Para A Eternidade

4 Tchau escola


Lisa

Depois de passar a manhã inteira angustiada querendo saber porque chamaram a Cristina, o sinal tocou. Arrumei rapidamente minhas coisas e sai da sala. Peguei meu celular e vi uma chamada perdida. Era o Louis. Liguei de volta.

- Alô – ouvi sua voz do outro lado da linha.

- Oi, Lou.

- Baixinha! E ai? Como você esta? – ele falava quase gritando, como sempre.

- Estou ótima – disse rindo, era muito bom ouvir sua voz – como estão as coisas por ai?

- Muito bem... calma, Els.

Eleanor era a namorada do Louis, se conheceram pelo Harry em Londres. Eu e Cristina a amávamos, era muito meiga.

- Hmmm, o que estão fazendo?

- Não pensa besteira, ok? Estamos colocando um filma para assistir, mas ela não entende que eu quero fazer pipoca antes de ligar a televisão.

Ouvi a risada de Eleanor.

- Parecem duas crianças – eu disse rindo.

- Bom, liguei para te informar que você não vai mais para o Rio.

- Como é? – parei no meio do campos.

- Falei com seus pais e eles disseram que você não precisa mais ir...

- Louis, por que...

-... você virá para Londres.

- Ta brincando comigo, ne? Espera, está entrando outra chamada – olhei o celular e era a Cristina. – é a Cristina.

- Fala com ela, ai você vai entender tudo. Vou fazer minha pipoca antes que eu me estresse com a Eleanor. Beijos, pequena, até daqui a alguns dias.

- Mas Louis...

Ele desligou. Decidi falar pessoalmente com Cristina e descobrir o motivo daquela palhaçada. Quando estava quase chegando no quarto eu ouço vozes. Cheguei mais perto da porta e parecia que estava acontecendo uma discussão.

- Já disse pra devolver!

Parecia a voz da Cristina, mas com quem ela estaria falando? Abri a porta com força e me deparo com a seguinte cena: Cristina em cima das costas de alguém tentando pegar alguma coisa que estava nas mãos do mesmo. Era o Harry!

- Lisa, diz pra ele me devolver! – Cristina dizia ainda em suas costas.

Só ai percebi que Harry tinha um caderno nas mãos, acho que era um diário. Depois de tirar aquilo das mão dele e de ser chamada de traidora, eu o abracei bem forte e pedi uma explicação.

Cristina

Depois que a Lisa fez a caridade de tirar meu querido diário das mãos do Harry, expliquei a nova “piada” dos policiais, o motivo de o Harry estar lá e sobre a viagem para Londres. Claro que ela não é burra e aceitou, com bastante entusiasmo, que iria para Londres e não para o Rio de Janeiro.

Nada o que comentar sobre os dias antes da viagem. Apenas compramos as passagens, que, por sinal, estavam caras. Não sei como os pais da Lisa concordaram em pagar, mas tudo bem. Apenas compramos algumas roupas novas e mais nada. Na noite anterior ao voo não consegui dormir. Fiquei me revirando na cama, ouvi musica, li, entrei na internet, nada. Devo ter ouvido o álbum “When The Sun Goes Down” umas cinco vezes antes de pegar no sono.

Sonhei com a minha mãe, mas não lembro bem como era o sonho e, a forma como fui acordada também não foi muito boa: Hit The Lights no ultimo volume. Levei um susto tão grande que quase cai da cama, e não estou exagerando desta vez. Olhei para o rádio e vi Harry com a mão no botão de volume. Peguei meu travesseiro e joguei nele.

- Existem formas mais delicadas de acordar alguém, sabia? – falei enquanto me sentava na cama.

- O que? Queria que eu te acordasse com um beijinho no rosto? – zoou ele.

Dei um sorriso irônico.

- Onde está a Lisa? – perguntei.

- Acho que tomando banho. Ela acordou cedo, diferente de certas pessoas. – ele disse tirando o cd do rádio.

Levantei, peguei o cd de sua mão e guardei em minha bolsa de mão. Em seguida peguei a roupa que separei na noite anterior, uma toalha e fui tomar banho. O vestiário estava praticamente vazio, apenas vi duas garotas secando o cabelo e Lisa saindo. Entrei no banho, não me dando ao luxo de demorar muito. Troquei-me: um blusa roxa simples, uma jaqueta e calça jeans, uma sapatilha. Sequei meu cabelo e voltei para o quarto.

Harry já estava apressado. Nosso voo saía onze e meia e eram dez e vinte. O aeroporto não ficava tão longe, mas mesmo assim precisávamos chegar cedo. Pegamos tudo que encontrávamos pela frente e colocamos na mala. Saímos rápido do dormitório e no caminho nos deparamos com Carine, acho que ela ia falar alguma coisa, mas passamos direto e rápido por ela. Chegamos no estacionamento, entramos no carro e fomos direto para o aeroporto.

- Deus, nunca corri tão rápido em toda a minha vida – Lisa falou do banco de trás.

- A culpa é da Cris. Nunca vi alguém pra demorar tanto pra se arrumar- disse Harry.

- Quando cheguei no quarto a Lis ainda estava colocando não sei o que na mala. Nem vem! – falei.

- Voce também se esqueceu de colocar algumas coisas na mala – disse Lisa.

Ficamos rindo e culpando uma a outra durante todo o caminho. Quando chegamos já eram quase onze horas, pegamos as malas e fomos ao portão de embarque. Quase não conseguimos entrar, por causa daquela coisa de chegar uma hora antes, mas o moço bondoso teve piedade de nós e eu não deixei o Harry subornar ele. Entramos no avião e decolamos.

Lisa

Escalas e horas sentados definem o voo, mas finalmente chegamos. Eram 00:30 quando desembarcamos e estava frio. Pegamos nossas malas e fomos ao encontro de Louis e Eleanor. Assim que saímos pudemos ve-los.

Quando os vi sai correndo e dei um forte abraço em Louis, que retribuiu rindo.

- Quantas saudades de vocês – ele disse me soltando.

Depois de nos cumprimentarmos, fomos para o carro. O caminho todo ficamos conversando sobre nada em particular, apenas “jogando conversa fora”. Harry já havia explicado a história da polícia para Louis e Eleanor, por isso Cristina não precisou falar nada. Na verdade nem comentamos isso.

- Então – começou Eleanor. Ela estava sentada no banco da frente ao lado de Louis – ansiosas para ver a casa de praia?

- Muito! –respondi – como ela é?

- É grande – disse Louis – tem uns seis quartos, então vocês vão ter que dormir no mesmo quarto, esta bem?

- Sem problemas, mas como conseguiram um lugar tão grande? – perguntou Cristina. Ela estava entre Harry e eu, só que eles não paravam de se mexer porque ela estava tentando ver as mensagens do celular dele.

- É que o lugar era do meu pai, só que não usavam a casa a muito tempo e... cara, é uma longa história: parece que ele e minha mãe passaram algumas férias lá. Só sei que agora podemos usar tranquilamente. – respondeu Louis.

- Mas vamos ocupar todos os quartos? – perguntei.

- Ah sim, esqueci de avisar – disse Harry – mais três amigos nossos vão. Eles irão nos encontrar lá amanhã.

- Entendi – respondi.

Eu e Cristina apenas nos olhamos. Não seria uma má ideia ter mais companhia, mas ficar em uma casa com cinco meninos? Mesmo que conhecêssemos dois deles praticamente a vida toda, era estranho. Bom, se eram amigos deles, acho que tudo bem.

Cristina

Fiquei um pouco incomodada com o fato de que iriamos dividir a casa com mais três garotos desconhecidos, mas não disse nada. Como eram amigos do Harry e do Louis acho que não tinha muito problema.

Chegamos ao apartamento de Louis e Harry quase 1:20. Decidimos não tirar as coisas do carro, já que iriamos logo de manhã para a praia. Apenas pegamos pijamas e fomos para o quarto. Harry e Louis nos cederam seus quartos e foram dormir na sala, até que tentamos dizer que não precisava, mas eles insistiram. Troquei-me rápido e deitei.

Simplesmente apaguei. Acordei com o toque do despertador que havia programado para 8:00. Levantei e fui cambaleando até o banheiro, fiz minha higiene e me troquei: coloquei blusa sem manga, shorts jeans e uma sandália, nada muito extravagante. Fui para a cozinha.

Para minha surpresa só encontrei Lisa, que estava pegando uma fruta na geladeira.

- Bom dia – ela disse quando me viu – já ia te chamar. Os meninos já estão lá em baixo nos esperando, eles disseram que vamos tomar café da manhã lá na casa.

- Ah é? Tudo bem então. E por que está comendo?

- Porque estou com fome.

Eu ri, mas também não estava faminta então peguei uma maça na geladeira. Saímos do apartamento e fomos até o carro. Em dez minutos já estávamos a caminho da casa de praia.