Para Sempre Carrossel

28 2° Temp Capitulo 05 1/2


Capitulo 05 1/2

—Margarida, preciso ir. — Disse Daniel.

— Mais já. — Disse ela se aproximando de Daniel, colocou os braços em volta do pescoço do garoto o olhando firmemente nos olhos.

— Margarida, para. — Disse ele com um tom muito serio.

— Que tal fingir que nunca sai da sua vida? — Perguntou ela com um sorriso malicioso.
— Você sabe que não sou bom com fingimentos. — Disse ele se desvencilhando e começando a se afastar da garota.

— Você não mudou nada. — Disse ela sorrindo enquanto Daniel se afastava.

— E você também não. — Disse Daniel acenando com a mão, logo o garoto andava apressadamente rumo ao parque.

Quando o seu celular tocou minutos atrás, Daniel percebeu que não tinha devolvido o dinheiro de Lana. Voltaria ao parque, talvez a garota precisasse do dinheiro. Daniel preferiu pegar um atalho que passava por uma ponte, o garoto estava andando mais rápido de costume, não só por que queria devolver o dinheiro mas também por causa da chuva que caia.

Quando Daniel estava próximo do lago, viu alguém sentado na beirada da ponte, de repente um transformador de energia estourou ali perto.Foi um barulho forte e logo em seguida o garoto ouviu o som de algo caindo na água. Na mesma hora Daniel começou a correr. Vários quarteirões estavam agora no escuro e Daniel só escutava agora o som da chuva. O garoto chegou na beirada da ponte para tentar visualizar algo mas devido a queda de energia era muito difícil.

Apurou a visão o máximo que pode, e enfim conseguiu ver que alguém estava lá no rio e parecia não se mover. O garoto rodeou a ponte e desceu por um barranco que levava ao lago. Teria que ser rápido para salvar quem quer que fosse. O garoto pulou no lago com roupa e tudo e apesar de não ser o melhor nadador da turma, era bem rápido.

Daniel não demorou mais que alguns segundo para chegar no corpo que estava parado no meio do lago. Ao ajeitar a pessoa para que pudessem sair dali, percebeu que era o corpo de uma garota.

Nadou o mais rápido que pode de volta para a margem e com um pouco de esforço, colocou a garota virada para cima, deitada de costas. Não era possível visualizar o rosto mas Daniel chegou próximo e tudo indicava que a pessoa não respirava. O garoto apertou as narinas da garota e começou a fazer uma respiração boca a boca. A garota não respondeu a tentativa então Daniel arregaçou as mangas e colocou suas mãos sobrepostas sobre a metade inferior do externo.

Comprimiu com vigor por cinco vezes para então voltar a fazer o boca a boca. Daniel repetiu o ciclo de massagem cardíaca mais uma vez e quando estava fazendo o boca a boca pela terceira vez, a garota enfim respondeu, restabelecendo sua atividade cardiorrespiratória.

Daniel respirou aliviado e deixou seu corpo cair ao lado do da garota. Mesmo fazendo atividades físicas regularmente, o garoto sentiu a pressão de agir o mais rápido possível para salva uma vida e se sentiu extremamente cansado.

— O que aconteceu? — perguntou a garota depois de alguns minutos. Daniel sentiu que aquela voz lhe era familiar mas ainda estava muito escuro para ver o rosto da garota.

— Eu que deveria fazer essa pergunta. Como você foi parar desacordada no meio do lago? — Perguntou ele olhando para o céu enquanto a chuva molhava sua face.

— Ultima coisa que eu lembro é que eu estava na borda quando me assustei com um barulho. — Respondeu a garota

— Você teve sorte que eu estava indo para o parque aqui perto. — Disse Daniel quando a garota reconheceu sua voz.

— Daniel??? — Perguntou ela.

— Você me conhece? — Perguntou Daniel quando a energia voltou , primeiramente fraca mas depois com toda sua força. Só ai Daniel percebeu que a garota que ele tinha salvado era Lana. O garoto olhou para o lado e reparou que Lana já o olhava. Ambos ali deitados na margem do lago enquanto a chuva caia.

Lana não sabia bem o que dizer, pela primeira vez na sua vida, se sentiu completamente indefesa e constrangida. A garota fechou os olhos, sua cabeça doía um pouco, mas o motivo de ter fechado os olhos era a vergonha repentina que estava sentindo de Daniel.

O garoto se levantou um pouco e ficou sentado, tirou o dinheiro do bolso. Apesar de molhado, não tinha sido danificado, ao contrario de seu celular. Lana também se sentou mas agora não olhava mais Daniel.

— Vamos, eu te levo em casa. — Disse Daniel lhe entregando o dinheiro todo molhado. A garota pegou o dinheiro e guardou se levantando sem encarar Daniel.

— Vamos. — Respondeu ela. O garoto lhe estendeu a mão para ajudá-la a subir o barranco. Lana sentiu um arrepio assim que tocou a mão do garoto, algo nunca antes sentido. Enquanto caminhavam rumo a casa da garota, Lana não falava um piu.

— Lana, que ideia foi essa de ficar na borda da ponte? — Perguntou Daniel em tom de reprovação. — Se eu não estivesse por perto talvez você estivesse morta agora. — Completou o garoto.

Depois de um tempo andando enfim chegaram a porta da casa da garota.

— Bem, acho que você deveria ir a um hospital para ter certeza que está tudo bem. — Disse Daniel.

— Não precisa, estou me sentindo bem. — Disse ela olhando para o chão.

— Então até amanha. — Disse ele se virando.

— Daniel. — Disse Lana agora o olhando, a garota queria dizer algo mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Daniel sorriu e voltou a caminhar, a chuva que antes lhe fazia tão bem, lhe proporcionava uma nova sensação, algo diferente. Lana se virou e entrou na casa.

A caminho de casa Daniel se viu parado de frente a casa de Maria Joaquina. As luzes do quarto da garota estavam apagados e o garoto a imaginou dormindo.Sorriu para si mesmo enquanto a chuva acariciava seu rosto.

— Seja do que for que nossas almas são feitas, a dela e a minha são iguais! — Disse Daniel relembrando um livro que lera alguns dias antes. Retornou sua caminhada rumo a sua casa e la chegando, se desmontou em sua cama de tanto cansaço.

A chuva não parou até amanhecer.

[Continua]