Para Sempre Carrossel

30 2° Temp Capitulo 07


Capitulo 07

— Que isso, qualquer um faria o que eu fiz. — Disse Daniel entre uma mordida e outra.

— Não sei se qualquer pessoa faria, sei que você fez. — Disse ela olhando fixamente o garoto. Daniel sentiu o olhar da garota penetrar tão fundo em sua alma que acabou sentindo vergonha.

— Você foi no hospital? — Perguntou ele olhando para o outro lado.

— Não, só descansei mesmo. — Respondeu a garota.

— Ah antes que eu me esqueça, não precisava ter me dado aquele presente. — Disse Daniel.

— Era o mínimo que eu poderia fazer por você, afinal você estragou o seu salvando nada mais nada menos que a minha vida. — Disse Lana

— Já que você insiste tanto. — Disse ele sorrindo – Muito obrigado.

— Que isso, disponha. — Respondeu ela percebendo que o garoto estava envergonhado.

— Todo mundo hoje no colégio estava perguntando por você. — Disse Daniel ainda sem olhar a menina.

— Serio? — Disse Lana sorrindo.

— Pois é. — Disse Daniel dando mais uma mordida no picolé. Lana se aproximou e se sentou mais perto do garoto.

— Iai, vai correr também? — Perguntou o garoto

— Hoje não, só vim conversar com você mesmo.- Respondeu Lana.

— E como sabia que eu estaria aqui? — Perguntou ele

— Digamos que foi um palpite de sorte. — Disse ela sorrindo.

— Você contou pra alguém o que aconteceu ontem? — Completou ela.

— Não, acho que ninguém tem a ver com isso. — Respondeu ele

— É verdade. — Disse ela.

— E não queria que saíssem espalhando fofocas por ai. — Disse Daniel terminando com o picolé

— Daniel. — Disse ela tentando chamar a atenção do garoto. Daniel se virou para atendê-la e novamente foi fulminado pelo olhar da garota.

— O que? — Perguntou ele, não sabia o por que mas Lana estava muito diferente, ela não parecia mas aquela menina confiante de antes e apesar de o olhar diretamente nos olhos, poderia sentir a insegurança da garota. Lana parecia indefesa.

— Se eu te perguntar uma coisa, você me responde de todo coração? — Perguntou Lana desviando pela primeira vez o olhar.

— Claro, sempre falo com todo meu coração. — Disse Daniel

— Você …. gosta...mes. — Dizia Lana quando foi interrompida.

— Vocês dois juntos de novo . — Disse Margarida chegando e sentando entre os dois.

— O que você ia dizer Lana? — Perguntou Daniel.

— Nada não, não era nada de importante. — Respondeu a Lana entortando a boca.

— Vocês andam bem juntos ultimamente não? — Perguntou Margarida enciumada.

— Nada, foi coincidência as vezes que você aparecer, nós estarmos juntos. — Logo se justificou Daniel.

— Sei. — Respondeu Margarida nada satisfeita.

— Bem acho que vou deixar vocês a sós. — Disse Lana dando um leve sorriso.

— Olha já estou pensando seriamente em virar sua amiga. — Disse Margarida sorrindo enquanto Lana levantava do banco.

— Até amanha Lana. — Disse Daniel, Lana apenas acenou com a mão e começou a caminhar, não queria sair dali mas sentiu que deveria deixar Margarida e Daniel conversarem, a pequenos e lentos passos, Lana foi se afastando.

— Voltando aquela conversinha de ontem – Disse Margarida agora focada em Daniel.

— Acho que não tem conversa nenhuma Margarida, não sei aonde você está querendo chegar. — Respondeu Daniel extremamente serio.

— Deve ter uma garota na jogada, duvido que você falaria assim comigo se não existisse ninguém. — Disse ela chegando mais próximo de Daniel.

—Você quer saber.... Tem mesmo, eu estou gostando de uma garota sim. — Disse Daniel desabafando fazendo com que Margarida arqueasse as sobrancelhas.

— Então eu estava certa. — Disse ela sorrindo, olhou para traz e viu Lana ao longe.

— Olha ela é até bonita. — Disse Margarida se levantando.

— Quem? — Perguntou Daniel sem entender.

— Aquela menina que estava aqui agora pouco. — Disse Margarida.

— Não...- Disse Daniel – Ela não.. ela é minha amiga. — Disse se embananando. Margarida sempre teve esse poder sobre ele.

— Olha não precisa esconder não, e pelo jeito que ela te olha, o sentimento deve ser mutuo. — Disse Margarida

— O que?... Não. Espera ai. — Disse Daniel tomando conta do que Margarida tinha dito. — Você tá falando que a Lana está afim de mim? — Perguntou Daniel sorrindo

— Isso é obvio para quem observa. — Respondeu ela chegando mais próximo do garoto – Mas não adianta não, você é meu — Disse ela sorrindo e se aproximando de Daniel.

— Você não toma jeito em Margarida. — Disse Daniel sorrindo, o garoto achou muito engraçado aquela conversa. Daniel tinha certeza que Lana gostava dele mesmo, mas como amigo e Margarida não tinha nem ideia que Maria Joaquina era a dona do seu coração.

O garoto se levantou enquanto Margarida o observava.

— Hey, aonde você pensa que vai? — Perguntou ela

— Embora — Respondeu Daniel sorrindo e deixando Margarida para trás.

— Não fica achando que vai fugir de mim assim tão fácil viu. — Gritou Margarida sorrindo, Daniel acenou com a mão e foi embora.

— Bem agora eu terei que conhecer melhor essa tal Lana. — Disse Margarida.

A semana passou rápido e Lana faltou os dias seguintes, apesar de saber o motivo, Daniel não contou nada do que tinha acontecido. Os demais alunos não se perguntaram, já que ela era extremamente rica, poderia muito bem ter ido viajar ou algo do tipo.


Alicia nem olhava para a cara de Paulo, o garoto estava tendo uma semana difícil mas tentaria resolver tudo na festa junina. Já Davi e Valéria pareciam voltar a boa maré, mais grudados do que nunca.

Jaime apesar do esforço em conquistar Carmem não parava de se atrapalhar e apesar dos olhares que trocavam, Daniel e Maria Joaquina continuaram na mesma.

O grande dia da festa chegou, o colégio mundial nem parecia o mesmo. Havia barracas para todos os lados. Barracas de jogos, de comidas e muitas outras. Os alunos começavam a chegar fazendo com que finalmente a festa começasse.

Laura tinha montado uma super barraca com comidas tipicas. Tinha curau, pamonha, cocada, pé de moleque, cuscuz quindim e a famosa maça do amor.

Cirilo aguardava ansioso a chegada de Maria Joaquina, o garoto acreditava piamente que a garota gostava dele e depois de muito tempo, arrumaria um jeito de conversar com ela.

Perto dali Kokimoto olhava um lindo anel de prata que se encontrava dentro de uma caixinha. O garoto não queria que nada desse errado no momento em que pedisse Bibi em namoro.

Aos poucos, alunos de todas as classes iam chegando, a maioria dos garotos estavam vestidos de xadrez e com bigodes pintados, enquanto as garotas estavam bem maquiadas com pintinhas nos rostos, e tranças nos cabelos .Carmem apesar de prometer uma dança para Jaime, havia sido designada para ser o cupido da festa, entregando as cartinhas do correio elegante.

Não demorou muito e a festa já estava a todo vapor. Davi e Valéria passaram por mais de meia hora andando de barraca em barraca parando para descansar na barraca da Laura.

— Laura, quanto tá a maça do amor? — Perguntou Valéria

— A maça do amor está dois reais. — Respondeu Laura , a barraca estava lotada e todos disputavam os quitutes.

—Me dá duas. — Disse Davi pegando a carteira do bolso.

Enquanto isso Daniel chegava a festa. Logo que Carmem o viu, foi falar com o garoto.

— Com licença, você que é o Daniel? — Disse ela brincando.

— Creio que sim. — Respondeu ele entrando na brincadeira.

— Bem tenho algumas cartinhas pra você. — Disse ela tirando umas vinte cartas da cesta.

— Credo... Isso tudo. — Disse Daniel.

— E olha que é só o começo da festa. — Respondeu Carmem que logo avistou outro destinatário.

— Bem deixa eu ir. — Disse ela acenando e saindo ali de perto e deixando Daniel lendo as cartas.

O garoto logo percebeu que não conhecia nenhuma das garotas que lhe enviaram os recados.

— Vejo que continua bem popular. — Disse uma voz feminina que Daniel conhecia a tempos.

— Só não vi a sua carta aqui. — Disse Daniel zoando enquanto Margarida se aproximava.

— Ah, não preciso mandar carta, o que eu tenho que falar pra você eu falo pessoalmente. — Disse ela se aproximando do garoto.

— Maria Joaquina. — Disse Daniel quando viu a patricinha chegando com Jorge. Margarida não gostou muito do garoto prestar atenção em Maria Joaquina.

— Daniel. — Disse Alicia chegando correndo.

— O que foi? — Perguntou Daniel sem entender a afobação da garota. Margarida olhou a garota com desdem.

— Acho que com a sua ajuda, nossa barraca engrena. — Disse Alicia quando Marcelina e Bibi chegavam.

— O que eu não faço pelas minhas amigas. — Disse ele enquanto as três garotas o puxavam. Margarida permaneceu ali estática, apesar de estar interessada no que as três queriam com ele, resolveu dar uma volta pelas barracas antes de procurar por Daniel.

Assim que Maria Joaquina chegou na festa, logo procurou com os olhos por Daniel, em um primeiro momento a garota ficou triste já que não encontrou o menino. O que animava ela é que certamente ele estaria lá.

— Que festinha mais chinfrim. — Disse Jorge com ar de superioridade. Maria Joaquina nem se dava mais ao trabalho de dizer algo, aqueles comentários a deixavam cada vez mais perplexa com a quantidade de tempo que ela demorou para ver quem Jorge era.

— Quer algo para comer? — perguntou o garoto quando seu celular tocou. Maria Joaquina percebeu que o garoto pareceu muito nervoso assim que viu o leitor do celular.

— Com licença amor. — Disse ele se afastando um pouco, Maria Joaquina ficou com um pé atrás com aquilo e resolveu chegar mais perto para escutar o que ele falava.

Enquanto isso, Mario observava Alicia que juntamente com Bibi e Marcelina, puxavam Daniel , ficou meio sem entender aquilo mas tinha certeza de uma coisa, mais tarde tentaria colocar seu plano em pratica.

— Droga, por que eu tinha que ser pego. — Dizia Adriano enquanto seguia Margarida de longe. — Aquela Lana é muito perigosa mas por que será que ela me mandou observar a Margarida?? — Se perguntava Adriano.
Paulo demorou um pouco para chegar na festa, tinha ficado um bom tempo pensando no que fazer para convencer Alicia de que tudo aquilo não passava de um engano. Enquanto isso, Jorge conversava com alguém que não parecia estar tão mal.

— Mas mãe, eu não quero viajar pra Nova York agora. — Disse ele.

— Não mãe , a escola não é problema, você sabe que só tiro notas boas. — Continuou ele quando Maria Joaquina se aproximou do garoto.

— Ta bom mãe, tchau. — Disse ele desligando o celular. Quando o garoto se virou, tomou o maior susto vendo Maria Joaquina ali perto. — Desde quando ela estava ali? — Se perguntou ele.

— Com quem você estava conversando? — Perguntou ela.

— Eh, Ah, com, com a , com a Maitê. — Disse ele não muito confiante.

— Maitê? Quem é essa? — Perguntou Maria Joaquina.

— Ah, a Maitê … é.. a Maitê é a … minha agente de viagens, terei que viajar para Nova York hoje, acho que nem vai da pra mim ficar aqui. — Disse ele.

— Achei ter ouvido outra coisa. — Disse Maria Joaquina arqueando uma das sobrancelhas.

— Ah impressão sua, com esse barulho nós nos confundimos mesmo.

— Sei. — Disse ela, tinha quase certeza do que tinha escutado e depois tiraria aquilo a limpo.

—Você vai ficar muito triste se eu te deixar aqui ? — Perguntou ele

— Claro que não, mas o que vai fazer em Nova York. — Perguntou ela

—Ah, negócios da família. — Disse ele dando um beijo na testa da garota e saindo. Apesar de tudo, Maria Joaquina se sentiu feliz por não ter que aguentar Jorge.Enquanto isso.

— Ah não, eu disse que ajudaria vocês mais isso é demais. — Disse Daniel.

— Ah Daniel, por favor se você fizer isso a barraca vai faturar um dinheiro legal. — Disse Alicia tentando convencer o garoto.


— Não vai dar certo. — Disse ele olhando para a barraca. No mesmo momento Kokimoto conversava com Jaime.

— Estou muito nervoso cara. — Disse Kokimoto que sentia suas mãos suando.

— Calma, vocês se dão bem, tudo vai dar certo. — Disse Jaime depois que Kokimoto contou toda a historia.

— Falar é fácil. — Disse Kokimoto quando Bibi se aproximou.

— O que é fácil? — Perguntou Bibi se sentando perto do garoto.

— Posso falar com você a sós? — Perguntou Kokimoto.

— Claro. — Disse ela saindo com o garoto. Kokimoto ainda se virou e fez sinal de ok com as mãos.

— É tão fácil falar dos sentimentos com outras pessoas mas quando é com a gente as coisas mudam. — Disse ele coçando a cabeça.


Neste momento Lana chega a festa, a garota olha tudo em volta e da um leve sorriso.

[Continua]