Para A Eternidade
3 Planos de Viagem
Não imaginam o quanto estava feliz de ter Harry ali. A única coisa boa que me acontecera o trimestre inteiro. Nossa, minha vida estava realmente uma droga, não é? Bom, devem estar se perguntando quem é o Harry. Ele é meu melhor amigo, desde que tínhamos cinco anos de idade. Nas férias do final de ano passo muito mais tempo com sua família do que com Henrique. De certa forma, sua família era minha família também... Bom, nos consideramos irmãos. Nossas mães eram melhores amigas desde que se conheceram, eu tinha 5 anos e Harry 6 quando nos conhecemos e desde então somos inseparáveis. Lisa venho logo depois, nos conhecemos quando eu tínhamos onze anos. Seu melhor amigo era o Louis, quatro anos mais velho que nós mas parecia o mais novo, e assim formávamos um quarteto. Eu sei, parece totalmente ridículo, mas era assim, éramos bastante próximos. Ainda somos.
Só que, apesar disso tudo, sempre fui mais próxima de Harry. Quando minha mãe morreu eu não aceitei muito bem, nem a tia Anne, mãe dele, aceitou bem. Quem nos manteve mais calmas foi Harry. Morei com ele depois disso por quase um ano, até que decidi voltar para a casa do Henrique, tecnicamente foi o tribunal que decidiu que ele seria meu guardião legal, e com quinze anos vim para este internato. Harry, Louise Lisa também vieram. Ano passado Harry e Louis decidiram fazer intercambio em Londres, eu e Lisa decidimos ficar. Eles gostaram tanto de lá que decidiram ficar mais tempo. Mas, apesar disso, nenhum de nós perdeu contato, Harry sabia de tudo que estava acontecendo, inclusive das investigações sobre a morte da minha mãe. Na verdade, ele sabia mais que Lisa e Louis.
- Tudo bem, o que faz aqui? – perguntei.
- Não posso mais te visitar? – ele disse indo em direção ao meu armário – aonde vai?
- Espero que a lugar nenhum – suspirei e deitei na cama de Lisa, pegando o travesseiro em seguida e colocando no rosto.
Por um momento o quarto ficou em silencio, até que sinto alguém sentar ao meu lado na cama.
- O que aconteceu? – Harry perguntou.
- Adivinha – minha voz saiu abafada pelo travesseiro.
- De novo esse lance da sua mãe? Quando isso vai acabar?
- Pergunta deles – falei tirando o travesseiro do rosto e olhando para Harry.
- Não sei como você aguenta – ele dizia enquanto desfazia o nó que havia no meu cordão. – não acredito que ainda tem isso (http://weheartit.com/entry/33734231) – ele dizia dando uma risada.
- O cordão? Se quiser posso jogar fora – brinquei.
Ele havia me dado aquele cordão quando eu tinha treze anos, depois que minha mãe morreu. Ele disse que era para eu me sentir melhor e lembrar que uma pessoa nunca me deixaria sozinha: ele. Outro motivo era porque minha mãe adorava esse tipo de acessórios, simples, e uma vez ela viu um cordão parecido e ia comprar. Agora ele ri da historia do presente, mas eu sei que ele gosta que eu use e o cordão é realmente especial pra mim.
Harry revirou os olhos e se levantou.
- Então – ele disse fechando e a porta e sentando em frente ao computador – qual a historia da vez?
Contei tudo a ele.
- Ta – ele disse com vontade de rir – então, resumindo tudo: você está prestes a morrer e querem que você se esconda.
- Basicamente isso – respondi.
Ele respirou fundo e se levantou. Andou pelo quarto olhando tudo, até que se virou para mim, que já estava sentada na cama de Lisa.
- E se eu te disser que posso resolver onde você pode ficar?
- E como pretende fazer isso?
- Olha, eu vim aqui fazer uma surpresa e chamar você e a Lisa pra passarem o recesso em Londres.
Fui pega de surpresa. Ir para Londres?
- Londres? Acha que eles concordariam?
- É provável. Alem do mais o Louis esta pensando em alugar uma casa de praia que fica em uma cidade pouco conhecida. Lá parece ser muito legal e por perto sempre tem umas festas, lugares para passear e, o melhor de tudo, é afastado.
- Pode ser, mas...
- Anda Cris. É isso ou passar o recesso com o Henrique.
- Não sei se tenho dinheiro para a passagem...
- Olha, a mamãe pode te ajudar com isso. Eu vou passar essa semana na casa dela, vim fazer uma visita e depois volto. Ela concordou em te ajudar e, se souber dessa palhaçada da policia, é capaz de ela pagar tudo sozinha.
- Tudo bem, mas a Lis vai para o Rio de Janeiro por uma semana.
- A gente conversa com ela, e ai? Vai?
Fiquei em silencio por alguns instantes, pensando. Londres não seria uma má ideia: iria finalmente saber se aquelas aulas de inglês teriam valido a pena e, ainda por cima, era tudo lindo lá.
- Tudo bem. Vamos falar com os oficiais.
Saímos do quarto e fomos em direção a salada diretora. Havia esquecido como era bom ter Harry por perto. Ele não me deixava em paz um segundo: mexia com meu cabelo, me fazia cocegas, tentava me carregar... Depois de passar algum tempo tentando o fazer entender que eu não era um boneco, começamos a conversar. No começo nada em particular, ate que me lembrei de um assunto.
- E como vai a Deborah?
Deborah era a garota que ele havia conhecido a quase um ano atrás e estavam se dando bem. Eu a havia conhecido pela internet depois que ele disse “estar realmente gostando dela”. Ela era muito legal e acho que era a garota certa pra ele. Quando o ouvia falando dela ficava com uma voz diferente, não sei, acho que ele finalmente havia achado a garota certa.
- Vai bem. Acho que vai com a gente pra casa de praia, tudo bem?
- Claro.
Ele deu uma risada sem graça e eu o empurrei. Chegamos na sala da diretora e entramos. No começo foi difícil convencer o oficial Marcelo que a ideia era boa, mas Harry começou a falar sem parar “dos benefícios” sobre eu estar longe e depois começou a falar da casa, ate que finalmente Marcelo concordou. Acho que aceitou mais pelo fato de que queria que Harry calasse a boca. Decidiram que eu iria sexta-feira. Então saímos da sala, vitoriosos e felizes.
Já estávamos no bloco feminino, quase chegando a meu quarto, quando vejo Carine. Tentei ignorar o fato de ela estar chegando e fingi que não a vi, mas, claro que ela teve que vim em minha direção.
- Oi, Cris e... Harry, que surpresa – ela disse chegando perto dele.
Posso dar um soco nela agora? Vou explicar: Carine é simplesmente a pessoa mais atirada que existe na face da terra! Ela gosta de dar em cima de todo mundo e, ah sim, me odeia. Por que? Sabe-se Deus. Uma coisa que me deixa com muita raiva é que fiquem de “graça” com meus amigos, principalmente com Harry, meu ciúme por ele é grande, ok? Ela deu em cima dele desde a primeira vez que o viu, quando entramos na escola. No começo esse idiota deu moral, mas depois viu que ela não prestava e não quis mais nada com ela, o que não a impediu de querer agarra-lo quando o viu. Tudo bem, talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar sobre a Carine, mas ela é um belo exemplo de pessoa oferecida.
- Oi, Carine – Harry disse se afastando um pouco do abraço que ela queria lhe dar. – Cris, eu vou la pro seu quarto.
- Tudo bem, já estou indo – respondi e logo olhei Carine outra vez. – o que você quer?
- Nossa, seu humor está tão bom quanto o de Lisa.
- Carine, eu não tenho tempo pra brincadeiras. Preciso resolver muitas coisas, então, se me dá licença – passei direto por ela, sem lhe dar tempo de falar mais nada. Acho que ela sussurrou alguma coisa, mas não entendi o que. Melhor que fosse assim mesmo.
Cheguei a meu quarto, fechei a porta e me sentei ao lado de Harry, que estava em frente ao computador, para vermos o preço de minha passagem.
Harry
Consegui convencer a Cristina a viajar comigo e não precisei ameaça-la para isso, mereço palmas. O fato de que a policia estava pressionando-a também ajudou, mas não tirem meu credito. Depois de também conseguir convencer os policias de que Londres era um lugar ótimo e que eu era uma pessoa completamente responsável para cuidar da Cristina, voltamos para o quarto.
Estava indo tudo uma maravilha, mas vi Carine. Entendam: respeito todas as mulheres, todas merecem ser tratadas bem, mas quando não se tem respeito por si mesmo o que adianta? Fiquei com Carine uma vez e me arrependo, prefiro não comentar os detalhes de como foi, mas não gostaria de repetir aquele encontro. Ela é linda, tem um corpo lindo e beija muito bem, mas quando se trata de caráter...
Ela tentou se aproximar, para me dar um abraço ou algo assim. Mas desviei, com toda educação que pude, e fui para o quarto. Liguei o computador e comecei a procurar o preço das passagens, Cristina chegou logo depois e sentou-se ao meu lado.
- Tudo bem? – perguntei.
- Tudo. E ai? Quanto estão as passagens?
- Bom, tem preços razoáveis aqui.
Passamos algum tempo procurando, ate que achamos passagens para sexta-feira. Estavam caras, mas iriamos conversar com minha mãe.
- Agora é só esperar a Lisa chegar da aula. – Cristina disse se levantando e indo em direção a sua mala – vou terminar de arrumar então.
- Ei, a Carine não devia estar na aula? – perguntei.
- Sei lá. Ela deve ter cabulado.
Dei de ombros e fui ajuda-la a arrumar suas coisas. Só precisávamos convencer a Lisa a ir com a gente, mas dei essa tarefa para Louis.
Fale com o autor