Para Te Encontrar
37 Capítulo 36 - All For You
Notas iniciais
POV Edward
— Eu tenho pensado bastante e decidi que quero voltar aos Estados Unidos...
O que?
O que Bella acabou de dizer?
Não!
Isso não pode ser verdade.
Não pode estar acontecendo.
Ela não pode estar pensando em ir embora.
Não pode estar pensando em me deixar!
Mas ela já deixou...
Uma voz infeliz e dolorosa relembrou nossa atual realidade, mas ainda sim...
Uma coisa é perdê-la sentimentalmente, outra bem diferente é deixar de tê-la de modo definitivo na minha vida...
Eu não posso deixar isso acontecer!
— Como assim voltar aos Estados Unidos, Bella?
Carlisle foi o primeiro a manifestar o questionamento.
— Nós não combinamos de ir juntas filha?
— Então mãe. Não é nada imediato, mas eu estou realmente sentindo que preciso voltar. Nem que seja para encerrar totalmente meu ciclo lá. E não sabemos quando a senhora poderá ir, se poderá viajar por conta da gravidez, então talvez acabe tendo que ir sozinha mesmo.
— Você também pensa em voltar Esme? – Charlie perguntou a filha.
— Eu tenho coisas a acertar nos Estados Unidos, papai. Por isso está em meus planos retornar, mas somente para providenciar o envio das nossas coisas e a venda do apartamento.
— Exatamente. É provável que acabe fazendo a viagem com a mamãe mesmo, mas esse é um dos meus objetivos no momento e como vocês falaram sobre viajar, acabei comentando.
— Então você não está pensando em voltar definitivamente?
— Não Rose, além do que, temos nosso compromisso. – Bella sorriu a ela. – E não disse a pouco que não a deixaria na mão? A viagem ocorrerá, mas será feita com planejamento, pode ficar tranquila.
Todos pareceram compreender e dispersar da questão, mas eu não.
Algo me diz que há mais por trás dessa decisão.
E se ela chegar aos Estados Unidos revir os antigos amigos, ficar diante da antiga vida e decidir que tudo que houve aqui foi apenas algo passageiro?
— Você também não poderia viajar agora por conta dos estudos que iniciarão em breve, não é Bella?
— Então Alice, quanto a isso, conversei com a Renata e se precisasse realmente me ausentar de pronto, poderia adiar o início do curso ao próximo semestre.
Está vendo?
Ela tem tudo planejado.
Preciso tirar essa história a limpo o quanto antes.
Apesar de ter nos dispensado do trabalho novamente, Emmett ainda terá que tocar o Pub, por isso logo informou a saída.
Desse modo vovó também indicou para irmos, deixando apenas a família continuar a desfrutar do momento com Bella.
As despedidas começaram, porém não posso sair sem tirar ao menos uma dúvida do caminho, por isso sutilmente puxei Bella para um canto, para conseguirmos conversar um instante a sós.
— O que houve Edward?
— Bella, tenho que perguntar uma coisa e preciso que seja totalmente sincera comigo.
— É claro. O que foi?
Olhei fixamente em suas doces orbes chocolates para tentar captar qualquer sinal de hesitação.
— Você está pensando em voltar aos Estados Unidos de modo definitivo?
— Não.
— Não? Realmente?
— Não Edward. É como minha mãe e eu falamos. Conversamos sobre a ideia e a viagem é algo que teremos que fazer. Pode ser que consigamos ir juntas, mas talvez acabe indo sozinha. E apesar de querer voltar, não pretendo ficar mais do que o tempo necessário para tratar de tudo.
— Você me diria se mudasse de ideia, não é?
— Como assim?
— Se de repente sua percepção mudasse e você sentisse que voltar a morar nos Estados Unidos é o que realmente quer?
— Edward, isso não vai acontecer. Eu encontrei tudo que procurava aqui. Aliás, encontrei muito mais. – Ela baixou o olhar por um instante. – Eu não nasci na Inglaterra, mas esse é definitivamente meu lar.
— Tudo bem. Só prometa que se algo mudar, me contará?
— É claro. Não se preocupe.
— Edward Anthony, vamos?
Desviamos o olhar para vovó que já está à porta com Jasper e Alice.
— É claro vovó. – Mirei Bella novamente. – Obrigado.
— Porque está me agradecendo?
— Porque não teria conseguindo ganhar a bolsa sem você.
— Oh, não. Sou eu quem devo agradecer. Você é o motivo para tudo ter acontecido Edward, nunca se esqueça disso.
Alisou meu rosto e antes de afastar a mão a tomei entre a minha depositando um beijo na palma.
— Bella...
— É melhor você ir. Vovó o está esperando.
Resignado assenti, mas não me distanciei sem antes depositar um beijo em sua testa.
— Até logo Bella.
— Até breve Edward.
Como já me despedi dos seus familiares, apenas acenei a eles quando atravessei a porta atrás da minha família em direção ao carro de Jasper.
O trajeto até a pousada passou como um borrão, quando chegamos ajudei vovó a sair do carro e me despedi de Jasper agradecendo por tudo, mas assim que entrei segui direto para o meu quarto.
Apesar da afirmação de Bella, algo em mim não está realmente cômodo com essa história, sem contar tudo que está acontecendo conosco...
Imerso em pensamentos, estranhei o som de batidas na porta.
— Pode entrar.
Indiquei mais curioso do que disposto a interagir com quem quer que seja.
— Oi, incomodo?
— Não Alice, pode entrar. – Ela o fez fechando a porta atrás de si. – Cadê o Jasper?
— Ele já foi.
— Não quis aproveitar para passar mais tempo com ele?
— Nos veremos novamente amanhã. E hoje foi um dia cheio, ele também preferiu ir para casa. E eu queria falar com você.
— Sobre o que?
— Como você está?
— Como assim? Estou bem. Conquistei a tão sonhada bolsa de estudos. – Rodei pelo quarto começando a tirar o terno e afrouxar a gravata. – Em breve começarei a cursar música em uma das instituições mais prestigiadas do país. O que poderia querer mais?
— Estar comemorando verdadeiramente com a Bella?
Estaquei em frente à janela e tomei um tempo entre respirações.
— Edward. – Senti a mão de Alice em meu ombro. – Você não precisa esconder suas emoções de mim.
— É claro que gostaria de estar com a Bella, Alice. Eu a amo. — Desviei os olhos da vista noturna da nossa rua virando para a minha irmã. – Mas não é isso que ela quer, então preciso respeitar.
— Não temos ideia do motivo que a fez tomar essa decisão.
— Porque não me ama mais...
— Edward! Não seja absurdo! É claro que ela te ama! – Afirmou categoricamente. – É algo tão nítido que até um cego poderia enxergar e confirmar a você.
— Mas Alice. Então por que ela terminou comigo?
— Eu não sei ao certo. Ela fica dizendo que é para o bem de vocês. Que essa decisão é a correta para o momento, mas de verdade não sei o que isso quer dizer.
Contrariado me afastei voltando a caminhar pelo quarto.
— Mas o que sei com certeza é que ela ainda te ama. – Reiterou. – E você não deve desistir desse amor.
— O que você sugere que eu faça?
— A princípio, não se deixe abater. Você viu a música que a Bella escreveu. Quer uma prova maior dos sentimentos dela?
— A Bella compôs com a intenção de nos fazer passar no teste. Apenas isso. – Ponderei.
— E você acredita de verdade nisso? Você mais do que ninguém sabe ou ao menos deveria saber, que a Bella só escreve o que lhe vem ao coração.
— Eu não sei o que pensar Alice.
Passei a mão pelo cabelo frustrado.
— Tudo bem. Não o preocuparei mais por hora. Mas reflita sobre isso.
Ela fez menção de deixar o quarto, mas a impedi.
— E se eu perdê-la de outro modo?
— Como assim?
— Você ouviu o que ela disse. Sobre a vontade de voltar aos Estados Unidos. E se ela for embora e decidir não voltar?
— Sua mente realmente vai muito além. Ela já disse que apenas quer voltar para organizar as coisas para que ela e a tia Esme fiquem aqui permanentemente. – Enfatizou. – Você acha que ela decidiria ir embora justamente agora que está com os pais? Que deixaria os avós? Os amigos? Toda a vida que construiu? – Não fui capaz de respondê-la. – Eu sinceramente acho que não. Penso que ela pode querer voltar também para encerrar o ciclo, como falou. Provavelmente seja importante colocar um ponto final concreto na vida que tinha antes. Afinal de contas, ela viveu 19 anos lá.
— Você tem razão.
— Eu sei que tenho.
Sorriu e foi impossível não lembrar a nossa mãe, já que ambas compartilham o mesmo sorriso.
— Agora realmente vou para o meu quarto, pois também preciso descansar.
— Obrigado por tudo Alice.
— Não tem o que agradecer. As coisas entre vocês se ajeitarão. Eu acredito nisso e você deveria acreditar também. O amor de vocês está predestinado. Não deixará de existir diante da primeira adversidade.
— Espero realmente que esteja certa nesse aspecto também.
Professei quase que como um pedido.
— Acredito que estou. – Me abraçou ternamente. – E mais uma vez parabéns. Não poderia estar mais orgulhosa de você.
— Em breve seremos dois universitários.
Comentei em referência a sua conquista pessoal, já que obviamente, depois de todo o esforço que fez com os anos de estudos, Alice também está prestes a ingressar na universidade de enfermagem, para seguir os passos da nossa mãe.
— Quem diria, não é? – Soltamos do abraço. – Boa noite Edward.
— Boa noite Alice, durma bem.
Ela acenou antes de deixar o quarto fechando a porta e deixando-me novamente sozinho, imerso em um turbilhão de pensamentos, mas sem encontrar nenhuma explicação ou solução lógica para nenhum deles.
Daqui a dois dias fará um mês que minha vida mudou completamente.
Nunca pensei que um dia passaria pela situação de ser preso.
O Dr. Pace disse que como fui inocentado, a questão não ficará na minha ficha, não terei uma marca para o futuro, mas isso vale apenas para meu histórico civil, pois jamais esquecerei a experiência.
Apesar de ter ficado menos de 24h detido, ainda sim foi horrível estar naquela situação de cárcere, sobretudo, por ser totalmente inocente e estar passando por uma injustiça terrível.
Sempre serei grato ao doutor Pace, por ter assumido minha defesa e ainda estar auxiliando-me, mesmo após a soltura. Ao Carlisle, pela disposição em contratar um advogado e demonstrar total confiança em mim, não medindo esforços para inocentar-me também.
Mas sem dúvida alguma minha maior gratidão será sempre para Bella. Pois por mais que teime em pensar que a situação ocorreu por sua culpa, o que é realmente sua responsabilidade é minha soltura, mas não apenas isso, como minha liberdade de fato.
Pois nada me tira da cabeça que ela teve influência nas ações praticadas por Irina, após nosso acidente. E isso também me faz pensar sobre como ela pode ter conseguido isso. Se as duas chegaram a conversar e apenas com conciliação Bella a fez mudar de ideia ou algo mais possa estar por trás de tudo.
Lembro bem como foi vê-la na delegacia, após ser detido, como me confortou e jurou que faria tudo para me tirar dali e eu acreditei, não só acreditei, mas confiei em sua determinação, pois essa é uma das suas melhores qualidades.
E quando comecei a me preocupar com a situação como todo, quando pela manhã o doutor Pace informou que não tinha conseguido minha liberação sob fiança, surpreendi-me ao vê-lo novamente ao fim do dia com a boa notícia de que poderia sair e a partir daquele momento responderia pelo processo público em liberdade.
Ao chegar à pousada fiquei feliz em rever minha família, mas obviamente quem mais queria ver e compartilhar do momento era Bella, no entanto, diferente da forma calorosa com qual me tratou na delegacia, sua recepção foi fria e distante.
Pude ver em seus olhos que algo estava errado, mas a princípio deixei passar, pois imaginei que a situação toda tenha sido muito desgastante para ela também.
Porém com o passar dos dias e a mudança cada vez mais clara, tentei a todo custo compreender o que poderia ter acontecido para fazê-la mudar tanto.
Com a revelação do novo entrelace dos seus pais recuei um pouco sabendo que estar disponível a eles também é algo muito importante a ela.
E de verdade acreditei que as coisas voltariam às boas quando fui completamente inocentado e ela demonstrou seu amor através daquela música e da forma que nos entregamos ao outro posteriormente.
Mas não poderia estar mais enganado, já que aquilo tudo foi apenas o ponto final para nós...
Sei que nossas vidas são complicadas e passaram por complicações ainda mais diretas nos últimos tempos, mas nunca pensaria que nos separar seria a solução.
É claro que se essa é sua decisão final, a respeitarei sem questionar. Não podemos obrigar alguém a permanecer em algo que não é mais do seu agrado. Jamais pressionaria Bella a continuar comigo se não é mais o que deseja.
Porém não posso negar que tem sido um verdadeiro martírio não tê-la mais verdadeiramente comigo...
Por conta da preparação para o teste acabamos não nos distanciando de fato, ao menos não fisicamente, presencialmente, mas sempre que nos vemos e que estamos próximos, é como se uma grande muralha estivesse transpassando por nós.
E não tenho a mínima ideia do que fazer para mudar isso ou se ao menos tenho qualquer capacidade de reverter essa situação...
Sem contar nosso afastamento, ainda estou sendo acometido pela presença de Irina e o estrago que quase fez na minha vida.
É surpreendente pensar que diante de tudo que ela fez, posso considerar que sai da situação praticamente ileso, tanto fisicamente mediante o acidente, quanto que referente à minha vida, já que no momento eu quem estou na posição de poder processá-la.
Justamente por isso tive que fazer uma força tremenda quando ela apareceu no Antiquário, pois no dia anterior o doutor Pace tinha falado novamente sobre a ideia de processá-la, já que durante a confissão que ocasionou minha inocência, ela admitiu não só a autoria do plano que acabou causando o acidente, como também que realmente me drogou, revelando o porquê da constatação de álcool no meu sangue quando fizeram o teste.
É difícil demais compreender como alguém pode ser capaz de algo do tipo.
E para que? Unicamente para ganho pessoal? Para tentar envolver-me em suas artimanhas...?
Só de lembrar sua presença, sinto meu estômago revirar...
Tentando não observar Bella demais, porém talvez falhando um pouco, notei quando ela voltou dos fundos do Antiquário junto com Emm.
Eles pararam em frente às mesas de comes e bebes, acredito que para repor os alimentos, conforme as bandejas que trouxeram. Bem nesse instante Alice também se aproximou, mas antes que pensasse ou criasse coragem de me aproximar do grupo, notei pela visão periférica a aproximação da última pessoa que esperaria ver aqui ou mesmo em qualquer outro lugar.
O que ela está fazendo aqui?
Quando me localizou sorriu e começou a caminhar na minha direção.
Preciso me acalmar para não acabar fazendo uma besteira.
E além de jamais ser capaz de fazer mal a uma mulher, mesmo que ela mereça tão pouco farei algo para estragar a exposição que Rose e principalmente Bella, trabalharam tanto para organizar.
E quase que como um aviso interno, lembrei a conversa que tive ontem com o doutor Pace, desse modo exibi uma expressão de indiferença e aguardei por suas ações.
— Olá Edward.
— Oi Irina.
— Como você está?
— Bem.
— Fico feliz em saber. – Projetou um sorriso. – Mas não vai perguntar como estou?
— Receio ter que falhar com a etiqueta, pois não seria um questionamento sincero.
— Ah, eu entendo. – Baixou o rosto momentaneamente. – Justamente por isso vim aqui, pois imaginei que fosse encontrá-lo.
— Você sabe onde moro e que também trabalho no Pub. Tem certeza que esse era o melhor lugar para me procurar?
— Imaginei que não seria bem-vinda na pousada da sua avó. E que tão pouco teria uma recepção mais agradável no Pub. Além do que, soube que você não tem se apresentado nos últimos dias. – Surpreendi-me com a última informação, mas não tive tempo questioná-la mais a fundo. – Então imaginei que encontrar-nos em um lugar público, mas onde não poderiam barrar minha presença, fosse a melhor opção.
— Então você sabe que não está merecendo a maior das cortesias. – Afirmei.
— Eu sei que errei Edward. E sinto muitíssimo.
— Não acho que tudo que fez possa ser resolvido apenas com um pedido de desculpas Irina.
— Eu errei e me arrependendo profundamente de tudo que fiz. Mas desde o primeiro instante tentei reparar meus erros, primeiro retirando a queixa da minha parte e tão logo compreendi a gravidade real de tudo, revelei a verdade e o inocentei.
Ela fez menção de tocar meu braço, mas me afastei sutilmente.
— Irina, além de toda a situação com a justiça. Você me drogou. – Sentenciei. – O que ocasionou nosso acidente que poderia ter sido muito pior para nós dois.
— Eu jamais quis que algo assim acontecesse.
— E qual era a sua ideia afinal de contas?
— Eu apenas queria ficar um tempo a sós com você. Pensei que você ficaria um pouco abalado e quando chegássemos à casa do meu avô entraria comigo para espairecer e poderíamos conversar, nos conhecer mais. Mas minha intenção nunca foi drogá-lo completamente ou que o acidente acontecesse.
— E também não pensou na minha situação com a justiça, não é?
— Eu já disse. Assim que pude tentei ao máximo cuidar da situação para que não continuasse sendo prejudicado por algo que não fez. Eu tive até que ir contra o meu avô, mas não abri mão de fazer o certo.
— Então você e seu avô estão em lados opostos nessa situação? Ele achou que você não deveria assumir a autoria dos seus atos? É por isso que está aqui sozinha sem a companhia dele?
— Não. Não é assim. Ele apenas temeu pela minha situação, mas o fiz compreender que era o certo. – Sorriu, porém ao não retribuir, o reprimiu. – Mas tão pouco é por isso que vim sozinha. É que depois que o Carlisle terminou com a minha mãe. A relação dele com os Cullen acabou se estremecendo. Imagino que saiba que o Carlisle traiu a minha mãe com a mãe da Bella.
— Isso não me diz respeito para opinar.
— É claro. Mas imagino que compreenda que para nós essa situação foi um pouco chata. Com isso nossas famílias estão mantendo certa distância no momento.
— Sim. É compreensível.
Querendo mais do que tudo encerrar essa conversa, fiz menção de dispensá-la, mas fui pego desprevenido pela troca de assunto.
— Mas eu soube por alto que a Bella também optou por distanciar-se de você...
— Como...?
— Escute, eu não sei quais possam ser os motivos dela, mas diante de tudo que aconteceu com você, é estranho que ela tenha escolhido deixá-lo bem agora, não acha? Porque imagino como o apoio das pessoas próximas tenha sido importante para passar por tudo e ela ter te deixado justamente agora deve ter sido péssimo. Ao menos eu acho uma atitude como essa péssima, com certeza se eu fosse sua namorada não faria algo assim. Na verdade, nada me faria deixá-lo se fosse sua namorada...
— Irina, esse realmente não é um assunto que gostaria de falar no momento.
— Mas é claro. Eu entendo totalmente. Não falaremos mais sobre pessoas egoístas.
Como ela consegue ser tão cínica?
Preciso encerrar isso agora antes que não aguente mais.
— Irina, eu não sei se um dia serei capaz de perdoá-la. Mas posso garantir que para isso preciso de tempo. E também como disse meus familiares e amigos que me apoiaram muito, não estão muito dispostos a perdoá-la, ainda mais com tudo tão recente. Com isso acho melhor você ir embora.
— Eu entendo. Você tem razão. E minha vinda aqui já valeu a pena, pois consegui falar com você. E agora quem sabe em breve não nos encontraremos de novo?
— Certamente algo assim pode acontecer no futuro. – Respondi vago.
— Aguardarei ansiosa. Até breve Edward.
— Tchau Irina.
Ela se afastou acenando e logo deixou o Antiquário...
É de embrulhar o estômago lembrar tanto da interação que fui obrigado a passar, quanto seu cinismo descarado.
Tendo plena consciência de tudo que fez comigo e contra mim, ainda teve a ousadia de tentar macular a imagem de Bella.
Eu tenho minhas ressalvas quanto suas atitudes recentes, mas jamais duvidei da sua integridade e seu senso de justiça.
Bella não teria escolhido me deixar por um motivo egoísta, muito pelo contrário, como deixou claro em nossas conversas, de algum modo ela acha que está fazendo um bem a mim também.
É claro que seus pensamentos não poderiam estar mais longe da realidade, já que não tem como no mundo estar sem ela em minha vida ser algo bom, mas não tenho porque duvidar dos seus motivos.
O que não me conforta de modo algum, já que posso perdê-la efetivamente a qualquer momento, caso decida realmente voltar aos Estados Unidos e não mais retornar a Inglaterra...
***
— Edward Anthony, boa noite.
— Boa noite vovó. – Me aproximei para lhe cumprimentar com um beijo. – Como à senhora está?
— Eu estou bem querido, mas a grande pergunta é. Como você está?
— Estou bem vovó. Tive um bom dia de trabalho. Então está tudo bem.
— Não sei por que acha que me convencerá com essa resposta genérica, quando claramente não está falando a verdade...
— Vovó, eu...
Minha explicação foi interrompida pelo toque do meu celular.
— Com licença vovó, preciso atender.
— Está bem meu filho, depois conversamos.
Assenti já caminhando em direção à sala do piano para atender a ligação.
— Olá Dr. Pace.
— Senhor Masen. Está podendo falar?
— Sim senhor.
— Muito bem. Não tomarei muito do seu tempo de todo modo. Estou ligando apenas para informar que amanhã a senhorita Denali receberá a intimação.
— Nossa. Não esperava que fosse sair tão rápido.
— A situação está totalmente ao seu favor senhor Masen. Após nosso último contato, na segunda-feira mesmo entrei com o pedido e hoje recebi o retorno afirmativo.
— Está bem. E quais são os próximos passos?
— Ela receberá o informativo comunicando que o senhor a está processando e imagino que providenciará a defesa, mas não se preocupe, pois levaremos isso até o fim e garanto que ela não sairá ilesa de tudo o que fez.
— Como disse ao senhor, não estou em busca de dinheiro, mas o que ela fez poderia ter consequências muito graves não apenas para nós, mas também para terceiros. E eu jamais me perdoaria se tivesse causado um acidente mais grave.
— Compreendo totalmente senhor Masen. Mas lhe asseguro que a justiça será feita. E as devidas medidas serão tomadas para que ela assuma a responsabilidade por seus atos.
— Perfeito doutor Pace. Novamente agradeço muito o apoio.
— Não tem o que agradecer senhor Masen. O manterei informado sobre o desenrolar de tudo.
— Muito bem.
— Boa noite senhor Masen.
— Boa noite doutor Pace.
Encerrei a ligação sentindo ao mesmo tempo um alívio, mas também certa apreensão pelo que está prestes a acontecer.
Sentei em frente ao piano relembrando como tudo chegou a esse ponto...
Após passar o domingo com a cabeça cheia de pensamentos que iam e vinham, formei uma decisão.
Com isso liguei para o doutor Pace e informei que gostaria de processar Irina. Com minha afirmativa o advogado explicou em quais termos poderia fazê-lo. E com sua orientação e apoio, os trâmites foram iniciados.
E conforme informado, amanhã Irina receberá os papéis e restará aguardar para saber quais serão seus passos e atitudes.
Porém não podia deixá-la sair impune, não depois de arriscar destruir minha vida de muitas maneiras e também ter de algum modo prejudicado meu relacionamento com Bella.
Pois ao menos nem que seja de modo indireto, tudo que ela fez ruminou no que estou vivendo no presente. Isso se de fato não tiver feito algo concreto de modo a intervir em nossa relação.
Gostaria de contar a Bella sobre tudo isso, mas acredito que não será possível, já que não nos vemos desde o dia do teste.
Seu aniversário será no sábado e até agora ela não tomou nenhuma decisão quanto a comemorá-lo ou não, mas sei que independente do que decida, não poderei estar ao seu lado como gostaria.
Comemorando intensamente, presenteando-a com algo significativo, desejando que esse seja apenas a primeira de todas as comemorações que passaríamos juntos. Assim como foi no meu aniversário, que simplesmente foi o melhor que já passei.
Porém nada disso será possível, pois mesmo que ela faça algo, que acabe fazendo parte, que a presenteei, não poderei continuar entregando o melhor de mim, algo que é e sempre será apenas dela, meu coração...
Suspirando apoiei a cabeça sobre o instrumento, mas o movimento acabou gerando uma bagunça quando derrubei os papéis que estavam sobre ele.
Frustrado, comecei a organizar tudo novamente, tanto as folhas que permaneceram sobre o piano, como também recolhendo as que caíram no chão.
Em suma são anotações que Bella e eu fizemos referente à canção que compusemos para o teste, mas também tem alguns outros rascunhos de criações dela e pelo que pude reparar algumas notas que não estão ligadas a músicas.
Olhei intrigado para uma das folhas vendo que estão anotados os nomes dos seus pais, dos meus e sem qualquer ligação ou lógica aparente, também os nomes dos Denali, ao menos do senhor Denali e sua filha, a mãe da Irina.
Mais intrigante do que os nomes, é o modo como estão escritos.
Os nomes dos seus pais estão sublinhados várias vezes, como se ela tivesse ficado pensando sobre eles e em busca de algo que os tenha marcado. Os dos meus pais estão próximos entre si, mas um pouco mais distantes, porém circulados, formando um vínculo.
Enquanto que o da Carmen tem um ponto de interrogação ao lado e o do seu pai foi escrito de modo forte no papel, também mostrando certa ênfase.
Sem conseguir encontrar o sentido por trás dessas anotações, não pude deixar de pensar nos meus pais. Em como a vida estaria se eles não tivessem nos deixado. Se não tivessem sido tirados de nós...
O que eu não daria para ter a chance de tê-los novamente comigo...
E fico feliz em ver que não só Bella está tendo a oportunidade de finalmente ter os pais próximos a si, como não tenho dúvida de que em algum momento os dois acabarão percebendo que não devem perder a chance de ser novamente felizes.
Imagino que estejam próximos a compreender isso, do contrário não teriam ficado juntos novamente a ponto de ter um bebê ou agora com a convivência na casa do Carlisle.
A imagem dos quatro amigos reunidos novamente é algo bonito de pensar, sei que minha mãe estaria na primeira fila para vê-los voltarem a se entregar ao sentimento de outrora e quem sabe até acabasse interferindo um pouco na intenção de ajudá-los, não só por uma motivação pessoal, mas por querer o melhor aos dois.
Nesse aspecto ela e Bella são exatamente iguais, pois são as pessoas mais altruístas que já conheci. E é realmente horrível saber que meus pais nunca a conhecerão.
A filha dos seus melhores amigos, a melhor amiga da minha irmã, meu grande amor...
Passei o olho mais uma vez pela folha rabiscada tendo uma espécie de epifania...
Bella jamais deixaria de procurar descobrir a verdade sobre o passado dos pais, não somente por ser algo que a afeta diretamente, mas muito mais por saber que a descoberta de tudo poderia reestabelecer a verdade e confiança entre os dois.
E nada a faria desistir disso, a não ser que algo muito maior acontecesse para impedi-la. Algo que contrariasse seu senso de preservação e justiça, que talvez interferisse na felicidade e segurança direta das pessoas que ela ama.
Pois como minha mãe, Bella é do tipo de colocar a felicidade dos outros acima da sua sem pensar duas vezes...
Meu Deus!
Eu preciso falar com ela e preciso falar agora!
Busquei o celular largado ao meu lado e tentei uma chamada, mas só está dando caixa postal.
— Caramba Bella! — Rechacei sozinho. – Será que uma vez pode atender esse celular imediatamente?!
Continuei tentando mais algumas vezes, mas percebendo que ela não atenderá, decidi ir até sua casa para confrontá-la pessoalmente.
Deixei a sala disparando em direção à saída, não encontrei mais a vovó em frente ao balcão para informá-la, porém realmente não posso me preocupar com isso agora.
Peguei a bicicleta e segui o mais rápido possível a casa do Carlisle. Nunca pedalei tão rápido em toda a minha vida, mas realmente tenho urgência em chegar e conversar com Bella.
Assim que parei em frente à residência, apertei a campainha fortemente e por sorte logo o portão principal abriu.
Deixei a bicicleta de qualquer jeito sobre o gramado e fui em direção à porta que prontamente foi aberta por Carlisle.
— Boa noite Edward.
— Boa noite Carlisle. Eu preciso falar com a Bella. Ela está?
— Não. Ela ainda não chegou do trabalho.
— Será que ela ainda está no Antiquário?
Soltei mais para mim mesmo já pegando o celular e enviando uma mensagem a Rose questionando o paradeiro de Bella.
— Não sei dizer. Ela não costuma se atrasar. Mas pelo horário não está tão fora do padrão.
Recebi a resposta da Rose confirmando que ela já saiu.
— Ela já saiu do Antiquário. – O informei.
— Então imagino que logo estará aqui ou talvez tenha passado em algum lugar antes de vir para casa, mas não demorará a chegar.
Assenti já tentando novamente ligar para ela, mas continuando sem sucesso.
— Edward, está acontecendo alguma coisa? Você está aflito.
— Eu preciso falar com a Bella. E ela não atende o celular.
— Tem algo que eu possa fazer para ajudar?
Questionou já procurando o próprio aparelho e imagino que ligando para a filha.
— Se me ajudasse a localizá-la seria de grande ajuda.
— Realmente ela não está atendendo. – Suspirei frustrado. – Edward, você está começando realmente a me preocupar. Tem algo acontecendo com a minha filha? Algo que deveria saber?
Hesitei por um momento, pensando se devo ou não revelar algo a ele, sendo que realmente não sei de nada concreto.
— Carlisle, ouça. Talvez esteja imaginando coisas. Não tenho certeza alguma do que estou pensando, mas conhecendo a Bella, a hipótese não pôde deixar de rondar minha cabeça.
— Do que está falando?
— Desde que a conheci, sei que seu maior objetivo era conhecê-lo. Isso todos sabemos e após se conhecerem têm construído uma relação que é muito importante a ela. Mas Bella também tinha um segundo objetivo. – Ele me olhou intrigado. – Ela queria saber a verdade sobre o que aconteceu entre Esme e você. Quais motivos os levaram a terminar a relação e a mãe dela a partir tão drasticamente.
— Ah, Edward. Eu já conversei sobre isso com a Bella. No fim das contas a mãe dela e eu cometemos erros. Não há nada por trás disso.
— O senhor tem certeza? Nessa conversa com a Bella esclareceu tudo?
— Eu contei a ela sobre o que aconteceu. Como foi o último confronto entre Esme e eu. E as consequências disso.
— Mas o senhor não sabe com certeza como tudo ocorreu? Certo? Digo, de forma esclarecida? Com a confirmação da Esme?
— Não. Isso não. Nunca chegamos a conversar abertamente sobre tudo. – Confessou. – Mas Edward...
— Carlisle. – O interrompi. – Como disse, realmente não tenho certeza de nada. Mas até pouco tempo atrás estava ajudando Bella a encontrar essa verdade, ao menos a tentar procurar um caminho de chegar até ela. Não fui capaz de ajudá-la efetivamente, mas receio que ela tenha descoberto algo. – Ele franziu as sobrancelhas. – E que talvez o senhor Denali, de algum modo, possa estar envolvido no que ela possa ter descoberto...
— O Eleazar? — Assenti. – Mas como? De que jeito? Explique isso melhor Edward...
Nem tive tempo de elaborar algo, pois Esme apareceu em nosso campo de visão e me calei.
— Edward, que surpresa vê-lo aqui.
— Oi Esme. Como vai?
— Vou bem e você?
— Bem também, obrigado.
— Ele veio aqui à procura da Bella. – Carlisle informou. – Você sabe onde ela pode estar?
— Não. Na verdade desci por esse motivo, para ver se ela já chegou.
— Não. Ela ainda não chegou, não atende o celular e a Rosalie informou que saiu do Antiquário no horário.
— Estranho, ela não é de se atrasar. Mas deve apenas ter passado em algum lugar e daqui a pouco estará aqui. – Comentou despreocupada. – Você ficará conosco para jantar Edward?
— Eu não sei Esme...
— Na verdade Edward está precisando conversar com ela. Mas acho que seria bom que falasse conosco primeiro.
O olhei consternado.
— O que houve Edward? Está acontecendo alguma coisa com a Bella? – Ela se aproximou de nós. – Carlisle, me diga. Tem algo acontecendo com a nossa filha?
Carlisle e eu trocamos um olhar significativo, mas obviamente a decisão está completamente em suas mãos, afinal de contas, a história não é minha.
— Esme, precisamos que você responda sinceramente. Qual o real motivo da sua partida em nossa juventude?
— O que? Porque está levantando esse assunto agora? O que isso tem a ver com a Bella?
— Ainda não sei ao certo. Mas é importante que responda a pergunta. Não podemos mais deixar esse assunto para trás. – Enfatizou.
Ela nos olhou confusa, mas não hesitou em responder.
— Você sabe que o último ponto que tivemos entre nós, foi à conversa que aconteceu aqui mesmo nessa casa. – Falou diretamente com ele. – Onde você me acusou de estar traindo-o.
O que?
Os olhei consternado, mas obviamente permaneci calado.
— Sei que fui tolo em não só acreditar nos boatos, mas também em confrontá-la com eles. Mas eu estava inseguro na época, você estava estranha, distante...
— Eu estava estranha porque já sabia da gravidez. – Esclareceu. – E estava me preparando para lhe contar, pois sabia que era algo que mudaria nossas vidas para sempre. Por sorte contei com o apoio da Mary, do contrário, não sei como teria lidado com tudo no início.
Sorri internamente ao ouvir a citação a minha mãe.
— E foi após a discussão que decidiu ir embora? – Carlisle retomou o ponto. – Porque não confiava mais em mim e estava chateada?
— Não. Ao menos não foi o único motivo, pois quando cheguei a minha casa tive o confronto com os meus pais, o que também culminou bastante na tomada de decisão. Mas o maior fator veio somente no dia seguinte.
— O que houve?
— Eu encontrei o Eleazar por acaso, acabamos conversando e ele me fez enxergar a verdade sobre você.
Não esperava ouvir isso e tão pouco Carlisle, já que me olhou espantado.
— O que ele lhe disse?
— Ele me fez compreender que diante da nossa situação eu era o elo mais fraco, que se você quisesse fazer algo contra mim ou o bebê, teria todo poder para tal.
— Mas como ele...? – Carlisle perdeu a fala e se afastou um pouco. – Como você pôde acreditar nisso? — Perguntou diretamente a Esme. – Eu jamais faria mal algum a você ou a nossa filha. Ainda que terminássemos na época, nunca seria capaz de prejudicá-las.
— Você não acreditou que pudesse estar traindo-o? Porque não deveria acreditar no fato concreto de que você como um Cullen, se quisesse, poderia usar seu poder, influência e dinheiro contra mim?
— Eu... Eu só deixei as suspeitas dominarem a minha mente, porque o Eleazar me contou. – Declarou. – E eu sempre confiei nele. Porém no dia seguinte fui procurá-la, para me desculpar e tentar consertar as coisas, mas você já tinha partido. – Vi os olhos de Esme tremerem. – Após ser rechaçado pelos seus pais fui atrás da Mary, mas ela também foi muito hostil comigo, o que achei muito estranho, já que jurou que não sabia nada sobre seu sumiço. E por fim o Eleazar apenas reiterou que você deveria ter ido embora viver com o rapaz que verdadeiramente amava...
Eu realmente não deveria estar aqui...
Não enquanto eles revelam essas verdades não ditas e guardadas há tanto tempo.
Agora eles terão tanto para refletir, mas apesar de me sensibilizar com o momento, não posso deixar de pensar em Bella.
E parecendo estar seguindo a mesma linha de raciocínio que a minha, Esme passou as mãos no rosto e voltou a falar.
— Por que tivemos que tocar nesse assunto agora?
— Era sobre isso que estava falando com o Carlisle antes de você chegar. – Informei. – Pois acredito fielmente que a Bella tenha descoberto algo sobre essa história. Na verdade acho que ela descobriu tudo que vocês acabaram de relatar. E quem sabe o senhor Denali também tenha conhecimento da descoberta...
— Você acha que ele pode ter feito algo com a nossa filha?
— Eu não sei Esme. Porque vim até aqui apenas com suspeitas, mas após ouvir a verdade sobre vocês, começo a pensar que sim. – Confirmei temeroso.
— Nós temos que encontrá-la. – Esme professou.
— Ela continua sem atender o celular. – Carlisle protestou nervoso. – Quero acreditar que ela apenas decidiu fazer algo diferente hoje.
— Imagino que seja isso Carlisle. – Pontuei. – Não podemos nos desesperar.
— Eu preciso tirar essa história a limpo. – Afirmou. – E preciso fazer isso agora. Eu vou à casa do Eleazar.
— Eu vou com você.
— Não.
Carlisle e eu respondemos prontamente ao ouvir a iniciativa da Esme.
— Como não? Se algo está acontecendo com a minha filha é claro que me envolverei.
— Esme, ouça. Não irei procurá-lo por achar que nossa filha está lá. Vou porque preciso de respostas. Esse homem esteve por muitos anos ao redor da minha vida e agora me deve algumas explicações.
— Esme, eu vou com o Carlisle. – Me prontifiquei. – Enquanto isso continue tentando localizar a Bella. E se tiver qualquer notícia, nos avise imediatamente.
— Eu não vou conseguir ficar aqui apenas esperando para saber notícias da Bella e de vocês.
— Fique na pousada. – Sugeri. – Minha avó e Alice lhe farão companhia.
— Edward tem razão Esme. Também não quero que fique sozinha e aflita. A deixaremos na pousada e iremos à casa do Eleazar. E acredito que na volta já teremos notícias da nossa filha.
Mesmo a contra gosto Esme acabou concordando.
Saímos prontamente da casa, coloquei a bicicleta no porta-malas do carro do Carlisle e seguimos até a pousada.
Ao chegar, apenas Esme desceu do carro, pedindo encarecidamente para que tomemos cuidado, assenti prontamente, enquanto vi Carlisle ocupado com seu celular.
Assim que ele voltou a dirigir, não me contive em questionar.
— Conseguiu falar com a Bella?
— Não. Estava enviando uma mensagem ao Garrett.
— Ao doutor Pace? Mas, por quê?
— Algo me diz que precisarei do seu respaldo para a conversa que estou prestes a ter...
Ele não disse mais nada e também não questionei.
Seguimos em silêncio até chegar à casa do senhor Denali e foi impossível não ser acometido por lembranças da noite em que deveria ter trazido Irina até aqui, mas que graças as suas artimanhas, não foi possível.
Não precisamos esperar muito até a chegada do advogado, saímos do carro ainda em silêncio, que só foi quebrado com o cumprimento intrigado do doutor.
— Carlisle. Senhor Masen.
— Olá novamente doutor Pace.
— Garrett, agradeço a disponibilidade e também a presença.
— É claro. Sabe que estou ao seu dispor. Só gostaria de saber por que fui requisitado a acompanhá-lo a casa do senhor Denali.
— Preciso tratar de um assunto com Eleazar e achei que seria prudente tê-lo comigo, talvez como meu advogado ou apenas como testemunha.
Carlisle respondeu misterioso e o doutor não questionou mais.
Rapidamente nossa presença foi anunciada e entramos no condomínio residencial.
Sem qualquer hesitação Carlisle seguiu até a casa do senhor Denali, com o doutor Pace e eu a sua retaguarda.
Ao chegar à residência fomos recepcionados por uma empregada que informou que o senhor Denali está no escritório e que podemos seguir.
Carlisle se manteve a frente e entrou no cômodo reservado sem se anunciar, mas como estamos bem ao seu lado, pude ouvir o pronunciamento espantoso do senhor Denali.
— Carlisle, a que devo a honra dessa visita surpresa? Ainda mais acompanhado? Como vão doutor Pace e senhor Masen?
Nenhum de nós respondeu nada, pois estamos no aguardo das ações de Carlisle.
— Eleazar, não estou aqui em nível de cortesia. Vim para esclarecer um assunto com você.
— Pois muito bem. – Ele deixou a mesa, posicionando-se na frente do móvel. – Se puder ajudá-lo, o farei com todo prazer.
— Você arquitetou a minha separação com a Esme, não foi? — Jogou a verdade, porém o homem não se abalou. – Inventou que ouviu boatos sobre ela estar me traindo. Mas não apenas a envenenou contra mim, como também fez o processo contrário. Enchendo-a de mentiras a meu respeito e a fazendo temer minha presença.
— Mas isso é um absurdo Carlisle. Eu jamais faria algo assim.
— Não minta para mim! Aliás, não minta mais. Eu já sei de tudo. A Esme contou tudo que você lhe disse.
— Carlisle, meu caro. E você vai acreditar nela? Em uma mulher que o abandonou levando sua filha consigo e a escondeu por quase vinte anos? E que ao voltar, à primeira coisa que fez foi aplicar o golpe do baú novamente para enfim usufruir da sua fortuna?
Carlisle agiu tão rápido que só compreendi seu ato, após de fato vê-lo acertar o senhor Denali com um soco.
O doutor Pace se prontificou a tirá-lo de cima do homem atingido e me posicionei entre eles para ajudar a mantê-los separados.
— Não ouse falar mal da Esme. — Praguejou ainda tentando se soltar. – Você não a conhece. Eu fui tolo em acreditar em você uma vez, mas não cometerei o mesmo erro. Nós já sabemos de tudo, todas as mentiras que contou para nos separar. Você é o responsável por eu ter ficado sem a minha filha por quase vinte anos, por ter perdido o amor da minha vida!
— Oh, não Carlisle. A culpa é única e exclusiva de vocês. — Respondeu irônico. – Onde estava essa confiança toda? Você não hesitou em acreditar quando disse sobre os boatos da traição. Assim como ela não pensou duas vezes em fugir como uma covarde, quando apenas esclareci a verdade sobre os Cullen. Você pode ser um fraco, mas seu sobrenome sempre foi muito poderoso.
— Você é um desgraçado!
— E vocês são dois tolos. — Praticamente cuspiu as palavras. – Levaram vinte anos para descobrir a verdade, que, diga-se de passagem, era até bem óbvia. Dito isso, não posso deixar de pontuar como sua filhinha foi mais esperta. – Imediatamente virei em sua direção. – Pena que ela ainda carrega a benevolência de vocês e não hesitou em abrir mão da verdade e de muito mais coisas, apenas para protegê-los.
Então foi a minha vez de me descontrolar.
Meu punho acertou em cheio o queixo do infeliz.
— O que você fez a Bella? Seu velho imundo. Fala!
Consegui marcá-lo mais uma vez antes de também ser afastado.
— Anda seu desgraçado! Fala!
— Seu garoto insolente! Você me paga!
— Não ouse ameaçá-lo Eleazar. Pois você é o único que está com problemas aqui. – Carlisle afirmou. – Não pense que tudo que fez sairá impune.
— E o que fará Carlisle? Você nunca foi capaz de fazer mal a uma mosca. Não será agora que criará culhões para me desafiar. Além do que, vocês não têm com o que me acusar.
— Carlisle. – O doutor Pace, que continua a me segurar, chamou-lhe a atenção. – Ele tem razão. Você já conseguiu a verdade que queria. Mas agora não poderá fazer mais nada. É melhor irmos embora.
— Ouça seu advogado Carlisle. Ou usarei a presença dele para abrir uma acusação contra vocês dois por agressão.
Indiquei para o advogado me soltar, ele o fez, mas ainda ficou ao meu redor.
— Não pense por um segundo que não pagará pelo que fez. – Carlisle o ameaçou. – E a partir de agora é bom que fique longe da minha mulher, da minha filha e de toda minha família.
— Eu não tenho mais qualquer interesse em nenhum de vocês. – Desdenhou. – Agora vão embora.
O advogado se colocou a nossa frente e nos indicou para sair, o fizemos com certeza a contragosto, mas sem alternativa.
— Eu deveria voltar lá e terminar de acertar as contas com aquele infeliz.
Carlisle protestou assim que deixamos o condomínio nos aproximando dos carros.
— Carlisle, isso não adiantará nada. – O doutor Pace respondeu e até eu bufei. – Ouçam, não tenho ideia do que vocês dois estão sentindo nesse momento. Mas continuar a agredi-lo não trará nada de bom, pelo contrário, pode até complicar suas vidas. Pois em um aspecto ele tem razão. – O olhamos consternados. – O que ele fez contra você e sua família Carlisle, não pode ser penalizado, pois ele não agiu fora da lei.
— Eu só... É muito frustrante saber que ele praticamente acabou com nossas vidas e mesmo agora que sabemos da verdade, não sofrerá represália nenhuma.
— Realmente, olhando por esse lado a situação parece sem solução. Porém tenho que confessar que nunca confiei no senhor Denali. Abstive-me de falar algo a você, pois sabia que ele era seu amigo há anos. No entanto, sempre ouvi coisas sobre ele que talvez possam servir para quem sabe findar sua carreira política.
— Garrett, isso é sério?
— Com certeza Carlisle. Preciso entrar em contato com meus conhecidos que têm mais propriedade sobre o assunto, mas se minhas suspeitas estiverem certas, Eleazar Denali está prestes a perder tudo que mais estima.
— Mas quanto ele realmente pode ser prejudicado?
— Senhor Masen, esse tipo de pessoa só presa uma coisa. Dinheiro e prestígio. Assim, a partir do momento que perder um, ainda mais nesse caso, consequentemente perderá o outro e ai será seu fim.
— Garrett, não sei como agradecê-lo. Você realmente não tinha porque nos ajudar, mas se conseguir isso serei eternamente grato.
— Não por isso Carlisle, mais do que na intenção de ajudá-lo. Não quero saber que deixei um tipo inescrupuloso como esse a frente de um cargo importante da política do nosso país. – Afirmou. – Tomarei as providências cabíveis e o manterei informado.
— Obrigado Garrett.
— Agora acho que devemos ir embora.
Assentimos e nos despedimos dele.
Ao entrar no carro Carlisle checou o celular, mas seu suspiro deixou claro que Bella ainda não deu notícias.
— Ainda nada, não é?
— Não. – Suspirou novamente colocando o carro em movimento. – Não quero pensar que algo grave aconteceu, mas está ficando cada vez mais difícil.
Não me atrevi a respondê-lo, já que não tenho palavras de conforto para oferecer.
— Se ao chegarmos à pousada, ela ainda não tiver dado sinal, voltarei para casa. Porque se ela chegar ao menos estaremos lá para saber.
Assenti, sabendo que é uma boa ideia.
E apesar de apreensivo, não posso me deixar abater por pensamentos ruins.
Bella está bem, ela tem que estar.
Fiquei olhando a cidade correr pela janela e olhando o céu noturno de Londres, inconscientemente pedi uma proteção.
Papai, mamãe, vovô, por favor, protejam a Bella.
Esteja ela onde estiver. E que esse lugar seja em segurança...
Segura. Acolhida. Distante. Isolada...
É isso!
Ela só pode estar lá!
Tomei ciência dessa hipótese já muito próximo à pousada, então quando Carlisle estacionou o carro e desceu, o fiz também em um rompante.
— Carlisle, abre o porta-malas, por favor.
— Ah, claro. Sua bicicleta, já tinha esquecido.
— Sim e preciso dela agora, pois acho que sei onde a Bella pode estar.
— O que? Como assim?
— Não se preocupe. Se ela está onde estou pensando, está tudo bem. Ela realmente só deve ter tirado um tempo para pensar, mas diante da nossa preocupação é melhor ir atrás dela.
— Então vá com o carro.
— Não precisa.
— Eu faço questão.
Ele tirou a bicicleta das minhas mãos me passando à chave.
— Então você ficará aqui na pousada?
— Não. Seguirei com a ideia que falei, mas você pode levar o carro. Esme e eu pegamos um táxi, não importa. Mas encontre minha filha, Edward.
— Se estiver certo, a encontrarei Carlisle, não se preocupe.
Peguei a chave entrando no carro rapidamente dando partida manobrando na rua e voltando ao acesso principal.
Estou tentando ao máximo controlar meu ímpeto, mas está sendo bem difícil, ainda mais ao me aproximar cada vez mais do local.
Quando estacionei não hesitei em sair e seguir até encontrá-la, pois agora não tenho mais dúvida alguma que o farei.
Como esperado, a encontrei e imediatamente dei um pesado suspiro de alívio e contentamento. Acredito que isso denunciou minha presença, pois ela virou espantada, mas relaxou o rosto quando me reconheceu.
— Edward? O que está fazendo aqui?
— Eu vim atrás de você. Todos estão preocupados com seu sumiço.
— Sinto muito, não queria deixar ninguém preocupado. Eu decidi vir de supetão e meu celular descarregou quando cheguei aqui.
— Com certeza é algo que aconteceria com você.
Ela deu um sorriso tímido.
— Mas ainda sim você conseguiu me localizar...
— Confesso que demorei a pensar que você estaria aqui. Mas em minha defesa estive envolvido com assuntos bem sérios que me impediram de pensar com clareza.
— Que assuntos?
Questionou ao levantar e começar a se aproximar.
— Eu já sei de tudo Bella. — Confessei e ela imediatamente estacou. – Mas agora quero ouvir a verdade de você...
CONTINUA.
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