Notas iniciais
Bom, o que dizer, depois de tempos eu voltei! espero que gostem do novo cap. beijos!

A vida é frágil como o cristal que quando cai se desfaz em mil pedaços, sendo impossível de se juntarem novamente, no entanto não somos cristais, nossa matéria prima é o barro, somos modelados de acordo com a vontade do Nosso Criador, a vida é mais leve do que a pena que cai e é guiada pelo vento, que recai sobre a relva. Assim somos nós nas mãos de Deus.

Eu sinceramente queria muito pular esta parte da história, sim, não foi o melhor momento da minha vida, sei que há coisas que talvez queiramos apagar da nossa mente, mas quem seríamos nós sem nosso passado?

Os erros cometidos nos fazem ser quem somos, nossas escolhas nos fazem a nós mesmos, nos definem. Não me orgulho de algumas escolhas que fiz, mas elas formaram o meu caráter, e eu me orgulho de quem eu sou!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Harpo separou rapidamente um vestido do mais puro linho branco que existia no reino, alguns véus na cor azul que cobriam meus cabelos que foram secos tão rapidamente que nem eu acreditei.

—Vamos menina, você não pode deixar o Rei esperando. – Apressou-me Harpo.

Então depois de me arrumar eu segui com Eunuco e alguns guardas até a sala do trono. Quando eu o vi, fiz uma breve reverência, ele estava diferente, sua feição estava rígida. Dentro de mim meu coração batia feito tambor em dia de batalha, havia alguma coisa errada, eu podia sentir a tensão no ar.

— Me acompanhe, vamos dar uma volta, quero lhe mostrar uma coisa – Disse-me o rei Amir secamente.

Ele então me guiou entre os longos corredores do castelo, atrás de nó ouvia-se os passos pesados de seus guardas, todos estavam tensos, eu sabia que algo havia acontecido, minha garganta estava seca, o tilintar das pulseiras e das armaduras pesadas me causavam calafrios, ninguém ousava dizer nada, o silêncio era sepulcral. Ele caminhava ao meu lado, mas era como se não estivesse ali, seus pensamentos estavam longe, alguma coisa o tinha mudado e eu não fazia ideia do que seria.

Paramos beirando o mural do corredor que dava a uma ponte que ligava à ala leste do castelo, então eu pude ver no alto sobre lanças diversas cabeças humanas de um lado, e do outro corpos crucificados, ouvia-se alguns ainda gemendo murmurando para que a morte chegasse o mais breve possível, toda aquela dor e sofrimento ornava a nossa passagem, então eu pude ver a cabeça de Jarom espetada em uma das lanças, e não consegui me conter.

Paramos.

— NÃOOOOO.... – Não consegui conter o grito desesperador que me tomou no momento em que meus olhos se depararam com um dos meus melhores amigos, então eu vi toda a crueldade que poderia possuir aquele homem. Minhas pernas se enfraqueceram e eu fui ao chão.

— Olhe aquele era chamado de Jarom, você deve se lembrar dele Hannah – então eu senti a raiva nas suas palavras.

— Olhe e saiba o que acontece com traidores, eu dei uma morte justa a ele, fui piedoso.

Eu simplesmente não conseguia olhar, mantive minha cabeça baixa, meu coração se partiu em mil pedaços, a imagem daquele Rei bondoso se desfez naquele momento.

— Levante a cabeça e olhe pra ele – ele ordenou, eu não pude recusar aquela ordem, eu temia pela minha vida.

Pude então ver ao lado de Jarom os guardas que faziam a ronda naquela noite. Lágrimas escorriam dos meus olhos, eu me perguntava como alguém podia ser tão cruel.

— Por quanto tempo terei que olhar Vossa Majestade? – disse tentando manter a voz firme e esconder as lágrimas que não cessavam em escorrer pelos meus olhos.

— O suficiente para que saiba que nada passa despercebido por mim, lembre-se que não haverá próxima vez, se acontecer de novo, não será a cabeça de um amante que eu colocarei na ponta de uma lança, mas entregarei a sua cabeça a sua família pessoalmente.

— Mais alguma coisa Soberano Rei Amir? – disse em um tom debochado, eu não pude conter a raiva que saia de mim.

— Dizem que um homem honrado não pode bater na sua donzela – ele então fez um gesto para seu guarda, que de pronto se colocou a minha frente erguendo-me ele me surrou duas vezes na face para que eu caísse novamente ao chão.

Então eu pude sentir o gosto do sangue encher a minha boca, e o calor do líquido vermelho escorrer pelos meus lábios. Ele olhou brevemente para mim, seus olhos foram de raivosos a ternos em questão de segundos e então entraram em um estado que eu nunca havia visto antes.

— Se me permite, soberano, que crime cometeu aquele homem se não o de tentar resgatar sua melhor amiga das mãos de um Rei tirano e visivelmente sádico e cruel – e quando eu me dei por mim as palavras já tinham saído da minha boca, logo eu acrescentei – me perdoe, não devia ter dito nada.

Eu engoli aquele líquido com gosto de ferrugem, fechei os meus olhos e esperei a próxima pancada, mas ela não veio, eu ainda estava de joelhos ao chão senti-me segura para abri-los apenas quando senti as mãos fortes de seu guarda me levantando novamente.

Porém tudo o que eu pude ver foi ele tomando um caminho diferente daquele por onde tínhamos vindo, Amir não disse uma palavra, apenas se foi.

O choro que eu havia segurado veio à tona naquele momento, e eu não conseguia parar de soluçar, eu pude ver o olhar de compaixão daquele homem que estava ao meu lado.

— Vamos, não chore, deixe que o desespero lhe vença, o rei certamente irá lhe perdoar em algum momento. – ele me disse estendendo-me um pequeno pedaço de pano em meus lábios para estancar o sangue que ainda fluía.

Então fui guiada novamente pelos guardas do Rei à Casa das mulheres.

Quando entrei pelas portas todas as concubinas do rei estava a me olhar, então notei o quão horrível devia ter ficado o meu rosto, me apressei a deitar em meus aposentos e disfarçar baixinho o meu choro.

Logo apareceu Harpo, ao me ver sua feição de alegre foi a espanto.

— Pelo criador, Hannah, o que houve com você? – ele apressou-se a dizer sentando-se ao meu lado.

— Tragam-me uma bacia com água e panos limpos – gritou para os criados.

— Eu estou bem Harpo, por favor eu quero ficar sozinha – implorei.

— De maneira alguma, isso deve ser resultado dessa sua língua afiada, alguma hora você vai acabar se matando se não controlar o que fala menina. – Ele me disse.

Logo uma das servas apareceu Harpo com muito cuidado tentou amenizar a ferida que se abriu em meus lábios, mas a ferida que havia se aberto em meu coração, ele nunca conseguiria dar jeito.

Os dias se passaram, todas as outras meninas começaram a murmurar sobre o que realmente teria acontecido naquele dia, fofocas começaram a se espalhar pelo castelo, e as minhas esperanças em ter o coração de Amir apenas pra mim era algo que havia ficado em outro mundo completamente diferente.

Três semanas haviam se passado desde o dia em que Amir havia mandado assassinar Jarom, a mágoa que havia entre nós era algo que eu provavelmente nunca iria superar, Jarom foi um dos meus melhores amigos, em algum momento eu havia amado Amir, mas isso era passado, tudo o que eu sinto nesse momento é rancor, e tristeza.

Era final de tarde de um dia calmo no palácio, eu estava em algum lugar escondida no jardim, fazia minhas orações ao Deus de Israel em silêncio quando Harpo resolveu me interromper.

— Hanah, o rei pediu que você leia para ele esta noite.

—Porque eu? – eu indago

—Melhor não contrariar, você sabe o que houve da última vez que uma mulher desagradou o rei negando comparecer quando chamada.

Eu apenas tive que concordar, e a essa altura as coisas não podiam piorar mais. Se ele queria a minha presença, ele a teria, mas, se a minha presença iria ser algo agradável, isso já é outra história.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.