Notas iniciais
Mais um Cap. Pra vocês, espero que gostem.... (como prometi) Beijokas e ate o próximo!

Quando a morte ecoa tão perto, há um temor que bate em nossos corações, o medo de não estar preparado para se saber o que há de vir, e às vezes dar sentido à nossa existência é o que nos faz querer viver cada dia mais.

Estar perante o Soberano era um privilégio, fazer parte do seu conselho é um orgulho que poucos tinham.

Morrer por ele era algo que eu não estava disposta a fazer, ser condenada por ser mulher, por ter nascido mulher, era algo que eu desprezava, poderia ter mil mortes, mas esta morte eu certamente não morreria.

Se algum dia eu morrer, será por uma causa justa, não apenas por pertencer a um homem que nem ao menos teve o meu consentimento, se é claro isso importasse para ele.

— Shhhhh! Não vou lhe machucar – seu rosto estava encoberto, ele então retira o tecido do seu rosto, quando então eu vejo quem era! — Jarom

— O que você está fazendo aqui? Você quer morrer? – Ele então dá de ombros.

— Eu vim aqui te buscar, está tudo arrumado, vamos para Jerusalém, vamos fugir, eu soube o que está acontecendo, não vou deixar que nada de mal aconteça a você Aliah!

— Eu tenho uma obrigação com meu Rei Jarom, as coisas não são desse jeito, eu tenho uma obrigação com ele e com nosso Deus, ele que escolheu esse caminho, e eu vou segui-lo.

— Por favor, Aliah, você não sabe o risco que eu estou correndo por apenas estar aqui falando com você?

— Shhhhhh! É Hannah! Ninguém sabe meu nome. Foi o que meu tio mandou dizer, ninguém pode saber da minha origem.

— Vamos Hannah, podemos ir, é a única oportunidade que temos!

— Eu sei, e sei também que isso é errado, por isso vai, vai embora, e não volte, por favor! – Eu dizia com o coração aflito, por causa desse amor louco e imprudente que ele tinha por mim.

Nesta hora uma das moças acordou e o viu próximo a mim.

— SOCORRO... INTRUSO... SOCORRO...

Todos acordaram os guardas imediatamente adentram ao enorme salão ao qual ficava o aposento das moças do poderoso Rei Amir, e tomou meu amigo Jarom pelos braços o arrastando para receber sua sentença.

— É um engano, por favor, me soltem, é um engano... – Ele falava repetidamente, mas nada adiantava.

Harpo logo chegou, e perguntou com qual das moças ele falava, por sorte ninguém ouviu nossa conversa, caso contrário não só ele estaria condenado à morte, mas eu também.

— Coitada dessa moça, ter seu amado enforcado, chega a ser uma desgraça, esse moço, coitado não sabe o pecado que cometeu ao entrar nos aposentos das moças do Rei, sua sentença é nada mais do que a morte... – Dizia Harpo.

— Coitado desse casal desafortunado. Ele por entrar aqui e ela por ter que assistir a morte do seu amado. – Comentava Semira. –

Não era com você que ele conversava, Hannah? – Ela emenda tirando de mim o resto de fôlego que ainda havia em mim.

— Não. – é tudo o que sai de mim, um não bem forçado que escondia um choro, uma angústia e uma dor.

— Tem certeza? Porque eu jurava ter ouvido falar seu nome... – ela emendava ainda me acusando.

— Chega de papo – Dizia Harpo. – Todas pra cama, já!

Eu segurava minhas lágrimas, meu desespero, pelo destino cruel que esperava por Jarom, se eu pudesse fazer algo por ele, certamente eu o faria, mas agora ele estava condenado por minha causa, por causa do comportamento imprudente que ele teve.

Era o fim, eu estava me afogando naquele momento, eu estava simplesmente petrificada, principalmente pela desconfiança que recaia naquele momento sobre mim.

O resto da noite se passou tranquila, e eu chorava calada de baixo dos tecidos finos, a noite foi longa e triste, não que eu sentisse realmente algo por Jarom, mas ele era um amigo, e eu gostava dele do meu jeito, mas gostava e a última coisa que eu queria que acontecesse é que ele se arriscasse dessa forma por mim.

O resto da semana se passou e não tive notícias de Jarom, o que todos sabiam é que ele esperava nas masmorras pelo seu julgamento. E isso apenas poderia ser feito pelo poderoso Rei Amir. Eu orava ao meu Deus de dia e de noite para que da mesma forma que libertou diversos dos seus servos, também me libertasse.

Deus há de ser fiel ao seu servo, eu sei que sim, era o que eu me falava de dia e de noite, minha orações eram intensas, caladas, secretas, de sentimento, íntimas entre eu e o meu Senhor!

Os dias se passavam cada vez mais distantes, o Rei voltará de onde quer que ele tenha ido, já se fazia uma semana e a cada noite uma das moças era chamada aos seus aposentos.

Eu estava ainda nervosa com a ideia de estar sendo punida pelo que aconteceu na noite em que fui chamada aos seus aposentos. Sei que fui ousada demais, mas eu tinha princípios, se eu os esquecesse naquela hora que tipo de pessoa eu seria?

Duas semanas se passaram e tudo o que eu ouvia no jardim do palácio era como o Rei Amir era gentil, e forte, e Ah...

Meu ciúme era aparente, eu não queria admitir, naquele dia algo dentro de mim gritou, gritou dizendo que eu o amava que ele poderia ser uma pessoa boa, diferente do que todos falavam.

Mas eu não queria ficar em uma casa diferente, junto com todas essas mulheres que também já se deitaram com ele, como se eu fosse uma jóia dentro de uma caixinha, esperando para ser usada a hora que ele bem entendesse.

Eu sei que esses eram os costumes, mas eu queria mais do que isso, não queria apenas passar noites com ele, eu queria a sua atenção, seu carinho, conversar, e porque não ajudá-lo?

Eu queria poder dizer que quando eu o vi pela primeira vez, tudo dentro de mim gritou, mas não foi bem assim, algo falou para tomar cuidado, sim.

Amir com certeza era capaz de coisas, que sinceramente eu acredito que até Deus duvida, suas crueldades eram conhecidas em todo o reino, e certamente eu não queria provar delas.

No dia em que entrei na sua presença, eu não pude evitar falar, pois era tudo o que eu poderia fazer, eu simplesmente poderia insultá-lo e há essa hora estar enforcada, ou degolada, ou estuprada e enforcada e depois degolada, ai meu Deus esse pensamento me dá um nó na garganta.

Certamente eu serviria de exemplo de algo que não deve ser seguido, longe de eu querer algo do tipo.

Porém eu gostava da ideia de me ver falando tudo o que estava entalado na minha garganta. Eu sei que você deve estar falando, mas que estupidez, apenas fale que você gosta dele e que quer ficar ao seu lado não ser deixada como as outras mulheres.

Mas as coisas não são desse jeito, eu posso dar a ideia de ser uma mulher corajosa, mas no fundo, no fundo, eu sei que algo mais lá na frente vai acontecer. Ah sim, com certeza vai acontecer, apenas espere e você verá!

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Não se passou muito tempo e eu fui surpreendida quando tomava meu banho de rio, os guardas do palácio junto a Harpo me esperavam nas margens.

O Rei queria me ver!

— Vamos Hannah, você tem que trocar de roupas para um piquenique com o poderoso Rei Amir, ele lhe espera. – Dizia Harpo com minha toalha em suas mãos.

— O que? Eu? Não é possível, faz semanas que ele não me chama, eu já tinha perdido as minhas esperanças, provavelmente ele deve ter enjoado dos seus outros brinquedinhos.

— Vamos menina, você não pode deixar o Rei esperando, vamos lhe trocar agora mesmo. – dizia ele enquanto me enrolava na toalha que estava em suas mãos.

— Não tem mesmo como discutir com você não é? – Eu falo sorrindo ligeiramente para ele.