Para Sempre Rainha
4 Cap. 04
Notas iniciais
Muitas vezes procuramos mapas que simplifiquem as rotas das vias mais tortas que pretendemos seguir, muitos dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, mas eu não acredito nisto, ele é sábio demais para isso, eu acredito no livre arbítrio, acredito que deveríamos traçar nossa própria rota, nosso destino a pena certamente deveria estar em nossas mãos.
Eu queria ser livre, estar livre, queria provar do amor de um homem sábio, um que acima de tudo fosse temente ao meu Deus, ainda me lembro do que meu primo dizia: você está destinada a grandes coisas Aliah, Deus tem um propósito lindo nos teus caminhos, ouça a sua voz, siga seus caminhos, guie-se pela sua palavra, revista-se da sua força e caminhe, porque é tudo o que podemos fazer... Caminhar trilhar nosso caminho independente de qual seja ele, de pedras, areias, abismos, crateras, nós estamos sujeitos às suas vontades.
Eu sei que às vezes parece ser meio clichê e repetitivo, mas o amor não é assim? Quantas vezes nos pegamos pensando em uma pessoa quando tudo o que nossos corações querem é estar ao lado de quem amamos?
Sinceramente gostaria de falar-lhes o outro lado da história, ah sim, existe outro lado, Amir não era de todo um cavalheiro, quem dera se os homens fossem assim.
Como Rei ele era altivo e piedoso, mas até certo ponto, sim é claro, quando se diz respeito ao seu reino ou qualquer tipo de ameaça ele era brutal, as mulheres que o rejeitavam ele entregava a seus oficiais, e isso era pior do que a morte para uma virgem.
Diversos casos de abuso eram motivos de fofocas entre as mulheres, o medo estampava o rosto de muitas.
Então de repente eu tenho a certeza dentro do meu coração de que eu estarei enfrentando o desconhecido.
Naquela época era comum, mulheres serem trocadas e vendidas como animais em uma carroça, você ficou inconformado (a)? Imagine como eu fiquei! Sim, mulheres ousadas e que tinham opinião, tinham destinos trágicos, e em sua grande maioria ou acabavam mortas (decapitadas), ou sem língua, eu deveria imaginar que não deveria viver muito, eu tinha uma personalidade forte, diferente das demais moças da minha época!
Mas Continuando...
Fui acompanhada pelos guardas do palácio até a casa das mulheres pouco tempo depois de estar com o poderoso Rei Amir, pensar nele, em suas palavras me faziam sentir calafrios pelo corpo, era como se eu estivesse com frio sem o senti-lo, ter palpitações no coração sem ter nenhuma doença, era algo novo algo que eu nunca havia provado em toda a minha vida.
Quando cheguei, todas as moças ainda estavam de pé, e correram apavoradas perguntando o porquê havia sido mandada de volta, mas eu ainda estava em transe com tudo o que havia acontecido a poucos momentos atrás.
— O que aconteceu menina, o Rei não gostou de você, porque ele te mandou de volta? – dizia Harpo, chefe da casa das mulheres balançando – ele vai mandar cortar minha cabeça, pelos deuses!
Todas estavam assustadas e temerosas por mim, e eu deveria estar também, não é qualquer pessoa que tem a coragem que eu tive, de desafiar o rei considerado o mais perverso de toda a Pérsia, exceto pelo fato de que ele aceitou como se fosse um desafio.
— Desembucha logo menina, conta o que aconteceu! – Emenda Semira uma das concubinas mais antigas do reino.
Ele me perguntou se eu queria passar a noite com ele e eu disse que não! – Eu respondo me sentando em uma das espreguiçadeiras.
— Você disse o que? Ai meu Deus! – Harpo agora estava desesperado.
— Calma, ele disse que iria me conquistar se era isso que precisasse ser feito para eu me deitar com ele! – eu explico me recordando ainda das suas palavras.
— Nossa nunca vi um rei tomar uma atitude dessa, ele deve ter gostado mesmo de você Aliah. – dizia Harpo.
Naquela noite foi difícil dormir, minha cabeça não me dava um segundo de tranquilidade, tudo o que eu conseguia pensar era nele, no que ele significava para mim.
Nas sombras que havia no quarto eu via seu rosto, eu fechava meus olhos e sua face resplandecia em meus pensamentos, ele queria me conquistar, e mal sabia ele que já havia me conquistado há muito tempo.
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Os rumores de guerra ecoavam nos corredores do palácio e até na casa das mulheres ouvia-se, o grande rei Amir decidirá enfrentar e tomar para si a Grécia, ele já reinava sobre grande extensão territorial, agora queria conquistar o mundo, ele era altivo e forte, suas estratégias esmagadoras, e agora com esses rumores, duvidava eu de que o veria brevemente.
Minha cabeça não parava um segundo sequer de pensar no meu Rei, no meu Senhor, eu o desejava, mas tudo em mim dizia para me afastar dele, para correr e ir ao lugar mais longínquo que existisse na face dessa terra, mas esse não era o meu desejo.
No dia seguinte ao acordar deparei-me com uma pilha enorme de papiros ao lado de minha cama, presente do rei Amir, pra minha felicidade eram histórias do meu povo, dos hebreus. Eu regozijava de alegria, meus olhos se encheram de lágrimas quando minhas mãos ainda estavam trêmulas quando tocaram tamanha preciosidade.
As outras moças rodeavam-me invejando o presente enviado pelo, (suspiro) meu rei... E então cada vez que eu tocava aqueles pergaminhos era como se meus dedos deslizassem sobre a pele do meu Senhor.
O dia se passava tão vagarosamente, já era tarde e eu estava deitada sobre um dos mantos da mais pura lã no jardim da casa das mulheres, meus pensamentos voavam como pássaros livres nas manhãs de sol, a leitura de histórias tão maravilhosas que eu sequer pensei um dia poder ler me fizeram flutuar como uma pena através das árvores que me rodeavam.
No lago à minha frente se banhavam parte das outras moças, e então por um segundo meus olhos se perderam em um vazio que há muito tempo eu não sentia, solidão... Isso me incomodou, eu queria mais de um homem que eu havia simplesmente tentado ignorar, eu queria mais dele, do meu Rei, dei-me conta que eu queria ser a única, ser sua rainha, sua amante, sua concubina, e mesmo assim ainda seria nada!
Dias se passaram e não haviam mais noticias sobre onde o Rei se encontrava, ele não havia chamado nenhuma de suas concubinas, se espalhava pelo castelo a história de que o Rei havia partido para a guerra, em seu lugar estava Ramon, um dos seus conselheiros mais leais, e sobre este ecoavam boatos de que nenhuma virgem estava a salvo quando seus apetites sexuais aflorava em sua pele.
Certa noite ecoaram gritos sobre a calada da noite e no dia seguinte deu-se falta de uma das virgens reservadas ao Rei, o palácio não era seguro sem a presença do meu Senhor. E na noite seguinte mais gritos, e seguiu-se assim por longos dias, nossos banhos de sol no jardim já não aconteciam mais, Harpo escondia em suas palavras angústia, ressentimento, eu podia sentir que algo estava errado.
Então eu soube o que era quando na calada da noite uma mão forte e potente encobriu meus lábios e olhos negros e ferozes me consumiram, e não eram os olhos do meu Rei...
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