Para Te Encontrar
31 Capítulo 30 - Proposta
Notas iniciais
— Pelo que entendi o carro bateu. Eles não apresentaram ferimentos graves, mas seu namorado foi levado à delegacia, por ser o condutor e ter apresentado alto teor alcoólico no sangue, ocasionando assim no acidente.
— O que? Perdão Sr. Denali, mas acredito que ouvi errado.
— O que você não entendeu Srta. Swan?
— Como estão dizendo que Edward apresentou teor alcoólico no sangue sendo que ele nem bebe! Justamente porque Irina estava bêbada, ele se prontificou a levá-la em casa.
— Srta. Swan apenas estou lhe passando a informação que me falaram. Esses questionamentos terá que fazer por si mesma a polícia.
— É o que farei. Obrigada por me avisar Sr. Denali.
— Não gostaria de ter sido eu a lhe contar isso, no entanto, não tinha outro contato do rapaz e após meus empregados avisarem que ligou a respeito da carona para Irina, achei de bom tom avisá-la.
— É claro Sr. Denali, novamente agradeço, mas agora tenho que desligar.
— Certo. Até mais ver Srta. Swan.
Não esperei mais para desligar a ligação.
Não.
Isso está completamente errado.
Edward não pode estar preso.
Ainda mais acusado de causar um acidente por estar bêbado!
Pode ser que algo tenha acontecido, que de alguma forma ele tenha perdido o controle do carro ou algo assim, porém dos males o menor, o Sr. Denali já disse que ele está bem, assim como Irina.
Mas acreditar que ele bateu o carro por estar bêbado? Jamais.
Edward nem bebe.
E se foi levar Irina justamente por ela estar bêbada, em que mundo ele estaria também?
Tem algo muito errado nessa história...
Mas no momento preciso focar minha cabeça em encontrar um jeito de ir até ele e provar de alguma forma sua inocência.
Sei que tenho que avisar vovó e Alice, mas como farei isso?
Alice tem uma prova importantíssima amanhã, vovó é uma senhora, que apesar de ainda ativa em muitos modos, não deixa de ser uma pessoa já de idade.
Não, ao menos por agora não posso falar nada a elas, não antes de ter respostas concretas.
O que preciso fazer é ir à delegacia, mas não acho seguro pedir um táxi e ir sozinha a essa hora da noite. Pelo mesmo motivo que não contarei a Alice, não posso pedir respaldo ao Jas, poderia ligar a Rose e Emm, além de garantir uma carona, também contaria com o apoio de ambos, no entanto, esperando ter sorte, resolvi ligar para o meu pai.
O telefone tocou três vezes antes de atender.
— Alô papai. – Em meio ao nervosismo nem esperei que ele saudasse primeiro.
— Não Bella, é a Carmen. Como vai?
— Carmen? Perdão, mas porque atendeu o celular do meu pai?
— É que ele está dirigindo, estamos chegando a Londres e ele pediu que atendesse quando viu que era você.
— Entendi, mas será que não posso falar com ele? É realmente muito urgente.
— Tudo bem, posso colocar no viva-voz, caso não se importe que ouça a conversa também.
— Não, não me importo é até bom que o faça para saber o que está acontecendo, isso se já não sabe. – Comentei em decorrência de ter ficado sabendo da questão pelo pai dela, não posso acreditar que ele não tenha contato a filha sobre o que está acontecendo com a neta.
— Agora fiquei preocupada, vou ativar o celular e já continuamos a conversa. – Aguardei alguns segundos até ouvir a voz do meu pai.
— Bella estou aqui. O que houve?
— Papai. O Edward foi preso!— Falei de uma vez.
— O que? Mas como? Por quê? Explique isso direito, por favor.
— Eu também não sei muita coisa. O Sr. Denali apenas ligou dizendo que ele e Irina sofreram um acidente e a agora Edward está preso acusado de ter batido o carro e apresentando álcool no sangue.
— Espera. Meu pai avisou a você? E Edward estava com Irina? Porque eles estariam juntos?— Ouvi o questionamento de Carmen.
— Ela foi ao Pub, como tem feito em várias noites, só que estava sozinha, porém ela bebeu demais. Edward e eu decidimos que não podia voltar para casa sozinha, ainda mais dirigindo. Entramos em contato com os empregados do seu pai que disseram que ela poderia ir para a casa dele, então Edward foi levá-la e já que o carro de Irina só cabe duas pessoas, não pude ir junto. Estava aguardando Edward voltar quando recebi uma ligação do Sr. Denali.
— Bella, não posso acreditar. Você sabe se aconteceu algo grave com os dois?
— Pelo que o Sr. Denali falou não. Mas papai preciso da sua ajuda. Tenho que ir até a delegacia saber o que realmente aconteceu. Como estão acusando Edward de ter batido o carro por estar bêbado. Ele não bebe papai.
— Fique tranquila Bella, já estamos nos arredores da cidade, passarei na pousada para buscá-la e vamos até a delegacia resolver essa questão.
— Obrigada papai. Ficarei esperando.
— Certo, chego em alguns minutos. Pode contar comigo filha, vamos resolver essa situação.
— Ok papai. Até já. – Encerramos a ligação.
Respirando fundo e sabendo que agora ao menos conto com o respaldo do meu pai comecei a organizar algumas coisas.
Peguei uma blusa de frio para levar a Edward, então sai de seu quarto seguindo para o meu, ao entrar troquei de roupa, vesti algo confortável e seguro, peguei uma bolsa colocando meus documentos e outros objetos pessoais, então sai do quarto.
Ao chegar à sala fiquei esperando um sinal de papai para poder sair à rua, quando chegou, além de ouvir o barulho do carro também recebi uma mensagem informando sua presença, sai entrando diretamente na porta traseira do veículo sem esperar por mais.
— Boa noite Bella.
— Boa noite papai, Carmen.
— Olá Bella.
— Você conversou com seu pai? – Questionei a ela.
— Sim, quando desligamos liguei para ele, porém só contou o mesmo que a você. Ele também está a caminho da delegacia, mas não tem novas informações, só quando chegarmos lá é que entenderemos o que realmente aconteceu. – Respondeu.
— Alice ou dona Elizabeth não quiseram vir com você? – Papai questionou e suspirando respondi.
— Não falei com elas papai.
— Mas Bella, elas são a família dele. Precisam saber o que está acontecendo.
— Eu sei papai. Mas preferi saber realmente o que está acontecendo, antes de contar qualquer coisa. Alice está fazendo suas provas para universidades e vovó Elizabeth é uma senhora, como direi que seu neto foi preso ainda mais acusado de causar um acidente por estar bêbado? Só de falar isso em voz alta parece ridículo. Edward jamais colocaria sua vida ou de alguém em risco, ainda mais sendo na mesma situação que lhe tirou os pais!
— Eu sei Bella, também estou achando tudo muito absurdo, mas já chegaremos à delegacia e veremos o que realmente houve.
— Obrigada papai.
— E sua mãe Bella? Não quis acompanhá-la? – Carmen perguntou.
— Mamãe não está na pousada Carmen, ela está passando a noite na casa dos meus avós.
— Ah sim, Carlisle comentou comigo que você também tinha avós aqui além dele. – Assenti. – Mas fique tranquila, tenho certeza que tudo será esclarecido e seu namorado será inocentado.
— É o mínimo já que ele não fez nada. Irina estava bêbada e Edward fez a gentileza de oferecer-se para levá-la em casa, no intuito que chegasse em segurança. Sendo assim quero saber como de repente estão acusando-o de ter provocado um acidente, ainda mais por estar bêbado.
— Nós descobriremos o que houve Bella, não se preocupe. – Papai respondeu e tentei confortar-me com suas palavras, mas realmente estou sem entender essa situação.
Encostei a cabeça na janela do carro esperando chegarmos à delegacia, que por sorte não demorou a acontecer. Papai mal estacionou o carro e já sai do mesmo correndo para dentro do lugar, mesmo não conhecendo o mesmo e sabendo como funciona não me repreendi e ao fazê-lo avistei logo Irina e seu avô.
— Cadê o Edward? – Questionei quando me aproximei.
— Está lá dentro. – Irina respondeu.
— Lá dentro fazendo o que? Prestando depoimento? Sem a presença de um advogado?
— Não. A polícia apenas o deixou esperando em uma das salas. – Respondeu.
— Por quê? Porque ele não está aqui com você?
— Bella, tente se acalmar. – Senti o toque das mãos do meu pai em meu ombro, após ouvir sua fala.
— Como você está Irina?
— Estou bem mamãe. Por sorte não nos machucamos muito. – Respondeu, mas podemos notar um colar cervical em seu pescoço.
— Tem certeza?
— Sim mamãe. O colar é apenas porque estava incomodando um pouco, durante a batida o cinto puxou ao me segurar, mas não é nada demais.
— E Edward? Como ele está? – Perguntei.
— Bem também, melhor do que eu. Ele teve apenas um corte no supercílio.
— Irina, me diga o que aconteceu? O que ocasionou o acidente? – Pedi.
— Não sei dizer, logo que entramos no carro peguei no sono, só acordei com o estrondo da batida.
— Em que vocês bateram? – Papai perguntou.
— Acho que Edward perdeu o controle do carro e bateu em uma marquise na rodovia próxima a saída da casa do vovô.
— Mas porque estão dizendo que o exame acusou teor alcoólico no sangue de Edward? Ele não bebeu. – Enfatizei mais uma vez.
— Isso é o que queremos saber também. – Ouvi a voz do Sr. Denali.
— Irina você sabe que Edward não estava bêbado. Justamente por isso se ofereceu para levá-la, para que você, que estava alterada de fato, não cometesse alguma barbaridade e provocasse um acidente. Como agora o estão acusado disso?
— Não sei Bella. Como disse, eu estava um pouco alta, não tinha como discernir quem estava sóbrio ou não. Mas se o exame acusou o fato, o que posso fazer?
— Cadê? Quero falar com a polícia. Dizer a eles que deve ter havido algum engano, talvez o aparelho de medição estivesse errado. Também quero falar com Edward, saber o que realmente causou o acidente. Pode ter acontecido algo que o fez perder o controle bater? Sim. Mas dizer que foi porque ele bebeu? Isso é impossível.
— Bella tente se acalmar.
— Não dá papai. Não dá.
— Srta. Swan acho que levantar a questão sobre o aparelho estar com defeito não será sustentada, já que fizeram o teste com minha neta e também deu positivo, como em momento algum a mesma negou ter ingerido álcool, mas como não era ela quem estava no volante, não pode ser responsabilizada por algo.
— Não estou colocando a culpa em Irina. Mas algo nessa história está muito errado. Em primeiro lugar Edward não bebe, nunca em hipótese alguma e sabem o por quê? Porque ele tem aversão a bebidas alcoólicas, apesar de trabalhar no Pub e conviver com as mesmas e seu consumo exacerbado constantemente, ele não quer isso para si, pois por conta de um motorista inconsequente que dirigia bêbado ele e a irmã perderam os pais. Por isso que ele não deixou Irina sair do Pub no estado que estava, para que ela não fosse responsável por algo assim. Então não tem como acreditar que ele, justamente ele, esteja sendo acusado de dirigir bêbado. Como disse, pode ser que ele tenha cometido algum erro na direção e batido o carro? Sim. Mas feito isso por estar bêbado? Jamais. – Desabafei.
— Não sabia que os pais dele morreram em um acidente. – Ouvi a voz baixa de Irina.
— Não só em um acidente, mas em um acidente provocado por um motorista bêbado. – Enfatizei novamente.
— É uma pena que os pais dele tenham perdido a vida de forma tão trágica. Mary era uma boa moça...
— O senhor conheceu os pais de Edward? – Interrompi a fala do Sr. Denali.
— O pai não lembro bem, talvez tenha visto algum dia junto com Carlisle, mas a mãe se não me engano trabalhava em uma lanchonete refinada no centro.
— Mas a mãe deles era enfermeira.
— Mary tornou-se enfermeira depois Bella, porém quando jovem trabalhava nessa lanchonete que Eleazar falou. Foi onde sua mãe e eu a conhecemos, depois Anthony. Eles já eram casados na época e Mary estava grávida de Edward quando a conhecemos.
— Não sabia disso. – Respondi consternada.
Realmente papai e mamãe ainda guardam muitos segredos sobre sua relação no passado, inclusive na parte que envolve sua amizade com os pais de Edward.
— Por isso Srta. Swan que conheci um pouco mais a mãe do jovem Sr. Masen, Mary era uma ótima garçonete pelo que me lembro e é triste saber que ela e o marido tiveram um fim tão trágico.
— Certo Sr. Denali. Então consegue entender como é impossível que Edward tenha feito o que estão lhe acusando?
— Nesse momento não é minha opinião que mudará alguma coisa.
— Ouça Bella. Após encerrarmos nossa ligação contatei meu advogado e ele já está para chegar, assim que o fizer tomaremos as providências necessárias para tirar Edward daqui e de um jeito ou de outro provar sua inocência.
— Obrigada papai. Mas podemos conversar com a polícia? Saber onde Edward está e porque não pôde esperar aqui fora com Irina?
— Carlisle, acho melhor levar Carmen e Irina para casa. Minha neta passou por um momento difícil e Carmen acabou de chegar de viagem, imagino que também esteja cansada.
— Mas Irina já pode ir embora? – Questionei.
— Eu fui a vitima Bella? Porque não poderia?
— Mas você não é testemunha perante o que houve?
— Como falei, na hora do acidente estava cochilando e não sei ao certo o que houve e também não posso atestar que Edward não bebeu nada, pois não estava em condições de fazê-lo.
— Mas agora surpreendentemente você parece desperta e muito bem, diferentemente de como saiu do Pub. – Falei.
— Bella eu sofri um acidente consegue entender isso? É claro que em uma situação como essa todo o álcool evaporou do meu corpo.
— E aparentemente passou para o do Edward, não é? – Retruquei cansada de tudo.
— Bella, por favor. Não vamos piorar essa situação. – Papai falou tentando acalmar os ânimos e apenas bufei. – Eleazar obrigado por ter avisado sobre a situação, mas acredito que seja melhor mesmo que leve as duas para casa, os manterei informados sobre o que acontecer.
— Você não quer que fique com vocês, Carlisle?
— Não Carmen, pode ir cuidar da sua filha, nos falamos depois.
— Você ouviu Carlisle, Carmen. Vamos embora, Irina é sua prioridade agora.
— É claro papai. Vamos embora filha. Desejo boa sorte a você e Edward. – Carmen comentou e apenas assenti.
— Ah Eleazar, você pode ver a questão do carro de Irina? Caso o seguro não arque com algo, por favor, informe, pois me responsabilizarei por tudo.
— É claro Carlisle, acredito que o mesmo não sofreu grandes danos, com isso não prejudicando minha neta e o Sr. Masen, mas o informarei sim sobre o desenvolver desse assunto. – Papai assentiu. Assim os três saíram da delegacia.
No instante que o fizeram um homem atravessou a porta vindo em nossa direção.
— Boa noite Carlisle, vim o mais rápido que consegui.
— Obrigado Garrett, não o chamaria essa hora se não fosse importante.
— Tudo bem.
— Deixe-me fazer as apresentações. Garrett, essa é minha filha, Bella. E Bella, esse é Garrett Pace, meu advogado.
— Olá Srta. Cullen, é um prazer conhecê-la.
— Olá Sr. Pace. Gostaria que fosse em uma situação diferente, mas é um prazer também.
— Certo. Agora me contem o que houve para começar a planejar as providências perante o jovem em questão. – Com seu pedido papai e eu passamos a relatar tudo que houve.
Contei, enfatizando mais uma vez, que é impossível Edward ter atestado álcool no sangue sendo que ele não bebe em hipótese alguma, em decorrência do que houve com seus pais.
Garrett ouviu nosso relato atentamente e após fazê-lo foi conversar com o delegado e saber o que podemos fazer para tirar Edward daqui.
— Aconteceu alguma coisa? Você ficou estranha de repente, não aflita como antes, mas sua expressão mudou – Papai comentou quando ficamos a sós.
— É que o Sr. Pace se referiu a mim como Srta. Cullen.
— Como a apresentei apenas como filha ele imaginou que usasse meu sobrenome também.
— O senhor se incomoda?
— Com o que?
— Que não tenha começado a usar seu sobrenome? Mesmo depois que fizemos o reconhecimento paterno, continuo respondendo apenas pelo sobrenome Swan.
— Não tinha parado para pensar nisso. Então a resposta é não. Saber que é minha filha é tudo que preciso. Que sobrenome usa quando se apresenta não faz diferença, mais importante do que ser uma Cullen, é sabermos que é minha filha, independente do sobrenome que carregue consigo.
— Pensei que o senhor fosse mais apegado ao mesmo, por conta de vir de uma família nobre e influente, que gostaria de repassá-lo as futuras gerações.
— Não, não sou muito ligado a isso. Talvez seus avós fossem e tivessem esse tipo de pensamento, mas eu há muito tempo entendi que o sobrenome Cullen serve para abrir portas e conseguir prestigio, mas não possuem um elo familiar forte. Talvez isso mude conosco, caso queira passar a usá-lo também podemos dar um novo sentido. Do contrário será apenas uma junção de letras no fim de um papel. – Sorri.
— Vivi 19 anos sendo reconhecida apenas como Isabella Swan, porém gosto de saber que finalmente sou uma Swan Cullen, porque tenho em minha vida não só minha mãe, mas também meu pai. Entendo que o senhor não considere o sobrenome algo tão forte e especial, mas sou feliz por tê-lo.
— E eu sou feliz por tê-la em minha vida Bella. – Ele me puxou para um meio abraço e beijou minha testa, porém nosso momento terno foi interrompido pela chegada de Garrett.
— Então doutor? O que a polícia disse? – O questionei de pronto.
— Não tenho as melhores notícias do mundo, porém também não são tão ruins quanto poderiam ser.
— O que houve Garrett?
— O fato é Carlisle, infelizmente não temos como contestar a autenticidade do etilômetro.
— O que?
— É o nome cientifico do instrumento usado para medir a taxa de álcool etílico no sangue de um condutor, o popularmente conhecido, bafômetro. – Explicou e assenti. – Realmente a taxa do Sr. Masen estava elevada, não a um extremo, porém o nível encontrado já se enquadra no parecer da infração.
— Mas isso é um absurdo. Edward não bebeu. Quantas vezes terei que dizer isso?! – Contestei realmente exaltada.
— Eu sei Srta. Cullen. Por isso teremos que encontrar uma forma de provar a inocência do Sr. Masen. Entender como mesmo sem consumir álcool, como afirma que ele não fez, o exame atesta que há presença do mesmo em seu sangue e também diante da forma que o acidente aconteceu, acreditam que foi causado por ter perdido os sentidos enquanto dirigia.
— Não posso acreditar em uma coisa como essa. E não posso testemunhar a favor dele? Dizer que ele com certeza não bebeu e tem algo errado? Não só eu posso testemunhar, mas também alguns amigos que estavam no Pub, até alguns clientes se for necessário.
— A questão Srta. Cullen é que ele pode ter ingerido o álcool após deixar o estabelecimento. – Fiz menção de interrompê-lo, mas fui contida. – Não estou dizendo que é o que penso e tão pouco que é o que houve, mas é o que o delegado poderá alegar. Então temos que agir com prudência.
— E o que fará agora Garrett?
— Entrarei para conversar com o Sr. Masen, me apresentarei e lhe explicarei a situação. Depois ele prestará um depoimento formal e com isso entrarei com um pedido de habeas corpus, como também com a solicitação de pagamento de fiança, o que liberarem primeiro usaremos para libertar o Sr. Masen.
— Não há outros meios de liberá-lo?
— Não Carlisle. Você sabe como as coisas são por aqui. Por sorte nem ele ou a outra moça sofreram nada grave, mas ele será indiciado por dirigir alcoolizado e também por ter causado o acidente que poderia prejudicar de maneira fatal a si, a moça e terceiros.
— Isso é um pesadelo, só pode ser um pesadelo. – Falei a ponto de ceder às lágrimas e exaustão diante desse assunto.
— Conversarei com ele agora e faremos o depoimento, apesar de já ser domingo de fato. – O Sr. Pace comentou olhando seu relógio e constatando que já passa da meia noite. – Não acredito que conseguiremos qualquer liberação de sentença antes do amanhecer. Sendo assim infelizmente o Sr. Masen ainda passará algumas horas detido, mas pela manhã entrarei com os pedidos e diante de sua ficha limpa, sem qualquer histórico de crimes ou até de antecedentes criminais, acredito que conseguirei sua soltura pela manhã. Sendo assim, se quiserem ir embora...
— Não! Eu só saio daqui depois de ver Edward. – O interrompi deixando minha opinião clara.
— Bella.
— Não papai. Não adianta. Não vou embora enquanto não vê-lo, não falar com ele e deixar claro que farei tudo que for possível para tirá-lo dessa situação. Eu poderia muito bem dizer que só sairia daqui acompanhada dele, mas confiarei que o Sr. Pace conseguirá a soltura pela manhã, sendo assim em breve ele estará totalmente livre, mas por hora eu preciso vê-lo. – Papai e o advogado trocaram olhares, por fim o Sr. Pace falou.
— Certo, podem esperar. Conversarei com o Sr. Masen e quando acabar o depoimento pedirei um momento para que se vejam, mas não posso prometer muita coisa Srta. Cullen.
— Tenho certeza que conseguirá Sr. Pace. Papai não o chamaria se não achasse que o senhor é competente no que faz.
— Obrigado. Volto com notícias daqui a pouco, com licença. – Assentimos e ele saiu.
— Se vamos esperar, podemos ao menos nos sentar? – Papai questionou indicando um conjunto de cadeiras e aceitei a sugestão.
— Obrigada por me apoiar papai. Não sei o que faria sem o senhor.
— Não precisa agradecer. É meu dever como pai estar ao seu lado nesse momento. Mas também o faço por Edward, pois sei que ele é inocente e não merece passar por uma situação dessas.
— Mesmo assim agradeço. Por mim e por ele, sei que contaríamos com o respaldo de outras pessoas, mas não imagino alguém melhor do que o senhor para ajudar-nos nesse momento. – Ele assentiu.
Pensei que encerraríamos o assunto por hora, mas em seguida ouvi o questionamento.
— Você ainda não quer avisar Alice e dona Elizabeth?
— Não. Se já esperarei até agora prefiro contar pessoalmente, quando voltar à pousada o farei.
— Certo, entrarei com você e estarei ao seu lado quando der a notícia a elas.
— Obrigada pai. – Ele não respondeu apenas me puxou para perto e encostou minha cabeça em seu ombro, assim ficamos esperando pela volta do Sr. Pace com notícias de Edward e também a reposta se poderei vê-lo.
Não sei quanto tempo passou, mas quando o advogado voltou, rapidamente levantei da cadeira acompanhada de papai a espera de notícias.
— Infelizmente a questão continua na mesma, ao menos até amanhecer ele ficará detido. Solicitarei os pedidos perante o juiz, acredito que conseguirei livrá-lo por algum dos dois, seja o habeas corpus ou pagamento de fiança, com isso lidaremos com a situação decorrente com o Sr. Masen fora da prisão.
— Muito obrigado Garrett, você foi de grande ajuda hoje.
— Não há de que Carlisle, estou apenas fazendo meu trabalho. E quanto ao pedido para ver o Sr. Masen, lhe foi consentido o direito de vê-lo por 15 minutos Srta. Cullen.
— Muito obrigada doutor. De coração obrigada. – Agradeci realmente emocionada.
— Não tem de que, pode me acompanhar. Lhe esperarei fora da sala.
— Vá lá Bella, diga a Edward que faremos todo o possível para ajudá-lo. Ficarei lhe esperando aqui.
— Obrigada papai. Até já. – Segui o Sr. Pace pela delegacia e em determinado momento um policial nos acompanhou guiando para a sala onde imagino que Edward está.
— Você tem 15 minutos senhorita. – O policial falou quando paramos em frente à mesma.
— Ela já foi informada. – Garrett respondeu. – Aproveite seu tempo Bella.
— Muito obrigada Sr. Pace.
Quando a porta foi aberta e vi o amor da minha vida sentado em uma cadeira de frente a uma mesa, não me importei com nada a não ser correr para seus braços.
Edward teve que ser rápido em levantar para receber-me, porém não me importei com mais nada quando senti seus braços ao redor do meu corpo, o calor transpassando entre nós, seu cheiro e as batidas do seu coração.
— Meu amor...
— Não precisa chorar Bella.
— Como não. Você está aqui, preso. Por algo que claramente não fez. Como quer que fique?
— Não se preocupe. O advogado do seu pai deixou claro que sairei pela manhã. Além do que, sei que não sou culpado e isso conta muito para ficar calmo.
— É claro que não é. E vamos provar isso. Mas de todo modo você não deveria estar aqui, passando por essa situação. Não conheço ninguém no mundo mais integro do que você. Como podem acreditar que é o responsável pelo acidente? – Nos separei do abraço para olhar em seus olhos, então notei o curativo em seu supercílio conforme Irina falou.
Passei a mão no mesmo fazendo um carinho, Edward pegou a mesma dando um beijo na palma.
— Você está bem mesmo? Só se machucou aqui?
— Sim. Graças a Deus a batida foi leve, não sofremos nada demais.
— Mas como esse acidente aconteceu? Você perdeu o controle do carro?
— Essa é a pior parte Bella. Pois realmente não sei bem o que houve.
— Como assim?
— Estava dirigindo normalmente na rodovia, Irina tinha acabado de pegar no sono ao meu lado. Posso dizer a você que não estava cansado, com sono, nada disso, muito menos bêbado.
— É claro que não meu amor. Jamais pensaria em algo assim vindo de você. Por isso que estou preocupada, tentando encontrar uma justificativa, algo que indique como puderam encontrar álcool no seu sangue.
— É só no que estou tentando pensar também.
— Mas então como você bateu o carro?
— Certo. Como disse estava dirigindo normalmente, porém de repente senti uma dormência estranha na palma das mãos, com isso não consegui segurar o carro e saímos um pouco da estrada batendo em uma marquise lateral, por sorte não atingimos outro carro no caminho, nem nos machucamos muito. Não percebi de antemão, mas um carro de polícia estava próximo a nós na rodovia, o mesmo veio logo prestar socorro e entender a situação. Assim que chegaram perto e olharam para nós vendo que tudo aparentemente estava bem, pediram para que saísse do carro, o fiz, mas estava meio tonto, acreditei que fosse efeito da batida, mas quando pediram para fazer o teste do bafômetro disseram que apresentava álcool no sangue e seria indiciado por dirigir bêbado e também como responsável pelo acidente.
— Mas você teve essa dormência nas mãos do nada?
— Sim, foi muito estranho, algo que nunca senti antes. – Fiz um carinho em suas mãos.
— Isso é horrível meu amor. Mas ainda bem que nada mais sério aconteceu com vocês. E Irina não percebeu nada?
— Ela só despertou quando bati o carro, perguntei imediatamente se ela estava bem, quando afirmou que sim, a polícia nos interceptou. E como não viemos no mesmo carro não vi mais o que aconteceu com ela. Quando chegamos fui levado a uma sala de espera, a qual só sai quando o advogado do seu pai chegou. Ela está realmente bem?
— Sim, aparentemente só machucou o pescoço, porque o cinto de segurança a manteve firme no lugar quando se chocaram.
— Menos mal. – Assenti. – E como soube que estava aqui? Quando chegamos pensei em te ligar, referente à minha chamada especial, porém fui informado que você já estava a caminho, então esperei.
— O Sr. Volturi me ligou. Acredito que devem tê-lo procurado primeiro quando Irina falou a que família pertence e ele fez a gentileza de me ligar. Assim que desliguei o telefone liguei para o meu pai pedindo ajuda e viemos.
— Ele não estava em um congresso de medicina? – Edward questionou.
— Sim, mas para nossa sorte quando liguei já estava aos arredores de Londres e não demorou a chegar para me buscar e também já ligou para o advogado.
— Tenho muito que agradecê-lo por tudo.
— Ele falou que não precisa e está lá fora a minha espera. Quando sair ele me deixará na pousada e juntos contaremos a vovó e a Alice o que houve.
— Você ainda não falou com elas? – Neguei com um aceno.
— Não tive coragem. Assim que recebi a notícia pensei logo em quem poderia chamar para nos ajudar. Falar com Alice e vovó naquele momento só as deixaria mais aflitas. Não sei se seria viável que viessem aqui também, tão pouco queria deixá-las preocupadas e sozinhas. Alice tem a prova mais tarde, Jasper também. Pensei em chamar Rose e Emm, porém antes consegui falar com meu pai e que bom que o fiz. Ele é realmente um adulto responsável que poderia ajudar-nos em todos os quesitos.
— Você fez bem. Escute, quando contar a elas, diga que estou bem e confiante. Logo cedo o advogado garantiu que conseguirá minha soltura e depois procuraremos meios de provar que não ingeri substância alcoólica nenhuma.
— É claro, com certeza vamos. – O abracei novamente e foi inevitável não começar a chorar.
— Meu amor, o que houve?
— Eu sinto muito Edward.
— Pelo que?
— Por ter trago Irina as nossas vidas. A sua vida. Se não fosse por mim você não a conheceria, não sentiria qualquer vínculo de compromisso em levá-la em casa, não teria entrado no maldito carro e não estaria nessa situação.
— Bella, por favor, não seja absurda. Ela é enteada do seu pai, não da para necessariamente a excluirmos de nossas vidas. E se não tê-la conhecido significa por algum segundo não ter conhecido você. Então seria a pior situação de vida possível. Eu te amo, você é a melhor coisa que já me aconteceu, nossa história é a melhor coisa da minha vida e nada mudará isso.
— Mas Edward, no Pub vi como você ficou só de imaginar Irina dirigindo imprudentemente por ai arriscando a vida das pessoas, como o infeliz que tirou a vida dos seus pais. Imagino como não está agora depois de passar por uma situação dessas. Vocês estão bem, você está bem, graças a Deus, mas algo pior poderia ter acontecido e não quero nem pensar...
— Então não pense. Hey. – Segurou meu rosto em suas mãos. – Escute, eu estou bem, dos males o menor, Irina também. E sim, por um momento pensei na situação como um todo e lembrei dos meus pais, mas nada sério aconteceu. Eles se foram e sempre sentirei falta deles, porém eu estou vivo, aqui com você e logo nossa vida voltará ao normal como antes, acredite em mim.
— Eu te amo. Te amo mais do que tudo no mundo e sou capaz de tudo por você Edward, nunca duvide disso.
— Eu te amo. – Ele não respondeu mais do que isso usando nosso tempo restante para me beijar.
Me entreguei ao mesmo querendo demonstrar mais do que com as palavras, como meu sentimento é real, sólido, forte e verdadeiro.
Fomos interrompidos com uma batida na porta, nos soltamos rapidamente vendo o Sr. Pace aparecer.
— Sinto muito, mas temos que ir Srta. Cullen. Sr. Masen, o acompanharão a uma cela onde passará o restante da madrugada, mas conforme conversamos pela manhã acredito que já voltarei com boas notícias a você.
— Obrigado doutor Pace. Agora vá Bella, pela manhã já estaremos juntos. Diga a vovó e Alice que está tudo bem e que não precisam se preocupar.
— Como se isso fosse humanamente possível. – Ele me deu um selinho, depois um beijo na testa, aproveitei o último instante para lhe entregar a blusa que trouxe, ele sorriu agradecido, então sai da sala, acompanhada pelo Sr. Pace.
Ao chegar à entrada da delegacia encontrei meu pai, ele e o advogado conversaram por um tempo, porém não me atentei de fato ao assunto.
Quando nos despedimos papai me guiou até seu carro, fazendo a gentileza de abrir a porta para que entrasse, só depois passando para o lado do motorista.
— Como foi com Edward?
— Ele parece bem. Realmente está apenas com um curativo no supercílio e afirmou, como eu disse, que não bebeu nada, mesmo depois que saiu do Pub.
— E ele contou como o acidente aconteceu?
— Ele disse que estava tudo bem, Irina cochilando ao seu lado e ele dirigindo quando sentiu uma dormência estranha nas mãos, acabou não conseguindo controlar o volante e o carro perdeu o rumo batendo na marquise.
— Que estranho. E ele não relatou mais nada?
— Não. O senhor como médico consegue pensar em algo? Será que Edward teve alguma coisa mais séria? Um princípio de derrame talvez?
— Calma Bella. Respire. Você sabe que questões neurológicas não são meu assunto de atuação, mas não acho que Edward teve nada tão grave ou crônico. Antes de deixarem-no detido, ele passou por alguns exames. Além do que, a grande questão é terem encontrado álcool em seu sangue, sendo que ele não bebeu.
— Pois é. Isso é o mais estranho. Como algo assim pôde acontecer sem explicação vigente?
— É o que precisamos descobrir. – Papai completou.
— Isso é tão injusto. Edward é a pessoa mais sensata que conheço. Ele jamais colocaria sua vida ou a de alguém em risco, ainda mais em uma situação assim, envolvendo bebida e direção. Não depois da forma que seus pais faleceram.
— É claro. – Papai concordou, mas pude notar um suspiro melancólico em sua fala.
— O que foi papai?
— Estava pensando em Mary e Anthony. Em como fui estúpido por ter deixado nossa amizade findar. Não acredito que se não fosse por você não saberia até hoje que eles faleceram. Imagino como as crianças ficaram desamparadas sem os pais. Como os pais do Anthony se sentiram também. Eu poderia ter ajudado, feito algo, dado apoio, não só moral, mas até financeiro...
— Sinto muito que as coisas tenham acontecido assim papai. Mas ao menos hoje o senhor recuperou o contato com os filhos deles. E agora está nos ajudando muito, ainda que seja por uma situação ruim, mas já o fez bastante em situações boas também, como no aniversário do Edward.
— Sim, ao menos isso, mas sempre terei esse arrependimento comigo.
— Mas porque exatamente vocês deixaram de ser amigos?
— Tudo mudou depois que sua mãe e eu terminamos. A amizade no geral começou por conta do laço que ela e Mary tinham, assim Anthony e eu nos conhecemos e engatamos uma amizade também o que uniu o grupo como um todo. – Começou a falar e apesar do momento horrível que estamos passando, fiquei contente por um instante ao ouvi-lo falar sobre uma época em que todos eram felizes. – Então acho que foi meio natural quando sua mãe e eu rompemos, nos afastarmos também.
— E foi simples assim? O senhor e a mamãe terminaram e também deixou de falar com seus amigos?
— Não. Não foi exatamente assim. Depois que terminei com sua mãe passei alguns dias sem vê-los, talvez por receio de ir procurá-los e encontrar Esme. Com certeza não gostaria de vê-la logo após o término.
— Porque? – Tentei jogar o próximo assunto.
— O fato é. – Logo desconversou. – Quando os encontrei foi que fiquei sabendo que sua mãe já não estava mais no país. Anthony acabou deixando escapar e percebi que Mary não gostou nada que soubesse do fato. Mas deixei passar, se não corria mais o risco de encontrar com sua mãe tentei retomar a amizade como um todo, mas com o passar dos dias percebi que Mary não era mais a mesma comigo, ela nunca me tratou mal de fato, no entanto, não era receptiva como antes, não ficava no mesmo ambiente que eu quando ia visitá-los, então percebi que talvez, por algum motivo, ela estivesse com raiva de mim.
— E o senhor fez algo para deixá-la com raiva?
— Não, é claro que não. Mas acho que talvez ela me culpasse por Esme ter ido embora, apesar de na época falarem que ela foi para estudar fora, hoje sei que não foi só por isso, que foi embora por não ter recebido apoio dos seus avós em meio à gravidez, que não fez questão de me contar. – Ia comentar algo, porém ele prosseguiu o assunto. – Quando percebi isso fiquei com medo de causar algum desconforto entre o casal, então decidi me afastar ao poucos também de Anthony, o único que ainda me tratava bem. Pois não queria que chegasse o dia que Mary o fizesse escolher entre ela e ou a amizade comigo, é claro que ele a escolheria, ela era sua mulher e mãe do seu filho, porém ainda sim sei que seria uma situação chata para nós. Com isso o afastamento gradual, tornou-se algo permanente.
— E o senhor realmente nunca mais os viu?
— Não.
— E como viveu depois disso? Pelo que sei meu avós já eram falecidos quando o senhor e a mamãe namoraram. Então ela partiu, seus amigos se afastaram, como o senhor ficou?
— Eu embarquei de cabeça na faculdade e de certo modo foi a melhor escolha que fiz. Foi um bom concelho o que Eleazar deu afinal...
— Espera. O que o Sr. Denali tem a ver com a história?
— Já lhe contei que ele era próximo a minha família enquanto meus pais ainda eram vivos. Depois que faleceram, tornou-se próximo a mim, não como uma figura paterna, mas como um amigo mais velho e sábio. Quando parei de falar com Anthony e Mary, logo comecei a faculdade. E Eleazar foi alguém que me apoiou muito nessa nova fase, dizendo que diante da profissão que tinha escolhido, precisaria me dedicar muito a ela e foi o que fiz. Assim envolvido nos primeiros anos da escola de medicina, não conseguia pensar nas perdas que minha vida teve, apenas no que almejava conquistar. E em um belo dia quando lembrei dos meus amigos de juventude percebi que não sabia mais nada sobre eles. Mary já não trabalhava na lanchonete, porém não tinha ideia se tinha conseguido tornar-se enfermeira ou não. Anthony também já não trabalhava no mesmo emprego. Eles tinham se mudado, acredito que depois que Alice nasceu e ai deixei passar. Não fui atrás de encontrá-los novamente depois de tantos anos. Mas me sinto muito mal por não ter ficado sabendo ao menos na época que faleceram, os melhores amigos que tive morreram e não pude nem chorar suas perdas de forma digna...
— Sinto muito papai, de verdade. Gostaria que a vida de todos nós fosse diferente. Que o senhor e a mamãe não tivessem se separado. Assim mantendo a amizade com os Masen. Que eles não tivessem morrido. Teria crescido ao lado de Edward e Alice, e quem sabe estivéssemos todos juntos ainda hoje.
— É um sonho bonito, porém foge muito a realidade...
— Papai...
— Bella já estamos chegando. Você não disse que ligaria a Alice, para que ela e dona Elizabeth estejam a nossa espera?
— Sim.
— Pois então o faça. Apesar das notícias, não será fácil contar a elas o que está acontecendo. – Assenti.
Entendi claramente que ele quis mudar o foco do assunto quando percebeu que novamente tentaria questionar sobre a razão real do término com minha mãe, porém escorregadio como só meus pais são, conseguiu mais uma vez contornar o assunto, mas tudo bem uma hora descobrirei toda a verdade, quer eles queiram, quer não.
Mas agora realmente preciso concentrar-me em encontrar forças para contar a vovó e Alice sobre a situação de Edward.
Liguei para Alice e por sorte ela atendeu, estranhou o horário e a chamada, mas não dei tempo para refutações, apenas pedi para que levante, chame a vovó e que ambas me encontrem na sala da pousada que já explicarei o que está acontecendo.
Ao finalizar a ligação não demorou a papai parar o carro em frente à mesma, descemos entrando na pousada silenciosa pelo decorrer da hora, acendi a luz próxima à janela e ficamos esperando vovó e Alice aparecerem.
— Sr. Cullen. Isabella Marie. O que está acontecendo?
— Perdão pelo horário dona Elizabeth, porém temos um assunto importante a falar com vocês. – Papai respondeu.
— Porque só conosco? Não deveríamos chamar Edward também? Apesar de que passei em frente ao quarto dele e a porta estava aberta, porém não o vi.
— É sobre Edward que queremos falar Alice.
— O que houve com meu neto? Por favor, digam logo, vocês estão me deixando preocupada. – Vovó pediu e resolvi ser direta, sabendo que postergar o assunto só piorará as coisas.
— Vovó, saiba que está tudo bem na medida do possível, mas aconteceu algo essa noite que ocasionou na prisão de Edward.
— O que?!— Alice gritou.
— Não. Meu menino não. Edward Anthony seria incapaz de fazer qualquer coisa que o levasse para a cadeia.
— Vovó, tente ficar calma. Sente-se que lhe explicaremos tudo. – Pedi.
Alice a acomodou na poltrona mais próxima, então papai e eu contamos o que houve. As duas até que ouviram bem, interrompendo poucas vezes, mas ao fim foi inevitável o romper de lágrimas.
— Não. Isso está errado. Edward Anthony não pode passar a noite na cadeia.
— Dona Elizabeth, serão apenas algumas horas. O advogado garantiu que ao amanhecer, Edward já será solto e a partir dai vamos cuidar da situação com calma.
— Mas isso não faz sentido nenhum. Edward não bebe. Como pode estar sendo acusado de bater o carro porque estava dirigindo bêbado?
— É o que queremos saber também Alice, mas vamos descobrir. Eu prometo a você que vamos. Porém como falamos, Edward está bem, na medida do possível. E pediu para que fiquem bem também. A senhora não deve se exaltar vovó. E Alice, não esqueça que tem a prova mais tarde. Não contei nada antes de ir a delegacia, pois não queria preocupá-las sem resoluções concretas, mas por mais que me doa também, Edward só ficará longe de nós por algumas horas, nada além disso.
Vovó e Alice ainda contestaram por mais um tempo, porém por fim tentaram entender, como estou fazendo.
Meu pai se despediu de nós, pelo adiantado da hora e depois de voltar de uma viagem, o que ele mais merece é o conforto de uma boa noite de sono, o agradecemos muito por tudo e ele foi embora.
Sem querer deixar vovó sozinha, a acompanhamos a cozinha para o preparo de um chá, não o especial inglês, mas um com folhas especializadas em acalmar os nervos.
Depois que compartilhamos o líquido quente, cada qual perdida em seus próprios pensamentos, subimos em direção aos quartos prometendo ao menos tentar dormir, ainda mais Alice que daqui a pouco terá que levantar para ir fazer a prova.
Quando entrei no meu quarto segui diretamente para o banheiro, procurando com a água quente algum tipo de conforto. Chorei muito embaixo do chuveiro, mas não consegui o descanso que procurava.
De volta ao quarto me troquei, porém ao olhar minha cama não consegui deitar na mesma, com um pensamento na cabeça segui até o quarto de Edward e qual não foi minha surpresa em encontrar Alice deitada na cama do irmão.
— Sabia que você viria. – Comentou quando me viu.
— Também precisa um pouco dele, não é? – Assentiu.
Me aproximei da cama deitando na mesma, nos ajeitamos deitando a cabeça nos travesseiros de Edward sentindo seu cheiro e um pouco que seja de seu conforto.
— Ele vai sair dessa, não vai Bella?
— Vai. Eu prometo a você que vai. Porém agora temos que dormir, especialmente você. Sua prova será daqui a pouco e Edward ficaria muito chateado se soubesse que de algum modo a prejudicou em um momento tão importante da sua vida.
— Ele é a coisa mais importante no momento.
— Eu sei, mas ele ficará bem. Porém precisamos que você também fique, assim como a vovó.
— E você...
— Sim. Eu também tentarei me manter forte por ele. – Ela assentiu e não falamos mais.
Demorou, mas percebi quando Alice pegou no sono. Eu, no entanto, não fui capaz de cumprir com minhas palavras e dispersar a mente de tudo que está acontecendo, procurei não ficar rolando na cama para não incomodar Alice, mas em momento algum meu corpo ou mente descansou de fato...
Quando o dia começou a raiar decidi voltar para o meu quarto, nem o conforto da cama de Edward foi capaz de me fazer desligar das preocupações, então decidi deixá-la.
No mesmo parei em frente à janela vendo o sol nascer, pensei em falar com minha mãe, porém se ela não enviou mensagem de bom dia ainda, é muito provável que esteja dormindo.
Acredito que papai também, pois ele prometeu que daria notícias assim que o Sr. Pace entrasse em contato, então se até agora não enviou nada, acredito que é porque não há nada novo a contar.
Com os olhos abertos, mas a mente longe, não percebi o passar das horas, sendo desperta somente quando ouvi batidas na porta, mesmo sem questionar quem é, indiquei para entrar, porém me surpreendi totalmente quando vi a figura de Irina entrando em meu quarto.
— Irina? O que está fazendo aqui?
— Vim para conversar com você. Tenho uma proposta a fazer que acredito que seja de grande interesse seu.
— Proposta? Que proposta?
— Primeiro preciso saber uma coisa. Você estaria disposta a fazer qualquer coisa para tirar Edward da prisão?
— Aonde quer chegar com isso?
— Responda o que perguntei. Estaria disposta a tudo para livrar Edward da prisão?
— É claro que sim Irina. Para ajudá-lo a sair da prisão e no que mais precisar. Eu o amo e farei o que for preciso por ele.
— Ótimo, era essa reposta que queria ouvir.
— Mas porque está aqui essa hora da manhã? Como entrou na pousada e ainda chegou ao meu quarto? Porque está fazendo essas perguntas?
— Calminha que tudo será respondido. Mas a questão principal é que posso ajudar a tirá-lo da cadeia. De modo efetivo e seguro. Mas para isso você terá que fazer uma coisa.
— O que?
— Terá que terminar seu namoro com o Edward...
CONTINUA.
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