Notas iniciais
Depois de Meses eu voltei.... mais um capitulo pra vocês espero que gostem... Boa leitura!

Há uma confusão muito grande entre o amor e paixão, eu nunca havia provado nenhum dos dois a não ser esse sentimento de inquietação que vem de dentro.

Meu coração batia cada vez mais forte, eu temia pela minha vida, temia pelo amor que eu nunca poderia sentir. Nas minhas lembranças morava a imagem imaculada daquele deus, o rei dos meus sonhos estava atrás das cortinas que nos separavam.

Harpo segurava a minha mão, eu tremia mais do que de costume, o meu medo era aparente, o sentimento de revolta, de dor se estampavam em meu rosto, quando lágrimas escorreram dos meus olhos Harpo simplesmente me deu um empurrãozinho forçando-me a presença do poderoso Rei Amir.

Eu o vi desaparecer atrás de mim e soube quando eu estava sozinha pelo som que ecoava das enormes portas de mogno puro quando foram fechadas.

Eu me curvei assim como haviam me ensinado, minha cabeça estava baixa coberta por um dos véus mais lindos que havia no harém do Rei. Seus passos pesados se aproximavam de mim, meu corpo tremia conforme aumentava a sua proximidade.

— Peço que me tragam uma concubina e me trazem uma serva? – Ele diz olhando para mim, uma criaturinha insignificante abaixo dos seus olhos.

— Ora meu Rei, o que é uma concubina, se não nada mais do que uma serva sua? – e quando me dei conta das palavras, já havia saído de meus lábios.

— É isso o que pensam as concubinas? – Ele agora está na minha frente – Espere, você não é aquela que leu para mim outro dia, tentou me enganar com histórias de amor, achou que eu não podia interpretar uma simples parábola? Foi arrogância falar comigo como se eu fosse aquela simples Raquel que precisa de ajuda como as ovelhas de meu pai.

— Meu Senhor, eu não quis... – ele então me interrompe.

— E é assim que vem me ver? Seu único adorno é um simples colar, antes de ter uma noite com um Rei?

— Sim, Vossa Majestade.

— Considera-se tendo tão pouco valor, que posso comprar seu amor por tão pouco.

— Eu aprendi que quando se visita um Rei, antes de esperar um presente, deve se levar um para colocar aos seus pés. – Então eu retiro meu colar e estendo-o em minhas mãos como oferta de paz. – Este é o meu bem mais precioso neste mundo, é meu passado, meu presente e meu futuro e tudo isto é seu.

Ele o toma das minhas mãos com brutalidade e o joga em meio aos pergaminhos.

— Alguns a chamariam de tola assim como chamariam o seu Jacó. De todos os confortos o amor é o mais barato deles, é o mais fácil de se comprar.

— Se está à venda meu Senhor, não é amor. – eu falo indignada com a sua comparação.

— Até você, até você deve ter um preço.

— Eu não sou compradora, nem vendedora do amor meu Senhor.

—Suponha então que um homem lhe ofereça um presente, o mais valioso, um reino.

— O único presente que eu aceitaria seria o seu coração.

— Agora me diga, Hanah de Susã, você ainda não me respondeu, todas as concubinas pensam que são servas minhas?

— Creio que apenas eu meu Senhor. – eu digo desviando meus olhos dos seus que agora fumegavam em um fogo ardente.

— Você não está feliz no meu harém? – Ele me pergunta segurando o meu rosto e forçando-me a olhá-lo nos olhos.

— Não devo mais falar meu Senhor.

— Diga Hanah de Susã, você não está feliz?

— Para ser sincera, eu acho um absurdo a forma em que as moças foram arrancadas de suas casas, na calada da noite, perdemos contato com os nossos entes mais queridos.

—A lei é assim Hanah, o povo deve servir o seu Rei da mesma forma que ele os serve. Veja por outro ângulo, os filhos do Rei serão os filhos do seu povo.

— Não acho uma troca justa. – Eu digo balançando a minha cabeça revendo meus planos de um dia conhecer a minha terra natal, casar-me com uma pessoa que eu ame.

—Quer dizer, que você não está feliz por ter sido trazida ao palácio, e ter a honra de passar uma noite em intimidade com o seu Rei?

— De que me adianta passar uma noite maravilhosa, se amanhã serei jogada como mais uma nos cantos do palácio enquanto você se diverte com tantas outras que mandou sequestrar?

— Você é bem direta com as palavras, não é Hanah? – ele diz não conseguindo disfarçar seu divertimento.

—Por isso que eu disse, era melhor eu me calar!

— Uma mulher que lê, tem fortes opiniões em questões de Estado, Hanah, você me impressiona. Leia para mim. – ele me diz, retirando um dos papiros que estavam em sua mesa.

Eu sentei-me ali e comecei a ler sobre o edito real do Rei Ciro ao qual libertou os Judeus do cativeiro da Babilônia. Quando terminei ele estava ali ao meu lado ouvindo com admiração, seu peito nu reluzia iluminado pela luz opaca das velas que estavam já no final.

— Você não está mesmo feliz aqui Hanah? – Ele diz passando suas mãos pelos meus cabelos.

Meu corpo se arrepiou por inteiro, eu não sabia o que estava acontecendo comigo, ele mexia com todos os meus sentidos.

— Acontece meu Senhor que antes de ser trazida para a Casa das Mulheres eu tinha planos de conhecer a minha terra natal. – eu explico sendo o mais sincera possível.

— Onde é a sua terra, Hannah?

— De que importa isso agora? Eu estou presa aqui nesse palácio, esse agora é o meu destino.

— É assim que você se sente? Uma prisioneira?

— Eu não escolhi estar aqui Senhor, por mim eu já teria ido embora de Susã.

— Você não quer conhecer o amor com o seu Rei? – e então eu decido que não, a ideia de passar a noite com uma pessoa que eu mal conheço, me trazia enjoos, sua personalidade era forte, ele se divertia com a minha inocência, e isso era fácil de perceber.

— O Senhor é quem decide, eu sou apenas uma mulher. – eu digo abaixando-me em uma leve reverência tentando disfarçar o meu desgosto e repulsa.

— Olhe nos meus olhos quando falar comigo Hannah. – Então eu ergo meus olhos e vejo o seu rosto me admirando. – Você quer ou não passar a noite com o Imperador?

— A verdade é que não meu Senhor. Perdoe-me, a minha vontade é de entregar o meu corpo apenas a quem já tiver conquistado o meu coração.

— Muito bem, mandarei você de volta à casa das mulheres.

— Meu Senhor, me perdoe se eu o ofendi. – Eu falo apressando-me a me curvar em sua frente.

— Não sou Homem de fugir de um desafio, se espera que conquistem o seu coração, assim eu o farei, adorável Hannah.

Ele então segura em minhas mãos me levantando, seu rosto parecia sereno e decidido, e por mais breve que fosse o momento eu vi ali um homem admirável e digno de respeito.

Seus lábios então tocaram os meus em um breve contato, ao qual me fez viajar nos lugares mais distantes do universo.

Notas finais
Até o próximo!