Notas iniciais
Nossa! Mil visualizações em menos de um mês. Não acredito. Muito obrigada gente. Se sintam livres para comentar. Agradeço todos comentários de paixão. Meninas vcs são o máximo!

— Jamie?

Quando os olhos se encontraram, o peito da jovem parou a meio do processo de respiração. Viu Chris caminhar na sua direção com um ar inquisidor e um pouco admirado, com o cabelo recém-lavado e a barba pela primeira vez, cortada.

— Eu vinha devolver o carro — justificou a fingir um ar aparentemente normal, olhou para todos os lados possíveis, menos para ele.

— É mentira! — Chris riu, se aproximando ainda mais dela. — Veio aqui para me ver.

— Por favor, não se dê tanta importância!

— Ai sim? Então por que saíste a correr ao invés de terminar o que vinhas fazer?

— Er... eu... bem. — As palavras sumiram da boca de Jamie e a vergonha passou nos seus olhos. — Eu não queria que a sua namorada pensasse algo.

— Constance? — Apontou para a porta do apartamento e meneou a cabeça em discordância. — Eu não te falei que não namoro?

— Isso não é de minha conta, até porque já estava de saída.

— E o carro?

Johnson respirou fundo e abriu a bolsa com as mãos a tremer, mas sentiu as mãos masculinas segurarem os seus braços, e encontrou o riso divertido no rosto do administrador da Beauchamp.

— Calma. — A arrastou até dentro do apartamento. O coração de Jamie batia com tanta força que quase pareceu poder explodir. Lá dentro Constance bebia uma taça de vinho e mexia no celular. Sorriu para eles quando ouviu a porta fechar.

— Já vi que vais desmarcar o jantar. — A jovem deu de ombros e andou até próximo dos dois. — Olá, eu sou Constance Dash. Irmã do Chris.

A médica ficou ainda mais envergonhada por ter julgado tudo da sua maneira, e começou a lembrar de a ter visto a mexer o celular, como sempre, no outro dia no restaurante. Se sentiu ridícula.

— Er... Prazer, Jamie Johnson. — Estendeu a mão para a apertar e não sabia se ria ou se fazia um buraco bem fundo para se esconder dentro dele.

— Bem, vou sair e deixar vocês dois. Não existe nada que mova o Chris quando está com uma mulher... nem eu! — Piscou o olho para a médica e saiu do apartamento a vestir um casaco de napa.

— Única coisa em comum que temos: os dois gostamos de mulher. — Explicou que a irmã era lésbica enquanto andava até ao bar e servia o que restava da garrafa aberta do vinho. Ofereceu uma a ela. — Agora que me deixaste sem companhia, vais ter que me levar a jantar fora.

— Jantar? Só se for numa das esquinas lá do bairro.

— Ótimo. — Chocou a taça de vinho levemente contra a da Johnson. — Já estou curioso para lá ir.

— Não sejas tolo. — Revirou os olhos de forma encabulada, ainda mais por o sentir tão próximo de si.

— Então convido eu, pode ser? — A medida que Dash dava um passo para frente, Jamie dava dois para trás, até encostar o corpo contra uma parede. — Gostei que tenhas feito uma visita.

— Já disse que vim devolver o carro!

— Melhor ficar com ele, assim vens sempre para devolver.

Christian apertava Johnson contra a parede, e não demorou a juntar os lábios cheios de ansiedade. Com a mão livre apertou a cintura feminina e deixou escapar um gemido atrevido quando as línguas se enroscaram. A médica perdia noção do certo e do errado quando estava com Dash, e sequer sentiu quando a taça de vinho foi retirada da sua mão e seu corpo erguido para longe do chão.

Quando abriu os olhos estava sentada sem roupa em cima do balcão da cozinha, o corpo estremecia a cada toque e as pequenas mordidas e chupões que lhe eram dados por todos os lados. As bocas se uniram novamente, enquanto um dos dedos atrevidos descobria o canal molhado, arrancando um longo grito dos lábios de Jamie. Ela não tinha ido ali para aquilo, não, não podia se entregar assim. Enquanto pensava nisso, já Christian se inseria dentro dela. Os dois se contemplaram por alguns instantes enquanto se encaixavam, antes de iniciar a dança dos corpos.

***

Emma estava linda naquela tarde de sábado, o vestido cor de pérola encaixava no seu corpo elegante. Acabava de ficar pronta para ir receber os convidados, e observava Damien pelo canto do olho, se arrumar e acertar a gravata azul escura.

— Estou pronto. — Sentiu que a noiva o encarava, e levou a pequena caixa para a guardar dentro do bolso do casaco fino.

— E a máscara? — Emma se levantou com um sorriso singelo. O cabelo estava mais brilhante e preso na nuca, com ganchos de camafeu e brilhantes a adornar.

— Máscara? — Damien não pareceu perceber e se virou para ela. — Tem vergonha de mim?

— Não. Claro que não, que absurdo. Mas as pessoas...

— As pessoas não deveriam se acostumar a minha realidade?

Charlton absorveu a saliva da garganta com dificuldade. Ele está a pensar em ir a nossa festa assim?

— No escritório é diferente, mas aqui... alguns convidados podem...

— Então eles podem comer e beber as minhas custas, desfrutar do meu salão e sorrir para os repórteres, mas não podem suportar ver o meu rosto deformado, senhora Charlton? — interpelou de forma rude, os olhos tremelicavam sem parar encarando a futura mulher. Possível mãe de seus filhos e senhora Beauchamp.

— Não é isso, não me entenda mal. Só pensei...

— Tudo bem. — O Monstro du Camp apanhou a sua máscara na gaveta, se sentia um completo Fantasma da Ópera ao cobrir metade do rosto. Uma dor se abateu no coração quando viu Emma sorrir com alívio e lhe estender a mão.

Desceram até ao salão de festas, algumas pessoas já lá estavam, a música era tocada ao vivo por um grupo profissional, e os serventes muito bem trajados já circulavam com entradas e bebidas. Darcelle tinha um vestido novo, era fácil de constatar visto que costumava repetir a maior parte das roupas. Era vermelho de veludo com um corte a revelar os ombros de forma sensual. Ela conversava qualquer coisa com Joanne e o filho desta corria sem parar pelo lugar.

— Damien? — A assessora não escondeu o espanto ao vê-lo com o rosto coberto pela metade. Pestanejou sem compreender e o ar alegra se desvaneceu da sua cara.

— Como assim, querida? Quem lhe deu essas intimidades? — Joanne a repreendeu, usava um tailleur impecável, azul-escuro e a maquilhagem dava outro toque ao rosto pouco bonito.

— Eu dei. — Beauchamp respondeu com uma expressão assombrosa, e sequer se deu ao trabalho de olhar duas vezes para Darcelle, apenas seguiu sempre em frente, perseguido pelas Charlton.

A jovem negra ainda tinha a boca aberta e sentiu uma pontada de dor ao vê-lo se afastar, como se fugisse da possibilidade de ela o questionar.

— É sinistro olhar assim para o homem cuja festa de noivado, você ajudou a organizar. — A voz de Jamie surgiu atrás de si, acabava de voltar do quarto de banho. Conseguia ver a tristeza na cara da prima.

— O que quer dizer com isso? — Virou-se com o cenho unido e tentava a todo custo disfarçar a deceção espelhada nos olhos escuros.

— A forma como olha para o senhor Beauchamp, prima.

— Não percebo. — Darcelle afastou o olhar para longe dos olhos da prima, demonstrando insegurança. — Ainda não me disseste onde passaste a noite e que mancha vermelha é essa no teu pescoço.

Jamie olhou para longe avistando Christian Dash, empolgado a conversar com convidados de nome conhecido, e a forma como ele estava sempre tão a vontade e bem-disposto como se a vida fosse uma lufada de ar fresco.

— Uma coisa posso garantir, não é Lorenzo Wright.

— E por falar no diabo — murmurou Darcelle apontando para o jornalista que cobria o noivado mais esperado do ano. Quando parava um pouco ficava junto de William Solis, outro jornalista que tinha subido de cargo recentemente e que não parava de olhar para a noiva.

O bufê foi servido a uma da tarde, com direito a ementas e pratos preparados ao gosto dos convidados. O salão estava cheio de pessoas distintas e ricas, conversavam e bebericavam, cada um a desfilar sua própria elegância. Um cantor conhecido subiu ao palco para uma hora de música soul, e alguns conhecidos próximos se uniam para comentar sobre situações engraçadas, especialmente trabalhadores de alto escalão da Beauchamp e suas filiais espalhadas por todo mundo.

Todos pareciam se divertir, menos Damien sempre com o ar soturno, falava uma ou duas palavras e se mantinha no mesmo lugar, compenetrado em esperar o tempo passar. Já Emma distribuía sorrisos maravilhosos e demonstrava ser a anfitriã perfeita, sempre sob a supervisão da irmã para que permanecesse longe de William.

Quando a tarde deu lugar a noite, a festa ganhou outro tom: Luzes suaves acenderam pelas flores na mesa, e a música se tornou mais disco. As pessoas bebiam e conversavam mais descontraidamente, tomando conta da pista de dança e deixando as mesas mais vazias.

O Monstro du Camp se levantou um tanto impaciente, dava para ver a irritação nos seus olhos. Não quisera dar entrevistas e nem ser filmado ou fotografo, algo complicado por se tratar do seu noivado. Deixou o salão e caminhou com pressa até ao escritório da mansão, respirando fundo ao se encontrar sozinho.

A porta abriu-se logo a seguir, e ele soltou uma imprecação.

— Estou dececionada. O que foi que...

— Quem foi que lhe deu esse direito de tentar mudar minha vida, Johnson? Quando vai parar de me perseguir e cuidar da sua própria vida? — Berrou contra Darcelle, mas não era com ela que estava zangado. A respiração estava ofegante.

— Eu...

— Você é feliz? Não, pois não? Podias usar essa força toda para ter um relacionamento por exemplo. — Encolheu os ombros. — Arranja um namorado, um cão, um gato. E apenas me deixa em paz.

O lábio de baixo tremeu com força, viu Damien servir uma de suas bebidas e sorver avidez. Darcelle deu meia volta e saiu deixando-o sozinho, não sem antes bater a porta com força. Ele se atirou para a cadeira, a caixa com o anel que pertencera a sua mãe ainda o incomodava dentro do bolso. Por que parecia ser tão difícil de o colocar oficialmente no dedo de Emma e substituir o que lhe tinha dado há alguns meses?

A porta abriu-se novamente.

— Eu não sei me relacionar só para passar o tempo, ou para me divertir ou ter uma companhia. Eu acredito no amor. Sim, eu sei que pode parecer piroso ou da idade da pedra, mas quando eu tiver alguém vai ser por amor e nada mais — falou de uma só vez para não perder o fio de pensamento, e cerrou o punho das mãos com força.

Os olhos azuis brilharam no escuro e um suspiro preencheu o espaço.

— Vamos começar de novo, tire a máscara e eu o acompanho até ao salão. Se Emma Charlton quiser se casar consigo, não irá se importar.

Damien ainda se demorou em silêncio, terminou o líquido cor de âmbar e se levantou. Um novo sentimento ocupava seu coração naquele momento, tirou a máscara devagar e seguiu com Darcelle para fora do escritório. Quando chegaram no salão, as pessoas foram se apercebendo pouco a pouco da ausência da máscara. As reações eram mistas.

— Dance comigo, Darcelle. — A voz dele pareceu quase irreal, e a assessora demorou alguns segundos para perceber.

— O quê?

— Vamos dançar — afirmou com a cabeça, com toda a certeza do mundo. Segurou a mão escura e pequena e a puxou até ao centro da pista. Os murmúrios se espalharam por todos lugares, enquanto Damien colocava uma mão ao redor da cintura fina e a outra permanecia unida à dela.

— As pessoas estão a olhar, por que faz isso? — A Johnson parecia estar sem graça por ser o alvo da atenção dos demais, e quase tropeçou sob os próprios pés. Os dois tinham os olhos fixos um no outro, como se se vissem pela primeira vez.

— Não saberei dizer agora. — Foi sincero. — Apenas quando entramos, tive muita vontade de dançar, e era com você.

Jamie assistia a cena com descrença. Não conseguia entender o que estava a acontecer naquele momento. As vozes comentavam e apontavam, mas aqueles dois pareciam estar em algum lugar que não fosse um noivado! Damien sequer tinha dançado com Emma, mas com a sua prima parecia se sentir em casa em seus braços.

— Hum. Hum. — Christian pigarreou por trás e a médica olhou por cima do ombro para o encontrar. — Não vais-me conceder a honra de uma dança?

— Não. Eu não sei dançar.

— Deixa de ter inveja da tua prima e levanta daí. — Dash provocou. — Eu ensino. Ou não me digas que só sabes mexer quando...

— Tolo! — Ela se levantou com um sorriso, e deu a mão a Christian. O atrito que lhe correu nas veias apenas pelo toque lhe deu a certeza de algo que já não podia negar.

Lorenzo pestanejou quando viu o jovem Dash dançar com sua ex-namorada, e cogitou na veracidade das palavras da mesma. Uma raiva encheu o peito, deixando de prestar atenção na novidade da noite que dançava ao lado.

As Johnson's se olharam, e trocaram sorrisos cúmplices, o suficiente para dizer em silêncio tudo o que sabiam sentir. Emma se aproximou com um meio sorriso disfarçado pela confusão.

— Senhor Beauchamp, pode me explicar o que vem a ser isto? — A voz falhou.

— Posso.

Notas finais
Achei esse cap lindo e muito água com açucar. Eu realmente gosto dele. Espero que se empolguem tanto quanto! Qualquer comentário, crítica, elogio, sugestão. Por favor não hesitem Um simples "gostei" faz o meu dia mais feliz. Bisous