Paraíso Proibido
21 Capítulo 21. Litoral - V: Clube + Reencontro Inesperado + Madrugada Intensa "2/3"
Notas iniciais
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– Agatha? — estreitei os olhos, tentando ter certeza de que eu estava mesmo vendo aquela garota na minha frente.
Ela sorriu. Meu Deus, era mesmo a Agatha...
– Oi — disse sorrindo. — Que surpresa. Não esperava encontrar você aqui. — O português dela era muito carregado, também, pudera! Como assim, o que ela estava fazendo ali, no Brasil?
Eu fiquei encarando ela sem saber o que dizer, a boca aberta e os olhos mais abertos ainda.
– Agatha... — balbuciei seu nome outra vez. Não podia acreditar, cara! Impossível. Minha ex-namorada ucraniana de seis anos atrás, ali, no mesmo país, no mesmo estado, na mesma cidade e no mesmo clube que eu. Que tipo de brincadeira de mal gosto era essa?
– Sou eu — ela assentiu, sem deixar de sorrir. Eu devia estar feito uma pateta ali na frente dela!
– Nossa, eu... Caramba, eu... Eu não sei o que dizer, meu Deus... — murmurei encarando-a. Decidi falar em nosso idioma nativo, para ver se funcionava (n/a: os textos em itálico é a fala delas em "ucraniano"), e fluiu melhor: — O que você está fazendo aqui no Brasil? Nossa, já faz muito tempo.
Seu sorriso aumentou. Ela ainda continuava linda exatamente como eu me lembrava. Os cabelos loiro escuros, os olhos cor de mel, seu sorriso... Nada mudara exatamente, ela apenas tinha se tornado uma mulher, com o corpo de uma mulher, invejável até. Mas, por incrível que pudesse parecer, depois daqueles dois anos que ficamos juntas e do tanto que eu a amei e sofri ao ter que vê-la ir, agora, olhando-a diante de mim depois de todo aquele tempo, eu já não conseguia resgatar nem um porcento daquele sentimento de antigamente. Só uma garota reinava em minha cabeça e coração.
Ela respondeu, em nosso idioma:
– Eu sei, é muita coincidência mesmo, não é? Eu vim morar no Brasil há dois anos e meio, ainda estou me adaptando às condições daqui, ao clima, ao idioma principalmente porque eu estou apanhando um pouco. Tudo na Ucrânia e na Alemanha é muito diferente daqui. Agora eu estou fazendo faculdade e estou trabalhando, comecei há alguns meses.
– Muito legal mesmo, Aggie - por algum motivo estúpido eu a chamei pelo apelido que usava quando namorávamos, e aquilo pareceu surpreendê-la. Apertei os lábios. Não queria que ela pensasse alguma coisa errada.
– É sim – ela disse, me olhando com certa intensidade. — Seis anos já, Rafa... É muito tempo, não é? Não sabia que você estava no Brasil também...
– É, meus pais resolveram se mudar há três meses. Depois de Kiev nós moramos em Odessa, com meus parentes maternos. Mas, de qualquer forma, foi bom retornar às raízes paternas por um tempo.
Ela nem pareceu ouvir todas as coisas que eu disse. Se aproximou de mim, me surpreendendo ao tocar meu rosto e acariciá-lo. Eu me afastei um pouco por não esperar aquele movimento dela, mas isso não a desencorajou.
– Você está linda, sabia? Mais linda do que eu me lembrava. Quando fui embora senti tanto a sua falta, Rafa... Nem acredito que te reencontrei aqui, tão longe de casa! Achei que nunca mais fosse te ver – suas palavras saíam carinhosas, enquanto sua mão fazia um carinho em minha bochecha.
Trinquei os dentes. Aquela aproximação não estava legal, sério, eu não estava à vontade com o rumo daquela conversa. Tentei transparecer isso, mas nada parecia intimidá-la.
– Pois é. Estamos bem longe de casa mesmo...
– Estamos sim... - ela murmurou, seu polegar desenhando o contorno dos meus lábios. Tentei me mexer um pouco, olhar para os lados, para ver se ela se tocava que eu não estava gostando, mas não adiantou. — Eu sinto sua falta, Rafa. De verdade, sinto mesmo... Passei os melhores momentos da minha vida ao seu lado, e apesar de sermos tão jovens na época e, depois que tudo acabou, eu ter seguido em frente, nunca foi o mesmo com outra garota.
– Er... Eu sinto muito, Agatha, o problema é que... - tentei falar, ia me esquivar, mas ela não deixou e logo me interrompeu:
– Sinto falta dos teus beijos... - dizia, sem nem prestar atenção ao que eu dizia, contornando meus lábios com o polegar. — Sinto falta do calor da sua pele, do seu toque, das noites que passamos juntas... - E quando eu menos esperava, ela puxou minha nuca e grudou nossos lábios com certa possessão.
Droga! Era o que eu temia. Agarrei seus braços com certa indelicadeza, e a afastei, desviando meu rosto. Sacudi a cabeça. Ela mordeu os lábios, sabia que não tinha gostado daquilo. Mas o que eu podia fazer? Não era ela que eu amava, não mais!
– Eu achei que você fosse querer... Você me disse, uma vez, que nós éramos para sempre, Rafa... - murmurou.
– O nosso para sempre acabou há muito tempo Agatha, quando você me disse adeus. Sei que não foi culpa sua, mas agora... - Eu não consegui terminar de falar, pois, por cima do ombro dela eu pude ver Claire parada depois da porta, olhando para nós. Meu coração gelou e eu nunca, em toda minha vida, senti um aperto tão ruim quanto aquele que sufocava meu peito.
Ela olhava para nós de um modo que eu não consegui decifrar, mas ela podia muito bem ter visto aquele beijo e pensado algo totalmente errado! E eu soube que foi exatamente o que aconteceu quando ela apertou os lábios, lançando um olhar de desprezo em nossa direção, e então passou pela porta como um furacão. Agatha tentou falar comigo, mas eu não queria ouvir mais nada, eu não queria mais olhar pra ela! Sai correndo do fumódromo e, quando passei pela porta, meu coração já estava a mil. Eu a vi abrir caminho furiosamente entre as pessoas. Meu Deus, isso não podia estar acontecendo! Eu não podia deixar ela ir sem que eu me explicasse! Eu precisava me explicar, ela precisava me ouvir, meu coração parecia que ia parar...
Tentei segui-la, empurrando as pessoas do meu caminho sem delicadeza alguma, tentando seguir seu rastro. Por um momento, quando passei pelo amontoado de gente em uma das pistas, eu a perdi de vista. Me desesperei. Puxei uma garota que achei que fosse ela, e me desculpei pelo engano quando ela reclamou. Não, não, não, não... Meus olhos iam de um lado para o outro freneticamente, procurando por Claire. E a achei! Estava indo em direção à saída. Eu corri sem me importar com o pouco espaço, empurrando e até derrubando pessoas, ignorando os xingamentos e os empurrões que eu levava. Eu voltei a perdê-la de vista, mas sabia que ela tinha saído, então me apressei para poder chegar até a porta de saída. Estava eufórica, já não parecia mais existir som de música ao meu redor, tudo o que eu ouvia era a batida retumbante do meu coração desesperado.
Quando cheguei até a saída, outras pessoas saíam também e o segurança logo me encarou ao me ver na correria, então tive que acalmar um pouco e sair normalmente, vai que ele acha que estou aprontando alguma e saindo correndo do clube? Mesmo assim, ele desconfiou e me barrou, mandando a segurança ao lado dele me revistar para ver se eu estava limpa. Que merda! Eu passava a mão no cabelo, atordoada, com pressa, queria sair dali logo e alcançar Claire antes que ela sumisse! Sabe-se lá para onde ela estava indo, meu Deus... Depois que me liberaram a passagem e eu saí, fiquei perdida. Fui até a ponta da calçada, e olhei para os dois lados na esperança de encontrá-la, mas não conseguia vê-la. Eu estava entrando em um desespero tão grande que estava a ponto de chorar, minhas mãos tremiam, meu peito doía, não conseguia respirar direito, que sensação horrível... O que estava acontecendo comigo?!
Numa tentativa desesperada, me aproximei de um grupinho de jovens que tinha ali.
– Com licença — pedi, tentando controlar minha voz. Eles me olharam, disseram um "oi" meio desconfiado. — Er, me desculpe... Mas vocês viram uma garota passar por aqui? Ela é mais ou menos da minha altura assim, cabelo meio curto, estava usando um vestidinho florido... Vocês a viram? — eu já estava desesperada outra vez.
Os meninos sacudiram a cabeça, se entreolhando. Trinquei os dentes. Isso não podia estar acontecendo!
– Vestido preto florido? — uma garota perguntou, me olhando em dúvida.
– Isso, isso, era preto... Por favor... — juntei minhas mãos, nervosa, ansiosa.
– Bem... Não sei se é a mesma, mas... Eu vi uma garota de vestido preto florido passando por aqui agora mesmo, ela foi na direção daquela próxima esquina — apontou. — Mas... Está tudo bem? — ela perguntou, estranhando.
– Sim, está sim, eu só... Obrigada, obrigada mesmo. — Não quis mais estender o assunto e sai logo dali. Era minha única esperança, estava rezando para que fosse Claire que ela tinha visto.
Segui na direção que aquela garota me indicou, apressando o passo ao máximo. Quando virei a esquina, vi alguém mais à frente. Estava um pouco distante, mas eu me apressei e logo a reconheci. O meu alívio foi tão grande que nem consegui respirar direito.
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I hung up the phone tonight, something happen for the first time, deep inside
(Eu desliguei o telefone esta noite, alguma coisa aconteceu desde a primeira vez, lá no fundo)
It was a rush, what a rush...
(Foi como uma corrida, e que corrida...)
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– Claire! — gritei seu nome. Ela virou a cabeça, e uniu as sobrancelhas. Me ignorou e voltou a olhar para frente, caminhando rapidamente. Sério que ela ia fazer isso comigo? — Claire, espera! — eu corri para poder alcançá-la, e segurei seu braço, virando-a com força. — Por favor, espera.
– Tire as mãos de mim, Rafaela! — ela reclamou, puxando o braço. Aquilo me feriu como um tiro. Mas me controlei.
– Por favor, me escuta...
– Eu não quero ouvir nada. Só me deixa em paz.
– Claire, por favor! Você precisa me ouvir, não é nada do que você está pensando, deixa eu me explicar...
– Eu já disse que não quero te ouvir! Eu nem sei ao que você está se referindo, então me deixa ir — fechou a cara e retomou os passos, mas eu voltei a segurá-la e dessa vez eu não a soltei, a prensei contra a parede, estreitando meus braços ao seu redor. Ela protestou: — Me solta!
– Não! Você vai me ouvir! — meu tom alto de voz fez ela se calar e me olhar surpresa. Respirei fundo. — Por favor, Claire. Eu não sei o que você acha que viu, mas não era o que parecia, juro por Deus...
– Era exatamente o que parecia, Rafaela — ela falou, dessa vez sua voz estava fria, calculada. Aquilo não me agradava. — Mas, quer saber? Eu nem sei porque você está falando sobre isso. Você é livre! Pode ficar com quem quiser, não tem que dar satisfação à ninguém, menos ainda à mim.
Meu Deus, eu ia pirar! Será que ela não perceberia nunca que era ela que eu queria, e nenhuma outra? Soltei um riso nervoso. Não estava mais aguentando aquilo.
– Claire, você não entende. Eu não sou assim, não sou de sair por aí ficando com garotas que eu conheço na noite. Sei que isso vai me queimar ainda mais com você, mas eu vou falar: aquela garota que você viu... Não era uma desconhecida. Era a Agatha, minha ex-namorada... — Nesse momento, Claire bufou e riu sarcástica.
Eu não sabia se me apavorava ou me alegrava diante desse novo lado dela — me alegrar porque ela estava demonstrando o quanto aquilo a incomodou, por demonstrar ciúmes. Então significava que ela sentia alguma coisa, uma simples amiga não se incomodaria àquele ponto... Não é?
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Cause the possibility that you would ever feel the same way about me
(Porque apenas a possibilidade de que você sente o mesmo por mim)
It's just too much, just too much...
(É demais, simplesmente demais...)
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Continuei:
– Faz muito tempo que nós terminamos, ela é da Ucrânia e eu juro que não sei por que diabos a reencontrei aqui e agora, já faz mais de seis anos!
– É, mas você parecia bem contente de tê-la reencontrado! Já que estava aos beijos com ela — acusou.
– Foi ela que me beijou! — me defendi.
– Faça-me o favor! Essa é mais velha que minha tatara-tataravó! "Ela que me beijou". Qual é, Rafaela, só assume!
– Estou falando a verdade, Claire!
– Tá bom, e você quer que eu acredite nisso? Fala sério...
– E por que você não assume, então?!
– Assumir o que?!
– Assume que isso te incomodou! Assume que você se importa!
– Eu não me incomodei com nada! Você faz o que você quiser da sua vida, eu não me importo! — Ela estava se fazendo de durona. Tão típico!
– Mentira! — falei abismada. — Se não se incomodou, por que saiu daquele jeito, por que foi embora do clube? Por que não queria falar comigo? Está tão óbvio!
– Óbvio? O que está óbvio?! — ela estava nervosa.
– Que você se incomodou, óbvio que você se importa! E é óbvio que sente alguma coisa por mim — falei de uma vez. Queria ver qual seria sua reação.
Confesso que não foi a que eu esperava. Esperava que ela fosse gritar, dizer que era mentira, que eu estava falando bobagem, mas não. Em vez disso ela abriu a boca, mas não emitiu som algum, não pronunciou qualquer palavra. Ela vacilou. Aquilo deixou tudo ainda mais óbvio para mim. Meu coração batia de um modo diferente dessa vez. Ela ficou nervosa, olhava para os lados, não me encarava.
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Why do I keep running from the truth? All I ever think about is you
(Por que eu continuo fugindo da verdade? Tudo o que eu penso é você)
You got me hypnotized, so mesmerized, and I just got to know...
(Você me deixou hipnotizada, tão fascinada, e eu só preciso saber...)
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– Você... Eu não sei do que você está falando, Rafaela, realmente não sei. Nada disso é verdade, pare!
– Parar o que? Falei alguma mentira? — olhei em seus olhos, aproximando nossos rostos. — Nega, então, que sente algo por mim. Nega, e eu vou embora da sua vida pra sempre.
Aquilo doeu demais em mim. Eu não queria sair da vida dela, eu a queria em minha vida, queria que ela fosse minha e de mais ninguém. Mas eu soube que tinha escolhido as palavras certas no momento em que ela visivelmente se desesperou, pude ver que ela se abalou, pude ver o quanto aquilo a afetou, seus olhos diziam tudo, sua respiração ficou pesada.
Mesmo assim, ela mantinha seu orgulho intacto.
– Eu não sinto nada por você. — Aquelas palavras dela teriam me ferido até o fim dos meus dias. Se ela estivesse olhando em meus olhos quando as disse. Mas ela não estava. E eu me agarrei desesperadamente à esse detalhe.
Peguei seu rosto entre minhas mãos e a forcei me olhar. Seus olhos estavam úmidos, lágrimas contidas. Meu coração já não batia em meu peito; voava.
– Olha pra mim — falei firme. Quando seus olhos finalmente encontraram os meus, dei meu golpe final: — Repete. Diz, olhando nos meus olhos, que quer que eu saia da sua vida pra sempre, Claire. É tudo o que você tem que fazer.
Ela respirava com dificuldade, seus lábios estavam trêmulos. Ela sussurrou alguma coisa, bem baixinho, e eu não entendi.
– Que? — questionei, unindo as sobrancelhas.
Ela fechou os olhos com força, e uma lágrima solitária desceu por seu rosto. A sensação que aquilo me causou não foi boa.
– Eu não posso... — repetiu, um pouco mais alto. — Não posso dizer... — sua voz embargada me partia o coração.
Eu apenas a olhei. Minha respiração pesada, havia um bolo enorme em minha garganta. Seus olhos voltaram aos meus, marejados. Ela nunca havia me encarado com aquela intensidade antes, era tão forte que me fazia prisioneira ali. Seus olhos alternavam entre os meus e meus lábios, e outra lágrima caiu. Aquilo estava me matando. Eu podia ficar ali, olhando em seus olhos, esperando que ela falasse alguma coisa, mas eu tinha uma necessidade muito grande de falar, de colocar para fora aquelas palavras que me sufocavam há tanto tempo.
– Eu nunca... — minha voz falhou por um instante, era difícil falar com toda aquela emoção que aflorava dentro de mim. — Nunca escondi o que sinto por você, Claire. Nunca. Mas eu te respeitei. Por todos esse tempo, embora não tenha sido tanto, eu te respeitei, respeitei suas escolhas, respeitei seu espaço. Só que... Eu não aguento mais — aquelas palavras saíram sôfregas. — Você não entende... Agatha já foi alguém especial em minha vida, mas hoje, agora, neste exato momento, só uma garota pertence aos meus pensamentos e ao meu coração. — Segurei suas mãos, trazendo-as para o meu peito, entrelaçadas nas minhas. Meus olhos ardiam, as lágrimas teimosas estavam ali, querendo sair sem permissão. Já em Claire, suas lágrimas trilhavam um caminho por seu rosto abaixo e torcia para que aquilo fosse algo bom, pois não queria vê-la chorar de tristeza. — Não sei mais o que pensar... Eu preciso saber o que você sente, Claire... Eu estou enlouquecendo! Preciso saber o que você pensa, o que você quer, o que sente de verdade por mim, eu não aguento mais esse impasse, isso me mata cada dia um pouco mais. Eu não posso mais viver sem você — pronunciei essas palavras devagar, para que ela entedesse de uma vez por todas. Foi como tirar uma tonelada de minhas costas. Queria que ela soubesse de tudo agora. — Cada minuto ao seu lado sem poder te tocar, sem poder te beijar, cada maldito minuto desse é a maior tortura pela qual eu poderia passar. Eu amo você. Sei que vai pensar que isso é uma loucura! Deve ser, mas eu acho que estou louca mesmo... Você me deixou louca, louca por você, porque eu nunca me senti assim antes... Me sinto sufocada, angustiada, não sei o que você quer e isso me deixa perdida no escuro, eu...
Eu nunca achei que fosse ser interrompida daquela maneira. Era a reação que menos esperava dela, com toda a certeza. Claire desvencilhou suas mãos das minhas e no momento seguinte seus braços estavam em meu pescoço, seu abraço foi forte, decisivo, suas mãos em meu cabelo, e seus lábios tomaram os meus como se o mundo dependesse daquilo. E dependia, o meu mundo dependia, assim como o dela. Eu ainda estava muito emocionada com aquele momento todo, muito balançada, e demorei um segundo inteiro para realmente acreditar no que estava acontecendo.
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Do you ever think, when you're all alone, all that we could be, where this thing could go?
(Você alguma vez pensou, quando estava sozinha, tudo o que poderíamos ser, onde isso poderia dar?)
Am I crazy or falling in love? Is it real or just another crush?
(Estou ficando louca ou me apaixonando? Isso é real ou apenas mais uma paixão?)
Do you catch your breath when I look at you? Are you holding back like the way I do?
(Você suspira quando olho para você? Você está se segurando como eu estou?)
Cause I'm trying, trying to walk away. But I know this crush ain't going away...
(Porque eu estou tentando, tentando me afastar. Mas eu sei que essa paixão não vai embora...)
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Mas quando tomei consciência de seus lábios nos meus, nossos corpos juntos, foi como um soco no estômago me trazendo de volta à realidade. Aquilo estava acontecendo. E eu deixei de pensar, deixei de sentir o mundo ao meu redor para exclusivamente senti-la, a abracei com força, encaixando seu corpo no meu como se ele tivesse sido moldado para estar ali, e a beijei como se fosse a última coisa que eu faria na vida. Seus lábios não chegavam nem perto de ter o gosto que eu imaginava toda vez que os observava; era infinitamente melhor, a textura, o sabor, o modo como eles se moviam em sincronia com os meus, como sua língua correspondia ao toque da minha...
Se morresse por beijá-la naquele momento, eu morreria com uma felicidade tão grande tomando conta do meu coração que parecia que a qualquer momento ele explodiria. Era tão gostoso como ela me envolvia em seus braços, como me beijava, como seus dedos se enroscavam em meu cabelo e seu corpo reagia ao toque do meu, como ela queria aquilo tanto quanto eu... Senti que finalmente meu mundo estava completo e em paz.
Mesmo quando nossos pulmões começaram a gritar por ar, nem assim ela parecia querer que aquele beijo acabasse, muito menos eu. Nossas respirações se colidiam, se mesclavam, buscando algum ar sem que tivéssemos que parar. E juro que só parei de beijá-la naquele momento porque nossos corpos pegavam fogo e eu estava prestes a cometer uma loucura ali mesmo, no meio da rua.
– Vamos sair daqui — ela sussurrou.
Não reclamei. Era tudo o que eu mais queria.
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See it's a chance we've gotta take, cause I believe that we can make this into...
(Veja, esta é uma chance que temos que agarrar, porque eu acredito que podemos transformar isto...)
Something that will last, last forever...
(Em algo que pode durar, durar para sempre...)
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