está lindíssima.
— Obrigada.
— Edward já chegou e está nos bastidores, você pode ir encontrá-lo. No momento certo alguém lhes dará o sinal, mas o palco já estará preparado para a apresentação.
— Entendi.
— Eu guiarei seus pais aos lugares.
— Sabe se meus avós maternos já chegaram?
— Sim. Eles estão com a avó e irmã do Edward. E o cunhado está esperando a irmã lá fora para encontrá-la.
— Pois muito bem filha, vá se preparar que asseguraremos que todos se encontrem.
— Tudo bem mamãe. Obrigada.
— Boa sorte Bella. Sabemos que conseguirão.
— Obrigada papai.
Abracei os dois, me despedi de Renata e caminhei na direção indicada.
Encontrei funcionários da Universidade que me cumprimentaram gentis e confirmaram que devo continuar seguindo para os bastidores.
Quando cheguei ao lugar de espera estaquei ao ver Edward.
Ele está de costas e ainda não me viu, mas só desse ângulo já posso confirmar o quanto está maravilhoso com um conjunto de terno escuro. Pelo jeito do cabelo acredito que tenha cortado um pouco e quando virou contemplei sua beleza plenamente...
— Bella...
Tomamos nosso tempo e passamos minutos em silêncio diante do outro.
— Você está lindo.
Fui a primeira a quebrar a pausa elogiando-o.
— E você está mais do que linda. É como uma pintura ganhado vida.
— Edward, pare. Assim me deixa constrangida.
— Não posso conter a verdade.
— Esse vestido era da minha mãe, sabia? – Negou prontamente. – Pois é. Ela o usou na formatura do colégio. E minha avó o guardou por todos esses anos.
— Então essa roupa tem história.
— Sim. E hoje o marcarei novamente com um momento especial.
— Bella...
Ele se aproximou.
— Não, antes me escuta, por favor.
— Tudo bem.
Quebrei a distância final entre nós segurando suas mãos.
— Quero pedir para deixarmos tudo para trás. Tudo que não for nós dois e nossa música deve ficar aqui. Pois ao subirmos no palco temos que entregar apenas nosso melhor. Nossos sentimentos mais puros.
— Concordo totalmente. Estamos prestes a iniciar nosso sonho. Com uma canção que saiu de nós. E nada é mais importante do que isso. – Assenti. – A partir de agora somos um.
— Somos um.
Ele muito delicadamente beijou minha testa, mas não nos distanciamos retomando o limite necessário, ao invés disso ficamos presos em nossos olhares.
— Sr. Masen. Srta. Cullen. — Despertamos com a presença de um dos funcionários. – Está na hora.
Demos as mãos e seguimos o caminho indicado assumindo nosso lugar no palco, sobre aplausos dos presentes.
A frente da bancada estão os responsáveis pela avalição, que conhecemos quando visitamos a Universidade pela primeira vez.
Aro Volturi, diretor musical da RAM. Marcus Varner, maestro. E Gianna Fuller, pianista principal do conservatório.
— Sejam bem-vindos Sr. Masen e Srta. Cullen. – Aro saudou. – Vocês estão aqui para fazer o teste de avaliação para concessão de bolsa em nossa instituição. – Assentimos.
— O senhor Masen pretende cursar Composição e Arranjo unificado a Instrumento, correto? – Marcus questionou.
— Correto. – Edward respondeu firme.
— Enquanto a senhorita Cullen deseja ingressar em Composição e Arranjo unificado a Canto.
— Exatamente. – O respondi também.
— Muito bem. E como pretendem exemplificar seus talentos hoje? – Gianna inquiriu por último.
— Apresentaremos uma canção original composta por nós. – Informei.
— A senhorita Cullen compôs a letra, enquanto sou o compositor da melodia. – Edward completou compenetrado.
— De acordo com a inscrição, o senhor Masen também tocará piano, além de apresentar-se vocalmente. – Ela pontou e Edward assentiu.
— Muito bem. Desejamos-lhes sorte e que façam uma excelente apresentação. – Marcus encerrou.
As luzes baixaram, assumimos nossos lugares e à indicação, os holofotes marcaram nosso posicionamento.
Edward e eu trocamos um último olhar, então ele iniciou o toque no piano...
Concentrei todas minhas emoções nesse momento e foquei no microfone a minha frente para professar minha voz com eloquência.
Como um belo amanhecer.
Seu amor um dia chegou.
Por você parou de chover e o sol de novo saiu.
Iluminando minhas noites vazias...
Quando Edward entrou, senti em todo meu corpo sua força e compenetração com o momento.
Desde que te conheci, tudo em minha vida mudou.
Soube ao olhar para você.
Que finalmente se afastaria a dor.
Que para sempre seríamos dois.
Apaixonados, sempre de mãos dadas, eternamente...
Trocamos um breve olhar, mas logo focamos na plateia.
Se não tivesse te conhecido não sei o que teria sido de mim (meu amor).
Sem seu olhar apaixonado não sei se poderia viver.
Sem a batida do seu coração.
O mundo é mais frio.
Nada teria sentido.
Se nunca tivesse te conhecido...
Com cuidado desci do banco e tirei o microfone do pedestal passando a caminhar pelo palco, dando o tom dramático da apresentação.
Toda minha vida sonhei com sua chegada, meu amor.
Assim eu te imaginei, tão bela como uma flor.
Soube que sempre seríamos dois.
Apaixonados, sempre de mãos dadas, eternamente...
Como caminhei até o fim do palco, virei na direção de Edward passando a fazer o caminho inverso e mantendo o olhar conectado ao seu.
Se não tivesse te conhecido não sei o que teria sido de mim.
De mim.
Teria sido...
Sem seu olhar apaixonado não sei se poderia viver.
Sem a batida do seu coração.
O mundo é mais frio.
Nada teria sentido.
Se nunca tivesse...
Com cuidado deixei meu microfone sobre o piano, no suporte já preparado para o mesmo e sentei ao lado de Edward.
Te conhecido.
O que teria sido de mim (yeah).
Nada tem sentido.
Se não fosse contigo...
Por fim nos entregamos completamente...
Não sei...
O que teria sido de mim...
O que teria sido.
Não, não...
Sem o seu olhar apaixonado não sei.
Se poderia viver.
Sem a batida do seu coração.
Sem você o mundo é mais frio.
Nada teria sentido se nunca tivesse te conhecido.
Nada teria sentido se nunca tivesse te conhecido...
Praticamente murmuramos as últimas frases, mas ainda sim conseguimos impor a potência das palavras que proferimos.
E quando Edward tocou os acordes finais, deitei a cabeça em seu ombro dando encerramento à canção.
Imediatamente ouvimos os aplausos e assovios entusiasmados, sendo esses consideravelmente por parte da nossa família, já que o auditório não está de fato tão cheio, mas ainda sim, foi recompensador.
Edward estendeu a mão me ajudando a levantar e desse modo voltamos para o centro do palco, já com as luzes de outrora novamente sobre nós.
Quando os ânimos dos presentes se acalmaram foquei em observar os três responsáveis pela decisão do nosso futuro.
— Parabéns senhor Masen e senhorita Cullen. Foi realmente uma belíssima apresentação. – Aro pontuou.
— Realmente impressionante. Vocês têm o costume de apresentar-se juntos, não é mesmo? – Marcus perguntou.
— Sim senhor. – Respondi.
— Vocês deram o nome da canção de “Se não tivesse te conhecido”, mas poderia muito bem ser também, apaixonados... — Gianna comentou e senti um tremor em minha mão que está entrelaçada a de Edward. – A composição tem teor pessoal?
— Acreditamos que tudo que criamos têm algo de nós, ainda que indiretamente não transpareça nossos sentimentos. – Edward respondeu e o olhei consternada.
Os três também trocaram olhares, porém na comentaram o fato.
— Muito bem jovens. Aqui não é um programa de calouros, onde cada um de nós dirá sua decisão individual. Representamos o conselho avaliador da Universidade de Londres. E como o diretor musical do conservatório, tenho em minhas mãos a missão de comunicá-los da decisão, mas saibam que ela foi tomada em consenso. – Ele aguardou um instante e concluiu. – Desse modo, em nome da Royal Academy of Music, damos as boas-vindas a vocês para ingresso no nosso programa de música.
Conseguimos!
— Senhor Edward Masen, aprovado com honras nos cursos de composição e arranjo unificado a instrumento. E senhorita Isabella Cullen, aprovada com honras nos cursos de composição e arranjo unificado a canto. Parabéns.
— Parabéns. – Marcus e Gianna saudaram também.
— Em poucos dias vocês receberão a carta de aceitação com todas as instruções para ingresso em nossa instituição. Até lá, agradecemos a apresentação.
— Obrigada.
— Muito obrigado.
— Com licença.
Deixamos o palco rapidamente e assim que saímos das vistas de todos nos jogamos nos braços do outro de maneira igual.
Palavras não se fizeram necessárias por vários segundos, porém o silêncio foi totalmente capaz de demonstrar nossas emoções.
— Perdão por interrompê-los. – O mesmo rapaz que nos deu a deixa anterior, interrompeu. – Parabéns pela conquista. Porém tenho que pedir para que deixem o palco, pois precisamos arrumar tudo para o próximo teste.
— É claro.
— Sem problemas.
Ainda muito em êxtase deixamos o palco, passando pelo bastidores a caminho de encontrar nossa família.
Porém nos espantamos por não enxergá-los na plateia, mas por sorte logo vimos Renata vindo em nossa direção.
— Vocês são tão incríveis e terão um futuro tão especial.
Rendeu-nos em um abraço.
— Obrigada.
— Agradecemos todo o apoio Renata.
— Ainda conversaremos muito. A partir de agora não se verão livres de mim. Mas imagino que estejam se perguntando onde está sua família. – Assentimos. – Achei melhor que os esperem lá fora, pois do jeito que estão orgulhosos e entusiasmados, acabariam sendo expulsos daqui em meio à comemoração.
Sorrimos sabendo que a premissa com certeza é verdadeira.
— Agora vão encontrá-los e aproveitem a celebração. Vocês mais do que merecem.
— Não gostaria de vir ao jantar conosco?
— Obrigada Bella, é muito gentil de sua parte me convidar, mas terei que declinar, pois ainda estou trabalhando.
— É uma pena, deixamos para uma próxima? – Edward sugeriu.
— Com certeza. Mas vão comemorar com sua família. E parabéns.
Trocamos um último abraço e seguimos ao encontro da nossa família.
Assim que os localizamos fomos rendidos por uma sessão de abraços e congratulações.
Porém por ainda estarmos em frente ao prédio, vovô teve que ser o mediador e sugerir que continuemos com tudo em um ambiente privado. Assim papai indicou para seguirmos a sua casa.
Rapidamente nos acomodamos novamente nos carros e durante o trajeto meus pais não deixaram de informar o quão orgulhosos estão. Mamãe nem ao menos conteve o choro, informando que não é o primeiro e tão pouco será o último da noite.
Chegamos praticamente todos juntos, por isso imediatamente papai aproveitou o ensejo para propor um brinde.
Contando com a equipe de empregados, o jantar encontra-se pronto, assim como os champanhes preparados para tal. Sendo o de mamãe, Rose, Edward e eu, sem álcool.
— Queria fazer um discurso à altura de Edward e Bella, mas temo não conseguir. Pois como ficou mais do que claro, minha filha é a dotada do poder das palavras. – Rimos do papai. – Porém não poderia estar mais orgulhoso, não só da minha filha, mas de você também Edward, o sentimento provém para ambos. E não tenho dúvidas de estejam onde estiverem, seus pais também estão imensamente orgulhosos. Parabéns aos dois.
— Eu lembro a primeira vez que vi Bella cantar e como estava nervosa por me mostrar sua primeira composição. Na verdade nem queria dizer que estava escrevendo uma letra de música, mas acabou comentando mesmo com seu jeito tímido. – Baixei a cabeça diante das palavras da mamãe. – Por isso confesso que fiquei surpresa quando soube que ela estava se apresentando em um Pub, diante de várias pessoas. Mas informou que só conseguiu tal façanha porque teve um incrível parceiro e ao conhecê-lo Edward e vê-los cantar juntos pela primeira vez, entendi exatamente o que ela quis dizer. Vocês são uma força juntos e ainda que não trilhem a jornada profissional em conjunto, sempre serão sublimes. Parabéns.
— Edward Anthony aprendeu a tocar ainda criança, com seu avô. O elo que eles tinham em frente aquele piano é algo que nunca vi e pensei que nunca mais veria. – Vovó comentou. – Pois apesar do meu neto cantar no Pub mesmo antes da chegada de Isabella Marie, foi apenas com ela que encontrou sua verdadeira voz. E hoje vocês construíram mais um pedaço da maravilhosa estrada que traçarão rumo ao seu futuro. – Ela pegou na mão de cada um de nós antes de prosseguir. – Isabella Marie, obrigada por ser a outra metade da voz que meu neto precisava. E Edward Anthony, complementando ao Carlisle, tenho certeza que seu avô e seus pais estão imensamente orgulhosos. Por nenhum dia eles o deixaram e hoje estão sorrindo conosco diante da sua conquista. Amo vocês.
— Também amo a senhora vovó. – Declarei.
— Obrigada por tudo vovó. – Edward beijou sua testa. – Não seria metade do homem que sou sem a senhora. Te amo.
— E agora vamos brindar, pois estou sedenta para experimentar esse champanhe.
Rindo erguemos nossas taças.
— A Bella e ao Edward. – Papai ofereceu.
— A Bella e ao Edward...
Após o brinde inicial, interagimos um pouco mais livremente até papai sugerir que iniciemos o jantar.
Tanto a sala de jantar, quanto a mesa em si, conseguem acomodar a todos tranquilamente.
Lembrei-me da primeira vez que estive aqui, no almoço em que conheci Carmen e Irina. Parece que foi há eras atrás, já que desde então tanta coisa aconteceu...
Porém deixei esses pensamentos de lado, escolhendo focar no presente e na alegria que estou sentindo não só por minha conquista e de Edward, mas também pelo momento compartilhado com as pessoas que amo.
— Estou tão feliz por vocês, mas ao mesmo tempo triste por nós.
Emmett comentou de repente em meio aos assuntos e o olhamos intrigados.
— Mas porque Emm? – Rose o questionou.
— Porque é claro que a partir de agora eles deixarão de tocar no Pub.
— E porque faríamos isso? – Edward rebateu.
— Porque logo começarão a estudar, se aperfeiçoar ainda mais e lançar suas carreiras musicais, ficar famosos e assim não vão querer tocar em um lugar pequeno e simples.
— Emm, não. Não diga isso. Eu amo o Pub, nem estaríamos aqui se não fosse à oportunidade que nos deu de nos apresentar lá. – Pontuei categoricamente. – Além do que, todos sabem que não temos pretensão de lançar carreira de cantores.
— Exatamente. Justamente por isso optamos pelos estudos. – Edward reiterou. – Queremos continuar trabalhando com música, mas a nossa maneira.
— Mas falando em trabalho, vocês pensam em deixar os que têm atualmente?
— Não Jasper. Ao menos eu, não tenho essa pretensão, mas não sei quanto a Bella.
— Eu também não. A não ser que Rose decida me dispensar.
— E ficar sem meu braço direito? Como conseguirei continuar trabalhando? – Sorrimos.
— Mas por conta da faculdade e os intensivos estudos, talvez tenham que acabar abrindo mão dos seus empregos atuais ou logo também acabem arrumando algo correspondente às áreas.
Edward e eu nos olhamos pensativos, refletindo sobre o que Jasper falou, sabendo que talvez ele tenha razão.
— Acho que não paramos para pensar nisso ainda Jas. – Informei.
— É, mas tomaremos novas e necessárias ações tempo a tempo. A partir de quando começarmos a estudar, avaliaremos essas questões conforme a necessidade.
— Porém independente do que aconteça daqui para frente Rose, saiba que não a deixarei na mão, ainda mais durante a sua gestação. – Afirmei. – Me comprometi com você no dia em que comecei a trabalhar no Antiquário e não pretendo mudar as coisas, ao menos não sem um prévio aviso.
— Obrigada Bella. Não esperaria outra atitude vinda de você. Porém estamos cientes que a partir de agora iniciarão uma nova fase em suas vidas. E que com isso talvez tenham que tomar decisões que não estavam planejando. Mas lidaremos com as mudanças que vierem no determinado momento.
Assentimos e continuamos a desfrutar do jantar tendo outros assuntos como o foco das conversas...
Após o término da refeição, voltamos à sala e me ausentei um instante para ir ao banheiro, mas quando sai acabei trombando com Alice no corredor.
— Desculpe.
— Não, tudo bem.
Fiz menção de passar, mas ela me impediu.
— Bella, espera.
— O que foi?
— Não a parabenizei ainda, não individualmente ou do modo certo.
— Não tem problema.
— Tem sim. Você é minha melhor amiga. – Suspirei diante da declaração. – E conquistou um feito incrível hoje, além de ajudar meu irmão a realizar seu sonho. Merece os parabéns.
— Alice, eu...
— É só que estou tão confusa. Não consigo entender porque decidiu deixá-lo. – Fechei os olhos respirando fundo. – Não é só por causa dele que estou sentida, mas por você também. Está na cara que essa decisão não está lhe fazendo bem.
Compenetrada repeti o que tenho falado a todos, como um modo de convencer até mim mesma.
— Alice, nós precisamos desse tempo afastados. Eu preciso acertar coisas na minha vida. E acredito que Edward também vá se beneficiar com isso. Foi o melhor para nós, a decisão necessária, acredite.
— Você tem certeza? – Apenas assenti. – Espero realmente que saiba o que está fazendo e o porquê.
— Eu sei. – Respondi a um fio de voz.
— Tudo bem. – Pegando-me ainda mais de surpresa, me abraçou. – Só quero que saiba que estou aqui para o que precisar.
— Obrigada Alice. E sinto muito se a decepcionei de algum modo. É só que foi preciso...
— Não vamos mais falar sobre isso, ao menos não hoje, é um dia de celebração.
— Sim.
— Vamos voltar?
Concordei e caminhamos até a sala, ainda sorrindo ela foi para perto do Jas, enquanto sentei ao lado da mamãe.
— Está tudo bem? – Questionou alisando meu rosto.
— Está sim.
— Minha neta, não canso de lembrar o quão linda você estava naquele palco. – Vovó Renée comentou. – Vocês dois estavam. – Sorriu na direção de Edward. – Mas vê-la nesse vestido, cantando tão lindamente, tocou em um lugar especial do meu coração.
— Obrigada vovó. E isso não teria sido possível sem a senhora.
— Sua avó tem razão Bella. Seu vestido é lindíssimo.
— Obrigada Rose. Ele era da minha mãe. – Comentei com orgulho.
— O que? Mas como assim?
Alice questionou e explicamos aos presentes que ainda não sabiam, sobre a história do vestido.
— Nem eu mesmo me lembrei. – Vovô soltou. – Claro que a admirei por si, mas não fiz a ligação com a sua mãe.
— Papai lembrou na hora. – Acabei revelando. – Quer dizer, ele teve um lampejo de conhecimento e confirmei.
— Sou alguns anos mais novo que seu avô. Se não tivesse uma memória um pouquinho melhor, teríamos que nos preocupar. – Brincou descontraído o clima.
— Mas realmente sou grata ao senhor pela ajuda e os conselhos que deu. Se não fosse por isso, talvez não tivesse tido o impulso de escrever a canção. – O agradeci novamente.
— Os méritos são seus filha. Seus e do Edward que fizeram uma música linda.
— Realmente. De todas as músicas que fizeram juntos. Essa foi sem sombra de dúvidas a mais bonita de todas.
— Obrigada Alice.
— Imagino o quão inspirados não estavam para fazer algo tão mágico.
— Obrigado vovó, mas como já explicamos. Nosso foco maior era criar algo que nos possibilitasse passar no teste e conseguimos.
— Ah, Edward Anthony, esse pode até ter sido o foco inicial. Mas não tenho dúvidas que você e Isabella Marie colocaram todos os seus sentimentos na criação da canção. E não só nela, mas na apresentação também, pois foi simplesmente belíssima.
Vi todos assentirem em concordância com a vovó, enquanto Edward e eu, não ousamos contestá-la ou simplesmente não conseguimos...
— Minha filha, hoje estamos comemorando as conquistas de vocês, mas já pensou no que vai querer fazer no seu aniversário?
Mamãe mudou o assunto surpreendendo-me totalmente, já que diante de todos os acontecimentos recentes, a última coisa que me passou pela cabeça foi à proximidade da chegada dos meus 20 anos.
— É mesmo. Sábado que vem será seu aniversário. Temos que fazer alguma coisa para comemorar.
— Não Alice, não é necessário.
— É sim querida. – Vovó Renée afirmou. – Ainda mais por ser a primeira vez que comemorará conosco.
— Exatamente. Pode pedir qualquer coisa filha. Faço questão de lhe proporcionar o melhor aniversário de todos.
Para ter o melhor aniversário de todos precisaria estar 100% feliz e completa, mas sei que isso não será possível, não quando não poderei comemorar plenamente com o homem que amo...
— É sério gente, não preciso de nada. Hoje já está acontecendo à comemoração perfeita. Com todos que amo reunidos, após o início da consagração de um sonho, não posso querer nada mais.
— Ah, não Bella.
— Isso não está certo.
— Temos que comemorar.
— Aniversário sem bolo, não é aniversário.
— Podemos marcar uma viagem...
A última sugestão trouxe o gancho que queria, mas até agora não tinha encontrado meios de expressar.
— Talvez eu viaje em breve, provavelmente não no meu aniversário, já que está muito perto.
— E para onde você pretende ir? – Papai perguntou.
Troquei olhares com todos, mas obviamente meu inconsciente me guiou a apenas uma direção.
E com os olhos fixos aos seus, informei.
— Eu tenho pensado bastante e decidi que quero voltar aos Estados Unidos...
CONTINUA.
Fale com o autor