Paraíso Proibido

6 Capítulo 6. Sentimentos Confusos


Notas iniciais
Bem, primeiramente eu já vou pedir que NÃO ME MATEM! D: O resto está explicado nas notas finais, leiam lá, por favorzinho. Boa leitura, amiguinhos bravos s2 :3

Ísis PDV {Ísis: Ponto de Vista}

Eu não sabia o que estava fazendo, sinceramente não sabia. De repente, olhando Fernanda ali na minha frente, parecendo tão entregue quanto eu àquele momento, eu só pensava que precisava beijá-la como se minha vida dependesse disso. Me apavorava olhá-la daquela forma, ela era minha melhor amiga, parecia tão errado! Mas meu corpo não concordava com meu cérebro, estava tudo muito conflituoso dentro de mim. Sentia sua pele macia enquanto acariciava seu rosto, tinha consciência do calor que o corpo dela emanava, da proximidade de nossos lábios, seu hálito doce batendo em meus lábios sedentos por seu beijo. Eu sabia que era errado, não deveria fazer aquilo, minha cabeça estava uma grande confusão por eu ainda não estar em meu juízo perfeito por conta da bebida, eu tinha consciência de tudo o que estava acontecendo, sabia do problema que aquilo traria para nossa amizade, ela poderia nunca mais querer me olhar se eu rompesse aquela barreira... Mas eu não conseguiria mais parar. Eu ia beijá-la, eu precisava beijá-la, simplesmente não me importava com as consequências, aquilo era mais forte que eu.

Mas então, algo estranho aconteceu. Eu demorei pra entender exatamente o que tinha se passado, até escutar a voz do meu irmão.

– A-há, peguei vocês, danadinhas! – ele disse rindo alto, e os outros meninos que estavam com eles riram também.

Quando consegui focalizá-lo, ele tinha uma arma de brinquedo nas mãos, dessas que jogam água. Os outros três meninos com ele tinham outras iguais também. Olhei para Fernanda na minha frente, e ela parecia não estar entendendo absolutamente nada, estava paralisada com a boca num pequeno "o" de surpresa, enquanto a água escorria por seu rosto abaixo. Quando entendi que ele tinha jogado água em nós, fiquei irada.

– Rodrigo, seu filho de uma boa mãe, eu vou acabar com a tua raça! – já fiquei de pé num ímpeto, limpando o rosto molhado. Comecei a correr atrás dele e desferir tapas em seu braço, mas ele se defendia e me acertava com um jato de água a cada investida, molhando todo meu rosto e minha camisa. – Pare de me molhar, que saco! – já estava ficando irritada, mas ele se divertia enquanto ensopava minha roupa.

– Espera! – eu batia nele, sem me importar. – Is... Is, espera! Calma! – ele segurou minha mão. – Sejamos justos, vamos lutar com honra. Diego, trás uma arma para elas!

O tal do Diego saiu rindo e, alguns instantes depois, apareceu com outras duas armas na mão. De onde diabos eles tinham tirados aqueles brinquedos agora?! Me entregou uma e colocou outra na mão de Fernanda. Ela me olhou perdidinha.

– Eu? – perguntou sem entender nada.

– Claro, Fernanda, vamos lutar! – Rodrigo disse feito um idiota. Só podia estar bêbado!

– Eu vou usar essa arma pra te bater, isso sim! – ralhei, ameaçando-o com o brinquedo já no ar.

– Assim não vale! – ele logo se defendeu. – Tem que ser assim – e espirrou água em mim outra vez.

Eu grunhi e parti pra cima dele, disparando um jato de água em seus olhos. Ele sacudiu a cabeça e logo saiu correndo em círculos.

– Olha o jardim, seu imbecil! – o adverti quando ele quase tropeçou e caiu perto do cercado. Se ele estragasse aquele jardim, aí eu ia atrás de uma arma de fogo para acabar com ele.

Logo ele saiu correndo para dentro da casa, acompanhado dos meninos. Eu fui até Fernanda, que olhava aquela cena ridícula com um sorriso.

– Fê, isso agora é uma questão de honra. Vamos acabar com eles! – eu segurei a arma como nos filmes, apoiando o "cano" na mão esquerda.

Fernanda abriu um sorriso divertido e ficou de pé, apoiando a arma no ombro esquerdo. Fez uma carinha do tipo "somos fodas!". Eu acabei rindo disso.

– Hi-five? – ela ergueu a palma da mão direita.

– Hi-five! – bati na mão dela.

Rodrigo voltou a aparecer na porta do jardim.

– Qual é, minhas lindas? Estão com medo de levar um couro? – ele abriu os braços, se achando o bonzão.

Olhei para Fernanda, ela estreitou os olhos, mirou a arma e disparou água em Rodrigo, que se encolheu.

– Vamos pegar ele agora! – ela disse animada.

Nós saímos correndo atrás dele, e ele saiu gritando "corre, corre, corre!" para os meninos, que saíram em disparada pela casa. Nós não os perdoávamos, íamos atingindo eles o caminho todo, um dos meninos chegou a escorregar e cair e nós nos acabamos de rir com a cara dele. Mas só havíamos abatido um deles, ainda faltavam três, contando com Rodrigo, que era meu alvo principal! Até chegarmos à área externa, já tínhamos molhado todo o chão da casa do lado de dentro e até acertado uma das empregadas no meio do tiroteio de água – minha mãe ia nos matar! Do lado de fora, nós bombardeávamos os meninos, e eles começaram a correr em volta da piscina. Os adultos olhavam a cena sem entender nada, mas resolveram por bem não interferir.

– Cuidado com a piscina! – minha mãe gritou.

– Pode deixar, mãe! – Rodrigo gritou em resposta, se esquivando de nós.

Fernanda acertou um dos meninos, que virou para devolver o tiro, mas acabou tropeçando e caindo no gramado. Mais um abatido! Nesse meio tempo, Rodrigo se distraiu e parou para ver quem tinha caído, e eu vim por trás e dei um empurrão maldoso nele, derrubando-o com roupa, arma e tudo dentro da piscina. Fernanda apareceu do meu lado, rindo comigo.

– Ísis! – minha mãe gritou em repreensão.

– Está tudo sob controle, mãe – meu irmão respondeu, quase se engasgando com a água. Me olhou com um olhar maléfico. Ele já tinha feito natação, então era muito rápido, e antes que eu pudesse me afastar da beirada ele agarrou meu tornozelo. – Agora você vai ver!

– Não, Rodrigo, me solta! – eu esperneei, sentei no gramado para ter mais força para me desvencilhar dele. – Não! – puxei o pé com força e ele, por sua mão estar molhada, escorregou para trás e eu livrei meu tornozelo, me afastando da beirada. Comecei a rir que nem criança. – Idiota.

Ele foi até a beirada e subiu num pulo, abraçando Fernanda pelas costas, imobilizando ela.

– Tenho uma refém! – declarou. – Se você não vier comigo, sua namorada é que vai.

– O que?! – Fernanda disse aflita. – Não, eu não!

– Larga ela, idiota! Você está molhando ela todinha, não está vendo?! – esbravejei.

– Então vem comigo – ele disse, como se estivesse à altura de barganhar comigo. Que grande idiota!

– Eu não vou à lugar nenhum. Rodrigo, solta ela agora! – disse num tom ameaçador.

– Resposta errada, maninha – ele deu aquele sorriso maléfico.

– Não, não, não! – Fernanda sacudiu a cabeça desesperadamente.

– Não faça isso!

Tarde demais. Ela deu um gritinho quando o idiota do meu irmão pulou levando-a junto para a piscina. Quando Fernanda emergiu, ela mal conseguia respirar, eu fiquei apavorada. Rodrigo sacudia a água do cabelo, e minha mãe já gritava e vinha marchando em nossa direção com uma toalha nas mãos. Eu me aproximei da beirada conforme Fê batia os braços para chegar até ali, e então a puxei para fora quando alcancei suas mãos. Ela tremia tanto que chegava a dar dó, e eu a levei para um canto, pegando a toalha que minha mãe ofereceu e enrolando-a, sem conseguir evitar notar que sua blusa branca agora estava transparente e revelando sua lingerie escura, assim como a curva de sua cintura e a barriga. Me repreendi mentalmente. Sentei diante dela, sem me importar se me molharia, e a abracei enquanto esfregava minhas mãos em suas costas e braços, para ver se ela esquentava um pouco. Rodrigo se aproximou com um sorriso naquela cara idiota dele.

– Sai daqui! – esbravejei.

– Calma, bicho do mato – ele ergueu as mãos. Eu juro que teria deixado o olho dele roxo se não tivesse coisa mais importante para fazer.

– Eu que sou bicho do mato, não é? Olha o que você fez!

– Ah – ele deu de ombros. – Nem foi tão ruim assim, não é, cunhadinha? – ele se abaixou um pouco para poder olhar Fernanda. Mesmo tremendo que nem vara-verde, ela deu uma risada cortada pela sua tremedeira e sacudiu a cabeça. – Viu? Roupas secam, mas noites como essa não se repetem todos os dias. Temos que aproveitar!

– Aproveitar, é claro! – resmunguei. – Não é você que corre o risco de pegar um resfriado. Está ventando, caso não tenha notado, imbecil.

– Eu também estou molhado, caso não tenha notado – me imitou. Apertei o maxilar e estreitei os olhos. Ele ia apanhar, e ia ser logo. – Leva ela para dentro da casa então, coisa chata e implicante, tira ela do vento – ele retrucou e então saiu, porque sabia que eu não pararia de falar se continuasse ali.

Mas ele tinha razão. Resmungando, ajudei Fê a ficar de pé e a levei para dentro. Minha mãe estava na sala com meu pai, se despedindo do pessoal que já estava indo embora. Olhei no relógio de parede e já era quase onze e meia. Estava tarde, eu precisava levar minha namorada embora, mas como faria isso agora com ela ensopada daquele jeito?! Fiquei mais aborrecida ainda. Eu ainda estava um pouco zonza por causa da bebida, e ainda mais por ter corrido feito louca pela casa, mas isso não importava, estava mais brava que qualquer outra coisa. Fui até minha mãe, já tinha tido uma ideia.

– Mãe, onde está aquelas caixas que eu fiquei de vir buscar semana passada, que tinham umas roupas minhas que eu ainda não levei? – perguntei, chamando-a de lado.

– Estão no seu quarto mesmo, filha. Eu não tirei de lá para ficar mais fácil para você. Leva a Fernanda até lá, vê se tem algo que ela possa vestir pra tirar essa roupa. E, querida – minha mãe se dirigiu a Fê, que ainda tremia um pouco –, desculpa por isso, está bem? O Rodrigo é assim mesmo, mas as vezes ele exagera um pouco.

– Um pouco? – resmunguei.

– Não t-tem problema. E você, Izie, ch-chega de resmungar aí – ela olhou para mim. Nem conseguia falar direito de tanto que tremia.

– Ah – resmunguei novamente, de cara fechada. – Vamos logo lá pra cima, Fernanda. Estou ficando em pânico de te ver tremendo desse jeito!

Ela revirou os olhos e eu não me importei. Levei ela para o segundo andar da casa e entrei no quarto que já pertencera à mim, quando ainda morava com meus pais. Os móveis que minha mãe não quisera se desfazer, estavam cobertos com panos brancos para evitar a poeira. Apesar de há mais de um ano fechado, o quarto estava bem arejado e minha mãe mantinha-o sempre em conservação, nunca deixava de pedir para que ele fosse limpo também, apesar de não estar sendo usado.

– Vem, dona namorada. Sente aqui – puxei um banco para ela, que estava embaixo da janela. – Eu vou ver se encontro algo pra você vestir. Por que já não tira essa roupa? Antes que você fique mais gelada. Tem um banheiro logo naquela porta – apontei e continuei resmungando, indo até as duas caixas que ainda estavam ali. Não devia ter muita coisa nelas, as que eu mais usava já tinha levado, mas esperava que tivesse algo descente para Fernanda vestir no lugar daquelas roupas molhadas.

Abri uma das caixas, e estava vasculhando as roupas distraidamente. Achei uma camisa de botões, era quase igual à que eu usava, mas vermelha, o único problema era que ela estava com uma mancha não muito visível na manga direita, mas ah, isso não importava, não é? Era só para ela chegar em casa e depois ela colocaria outra roupa. As outras que estavam na caixa eram mais velhas, que eu nem usava mais, não ia dar uma daquelas à ela de jeito nenhum.

– Olha, Fê, eu achei essa camisa aqui, mas tem... – falava enquanto me virava, mas então paralisei.

Fernanda havia tirado a roupa molhada, ali, na minha humilde presença, sem se importar, e ficara só com a lingerie no corpo. Ela parecia ter secado um pouco o cabelo, e ele estava meio jogado de lado. Eu esqueci completamente o que ia dizer, não conseguia tirar os olhos de seu corpo, de suas pernas levemente bronzeadas, sua cintura afinada na proporção certa, a barriga lisinha... Ela tinha uma tatuagem na costela, logo abaixo dos seios, alguma frase e uns pássaros em volta, algo que eu nunca tinha visto antes (também, pudera!)... Seus seios eram medianos, mas completamente proporcionais ao seu corpo, eram lindos de se olhar e eu seria hipócrita em negar, e a peça escura que ela usava contrastava sua pele pouco bronzeada. Em resumo, eu provavelmente estava com a boca aberta feito uma idiota, olhando-a sem conseguir desviar o olhar, sem nem raciocinar. Comecei a imaginar milhares de coisas indecentes – minhas mãos passeando por seu corpo, sentindo a maciez de sua pele, minha boca explorando cada milímetro dela, enquanto eu a fazia minha ali mesmo no chão daquele quarto vazio... Meu corpo estava em chamas por dentro, já era difícil respirar com as cenas se formando em minha mente. E o pior de tudo isso, era que Fernanda me olhava e provavelmente esperava que eu terminasse de falar, mas eu nem lembrava mais o que estava dizendo e tudo o que eu conseguia fazer era comê-la com os olhos descaradamente.

– Ahn... Izie? – Fernanda me chamou com incerteza. Eu não consegui responder de primeira, foi difícil realinhar minhas ideias. Ela deu um sorriso e colocou as mãos na cintura. – Está apreciando a vista? – sua voz divertida foi o que me fez perceber que eu estava sendo uma verdadeira idiota.

Senti meu rosto esquentar e virei de costas num giro.

– Eu... Desculpa, Fê – falei sem jeito, sacudindo a cabeça. Que deslize foi aquele, meu Deus?! – Eu, er... Eu achei... Achei essa camisa aqui, mas, é... O... O único problema é que ela tem uma manchinha aqui na manga, mas não é nada grande não, e... – Fernanda de repente me abraçou por trás, e eu retesei meu corpo ao senti-la ali. Ela ainda estava um pouco gelada, mas com certeza não foi isso que me fez arrepiar.

– Ah, não tem problema não, Izie. Está ótimo, é só para eu poder chegar em casa – ela respondeu.

Eu estava completamente tensa.

– Ahn... Fê... Eu acho... Acho que você não deveria me abraçar assim – falei meio baixo.

– Não? – ela perguntou parecendo confusa, mas eu sentia uma pontada de diversão em sua voz. – Mas por que?

– P-porque... B-bem, você está assim... – eu ficava tão ridícula gaguejando daquele jeito!

– Assim? Como? – ela sorria, eu tinha certeza, mesmo sem olhá-la.

Eu estava paralisada com a camisa na mão, feito uma idiota. Que saco, odiava ficar sem reação...

– Assim... Assim! Só com essas roupas aí – estalei a língua, aborrecida.

– E qual é o problema, Izie? Não há nada aqui que eu tenha, que você também não tenha – ela disse como se fosse a solução para os meus problemas. Antes fosse!

– Mas pode ter algo que eu queira – pensei comigo mesma.

Fernanda tirou os braços da minha cintura e apareceu em meu campo de visão, com um sorriso divertido nos lábios.

– Como é? – ela perguntou, seu sorriso era divertimento e descrença ao mesmo tempo.

Arregalei os olhos e cobri a boca com uma das mãos.

– Eu disse isso em voz alta? – perguntei mortificada.

– Disse – respondeu rindo.

Prendi a respiração. Parabéns, Ísis! Tome aqui seu prêmio ouro de idiota do ano. Agora eu tinha ficado realmente aborrecida. Estalei a língua novamente.

– Vai, Fernanda, pega essa camisa e veste logo! – já estava resmungando outra vez, jogando a camisa para ela e saindo do campo de visão que me permitia vê-la só naquelas roupas mínimas. Eu tinha dito para ela ir para o banheiro! Mas que droga.

Ela ainda ria, enquanto vestia a camisa.

– Não entendi porque você ficou tão nervosa, sério mesmo – dizia. Tinha cinismo em sua voz, eu tinha certeza disso!

– Ah, nada – retruquei. Me virei para ela novamente. – Eu vou... Acho que os botões aí servem para fechar a blusa, viu?! – reclamei cruzando os braços, pois ela só tinha vestido a camisa, e olhá-la naquelas lingeries escuras, apenas com uma camisa vermelha não era digno de pureza, simplesmente.

Ela sacudiu a cabeça.

– É claro, mãe. Se acalme – disse, mas já fechava os botões.

Fechei a cara. Acho que eu estava sendo bem implicante também, mas tinha que disfarçar meu deslize, ela nunca poderia saber que eu estava pensando aquelas coisas insanas a seu respeito, de jeito nenhum. Eu estava tão confusa! Não podia acreditar que estava começando a olhar Fernanda daquele modo, mas eu já não conseguia mais evitar, a presença dela estava me afetando demais... Onde eu estava com a cabeça quando inventei aquele namoro, meu Deus?!

Notas finais
Bom, é isso gente. As coisas tinham que acontecer assim, entendam, não me odeiem tanto, eu prometo que vou recompensar tuuuudo, porque daqui em diante tudo começa a mudar! Estamos entrando na fase em que a Ísis começa a descobrir e nomear seu sentimento pela Fernanda, então os acontecimentos vão se desenrolar :} Os próximos capítulos vão recompensar esse, ou pelo menos é o que eu espero né... Mandem reviews, mesmo que seja para me xingar ou me esganar com palavras :x Até o próximo capítulo! Beijos.