Para Sempre
44 França
Notas iniciais
POV FINN
França. Como não pensei nisso antes. Havia sido mais burro do que sou. Rachel havia me falado sobre a França e eu nem sequer me lembrei disso. Estava arrumando minha mala quando senti algo segurando minha calça, olhei para baixo e vi Belle com um bico enorme no rosto, agachei e a peguei no colo, ela escondeu o rosto em meu pescoço.
– Meu amor, o papai tem que ir — disse e ouvi ela fungar, igual Rachel — o papai vai buscar a mamãe e promete voltar logo e com ela junto — disse e ela afastou o rosto, seus olhos estavam cheios de lágrimas — não fica assim meu bebê — disse sentindo o coração apertar.
– Ela está com medo de que algo aconteça — ouvi a voz de Santana e me virei, ela estava parando na porta, com os braços cruzados sobre o peito.
– Como assim? — perguntei confuso.
– Finn, ela é uma criança, pode parecer que ela ainda não saiba sobre muita coisa, mas ela sabe, ela sente a tensão que tem no ambiente, ela está sentindo o quão tensa eu e o Puck estamos por você estar indo para a França — ela explicou e soltei o ar.
– Sant, vai dar tudo certo — eu disse não tão convicto.
– Finn, e se a Rachel não estiver lá e se o Brody tiver levado ela pra outro lugar? — ela perguntou e fiquei em silêncio, sem ideia do que dizer — e se ela estiver lá, mas o Brody fizer algo com você ou a Rachel? O que vai ser da Belle? — ela perguntou e senti o pânico passar pelo meu corpo, tentei não mostrar meu nervoso e coloquei Belle no chão.
– Eu nunca vou saber se não tentar Sant, eu preciso ir, eu não aguento mais ficar sem a Rachel, sem poder toca-la, e sentir sua presença ao meu lado, eu preciso ir atrás dela — disse e voltei a arrumar minha mala, ouvi ela bufar e logo alguns passos dela se afastando, olhei para Belle no chão e ela brincava com o cadarço do meu sapato, fechei a mala e a peguei no colo — eu vou trazer a mamãe de volta filha, prometo — disse e sei um beijo em sua testa, peguei minha mala com a outra mão e desci as escadas, vi que todos estavam lá, nossos amigos, meus sogros e meu pais, percebi que minha mãe tinha um cara estranha, parecia estar angustiada.
– Tem certeza que quer fazer isso Finn? — Kurt perguntou e senti a cabeça de Belle no meu pescoço novamente.
– Sim, eu preciso ir até lá — disse, Santiago e Mark se sentaram no sofá abrindo alguns papéis, coloquei a mala no chão e me sentei no sofá também, ainda com minha filha no colo.
– Eu não lembro onde é está casa — Santiago disse e senti o desespero novamente voltar a passar pelo meu corpo — porém, Brody é bastante conhecido nesta cidade e podemos perguntar onde é a casa — ele disse e sorri aliviado.
– Vocês conseguiram as passagens? — perguntei.
– Não será necessário, eu vou pegar o meu jato, será melhor pois não enfrentaremos filas e chegaremos mais rápido — Santiago disse e assenti, me levantei e fui até Puck.
– Cara, eu vou com você — ele disse e arregalei os olhos.
– Dude, eu... — tentei dizer mais ele me interrompeu.
– Finn, ela é minha irmã, eu não posso deixar que meu pai vá, pois ele não esta em condições disso, mas eu sim, e não importa o que você diga, eu vou e ponto — ele disse decidido, e bufei, não adiantava discutir, ele iria de qualquer forma.
– Tudo bem, você já arrumou suas malas? — perguntei e ele assenti e mostrou a mala perto da porta, entreguei Belle para Brittany, para poder me despedir melhor de todos, vi Puck se aproximar de Santana e pegar Murilo de seu colo, percebi que os olhos dela estavam cheios de lágrimas, me aproximei dela e a abracei.
– Se cuida e cuida do Puck por favor — ela pediu.
– Eu vou — disse e me afastei, me despedi de cada um e deixei pra ir na minha mãe por ultimo.
– Meu filho, você tem certeza disso? — ela perguntou angustiada.
– Sim mãe, eu tenho — disse e ela colocou a mão no meu rosto.
– Tome cuidado — ela alertou e seus olhos encheram de lágrimas — eu te amo meu filho, muito, você e o Kurt são meus maiores presentes — ela disse e senti um aperto no peito.
– Eu também te amo mãe — disse sentindo as lágrimas escorrendo, a abracei e ficamos um tempo assim, até ouvir um gritinho agudo e desesperado, me separei da Dona Carole e olhei para Belle que estava no colo da Brittany ainda, ela estava com os olhos cheios de lágrimas e um biquinho, me aproximei a pegando no colo — vai ficar tudo bem meu amor, o papai vai voltar, com a mamãe junto — disse e senti que não conseguiria parar de chorar, ficar afastado da Belle me deixava com um buraco no coração, e já havia um buraco ali, por não ter Rachel comigo.
– Vem com o vovô meu amor? — Will se aproximou de nós com os braços estendidos e Belle se escondeu mais.
– Filha vai com o vovô — disse com a voz embargada e ele resmungou, fiz sinal para Will, para que ele a pegasse mesmo que contra sua vontade, eu não aguentaria se ele não a pegasse.
– Vem meu amor — Will a tirou de meu colo e senti as lágrimas caírem com mais velocidade, ao ver o rosto dela totalmente molhado, ela corava desesperadamente, me aproximei dando um beijo em sua testa, ela segurou em minha blusa e tentou me puxar, mas por não ter forças, não conseguiu e ficou com os braços esticados, enquanto eu saia, fui até a porta e sai de uma vez, se eu ficasse ali vendo ela daquele jeito, eu iria surtar.
...
Já era de noite quando o avião de Santiago levantou, olhei pela janela, ter deixado Belle naquele estado, foi totalmente horrível, mas necessário, precisava achar Rachel, confesso que a sensação que estava sentindo me deixava confuso, lembrar o quão mal Belle estava, e o quão mal Rachel deveria estar, ela havia ficado devastada quando Brody pegou Belle, e assim que a recuperou só teve alguns minutos com nossas filha, senti meu coração apertar e fechei meus olhos com força, senti uma mão em meu ombro e abri os olhos, Puck se sentou na poltrona a minha frente.
– Você está bem? — ele perguntou.
– Sim — disse simplesmente.
– A Santana mandou uma mensagem antes de embarcarmos, disse que conseguiu por a Belle pra dormir, Murilo fez ela dormir — ele disse sorrindo de lado e consegui soltar um pequeno sorriso.
– Os dois são muito unidos — Disse.
– Sim, espero que essa amizade continue quando os dois crescerem, e não que eles briguem loucamente — ele disse e ri.
– Você tem razão, mas acho que eles serão tão unidos quanto você e a Rachel, mesmo descobrindo que eram irmãos depois de anos, são muito unidos, do mesmo jeito que eu e Kurt — eu disse.
– Rachel virou minha princesinha — ele disse sorrindo de lado e senti meus olhos lacrimejarem — ei, nós vamos achar ela — ele disse ficando na ponta da poltrona e assenti com as lágrimas já escorrendo por meu rosto.
– Eu sei... É só que... — eu não consegui terminar a frase.
– É só que? — ele perguntou e tocou meu ombro.
– Eu sinto falta dela — disse e o abracei, as lágrimas desciam rapidamente, eu precisava acha-la.
POV Rachel
Acordei com dor no corpo todo, não era de se estranhar, estava toda machucada, Brody como sempre, havia me batido na noite anterior, tentei levantar mas senti meu corpo vacilar. Merda, eu não agüentava mais viver com esse infeliz, mas a minha escolha foi necessária, as vezes sentia uma pontada de arrependimento, mas então lembrava o quão mal Belle estava quando a vi pela ultima vez. Belle. Que saudade do meu bebê, saudade de te-la em meu braços, saudade de nina-lá, saudade do seu sorriso. Senti as lágrimas em meus olhos, eu sentia tanta falta dela e de Finn, meu dois bens preciosos. Como eu gostaria de revê-los, Finn, Belle, Santana, meu irmão, meus pais. Todos eles. Fechei os olhos e logo ouvi o barulho da porta, porém continuei com os olhos fechados, logo senti duas mãos em meu rosto.
– Rachel querida, você está bem? — ouvi a voz de Marcia e abri os olhos aliviada.
– Marcia — disse meio desesperada e a abracei, infelizmente Márcia estava novamente no mesmo estado que eu, descobri isso, assim que cheguei no aeroporto, Brody havia a achado e obrigado que ela viajasse conosco, as outras empregadas eram mulheres maravilhosas e me tratavam muito bem, sabiam de tudo que Brody fazia e tinham pena de mim, mas, Márcia era como uma mãe, eu tinha um enorme carinho por ele, afinal ela cuidou de mim uma vez, fez meu parto e está cuidando novamente.
– Vai ficar tudo bem minha querida — ela disse afagando meus cabelos.
– Eu quero minha família — disse entre os soluços.
– Eu sei querida, eu sei — ela disse, sabia tanto quanto eu, que nunca mais conseguiria vê-los novamente, me afastei enxugando as lágrimas.
– Me desculpe por isso — pedi a ela que sorriu amavelmente.
– Não se preocupe querida, sei que sente falta de todos, principalmente daquela princesinha e do Finn — ela disse sorrindo e me permitir ao lembrar dos dois — e mesmo que demore um pouco, você os encontrará, não perca as esperanças — ela disse e assenti com a cabeça.
– Não vou perder — disse e ela sorriu.
– O Senhor Weston mandou chamá-la para o café — ela disse e senti o pânico passar por meu corpo, eu não queria ficar perto dele novamente, mal consegui ficar de pé, se me aproximasse novamente ficaria pior.
– Eu estou muito machucada, não consigo ficar de pé — disse tentando me levantar.
– Tudo bem, irei chamar Jesse — ela disse se afastando, Jesse era seu filho, um amor de pessoa, tinha 23 anos, e era gay, assim como Kurt, havia se tornado um grande amigo, resolveu acompanhar a mãe assim que Brody a ameaçou, os dois adentraram o quarto e ele sorriu para mim que sorri de volta.
– Bom dia Rach — disse carinhoso.
– Bom dia Jesse — respondi tentando me mover.
– Eu vou te ajudar — ele disse e se aproximou me pegando no colo.
– Obrigado — disse e me aconcheguei a seu peito.
...
Desci as escadas com um pouco de dificuldade, Márcia e Jesse vinham atrás, pisei em falso e quase cai, os dois se aproximaram rapidamente.
– Eu estou bem — disse e sorri torto, Brody não podia ver que eles me ajudavam, principalmente Jesse, ele odiava que Jesse ficasse perto de mim, mesmo sabendo que ele era gay. Me aproximei da sala de jantar e avistei aquela enorme mesa com o café, Brody estava de costas para a porta, me aproximei passando por ele e fui até a outra ponta da mesa, que por ser tão grande, ficava bem distante dele.
– Bom dia querida — ele disse sorrindo e abaixei a cabeça — como se diz? — seu tom estava duro, levantei a cabeça e sorri falsamente.
– Bom dia querido — disse sentindo o ódio pelo meu corpo.
– Melhor — ele disse e começou a ler o jornal, pelo menos isso, não vou ser obrigada a ouvir aquele voz horrível, tomei meu café em silêncio, ele se levantou e veio até a minha cadeira, senti o pânico correndo em minhas veias, ele ficou parado atrás da minha cadeira e puxou meus cabelos com força, gemi de dor — infelizmente seu pescoço tão lindo, está marcado, assim como seus braços e pernas — ele disse passando a mão pelo meu pescoço e me encolhi, sabia o que ele queria — mas você mereceu, por ter gritado comigo ontem, porém hoje, eu vou deixar seu corpo todo marcado de outra maneira — ele disse e puxou meu cabelo com mais força, senti sua mão longe e logo ele segurou meu braço com força, me puxou e começou a me arrastar para o andar de cima, olhei desesperadamente para Márcia, que estava tão desesperada quanto eu, porém não podia fazer, Brody praticamente me arrastou escada acima e logo ouvi o barulho da porta, fui jogada na cama e senti as lágrimas nos meus olhos, pelas feridas em meu corpo.
– Brody o que você vai fazer? — perguntei desesperada ao ver ele abrir uma de suas gavetas e retirar um faca de ponta.
– Você vai ver querida — ele disse se aproximando e encostou a faca em meu braço, a pressionou e gritei com todas as minhas forças.
– SOCORRO!!! — gritei entre o choro e ele gargalhou.
– Não adianta gritar meu amor, ninguém vai fazer nada — ele disse e pressionou mais a faca, fazendo com o corte aumentasse.
Gritei mais uma vez, ele abriu minha calça a força e logo abriu a dele, senti nojo, assim como todas as vezes que ele me tocava com aquela mão asquerosa, tirou o membro para fora da cueca boxer e investiu contra meu corpo, gritei de dor, tanto por te-lo dentro de mim, tanto pela faca em meu braço que cada vez mais era pressionada. Senti minha cabeça latejar e logo tudo ficou preto.
...
Abri os olhos devagar ao ouvir algumas vozes.
– Mamãe, ele está a estuprando e a espancando todo dia, não podemos deixar que continue assim — pude ouvir Jesse falar.
– Nós não podemos é fazer nada meu filho, Brody é muito perigoso — Márcia respondeu e sorriu ao ver que eu havia acordado — está tudo bem agora minha querida — ela disse e senti um líquido gelado e ardido pelo meu braço e logo pelo meu corpo, senti meus olhos lacrimejarem.
– Onde ele está? — perguntei em um sussurro desesperado.
– Fique tranquila, ele não está mais aqui, saiu desesperado como sempre, arrependido pelo que fez — ela disse e fechei os olhos por conta dos remédios que ela junto de Jesse passavam em meu corpo.
– Eu o odeio — disse entre dentes com lágrimas escorrendo por meu rosto.
– Não é a única, mas sabemos que seu ódio é maior, tentaremos prevenir isso querida, fique tranquila — ela disse e sorri, sabia que ela tentaria, mas aquilo era impossível, nada iria deter Brody, eu sabia disso.
FlashBack On
– Você me ama? — Finn perguntou, estávamos deitados na rede, que ficava no fundo da casa dos Hudson's, eu estava sobre seu corpo.
– Mais do que imagina — disse sorrindo e ele selou nossos lábios — você me ama? — repeti sua pergunta, ele sorriu.
– Mais do que imagina — ele me imitou e gargalhei, encostei nossos lábios e comecei um beijo calmo.
FlashBack Off
Senti as lágrimas escorrendo por meu rosto, eu só queria o Finn de volta.
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