Paraíso Proibido

20 Capítulo 20. Litoral - IV: Clube + Reencontro Inesperado + Madrugada Intensa "1/3"


Notas iniciais
Hey hey hey, amores :D ... Ok, não me batam ;-; eu juro que era pra eu ter postado ontem, mas minha internet estava muito ruim porque choveu o dia inteiro, a velocidade ficou reduzida na metade e só foi melhorar depois das nove/dez da noite, então resolvi deixar pra hoje ;/ É o seguinte, vocês podem ver que esse capítulo vai ser em duas partes. Ahhhh, mas porque Thay (sua bitch)? PORQUE, suas lindas, ficou MUITO grande u_u é. Eu nem terminei de escrever ele ainda e já tá beirando as 7 mil palavras, aí já é demais né?! Até 5 mil eu posto, mas mais que isso já fica muito ruim ;/ (Se o nome do capítulo já é grande, imaginem ele em si... e_e) ENTRETANTO, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA! Não se desesperem. Eu acho que ainda hoje termino a segunda parte e mais tarde mesmo eu posto, nem que seja depois das dez da noite, depois das onze, depois da meia noite, de madrugada, whatever, isso se vocês forem boazinhas! ^-^ #apanha É isso, meninas. Essa primeira parte e uma parte da segunda é no PDV da Rafa, e (estragando a surpresa) vai ter especial com PDV da Alisson para finalizar a parte dois, uhuuul o/ Então, chega de lenga-lenga, perdão por qualquer errinho e bora ler :} Boa leitura!

Rafaela PDV {Rafaela: Ponto de Vista}

Eu não saberia dizer em que momento exatamente as coisas deram aquela "reviravolta". Para mim, aquilo era uma reviravolta e tanto. Eu esperava que minha mente e coração não estivessem me pregando algum tipo infeliz de peça, mas notei uma diferença considerável no comportamento de Claire comigo naquele dia. Não queria que fosse apenas uma ilusão minha, porque aquilo tinha me feito um bem enorme. Quando estávamos na mesa e ela disse que eu a havia acordado com meu abraço e um beijo de bom dia, o jeito como corou absurdamente quando Fernanda brincou perguntando se eu deixaria que ela saísse pegando todo mundo no clube e a minha resposta em seguida...

Tudo aquilo tinha sido muito espontâneo, e verdadeiro da minha parte. Confesso que antes, mesmo considerando que era errado, eu não tinha pretensão nenhuma de deixar Claire livre e solta naquele lugar. Se não fosse descaradamente, eu daria um jeito de discretamente ficar perto dela a noite toda, porque eu sentia que não iria suportar ver qualquer outra pessoa perto dela, a raiva só de imaginar uma cena dessas me fazia tremer por dentro.

Acho que eu estava enlouquecendo. Não, eu não estava louca. Era algo quase próximo a isso: eu estava apaixonada. Era tão óbvio! E eu já não podia mais negar isso para mim mesma. E agora, com todas aquelas novas reações dela comigo, aqueles olhares que ela me lançavam finalmente começavam a fazer sentido para mim. Eu não queria estar enganada, mas havia um carinho neles, um tipo de afeto, aquele sentimento que você consegue sentir só na intensidade de um olhar. Era loucura, como eu podia não ter notado isso antes? O modo como seus olhos explicitavam seus sentimentos, como passavam aquela energia boa para mim.

Foi naquele último olhar que ela me deu antes de dormir, naquela noite, que eu pude ver todo o seu carinho e afeto, quando ela deu aquele pequeno sorriso que iluminou seus olhos, o meu coração descompassou no mesmo instante. Eu não tinha como saber se o que ela sentia ia tão longe quando o que eu sentia por ela, mas fosse o que fosse, já não era mais igual à antes. Era diferente agora, e especial. Era único.

Eu adormeci imersa em todos esses pensamentos, sentindo seu corpo junto ao meu... Eu nunca tinha dormido tão bem em toda a minha vida. Mas foi melhor ainda quando acordei no dia seguinte e ela estava deitada com a cabeça em meu ombro, sua respiração calma e rítmica soprando de leve em meu pescoço. O cheiro do cabelo, mais seu cheiro natural, era tão clichê quanto ter a sensação de acordar no paraíso — um paraíso proibido para mim até aquele momento, mas que eu estava disposta a fazer o que fosse preciso para que me fosse permitido. Eu não ia deixá-la ir, eu a teria para mim. Tinha essa convicção.

Levei minha mão até seu cabelo e fiz um carinho suave ali, para não acordá-la. Era tão bom senti-la tão perto de mim. Se passaram alguns minutos, eu não saberia dizer quanto, porque o tempo realmente parecia diferente quando ela estava ali, mas então Claire se mexeu e suspirou, erguendo o olhar sonolento para mim. Nossos rostos estavam próximos, as respirações se mesclando, e meu coração começou a bater mais forte, como sempre acontecia.

– Bom dia — falei baixinho, dando um sorriso.

Ela abriu um sorriso que combinado à sua carinha de sono era extremamente fofo.

– Bom dia — ela respondeu num sussurro, dando um suspiro cansado e fechando os olhos novamente. Uniu as sobrancelhas de leve. — Que horas são?

– Não faço a menor ideia, ainda não venci a preguiça para me virar e pegar meu celular — respondi em um tom divertido e ela fungou um sorriso, ajeitando a cabeça em meu ombro.

Não consegui evitar sorrir, pois ao contrário de se afastar ela voltou a se ajeitar perto de mim. Meu coração estava feliz, eu estava em um estado de paz que não sentia há muito tempo. Voltei a fazer carinho em seu cabelo, mesmo um pouquinho receosa de que ela não fosse gostar, mas isso não aconteceu, ela apenas respirou fundo e ficou quietinha ali. Encostei meu rosto em seu cabelo, sentindo o perfume gostoso dele. Achei que ela tivesse dormido de novo, mas então murmurou:

– Assim eu vou acabar dormindo outra vez — sua voz estava baixinha, meio abafada.

Sorri.

– Pode dormir mais um pouquinho se quiser, não tem problema, deve ser meio cedo ainda.

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, a porta do quarto foi aberta com uma pancada, e eu me virei com um pulinho. Adivinha quem era!

– Vamos levantar, belas adormecidas! ela parou quando olhou para nós. — Ahhh, que ceninha mais linda é essa aqui, meu Deus?!

Claire virou o rosto e bufou.

– Porra, Fernanda! Você logo cedo, não! — emburrou.

– Olha só isso aqui, amor! — ela olhou na direção da porta, e então vi que Izie estava encostada ali, com uma maçã e uma faca nas mãos.

– Parece que a Claire não mentia quando disse do abraço e beijinho de bom dia! — ela comentou divertida.

– Finalmente né! — Fê disse com uma risada. — Agora, vamos levantar, já são nove horas da manhã.

– O que?! — Claire se sobressaltou. — Tá de sacanagem com a minha cara, Fernanda? Como se atreve a vir me acordar as nove horas da madrugada?!

– Minha filha, temos que aproveitar o dia! Porque a noite pretende ser looonga – respondeu animada. — E está um sol que Deus mandou lá fora, hoje vamos pegar uma praia! A Ali e a Amanda já estão se arrumando, então andem andem.

– Ah não, me deixa em paz, eu quero dormir — Claire choramingou, enfiando a cara embaixo do travesseiro.

– Nem pensar, estamos indo agora, depois você vai ter tempo para dormir mais, cai dessa cama, bicho preguiça! — disse, cruzando os braços. — Rafa, vocês estão de roupa?

Abri bem os olhos e dei uma risada.

– Claro que estamos! — respondi meio abismada com a pergunta dela.

– Ótimo, porque eu vou puxar a coberta!

Claire jogou o travesseiro para o lado e se sentou num ímpeto.

– Não ouse! Me bate, mas não puxa a minha coberta!

Fernanda começou a rir.

– Santo Deus, que cabelo é esse, Claire?! — disse rindo, cobrindo a boca com as mãos. — Sério Rafa, como você não se assusta quando acorda e olha pro lado?!

Eu ri, e Izie começou a rir também.

– Vai ver se eu tô na esquina, Nogueira! — Claire reclamou e bufou alto, jogando o travesseiro na amiga. Jogou o corpo com força na cama, enfiando a cara embaixo da ponta do meu travesseiro, já que ela tinha jogado o dela.

– Acorda! — Fernanda sacudiu o pé dela. Elas adoravam infernizar uma à outra, incrível.

Claire grunhiu.

– Ô Izieeee! Me ajuda, tira essa menina daqui, por favor! — choramingou, se encolhendo.

Ela deu uma risada.

– Vem, Fê, vamos que elas já vão levantar — disse, vindo até o pé da cama.

– Não e não, eu vou infernizar essa nanica até ela sair da cama! — Fernanda disse, ameaçando puxar a coberta.

Eu resolvi me pronunciar, e me sentei na cama, segurando a coberta.

– Vamos fazer um acordo de paz, está bem? — falei e elas me olharam divertida. — Quinze minutos. Nos dê quinze minutos e estamos descendo.

– Resolvido! — Izie concordou no mesmo instante.

Mas Fernanda ergueu o pulso e bateu com o dedo indicador, como se apontasse pro relógio que ela não usava.

– Quinze minutos, é tudo o que vocês têm! Ou eu volto aqui — avisou.

Izie passou o braço no ombro dela e quando virou, deu um piscadinha cúmplice para mim — soube que ela não deixaria Fernanda voltar ali. Dei um sorriso e ela fechou a porta. Voltei a me deitar, meio apoiada no braço, e com o braço livre eu abracei a preguiçosa que ainda estava com o rosto escondido embaixo do meu travesseiro. Mordi o lábio, com um sorriso contido, quando vi seu pescoço à mostra, pensei em fazer milhares de coisas, mas acho que já estaria abusando. Então, apenas me aproximei e dei um beijo de leve em sua pele, puxando o ar com força, inalando o máximo possível de seu cheiro gostoso. Ela se encolheu e suspirou, a pele arrepiando no mesmo instante. Foi bem satisfatório, devo dizer.

– Rafa — choramingou -, que isso hein? — me olhou fazendo um bico. Ela ficava uma graça assim!

– Vamos levantar, preguicinha — falei encostando o nariz em seu rosto. Acho que eu era capaz de ficar cheirando ela o dia todo, sem exageros. — É sério, nós precisamos levantar, eu só consegui quinze minutos de trégua, não acho que a Izie vá deixar a Fê voltar aqui, mas... — me interrompi quando ela se mexeu e se ajeitou na cama, pois seu movimento aproximou ainda mais nossos rostos e sua boca estava muito próxima à minha, eu podia sentir o calor de seus lábios.

Aquela vontade de beijá-la me invadiu com força e minha respiração logo ficou pesada. Mas foi melhor ainda ver que ela também estava afetada com aquela aproximação, foi bom ver seus olhos em meus lábios, seu peito subindo e descendo com sua respiração pesada como a minha, seus lábios avermelhados entreabertos. Novamente: muito satisfatório para mim. Ela engoliu em seco e eu me obriguei a desviar o olhar. Dei um sorriso para descontrair e me afastei um pouquinho antes que eu fizesse alguma loucura — não que uma loucura não fosse bem, eu me sentia capaz de cometer uma naquele momento, mas eu não ia forçar a barra com ela.

– Enfim... Acho melhor nós levantarmos e já nos arrumarmos para a praia, porque não queremos ver a fera rosnando para nós outra vez, não é mesmo? — falei com um tom divertido.

Ela estava corada, e sorriu.

– É... É melhor levantarmos mesmo — concordou, e em seguida já estava se afastando de mim.

Suspirei quando ela entrou no banheiro e afundei minha cabeça no travesseiro. Aquele dia ia ser longo!

E eu não estava errada. O dia realmente me pareceu bem longo. Alisson já havia tirado a tala e a faixa do braço e estava super contente com isso, apesar de dizer que ainda estava com o pulso dolorido — e completar dizendo que isso não a impediria de ir ao clube e beber todas. Nós fomos para a praia por volta das dez da manhã, pois ainda tomamos café antes de sair, porque as meninas "não queriam estar de estomago vazio na hora de beber" — sim, elas levaram bebida para a praia também, em uma caixa térmica. Elas eram incansáveis! Eu achava isso super divertido.

Claro que na praia eu não abusei, me permiti uma garrafa de cerveja e duas latinhas de Ice, e estava bom demais. Elas zombaram dizendo que não era para eu ficar tímida porque depois da noite anterior elas nunca mais iam me olhar da mesma forma, e nós rimos bastante entre bobeiras e brincadeiras, era muito fácil se socializar com aquelas meninas. Mas a parte mais cômica do dia foi quando Amanda, propositalmente, fez um comentário "inocente" sobre uma mulher que passou usando um biquíni vermelho, e Alisson não se aguentou e deu um tapa na nuca dela, mandando ela "se ligar".

– Eu tô ligada, tô bem ligada... Naquele biquíni vermelho — foi a ilustre resposta de Amanda, enquanto acompanhava com o olhar a mulher passar, mordendo o lábio.

Alisson jogou uma latinha de Ice vazia nela e ficou emburrada o resto da estadia na praia. Só não via quem não queria que havia alguma coisa rolando entre aquelas duas. Nós só aproveitamos o momento para zoar com a cara delas, como de praxe.

Voltamos para a casa já era por volta das três e meia da tarde, e estávamos num pique só porque Fernanda fazia questão de animar todo mundo não parando de falar do clube em que iríamos logo menos. Alisson ainda estava emburrada, não quis falar com Amanda quando chegamos, mas eu sabia que da porta do quarto pra dentro elas se entenderiam. Deixei escapar isso depois que as duas subiram quando Izie soltou o comentário "parece que a Alisson ficou mesmo brava", e as meninas caíram na risada levando minha resolução do problema no duplo sentindo. Na verdade, era no duplo sentido mesmo.

Depois de jogarmos uma água no corpo — o banho mesmo viria depois, quando fossemos sair mais a noite -, só para lavar a areia da praia, eu e Fernanda dominamos a cozinha para fazer o almoço, usando as coisas que eu tinha comprado com Claire no mercado aquele dia. Ela cozinhava bem, e eu não ficava atrás, as meninas se esbaldaram quando terminamos. Comemos bem porque ninguém tinha pretensão de voltar tão cedo para casa, e quem ia à um clube daqueles esperando encontrar comida ia dar com a cara na porta, cá pra nós. Nos prevenimos.

Ficamos na sala assistindo televisão até umas seis horas, mais ou menos. Alisson já estava mais tranquila e estava sentada perto de Amanda — fato que não deixamos de reparar, é claro -, e Fernanda foi a primeira a correr para o banheiro e começar a se arrumar.

– Essa aguada aí é um saco, vai por mim, ela demora horas pra se arrumar toda vez que vai à um lugar do interesse dela! — Claire já resmungou. Nós rimos do mau humor dela, era tão espontâneo que se tornava engraçado.

Deixei Claire tomar banho primeiro, pois eu já tinha em mente o que vestir e não pretendia "ousar" demais. Escolhi um vestidinho solto preto, de mangas médias, coloquei no pulso esquerdo um relógio e pulseiras, um anel na mão esquerda e no pé uma peep toe preta de veludo. A maquiagem seria básica, nada muito forte. E estava ótimo (n/a: look Rafa). Eu tomei banho, me arrumei e Claire ainda estava indecisa no que vestir — vê se pode? Depois falava da amiga. Fui a primeira a descer, e Izie desceu alguns minutos depois, usando um jeans waisted cintura alta, um top jeans com a bandeira americana estampada e um scarpin preto no pé. O cabelo ruivo estava ondulado e preso com uma trança, meio old-fashioned, bem bacana (n/a: look Ísis). Ela estava bonita, é claro, mas a garota que desceu em seguida conseguiu estar ainda mais linda.

Claire usava um vestidinho preto estampado, meio rodadinho, uma botinha de plataforma nos pés, pulseiras e anel, o cabelo meio ajeitado "bagunçado", do jeito mais lindo possível que destacava seu rosto e o sorrisinho sapeca que ela tinha quando desceu as escadas. A maquiagem estava bem leve, e caía super bem nela (n/a: look Claireimaginem o cabelo pouca coisa mais comprido, e essa menina da foto-exemplo é a imagem perfeita do que imagino da Claire e suas carinhas quando escrevo, obrigada e considerem *u*).

– Nossa, Izie, você está parecendo uma vadia! — Claire exclamou como se fosse um elogio.

– Pior que eu só a Fernanda, fica só olhando como ela vai descer! — Ísis respondeu já fechando a cara.

Nós rimos — já podíamos imaginar, pra ela estar tão incomodada com isso.

– Você está linda — não segurei o elogio quando Claire se aproximou.

Ela sorriu e segurou minha mão, coisa que me deixou bem surpresa.

– Você que está — disse sorrindo aquele sorriso bonitinho que só ela tinha, quando franzia um pouquinho o nariz. Eu me pegava admirando ela feito uma boba, sempre.

Não demorou muito e Alisson desceu, e Amanda logo em seguida. Claire soltou minha mão para colocá-las na cabeça, quando viu as duas amigas. (n/a: look Alisson ; look Amandaessa garota da foto é tipo exatamente como eu imagino a nossa Amanda, super combinou, esse cabelo é perfeito, então obrigada e considerem de novo! *-*)

– Minha gente! — exclamou. — Todas as minhas amigas estão parecendo umas vadias hoje! Será que só eu e a Rafa seremos as comportadas?

Elas riram.

– Alguém tem que se comportar, não é mesmo? — Alisson dando uma gingada, na brincadeira. — Aí vocês ficam juntas, se combinam!

– É, é, engraçadinha! — Claire reclamou. — Vocês também se combinam, se merecem! Na verdade a Mandy tá até comportada, agora você com esse vestido transparente aí e esse scarpin de piranha, Alisson, tá merecendo a Izie com essa roupa dela que não cobre nada!

A resposta dela não veio, porque uma Fernanda descendo as escadas como se desfilasse na passarela da Victoria's Secret, se pronunciou primeiro:

– Quem é que tá merecendo a Izie aí, hein?! — disse já toda animada, erguendo os braços no alto e dando um gritinho.

Ficamos as cinco boquiabertas. Minha nossa... A Izie vai pirar em três, dois, um... (n/a: look Fernanda).

Ousadaaaa!– Claire já gritou, colocando as mãos no rosto, abismada. Acho que a Fê realmente ousou dessa vez.

– Chegou a Rainhas das Vadias, abram alas! — Alisson falou rindo, e nós a acompanhamos. Fernanda não se abalou e desceu as escadas toda cheia de pompa.

– Fernanda Nogueira! — a voz autoritária fez nós calarmos o riso e a dita cuja fez um bico, olhando para uma Izie com cara de poucos amigos e braços cruzados, que havia acabado de chamá-la pelo nome inteiro. Traduzindo: se ferrou.

– Amor... — ela começou tentando fazer manha, mas Izie estava impassível:

– Você jura que vai sair comigo vestida desse jeito, não é mesmo?! Ah tá, passa amanhã!

– Mas, mas...

– Não! Nem adianta vir fazer bico pro meu lado, sai pra lá com essa manha, está me ouvindo? Ou você coloca algo menos "eu sou vadia", ou eu não saio daqui e nem você.

Ahhh, qual é, Izie! — Claire que falou em prol da amiga. — Deixa a garota ser feliz! Tua roupa também está bem "eu sou vadia", então acho que estamos todas em harmonia! Quer dizer, vocês pelo menos. Vai, larga de agir feito a minha avó e vamos curtir essa porra logo! Você gruda na Fê que nem cadelinha no cio e tudo fica resolvido!

Nós seguramos o riso até ficarmos sem ar, devido à tensão da situação. Ela era doida! Fato, e fim.

– Cadelinha no cio?! — Izie a olhou abismada. — No cio vão ficar as vagabundas naquele clube se ela entrar lá assim! Eu vou ter que dar porrada em todo mundo! — queixou-se.

– Ótimo! — Claire finalizou. — Além de defender seu território, ficar super bem vista com uma gata dessas do lado, ainda vai ficar em forma lutando! Vamos embora.

A discussão não acabou exatamente ali, porque mesmo Fernanda indo com a roupa que estava, Izie ainda reclamou durante o caminho, e reclamou ainda mais quando uns caras mexeram com Fernanda na rua — mexeram com todas nos, na verdade, mas claro que ela nem viu isso, só viu eles mexerem com a namorada. Nós resolvemos ir a pé porque ficava há uma quadra dali, logo depois da entrada do porto, então essa trajetória realmente deu o que falar.

A entrada do clube estava cheia, da esquina já dava para escutar a pancada dos auto-falantes trabalhando à mil. Nós chegamos era quase dez e meia da noite. O bom é que não era fila única para entrada, havia cabines separadas que vendiam pulseiras para os camarotes e outras duas que vendiam para a pista normal, então não demoramos muito para conseguir as nossas — a fila do Camarote 3 estava grande, não dava para negar, mas não tanto quanto as outras. Logo de cara nós deixamos trezentos e setenta reais cada uma — pulseirinha cara! O Camarote 4 era quase seiscentos reais, se bem me lembro de acordo com o que vimos no site, devia ser aquele luxo também. Com certeza aquele era o clube mais caro da região e ninguém podia negar. Claro que Claire reclamou do valor, como já tinha feito antes, mas eu tratei de acalmá-la e as meninas não deram à mínima, só queriam beber e se esbaldar.

Quem era dos camarotes acabava entrando mais rápido, pois a fila era separada igual a venda das entradas, mas não deixava de estar lotada. Demoramos mais ou menos dez minutos para entrar, depois de sermos revistadas e as pulseirinhas carimbadas. Lá dentro, era uma verdadeira loucura de pessoas — olhando ali, eu não conseguia imaginar se ia caber todas as pessoas que ainda estavam do lado de fora. As luzes piscavam freneticamente de todas as cores possíveis, o que de princípio era horrível para se acostumar, mas depois seria só alegria.

Subimos para o C3, seguindo as indicações, e lá fomos barradas por um segurança que verificou nosso camarote impresso na pulseira, e então nos permitiu a passagem. A música (n/a: dê play nessa bagaça e simbora moçada!) rolava solta, a batida pesada fazendo as pessoas dançarem sem pudor algum. Foi um pouco difícil chegar até o bar — difícil porque, além da muvuca de pessoas, algumas descaradas ainda nos puxavam para dançar. Impedi a primeira luta da noite quando uma garota puxou Fernanda e a agarrou para dançar, mas Izie estava de costas, então eu a puxei de volta rapidamente e fiz uma cara tipo "toma cuidado!" apontando disfarçadamente para a namorada dela adiante, e a loira encolheu os ombros e riu. Sacudi a cabeça, sorrindo; se ela soubesse do perigo!

No bar, começamos com um shot duplo de tequila — ideia da Claire, para "começar bem" a noite. Erguemos o copo no alto, com uma comemoraçãozinha, e então viramos. A cara azeda da autora da rodada foi inédita. No começo nós ficamos por ali, apenas curtindo um pouco. O C3 era enorme, tinha a pista de dança no centro (que estava lotada, e as pessoas dançavam em todos os lugares, a pista era um mero detalhe), o DJ estava na plataforma elevada à pista, e um globo de luz com spikes no alto lançava luzes frenéticas por todos os cantos. Na outra extremidade, havia a área reservada que ficava atrás de uma fina cortina de seda vermelha, lá tinha sofás de couro igualmente vermelhos para quem quisesse fugir um pouco daquela agitação toda e ter um momento mais íntimo. Depois do shot duplo de tequila e duas rodadas de vodca collins, Alisson e Amanda foram as primeiras a dar perdido.

Izie ainda estava meio emburrada porque todo mundo secava Fernanda — e igualmente secava ela, mas claro que isso ela não queria perceber -, mas em certo momento desistiu de ficar de bico e resolveu puxar a namorada para a pista, começando a dançar de um modo sensualmente explicito, que fez todo mundo começar a olhá-las. Eu e Claire começamos a rir, ela estava marcando seu território e aquilo era muito engraçado porque Fernanda se divertia a ponto de gargalhar enquanto rebolava com o corpo colado no de Izie, e era hilário ver a cara de umas vagabas que fizeram um bico horroroso ao ver que aquelas duas se pertenciam e o território estava mais que marcado ali já. Pelo menos isso ajudou a espantar as atrevidas e atrevidos, e fez com que o mal humor da ruiva fosse embora.

Então chegou o momento que Claire, toda animadinha já, me puxou para dançar também. E naquele momento eu posso jurar que vi Jesus e voltei, sério! Ela dançava colada em mim, suas pernas encaixadas nas minhas, nossas peles se tocando naquela movimentação constante e quente, eu ia enlouquecer fácil. Quando a batida ficou mais "sensual", seus braços foram para o meu pescoço, seu rosto no meu, sua boca próxima demais para a minha pouca sanidade depois daquela rodada de álcool, enquanto seu corpo estava colado ao meu e ela fazia movimentos que me permitia sentir cada curva sua. Aquilo era simplesmente demais para mim! Eu queria beijá-la, eu ia beijá-la e que aquele clube viesse abaixo, não me importava! Mas toda vez que eu tomava a coragem suficiente, ela parecia perceber e virava de costas, rebolando em mim, me deixando ainda mais maluca.

Ok, adeus, vou ali morrer e já retorno.

O que era isso! Ela queria me matar, só podia ser! E esse fato se comprovou quando eu percebi que ela, na verdade, não estava se esquivando do meu beijo, e sim me provocando, isso se fez bem claro porque ela mordeu meu lábio, me fazendo sentir o contato de sua língua ali, quando voltou a passar os braços em meu pescoço e aproximar nossas bocas. Novamente, antes que eu pudesse agarrá-la como eu queria naquele momento — que era loucamente, acreditem -, ela voltou a se afastar dando um sorrisinho divertido e sedutor ao mesmo tempo. Sério, eu não sabia que Claire tinha esse dom para provocação, e digamos que não fiquei tão feliz em descobrir, porque eu já estava pirando infinitamente de não poder pegá-la do jeito que eu queria. Ela então saiu da pista, dando uma piscada para mim, e seguiu na direção do bar.

Eu não a segui no mesmo momento, ainda respirei fundo, tentando me recompor. Ok: lembrar de nunca mais dançar com ela — confere! Sacudi a cabeça, eu estava sexualmente frustada, era assim que me sentia, e isso não era nada legal. Fui para o bar e ela estava sentada em um dos bancos altos, enquanto o barman lhe entregava alguma bebida — era cuba libre.

Ela tomou um gole e apoiou o copo no balcão, e nesse momento eu cheguei por trás maldosamente e passei meu braço em sua cintura, mordendo seu pescoço, e ela se encolheu e arrepiou toda. Sorri.

– Vou descer até o fumódromo para pegar um ar, lá é aberto. Qualquer coisa, sabe onde me encontrar — falei em seu ouvido, me afastando depois de dar uma mordida no lóbulo de sua orelha. Se ela queria provocar, então tudo bem. Quem disse que eu lembrava da minha timidez depois de algumas rodadas e uma garota daquelas se esfregando em mim? Por favor né. Sou tímida, mas não sou santa.

E eu realmente precisava de um ar, estava sufocando ali dentro e depois daquela dança eu precisava esfriar meu corpo inteiro– não era só a cabeça. Desci e fiz meu caminho até o lado de fora, me espremendo entre as pessoas que dançavam como se o mundo fosse acabar junto com o fim daquela festa. A música estava boa também ali nas pistas de baixo. Passei pela porta dupla que um segurança abriu para mim e finalmente senti o ar fresco bater em meu rosto. Foi um alívio e tanto. Apesar do cheiro predominante do cigarro ali, era bom sentir algum vento e poder sentir a temperatura do meu corpo finalmente baixando. Me afastei do grupinho fumante o máximo que o espaço me permitia, e encostei em um canto, respirando fundo.

Em certo momento, uma garota se aproximou e me ofereceu um cigarro, mas eu recusei educadamente, não era chegada nisso, e quando ela tentou puxar algum assunto eu cortei dizendo que estava esperando minha namorada que tinha ido ao banheiro. Desculpa esfarrapada, talvez, mas funcionou e ela deu de ombros e se afastou. Eu não sabia se Claire desceria, tinha a impressão que não depois que se passaram alguns minutos, mas não que eu a estivesse esperando realmente. Estava absorta lembrando de alguns minutos atrás, de toda aquela dança, das insinuações dela...

Minha cabeça rodopiava. Eu tinha para mim aquela sensação de que ela sentia algo, algo que não era só um simples carinho de amiga, uma amizade comum e qualquer... Ela sentia algo mais. Eu queria ir fundo nisso, queria descobrir o que se passava com ela, sondar o perímetro e ver se eu podia "me jogar" ali, porque eu a queria pra mim mais do que antes. Era uma necessidade sufocante.

Olhei em meu relógio de pulso, e os ponteiros marcavam duas e meia da manhã. Estava pensando em todas essas coisas, imaginando formas de abordá-la e questionar sobre seus sentimentos de uma forma que não a afastasse de mim, ou talvez simplesmente investir e ver qual seria sua reação: se ela se entregaria ou se afastaria. Tinha medo dessa segunda opção acontecer, sentia que não ia suportar. Mas, então, alguém me tirou dos meus devaneios, quando chamou meu nome:

– Rafaela?

Aquele sotaque carregado me fez erguer o olhar num movimento rápido, que só fez minha cabeça girar ainda mais e minha vista embaçar por um instante. Conforme sua silhueta ia tomando forma diante de mim, minha boca foi se abrindo em surpresa e espanto. Não, não podia ser...

Notas finais
Aeaeaeae /o/ alguém já tem alguma ideia de quem pode ser esta pessoa que chegou na Rafa? (Acho que todo mundo já suspeita ou tem certeza u.u) enfim! Como eu disse nas notas iniciais, pode ser que ainda hoje mesmo eu poste a continuação desse capítulo, para compensar minha demora. Mereço um doce sim ou claro? ;* Até o próximo, leitoras!